Volume 1

Capítulo 34: Agente de Campo (1)

Tchac!

Perseguir inimigos no ar a partir do chão não era uma tarefa simples. Contudo, era perfeitamente possível para alguém como Eun-Ho.

— Aceleração! — ele gritou o comando, avançando num ímpeto de velocidade aumentada.

Ele varreu qualquer obstáculo que surgisse com golpes que petrificavam e rajadas cortantes de vento. Um após o outro, abriu caminho sem parar, abrindo o caminho com teimosia até finalmente chegar à Torre Namsan.

“Torre Namsan?”

Ele tinha voltado. Só que, desta vez, não foi por causa de uma Provação nem de uma zona segura designada, e sim por causa dos gêmeos esquisitos de corte tigelinha.

“O quê? Eles sumiram!”

Talvez tivessem entrado? Ele vasculhou a área com os olhos, procurando qualquer sinal deles.

Tum!

De repente, eles desceram bem na frente dele.

— Você consegue nos ver?

Um dos gêmeos de tigelinha preencheu todo o seu campo de visão. Assustado, Eun-Ho não respondeu, mas a reação dele disse tudo.

Boom!

Quando os dois bateram os pés ao mesmo tempo, um frio de gelar os ossos subiu debaixo dos pés do Eun-Ho.

Krrrrrk!

Em segundos, ele ficou congelado.

“Eu tenho que… ficar consciente…”

No entanto, sua visão foi se apagando devagar.


Ugh… — Eun-Ho gemeu.

Seus dentes batiam sem controle. A cabeça latejava, e ele se sentia encharcado, como se tivesse sido pego por uma tempestade.

“Quanto tempo eu fiquei apagado?” Eun-Ho se perguntou.

Ele tentou mexer braços e pernas, mas nada se movia. Olhando melhor, viu que estava amarrado com algo que parecia uma corda. Ele tinha uma boa ideia de quem tinha feito isso.

— Setor…

— No geral… mediano…

— Suspeito…

— Precisa de investigação.

Eun-Ho ouvia as vozes fracas de longe. Eram aqueles gêmeos, conversando como se a possibilidade de ele acordar nem tivesse passado pela cabeça deles.

“Onde estou agora? Estou num escritório?”

O teto se erguia alto acima dele. Estantes de livros pendiam como divisórias improvisadas, abarrotadas de livros de todos os tamanhos e espessuras. Ainda assim, havia algo nesse espaço que fazia parecer um escritório, e não uma biblioteca.

— Cadê o relatório de investigação do Setor 13?

— Está ali!

Pilhas de pastas e fichários estavam empilhadas em cada mesa. Por isso, concluiu que com certeza estava num escritório.

Mesmo assim, para duas criancinhas, que mal alcançavam as mesas, isso era uma montagem bizarra.

“Espera aí.”

Um dos gêmeos se espremeu entre as mesas, fuçando gavetas e revirando papéis como se procurasse alguma coisa.

Banhado pela luz dourada do pôr do sol, essa figura pequena ficou emoldurada pelas janelas enormes de ponta a ponta, como uma sombra silenciosa contra o dia que se apagava.

“Essas janelas parecem…”

Do lado de fora, o horizonte de Seul se estendia por completo. Adesivos de pontos turísticos pontilhavam cada vidro. Um expositor de souvenirs esquecido estava empurrado num canto, quase escondido por uma fileira de estantes.

“A gente está no deck de observação?”

Claro que eles montaram o “escritório” dentro de um dos marcos mais icônicos de Seul. Não era à toa que a torre estava cercada por aquele domo estranho.

“O que importa é descobrir quem são essas crianças, o que elas estão fazendo aqui e, principalmente, por que me atacaram.”

No entanto, agora já tinha uma boa ideia.

[Geração excessiva de entidades na zona atual!]

De algum jeito, eles perceberam que o plano de caça automática dele causou o surgimento de muito mais monstros do que o normal. Provavelmente tinham aparecido para investigar.

[Isso é estranho. Requer um relatório separado.]

[Vamos nos encrencar. Precisamos avaliar primeiro.]

Só que parecia que eles não eram os responsáveis finais. Pelo jeito que falavam, estavam tentando entender a situação antes de reportar a outra pessoa.

“Eles mencionaram relatório de investigação do Setor 13. Hum…”

— Achei!

“Queria poder dar uma olhada nisso também.”

— Sujeito, Lee Eun-Ho. Ele é um civil típico de classe baixa.

— Típico? Então como ele consegue nos ver?

— Não sei.

Os gêmeos de tigelinha continuaram tagarelando, completamente alheios ao fato de que o “humano típico” conseguia ouvir cada palavra.

“Deve ser esse o relatório.” Eun-Ho deduziu.

Era uma pasta preta e grossa, recheada com dezenas de páginas. Os dois se sentaram lado a lado, folheando com foco intenso.

Viravam página por página, indo e voltando, com as sobrancelhas franzidas de frustração.

Aff! Não tem nada útil.

— Como assim?

— Por quê?

Eles pareciam genuinamente confusos.

— Mas isso nunca aconteceu antes.

— O que a gente faz agora?

— Eu não sei. O que a gente faz?

Para quem estivesse vendo de fora, pareceriam apenas duas crianças perdidas e preocupadas, andando de um lado para o outro. Chegavam a parecer inocentes. Só que Eun-Ho não comprava essa.

”Até a Administradora parecia uma criança antes de cortar alguém ao meio com um dedo.”

Ele tinha aprendido do pior jeito que aparência não significava nada nesse mundo. Ainda assim, era difícil explicar, mas os dois não pareciam tão ameaçadores assim.

“Eles simplesmente não passam aquela vibração intensa. Ou talvez seja porque realmente parecem criancinhas assustadas.”

— Não detectamos nem o erro.

— Então não dá pra escrever o relatório.

— Mas e o sujeito? Ele nos viu!

— Não acredito que a furtividade não funcionou.

Haaa

— O investigador vai ficar muito bravo.

— Estamos muito ferrados.

— Talvez a gente até morra…

“O investigador? Isso soa estranhamente familiar. Que estranho…”

A palavra atingiu Eun-Ho em cheio.

Haaaa.

Ele seguiu o olhar do gêmeo que suspirou na direção das janelas curvas e enormes que cobriam a parede. Lá estavam os dois, o duo de tigelinha, olhando para o pôr do sol.

“Espera…”

— Vamos só lidar primeiro com o cara suspeito.

— Então investigamos e depois eliminamos.

“Espera. Por que não consigo ver o reflexo deles? Não… impossível…”

Eun-Ho encarou a janela com olhos arregalados. Só uma figura devolvia o olhar, que era a dele. Por mais que procurasse no vidro, os gêmeos de branco não apareciam no reflexo.

“Eles não têm nem sombra…”

— Droga.

— Por quê?

Então uma dor aguda pulsou na cabeça do Eun-Ho, forçando-o a fechar os olhos. Alguns segundos depois, ele ouviu a voz deles de novo, mas desta vez mais perto.

— Você acordou.

“Ótimo. Esse sistema maldito realmente está me testando.”


Eun-Ho finalmente se lembrou do título Matador de Fantasmas que ganhou no fim de uma Provação. E também das mensagens do sistema que recebeu naquela hora.

[Você derrotou dezenove Fantasmas não nativos deste mundo.]

[Você adquiriu o título Matador de Fantasmas.]

Esse título vinha com um conjunto bem específico de vantagens.

[Você será imune às habilidades de Fantasmas de baixo nível.]

[Você causará 20% de dano adicional ao lutar contra Fantasmas de nível intermediário.]

[Você permanecerá destemido mesmo na presença de Fantasmas de alto nível.]

“Então, é eficaz até contra esses fantasminhas que parecem crianças.”

— Ele já acordou.

— Ele acordou sozinho? Como?

Agora fazia sentido. O poder deles provavelmente era se ocultar e congelar o alvo. Só que nada disso funcionava nele, graças ao título Matador de Fantasmas.

“Então aquele congelamento de antes deve ter sido frio irradiando pelo chão, não um acerto direto da habilidade deles. Se tivesse sido direto, eu estaria muito ferrado.”

— É. Ele com certeza é suspeito.

— Vamos só matar ele.

Os gêmeos guardaram o relatório e caminharam até ele. Um deles pegou um taco de madeira que estava encostado ali perto.

— Vocês vão me bater com isso? — Eun-Ho perguntou.

Os dois assentiram em silêncio, com os cortes de tigelinha brilhantes balançando enquanto se aproximavam como uma dupla de filme de terror.

Eun-Ho avaliou as opções.

“Luto ou converso com eles?”

Se ele gastasse o resto das Recompensas da Provação, conseguiria curar os ferimentos que tinha sofrido antes. Mas, se conseguisse sair dali inteiro, Sol-Ah poderia cuidar do resto.

Ele endireitou o tronco e disse com toda a autoridade que conseguiu reunir: — Parem. Fiquem aí.

É claro que ele ainda estava amarrado no chão, o que tornava “autoridade” um pouco exagerado, mas fez o melhor que pôde.

Os dois pareceram confusos.

— Vocês não saem por aí atacando as pessoas. Quem ensinou vocês a ter esse tipo de educação?

Ao ouvir o tom firme, os gêmeos se encolheram e congelaram no lugar. Não esperavam resistência, de modo que os olhos deles correram de um lado para o outro, sem saber o que fazer.

Eun-Ho soltou um suspiro curto, áspero e barulhento; curto, mas alto o bastante para agitá-los.

— Chamem o chefe de vocês. Agora! — ele disse como se não admitisse discussão, e os gêmeos se encolheram de novo.

Era uma frase que tinha ouvido mil vezes em bicos da boca de clientes irritados.

“Nunca imaginei que eu ia usar isso com fantasmas.”

Ridículo ou não, pareceu surtir efeito.

— O chefe?

— Por quê?

Os rostinhos redondos se amassaram enquanto se olhavam, claramente ansiosos, mexendo nervosamente nas bordas das túnicas brancas.

“Funcionou…?”

Ele apostou nas falas de antes sobre se encrencarem, morrerem e haver alguém acima deles. E, no fim, ele tinha acertado.

— Já falei pra chamar o supervisor de vocês!

Ele entrou no modo “cliente pesadelo”, canalizando cada freguês insuportável que já tinha atendido.

Eun-Ho engoliu em seco, tentando não demonstrar, e ergueu o queixo com uma coragem ensaiada.

Assim, um dos gêmeos finalmente perguntou ainda hesitante: — Você conhece o Investigador?

“Perfeito. Funcionou.”

— Isso não é da sua conta. Vai lá chamar o chefe. Tenho uma reclamação formal pra fazer sobre como vocês, subordinados, estão sendo mal geridos.

Os fantasmas gêmeos estremeceram e tremeram visivelmente. Então, acenaram as mãos para o ar vazio diante deles, sussurrando um para o outro.

[Saetani ativou a habilidade, Silêncio.]

[Devido ao título Matador de Fantasmas, você não é afetado por esta habilidade.]

“Ah, então eles estão tentando conversar em segredo, é?”

— Ele é amigo do Investigador?

— Mas e se ele estiver mentindo?

— A gente vai se encrencar muito.

— Estou com medo…

Era a chance de Eun-Ho agir.

— Petrificar.

Quase sem som, apenas formou a palavra com a boca e começou a apalpar a corda que prendia seus pulsos.

Arriscou olhar para cima para ter certeza de que não tinha sido visto, mas os gêmeos estavam tão fundo no debate sussurrado que não notaram.

— E se apagarmos memória dele?

— O Investigador não vai descobrir.

— E não vamos nos encrencar.

Eun-Ho terminou de cortar a corda com cuidado e então se moveu devagar para desamarrar os tornozelos também. No instante em que se libertou, os dois fantasmas pareceram chegar a uma decisão e se aproximaram.

— Vamos apagar a sua memória.

“Apagar minha memória?”

O canto da boca do Eun-Ho se contraiu num sorriso astuto. — É… boa sorte com isso.

Tchac!

Então ele saltou de pé, empurrou os gêmeos atônitos para o lado e disparou até a mesa mais próxima.

Os olhos arregalados deles viraram puro choque, e os rostinhos pequenos se distorceram em descrença e então fúria.

Eun-Ho correu e agarrou o relatório que eles estavam lendo antes.

— Não!

— É nosso!

— Devolva!

“Setor 13: Relatório de Investigação e Plano de Eficiência de Reestruturação.”

Ele mal conseguiu ler o título antes de enfiar o documento no Inventário. Quem sabe do que eles seriam capazes para recuperar?

“Preciso correr.”

Mas, antes que desse mais do que alguns passos, uma onda de intenção assassina atingiu suas costas como um tapa gelado.

Baaaam! Crack!

Os fantasmas bateram o pé com força, e duas trilhas de gelo se abriram pelo chão, disparando debaixo dos pés deles. As trilhas se esticaram como relâmpagos congelando tudo o que tocavam, até se encontrarem na saída.

Crack! Thoooom!

Uma muralha de gelo se ergueu, selando o único caminho para fora.

“Então esse é o poder deles.”

— Devolve!

— Agora!

Eles se lançaram contra ele como balas de canhão humanas.

Vuuush!

— Ele bateu na gente!

— Vamos te matar!

Com os braços colados ao corpo, eles cortaram o ar, dominados pela raiva como motores a jato. Eun-Ho mal conseguiu desviar mergulhando e rolando para o lado.

Tchac! Thoooom!

Os gêmeos bateram de cabeça na parede atrás dele. O impacto sacudiu chão e teto como se uma bomba tivesse explodido.

— Seu rato!

— Você não vai sair!

— Você vai morrer aqui!

A saída estava completamente congelada, exalando névoa gelada para todos os lados.

“E agora? Posso tentar usar Aceleração ou Petrificar, mas teria tempo?”

Aqueles dois não iam ficar só olhando.

Clac!

Além disso, antes mesmo que ele percebesse, já tinha sido empurrado para longe da porta. O toque frio do vidro pressionou suas costas, do alto da nuca até o cóccix.

— Devolve o relatório e depois morre!

— Ou morre primeiro, que a gente pega do mesmo jeito!

Eles sorriram, como se tivessem encurralado Eun-Ho. Em seguida, voaram na direção dele de novo como projéteis.

“É claro que esses dois não têm Tempo de Recarga nesse ataque de investida.” Eun-Ho pensou com amargura.

Diferente da habilidade Aceleração dele, a deles podia ser usada sem limite, uma atrás da outra.

“Vou perder se lutar de frente. Certo, então…”

Vuuush!

Eles estavam vindo. Um mirou a cabeça dele, o outro o estômago, como mísseis gêmeos travando no alvo. Cada instinto gritava para ele desviar agora, mas Eun-Ho esperou.

“Ainda não. Espera… agora!”

— Aceleração!

Travou o olhar neles por uma fração de segundo e ativou a habilidade. Em seguida, torceu o corpo e saiu do caminho num único movimento fluido.

Tic!

Um som de tique-taque ecoou no ouvido dele.

Crash! Booom!

Em vez do Eun-Ho, as cabeças dos gêmeos se chocaram direto contra o vidro atrás dele.

Crack!

Craaaaack!

Trincas em teia de aranha se espalharam a partir de dois pontos de impacto perfeitamente redondos, ambos na altura da cabeça. Um instante depois, a janela do observatório estourou inteira, o vidro explodiu abrindo caminho para o ar.

As cabeças deles estavam sangrando.

Aaaaargh!

Aaaaai!

— I-isso é sangue?

— Como você ousa!

— Vou te matar!

A raiva deformou os rostinhos deles quando avançaram de novo, mas já era tarde.

“Obrigado por fazerem uma saída com a própria cabeça.”

— Vou indo na frente. Petrificar!

Afastando os cacos de vidro quebrado, Eun-Ho saltou do deck de observação no topo da Torre Namsan.

Fuuush!

— Pulou? Ele acabou de cometer suicídio?

— Isso é o pior!

Os dois fantasmas gritaram, horrorizados.

— Suicídio? — ele resmungou no ar com o vento uivando ao redor. — Vocês acham mesmo que eu faria uma idiotice dessas?

Eun-Ho revirou os olhos.

?

— Ele é burro?

— Que andar é esse?

— Sei lá!

Eun-Ho não sabia quantos andares acima estava nem a distância até o chão. Só que tinha certeza de que morreria com a queda.

Fwooosh!

Então não vou cair.

— Invocar!

Um cartão verde apareceu na mão dele, pequeno o bastante para caber certinho na palma.

— Ativar!

Energia crepitou na ponta dos dedos com um zumbido fraco, e um tremor percorreu seu corpo.

Talvez fosse o cartão ou talvez só o vento berrando enquanto ele despencava, mas uma maçaneta fria de aço se materializou no ar bem à sua frente de qualquer forma.

Clac!

Eun-Ho a agarrou sem hesitar e puxou com força. Em seguida, uma porta de metal simples foi aberta, flutuando no nada.

“Acho que vou ver aquele desgraçado de novo em breve.”

Ele estava voltando para o Instituto de Treinamento mais cedo do que esperava.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora