Volume 1

Capítulo 26: O Sacrifício (1)

[Sua volta foi concluída.]

[Você obteve um passe de auditoria. Verifique seu Inventário!]

Eun-Ho soltou um suspiro de alívio por ter escapado em segurança. Quem imaginaria que aquelas abelhas o perseguiriam até o auditório?

“Será que ele ficou bem?”

O instrutor assistente provavelmente ainda estava lá atrás no escuro, completamente sozinho. Eun-Ho estaria mentindo se dissesse que não estava preocupado.

“Ele vai ficar bem. Tenho certeza. Foi ele quem criou a porta em primeiro lugar, então também deve conseguir fechá-la. Talvez não seja fácil, mas ele dá conta.”

Antes de tudo, Eun-Ho precisava lidar com a própria situação. Ele respirou fundo e disse: — Invocar.

[Passe de Auditoria da Aula de Esgrima Básica]

  • Ativar este passe abre uma porta para o auditório da Aula de Esgrima Básica.
  • Somente o portador do passe pode usá-lo.
  • Limite de uso: Ilimitado

Em seguida, um cartão verde do tamanho da palma da mão flutuou suavemente até pousar em sua mão. Era um passe especial que permitia saltar entre lugares sempre que quisesse. Só de olhar, ele sentia as possibilidades infinitas que isso guardava.

“Vamos ver. Que horas são?“

Ele lançou um olhar para a janela de sistema tênue e semitransparente pairando à sua frente. Eram 20:55. Só tinham se passado dez minutos desde que ele atravessou a porta e chegou ao Instituto de Treinamento.

“O tempo mal andou, como eu esperava.”

O relógio lento e a completa ausência de fome deixavam isso óbvio.

“Não sei a proporção exata, mas talvez uma hora lá dentro seja um minuto aqui fora?”

Ele tinha passado mais de dez horas lá dentro, mas aqui só tinham passado dez minutos. Decidiu testar os detalhes depois, quando tivesse tempo.

Tap. Tap.

— Ji-Eun!

Ele soltou um suspiro baixo e aliviado. Ela estava inconfundivelmente ali, virando a esquina à frente.

— Eun-Ho!

Ji-Eun se virou ao som da voz dele, e seu cabelo curto balançou de leve sobre os ombros. A preocupação ainda permanecia nos seus olhos arregalados, e ela prendia o lábio entre os dentes. No entanto, no instante em que o viu, o rosto dela se abriu num sorriso radiante.

Mesmo de longe, ele conseguia ler cada emoção gravada em suas feições: choque, alegria e, por fim, um alívio inconfundível.

— Eu não demorei demais, né? — ele perguntou.

Ela abriu um sorriso ainda maior. — Não!

“Como ela conseguia ficar tão feliz?”

Para ele, tinha parecido uma eternidade, mas para ela só tinham se passado dez minutos. Ainda assim, desde o começo, Eun-Ho percebeu que Ji-Eun gostava de pessoas de forma genuína.

— Mas, ah… o que aconteceu com você, Eun-Ho? — ela perguntou, franzindo as sobrancelhas.

— Comigo? — Ele repetiu, confuso.

— É. Você parece alguém que acabou de ser puxado debaixo da terra ou sei lá. — Os olhos dela se arregalaram enquanto apontava para as roupas rasgadas dele.

Eun-Ho riu sem jeito, sem saber muito bem como explicar.

Puff!

Naquele momento, uma caixa de presente apareceu diante do Ji-Eun com um envelope de aparência familiar por cima, como se fosse um chapeuzinho.

— Meu Deus!

Ji-Eun cobriu a boca com uma mão e tocou o envelope de leve com a outra. Era como se tivesse acabado de receber a resposta de uma carta de fã enviada anos atrás.

Swish.

Em seguida, o envelope se abriu lentamente.

— Ele está vivo.

Lágrimas escorreram pelas bochechas de Ji-Eun quando ela fechou os olhos com força. Eun-Ho, que já caminhava na direção dela, congelou no meio do passo, sem saber se devia dar espaço ou ficar ao seu lado.

Devagar, Ji-Eun enxugou as lágrimas e olhou para cima com o olhar mais firme e mais claro.

— É tudo graças a você, Eun-Ho — ela disse baixinho. — Recebi a mensagem.

Se essa notícia a deixou tão feliz, só podia haver uma explicação.

— Deve ser do seu irmão. Ele está bem?

Ji-Eun assentiu, com emoção voltando a preencher seus olhos enquanto ela se aproximava. — Ele está em Noryangjin. Parece que está com alguns amigos.

— Que alívio.

— Estou tão feliz que ele conseguiu. E é tudo por sua causa.

Eun-Ho negou com a cabeça enquanto ela o encarava como se ele tivesse salvado pessoalmente a vida do irmão dela.

Eram 21:00. Ele olhou para o relógio sem pensar, bem quando o ponteiro dos minutos cravou no nove.

— Você não precisa me agradecer, de verdade...

[A Taxa de sincronização aumentou ligeiramente.]

[Seu Olho exclusivo agora está aberto.]

Uma mensagem do sistema ecoou, sendo audível apenas para ele, enquanto o espaço acima de sua cabeça tremeluzia com um brilho tênue. O ar, antes invisível, começou a ondular, condensando como gotas de água num vidro.

Então pulsou e se contorceu, expandindo, encolhendo e se esticando em formas impossíveis. Ângulos e curvas se desenharam no ar. Então, de uma vez, solidificou-se numa esfera lisa como vidro. Eun-Ho reconheceu na hora, porque era aquele Olho familiar.

Ding!

[Novos observadores se juntaram à sessão.]

[O Corvo do Departamento de Gestão tosse alto, alegando que não entrou por curiosidade.]

[O Príncipe do Departamento de Investigação cruza os braços e diz que está aqui para ver quanto tempo o alvo arrogante sobrevive.]

O tom deles praticamente escorria reprovação. Era evidente que estavam irritados.

“Provavelmente por causa daquele xingamento que deixei escapar mais cedo.”

Seja qual for o motivo, agora havia um problema maior.

“Por que isso está abrindo agora?”

A Provação não deveria começar até amanhã de manhã. Então, um arrepio desceu pela espinha dele, bem quando um anúncio inesperado ecoou pelo ar.

[Atenção a todos os sobreviventes do Distrito de Yongsan. Temos uma atualização urgente.]

— O que está acontecendo?

— Mas a Provação não era para começar só amanhã de manhã!

[O número de sobreviventes na sua região excedeu o limite estabelecido.]

[Para garantir o bom funcionamento da Provação, uma redução populacional emergencial começará imediatamente.]

— Redução emergencial?!

[Atualmente, há 1.070 sobreviventes no Distrito de Yongsan.]

[O limite de participantes para a próxima Provação é de quinhentas pessoas.]

— Quinhentas de mais de mil?!

Era mais da metade dos sobreviventes. Em outras palavras, uma de cada duas pessoas precisava morrer.

Eun-Ho cerrou o maxilar sem perceber. Quando se virou para Ji-Eun, encontrou o olhar dela, arregalado e preocupado.

[Pela autoridade da Administradora, a Arena está aberta agora.]

[A Arena permanecerá aberta até que o número de sobreviventes esteja dentro da faixa aceitável.]

[Se a contagem não for reduzida antes do início da próxima Provação, os indivíduos excedentes serão apagados aleatoriamente.]

— A Arena? — Ji-Eun murmurou.

— É o mesmo lugar daquela Provação do Pássaro de Bico Navalha — Eun-Ho completou.

Aquela Provação infernal em que o chão inclinava e o fogo irrompia de todos os lados. Só de lembrar, parecia que o ar ao redor deles voltava a queimar.

[Preparem-se para o impacto!]

Babababam!

Um ronco profundo subiu do subsolo, sacudindo o chão sob os pés deles.

Ji-Eun pareceu em choque.

— É um terremoto! Cuidado! — Eun-Ho gritou.

No entanto, não era como qualquer terremoto que já tivessem conhecido. Os tremores eram ferozes e esmagadores, como se o próprio chão tivesse virado um mar em fúria, batendo com ondas intermináveis.

Bum! Rrrr! Tum!

Ao redor deles, prédios chiavam e desabavam, postes se partiam como gravetos e estruturas tombavam numa sequência caótica de destruição.

[Sobreviventes do Distrito de Yongsan: 1.033.]

[Sobreviventes do Distrito de Yongsan: 1.019.]

[Sobreviventes do Distrito de Yongsan: 1.007.]

Assim, o número de sobreviventes despencava rapidamente.

— A gente precisa sair daqui!

A situação era especialmente crítica para Eun-Ho e Ji-Eun, que estavam no coração da cidade. Cercados por prédios comerciais colados uns nos outros, bastava um desabar na direção errada para a área inteira cair como peças de dominó. E, claro, não era como se algum lugar em Seul fosse realmente seguro.

— Ji-Eun! Vamos para a avenida principal. Agora!

Becos estreitos eram uma armadilha mortal, então eles tentaram alcançar a rua aberta. Porém, nesse exato instante, um prédio comercial de quatro andares desabou bem na frente deles.

— Eun-Ho! Cuidado!

Entre Ji-Eun e Eun-Ho, não havia nada além de um carro abandonado.

— Aceleração!

— Cuiii daa daa...!

Estilhaços de vidro congelaram no ar, pairando a poucos centímetros do couro cabeludo de Eun-Ho.

“Droga, foi por pouco.”

Ele quase transformou a cabeça num cacto. Com o braço direito endurecido, Eun-Ho afastou os cacos com cuidado e se esgueirou para fora debaixo de um prédio inclinado como a Torre de Pisa.

Tick!

— ... dooooo!

Kaboom!

No momento em que ele se virou para acenar para Ji-Eun, tentando tranquilizá-la, uma explosão ensurdecedora rasgou o ar.

Então, o chão deu um solavanco e passou a balançar com tanta violência que era impossível manter o equilíbrio.

— Aceleração!

[A habilidade está em Recarga. 38 segundos, 37 segundos, 36 segundos…]

Uma fenda enorme se abriu sob os pés dele. O chão cedeu, como se estivesse esperando por esse momento. O prédio, o carro e Eun-Ho foram engolidos de uma vez.

— Não! — o grito da Ji-Eun, ecoando lá de cima, foi sumindo.


— Secretária Kim, você vai para a terceira rodada, né? Conheço um lugar bom.

— Ah, eu… bem…

Ji-Eun se lembrou do momento em que conheceu Eun-Ho. Foi no primeiro jantar da empresa, primeiro emprego, primeiro escritório e primeira bebedeira corporativa.

Talvez fosse o álcool, dividido um copo de cada vez e soltando os nervos. Em meio ao caos do evento, a mão pesada do líder de equipe pousou no ombro dela. Ji-Eun sentiu um incômodo quieto e persistente se agitar por baixo da pele.

Vamos, eu te pago algo chique. Você provavelmente nunca comeu coisa assim na época da faculdade.

O superior fez uma sugestão difícil de recusar, mesmo deixando-a desconfortável.

Líder, o executivo está pedindo um motorista. Quer que eu chame um?

Foi aí que ela conheceu Eun-Ho, um terceirizado da equipe ao lado, de quem ela só tinha ouvido falar até então.

— Hã? Não tem um motorista da empresa?

— Ele parece bêbado demais para achar o número.

— Tsc. Tá bom, eu resolvo.

Ela ouviu rumores de que Eun-Ho era frio e difícil de trabalhar por causa da condição física. No entanto, para alguém supostamente complicado, ele era gentil demais.

— Você é a Secretária Kim, né? Agora é sua chance. Vai para casa.

— Hã? Mas o líder disse...

— Tá tudo bem. Se ele perguntar depois, diz que não lembra porque estava bêbada demais.

Talvez tenha sido ali que a curiosidade silenciosa e a preocupação sutil dela despertaram. Quando ele parecia prestes a comer sozinho, ela desmarcava planos só para dividir uma refeição com ele. E quando o mundo desabou, ele se tornou alguém em quem ela confiava; um companheiro, como se tivessem sobrevivido a uma guerra lado a lado.

Por isso, quando Eun-Ho desapareceu sob a terra que desmoronava, o autocontrole frágil da Ji-Eun se partiu.

Aaaaaah! Nãããooo!

[Todos os parâmetros necessários para a ativação da habilidade foram coletados.]

“Por favor! Só me dá alguma coisa útil!”

[Parabéns!]

[Através de uma combinação excepcional de força de vontade, ressonância emocional com uma pessoa amada e uma vida inteira de empatia profundamente enraizada, uma Habilidade Única foi criada!]

[Psicocinese (Nv. 1) foi desbloqueada.]

— Psicocinese!

A palavra escapou dos lábios dela antes que o cérebro acompanhasse.

Fwooosh!

Então, uma onda súbita de energia percorreu o corpo dela, subindo para os olhos, para a voz w para as pontas dos dedos. Era como se cada gota de sangue estivesse sendo puxada para fora, inundando seus sentidos. O rosto dela ficou vermelho, queimando com o esforço.

Primeiro, fragmentos minúsculos tremeram. Depois, pedaços de entulho espalhados pela rua começaram a se erguer lentamente no ar.

— Por favor!

— O-o quê?!

Então, de dentro do buraco, um rosto familiar apareceu subindo com firmeza, como se a gravidade não valesse mais.

— Ji-Eun! Foi você que…?!

Ele tentava dizer algo, mas ela não conseguia registrar nada. Cada célula do corpo dela estava concentrada em mantê-lo suspenso.

— Ji-Eun! Cuidado! Olha pra cima!

“Foco… eu tenho que focar!”

Os olhos da Ji-Eun estavam abertos, mas ela não via nada além do Eun-Ho pairando acima do abismo. Os ouvidos não ouviam nada além do próprio coração.

“Só mais um pouco…!”

Só quando ela arrastou Eun-Ho até um lugar seguro e finalmente se permitiu respirar é que percebeu algo estranho.

Flutuando no ar, Eun-Ho gritava: — Ji-Eun! Sai daí, agora!

Ela olhou para cima.

— Por favor, se mexe!

O que ela não percebeu foi que o prédio, um que deveria ter permanecido imóvel, estava desabando bem acima dela.

— E-Eun-Ho?

Thud!

No instante em que ela se virou, o elo psíquico se rompeu e Eun-Ho despencou. Ele bateu no chão, rolou e se pôs de pé na hora, disparando na direção dela.

— Aceleração! Aceleração!! Aceleração!!!

Foi uma arrancada desesperada, mas começou a corrida um segundo tarde demais.

— Merda!

— Xingar não… combina com...

BOOM!

[Sobreviventes do Distrito de Yongsan: 1.000.]

Babababam!

A fachada massiva de concreto esmagou Ji-Eun.

[Sobreviventes do Distrito de Yongsan: 999.]

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora