Volume 1
Capítulo 21: Um Contra Um (6)
— Dados de habilidade?
Eun-Ho agarrou o pulso da Ji-Eun com força, interrompendo o murmúrio atordoado dela.
— Você tem que lembrar! — ele falou com urgência.
— O-o quê? — Como um coelho assustado, os olhos da Ji-Eun se arregalaram. Ela claramente não esperava que ele aparecesse do nada.
“Fique calmo. Como alguém que desperta de repente de um sonho, ela pode esquecer tudo se entrar em pânico agora. E Isso seria perigoso.”
— Escuta com atenção. Você precisa se agarrar a essa sensação! — disse Eun-Ho.
— Essa sensação?
Eun-Ho tentou manter a calma, falando devagar, mas com precisão: — Lembra de como você arremessou aquela espada e no que estava pensando quando fez isso. Grava isso na sua mente.
Vendo o quão sério ele estava, Ji-Eun assentiu solenemente e fechou os olhos.
— Eu acho que foi assim...
Ela imitou o movimento de arremesso com a mão vazia, como se estivesse ensaiando a cena na cabeça. Eun-Ho apreciou o quanto ela estava seguindo bem as instruções, mas a Provação ainda não tinha acabado.
— Agora não.
[03:35]
As pessoas estavam baixando a guarda, achando que todos os monstros no trem já tinham sido resolvidos. Um alívio precoce e eufórico preenchia o ar.
Eun-Ho disse à multidão dispersa: — Restam três minutos e trinta segundos! Todo mundo, voltem para suas zonas seguras!
— Ah, é mesmo! Foi mal! Eu tenho que voltar pro meu ponto inicial, né? — alguém perguntou.
— Entendido, senhor!
O aviso do Eun-Ho ecoou pelo vagão, puxando as pessoas de volta antes que caíssem na comemoração.
Então, tanto pela frente quanto pela traseira do Vagão 5, as pessoas começaram a correr de volta para as posições designadas.
No meio da multidão, um homem abriu caminho e gritou, desesperado: — E-e-espera! Senhor!
Ele agarrou a manga do Eun-Ho, como uma criança se agarrando aos pais. Quando Eun-Ho se virou para ele, o homem hesitou, claramente sem saber como começar.
— Hum... Minha filha...
— A Yul está segura. Ela estava no vagão ao lado do meu.
— Ah...!
O homem segurou as mãos de Eun-Ho como se estivesse numa prece desesperada com os olhos bem fechados. Lágrimas escorriam pelo rosto, e os lábios pressionados tremiam.
— Obrigado! Muito obrigado, senhor!
— Não precisa agrade...
— Não, eu falo sério!
Bem, talvez não fosse “não precisar”, mas a criança praticamente tinha se salvado sozinha.
— Eu sou Kim Han-Wool. Juro pelo meu nome que vou retribuir isso.
— Tudo bem. Vamos só focar em sobreviver. Todos nós.
Deixando para trás o solene e choroso Kim Han-Wool, Eun-Ho seguiu em direção ao Vagão 18. Ele disparou pelo trem até finalmente chegar ao Vagão 17, onde a Yul deveria estar.
Nesse instante, um pensamento o incomodou.
“Espera aí. Como ela conseguiu ficar escondida esse tempo todo?”
Clunk~
Ele girou o puxador longo para a direita e deslizou a porta do Vagão 17, encontrando um silêncio completo. Lá dentro, o cadáver do Grande Fantasma jazia imóvel no chão. E também não havia sinal algum de Yul.
“Talvez ela tenha se assustado e esteja escondida no banheiro?”
Eun-Ho se virou para a outra ponta do vagão para verificar. O ar parado e silencioso então mudou, quase imperceptivelmente.
Tug.
Algo leve puxou a gola da camisa dele. Não foi o bastante para desequilibrá-lo, mas foi o suficiente para esticar o tecido.
— Moço!
— Ah, Yul!
A garotinha estava atrás dele, tendo aproximado sem fazer barulho de algum jeito. Ela provavelmente tinha andado pelo trem inteiro naquele silêncio estranho, e mesmo assim ele não ouviu um único passo.
— Você está bem? Não está chorando?
Ela assentiu de leve, piscando com os olhos grandes. — Hum... Você viu meu pai?
— Vi, sim. Ele está logo ali na frente. Só mais um pouco.
Por fim, Yul soltou o ar que estava prendendo, com os lábios tremendo de emoção.
Tocado e discretamente orgulhoso dela, Eun-Ho fez um carinho suave na cabeça da menina. — Fica aqui até a Provação acabar, tá? Seu pai vem te buscar.
Eun-Ho deu para Yul um último sorriso tranquilizador, e ela assentiu de novo. Quietinha, firme e obediente como sempre.
Sem dizer mais nada, ele se virou e voltou para o Vagão 18 para sua zona segura, onde era para ele estar.
Clunk!
Ao entrar com segurança dentro da linha verde de proteção, ele afundou em um assento do KTX, permitindo-se relaxar pela primeira vez.
[A Provação foi concluída.]
O anúncio ecoou pelo ar.
[Parabéns! Projeto Seleção foi concluído.]
[A Taxa de sincronização aumentou levemente.]
O primeiro projeto, Projeto Seleção, na Torre MS finalmente tinha terminado.
“Então... eu fui selecionado, certo?”
[Devido a resultados de desempenho inesperados, a atribuição das notas de avaliação será adiada.]
[Em instantes, as notas finais de avaliação serão emitidas após os resultados de todas as Provações serem contabilizados.]
“Desempenho inesperado, hein? Espera. Eles estão falando de mim?”
[Parabéns!]
[Você derrotou dezenove Fantasmas não nativos deste mundo.]
[Você adquiriu o Título: Matador de Fantasmas.]
— Matador de Fantasmas?
“Hum... ganhei um Título?”
Adquirir um Título significava que o sistema tinha reconhecido oficialmente o desempenho dele como excepcional.
[Deseja verificar os efeitos de Matador de Fantasmas?]
— Sim.
[Matador de Fantasmas]
- Concede imunidade às habilidades de Fantasmas de nível baixo.
- Aumenta o dano em 20% ao lutar contra Fantasmas de nível médio.
- Concede imunidade ao medo contra Fantasmas de nível alto.
“Então Fantasma, Fantasma Maior e Fantasma Supremo deviam ser Fantasmas de nível baixo, médio e alto.”
A Provação só tinha sido administrável porque os Fantasmas vinham um por um. Eun-Ho achou que não teria chance alguma se tivesse que enfrentá-los todos de uma vez.
“Se isso acontecer algum dia, vou ter que aproveitar ao máximo esse Título.”
Ele sempre planejava tudo e já esperava o pior. Enquanto repassava as notificações na cabeça, anotando mentalmente cada estatística e efeito, ouviu um zumbido familiar.
Pzzzt~
Era fraco, mas inconfundível. Sutil o bastante para fazê-lo prender a respiração e concentrar toda a atenção.
— Espera. Esse som tem que ser... — Eun-Ho murmurou.
Era o mesmo que tocou bem no início do processo de reestruturação.
Pzzzt~
O som parecia estática de rádio tentando encontrar um sinal. Assombrado pela lembrança, ele se esforçou para ouvir. No entanto, o anúncio que veio depois ficou mais fraco e mais fragmentado a cada segundo.
[Aten... sobreviv... da... área da... Estação de Se...]
[De... ao... término do projeto... mudan... vão ocorr...]
Soou como as últimas palavras emboladas de pessoas sumindo do sistema; um adeus gaguejante e quebrado. No instante seguinte, a transmissão cortou completamente, substituída pela pancada seca de um alto-falante estourado.
Creeeec!
Assim como quando apareceram pela primeira vez, O Olho se fechou, distorcendo o teto, o céu e o próprio ar. A pupila escura desapareceu tão abruptamente quanto tinha surgido.
“O que foi isso?”
Inclinando a cabeça em confusão, Ji-Eun perguntou: — Sobre o que você acha que era aquela transmissão de antes?
Jae-Hyuk, que estava checando a temperatura da grelha com a habilidade de um veterano, entrou na conversa: — Eu estava pensando a mesma coisa. Nunca tinha cortado desse jeito antes.
Talvez o sinal tivesse enfraquecido, falhando e voltando, como se estivesse lutando para chegar até eles.
“O que ele estava tentando nos dizer? A gente perdeu alguma coisa importante por causa disso?” Eun-Ho se perguntou, mas não disse nada em voz alta. Ele estava ocupado demais comendo.
— Você tá com um apetite e tanto, Eun-Ho! — Ji-Eun comentou.
— Haha. Tá muito bom.
Ele apoiou uma folha de alface crocante na palma da mão e empilhou nela três cortes de carne chiando, ainda estalando da grelha. Depois, uma fatia de alho, uma porção de ssamjang e uma boa pitada de cebolinha temperada.
Alguém claramente tinha vasculhado sabe-se lá onde e encontrado os melhores acompanhamentos. Mesmo com o mundo acabando, se havia uma vantagem, era o churrasco coreano à vontade, grátis e sem limites.
— É doido, né? O mundo acaba e a carne continua deliciosa — Ji-Eun respondeu.
— Provavelmente porque é churrasco coreano! — disse Eun-Ho.
— Isso mesmo, Hyungnim! E ainda deram os melhores!
Não era qualquer carne. Era contrafilé premium, do tipo que só aparecia em jantar de fim de ano da empresa quando alguém tinha muita sorte.
— Isso quase parece uma confraternização do trabalho.
— É, parece mesmo.
O grupo tinha se acomodado nas mesas como equipes numa confraternização. Numa mesa estavam o segurança, o zelador, o cara boca suja e Lee Ye-Ji. Em outra, estavam Ji-Eun, Jae-Hyuk, as duas colegiais e Eun-Ho. Mais de lado, Yul e o pai dela tinham pegado uma mesinha de dois lugares só para eles.
— Ei! Que tal você fazer um pouco de carne dessa vez? Você só fica aí entupindo a boca!
— Ora, ora, mocinha. Deixa os profissionais cuidarem disso!
— Aff, me deixa em paz! Você é insuportável.
Alguém até tinha achado álcool, e alguns já estavam bêbados e corados. O lugar realmente tinha clima de festa da empresa.
Pensando em que tipo de Provação viria no dia seguinte, Eun-Ho se perguntou se eles deviam estar bebendo, só que não teve coragem de falar nada. Depois de tudo o que tinham passado, uma pausa breve podia ser exatamente o que as pessoas precisavam.
Ssszzzt!
Enquanto a carne chiava na grelha.
Enquanto Eun-Ho mastigava em silêncio, a mais baixa das meninas do ensino médio chamou com hesitação: — Hum... Moça? Senhor?
“Ji-Eun pode ser moça, e eu fico com senhor, hã?”
Eun-Ho olhou para cima, ainda mastigando, e encontrou os olhos da garota. Ela se curvou imediatamente, quase encostando o nariz no prato.
— Obrigada por nos salvar!
— Ah, não precisa disso. — Eun-Ho fez um gesto, dispensando. — A gente só estava tentando sobreviver.
A garota balançou a cabeça com firmeza. — Mesmo assim, não teríamos conseguido sem vocês!
Ji-Eun riu sem jeito e olhou para baixo, como se tivesse feito algo errado. — Agradece só ao Eun-Ho. Eu só atrapalhei, pra falar a verdade.
— Não, o que você está dizendo! Se não fosse vocês dois, a gente estava ferrada. Né, Sol-Ah?
Até Sol-Ah, que tinha ficado rígida e orgulhosa o tempo todo, abaixou a cabeça em concordância. Não foi uma reverência profunda, mas foi o suficiente para mostrar a sinceridade.
Jae-Hyuk estava assistindo à cena com uma expressão satisfeita. Ele girou a pinça no ar como um bastão e entrou no assunto. — Ah, que vibe boa! Mas todo mundo já se apresentou?
Agora que Eun-Ho parou para pensar, ele ainda não sabia o nome da garota mais baixa. Ele se virou na hora para ela.
Só que Ji-Eun foi um segundo mais rápida.
— Eu sou Kim Ji-Eun. Prazer.
— Oi, eu sou Min Yeo-Jin! Prazer também!
— Eu sou Yoon Sol-Ah.
Yeo-Jin, a mais baixa das duas, era animada e educada, enquanto Sol-Ah mantinha o jeito frio e direto de sempre.
Yeo-Jin e Ji-Eun pareciam já ter se dado bem, conversando com naturalidade como velhas amigas, o que era um alívio. Era bom ver alguém se conectar tão rápido nesse mundo novo e bizarro.
Eun-Ho assentiu para si mesmo e voltou a atenção para a carne. Ele a virou com prática até sentir um olhar sobre si. Era um dos caras que estavam grelhando perto da mesa das três garotas.
— E você, senhor?
— Ah, eu sou Lee Eun-Ho. Vocês duas estudam no Ensino Médio Health, né? — Eun-Ho perguntou.
— Ué, como você sabe disso?!
Os olhos de Sol-Ah se arregalaram num choque genuíno, enquanto Yeo-Jin inclinou a cabeça, claramente curiosa. Mesmo não sendo grande coisa, eram reações bem típicas de colegial.
— Bom, só tem um colégio só de meninas aqui por perto. — Eun-Ho deu de ombros. — E, enfim, as habilidades de cura de vocês entregaram.
Não foi uma dedução difícil, mas as meninas aparentemente acharam que era.
— Uau! Você é tipo um detetive, senhor!
Eun-Ho só deu uma risadinha em resposta. Já foi conversa fiada suficiente por agora; eles já estavam praticamente terminando de comer.
Ele se virou para Ji-Eun, que vinha observando a troca entre ele e Sol-Ah com um sorriso suave.
— Ji-Eun.
— Sim?
— Se você terminou, quer sair comigo?
“Ela já terminou de comer, né?”
Além de ficar só tomando água o tempo todo, ela não tinha comido muita coisa.
— Hã? — ela disse, claramente pega de surpresa.
“Talvez ainda não tenha terminado... Ela ainda está com fome?”
Ela pareceu realmente aflita, com os olhos tremendo de nervosismo para os outros à mesa, como se estivesse checando se alguém estava prestando atenção.
— Uh... só nós dois?
— Sim. Só nós dois.
Ji-Eun corou e se levantou de forma abrupta. Jae-Hyuk inclinou a cabeça em confusão, enquanto as meninas do ensino médio murmuravam e trocavam olhares.
“Eles estão entendendo errado?”
Eun-Ho não ligou muito, mas soltou uma explicação rápida só por garantia, caso Jae-Hyuk estivesse se sentindo excluído.
— É só pra fazer umas coisas de autoaperfeiçoamento.
— Autoaperfeiçoamento? Ah! Você quer dizer aquilo de antes?
— Isso, aquilo de antes.
— Ah...
Fazendo um biquinho bem de leve, Ji-Eun murmurou algo como “eu achei que era outra coisa”.
— Vamos! — disse Ji-Eun.
“Hum... estou imaginando coisas ou senti um toque de decepção na voz dela?” Eun-Ho pensou.
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