Volume 1
Capítulo 19: Um Contra Um (4)
Baaam!
Uma clava enorme, cheia de espinhos, passou zunindo pela orelha do Eun-Ho e se chocou contra a parede com um estrondo trovejante.
Creck!
O painel de metal do trem amassou e estourou, com detritos e poeira se espalhando como fumaça.
[Você eliminou o Fantasma Maior.]
[Vagão 17 foi concluído.]
Essa foi por pouco. Mesmo à beira da morte, o Fantasma Maior tinha conseguido arremessar a arma.
“Pelo menos mais um derrotado!” Eun-Ho pensou soltando o ar em alívio.
Atrás dele, o enorme Fantasma Maior, agora sem o braço e a perna esquerdos, perdeu o equilíbrio e tombou com um baque seco.
Tump!
Com cuidado, Eun-Ho contornou o sangue vermelho-escuro acumulando no chão e uma gosma irreconhecível escorrendo do cadáver. Quando ele foi pegar a porta para sair, algo pequeno puxou a barra da camisa dele.
“O quê…?”
Era Yul, abandonada depois de se separar do pai. Os sapatos pretos polidos e as meias brancas dela estavam encharcados de sangue do Fantasma Maior.
— Espera! Você é… Como…?
— Eu estava escondida — ela murmurou.
— Escondida? — Eun-Ho repetiu.
“Isso era possível?” Ela era pequena, mas num vagão tão estreito não tinha um lugar bom para se esconder. Mesmo assim, não era hora de questionar.
— Vem. Vamos sair daqui.
Ele encontrou um cantinho entre o Vagão 17 e o Vagão 16 e escondeu Yul ali, em segurança. Depois, seguiu e derrubou o Fantasma Maior do Vagão 16.
“Não dá pra perder tempo. Eu tenho que pensar rápido.”
Eun-Ho tentou bolar um jeito de concluir o trem inteiro em menos de dez minutos. Foi quando ele reparou no cara boca suja do lado de fora do trem.
— O que você está fazendo aqui fora? — Eun-Ho chamou.
— Eu, ah… pensei que estava tudo certo, se eu voltasse antes do tempo acabar, né? — o cara boca suja respondeu.
— Então você saiu do trem em vez de lutar? — Eun-Ho perguntou.
Vendo isso, Eun-Ho teve que revisar o pensamento inicial. Ele tinha que pensar num jeito de concluir o trem inteiro em menos de dez minutos sozinho.
Um instante atrás, ele tinha olhado pelo corredor e visto o cara boca suja encolhido perto do banheiro, tremendo de medo. Surpreendentemente, era o mesmo “durão” autoproclamado que não parava de falar besteira antes.
— Parece que você ficou com muito medo, né? — Eun-Ho disse.
— Eu, ah… fiquei.
O homem nem percebeu que o boné, quase como uma tatuagem na cabeça, tinha caído e estava rolando pelo chão.
— Vai pra Loja, pega qualquer arma. Você não vai guardar esses pontos pro túmulo, vai? E mais uma coisa...
O cara boca suja ficou em choque, tentando processar, mas completamente perdido.
— Na terceira rodada, termina sua luta rápido e ajuda no Vagão 14. Eu estou indo pra lá agora.
— Eu quase morri sem acertar um único golpe, e agora você quer que eu...
— Aceleração.
— O quuuuê?!
Clonc!
No instante seguinte, Eun-Ho escancarou a porta, calculando desesperado enquanto se movia. Pelo vidro, ele viu o Fantasma Maior no Vagão 14 balançando a clava de forma selvagem.
Ao lado dele estava uma figura pequena, de cabelo comprido, saia lápis e um blazer ajustado.
“É a Lee Ye-Ji da contabilidade!” Eun-Ho pensou.
O Fantasma Maior tinha uma lâmina azul-escura cravada no ventre; prova clara de que ela tinha tentado revidar, no mínimo. O golpe não tinha causado nenhum dano de verdade, mas ainda assim era impressionante. Em vez de congelar de medo, ela agiu.
Só que uma coisa incomodava Eun-Ho.
“Por que os olhos dela estão fechados?”
Mesmo enquanto enfiava a espada, Ye-Ji mantinha os olhos apertados de medo.
“Desse jeito, ela vai acabar morrendo.”
Fuuush!
Eun-Ho disparou para frente e arrancou a espada, cravando-a com força direto no coração do Fantasma Maior. Comparada à própria espada dele, a lâmina azul entrou com um pouco mais de resistência, mas foi o suficiente. Atravessou.
— Socoooorro!
[Você eliminou o Fantasma Maior.]
[Vagão 14 foi concluído.]
Um momento depois, Ye-Ji terminou de gritar até perder a voz, e a notificação do sistema finalmente soou.
— Hrrngh!
O rosto dela se contraiu tanto que parecia que os traços iam se amassar, e a boca soltou uns sons abafados e estranhos.
Eun-Ho olhou para ela e pensou, distraído: “Desse jeito ela vai acabar ficando cheia de ruga.”
— Pode abrir os olhos agora.
— Hã? O-o quê?!
Os olhares se encontraram quando Ye-Ji espiou com cuidado por entre os olhos semicerrados.
— Eun-Ho? De onde você apareceu do nada?!
— Tem que acertar o coração pra matar. Da próxima vez, mantém os olhos abertos.
— O-obrigada!
[06:35]
Ele tinha concluído cinco vagões, do Vagão 18 ao Vagão 14, em cerca de quarenta segundos cada. Nesse ritmo, o máximo que ele podia esperar era chegar ao Vagão 4.
“A terceira rodada vai ser o verdadeiro campo de batalha. Por enquanto, tudo que eu preciso fazer é avisar o máximo de gente possível na segunda rodada.”
Só que ele só podia usar Explosão Elétrica mais cinco vezes. A cabeça dele parecia que ia ferver de tanto pensar.
Quando ele se virou para sair do Vagão 14, Ye-Ji chamou por trás, tremendo: — Eun-Ho! E-eu concluí minha provação, né?
Ela tremia de desespero. Por mais que Eun-Ho quisesse dizer que sim, que ela tinha conseguido e estava segura, ele não podia mentir.
— Não. Provavelmente não.
— C-como assim?! A gente acabou de matar o monstro! Quer dizer, você matou, mesmo assim!
— Eu acho que essa provação exige que a gente conclua todos os vagões. O trem inteiro.
— Não é possível.
Tump.
Ye-Ji desabou no chão com o rosto marcado pelo desespero. Eun-Ho sentiu um leve aperto de pena, mas não tinha tempo para perder nisso. Ele se virou em silêncio para ir embora, mas então parou.
“Espera.”
Um pensamento novo atravessou a mente dele.
“Se eu vou abandonar essa rodada de qualquer jeito…”
Não fazia sentido desperdiçar uma habilidade preciosa. Por causa da eletricidade de alta voltagem, ele não podia usar a espada sem Petrificar. Além disso, ele precisava guardar as melhores habilidades para a terceira rodada.
— Ye-Ji?
— S-sim?
— Você está agradecida, né? Quer dizer, se não fosse por mim, você estava morta.
— C-claro que eu estou agradecida! Óbvio!
— Então você se importa de me emprestar sua espada? — ele perguntou com educação, do jeito que Ji-Eun tinha ensinado uma vez. Ele não podia simplesmente arrancar a arma de alguém.
— Hã? Mas e eu?
— Você vai me emprestar, né? Eu te ajudei antes e acabei de salvar sua vida de novo.
— Sim, mas...
— Estou fazendo isso pra gente sobreviver. Não é isso que você também quer? — ele perguntou de novo, ainda mais educado.
— Pega…
Tunc!
Em vez de usar a própria Espada de Bico Navalha, Eun-Ho enfiou a espada de Ye-Ji direto no crânio do Fantasma Maior. A lâmina azul-escura atravessou o topo da cabeça da criatura.
Griiih! Griiih!
[Você eliminou o Fantasma Maior.]
[Vagão 13 foi concluído.]
— Concluído… — Yoon Sol-Ah afundou no chão do Vagão 13, repetindo a palavra baixinho. A perna dela estava suja de sangue, provavelmente arranhada por um porrete cheio de espinhos. Ela usou a habilidade de cura, deixando uma luz azul suave cobrir o ferimento. — Mas… a provação… não contou como sucesso.
Ela congelou. O brilho azulado que descia pelas pernas de Yoon Sol-Ah apagou de repente. Por um instante, lembrou Eun-Ho de um umidificador ficando sem água.
— Pra dar certo, provavelmente a gente precisa... — Yoon Sol-Ah disse.
— Concluir o trem inteiro! — Eun-Ho terminou.
Yoon Sol-Ah ficou em silêncio.
— E é por isso que estou aqui.
O peito dela subia e descia com respirações trêmulas, e uma sombra de desespero passou pelo rosto. A ficha caiu com força.
“Talvez por ser jovem, as emoções dela são fáceis de ler.”
— Você tem algum jeito de falar com outra pessoa? Algum amigo, qualquer um? — Eun-Ho perguntou.
— Tentei de tudo. Ligações, mensagens, até rede social, mas nada funciona. — Ela negou com a cabeça com amargura, mordendo o lábio de frustração, como se odiasse ser inútil.
Ele já imaginava, mas valia a pena perguntar.
— Se alguém conseguisse concluir os vagões da frente, nem que fosse só alguns… seria ótimo! — Eun-Ho murmurou.
— Isso daria pra concluir a provação?
— Sim. Pelas minhas contas, se alguém conseguir concluir até o Vagão 4, dá pra fazer nesta rodada.
“Se a Ji-Eun, que deve estar no Vagão 1, soubesse disso…”
— Mas o problema é que a gente não tem como avisar.
Sol-Ah franziu a testa, pensando. — Hmm… um jeito de avisar.
— Se desse pra passar a mensagem, de vagão em vagão — Eun-Ho disse.
— Tipo telefone sem fio?
— Exato. Como a gente precisa concluir todos os vagões, os mais rápidos podem avançar e depois voltar pra ajudar os mais próximos.
— Em teoria dá… mas… — ela deixou a frase morrer, baixando os olhos para o chão. — A maioria das pessoas não dá conta desses monstros sozinha. Se você não tivesse aparecido quando apareceu, eu provavelmente teria morrido de um jeito horrível.
E não teria sido rápido. Um pesadelo longo: correr, machucar-se, curar-se, correr de novo, machucar-se de novo. Só de imaginar, ela estremeceu. Ela segurou o cabelo comprido com as duas mãos, como se a ideia fosse pesada demais.
Eun-Ho sentiu um aperto de pena vendo essa garota na beira da vida e da morte.
— Não se preocupa tanto. Eu vou dar um jeito...
Ding!
Ele ia tranquilizá-la quando um toque suave ecoou pelo ar.
[Parabéns!]
[O Olho do Sujeito Lee Eun-Ho foi aprimorado para o nível dois.]
Uma mensagem apareceu do nada, parabenizando-o por algo que ele nem sabia direito.
— O Olho?
O globo ocular enorme que cobria o teto abriu lentamente a pálpebra. Todas as luzes do trem se apagaram de uma vez, mergulhando tudo na escuridão.
— S-senhor! Eu não estou enxergando nada!
[O aprimoramento foi concluído.]
[Agora você pode se comunicar com observadores de forma limitada.]
[A taxa de sincronização do Sujeito Lee Eun-Ho aumentou significativamente.]
Fuuush!
Como se nada tivesse acontecido, o Olho gigante abriu de novo, revelando um único olho do tamanho da palma da mão.
Pop!
O olhinho redondo apareceu de repente ao lado da cabeça dele e flutuou para cima. Era uma esfera branca semitransparente, com uma pupila preta no centro, pairando no ar.
“O Olho acabou de gerar um bebê?”
Ou talvez tenha encolhido para segui-lo de um jeito mais discreto.
— O que foi isso agora?! Foi um apagão?!
— Hã? Você não está vendo isso?
— Vendo o quê?
Ele apontou para o olho flutuando acima, mas Yoon Sol-Ah só o encarou sem entender.
“Então só eu consigo ver… Eu não estou ficando maluco… né?”
Enquanto Eun-Ho encarava o Olho estranho flutuando, uma nova mensagem apareceu no ar.
[Um observador anônimo está curioso para ver como você vai superar esta situação.]
Então uma voz estranha ecoou dentro da cabeça dele, e um texto desconhecido apareceu na borda da visão.
— Que porra é essa?
[Um observador anônimo está te cumprimentando calorosamente.]
[O Príncipe do Departamento de Investigação cruza os braços, dizendo que esta rodada não vai ser tão fácil.]
[O Corvo do Departamento de Gestão suspira, decepcionado ao ver uma joia tão rara já travada.]
— Só pode ser brincadeira! — Eun-Ho murmurou.
“O que é isso? Tipo uma live? E agora tem Departamento de Investigação e Departamento de Gestão no meio?”
O absurdo fez Eun-Ho soltar um riso de descrença.
Yoon Sol-Ah franziu a testa.
— Você bateu a cabeça?
— Não. Esquece. A gente está sem tempo.
[01:45]
Ele tentou se concentrar de novo.
— O que a gente precisa agora é um jeito de falar com todo mundo, principalmente com a Ji-Eun, que está lá no vagão da frente — Eun-Ho murmurou.
Nisso, Yoon Sol-Ah distraidamente enrolou o cabelo comprido perto da raiz e murmurou:
— É… não é como se desse pra enfiar um bilhete dentro de uma barra energética e jogar pra frente, tipo nos filmes.
— Barra energética… bilhete… espera, o quê?
— Hã?
“Ah!”
Eun-Ho pensou num plano que podia funcionar.
Boom!
Um porrete enorme passou por um triz da cabeça da Ji-Eun, cortando o ar ao lado da orelha. A arma do Fantasma Maior bateu no chão e ficou presa bem fundo no aço.
Enquanto a criatura lutava para arrancar, Ji-Eun correu para a outra ponta do vagão. Ela nem teve tempo de respirar antes da dor bater.
— Ah!
Sangue quente escorreu para dentro do canal do ouvido. O lóbulo tinha sido rasgado, talvez até aberto. Ardia e zumbia como o inferno, e tudo que ela queria era correr.
“Eu não posso chorar por um arranhão. O Eun-Ho sofreu com queimaduras de verdade.”
Ela mordeu o lábio e repetiu o mantra que vinha dizendo para si mesma fazia dois dias.
“Se controla, Ji-Eun. Mata o monstro. Conclui a provação. Mas como é que eu vou concluir isso?”
Ela já tinha derrubado um desses antes. Foi um arremesso de sorte, porque a adaga tinha perfurado o coração do Fantasma. E mesmo assim o sistema declarou falha.
“Ha… o Eun-Ho já teria descoberto a regra.”
Ele sempre encontrava a melhor solução, não importava em como a situação fosse desesperadora. Ela não tinha dúvida de que ele já sabia o que fazer. Só que ela não podia perguntar, porque ele estava longe.
Tump. Tump. Tump.
Enquanto ela se perdia nos pensamentos, o Fantasma Maior finalmente puxou a arma e veio cambaleando na direção dela.
“O que o Eun-Ho faria agora?”
Ele sempre se movia com propósito: focado, calmo e decisivo. Ela lembrou do que ele tinha dito antes. Se fosse ele, teria derrubado o monstro sem pensar duas vezes.
Griiih! Griiih!
Os olhos da Ji-Eun ficaram afiados, livres do medo e da hesitação. O olhar travou no Fantasma Maior.
Por um batimento — que pareceu uma noite inteira — ela analisou o movimento do inimigo e ergueu a adaga. Levou em conta o tronco balançando, direita e esquerda, e mirou com precisão calma.
Fiuu!
A adaga cortou o ar e afundou no peito do Fantasma Maior. Foi um arremesso calculado, mirado com precisão.
Então ela viu o segundo milagre, igual ao da primeira rodada.
Griiih!
— Ufa. Eu matei.
Ofegante, ela desabou num assento próximo. Ainda estava com medo, e até tremendo. Mas tinha conseguido.
Só que a mensagem do sistema dizia o contrário.
[Você falhou na provação.]
[Uma penalidade será aplicada devido à falha na provação.]
Era o aviso que ela esperava nunca mais ouvir, e mesmo assim estava ali, ecoando de novo.
— Não, não! Qual é!
Se ela entrasse na terceira rodada assim, nada mudaria. O monstro ia evoluir de novo e ainda falharia na provação, mesmo que ela conseguisse matar.
Parecia que ela estava afundando, sendo puxada pelo chão para dentro da terra fria e implacável. Não havia resposta. E, se havia, estava enterrada fundo demais para ela alcançar.
“Eun-Ho… o que eu faço?”
Ela nunca imaginou que sentiria tanta falta do cara da equipe vizinha. Entre pânico e esperança, ela sussurrou o nome dele como uma oração.
[Um presente chegou!]
[Gostaria de verificar?]
Então veio a resposta de Eun-Ho.
- Para: Kim Ji-Eun
- De: Lee Eun-Ho
- Mensagem: Você pode sair da zona segura durante a provação. Precisamos concluir o trem inteiro. Ajude se puder. Responda enviando um item inútil.
“Que porra é essa?”
Ji-Eun ficou chocada depois de ler a mensagem. Ao lado do texto, havia um pedaço de pão mofado.
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