Volume 1
Capítulo 17: Um Contra Um (2)
[Um presente chegou de um observador anônimo!]
[Gostaria de verificar?]
Cada palavra disparou alarmes na mente de Eun-Ho, mas a curiosidade ainda assim o levou a conferir o item.
— Verificar! — disse Eun-Ho.
Assim que Eun-Ho respondeu, um pequeno aglomerado de luz flutuou à vista. O brilho fraco cresceu, e a forma se solidificou com bordas definidas.
A luz explodiu numa caixa branca e impecável do tamanho da palma da mão, com algo que parecia um pequeno envelope por cima.
— Oooh! O que é isso, Hyungnim? — Jae-Hyuk perguntou com os olhos arregalados.
— Não é uma Caixa Misteriosa?
O cara boca suja estendeu a mão para tocar, mas a mão atravessou a caixa como fumaça.
— Tsk.
Então ele puxou a mão de volta, olhando em volta para garantir que ninguém tinha visto a falha.
— Mas por que só você está recebendo isso?
Antes que Eun-Ho pudesse responder, Ji-Eun interrompeu: — Ué, porque o Eun-Ho fez todo o trabalho nessa provação. Ele bolou a estratégia, atraiu os insetos e ainda lutou com maluco de antes.
— Droga! Eu também ajudei na provação, não ajudei?!
O resmungão bateu no peito como se tivesse sido injustiçado, mas Ji-Eun só deu de ombros, imperturbada.
— Ajudou, sim. Ficou parado e borrifou repelente.
— O que você disse?! Você só ficou sentada lá fatiando inseto!
— Exatamente. Por isso eu não estou aí com inveja que nem alguém aqui.
— Inveja? Olha a boca!
Apesar do tom agressivo, os lábios dele ficaram emburrados como os de uma criança fazendo birra. Ji-Eun pareceu achar graça e segurou o riso.
— Ah, qual foi. Você não está com inveja?
— Eu só estou… impressionado! Só isso. Impressionado!
Era praticamente a mesma coisa.
Percebendo que os olhos de todo mundo estavam nele agora, o cara puxou o boné para baixo para esconder o rosto e resmungou, quase inaudível: — Ele já é forte pra caramba. Imagina se esse presente o deixa ainda mais apelão, sabe?
Ji-Eun ficou em silêncio.
Ele se animou mais:— Tipo, e se mais pra frente ele começa a esmagar prédio com a mão? Lutar com monstro gigante e derrubar num golpe só, sei lá! Vocês não acham mesmo que isso pode acontecer?
Todo mundo se olhou e assentiu.
— Sim… se for o Eun-Ho, eu consigo ver isso acontecendo — Ji-Eun respondeu.
— Exato! Você daria conta disso, Hyungnim! — Jae-Hyuk completou, empolgado.
“Hah, esse povo...” Eun-Ho soltou um suspiro baixo.
— Desculpa decepcionar vocês, mas isso não vai acontecer! — respondeu Eun-Ho.
O cara boca suja não discutiu mais, mas ficou plantado ali, claramente curioso sobre a caixa.
— Não é recompensa da provação — Eun-Ho explicou. — Está marcado como presente.
— Presente? — Ji-Eun perguntou.
— De quem? Caramba, esse sistema tem de tudo, né? — acrescentou Jae-Hyuk.
Era exatamente o que Eun-Ho estava pensando. Ele sentia uma vontade forte de cavar mais fundo no sistema, mas o tempo nunca estava do lado dele como sempre.
— Eu não faço ideia de quem mandou. Só diz “observador anônimo”.
— Observador? O que isso quer dizer, Hyungnim? — perguntou Jae-Hyuk.
— Provavelmente quem está olhando a gente com aquele Olho! — Eun-Ho disse, apontando para cima.
Ao seguir com o dedo a direção do céu, todos olharam para cima por instinto.
Onde deveria haver um céu azul, havia um olho impossível de tão grande, frio e sem piscar.
Ser encarado daquele jeito o fazia se sentir exposto, como se estivesse andando nu no meio de uma multidão. De repente, ele se perguntou se ainda era seguro falar em voz alta.
— D-de qualquer forma! Vamos abrir, Hyungnim! — O cara falou todo animado, quase pulando nos dedinhos do pé.
O envelope e a caixa flutuavam no ar, como se estivessem esperando para serem abertos.
Eun-Ho alcançou primeiro o envelope, ansioso para ver o que tinha dentro. No instante em que os dedos roçaram o papel, ele se desdobrou sozinho, como uma demonstração elaborada de origami. Quando o interior liso e impecável ficou totalmente exposto, ele viu seu nome escrito com elegância.
- Para: Lee Eun-Ho
- De: Desconhecido
- Mensagem: Nenhuma
“Hã. Só isso?”
Bem, era um remetente anônimo, então fazia sentido. Ele podia descobrir quem era depois. Por enquanto, a verdadeira questão era o que exatamente tinham mandado.
Devagar e com cuidado, Eun-Ho estendeu a mão para a caixa.
Então ele recuou. — Ah!
— Eun-Ho! Você tá bem? — Ji-Eun correu até ele.
Um choque agudo correu pelas pontas dos dedos, fazendo-o recolher a mão.
— Estou bem. Deve ter sido só estática.
— Ah… tá.
Ela parecia mais abalada do que ele.
Eun-Ho deu um sorrisinho, como se dissesse para não se preocupar, e continuou abrindo a caixa.
A primeira coisa que chamou atenção foram faíscas pequenas se espalhando ao redor da caixinha, estalando como se quisessem escapar.
Estalo! Creck! Zzzzt!
“Isso é um frasco?”
Havia uma garrafinha pequena, talvez com uns dez centímetros, no formato de uma frutinha gordinha, com barriga arredondada.
— Hyungnim! Parece uma poção de vigor ou algo do tipo! — Jae-Hyuk exclamou.
— É… parece com as da loja — Eun-Ho respondeu.
Eun-Ho lembrou das Poções Diluídas de Recuperação de Fadiga da loja. Mesmo sendo quase inúteis para o cansaço do dia a dia, custavam absurdos trezentos Pontos de Benefícios.
Só que esta era diferente. Só de aproximar os dedos da caixa, um choque agudo se espalhava pela pele.
Zzzzt!
Ele cerrou os dentes, aguentou a ardência e pegou o frasco. Um ding suave soou, e uma janela translúcida do sistema apareceu diante dele.
[Óleo Elétrico]
- Óleo extraído de árvores antigas atingidas por raios.
- Quando aplicado a uma arma, descarrega eletricidade de alta voltagem ao atingir um inimigo.
- Aviso: Conduz eletricidade ao contato. Manuseie com cuidado.
- Usos restantes: 10
“Eletricidade de alta voltagem, é?”
O frasco de vidro brilhava suavemente, cheio de um líquido espesso que cintilava em tons de amarelo e azul. Não era tão fluido quanto água, nem tão sólido quanto gelatina, ficando num meio-termo intrigante.
Apesar do silêncio e da falta de luz, o líquido cintilava de leve com a superfície se mexendo. Faíscas elétricas fracas dançavam sem parar por cima.
— O que é isso? Parece muito melhor do que qualquer coisa da loja — Eun-Ho murmurou.
— D-deve ser um item lendário, Hyungnim! — Jae-Hyuk falou quase sem fôlego.
— É encantado ou algo do tipo?
Quando Eun-Ho olhou para cima, viu todo mundo encarando o frasco na mão dele. Estavam praticamente boquiabertos, chocados com como aquilo pulsava energia sozinho.
— Uau, vamos testar! — Jae-Hyuk gritou.
— Hmm… eu preciso abrir pra passar na lâmina, mas…
De lado, Ji-Eun estava com os braços cruzados, visivelmente desconfortável.
— Eun-Ho, isso… não é perigoso, né? Tá literalmente estalando de eletricidade.
— Ugh, é! Hyungnim, não dói? — Jae-Hyuk perguntou.
— Quer dizer, é meio perigoso! — Eun-Ho admitiu. — O sistema diz que vai te dar choque só de tocar.
— O quê?! Então como é pra usar isso?! — Os olhos da Ji-Eun se arregalaram.
Eun-Ho deu de ombros e saiu do círculo de curiosos. Ele preferia achar um lugar mais reservado para testar, mas quem sabia quando a próxima provação ia aparecer?
— Invocar.
Ele estendeu a mão, e o peso familiar do punho da espada se acomodou na palma. Sentiu os olhares preocupados de Ji-Eun e Jae-Hyuk.
— Eun-Ho! E se você levar um choque forte?!
— Só preciso evitar conduzir eletricidade.
— Ooh! A gente devia achar umas luvas de borracha, não? — Ji-Eun sugeriu.
Encontrar luvas de borracha não era uma má ideia, mas provavelmente seria inútil se a voltagem fosse alta demais. Felizmente, havia algo muito melhor.
— Petrificar! — Eun-Ho disse.
Um material não condutor, por onde nem calor nem eletricidade passavam.
— Uau!
— Verdade, pedra não conduz eletricidade!
Pop!
O frasco abriu com um som suave, liberando um cheiro limpo e nítido. O Óleo Elétrico amarelo-azulado cintilava como relâmpago preso numa garrafa.
Creck! Creck! Bzzzt!
Faíscas explodiram da boca do frasco quando Eun-Ho mergulhou com cuidado a mão direita petrificada.
“Vamos lá!”
O fluido espesso e brilhante grudou nos dedos como mel, sendo puxado para fora com facilidade. Ele espalhou com delicadeza pela superfície da lâmina negra, que estava apoiada no chão.
Em seguida, outro ding ecoou nos ouvidos.
[Sua arma Espada de Bico Navalha foi aprimorada para Espada de Bico Navalha Eletrificada.]
[Você adquiriu uma habilidade temporária: Explosão Elétrica.]
[O número de usos foi recarregado em 1.]
[O número de usos foi recarregado em 1.]
[O número de usos foi recarregado em 1.]
…
Bzzzt!
A espada foi aprimorada.
— Mal posso esperar pra ver isso em ação, Hyungnim! — Jae-Hyuk gritou empolgado.
— Né?! Quando você apunhalar alguma coisa, vai soltar faísca tipo pá! — Ji-Eun acrescentou.
— Espera! Isso não deixa mais com cara de espada-taser do que de cassetete de choque normal, Noonim?
Os dois estavam mais animados do que o próprio Eun-Ho, trocando comentários empolgados, com os olhos brilhando.
— Não se empolguem tanto. Só funciona dez vezes, e se você não petrificar a mão antes, vai levar cho...
[Atenção a todos os sobreviventes na área da Estação de Seul.]
Eun-Ho queria dar uma segurada, porque não era brinquedo, mas um aviso do sistema o interrompeu.
[A próxima provação começará em breve às 13:00.]
— O quê? Já?!
— Mas quanto tempo passou desde a última?!
O segurança, que estava acendendo um cigarro, fez uma careta e o deixou cair no chão. Outro homem, apressando a filha pequena em direção ao banheiro, pegou a menina no colo de repente e correu de volta para dentro.
— Uma em ponto? Espera!
— Merda. É agora! Já deu uma hora agora!
Eram 12:59. A palavra “em breve” do aviso foi literal.
[A provação começou.]
[Zonas seguras foram geradas.]
Fuuush!
Um mapa enorme explodiu diante da visão de todos, cheio de segmentos longos e retangulares ligados entre si. Era um trem.
— É a plataforma! Corram, todo mundo!
[Você tem cinco minutos. Todos os indivíduos fora da zona segura serão eliminados.]
— Cinco minutos?!
— Isso é insano!
Diferente das provações anteriores, esta não veio com aviso nem margem; só uma contagem regressiva implacável de cinco minutos. Alguns xingaram baixo. Mas quando foi que o sistema ligou para as circunstâncias deles?
— Parem de reclamar e corram, a não ser que vocês queiram morrer! — Eun-Ho gritou para o grupo.
— Sim, senhor, Hyungnim! — Jae-Hyuk respondeu.
Toc. Toc. Toc.
Quatorze pessoas dispararam pela praça e entraram no prédio da Estação de Seul. Para um observador casual, pareciam só passageiros correndo para pegar um trem prestes a partir. Mas, na realidade, era uma corrida pela vida, uma corrida desesperada e guiada por puro instinto de sobrevivência.
— Merda! Só faltam quatro minutos!
— Aaaah!
— Papai, eu preciso ir ao banheiro!
— Desculpa, Yul! Se a gente parar agora, nós dois morremos!
Uma ou duas pessoas escorregaram por correr rápido demais, mas ninguém olhou para trás. Eun-Ho parou para ajudar Ye-Ji a se levantar.
— E-Eun-Ho! Obriga...
— Depois.
Logo em seguida, Eun-Ho puxou o mapa de novo. A maior parte do grupo já tinha sumido na frente.
“Onde? Qual é o caminho mais rápido?”
— Hyungnim! A gente tem que descer rápido!
— Três… quatro… ali! Por aqui!
Com Ye-Ji, Jae-Hyuk e Ji-Eun atrás, Eun-Ho liderou a corrida em direção à plataforma. Eles desceram por uma escada rolante longa demais e finalmente chegaram às portas abertas de um trem KTX.
— É este! O vagão da extrema direita!
Dos dezoito vagões, o último à direita, o Vagão 18, piscava em verde no mapa, marcando a zona segura. Faltava pouco mais de um minuto.
Eun-Ho tinha uma habilidade de aumento de velocidade, então alcançar era possível. Mas os outros não tinham a mesma sorte. Ele ia disparar quando Ji-Eun gritou com os olhos nervosos indo de um lado para o outro.
— E-espera, Eun-Ho! Você está indo pro lado errado!
— O quê? Como assim?
— Olha o mapa! Está dizendo pra ir pra esquerda! — Ji-Eun parecia confusa.
— Aqui está dizendo que é o último vagão à direita! Vagão 18! — Eun-Ho gritou.
Então Jae-Hyuk também semicerrou os olhos para o mapa.
— Espera. Hyungnim, você disse o último vagão?
[00:57]
— Só falta um minuto!
Ji-Eun falou atropelado, e Jae-Hyuk e Ye-Ji trocaram olhares confusos com incerteza estampada no rosto.
Só que o mapa de Eun-Ho apontava claramente para a direita.
— Ji-Eun! A zona segura não é o último vagão à direita?
— Hã? Não, é o primeiro! Vagão Um, lá na extrema esquerda!
Todo mundo congelou, porque o mapa de cada um mostrava uma zona segura diferente. Só havia uma conclusão: esta provação era de sobrevivência individual.
Como se todos tivessem chegado na mesma percepção ao mesmo tempo, ergueram a cabeça e gritaram juntos: — Tomem cuidado!
— Você também, Eun-Ho!
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios