Volume 1

Capítulo 15: Pressão por Desempenho (5)

Havia estudantes cujos corpos foram obliterados no ataque, zumbis queimando vivos e amigas gritando até perderem a sanidade. Até a Equipe Três, enfrentando a ameaça de ser apagada, congelou por um instante diante da brutalidade do massacre.

Em seguida, as mensagens do sistema apareceram.

[Todos os dados de desempenho foram contabilizados.]

[Os alvos da reestruturação desta segunda rodada são a Equipe Três. A reestruturação começou.]

— Não, não tinha mais zumbis! Já tinham matado todos!

— Espera… a gente? N-não pode ser!

— Não! Por favor, para!

Os protestos não significaram nada, visto que foram engolidos por uma onda de morte tremeluzente.

— S-seu assassino!

— E-eu vou te amaldiçoar!

Mesmo enquanto desapareciam no nada, os membros da Equipe Três lançaram maldições contra o morador de rua. Não que ele se importasse, e, aparentemente, tampouco o sistema.

[Atenção, sobreviventes da área da Estação de Seul.]

[Uma recompensa especial será concedida à equipe com melhor desempenho.]

De forma fria, o sistema falou sobre “melhor desempenho”. As pessoas estremeceram diante dessa meritocracia horrível.

— Eles são insanos…

— Que porra é “recompensa especial”? Eles nunca falaram disso antes!

Alguns tremeram de medo, enquanto outros como Ye-Ji, da contabilidade, resmungaram com amargura, sobre esse bônus surgido do nada.

[A recompensa especial da segunda rodada é 2 pontos. A recompensa especial da terceira rodada é 3 pontos.]

Era justo reclamar. Dar pontos extras para quem se saísse melhor só aumentaria ainda mais a diferença.

“A equipe com melhor desempenho nesta rodada é…” Eun-Ho pensou.

Um calor estranho se acendeu no peito dele. Talvez nervos, talvez o reflexo das chamas ao longe. Ele não foi o único. Todo olhar assustado se voltou para o mesmo ponto em brasa.

[A equipe com melhor desempenho na segunda rodada é a Equipe Cinco.]

Uma risada escapou de um homem.

[Elimine inimigos e prove sua excelência!]


— E-eu vou melhorar minha habilidade! — o homem disse, e o fogo explodiu na palma da mão dele.

No meio das chamas vermelhas e amarelas, um traço azul tremeluziu no centro.

— Essa chama… está mais quente agora.

— E com certeza está maior também.

A chama, agora do tamanho de uma cabeça humana, dançava e inchava. Chama maior significava que ele podia incendiar alvos sem nem encostar.

— Isso é uma habilidade ofensiva absurda! — Ji-Eun disse.

— Não se preocupa. Se a gente seguir o plano, vai dar certo! — Eun-Ho respondeu.

Ji-Eun, que estava mexendo nos dedos com nervosismo, enfim olhou para cima. — É justamente por causa do seu plano que eu estou preocupada, Eun-Ho.

Eun-Ho permaneceu em silêncio.

[A terceira rodada começa.]

“Desculpa, Ji-Eun!” Eun-Ho pensou.

Ele sentiu um pouco de culpa ao ver a preocupação dela. Ainda assim, o plano dele era o caminho mais eficiente.

— Todo mundo, nas posições! — Eun-Ho gritou.

— H-Hyungnim! A gente vai mesmo seguir com esse plano? — Jae-Hyuk perguntou.

— Sim. É o jeito. Por favor, confia em mim!

A única forma de todo mundo sobreviver e matar o alvo era seguir o plano.

[Elimine inimigos e alcance seu objetivo dentro do limite de tempo!]

Urrrgh

No instante em que a provação começou, os zumbis, que antes cambaleavam sem rumo, avançaram de repente. Vieram dois primeiro, como um aquecimento leve.

“Desculpa por isso!” Eun-Ho pensou.

Gyaaah!

Em vez de desviar, Eun-Ho puxou Jae-Hyuk para a frente, usando-o como escudo.

Clang~

Os zumbis bateram com tudo na armadura de Jae-Hyuk.

Ughhhh

Enquanto eles cambaleavam, Eun-Ho arrancou rápido dois insetos prateados e jogou para Ji-Eun. Em instantes, tirou três. Em vez de perder tempo “matando” de vez, ele se concentrou em extrair várias vezes mais rápido do que a velocidade original.

— Ji-Eun! Aqui!

— Deixa comigo!

Clang! Clang! Clang! Clang!

A adaga da Ji-Eun virou um borrão. Cada parasita que chegava era picado, dividido e esquartejado, até ficar irreconhecível. Então ela passava os pedaços retalhados para o homem boca suja.

— Tudo picado! — Ji-Eun avisou.

— Beleza, lá vou eu! — o homem boca suja disse.

Fwoooosh!

Ele segurava um spray de inseticida e um isqueiro. Num movimento só, ele incendiou o ar à frente.

— Morre, seus bichinhos nojentos do caralho!

Cada um ficou preso à própria tarefa com precisão mecânica. Era um sistema frio e eficiente, uma divisão de trabalho ao máximo. Se isso fosse uma força-tarefa de escritório, dava até pra imaginar um slogan motivacional na parede: Divisão de Trabalho é o Único Jeito de Sobreviver!

Só que o coração da estratégia não era apenas matar o Parasita de Agulha, era cortar em pedaços.

[Você derrotou o Parasita de Agulha esquartejado.]

— Isso! Funcionou! A pontuação subiu!

[Status de Desempenho da Terceira Rodada]

  • Equipe 1: 2/100 pontos

Matar um Parasita de Agulha inteiro rendia cinco pontos; um dividido ao meio rendia três; e um esquartejado, dois.

“Então dá oito pontos por parasita se a gente esquartejar em vez de só matar de uma vez. Cortar é muito mais eficiente.” Eun-Ho pensou.

— Chega de cortar! Acho que menor que isso não vai! — Ji-Eun gritou.

— Ótimo. Vamos queimar tudo de uma vez!

Bang~

— Ji-Eun!

— Aqui! Queima tudo!

Fwoooosh~

[Você derrotou o Parasita de Agulha esquartejado.]

[Você derrotou o Parasita de Agulha esquartejado.]

[Você derrotou o Parasita de Agulha esquartejado.]

[Você derrotou o Parasita de Agulha esquartejado.]

A enxurrada de alertas sem parar fez a cabeça deles girar. Conforme a pontuação subia, o sistema começou a demorar para responder. Como ainda tinha tempo de sobra e eles já tinham batido a meta, só restava uma coisa a fazer.

— Ei, criança! Pega seu pai e vem pra cá!

Eun-Ho acenou, e o pai e a filha correram rápido até ele. Ele não foi até eles por um motivo.

— Jae-Hyuk! Ji-Eun! Preciso que vocês aguentem só mais um pouco.

Eun-Ho queria manter a divisão de tarefas: Jae-Hyuk segurava os zumbis, Eun-Ho extraía os insetos e Ji-Eun fatiava. O pai assumiria o papel de queimar. Ou seja, eles só iam trocar quem “incendiava”.

— E você aí...

— O quê? Quer que eu fique de babá? Tá, tá bom, tanto faz.

— Você… pode parar de falar assim?


— Rapaz! Você salvou a gente!

— Muito obrigado, senhor. Obrigado mesmo…

— Obrigada!

Chamando Eun-Ho de “senhor”, o pai se curvou tão fundo que parecia que ia dobrar ao meio. Ao lado dele, Yul fez uma reverência certinha e educada. As mãos juntinhas na barriga, como uma aluna bem-comportada.

— Todo mundo foi muito bem. Cada um fez a sua parte! — Eun-Ho disse.

Com a tensão emocional aliviando, o homem boca-suja passou a mão no rosto e falou: — Mas falando sério, que porra é essa? Você é algum tipo de gênio? Ou está trabalhando escondido pro sistema?

— Do que você está falando? — Eun-Ho perguntou, calmo.

— Olha… beleza, ter inseticida pronto… você claramente se preparou. Mas como diabos sabia que ia ganhar mais ponto por picar os insetos?

Dessa vez, Ji-Eun respondeu por ele: — Não é tão complicado. O Eun-Ho é um gênio. Você só não o conhece.

— O… quê?

Era uma resposta meio estranha, mas ela parecia completamente séria.

— Mas, de verdade, como você descobriu, Hyungnim? — Jae-Hyuk perguntou.

Ah… os números da primeira rodada estavam estranhos.

— Os números da primeira rodada?

Jae-Hyuk olhou para Ji-Eun, que só deu de ombros, tão perdida quanto.

— A gente foi o único time que terminou com exatamente 101 pontos, lembra?

Ah… espera. Foi porque você cortou aquele primeiro ao meio no começo?

— Foi. Aí eu fiquei tentando cortar menor, testando qual faixa de pontos era mais eficiente.

Com a explicação, Jae-Hyuk bateu no joelho, entendendo. Os outros se entreolharam e assentiram, como se as peças finalmente se encaixassem.

[Você derrotou o Parasita de Agulha dividido ao meio.]

Eun-Ho se lembrou do som familiar quando cortou o primeiro inseto ao meio. Naquele momento, ele nem sabia o que estava fazendo. Se o inseto tivesse sido esmagado num golpe único e limpo ou se outra pessoa o tivesse matado primeiro, nada disso teria sido descoberto.

— Acho que eu tive sorte.

— Sorte, é? Você acha mesmo que foi só isso?

— É justamente isso que te faz um gênio, Eun-Ho — Ji-Eun disse, e Jae-Hyuk concordou com a cabeça.

— Sorte ou genialidade, tanto faz… — Eun-Ho murmurou.

Eles tinham ficado em primeiro lugar e pegado a recompensa, então era hora de seguir. Além disso, ele sentia os olhos nas costas, observando.

— Lá fora pode ficar perigoso. Então vocês ficam aqui e esperam.

— Hyungnim, tem certeza de que vai ficar bem?

Eun-Ho não ficaria bem, mas isso já não importava.

O morador de rua já vinha se aproximando passo a passo de forma lenta e deliberada, abrindo e fechando a mão como se testasse a pegada.

Crackle~

— Ji-Eun, Jae-Hyuk. Se eu conseguir derrubar ele primeiro...

Eun-Ho mal terminou a frase quando uma figura pequena passou por ele num salto. O cabelo preto e longo dela engolia quase todo o colete cinza.

— Seu desgraçado! Eu vou te matar com as minhas próprias mãos!

— Sol-Ah! Não!!

Tum~

Era a mesma colegial que tinha descido as escadas correndo para salvar a amiga. Ela parecia ter voltado depois de se despedir daquela garota. Agora estava ali de novo, tomada de vingança com o rosto retorcido de ódio puro.

Mas uma mão pequena a agarrou a tempo.

— Não vai!!

A última amiga que restava se atirou na frente de braços abertos. A garota vingativa tremia de raiva, pronta para jogar a vida fora. A mais baixinha se agarrava nela em desespero, tentando segurar.

— Você não pode! Por favor, não faz isso!

— Por quê não?! Você não está com raiva?! Aquele desgraçado queimou a So-Young viva!

— Eu sei! Eu sei, mas se você for… vai morrer também!

Ela queria vingança. Mas era impossível, só pela diferença de tamanho já era ridículo.

Hehe. Morram as duas! — O homem surgiu atrás delas como uma sombra com os braços abertos. Ele tampou as bocas das duas com as mãos, apertando.

— Se eu tostar as duas caras de uma vez… hehehe

Mmmph! Mmmph!

“Merda!” Eun-Ho pensou, inspirando com força.

— Aceleração.

Ele tinha montado com cuidado um cenário que dava a melhor chance de vitória. Mas ver as garotas se debatendo nas mãos daquele monstro fez todo o planejamento ir pelo ralo.

Ele se moveu sem pensar.

“Eu faço outro plano depois.”

Crack~

Como um corredor ouvindo o tiro de largada, Eun-Ho encurtou a distância num instante. Então forçou as mãos do homem a abrir, dedo por dedo. Primeiro a garota menor escapou e caiu segura, depois a de cabelo longo.

Whoosh~

No instante em que Eun-Ho virou após salvá-las, a chama explodiu da palma do homem, pegando o cotovelo do Eun-Ho e se espalhando.

Guh…!

O calor cortante veio como ácido, como se as células dele estivessem fervendo e derretendo por dentro. Um grito travou na garganta, mas ele rangeu os dentes. Empurrou a dor e mal conseguiu levar as estudantes para um lugar seguro.

Tick~

O tempo voltou ao normal.

— Eun-Ho!!

Tap! Tap! Tap~

Ji-Eun arrancou a própria jaqueta e abafou o fogo grudado no braço dele.

— Hyungnim! Seu braço!

— Keugh!

Mais do que pele queimando, parecia que o osso estava em chamas.

— Aquele filho da puta machucou o nosso Hyungnim!

— Eun-Ho! Você tem alguma Recompensa da Provação sobrando? Usa! Você precisa se curar...

A voz da Ji-Eun estava urgente e desesperada, mas outra voz interrompeu por trás.

— Sai.

Era a garota de cabelo longo, a que tinha acabado de ser salva. Ela esfregava o maxilar onde tinha sido agarrada, estremecendo a cada toque.

— Como assim? — Ji-Eun perguntou.

A garota nem olhou para Ji-Eun. Os olhos furiosos estavam cravados nos de Eun-Ho, sem piscar e assustadoramente focados.

— Eu vou te curar. Então, por favor, mate aquele desgraçado.

— Me curar?

“Espera… quando ela correu antes pra salvar a amiga, ela tinha sido por um zumbi!” Eun-Ho pensou.

Mas o tornozelo dela estava perfeito, quando ele olhou para baixo. Na verdade, quando ela avançou contra o morador de rua, nem mancou.

— Seu tornozelo está curado.

— Você consegue matar ele, né?

Os olhos dela mostravam um único desejo, firme como pedra.

— Por favor… me deixa te curar.

Sem dizer mais nada, ela se ajoelhou ao lado dele. Pousando a mão com cuidado sobre o braço carbonizado, ela sussurrou: — Curar.

[Você foi curado pela Curandeira Yoon Sol-Ah.]

[Recuperação de queimadura: 90%.]

— Hyungnim! Seu braço!

A pele preta e retorcida começou a se regenerar por dentro, parecendo quase normal segundos depois. Estava avermelhada e um pouco quente ao toque, mas não mais destruída.

— Era pra ser cem por cento… — a garota murmurou, mordendo o lábio.

Talvez estivesse envergonhada por não conseguir curá-lo por completo depois de falar com tanta confiança. Ou talvez tivesse medo de ser rejeitada por isso.

— Meu nível de habilidade ainda é baixo. Foi por isso! — ela acrescentou baixinho.

— Isso já basta! — Eun-Ho disse.

— Mas...

— Cure o resto depois. Você dá conta, né?

Ela assentiu.

Todo mundo ao redor parecia chocado, mas Eun-Ho se levantou. Do outro lado, o homem o encarava de frente.

Tap. Tap. Tap~

Os dois caminharam um na direção do outro, sem desviar o olhar.

Os lábios rachados do homem de cabelo seboso se contorceram levemente quando ele falou: — Você tem uma habilidade...

— Você é canhoto, né? — Eun-Ho perguntou de forma exigente.

O homem vacilou. Ele usava as duas mãos para esmagar gargantas de zumbis e pessoas. Mas o fogo… só vinha da esquerda.

Um sujeito cheio de ego e exibicionismo como ele não esconderia algo assim, ainda mais sendo o primeiro poder “de verdade” que tinha. Mesmo sob o cabelo sujo e a barba falhada, Eun-Ho viu as sobrancelhas dele tremendo de irritação.

— O-o que você disse?

— Você só usa a mão esquerda pro fogo.

— E daí?

Petrificar.

Crunch~

O plano era simples: Eun-Ho colocaria os três pontos restantes da terceira rodada em fortalecer a mão direita. Com a mão endurecida como pedra, ele agarraria o punho em chamas do homem… e esmagaria.

“Não importa se sai fogo, água, seja o que for. Ainda é só uma mão humana. A minha é uma rocha forte o suficiente pra atravessar parede.” Eun-Ho pensou.

Crack~

— Cha...

— Aceleração.

— ...ma!

Crack~

O rosto do homem se retorceu de dor enquanto ele tentava desesperadamente invocar as chamas, mas era tarde demais.

O punho petrificado do Eun-Ho tinha travado em torno da mão em chamas, transformando-a numa gaiola ardente e quebradiça.

— Você ainda não devia estar sentindo dor…

Eun-Ho olhou por cima do ombro do homem. Logo atrás, estava Yoon Sol-Ah com os olhos afiados como lâminas, quase brilhando de fúria.

— Minha cliente está olhando.

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