Volume 1

Capítulo 12: Pressão por Desempenho (2)

— Conquista? Pedra de Amolar Humana? — Eun-Ho murmurou para si mesmo em confusão.

Então, o sistema respondeu com seu tom animado de sempre como se fosse combinado.

[Quando você realiza algo extraordinário ou comete um ato incomum, isso pode ser reconhecido como uma conquista e render um título apropriado.]

— Realizar algo extraordinário ou um ato incomum? — Eun-Ho resmungou.

“Afiar armas com as próprias mãos tinha que ser a segunda opção, certo?”

[Você gostaria de verificar os efeitos do título Pedra de Amolar Humana?]

— Sim.

[Afiar uma arma com a mão aumentará significativamente sua velocidade de afiação.]

[Sua compreensão da arma melhorou.]

“Uma pedra de amolar é usada para afiar lâminas. Então isso quer dizer que agora eu consigo afiar ainda mais rápido?” Eun-Ho pensou.

Desconfiado, mas curioso, ele acelerou o ritmo e moveu as mãos rapidamente.

Shrrrk. Shrrrk. Shrrrk. Shrrrrrrrk Shrrrrrrrk~

— Ué, Eun-Ho? Você usou Aceleração de novo? — Ji-Eun perguntou.

— Não! — ele respondeu sem parar. — Ainda está em Tempo de Recarga.

— Sério? Mas suas mãos estão se mexendo rápido demais.

Não era coisa da cabeça deles. A lâmina estava sendo desgastada numa velocidade que fazia as tentativas anteriores parecerem lentas em comparação.

— Hyungnim! Acho que já está bom! Agora a lâmina encaixa certinho na empunhadura! — Jae-Hyuk avisou, encostando a empunhadura na espiga da lâmina.

Só que Eun-Ho tinha outro entendimento.

— Não. A espiga precisa ser mais comprida. Tem que ser longa o suficiente pra sair pela parte de trás do cabo.

?

— Me dá um pouco de cola.

Tap! Tap! Tap~

Ele espalhou a cola com cuidado pela espiga, agora mais fina, e então empurrou a lâmina fundo na empunhadura, até a espiga aparecer do outro lado.

— Jae-Hyuk, você consegue dobrar a parte que ficou pra fora? Mas cuidado! Não se corta.

— Consigo, mas… por que ir tão longe?

— Se ficar só na cola, a lâmina pode voar quando alguém brandir a espada. Mas se a gente dobrar a ponta que tá saindo, ela vai segurar melhor.

Ah! Faz sentido!

De algum jeito, Eun-Ho entendeu que só cola não seria suficiente para firmar a arma direito. Talvez esse conhecimento viesse do título recém-adquirido.

— Mas, Eun-Ho… isso não é perigoso? — Ji-Eun falou ao examinar a espada recém-montada. — A lâmina tá encostando por dentro do cabo. Alguém pode se machucar.

Ah! Então… e se a gente enrolar com fita? — Jae-Hyuk sugeriu.

“É simples, mas vai descolar rapidinho” Eun-Ho pensou.

— Precisamos de algo melhor. Tinha um sofá de couro no saguão, né?

Havia um sofá que o pessoal sentava de vez em quando. Eun-Ho se lembrava do líder de equipe ter se gabado uma vez de que era feito de couro premium.

— Sim! Espera, Eun-Ho… você tá pensando em usar o couro do sofá na espada?

“Macio, mas resistente. Perfeito.”

Eun-Ho cortou uma tira longa e estreita do couro marrom-escuro. Depois, enrolou bem apertado em volta do cabo e prendeu a ponta com um nó firme. Assim, a espada ficou pronta.

Ding!

[Você concluiu a Espada de Bico Navalha!]

[Espada de Bico Navalha]

  • Uma arma única forjada ao embutir o bico afiadíssimo de um Pássaro de Bico Navalha em uma empunhadura entalhada a partir de osso de besta. Embora a junção ainda permaneça levemente instável, a lâmina — meticulosamente afiada com a precisão de um mestre — mantém um fio de nitidez incomparável.
  • O item não pode ser vendido.

“Funcionou mesmo?” Eun-Ho pensou.

A espada com certeza parecia mais afiada do que a que pegou emprestada antes. Só para testar, ele arrastou de leve o fio pela cadeira em que tinha acabado de sentar.

Shhhk~

A espuma abriu como manteiga sob uma faca quente. A lâmina reluziu, refletindo a luz. Estava tão afiada que só de encostar dava a sensação de que poderia cortar a pele.

— Pronto! — Eun-Ho falou.

Ele tinha certeza de que isso atravessaria um monstro como aquele Pássaro de Bico Navalha.

“Ou talvez até uma pessoa”, pensou.

— Hyungnim! Caramba… existe alguma coisa que você não consegue fazer? — Jae-Hyuk ficou boquiaberto.

— Sério. Eu nem imaginava que você tinha esse tipo de talento, Eun-Ho! — Ji-Eun completou.

— Ficou melhor do que eu esperava — Eun-Ho falou com modéstia. — Agora, que tal vocês dois comprarem as Espadas de Ferro Quebradas? Uma pra cada.

Os dois, olhando pE Eun-Ho com curiosidade, entregaram suas Espadas de Ferro Quebradas. Com ainda mais velocidade do que antes, Eun-Ho fez mais duas armas em pouco tempo. Surpreendentemente, ele estava pegando o jeito.

— Tinha algum suprimento lá fora? — Eun-Ho perguntou.

— Tinha! — Ji-Eun respondeu. — Eu consegui achar três mochilas e enchi todas. Só falta colocar uns enlatados, e aí dá pra pelo menos uma semana.

— Vamos arrumar tudo agora.

Eles se concentraram em encher as mochilas com comidas compactas, leves e calóricas. Qualquer coisa que durasse bastante, como carne-seca, ia direto pra dentro.

— Mesmo que fique pesado, a gente tem que levar o máximo que der. Ainda não vamos nos mover, e o peso vai diminuindo quando a gente começar a comer — Eun-Ho disse.

— Mas e a espada? — Ji-Eun perguntou. — Ela é bem pesada. Como a gente vai carregar por aí?

— Em jogo, eles costumam carregar nas costas — Jae-Hyuk falou.

Ah, vocês não precisam se preocupar com isso — Eun-Ho disse.

Ele se lembrou da mensagem do sistema que apareceu quando comprou a Espada de Ferro Quebrada.

[Sua compra foi concluída. O item pode ser armazenado no seu Inventário a qualquer momento.]

Como uma mensagem do sistema também apareceu depois que terminou de fabricar a Espada de Bico Navalha, ele sabia que ela foi oficialmente reconhecida como um item.

— Armazenar — ele falou em voz alta.

A espada na sua mão cintilou por um instante e sumiu.

— Parece que a gente tem algum tipo de Inventário. Vocês também deviam tentar.

Uau… isso é conveniente demais — Ji-Eun disse.

— Eu estou meio decepcionado, na real! — Jae-Hyuk resmungou. — Eu queria fazer aquela parada de anime, sabe? Tirar das costas num movimento só.

Enquanto Jae-Hyuk reclamava de coisas estranhas, Ji-Eun o acalmou com delicadeza, como uma mãe lidando com um garoto muito imaginativo, trazendo-o de volta à realidade.

— Se você tentasse isso na vida real, provavelmente ia cortar todo mundo em volta.

— Eu ia tomar cuidado! — Jae-Hyuk argumentou.

— Tá. Mas e depois, como você ia guardar de novo? Você nem enxerga a espada quando ela está armazenada. E se você se perfura nas costas sem querer?

— Ok… é. Ponto justo.

Ji-Eun era afiada e lógica, algo que Eun-Ho já tinha percebido quando ela conseguiu garantir uma espada com Lee Ye-Ji. Na época em que ela trabalhava no escritório ao lado, ele só a achava gentil.

— Só armazena. Entendeu? — ela falou com firmeza.

— Tá bom… — Jae-Hyuk resmungou, cedendo por fim.

Ele armazenou a espada e começou a arrumar a mochila. Vendo-o emburrado, Ji-Eun soltou um risinho baixo.

— Você lida bem com ele — Eun-Ho comentou.

— Acho que é porque tenho um irmão mais novo. O Jae-Hyuk me lembra ele.

— Qual a idade do seu irmão mesmo?

— Só um ano mais novo. Ele tem vinte e cinco.

O irmão dela tinha a mesma idade do Jae-Hyuk. Ao falar dele, os dedos da Ji-Eun começaram a mexer no celular, e um lampejo de ansiedade voltou aos olhos dela.

— Ele deve ser inteligente, né? Se é seu irmão — Eun-Ho perguntou com cuidado.

Ah, com certeza. Sempre foi esperto, desde criança. E ainda está estudando também.

— Então ele vai ficar bem. Você tem que sobreviver pros dois se verem de novo.

Com isso, a preocupação no rosto dela começou a diminuir.

— Obrigada, Eun-Ho. Sinceramente… acho que só cheguei até aqui por sua causa. E agora você ainda fez armas pra gente.

— Não precisa agradecer. Isso é só o começo.

E realmente era só o começo. Todos sabiam que era cedo demais pra começarem a se agradecer por sobreviver.

— Espero nunca precisar usar isso — Ji-Eun murmurou, olhando para a lâmina.

— A gente não vai ter essa sorte! — Eun-Ho respondeu.

— Vamos descansar um pouco! — ela disse baixinho.


Eram 8:30 da manhã. Mesmo ainda faltando trinta minutos para a próxima provação começar, os três já tinham descido para o saguão do primeiro andar.

Normalmente, este lugar estaria lotado de gente batendo ponto, com elevadores apitando sem parar, só que estava vazio agora. O saguão espaçoso e a rua larga além das portas de vidro estavam imóveis e silenciosos.

Só os três se moviam ali.

— A gente não sabe onde a próxima provação vai acontecer. Então, por que não esperamos aqui? — Eun-Ho disse.

— Mas por que no saguão, Hyungnim? — Jae-Hyuk perguntou. — Não seria mais rápido ficar em algum andar do meio? Assim a gente fica perto, não importa onde começar.

Ji-Eun assentiu concordando. Se eles assumissem que a provação ficaria dentro do prédio, ele não estava errado.

— Existe a chance de a gente precisar ir pra fora — Eun-Ho respondeu.

— Pra fora?

Havia treze pessoas restantes no prédio. Se a próxima fosse só mais uma batalha interna, não faria sentido esse intervalo tão longo entre etapas. Caso contrário, a provação teria continuado logo depois da dos Pássaros de Bico Navalha, já que todo mundo tinha se reunido.

— Se a provação for dentro, a gente usa o elevador. Não é como se tivesse alguém pra disputar isso com a gente.

Sabendo que os outros tinham ido embora, os dois finalmente pareceram entender e apenas assentiram, em silêncio.

— Bom dia, crianças! Dormiram bem? — o velho segurança disse, entrando como se fosse só mais um dia normal de trabalho.

— Sim. Você acordou cedo! — Eun-Ho respondeu.

— Ué, cedo faz parte do serviço, né?

Por instinto ou coincidência, alguns dos sobreviventes restantes se juntaram no saguão, guiados pelo segurança.

Eram 8:50, dez minutos antes da provação começar. Então, o anúncio soou pelos alto-falantes no momento exato.

[Atenção, sobreviventes da Torre MS.]

[A próxima provação começará às 9:00. Dirijam-se às Zonas seguras designadas.]

[As restrições de área serão suspensas agora.]

Bzzzz~

O ar tremeluziu e, por um instante, as enormes paredes de vidro pareceram receber uma chuva repentina, borrando e então clareando. A barreira que eles nem sabiam que existia finalmente foi removida.

— A gente finalmente vai sair — Ji-Eun disse, baixinho.

— Tá, mas… sair pra onde?

Um mapa preencheu o campo de visão deles; vasto e detalhado, diferente da cobertura limitada do dia anterior. Vias com múltiplas faixas se estendiam pela paisagem, ladeando um enorme pátio ferroviário. No coração de tudo, havia um prédio extenso, num estilo antigo.

— É a Estação de Seul! — Eun-Ho falou.

Mais precisamente, eles tinham que ir até a praça em frente à Estação de Seul.

— A gente chega em dez minutos fácil. — Eun-Ho acrescentou.

Sozinho, ele provavelmente chegaria em cinco. Conhecia esse caminho como a palma da mão, por ser uma rota de ida e volta comum. Além disso, não havia semáforos nem multidões para atrasá-los.

Clack~

Ele empurrou as portas de vidro enormes e correu para a rua. Assim que alcançaram a via, a cena à frente confirmou o que ele suspeitava.

Carros estavam abandonados em ângulos aleatórios, entupindo as faixas sem qualquer ordem.

— Parece que aconteceram provações aqui também.

Estava claro que as pessoas tinham fugido dos carros em pânico. Alguns tinham batido, provavelmente porque os motoristas foram apagados no meio da provação; outros tinham avançado contra vitrines, como se tentassem escapar e perdessem o controle no caos. Perto dali, havia corpos esmagados e quebrados, presos entre metal e concreto. Sinais de confusão, pânico e morte súbita estavam espalhados por toda parte.

Eun-Ho permaneceu em silêncio. Diferente dos que foram apagado, o que havia ali eram cadáveres completos. Havia pilhas deles, com poças de sangue.

Quanto mais se aproximavam da via principal, pior ficava. Carros, incluindo ônibus, sedãs e até SUVs, tinham se enfiado em cercas, amassado postes ou se chocado uns contra os outros, como se tivesse acontecido um engarrafamento gigantesco.

Ainda assim, nada poderia prepará-los para o que veriam na estrada em frente à estação. A cena era tão surreal e grotesca, que parecia que a própria realidade tinha se partido.

— Que porra é essa…

Uma fileira de ônibus estava imóvel, atravessando todas as dez faixas, alinhados como se fossem parte de uma barricada. Vários claramente tinham queimado, deixando cascos chamuscados e marcas de borracha derretida grudadas no asfalto. Até mesmo agora, o ar fedia a fumaça.

— Aquilo deve ter sido uma Zona segura — Ji-Eun falou baixo.

No centro de tudo, havia um círculo. Não o familiar verde, mas algo muito mais horrível. Era uma mancha de tons de carne e sangue — um anel humano, formado por quem não conseguiu entrar a tempo.

O que restou eram fragmentos e pedaços espalhados de um pânico que só conseguiam imaginar.

Urgh… — Jae-Hyuk engasgou, enjoado.

Eun-Ho mal conseguiu ficar estável e arrastou Jae-Hyuk para atravessar a rua.

[03:47]

O cronômetro piscou quando eles pisaram na praça em frente à Estação de Seul. O círculo verde estava lá, intacto e brilhando suavemente. No centro dele, sentava um homem assustadoramente calmo. Parecia um homem de meia-idade, com cabelo comprido e emaranhado e uma barba desgrenhada, endurecida por sangue seco.

“Um morador de rua?”

Talvez fosse o último sobrevivente da provação anterior na Estação de Seul. Havia algo inquietante nele. Ele parecia mais uma fera do que um humano.

“Mas por que ele está sozinho? Isso é a Estação de Seul… devia ter mais gente aqui…”

Antes que Eun-Ho pudesse pensar mais, outras pessoas começaram a chegar.

— Meu Deus… a gente quase não conseguiu.

Aaaah! Estou com medo!

— Tá tudo bem, Yul. O papai tá aqui.

Havia o morador de rua, três estudantes de uniforme, um pai com a filha pequena e um homem vestido com um uniforme, além de treze pessoas que vieram da Torre MS.

“Dá vinte pessoas no total?” Eun-Ho pensou.

Idades, gêneros e roupas variavam muito, mas todos compartilhavam uma característica inconfundível: um olhar misturado de medo e determinação, enquanto aguardavam a próxima provação.

[Atenção, sobreviventes na área da Estação de Seul.]

Eram 9:00 em ponto, e a provação começou.

[A próxima provação do Projeto Seleção é uma missão de FT, que exige que os participantes formem equipes.]

— FT?

TF significava Força-tarefa, ou seja, equipes temporárias reunidas de vários departamentos para cumprir um objetivo específico. Em outras palavras, esta provação seria um desafio em equipe.

— Então sua equipe vai importar muito.

Eun-Ho tinha dito isso só para Ji-Eun e Jae-Hyuk, mas, aparentemente, os outros da Torre MS ouviram e começaram a olhar para ele.

[A provação prosseguirá em três rodadas. Qualquer equipe FT que não cumprir o objetivo será totalmente afetada pelo processo de reestruturação.]

[Elimine inimigos e construa seu desempenho.]

— Totalmente afetada pelo processo de reestruturação?

— Que história é essa de objetivo do nada?!

— Pera, inimigos? Não tem nada aqui!

Caiu a ficha de todo mundo ao mesmo tempo. Se a equipe falhasse em cumprir o objetivo, todos os membros seriam eliminados. Era pressão por desempenho, e o preço do fracasso era a própria vida.

Num instante, o clima ficou frio. A tensão começou a subir, tão espessa que parecia visível no ar.

[No início da provação, você será automaticamente agrupado com as três pessoas mais próximas de você.]

E, quando este anúncio final ecoou, doze pares de olhos se viraram para Eun-Ho.

— As mais próximas…?

[A provação começou.]

O caos explodiu.

— Ei, garoto! Faz equipe comigo!

— Aqui! Vem comigo!

— Sai! Ele está comigo!

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