Volume I
Capítulo 9: O plano
— Não, de jeito nenhum!
Foi uma frase que Reid e Valkyrie ouviram quase ao mesmo tempo; aparentemente, Allastor e Bjorn compartilhavam da mesma opinião, afinal, ambos tinham experiência e vivência nesse meio.
Allastor levava a vida de modo muito leve desde que se aposentara. Nunca parou de treinar nem nada do tipo, mas não via a guerra do mesmo jeito de antes; aparentemente, até o grande 'Allastor, o Vermelho' podia mudar de vida.
Agora estava com um dilema em suas mãos. Reid queria seguir um caminho que Allastor sabia onde podia terminar; ele mesmo começara como aventureiro e conhecera o grupo de Jin naquela época. E então, a guerra havia começado. Perdera metade de seus amigos e vivia em uma linha tênue entre a morte e a vitória.
Reid não sabia como eram as guerras, mas ninguém sabe. E ainda queria levar seus dois amigos nessa empreitada. Allastor sabia que os Vykes não deixariam a sua filha mais velha se tornar uma aventureira e viver por conta própria; ora, ele preferia lutar duas guerras do que deixar Maria lutar uma. Mas Reid era diferente. Allastor tinha de se lembrar de que não era pai dele; podia tomar decisões porque Jin o deixara sob sua responsabilidade, mas isso era algo diferente.
Naquela noite, Reid já sabia qual resposta Allastor daria; já tinha um plano. Encontrar-se-ia com Valkyrie e Trevor na taverna Sol Decadente em três dias e juntos iriam em direção ao oeste. De lá, entrariam em guildas e tentariam subir na hierarquia até poderem voltar a Qudu e entrar nas dungeons mais perigosas.
Trevor conseguira a aprovação de seus pais com o pretexto de ficar mais forte para retomar seu vilarejo. Valkyrie, no entanto, teria uma missão mais difícil. Bjorn não iria ceder tão facilmente; provavelmente ela teria de fugir de casa, tal qual Reid. Dinheiro foi um tópico discutido entre os três por algumas horas.
— Eu não sei se vocês sabem, mas precisamos de dinheiro para pelo menos comer, e, pelo que imagino, serão três meses até chegarmos à primeira guilda. — Disse Trevor, em uma discussão, enquanto comia um pudim sem colher.
— Bom ponto. Em algum momento eu traria esse assunto. — Disse Valkyrie, enquanto encarava Reid.
— Por que vocês dois estão me encarando? — Perguntou um Reid sem paciência.
— Porque, caso não tenha percebido, você é o líder. — Explicou Trevor, dando de ombros como se aquela fosse a pergunta mais estúpida que já ouvira.
— É, Reid, você meio que deu a ideia de virar aventureiro, e geralmente quem toma as decisões é você. — Disse Valkyrie, enquanto lia um livro sobre grandes aventureiros.
— Eu não chamei nenhum de vocês dois; nem mesmo falei para onde iria. Vocês é que me seguem. — Suspirou. — Sobre o dinheiro, eu havia pensado em cortarmos gastos e juntarmos o que já temos. Vocês dois ganham mesada, e meu tio esconde moedas em meu armário todo mês.
— O Rei Allastor vai pessoalmente esconder moedas em seu armário? — Disse um Trevor de sobrancelhas levantadas.
— Você é tão orgulhoso assim, Reid? Por que simplesmente não aceita o dinheiro? — Disse Valkyrie, parando sua leitura por um instante.
— Calados, os dois. Enfim, quanto vocês têm guardado?
— Deixe-me pensar: se contar o que meus irmãos me devem e o que tenho guardado, diria que umas quarenta moedas de ouro. Gastei muito no mês passado. — Disse Valkyrie, agora perdendo o interesse em um aventureiro chamado "O Blindado" e virando a página do livro.
— Eu tenho umas quinze moedas de ouro guardadas. — Disse Trevor, terminando seu pudim diário.
— Eu devo ter umas nove moedas de ouro e onze de prata. — Concluiu Reid, com a mão no queixo.
— Isso deve dar uns dois meses de alimentação e estadia. Se pudermos economizar na estadia, talvez um mês a mais, mas teríamos de dormir no mesmo quarto… — Disse Trevor, enquanto olhava para Reid, que olhava para Valkyrie.
— Bom, o clima pesou, não é mesmo?
— Eu não me importo.
— Eu… eu me importo, sim. — Disse Valkyrie, com a bochecha corada.
— As mulheres de sua raça não me despertam sentimentos, Valkyrie. — Disse um Trevor um tanto surpreso com a preocupação de Valkyrie, até olhar para seu melhor amigo e entender o sentido.
— Nós podemos dar um jeito nisso. — Disse Reid, enquanto se levantava.
— Um jeito?
— Um jeito.
Naquela mesma noite, Maria entrou no quarto de Reid em busca de "informações".
— Meu pai me disse o que você quer fazer. Bastante imaturo de sua parte, diga-se de passagem.
— Eu não preciso de um sermão, Maria. — Reid estava deitado, com um mapa na mão — era bastante informativo e bastante caro —, os pés na parede e todas as suas economias amontoadas ao lado.
— Eu não vim aqui para dar sermões; vim para dar conselhos. Quando for fugir, tente deixar uma carta para meu pai. Ele realmente o considera da família, e seria insensível de sua parte não deixar uma. — Disse Maria, agora sentada em uma poltrona preta que Allastor dera a Reid de presente.
— Fugir? Eu… eu não vou fugir. — Disse um Reid surpreso, dobrando o mapa e sentando-se na cama.
— Não? E esse mapa? E esse dinheiro? E aquela bolsa de viagem que você comprou ontem? Eu o conheço, Reid; você é previsível. Surpreende-me que meu pai ainda não tenha percebido. — Maria estava agora andando despretensiosamente pelo quarto de Reid, que parecia quase cheio se comparado ao começo; muitas coisas haviam sido mudadas de lugar, inclusive um espaço para treinamento que Reid improvisara.
— Você vai me entregar? — Perguntou Reid, agora com um semblante mais triste e desviando o olhar.
— Eu já podia tê-lo entregado. Só fico surpresa de que você prefira viver como aventureiro em vez de esperar que o tio Jin volte.
— Você não entende, Maria; eu preciso de tempo. Mestre Jin ainda vai demorar muito, e até lá eu quero ficar o mais forte possível. Não consigo ficar assim se continuar em Qudu.
— Eu não entendo. O tio Jin já não o escolheu e não lhe deu ordens do que fazer? Parecem instruções simples: vá para a escola e treine.
— Ele não me disse o que fazer depois da escola e, tecnicamente, eu ainda estaria treinando sendo aventureiro.
— Ele não vai gostar nada se você não estiver aqui quando ele voltar. Enfim, você é que vai lidar com ele, então boa sorte. — Disse Maria, levantando-se e indo em direção à porta, parando na entrada. — Não morra e não deixe nenhum daqueles dois idiotas morrer. Espero que volte em segurança. Até.
E então ela saiu, deixando Reid sentado em sua cama, um tanto preocupado com suas decisões.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios