Volume I
Capítulo 8: A Taverna
Leon era proprietário de uma taverna havia anos; seu pai havia sido o proprietário, e agora ele seguia com seu legado. Durante seus quase quinze anos de trabalho, já vira diversos tipos de homens. Havia aqueles que eram o bem no mal e aqueles que eram o mal no bem. Nunca conhecera ninguém neutro em toda a sua vida. Conhecera homens fracos que tinham o ego de um rei e homens fortes que não tinham ego algum; era normal dos humanos. Era um homem de estatura média, com cabelos grisalhos e mãos calejadas de tanto servir canecas.
Gostava de seu trabalho porque era um bom ouvinte; histórias eram seu passatempo. Obviamente, seu negócio dependia de suas vendas. Leon, no entanto, não podia se importar menos com o dinheiro; tinha o hábito de escutar os outros e não sentia vergonha disso.
Tinha quase cinquenta anos agora; já era casado e já era avô. Amava sua família e faria de tudo para não a perder; era assim que funcionava, e era somente assim que podia funcionar. Estava na taverna "Estrela Vermelha", a famosa taverna da cidade de Valerion; tinha esse status devido à qualidade de sua bebida. Leon a comprava das terras do norte; diziam ser ruim por lá, mas, aqui no Sul, vendia como água.
Era um dia chuvoso, o que atrapalhava as vendas. Abrira a taverna um pouco tarde naquele dia, às nove da manhã, e partira para a cozinha, deixando seu filho mais velho cuidando da recepção. Enquanto cozinhava, um pensamento surgiu em sua cabeça: poderia ele ter tido sucesso em outra coisa? Nunca havia tentado ser algo senão taverneiro; talvez pudesse ter sido um escrivão ou então escrito contos. Nada adiantava pensar no passado; o tédio de ter e a ânsia de possuir podiam se estabelecer em sua vida, e então nada mais importaria.
Quando terminou de preparar a comida que seria vendida, Leon não conseguiria, nem em seus sonhos mais lúcidos, imaginar quem estaria na taverna àquela hora: era o Santo da Espada Jin Haruto, ali em carne e osso.
John estava pálido, as mãos tremendo ligeiramente sobre o balcão. Ele não sabia quem era o homem, mas sentira a aura.
— John, por que não me avisou que já tínhamos clientes? Ainda mais um cliente como aquele? — Perguntou Leon, sem cor no rosto. Desrespeitar um santo da espada era algo que somente um Deus da Espada podia fazer.
— Mas ele não pediu nada, meu pai; só se sentou e começou a limpar a espada. — Respondeu o filho mais velho.
— Eu vou falar com ele; espere aqui. — E então Leon foi em direção a Jin. Tremendo era um eufemismo para descrever como ele estava; a aura de um santo da espada era algo quase palpável fisicamente.
— S... Senhor, no que posso ajudar hoje? Talvez um prato de nosso delicioso guisado ou até uma caneca de nosso famoso hidromel? — Disse Leon, enquanto forçava o melhor sorriso que conseguia. Era uma tarefa difícil, mas também queria ser respeitado pelo homem, e para isso você precisa de uma certa postura.
Jin estava vestido para a batalha e, pelo visto, havia acabado de sair vitorioso. Vestia uma armadura leve feita de couro de bisão trepidante e carregava consigo duas espadas. Leon achava que cada espada poderia comprar sua taverna e pagar pelos estudos de toda a sua família; eram realmente bonitas, mas somente uma estava sendo limpa — pelo visto, a que tinha sangue do inimigo.
— Você é Leon Coração de Bisão? — Perguntou o homem.
Não era estranho que alguém conhecesse Leon; sua taverna era famosa. Mas o pensamento de o santo da espada saber seu segundo nome lhe trouxe um arrepio na espinha. Leon já conhecera pessoas muito fortes, mas nenhuma tinha uma aura como aquela; era como se um riacho seguisse tranquilamente por um vale repleto de flores brancas.
— S... Sim, senhor.
— Recebi uma informação preciosa sobre você; queria conversar com você… em particular, é claro. — Disse Jin, olhando para o balcão atrás de Leon, onde estava seu filho.
— Fora, John! Feche a taverna; não deixe mais ninguém entrar aqui.
— Mas, pai…
— Não me desobedeça, filho!
Então ele saiu. Não importava qual fosse o assunto, era sério. Leon estava com a consciência limpa; sabia que não morreria ali. Sabia da reputação de Jin; ele não o mataria sem motivo. Era nisso que estava agarrado.
— Então, senhor Jin, qual era o assunto da conversa? — Perguntou um Leon nervoso.
— Sente-se; não precisa ficar tão tenso assim. Só quero que confirme algumas coisas. — Disse um Jin despreocupado, que não parecia alerta do ponto de vista de Leon.
— C... claro, como desejar. — Sentou-se, então, frente a frente com o homem.
— Você conhece um homem chamado Paiot, o Rato? — Perguntou Jin, parando de limpar a espada e colocando-a de volta na bainha.
— Claro, ele costumava frequentar a taverna; lembro-me dele sempre se gabando por seus saques nas masmorras. O que tem ele?
— Ele me deu uma informação errada que me fez perder alguns meses de viagem em direção ao norte, próximo de Zammor. Pode imaginar como ele está agora?
Um arrepio subiu por sua espinha, e Leon engoliu em seco. Então os rumores eram falsos; Jin podia, sim, matar por motivações iguais às dos outros santos da espada. Paiot estava morto.
— Imagino. — Disse um Leon com a face um pouco mais triste. O Rato era um bom cliente; sempre tinha ótimas histórias.
— Então, ele me disse que o senhor sabia da localização da santa da espada Elise. Isso é verdade?
— Elise? A Trovoada? E… eu sei. — Disse, tremendo. Elise também era uma cliente fiel e comprava seu hidromel todo mês para sua propriedade; ora, ele mesmo os entregava.
— Acha que poderia me dizer onde? Não estou querendo matar Elise ou algo do tipo; preciso conversar com ela sobre um favor.
— Eu posso dizer, sim, mas peço que me diga onde está o corpo de Paiot; eu gostaria de lhe oferecer um enterro digno. — Disse Leon, com as mãos nos joelhos e encarando os pés.
— Corpo? Eu não matei Paiot; eu só tomei uma espada dele, e agora ele está nas dungeons tentando me pagar o resto da dívida. — Disse um Jin confuso. Não usaria a espada de Paiot, mas era inegável que ela tinha uma certa qualidade. Reid iria gostar dela; não daria uma de suas espadas especiais para Reid — ele precisava merecer a sua.
Leon ficou aliviado; havia feito um julgamento errado. Acontecia. Pelo menos agora sabia que Jin não matava por trivialidades.
— Ela comprou uma propriedade perto de Hellpound, nas planícies Caninas; ela vive lá agora.
— Obrigado. — Então saiu, retraindo sua aura e levantando-se. Era quase angelical sem aquela aura forte, pensou Leon.
— Volte sempre; gostaria de escutar histórias suas. — Disse Leon.
Sendo respondido por um balançar de mãos de Jin, e assim ele se foi.
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