Sinph Star Brasileira

Autor(a): SoulPeak


Volume I

Capítulo 7: Cobrança

— Você é patético.

— Você sabe que não é bom o suficiente.

— Você deveria se matar e acabar com esse desgosto que dá aos outros.

— Como você acha que pode alcançar ele?

Essas frases vinham aparecendo nos sonhos de Reid nas últimas semanas. Cobrar-se tanto mexera com sua mente; o desgaste mental e corporal sobre o qual Jin o avisara parecia surtir efeito. Reid não entendia por que era assim, apenas era.

Sua vida escolar andava a passos largos; logo terminaria seus estudos na Dropfang e deveria decidir qual seria seu próximo passo.

— Você deveria focar em esgrima, Reid; você tem talento. Consigo ver sua base sólida; só precisa de alguém que a lapide. — Disse o professor de Reid, com quem pegava aulas sobre o estilo das katanas.

— Você deveria focar na sua magia, Reid. Ter potencial para relâmpago não é para qualquer um; deveria ir atrás de um mestre do estilo Deus Relâmpago. Dizem que não existem muitos, mas eles estão sempre atrás de novos discípulos. — Disse um dos seus professores de magia, um elfo de aparência jovem que tinha mais de quatrocentos anos, pelo que falavam na escola. Era de uma raça diferente da de outros elfos, e muito diferente de Trevor; aparentemente, as tribos tinham se afastado muito.

Reid não gostava de tanta pressão em cima de si, mas sabia que eles não eram mal-intencionados; eram professores, só queriam o melhor para seus alunos. Em Qudu, atingia-se a maioridade aos quinze anos; com quinze, você poderia escolher o que fazer da sua vida. Exceto se fossem nobres: geralmente os garotos seguiam a carreira escolhida por seus pais, e as garotas que não quisessem seguir carreira militar eram casadas por eles, visando a quão benéfica seria a união para a casa.

Muitas garotas escolhiam virar freiras, casar-se pela vontade dos pais ou fugir para se tornarem aventureiras. Muitos nobres se juntavam à guilda de aventureiros, já que pagava mais do que seguir carreira no exército. Por mais que os esforços do Rei em mudar essa visão fossem grandes, não se podia gastar mais do que se arrecadava com o exército, ainda mais em tempos de paz.

Muitos meses haviam se passado desde sua chegada a Qudu; Reid estava em seu último mês de escola e aprendera tanto quanto seu interesse permitia. Seu nível de esgrima era inferior ao da maioria dos outros garotos da academia, mas tinha um nível de magia superior à média.

Resultados de seu treino exaustivo. Jin estava certo o tempo todo: treinar ambos causava um cansaço gigantesco, tanto mental quanto físico, mas Reid não se arrependia; ao contrário, sentia-se grato, principalmente à família de Allastor. Sem eles, Reid não teria chegado tão longe.

Havia exatos três dias, um mensageiro vindo do Oeste chegara ao forte de Allastor trazendo uma mensagem dos patrulheiros que cobriam a costa do outro continente. Aparentemente, as tropas inimigas receberam ordens para deixar seus postos e se reunir na capital, movimento que deixou Allastor em estado de alerta. Haviam obviamente ficado alguns batedores na costa para avisar no caso de uma invasão, mas isso era burrice; se Allastor decidisse invadir, ganharia terras que eles não conseguiriam recuperar facilmente; algo deveria estar acontecendo.

Ordenou que um esquadrão de patrulha investigasse e ficasse atento a quaisquer movimentos. Allastor não via mais a guerra do mesmo modo que a vira havia décadas; as guerras só eram travadas por crianças que morriam pelos ideais de seus tolos pais.

Nenhum rei entrava em batalha — nenhum rei que não fosse Allastor. Ele sempre lutara ao lado de seus homens. Ora, lutar ao lado de Allastor, "o Vermelho", dava às tropas um soco de motivação e moral.

Hoje em dia, Allastor era pai; conseguia entender a dor que muitos pais sentiam quando ele próprio entrava em batalha. Havia parado de contar o número quando chegara a trezentos; não via mais sentido em continuar contando. Quando se casou, logo depois de sua vitória na batalha de Riverthorn, teve sua primeira conversa com sua nova esposa.

— Por que você mata? — Perguntou ela. Era linda, tão linda quanto Allastor se lembrava; estava com um vestido branco, uma coroa de flores, descalça — parecia um anjo.

A pergunta pegara Allastor de surpresa: por que um guerreiro mata? Por que um curandeiro cura os necessitados sem nem mesmo ser solicitado?

— Não sei dizer; acho que porque sigo ordens ou talvez seja porque eu goste. — Allastor tinha sido criado daquela maneira: uma verdadeira calamidade na guerra. Até seus mestres o temiam; quando ficava bravo, costumava se lançar em saques sozinho.

— Você gosta? Hum, por que aceitou este casamento? Minha família não é tão influente quanto a sua; seu nome já bastaria para fundar um reino se quisesse — milhares de guerreiros o seguiriam. — Disse ela, ficando cada vez mais bonita aos olhos de Allastor.

— Você é linda. — Respondeu secamente. Allastor não tinha problema em falar sobre qualquer coisa que não fossem seus problemas; achava que não se expressar já tinha feito mais gente triste do que feliz.

— O quê? Como pode falar algo assim com uma cara tão séria? — Disse Cynthia, com o rosto vermelho de vergonha. Já havia recebido tantos elogios quanto podia se lembrar, mas não esperava um tão direto do famoso "Allastor, o Vermelho".

— Você fica ainda mais bela quando está envergonhada. Seja minha rainha, Cynthia. — Disse Allastor, ajoelhando-se, o que era bem estranho, já que tinha quase dois metros e meio de altura; ajoelhado, ficava da mesma altura de Cynthia.

— Eu já sou sua rainha; levante-se logo. — Disse a mulher, abraçando Allastor. E ali, duas vidas haviam sido mudadas.

Recentemente, Reid começara a frequentar aulas de outros estilos de esgrima, como as de duas mãos e os floretes. Conseguira ver por que as katanas caíram em desuso: comparadas a uma Zweihänder ou a um sabre. As katanas eram muito frágeis e tinham dificuldade em lidar com inimigos bem vestidos com placas de metal. Isso, contando, é claro, somente com a espada e não com o portador; diversas magias permitiam que espadas funcionassem de modo diferente e efetivo.

Um professor quis tentar ensinar a Reid "A Arte dos Martelos de Guerra", o que Reid achou inviável, comparando o tamanho de um martelo de guerra consigo mesmo. Era divertido ver os calouros passando sufoco em treinos contra o professor Boris, da classe de espadas colossais; tinha muito mais técnica envolvida por trás do que Reid achava. Seu pé de apoio tinha que ser leve, assim como seu pé de fintas; muita força podia ser prejudicial, porque uma jogada de corpo e um chute no pé de apoio podiam derrubá-lo.

— Você tem certeza? — Perguntou Trevor.

— Tenho.

— E o que seu mestre vai pensar?

— Ele vai me entender; eu tenho fé nisso.

— É uma decisão e tanto; por que não pensa melhor?

— Eu já pensei por tempo suficiente; vou logo depois da formatura.

— Como vamos manter contato? E Valkyrie?

— Eu vou voltar ao reino de Qudu daqui a um ano; se ainda estiver na cidade, darei um jeito de encontrá-lo. Se não mais aqui estiver, a vida nos reunirá algum dia. — Disse Reid, enquanto dava um abraço em Trevor; afinal, havia sido seu primeiro amigo em Qudu.

— Eu vou com você.

— Eu não posso deixar; você tem sua família e tudo.

— Meus pais vivem me dizendo que tenho que ganhar experiência de combate se quiser liberar meu antigo vilarejo; acho que vão ficar felizes por essa decisão partir de mim. — Trevor estava deitado na cama de Reid, encarando o teto. Os dois estavam no quarto de Reid, no forte de Allastor. Gostavam de ficar ali porque ninguém os interrompia se não fosse uma emergência.

Reid estava fazendo flexões no chão.

— Certo, mas primeiro tenho que falar com Valkyrie.

Mais tarde, Reid decidiu ir à casa de Valkyrie para se despedir; achou que não estava sendo bastante educado por não avisar, mas sabia que não lhe negariam a entrada. Quando chegou à entrada da propriedade, ficou confuso com a surpresa dos guardas quando apresentou o selo do rei; então se lembrou de que somente Valkyrie e Trevor sabiam de Allastor e juraram guardar segredo. Nesse ponto, não importava mais, pensou.

— Boa noite, senhor Reid; a casa dos Vykes lhe dá seus cumprimentos. A que devo a visita inesperada? — Perguntou um homem que parecia ser um mordomo ou algo do tipo. Estava vestido com um traje todo negro feito de linho e parecia um manequim.

— Perdão pela intromissão; não agendei um horário e, mesmo assim, me receberam. Sou grato por isso. — Disse Reid, fazendo a saudação certa dessa vez, cortesia de Valkyrie, que o ensinara.

— Creio que o senhor da casa, Bjorn, não se encontra no momento; tem assuntos com algum outro membro da família? — Perguntou o curioso mordomo.

— Na verdade, sim, eu tenho assuntos com a senhorita Valkyrie; poderia chamá-la até aqui, se não for muito incômodo? — Perguntou Reid, com as mãos nas costas.

— Agora mesmo. — Então, se foi por dentro da casa; aparentemente era muito grande, porque demorou um tempo até voltar — tempo suficiente para Reid ter aceitado sentar-se e beber um chá oferecido pelos empregados.

— REID! Você não me avisou; não tive tempo de me arrumar. — Disse uma Valkyrie um tanto sem fôlego, mas arrumada. Então vinha daí a demora, concluiu Reid.

— Você está linda como sempre, Valk. Poderia me conceder um momento de seu tempo? Tenho algumas coisas que preciso lhe falar. — Disse Reid, levantando-se da cadeira e deixando o chá na mesa.

— CLARO! Vamos, Reid. — Sua cara estava combinando com seus cabelos; o fogo em sua essência.

Andaram até um jardim que Reid achou muito lindo; tinha uma abundância de flores que aparentavam ser de diversas regiões, e algumas árvores frutíferas.

— Então, Reid, o que você queria me dizer? — Disse Valkyrie, com um nervosismo que Reid julgava normal nesse ponto.

Reid sentou-se em um banco, e Valkyrie seguiu sua deixa.

— Eu vou embora de Qudu. — Disse Reid, olhando nos olhos de Valkyrie.

Nenhuma resposta veio de Valkyrie; então Reid continuou.

— Vou partir logo depois da formatura; pretendo voltar a viver como aventureiro.

De novo, sem resposta de Valkyrie.

— Você está bem? — Perguntou Reid.

— Eu vou com você. — Respondeu Valkyrie, sem vacilar em sua resposta.

— O quê?!

— Vou convencer meu pai e, se não conseguir, vou fugir.

— Você não pode; pense no futuro. Você é uma nobre do mais alto nível, filha do famoso "Urso Prateado, Bjorn".

— Reid, eles querem me casar com um primo meu; prefiro morrer com uma espada no peito, e eu não sirvo para ser freira de qualquer maneira.

— Eu não posso, Valk.

— Você ia levar o Trevor e me deixar? — Aquela garota conseguia despertar sentimentos nas pessoas; era quase mágico.

— Eu nem concordei com o Trevor.

— Mas ele me disse que vocês tiveram essa conversa.

Maldito Trevor.

— Eu preciso pensar nisso; seu pai não vai permitir de qualquer maneira.

— E você acha que o Rei Allastor permitiria que seu sobrinho se tornasse aventureiro?

— Provavelmente não…

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