Sinph Star Brasileira

Autor(a): SoulPeak


Volume I

Capítulo 12: O Banho?

Viagens eram um problema em Paragos. Para cidadãos comuns, as viagens podiam demorar meses e até anos. Para magos acima da média, o tempo diminuía consideravelmente, mas para a elite, as coisas eram mais fáceis. Por serem difíceis de instruir, magos de teletransporte eram muito bem protegidos, fosse por realezas ou grupos de aventureiros de elite. Desenhar um círculo de teletransporte era muito trabalhoso para ser gasto com cidadãos comuns. Pode-se dizer que magos de magia de teletransporte eram mais "valiosos" do que magos de destruição em massa — não que um fosse melhor que o outro, mas desempenhavam papéis diferentes.

Havia casos em que magos de teletransporte morriam de velhice trabalhando no mesmo reino por diversos anos — o que, por sua vez, não acontecia com magos de combate. A maioria dos que não chegavam ao topo de sua profissão morria em batalhas ou em dungeons. Estabelecer-se como mago era tão difícil quanto como guerreiro, mas isso não impedia que mais e mais jovens buscassem esses caminhos. Por que você escolheria viver uma vida como padeiro se tem vocação para ser um poderoso arqueiro ou mago? Mas palavras são ditas até por papagaios; o peso delas só tem valor quando são ditas com propriedade.

Muitos jovens voltavam para casa arrependidos depois dos primeiros meses de aventureiro; afinal, você não tem nenhuma garantia do que vai comer ou onde dormir quando se é um novato, e isso, por si só, era um choque para os recém-chegados.

Agora em seu terceiro dia de viagem, Reid ia em direção ao norte. Graças à sua curta experiência como aventureiro antes, foram dias bem tranquilos. As estradas estavam, em sua maior parte, vazias. Os tempos de paz eram maravilhosos; vilarejos tinham crianças correndo por aí e eram bem receptivos. Atualmente, estava em uma pequena vila não muito longe das Florestas dos Santos. Tinha cerca de duzentos habitantes e parecia estar crescendo bem; várias cabeças de gado estavam pastando, e as plantações estavam cobertas para o inverno.

O ancião do vilarejo era muito curioso quanto à história de Reid; era de se esperar, pois Reid não havia dito seu nome de verdade. Teoricamente, ele dissera. Star era seu sobrenome, e, para a vida de aventureiro, quanto menos informações suas existissem, melhor era.

— Diga-me então, Star. Por que decidiu virar um aventureiro?

— Humm, pelo dinheiro, eu acho.

Meias verdades não são consideradas mentiras.

— Que honesto, achei que ia dizer algo sobre defender os mais fracos ou qualquer baboseira do tipo. Diversos aventureiros têm medo do dinheiro, ou, ao que parece, de falar dele. — O velho ponderou por um tempo.

— Eu sinto que prender-se a seus valores só te atrasaria; nosso mundo está sempre em mudança. — Reid respondeu mais a si mesmo do que ao ancião.

— Pelo visto, as novas gerações não são tão ruins como pensei; quem o treinou, garoto?

— O senhor não acreditaria se eu lhe contasse; digamos que eu mesmo me treinei.

O velho ponderou por algum tempo enquanto caminhava ao lado do rapaz; era consideravelmente menor que ele, e era realmente uma pena que não se pudesse lutar contra a idade.

— Aqui estamos; pode dormir aqui por hoje. Geralmente reservamos a casa para algum nobre de Qudu quando está de passagem, mas já faz muitos anos que o último veio. Sinta-se em casa.

— É realmente digna de um nobre; tem certeza de que poderei dormir aqui hoje?

— Algo me diz que você não é quem diz ser, então veja isso como uma cortesia da vila. Amanhã de manhã, alguém virá limpar a casa e lhe servir um café. — Curvando-se, o velho saiu em direção à sua casa; era realmente lento, mas Reid pensou ser coisa de sua cabeça — talvez todos os idosos fossem lentos.

A casa era modesta se comparada às casas da parte nobre de Qudu, mas, para aquela vila, era facilmente um casarão. Provavelmente havia sido um presente de um nobre forte da região. Tinha três quartos e um grande banheiro; contava também com uma cozinha e uma sala de estar. A decoração remetia muito à usada em Zammor, por algum motivo. Escolhendo o menor quarto da casa, Reid jogou-se na cama e em instantes apagou. Havia sido um dia bem longo; correr era muito fácil, mas, com sua bagagem, ficava preso em caminhadas que podiam durar diversas horas.

Recentemente, Reid começara a sonhar com Jin. Sonhava com seu retorno, sonhava com sua reação, tinha pesadelos com as consequências. Jin ainda era uma incógnita; o ponto que mais chamava a atenção nesses sonhos era uma pequena cicatriz no rosto de Jin que ia e voltava, e, quando questionava o mesmo sobre ela, Jin sempre ficava mudo e começava a limpar sua espada. Talvez fosse uma lembrança que Reid tinha, mas era sempre do mesmo jeito.

O garoto sempre acordava com um banho; era um pensamento que ele sempre tivera: nada pode ser pior do que tomar um banho gelado de manhã. O banho geralmente consistia em três etapas. Etapa um: ficar pelado. Etapa dois: entrar no chuveiro. E etapa três: vestir-se. Hoje, a parte mais complicada foi a etapa um. Acordando bem cedo, Reid instintivamente despiu-se e caminhou em direção ao banheiro da casa. No meio do caminho, algo ou alguém gritou, atordoado com a situação; Reid instintivamente condensou uma esfera de fogo em sua mão direita e mirou em direção ao barulho. Era a pessoa que o aldeão avisara que viria limpar a casa; aparentemente ela tinha uma chave reserva e era responsável por chegar tão cedo.

— Você deveria ter feito algum barulho para me acordar. — Disse um Reid totalmente alheio à situação, dissolvendo a magia e continuando com suas três etapas.

A garota, no entanto, estava atordoada com toda a cena. Sua mãe a tinha mandado limpar a casa porque o vilarejo tinha convidados, mas essa não era a situação que ela esperava quando acordara hoje de manhã. Geralmente, os nobres eram sempre velhos e sempre acordavam lá pelo meio-dia, então ela tinha tempo para organizar tudo e ir embora sem ser vista. Como poderia alguém tão jovem ser um nobre? Concentrou-se e voltou ao normal; era um grande problema para esquecer, mas sempre lhe diziam que, para ser um adulto, teria que agir como um.

Montando a mesa do café, ela esperou quem quer que fosse o rapaz terminar seu banho. Cerca de cinco minutos depois, a mesma cena se repetiu, tirando a garota mais uma vez de seu estado de plenitude. Andando novamente sem roupas e agora molhado, Reid voltava para o quarto enraivecido por ter esquecido sua toalha, tão enraivecido que nem notou a cena que a garota presenciara. Secando-se e vestindo-se, Reid voltou ao encontro dela.

— Bom dia.

— B-Bom dia, o s-seu café está pronto!

— Relaxa um pouco, garotas da sua idade não me despertam nada. — Disse Reid, agora coçando a nuca e sentando-se à mesa.

— Garotas da minha idade? Você também não parece ser muito mais velho do que eu!

— Aham, senta aí, come comigo.

— E-eu não posso; o ancião não gosta que sejamos informais com os nobres.

— Eu não vejo nenhum nobre nesta casa, e você?

— Por que um não nobre receberia permissão para o chalé? O ancião deve ter ficado maluco. — Disse a garota, massageando a têmpora.

— Pois é, aprecie a loucura e sente-se.

Rendendo-se, a garota sentou-se à mesa. Modéstia à parte, era seu carro-chefe. A maior variedade vinha das frutas; as macieiras da região estavam no auge e podiam ser trocadas por outras frutas nos centros comerciais. Os ovos serviam como base e eram acompanhados por pedaços de lombo de bisão.

— É isso que os nobres geralmente comem? Parece gostoso. — Disse Reid, dando uma risada.

— Qual é o seu nome, rapaz?

— Pode me chamar de Star.

— O que você faz por essas bandas, Star? Temo que os únicos trabalhos para aventureiros por aqui sejam todos de limpeza.

— Aí está, uma limpeza. — Disse Reid, enquanto comia seu segundo prato, dando preferência ao bisão e às maçãs.

— Algum fazendeiro o contratou? — Perguntou a garota, mais interessada na história do que em seu próprio prato.

— Digamos que sim, fui contratado para fazer uma limpeza, e ela vai durar alguns dias; então, espero que possamos ser amigos. — O sorriso de Reid era um bom ponto a seu favor.

— Amigos?

— Você já me viu pelado, né não? — Antecipando a reação, a risada que se seguiu foi abafada pelo grito da garota.

Agora bem alimentado e sem a garota por perto, Reid pegou o mapa que a guilda fornecera junto com a missão; era bem detalhado e tinha provavelmente sido feito por um profissional. Detalhava a região onde estava e dava ênfase a uma caverna bem no meio. Junto ao mapa, havia instruções e detalhes dos inimigos.

Goblins. Tinham que ser goblins?

A carta detalhava que cerca de quarenta goblins estavam na caverna e, dependendo de quando a missão fosse concluída, mais poderiam estar lá. Aparentemente, eles haviam raptado algumas mulheres de um vilarejo próximo à caverna e matado vários homens. Ao menos um hobgoblin tinha sido avistado, e havia com certeza um xamã como líder. Cerca de dois meses haviam se passado desde que a missão fora postada na guilda, então se esperava que o número tivesse aumentado consideravelmente, com base no número de mulheres que haviam sumido na região.

A viagem até a caverna demoraria cerca de um dia, então teria que acampar ali perto. O plano era simples: atear fogo na caverna e explodir as entradas. Sufocar os goblins parecia menos trabalhoso do que lutar contra todos. E lá estava o primeiro problema: e as mulheres? Os goblins não matavam as mulheres de cara; eles primeiro as sequestravam, estupravam e então as matavam e comiam. Não podia simplesmente condenar as mulheres junto aos bichos; teria que tentar ao menos salvar as que ainda estivessem vivas.

Mudança de planos. Teria que fazer tudo ao modo guerreiro mesmo; entraria na caverna e eliminaria os hobgoblins e o xamã primeiro, mataria os menores e então salvaria as mulheres que ainda estivessem vivas. A escolha da espada, que parecia um grande problema: já levara uma espada grande para uma caverna antes, e ela fora quase inútil. Levaria uma adaga dessa vez; o problema era que não tinha uma adaga. Teria que pedir uma emprestada a alguém.

Enquanto caminhava pela vila com seus pensamentos, esbarrou no ancião mais uma vez.

— Quem pensa demais, faz de menos, garoto. — Disse o senhor, dando uma gargalhada.

— Perdão. Por acaso, não sabe de alguém que possa me emprestar uma adaga resistente?

— Humm, eu acho que posso ajudá-lo; o quão resistente ela precisa ser?

— Sessenta inimigos, mais ou menos.

— Pelas barbas de Odin, vai matar um exército, garoto?

— Pode-se dizer que sim. — Reid ponderou se contava sobre sua missão para o velho; afinal, ele poderia fornecer informações que Reid não tinha. Enfim, decidiu contar. — É uma caverna de goblins, depois do rio, um dia de viagem.

— Meu Deus… Eu deveria ter imaginado; aventureiros não vêm a lugares assim sem motivos. Já tem um plano?

— Inicialmente, eu planejava incendiar e destruir as entradas, mas quero ter certeza de que não há nenhuma mulher viva e sofrendo.

— Ótimo, suponho que a adaga venha do seu segundo plano, que é entrar feito um idiota?

— Pode-se dizer que sim. — Disse Reid, coçando a nuca; ouvir seu plano vindo de outra pessoa o fazia parecer um idiota.

— Por que não monta armadilhas? Daí, você só precisaria lidar com alguns grupos por vez. — Sugeriu o velho, coçando a barba.

— O que sugere como isca?

— Comida, ou melhor dizendo, carne; goblins amam carne.

— Até que pode funcionar, mas ainda vou querer aquela adaga; nunca se sabe quando se vai precisar.

— Peço para que Sylvie a leve amanhã de manhã.

— Obrigado. — Então, o nome da garota era Sylvie.

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