Volume 4
Capítulo 37: Sem Truques
O dracolich avançou.
O impacto das patas traseiras fez o piso afundar em um arco irregular. A nave central estremeceu; poeira caiu como neve suja dos arcos superiores. As asas se fecharam parcialmente, concentrando massa e pressão.
— Chega de jogos. Vou apagar vocês agora.
Arastine se colocou à frente sem hesitar. A espada descreveu um arco curto, luminoso e defensivo. O braço esquerdo tremia, mas não cedeu.
— Ótimo — respondeu, sem fôlego. — Tava ficando entediante.
O dracolich ergueu a cabeça. Runas densas surgiram acima do crânio, sobrepostas, complexas demais para um único feitiço. O ar ganhou peso outra vez.
Shern observou.
Não se moveu.
— Você ainda está contando? — provocou o dracolich, voltando o olhar para ela. — Acha mesmo que terá tempo?
Shern piscou uma vez.
— Claro que sim — disse, baixa. — Você vai me dar uma abertura. E eu vou acabar com isso.
O feitiço se formou.
E tudo ao redor distorceu.
A descarga necromântica desceu como uma lâmina invisível, rasgando o espaço à frente. Arastine girou o corpo no último instante. A tornozeleira brilhou, lançando-a para o lado; ela rolou sobre a pedra.
O impacto arrancou metade de uma coluna atrás dela.
— Fuja! — o dracolich soltou um som satisfeito. — Ainda tem seus truques, barata imunda?
Ele parou.
Por um instante curto demais para virar certeza.
As runas remanescentes vacilaram antes de se dissipar.
Shern franziu levemente o cenho.
Arastine se ergueu com esforço, puxando a espada do chão.
— Você fala demais pra alguém tão confiante. Dragões de verdade não precisam provar nada.
O dracolich virou o crânio, lento demais.
— Cuidado com a língua, humana.
Ele avançou outra vez.
A cauda varreu o espaço em um golpe amplo. Arastine correu em diagonal, saltou sobre uma fenda no piso e rolou ao cair. O golpe a alcançou no ar, lançando-a de costas contra uma coluna de pedra, que desmoronou e desabou sobre ela.
Arastine arfou.
— Continua — disse, cuspindo sangue, enquanto injetava outra poção. — Tá quase me convencendo.
Shern deu um passo lateral.
O dracolich ergueu outra formação. Desta vez, múltipla. Três círculos concêntricos giraram, cada um em ritmo próprio.
— Recursão ativa — disse ele, com orgulho renovado. — Mesmo que me destruam, eu retorno. Quantas vezes forem necessárias.
Shern inclinou a cabeça.
— Será mesmo?
— E por que não tenta desencantar?
Ela fechou os olhos por meio segundo.
Quando abriu, algo invisível se desprendeu do espaço ao redor do dracolich — não luz, não sombra. Um deslocamento sutil, como pressão mudando.
A magia se dissipou.
Mas, em troca, duas entidades surgiram — mais densas, mais rápidas. Avançaram em ângulos opostos.
— Esquerda! — gritou Arastine.
Ela interceptou a primeira com um golpe direto. O impacto percorreu o braço inteiro como um choque elétrico. A segunda criatura avançou sobre Shern.
A garota ergueu a mão.
Não houve explosão.
A criatura simplesmente perdeu forma no meio do passo, como se tivesse esquecido como existir.
O dracolich estreitou os olhos.
— Interessante truque — disse. — Mas isso exige esforço. Quanto tempo até você—
Ele parou de novo.
Respirou fundo.
As asas se contraíram uma fração além do necessário.
Arastine percebeu.
— Problema aí em cima? — provocou, forçando um sorriso torto.
— Silêncio.
O dracolich abriu o peito ósseo mais uma vez. Runas surgiram, mais numerosas, mais complexas.
O chão respondeu.
Mas não como antes.
As fissuras se abriram lentas demais. As criaturas demoraram a se erguer.
Shern deu outro passo.
— Continua assim — disse. — Está indo bem.
— Você acha que eu não noto? — rosnou ele. — Está tentando desgastar minha energia mágica.
— Não — respondeu Shern. — Você está fazendo isso sozinho.
Arastine avançou.
— Ei! — gritou, cravando a espada em uma junta mágica exposta. — Olha pra mim!
O dracolich virou o crânio com irritação.
— Insignificante.
Ele lançou um golpe direto com a pata sólida.
Arastine saltou.
Ainda assim, o impacto a jogou vários metros para trás. Ela deslizou pelo piso, parando contra os degraus do altar.
Demorou a se levantar.
— Ainda de pé — disse, arfando. — Surpreso?
Shern observava tudo.
Ela moveu as mãos. Outra onda silenciosa se fechou.
O dracolich ergueu a cabeça para conjurar novamente.
Nada aconteceu.
Só um atraso mínimo.
— …o quê?
Ele tentou outra vez.
A magia veio — fraca. Instável.
— Chega — disse, irritado. — Isso não faz sentido.
Arastine sorriu, mesmo tremendo.
— Faz sim.
Ela apoiou a espada no chão.
— Está ficando sem energia mágica, maldito. Lutar contra a Shern é o pior dos mundos pra você. É como se ela fosse uma contramedida natural à sua existência.
O dracolich encarou Shern.
— Acha que terá alguma chance só porque estou sem magia?
— Sim — respondeu ela. — Estou curiosa para descobrir.
— Então eu vou te mostrar.
O dracolich ergueu o corpo inteiro.
Não foi postura de conjuração.
As asas se abriram com violência, empurrando o ar num impacto seco. O peso da criatura avançou de uma vez — sem símbolos, sem runas, sem preparação ritual.
— Finalmente — rosnou. — Sem truques.
Arastine sentiu o chão vibrar antes mesmo de ver o golpe.
Ela avançou assim mesmo.
Saltou sobre uma coluna caída e, no impulso seguinte, passou acima da cabeça do dragão. A espada descreveu um arco aberto, agressivo demais para defesa.
— Olha pra mim! — gritou, forçando o corpo além do limite. — É aqui que você—
A pata veio de cima.
Arastine piscou.
Estava no chão.
— Não vai me pegar!
Ela rolou, depois outra vez, esquivando dos golpes seguintes. A cauda passou rente. A pata esmagou pedra onde ela estivera um segundo antes.
Então as mandíbulas fecharam no ar.
Os dentes a atingiram de lado.
O impacto não foi um corte. Foi um esmagamento lateral, seguido de um arremesso brutal contra o piso.
O mundo virou.
O golpe arrancou as duas pernas de Arastine acima do joelho e a lançou para trás como um objeto quebrado. O sangue espirrou contra a nave central em um arco escuro e espesso.
Ela bateu no chão e rolou, gritando — um som curto, involuntário — antes de parar de costas, o ar fugindo dos pulmões.
— Shern... — tentou chamar.
A voz não saiu.
O choque veio depois.
A dor explodiu como fogo, ocupando tudo.
O dracolich ergueu a cabeça, satisfeito.
— Aí está — disse. — O fim da sua—
Ele parou.
Não houve explosão.
Não houve resistência.
Não houve retorno mágico.
As runas que começavam a se formar ao redor do peito ósseo simplesmente… não se acenderam.
O ar ficou vazio.
Alguns metros atrás, Shern fechou a mão.
— Pronto.
— …o quê?
O dracolich tentou puxar magia — reflexo antigo, automático — e encontrou nada. Um vazio seco, absoluto, como tentar respirar onde não existe ar.
O corpo colossal hesitou.
As fissuras luminosas nas escamas perderam o brilho. As runas antigas apagaram como cinzas molhadas. As asas baixaram alguns centímetros, pesadas demais.
O silêncio mágico foi ensurdecedor.
No chão, Arastine arfava.
A dor não diminuía, mas agora tinha contorno. Urgência. Sangramento.
Ela levou as mãos trêmulas às coxas mutiladas.
— Droga… — murmurou, os dentes cerrados.
Puxou um frasco do cinto com dificuldade. Derrubou outro. Encontrou o certo pelo tato. Quebrou contra a pele exposta.
O líquido queimou ao entrar.
O sangramento desacelerou — não parou.
— Ainda não… — disse, respirando em soluços. — Ainda não vou morrer.
O dracolich deu um passo à frente.
O impacto foi pesado. Desajeitado.
— Você… — a voz saiu diferente, rouca. — Então finalmente conseguiu.
Ele tentou conjurar.
Nada.
Tentou outra vez.
A energia veio fraca, distorcida, desfazendo-se antes de tomar forma.
— Não — rosnou. — Isso é impossível.
Arastine riu. Um som quebrado, quase um engasgo.
— Não é não — disse, cuspindo sangue no queixo. — Sua prepotência o cegou. Você só demorou pra perceber.
Ela ergueu o rosto, encarando o monstro acima dela.
— Acabou, dragão. Sem magia… você é só um monte de ossos grandes demais.
O crânio cadavérico se abriu em um sorriso largo demais para ser natural.
— Veremos então.
Arastine virou o rosto o suficiente para olhar, de relance, para Shern.
— Agora é com você.
O dracolich seguiu o olhar, e avançou.
As patas esmagaram o piso num ritmo pesado, quebrando lajes antigas a cada passo. Fragmentos de ossos presos à estrutura saltaram das paredes com o impacto.
Shern recuou.
O golpe veio de cima.
A garra desceu como um pilar, atravessando o chão onde ela estava um instante antes. A pedra explodiu em estilhaços. O impacto abriu uma cratera irregular na nave central.
Shern rolou para o lado. Detritos cortaram o ar ao redor dela.
— Corre — a voz de Arastine saiu rouca, distante, do chão. — Não deixa ele—
O dracolich girou o corpo.
A cauda varreu o espaço num arco baixo. Shern saltou sobre um bloco caído, sentiu o vento do golpe passar rente às pernas e aterrissou mal, escorregando pelas ruínas.
Ela ergueu o rosto.
Os olhos do dragão estavam nela.
— Agora somos só nós dois — disse ele. — Sem truques. Sem intermediários.
Ele avançou de novo.
Shern estendeu a mão.
O ar à frente dela se comprimiu por um instante, e então algo cedeu.
A onda atingiu o dragão em movimento.
As asas não explodiram.
Elas afundaram.
O osso e a membrana se dobraram para dentro, colapsando sob uma pressão invisível. Um estalo seco percorreu a estrutura inteira, seguido por um rugido que fez os vitrais remanescentes vibrarem.
O dracolich cambaleou um passo.
Shern respirou fundo.
Tentou repetir o gesto.
Nada aconteceu.
O dragão mordeu o ar onde ela estava.
Shern se jogou para trás no último instante. As presas se fecharam a centímetros do rosto dela. O impacto da mordida rachou outra seção do piso.
Ela rolou, bateu o ombro contra uma coluna caída. Algo estalou.
Antes que pudesse se levantar, a sombra caiu sobre ela.
A pata dianteira direita desceu.
Não esmagou.
Ela atravessou a pata.
Shern sentiu o chão às costas desaparecer. O espaço ao redor se contraiu. O ar ficou pesado demais para entrar nos pulmões.
A energia não queimava.
Ela drenava.
— Arastine… — Shern tentou chamar. O som saiu fraco, distorcido. — Ele me pegou.
A pata não tocava o corpo dela — e ainda assim estava em toda parte.
— Percebe? — disse o dracolich, olhando para baixo. — Eu só estava adiando isso.
Shern levou a mão ao peito com dificuldade. Os dedos tremiam.
Ela fechou os olhos.
O ar ao redor da pata começou a vibrar.
A pressão oscilou.
— E pensar que uma mortal dessas conseguiu ferir meu corpo dessa forma — o dragão inclinou levemente o crânio.
A pata pressionou mais fundo.
As fissuras no chão se alargaram ao redor do corpo de Shern.
— Não vai funcionar — continuou ele. — Você cortou algo que eu podia perder.
Ele baixou a cabeça, aproximando o rosto do dela.
— Mas nunca disse que era tudo o que eu tinha.
A pressão voltou a crescer.
Shern arqueou o corpo, ofegante. Sangue escorreu pelo canto da boca.
— Eu… ainda… — murmurou. — Não acabei…
O dracolich abriu o crânio num sorriso lento.
— Está perdendo o foco.
No chão, alguns metros atrás, Arastine tremia enquanto bebia outro frasco, arrastando-se com as pernas mutiladas. O líquido escorreu pelos lábios, queimando ao descer.
Ela ergueu o rosto a tempo de ver Shern presa sob a pata etérea.
— Shern… — a voz falhou. — Aguenta.
Shern abriu os olhos.
Eles estavam fixos no dracolich.
Feridas começavam a surgir por toda a sua pele.
Ela tentou de novo.
O espaço vibrou — fraco, irregular.
A pata tremeu.
Só um pouco.
— Continua — disse o dragão, quase satisfeito. — Vamos ver quem se esvazia primeiro.
A pressão não cedeu.
A pata etérea mantinha Shern cravada contra o piso afundado, o espaço ao redor comprimido como vidro prestes a estourar. O chão rangia em ondas lentas. Fissuras avançavam centímetro a centímetro.
Shern respirava curto.
O ar entrava como se tivesse peso.
— Eu… — a voz saiu falha. — Eu tô tentando…
Os dedos tremiam junto ao peito. O espaço vibrou, respondeu por um instante, e voltou a endurecer.
O dracolich observava de cima, imóvel.
— Continua — disse, baixo, debochado. — Está quase lá.
Alguns metros atrás, algo se moveu entre os escombros.
Arastine se arrastava.
Os antebraços puxavam o corpo em esforço contínuo, deixando marcas irregulares de sangue seco e poeira. O vestido estava rasgado até a altura das coxas ausentes. O rosto não tinha cor.
Ela não parou.
Cada puxão vinha com uma expiração longa demais.
— Shern… — chamou, a voz fraca, mas firme. — Olha pra mim.
Shern virou o rosto o quanto conseguiu.
Os olhos se encontraram.
Por um segundo, a pressão pareceu mais distante.
— Ara… — Shern engoliu em seco. — Eu… eu acho que não vai dar.
O espaço apertou de novo. Um som surdo escapou do peito dela.
Arastine fechou os olhos.
O corpo inteiro tremeu num choro silencioso, contido, sem som algum. As mãos cravaram na pedra, os dedos brancos de força inútil.
Ela arrastou mais um pouco.
Depois outro.
Parou ao lado de Shern, ofegante.
— Me desculpa… — disse, quase sem voz. — Por tudo.
Shern piscou rápido.
— Você… — respirou com dificuldade. — Você fez tudo certo.
— Não — Arastine murmurou. — Eu devia saber. Devia ter visto antes. Gente demais morreu por culpa minha…
Ela não terminou.
A cabeça baixou.
Shern fechou os olhos por um instante. Quando abriu, estavam molhados.
— Eu tô com medo — disse, simples. — Eu não queria morrer agora.
A pressão aumentou. O chão estalou sob elas.
Arastine ergueu o rosto com esforço.
— Não morra, Shern — disse. — Aguenta mais um pouco. Só… mais um pouco.
Shern tentou sorrir.
Não conseguiu.
O dracolich inclinou levemente a cabeça, como quem observa algo curioso demais para ignorar.
Então virou o crânio para o lado.
— Morra — murmurou o dracolich.
O vitral explodiu.
— Shern! — Arastine gritou.
Vidro atravessou o ar em uma nuvem cintilante e, no instante seguinte, a proa da Alghoryn irrompeu pela nave central, rasgando o espaço onde antes havia luz colorida.
— O que é isso? — o dracolich rugiu.
Metal reforçado atingiu o pescoço ossificado de lado.
O impacto não cortou.
Empurrou.
O corpo colossal perdeu o eixo. As patas traseiras escorregaram. O dragão tombou em um ângulo errado, pesado demais para corrigir.
O chão cedeu sob ele.
— Shern… agora… — Arastine tentou gritar, mas a voz saiu quebrada, quase um sopro.
A pressão desapareceu.
Shern caiu de lado, puxando ar em um engasgo violento. As mãos se cravaram na pedra, como se o chão fosse fugir de novo.
— Ar… — a voz saiu falha. — Ar…
A pata etérea se desfez acima dela, dissolvendo-se como fumaça esmagada.
Assim como entrou, a Alghoryn atravessou a nave sem hesitar, varrendo poeira, ossos soltos e ar, e saiu pela lateral destruída da catedral em um único movimento contínuo.
Shern se levantou com dificuldade, respirando em soluços.
— Achei… — engoliu em seco. — Achei que não ia sair dali.
Atrás dela, o som arrastado de pedra.
O dracolich se moveu.
— Vocês… — a voz saiu mais grave, distorcida pelo impacto. — Trouxeram mercenários…?
Arastine, alguns metros atrás, se arrastava lentamente. Os braços tremiam com o esforço.
— Shern… — disse, a voz embargada. — Essa é a hora!
Shern conseguiu ficar de pé.
— Eles não são mercenários.
Ela ergueu a mão.
— São a minha família.
O dracolich deu um passo.
— Ainda estou de pé — rosnou.
Shern não respondeu.
Ela levantou a mão.
— Ei—
O som morreu.
O crânio do dragão afundou para dentro.
O corpo parou.
Caiu.
O impacto rachou o piso e levantou poeira até os arcos altos.
— …Shern? — a voz de Arastine saiu fraca.
A garota deixou o braço cair.
— Acabou.
O corpo do dracolich não se moveu.
Shern respirou.
Uma vez.
Depois sentou no chão.
O corpo colossal permaneceu imóvel.
A poeira ainda caía quando Arastine começou a se arrastar. Devagar. Os braços tremiam a cada avanço curto, deixando marcas irregulares na pedra.
Shern percebeu tarde.
— Arastine—
Ela chegou até ela e caiu de lado, puxando Shern para perto com o pouco de força que restava. O impacto foi desajeitado, mas o abraço veio firme, urgente.
Shern travou por um segundo.
Depois desabou.
As mãos se fecharam no tecido rasgado da roupa de Arastine. O choro veio silencioso no começo, preso no peito, até escapar em solavancos curtos.
— Eu consegui… — Shern murmurou, com a voz quebrada. — Conseguimos salvar a sua cidade.
Arastine apertou o abraço como se aquilo fosse a única coisa mantendo o mundo no lugar.
— Sim. Você conseguiu — disse, chorando abertamente. — Você conseguiu… e eu ainda estou aqui por sua causa.
Shern enterrou o rosto no ombro dela.
— Eu tive medo.
— Eu sei.
A sombra da Alghoryn cruzou os vitrais destruídos, lenta, constante, projetando-se sobre as duas no chão da catedral.
Nenhuma delas olhou.
Ficaram ali, abraçadas, respirando juntas.
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