Shern Brasileira

Autor(a): Richard P. S.


Volume 4

Capítulo 33: Trouxeram a Guerra até nós

— Esse aqui não — disse Shern, já devolvendo o vestido à arara. — Parece aqueles vestidos que as mulheres... bom, você sabe.

Cailynm curvou levemente a boca, avaliando o tecido à distância.

— Verdade. Eu também não gostei — passou os dedos pela costura de outro modelo. — Faltam só alguns meses.

— Ainda assim. 

Shern apanhou outro vestido e girou o tecido entre os dedos, testando o acabamento.

— Esse é bem pesado.

A vendedora observava à distância, postura correta demais para parecer casual.

— O provador fica ali — informou, apontando com dois dedos. — Pode levar quantos quiser.

Shern juntou três vestidos contra o peito.

— Já volto.

Ela desapareceu atrás da cortina estreita.

Cailynm permaneceu onde estava, inclinando o vestido azul sob a luz, distraída pelo reflexo no vidro interno da vitrine.

— Shern? — chamou, ainda sem urgência. — Esse azul não vai—

O silêncio respondeu.

— Shern? — repetiu, agora virando o corpo.

Ela se aproximou do provador e puxou a cortina com cuidado.

— Ei. Já escolheu algum?

Nada.

Cailynm afastou a cortina de uma vez.

O espaço estava vazio.

— Shern? — a voz subiu, cortando o ar contido da loja.

A vendedora se aproximou, franzindo o cenho ao espiar o interior do provador.

— A moça saiu?

— Não — respondeu Cailynm, sem virar o rosto. — Ela entrou aqui. Você mesma viu.

A vendedora percorreu o ambiente com o olhar e parou na arara.

— Está faltando um vestido.

Cailynm virou-se devagar.

— Como é?

— O verde escuro. — a mulher soltou o ar pelos lábios. — Acontece às vezes.

— A Shern não fugiu — disse Cailynm, o tom curto, fechado.

— Senhora, eu—

Cailynm já abria a bolsa.

— Quanto.

A vendedora hesitou, depois citou o valor.

As moedas bateram no balcão com um som seco.

— Se ela voltar — disse Cailynm, já se afastando —, diga que eu paguei.

Ela saiu da loja.

— Shern! — chamou na rua, girando sobre si mesma. — Shern!

Algumas cabeças se viraram. Nenhuma resposta.

Ela puxou o ar com força e correu.

— Garwin! — Cailynm chegou à barraca quase sem fôlego. — Thurstan!

Garwin ergueu a cabeça no mesmo instante.

— O que foi?

— A Shern sumiu.

Thurstan largou o talher, o prato ainda soltando vapor.

— Como assim, sumiu?

— Entrou no provador — disse Cailynm, as mãos descrevendo o espaço vazio. — Quando eu fui ver… não estava mais lá.

Garwin já se levantava.

— Será que ela foi atrás da Arastine?

— Impossível — disse Thurstan, falando rápido enquanto mastigava. — Ela bota o pé em Sam Brehim e— ah! — levou a mão à boca. — Queimei a língua.

— Foi a primeira coisa que eu pensei — disse Cailynm. — Mas como?

— Azlude fica longe daquele portal selvagem — murmurou Garwin. — Levamos a manhã inteira pra chegar aqui. E ela não tem—

Thurstan congelou no meio do movimento, copo suspenso a meio caminho da boca.

— Espera.

Garwin e Cailynm olharam para ele.

— Ela não teria como ir sozinha — disse Thurstan, mais lento agora. — A menos que…

— Que o quê? — Cailynm pressionou, um passo à frente.

Thurstan já estava de pé.

— A libélula.

Uma pausa curta e pesada se formou entre eles.

— Ela sabe onde fica — continuou ele. — Sabe pilotar. Quantas vezes ela voou com a Arastine?

Garwin fechou a mão ao lado do corpo.

— Droga.

— Só tem um jeito de saber — disse Thurstan, já se afastando da barraca. — Ir até a nave e ver se a minha libélula ainda tá lá.

Cailynm saiu correndo antes do fim da frase.

— Então para de falar e vem!

***

 

As dez naves sobreviventes mantinham distância curta umas das outras, alinhadas em níveis irregulares. Cascos marcados, velas rasgadas, cristais de sustentação trabalhando além do limite. A cidade abaixo estava totalmente visível — e o vazio onde a catedral deveria estar puxava os olhos como uma ferida aberta.

— Isso não faz sentido — disse um capitão no canal comum, a voz tensa. — A catedral era o eixo. Sem ela—

— Sem ela, nada do que estamos vendo se sustenta — cortou outro. — Essa cidade não devia estar… inteira.

O Brzeg avançava entre as demais. No convés, Marek permanecia encostado numa caixa de carga, engolindo uma poção espessa. A respiração ainda irregular. As mãos firmes à força.

— Depois — disse Arastine, seca. — A catedral vem depois.

Alguns protestos começaram ao mesmo tempo.

— Comandante—

— Se o secto moveu a catedral, precisamos—

— Depois! — repetiu ela, elevando a voz. — Agora temos necromantes, vampiros, e um dragão zumbi sobre nós. Pensar no secto não serve de nada se a gente cair antes.

Um rugido distante atravessou os canais. Não estava perto, mas era suficiente para apertar estômagos.

— Concordo com a comandante — disse uma voz grave. — Se não limparmos os conveses, a próxima queda vai ser em cadeia.

Pouco acima do Brzeg, a nave larga e pesada dos Branvek mergulhou para manter formação. O casco baixo era reforçado, cheio de remendos antigos.

No convés, três figuras se moviam em coordenação áspera: duas mulheres jovens seguravam a lateral de bombordo, alternando disparos, enquanto um rapaz cobria o centro do convés, girando a balista improvisada sob pressão constante.

— Mantenham a linha! — a voz de Branvek soou no canal, tensa demais para ser neutra.

— Linha mantida — respondeu uma das mulheres, sem esconder o esforço. — Mas eles tão vindo em bloco.

Um vampiro cravou-se na amurada, a prata atravessando o peito sem fazê-lo parar.

— Não avança sozinho — disse Branvek rápido demais.

Houve um segundo de silêncio.

— Tô no centro, pai — respondeu o rapaz.

Vampiros cravados de hastes de prata ainda tentavam avançar, presos às amuradas como parasitas.

— Eu não vou discutir isso no ar! — berrou Branvek no canal, a voz rouca. — Minhas filhas tão segurando vampiro no braço enquanto vocês filosofam! Decide logo!

— Então fala o que você tem! — retrucou outro capitão.

— Precisamos achar a catedral — insistiu alguém.

— E vamos — respondeu Arastine. — Depois de sobreviver.

Um impacto sacudiu uma das naves menores. Gritos atravessaram o canal e foram cortados de forma abrupta.

— Escuta — disse um capitão que ainda não tinha falado, escolhendo as palavras com cuidado. — Se tivéssemos um cilindro de pó sagrado… um só. Aglomerávamos as naves, alguém despejava de cima e limpava todos os necromantes e vampiros de uma vez.

O canal ficou silencioso por um instante curto.

— O pó os aniquilaria — concordou outra voz. — A ideia é boa. O problema é que todos os cilindros já foram usados.

— Todos, não — respondeu Branvek, ofegante. — O meu travou. A porcaria do compartimento não abriu durante o ataque. Tá inteiro.

As vozes se sobrepuseram.

— Tem certeza disso?

— Isso muda tudo.

— Dá pra liberar no ar?

— Dá — respondeu Branvek. — Mas alguém tem que vir aqui destravar. Meu pessoal tá ocupado demais pra largar o convés agora.

Outro rugido atravessou os canais. Ao fundo, a Avan’Devor cruzou o céu em alta velocidade, velas fechando e abrindo enquanto o dragão zumbi riscava o espaço acima dela, fora de alcance por enquanto.

Arastine já se movia.

— Preciso de dois voluntários no convés do Brzeg — disse ela. — Agora.

Uma nave menor respondeu primeiro.

— Aqui é o Corvo de Sal — disse uma voz jovem, firme demais para o cenário. — Enviando um espadachim e uma conjuradora. Alinhem o convés.

— Radan — chamou Arastine, sem tirar os olhos do entorno.

As naves se ajustaram com esforço.

— Lethan Var — anunciou o primeiro ao saltar.

Era alto, magro, pele escura marcada pelo sol, cabelos brancos presos num nó curto. Vestia couro leve reforçado nos ombros e empunhava uma espada curta de lâmina larga, já manchada.

Os olhos varriam o convés com atenção constante.

— Mira Tessel — disse a segunda voz ao tocar o piso logo depois.

Baixa, cabelos ruivos presos em tranças curtas, símbolos queimados ao longo dos antebraços. Um foco de cristal pendia no pescoço, já pulsando com calor contido.

— Vamos limpar isso rápido.

— Vocês ajudam o Marek a segurar o convés do Brzeg — disse Arastine. — Eu vou até os Branvek destravar o cilindro.

— Entendido.

Os dois rolaram pelo convés quase ao mesmo tempo quando as naves alinharam por um instante. Marek ergueu o machado num cumprimento breve, ainda pálido.

— Não morram — disse ele. — Vai me dar trabalho desnecessário.

Arastine desceu para a ponte. O capitão do Brzeg já girava o timão, ajustando a aproximação.

— Alinha com os Branvek — ordenou.

— Isso vai nos tirar mobilidade.

— Eu sei.

Ela se agachou, retirou as botas e puxou da bolsa um par de sandálias delicadas, ajustando as presilhas com rapidez mecânica. Da bolsa interna, separou dois frascos de pó de prata e os prendeu ao antebraço.

— Capitão Branvek — disse no canal. — Assim que eu pular, arremeta acima da formação. Pede pros seus filhos cessarem os tiros. Tenho uma surpresa pros necromantes e vampiros do convés.

— Comandante—

— Mantém curso.

O Brzeg começou a se aproximar da nave dos Branvek.

Do ponto onde Arastine corria pela amurada, o convés dos Branvek se abria abaixo, ainda tomado por vampiros.

As naves alinharam.

O Brzeg manteve o curso.

O vento cortava entre as naves alinhadas, fazendo velas rasgadas tremularem sem ritmo. A distância entre os cascos se fechava e se abria num intervalo perigoso.

— Segura! — gritou Radan da ponte.

Arastine deu dois passos para trás.

No convés do Brzeg, Marek desceu o machado num arco curto, abrindo a clavícula de um vampiro.

— Lethan, esquerda! — berrou. — Mira, segura esse!

— Já vi! — respondeu Mira, recuando um passo enquanto a magia em sua mão explodia em faíscas claras. — Não aguento dois ao mesmo tempo!

Um vampiro saltou da amurada.

— Atrás! — gritou Lethan.

A criatura caiu antes de completar o movimento, o corpo atravessado pela espada curta.

— Ainda vem! — Lethan recuou. — Isso não é normal!

— Se a Arastine soltar o cilindro, acaba tudo de uma vez! — rosnou Marek. — Continua lutando!

— Agora, comandante! — alguém gritou no canal comum.

Arastine correu.

— Mantém alinhado! — ordenou, passando pela amurada. — Não corrige!

— Isso vai dar problema! — respondeu Radan.

Ela saltou.

O convés do Brzeg desapareceu sob seus pés, substituído por vento e vazio.

— Arastine! — alguém gritou atrás.

As sandálias reagiram no meio da queda.

— Vai!

O estalo seco ecoou quando o impulso mágico a lançou para cima outra vez, arrancando exclamações dos conveses próximos.

— Ela pulou de novo? — alguém gritou, incrédulo. — No ar!

A nave dos Branvek veio ao encontro dela.

— Atenção no convés! — berrou Branvek, a voz estourando no canal. — Cabeças baixas!

Arastine caiu rolando entre os vampiros e as balistas.

— É ela! — gritou uma das filhas de Branvek. — Ela chegou!

Um necromante flutuava próximo à popa, mantos ondulando lentamente, símbolos girando ao redor do corpo.

— Não deixa conjurar! — gritou Branvek.

Arastine já tinha o frasco na mão, a boca cheia do pó de prata.

Ela saltou alto, passando por cima dos vampiros, ficando frente a frente com o necromante.

Soprou.

— Agora—

A nuvem prateada atingiu o necromante em cheio.

O grito veio imediato, atravessado por dor e surpresa. Os símbolos falharam em sequência.

— Tá caindo! — gritou uma das filhas de Branvek.

— Ele tá caindo!

O corpo despencou, batendo pesado no convés.

— Continua! — berrou Branvek. — Ainda tem mais!

Arastine girou o corpo, cuspindo o conteúdo do segundo frasco sobre os neófitos remanescentes.

A prata varreu o convés em arco baixo. Vampiros recuaram tropeçando, a pele borbulhando, asas dobrando em ângulos errados.

— Pela amurada! — gritou uma das filhas, avançando.

— Joga pra fora!

Um corpo foi empurrado além da borda.

— Caiu! — alguém confirmou. — Sumiu!

— Ainda tem dois! — gritou o filho de Branvek, disparando a balista. — À direita!

Arastine puxou a espada.

— Não cheguem perto!

Ela avançou num giro horizontal. Por um instante, o convés ficou limpo.

— Funcionou… — alguém arfou.

Arastine deu um passo à frente.

— Não acabou — disse. — Ainda precisamos nos posicionar.

A nave começou a ganhar altitude. O vento engrossou à medida que se aproximavam da nuvem negra.

— Branvek — chamou Arastine, sem tirar os olhos do céu. — Onde fica o cilindro?

— Popa! Compartimento no casco! — respondeu ele. — Vou mandar o meu garoto com você!

O dragão passou próximo, cortando o ar acima deles — mas não atacou.

O porão da nave dos Branvek vibrava a cada ajuste brusco de rota. O casco rangia, placas de metal gemendo sob esforço excessivo.

— É aqui — disse o rapaz, erguendo a lanterna trêmula. A voz era baixa demais para o espaço. — O compartimento do lançador.

Arastine ajoelhou diante do painel deformado. As travas estavam tortas, presas por um impacto antigo.

— Tá tudo destruído — comentou ela, avaliando rápido.

— Meu pai disse que—

— Fica atrás de mim.

O tom não deixou espaço.

Ela forçou a primeira alavanca. Nada.

No canal comum, vozes se atropelavam.

— Alinhando agora!

— Espera a ordem da comandante!

— Segura essa altitude!

O garoto segurava a grade lateral, os nós dos dedos brancos.

— As naves estão quase prontas — disse, engolindo seco. — Se isso soltar—

Um impacto brutal sacudiu tudo.

O chão subiu. Depois caiu.

— Dragão! Nos Branvek! — alguém gritou no canal.

O casco estalou. Uma placa cedeu parcialmente, arrancando a grade onde o garoto se apoiava.

— Não! — ele gritou.

O corpo foi puxado para fora do eixo do porão, metade suspensa no vazio, as pernas batendo contra o metal.

— Segura! — Arastine largou o painel por um instante, estendendo o braço.

Não alcançou.

O garoto pendia agora só pelas mãos. O vento arrancava o ar de seus pulmões.

— Comandante! — a voz de Branvek explodiu no canal. — O que tá acontecendo aí?

Outro impacto distante. Pela abertura no casco, as naves abaixo começavam a se alinhar, pequenas e próximas demais.

— Comandante Arastine! — gritou o garoto agarrado no cilindro, a voz falhando. — Eu não consigo—

Ela olhou para o painel.

As travas estavam quase livres.

Olhou para fora.

O aglomerado de naves se formava abaixo, conveses infestados, necromantes ainda flutuando entre elas.

— Agora ou nunca! — berrou Branvek no canal.

O garoto escorregou mais um palmo.

— Por favor—

Arastine puxou a última trava.

O mecanismo respondeu com um estalo pesado.

— Eu esperei tempo demais pra fingir que dava pra salvar todo mundo — disse ela, sem elevar a voz.

O garoto ergueu o rosto. Entendeu.

— Não—

Ela empurrou o cilindro.

O compartimento se abriu num solavanco violento.

O cilindro deslizou, ficou preso por um segundo… e então se soltou.

O garoto caiu junto.

— Conseguiu? — a voz de Branvek surgiu, urgente, no comunicador.

— Conseguimos — respondeu Arastine, firme demais para a situação.

— Isso! — o grito atravessou o canal.

O cilindro despencou.

No ar, sob a formação alinhada, ele se rompeu.

Uma explosão branca e silenciosa se espalhou como névoa sólida.

O pó sagrado caiu em cascata.

Necromantes gritaram primeiro. Vampiros depois. Corpos se desfizeram, asas se dobraram em ângulos errados, símbolos ruíram em sequência.

Estilhaços do cilindro cruzaram o ar junto com a luz.

O corpo do garoto foi atingido antes de desaparecer nas nuvens.

Silêncio.

No porão, Arastine permaneceu imóvel por um segundo.

Depois se virou.

— Pronto — disse no canal. — Agora só falta o dragão.

***

A ponte suspensa de Azlude se estendia larga sobre a queda d’água interminável. A névoa subia em colunas lentas, abafando sons e deixando o ar úmido. A Alghoryn estava ancorada ali, casco quieto, velas recolhidas.

O compartimento de carga estava aberto.

— …Garwin, ali — disse Thurstan, diminuindo o passo, a voz já carregada de suspeita. — Pra nossa ideia não se confirmar, só se tiver sido ladrão.

Garwin seguiu o olhar dele.

— Tá escancarado — respondeu, seco.

Cailynm parou de vez.

A boca do compartimento se abria para a rua como uma ferida mal fechada. Correntes soltas pendiam de um dos lados. Não havia movimento lá dentro.

— Não faz sentido — murmurou Thurstan, passando a mão pela testa. — Eu tranquei antes de sair.

— Alguém mexeu — disse Garwin, já se aproximando, o olhar varrendo o interior. — Ou—

— Ou ela mexeu — completou Cailynm, firme demais para quem ainda tentava manter o controle.

Um homem do ancoradouro se aproximou, enxugando as mãos num pano sujo.

— Vocês são os donos da nave?

— Somos — respondeu Garwin, sem rodeios. — O que houve?

— Uma garota saiu daí agora há pouco — disse o homem, apontando com o queixo. — Pegou um veículo pequeno. Rápida. Quase derrubou um carregador.

Cailynm puxou o ar devagar.

— Ela machucou alguém? — perguntou, contida.

— Não. — O homem balançou a cabeça. — Assustada, mas sabia o que tava fazendo.

Thurstan passou a mão pelo rosto, os dedos afundando nos cabelos.

— Libélula… — disse, baixo demais. — Era a minha.

— Então não tem mais dúvida — concluiu Garwin.

Eles entraram na Alghoryn sem dizer mais nada. O interior estava exatamente como antes. Nada revirado. Nada quebrado. Apenas o vazio onde algo não deveria faltar.

Thurstan puxou a alavanca manual. O compartimento de carga começou a se fechar, rangendo até selar por completo.

O som ecoou mais do que deveria.

— Ela foi atrás daquela mulher — disse Cailynm, sem levantar o olhar.

Ninguém respondeu.

Garwin ficou parado por um instante, encarando a porta fechada, como se ainda esperasse que algo mudasse.

— Maldita Arastine — disse por fim, sem elevar a voz.

— Pois é — murmurou Thurstan, amargo. — Ela deu um jeito de puxar a gente pra guerra dela.

Cailynm cruzou os braços, o olhar fixo no chão da nave.

— Eu tô mais preocupada com a Shern — disse, a tensão finalmente aparecendo. — Ela não tinha nada. Nenhum recurso. Nenhuma proteção.

— Então não é escolha — concluiu Garwin. — Se ela entrou na guerra da Arastine…

Fez uma pausa curta.

— …Thurstan, você pilota. Eu vou ficar na balista.

— Tem certeza? — perguntou o homem loiro, já caminhando para a ponte.

— Não temos escolha — respondeu Garwin. — Vamos ter que entrar nessa guerra também.

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