Shern Brasileira

Autor(a): Richard P. S.


Volume 4

Capítulo 32: Entre Asas Mortas

— Tem certeza? — perguntou Radan. As mãos escorregavam levemente no timão do aeroplano.

— Rápido! — respondeu Arastine, sem tirar os olhos do painel.

Velas de leme foram reajustadas às pressas. Símbolos de sustentação oscilaram entre estabilidade e correção constante. A frota não mergulhava em bloco — cada nave buscava seu próprio ângulo dentro da nuvem negra, tentando perder altitude sem se chocar com presenças invisíveis ao redor.

O Brzeg descia em um arco controlado.

No painel, os pontos luminosos se deslocavam para baixo de forma irregular, alguns mais rápidos, outros atrasando perigosamente.

— Mantém a razão de queda — Radan ajustou os controles. — Se acelerar mais que isso, as velas não vão aguentar.

Arastine observava o vazio à frente quando a nuvem, acima deles, se deformou.

Não foi uma abertura.

Foi deslocamento.

Algo atravessou a camada superior como um corpo empurrando matéria espessa. A massa negra se afastou à força, comprimida pela passagem de uma forma colossal.

Entre rasgos momentâneos da névoa, surgiu a silhueta.

Asas largas demais para qualquer cálculo comum, membranas rasgadas sustentadas por ossos expostos. O corpo era vermelho escurecido, a carne ressecada presa ao esqueleto como se tivesse sido queimada e reanimada à força. Costelas abertas desenhavam arcos quebrados ao longo do torso. Onde deveriam existir olhos, apenas cavidades opacas refletiam um brilho doentio.

— Um dragão morto… ainda em voo — disse alguém.

— Contato alto! — ecoou no canal geral. — Acima da cobertura. Ele está—

A frase se partiu no meio.

O fogo caiu enquanto os aeroplanos ainda mergulhavam.

Uma faixa verde, irregular, rasgou a névoa de cima para baixo e atingiu uma nave que tentava corrigir o ângulo de descida. O impacto não explodiu — corroeu. O casco escureceu em segundos, como metal submerso em ácido fervente.

As velas mágicas falharam primeiro. Depois, os símbolos.

O aeroplano perdeu sustentação ainda inclinado.

— Br—

A comunicação surgiu distorcida, arrancada no meio de uma curva violenta.

O fogo já havia se dissipado quando a nave começou a cair de verdade.

Ela desapareceu dentro da nuvem antes mesmo de alinhar o eixo. Não houve tempo para gritos. Apenas o som seco de algo grande atravessando camadas densas de ar encantado.

No visor do Brzeg, o ponto luminoso oscilou… e se apagou.

Radan travou a mandíbula. Iseya afastou as mãos dos cristais, como se o toque pudesse queimar.

Arastine manteve o olhar fixo no espaço acima da frota em queda.

— Ele vai nos pegar um a um.

O Brzeg continuava descendo.

— Se abaixo dessa camada houver mais visibilidade… talvez tenhamos uma chance.

A sombra já não era visível.

Mas o céu, definitivamente, não era mais deles.

— Ele tá mergulhando!

A silhueta vermelha atravessou a camada superior da nuvem como um corpo pesado demais para o ar que ocupava. As asas rasgadas batiam em intervalos irregulares, não para ganhar altitude, mas para manter o eixo do mergulho. Entre as costelas expostas, a luz verde ainda pulsava, presa dentro de um tórax que não respirava mais.

No painel, vários pontos luminosos desciam ao mesmo tempo, tentando manter distância uns dos outros.

— Se ele acertar alguma coisa nessa velocidade…

À frente, bem abaixo da formação principal, um aeroplano lutava para corrigir a queda. As velas de leme se abriam e fechavam em sequência frenética, enquanto a propulsão deixava no ar uma linha rosada de Etherdoorium instável.

O dragão passou por ele como uma lâmina.

A cabeça desceu em linha reta, o maxilar abrindo além do que qualquer articulação viva permitiria. Os dentes fecharam-se no meio do casco com um estalo seco, quase doméstico, como madeira partindo sob pressão excessiva.

O aeroplano se dobrou.

A proa e a popa se separaram em eixos diferentes, presas por um instante às entranhas rasgadas do convés. Corpos foram lançados para fora antes mesmo que o som chegasse — silhuetas pequenas demais para gritar, rodopiando no ar negro.

A criatura puxou a cabeça.

A nave se partiu em dois pedaços definidos.

Ambos começaram a cair.

— Aqui é a— 

A comunicação surgiu tarde demais, distorcida, atravessada por ruído e vento. — Estamos—

O canal morreu no meio da frase.

No painel do Brzeg, o ponto luminoso se alongou… dividiu-se… e se apagou por completo.

O dragão continuou descendo, desaparecendo outra vez dentro da nuvem, como se nunca tivesse estado ali.

O silêncio caiu pesado sobre os canais abertos.

Só o som dos instrumentos lutando contra a gravidade. Só o estalo seco dos encantamentos forçados além do limite.

— Quais são as ordens, comandante Arastine? — perguntou uma voz no comunicador.

Ela não respondeu.

— Quais as ordens, Arastine? — insistiu Radan, sem tirar os olhos dos controles. — Os outros querem saber.

— Droga! Cala a boca e me deixa pensar!

O Brzeg atravessou uma camada mais densa da névoa. A visibilidade caiu por completo. Por um momento curto demais para conforto, não havia nada além de preto e indicadores instáveis.

— Onde está o dragão? — perguntou ela.

— Ele mergulhou nas nuvens… e sumiu — respondeu Iseya.

Então o ar abaixo deles se moveu.

Não como turbulência.

Como algo abrindo espaço.

A sombra passou sob o Brzeg, grande demais para caber inteira no campo de visão. Um impacto lateral sacudiu o aeroplano, lançando todos contra os pontos de apoio. Um som metálico ecoou pelo casco — não explosão, mas perfuração.

— Droga! Ele está sobre nós!

Garras atravessaram a lateral de uma nave que descia em paralelo, perto demais.

O metal cedeu como couro molhado.

O dragão subiu apenas o suficiente para morder.

A mandíbula fechou sobre o convés, arrancando uma seção inteira — madeira, símbolos, pessoas — num único movimento. Sangue e fragmentos se espalharam pelo ar, colidindo contra o Brzeg em pancadas violentas, deixando marcas escuras no casco e nos visores.

A nave mutilada girou uma vez, perdeu o eixo e entrou em queda descontrolada, desaparecendo na névoa logo abaixo.

O rugido veio atrasado, rasgado, mais próximo de um pulmão se afogando do que de uma criatura viva.

O dragão não ficou.

Ele desceu outra vez, levando consigo o espaço que ocupava.

No painel, dois pontos luminosos piscaram em alerta crítico… e se apagaram quase juntos.

Ninguém falou.

A nave não interrompeu a descida.

— Ele parou… — disse alguém no canal geral. — Por que ele parou?

Nenhuma resposta imediata.

— Os construtos não estão respondendo — informou outra voz. — Não há acúmulo de mana. Não está preparando sopro.

— Então o que ele está fazendo? — perguntou um capitão, sem conseguir disfarçar o pânico.

No Brzeg, Arastine observava a silhueta acima deles. O dragão parecia maior agora que permanecia imóvel. As asas abertas sustentavam o corpo com facilidade perturbadora. As costelas expostas se expandiam e contraíam em um ritmo lento, irregular — como um fole antigo trabalhando algo que já não precisava de ar.

— Não desviem o curso — disse ela, firme. — Continuem a descida.

— Comandante — respondeu uma voz mais distante —, se ele atacar agora, não teremos espaço para manobra.

— Eu sei.

O silêncio voltou aos canais.

O dragão inclinou levemente o corpo.

Não em direção a nenhuma nave específica.

Algo se desprendeu de seu corpo putrefato.

No início, pareceu apenas matéria morta. Fragmentos escuros se soltando do dorso, caindo sem forma definida, engolidos pela névoa logo abaixo. Nada que exigisse reação imediata.

— Temos… queda de material não identificado — disse Iseya, hesitante. — Não parece ataque.

Mais coisas se soltaram.

Dessa vez, em padrão.

Silhuetas alongadas, descendo em ângulos controlados demais para simples queda.

— Isso não são destroços — disse Radan, baixo.

As formas começaram a se abrir no ar.

Asas membranosas se estenderam de corpos magros, ossudos, ainda envoltos em trapos escuros. As criaturas corrigiram a descida com movimentos bruscos, instáveis, mas deliberados. Não gritavam. Não vocalizavam ordens.

Apenas planavam.

— Contatos múltiplos! — explodiu uma voz no canal. — Eles estão vindo direto—

O primeiro impacto veio de outra nave.

Um som metálico seco, seguido de gritos abruptamente cortados. No visor lateral do Brzeg, Arastine viu uma silhueta colidir contra o convés de um aeroplano próximo, rolar entre tripulantes e se erguer de quatro — rápido demais para algo que deveria estar morto.

Outro caiu logo depois.

E outro.

— Vampiros! — gritou alguém. — Eles estão pousando nos conveses!

O canal geral mergulhou no caos.

Pedidos de ajuda. Ordens contraditórias. Sons de luta atravessando comunicadores abertos tempo demais para serem silenciados.

Algo atingiu o Brzeg com força.

Um corpo deslizou pelo visor frontal antes de desaparecer para o lado, deixando uma mancha escura no cristal encantado. Em seguida, outro impacto — mais pesado — fez a nave vibrar inteira, arrancando um estalo agudo do casco.

— Contato no convés! — berrou Radan. — Traseira!

Arastine já se movia.

— Vem, Marek! — a espada já estava em sua mão. — Vamos resolver esse problema agora.

— Contato no convés! — gritou alguém no canal geral.

O som de metal raspando ecoou pelo Brzeg quando um corpo caiu rolando entre cabos soltos. A criatura bateu no piso de madeira encantada e deslizou alguns metros antes de se erguer num movimento espasmódico. Magro, alongado, ossos visíveis sob uma pele acinzentada, asas membranosas ainda se recolhendo nas costas.

Arastine já se movia.

— À esquerda! — berrou Marek.

A lâmina curva descreveu um arco curto e preciso. O golpe abriu o tórax da coisa, rasgando carne escura e exposta, como se o corpo tivesse sido montado às pressas. Um líquido espesso escorreu e fumegou ao tocar o piso.

— Não deixa levantar!

A criatura tentou avançar mesmo assim, dedos longos arranhando o convés, quando Marek girou o machado com força total.

— Sai da frente!

O impacto lançou o corpo contra a amurada. Ossos estalaram. As asas se dobraram no ângulo errado, inúteis, rasgadas pelo próprio peso.

— Ainda se mexe! — rosnou Marek.

O segundo golpe esmagou o crânio contra o convés com um som seco.

— Dois abatidos! — disse Arastine, sem tirar os olhos do entorno.

Outro corpo caiu pesado logo depois. Em seguida, mais um. Asas batendo desajeitadas, unhas raspando madeira.

— Quantos são do seu lado?! — gritou Arastine.

— Não para de cair! — respondeu Marek, a respiração já irregular.

Arastine levou a mão ao cinto, arrancou o pequeno vidro e despejou o pó prateado dentro da boca.

— Prata. Agora.

Ela soprou.

O pó atingiu o rosto da criatura que avançava. A reação foi imediata. A pele começou a borbulhar, escurecendo e rachando como papel queimado. O corpo travou no meio do passo, a boca aberta num grito que não saiu.

— Funciona! — Marek falou antes de cuspir seu pó de prata em dois adjacentes, com um alívio na voz.

Arastine não respondeu. A lâmina entrou pela lateral do pescoço e saiu do outro lado.

— Atrás de você! — gritou Marek.

Ela girou a tempo de sentir o choque seco. Garras rasgaram tecido e carne.

— Droga—!

Arastine colou o rosto ao da criatura. Os olhos eram opacos, sem foco, cheios de fome.

— Engole isso.

Ela soprou direto na boca aberta. O neófito caiu de joelhos, paralisado, enquanto a prata queimava língua, gengivas e garganta. O rosto começou a fritar de dentro para fora.

— Fora. — disse Marek.

O machado desceu. Cabeça e corpo se separaram.

A quietude durou pouco. Apenas respirações pesadas. O estalo distante dos encantamentos do Brzeg lutando contra a gravidade.

— Acabou? — perguntou alguém no canal.

Arastine não respondeu.

— Não… — disse Marek, baixo.

O ar mudou.

— Vocês sentiram isso? — murmurou uma voz.

Algo flutuava além da amurada.

— Contato aéreo… — disse alguém, hesitante. — Mas não é o dragão.

A figura descia lentamente, sem asas. Um corpo humano demais para estar ali daquele jeito. Mantos escuros flutuavam ao redor de um tronco magro, a pele branca marcada por símbolos antigos queimados diretamente na carne. Runas deformadas giravam ao redor dele, sustentando-o no ar.

— O que é aquilo? — perguntou Marek.

— Um sacerdote — disse Arastine. — Ou o que restou disso. Necromantes.

A figura ergueu uma das mãos.

— Magia vindo! — Marek apertou o cabo do machado.

Um crânio em chamas verdes se formou no ar, girando lentamente antes de disparar.

— Marek, sai—!

Foi tarde demais.

O impacto atingiu o peito do guerreiro numa explosão contida. A energia atravessou a armadura, queimando por dentro, e o lançou contra a lateral do convés. O machado caiu longe.

— Marek! — gritou Arastine.

Ele caiu sentado, ofegante. Fumaça verde escapava pelas frestas da armadura agora deformada.

— Ainda… tô aqui — forçou ele.

O necromante inclinou levemente a cabeça, como avaliando.

— Ele não tá atacando direto… — disse Arastine, observando. — Tá tramando algo.

Os corpos espalhados pelo convés reagiram. Um brilho fraco percorreu membros decepados, torsos abertos, asas rasgadas.

— Eles… tão voltando? — perguntou Marek, a voz falhando.

— Não — respondeu Arastine. — Mas ele tá mantendo os corpos animados.

O necromante permaneceu imóvel, mãos abertas, conduzindo algo invisível.

— Isso não é um ataque — disse ela. — É uma distração.

Marek forçou-se a ficar de pé.

— Então isso foi só o começo.

Arastine firmou a espada.

— Sim. — disse. — A primeira camada.

— Ainda tem aquela coisa pra lidar… — murmurou alguém.

Acima deles, invisível na névoa negra, o dragão continuava circulando.

O necromante mantinha-se suspenso além da amurada, símbolos antigos girando lentamente ao redor do corpo como engrenagens de um rito que não precisava de pressa. Os vampiros remanescentes avançavam e recuavam conforme o campo invisível os puxava, mortos demais para cair, vivos demais para desistir.

— Se não tirar esse cara da jogada — disse Marek, a voz rouca —, a gente só tá adiando a própria morte.

Arastine não respondeu. A mão esquerda já estava dentro do casaco, tateando o coldre interno até encontrar o cilindro curto, selado com cera negra. Pequeno demais para parecer importante. Antigo demais para ser descartável.

O comunicador chiou.

— Aqui Vaga-Lume Destemida — disse uma voz firme, treinada para não falhar. — Temos vampiros no convés. Repetindo: vampiros no convés. Necromante acima, conjurou escuridão na ponte. Não conseguimos—

Um grito cortou a transmissão por um instante.

— Formação está quebrando — continuou o capitão, agora mais rápido. — Precisamos de—

O canal se encheu de ruído. Algo pesado atingiu metal do outro lado.

Arastine virou o rosto a tempo de ver a Vaga-Lume pela lateral do Brzeg, descendo em paralelo. Pequena. Ágil. Cercada.

— Comandante — chamou Radan, distante, no canal privado. — Se puder responder—

Ela quebrou o selo do cilindro com o polegar.

Dentro havia uma corrente curta, opaca, como cinzas comprimidas até virarem metal. Não brilhava. Não reagia à magia ao redor.

Arastine girou o corpo e arremessou com força total — não para frente, mas para cima.

— Um pouco de Shern pra você… — murmurou.

A corrente se entrelaçou na cintura do necromante.

No instante do contato, os símbolos falharam. As runas se apagaram como velas pegas por vento errado. O campo se rompeu com um estalo seco, quase decepcionado.

O necromante caiu.

Não gritou. Não tentou reagir. Apenas despencou, desaparecendo entre as nuvens negras abaixo.

No mesmo instante, os vampiros perderam coesão. Dois caíram como sacos de carne. Um terceiro ainda tentou avançar, mas a lâmina curva de Arastine atravessou o corpo sem desacelerar, abrindo caminho e encerrando o movimento no mesmo gesto.

O comunicador voltou, alto demais.

— Capitão ferido! — gritou outra voz, mais jovem, mais crua. — O escudo caiu! Eles estão—

Um impacto sacudiu o Brzeg.

Arastine se virou a tempo de ver.

A Vaga-Lume Destemida estava ao lado deles agora. Próxima demais.

Vampiros se espalhavam pelo convés da nave, alguns presos às amuradas, outros lutando corpo a corpo com a tripulação. Acima dela, outro necromante flutuava, entoando algo baixo, quase gentil — uma oração dita para ninguém.

— Vaga-Lume, aqui Brzeg — a voz de Radan soou firme demais para a situação. — Vocês precisam abrir—

— Negativo — respondeu o capitão, a firmeza finalmente rachando. — Não temos governo. As velas—

Outro necromante surgiu, erguendo a mão.

Algo invisível se fechou ao redor da Vaga-Lume.

A nave perdeu sustentação de uma vez.

Não houve explosão. Não houve fogo. Apenas o som grave de encantamentos se desligando juntos, como sinos afogados.

— Tripulação, preparem para—

A frase morreu no meio.

A Vaga-Lume começou a cair.

Passou pelo Brzeg em silêncio, tão perto que Arastine viu rostos colados aos visores, mãos tentando segurar nada. Um vampiro ainda se movia no convés quando a nave desapareceu na névoa abaixo.

O canal ficou mudo.

Por um segundo longo demais, ninguém falou.

Então o Brzeg atravessou a camada final da nuvem.

A luz mudou.

A cidade surgiu abaixo deles — ruas tortas, telhados escuros, estruturas antigas comprimidas umas contra as outras. Viva. Presente.

— Espera… — murmurou alguém na ponte. — Onde tá a catedral?

— Ela devia estar no centro — disse outra voz, confusa. — Eu não tô vendo—

A Vaga-Lume rompeu a última camada de névoa em queda livre.

— Ela vai cair dentro da cidade! — gritou Radan.

O impacto veio um segundo depois.

Um clarão violento subiu entre os prédios, seguido de uma explosão seca, real, mundana — metal contra pedra, combustível contra ar. Uma onda de choque percorreu os telhados próximos, levantando poeira, detritos, pedaços de madeira encantada.

O silêncio voltou em seguida.

— Não caiu… — disse Marek, baixo, olhando para o vazio no centro da cidade. — A catedral não caiu.

Arastine observava o espaço limpo demais, amplo demais, onde nada deveria faltar.

— Não — respondeu. — Foi levada.

Acima deles, invisível na névoa negra, o dragão continuava circulando.

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