Shern Brasileira

Autor(a): Richard P. S.


Volume 4

Capítulo 30: A Linha Invisível

O estaleiro tinha pouca atividade quando a Alghoryn atracou. Gruas deslizavam sobre trilhos suspensos, levantando placas de casco. Martelos arcanos estalavam com ritmo irregular, e o cheiro de cânhamo quente misturado ao de pedra encantada se espalhava pelo ar.

— No estaleiro? — perguntou Thurstan. Os olhos ainda carregavam o peso do sono.

— Só uma revisão no casco e nas velas — respondeu Garwin, observando os mecânicos prenderem ganchos na borda da Alghoryn para aproximá-la do atracadouro.

— Muito bom. Aproveita e fala com a Arastine — disse Thurstan, sentando na cadeira da ponte. — Ouvi a Shern dizer que ela tinha uma balista meio ruim.

Garwin franziu o cenho.

— Sério? Fiquei sabendo sobre isso agora. Por você.

— Ela anda estranha — completou Thurstan.

— Qual delas?

— Qual delas? — Thurstan abriu os braços. — As duas.

Garwin apenas assentiu. O casco tocou leve no encaixe de pouso.

Lá embaixo, um homem acenava para eles. Alto, barba mal aparada, uniforme manchado de fuligem.

— Olha o Giezer ali — disse Thurstan, apontando.

— Sim. Quanto à Arastine, deve ser por causa dessa revolução — disse Garwin. — Chame elas. Vamos descer. E não conte nada disso que conversamos pra ninguém.

Garwin desceu pela rampa. Cailynm veio atrás, e Shern caminhava ao lado de Arastine — ombro com ombro, observando uma grande peça metálica sendo empurrada por mecânicos.

Giezer se aproximou.

— Vocês sumiram por meses — disse ele. — Garwin! Por todos os deuses, você não vai acreditar onde eu fui parar.

— Não imagino mesmo — respondeu Garwin, aproximando-se do grupo de mecânicos em volta do aeroplano dele.

A nave era pouco maior que a Alghoryn. O casco prateado tinha uma crosta escura agarrada às placas como ferrugem viva.

— Caramba, Giezer. Agora eu fiquei curioso. Por onde você conseguiu essa ferida? — perguntou Thurstan.

— Portal selvagem — disse ele. — Um atalho que virou inferno. Literalmente. Caí num plano inferior… areia preta por todo lado e diabo saindo de tudo que é buraco. Aí essa crosta grudou quando voltei. — Ele bateu no casco; uma lasca caiu, soltando cheiro sulfuroso. — Tão tentando raspar isso desde cedo.

Dois mecânicos se aproximaram com ferramentas longas. A primeira batida arrancou um pedaço maior. A segunda abriu uma rachadura.

Algo se mexeu por dentro.

— Opa, opa… — murmurou um dos mecânicos, recuando.

A rachadura estourou.

Cinco diabretes saltaram para fora — pequenos, de pele avermelhada, com asas curtas, com garras afiadas, com olhos brilhando de amarelo.

— Demônio! — gritou um mecânico.

— É diabrete, seu burro! — o segundo berrou, tentando se defender com a ferramenta.

Os diabretes avançaram.

Um mordeu a panturrilha de um mecânico, derrubando-o. Outro subiu no ombro do colega e arranhou o rosto dele, abrindo três linhas de sangue. Os demais se espalharam no estaleiro, derrubando caixas e atacando qualquer coisa que se movesse.

— Paus de fogo primo! Vai, pega os paus de fogo! — gritou Giezer.

Os mecânicos correram até o armário de emergência. Três deles voltaram com bastões de madeira antiga entalhada, cuspindo tiros arcanos instáveis. As rajadas explodiram em faíscas, errando mais do que acertavam.

— Passa um pra mim! — gritou Thurstan, tomando o bastão das mãos trêmulas de um mecânico ferido.

O disparo acertou um diabrete em cheio. A criatura retorceu metade do corpo antes de cair morta.

A crosta estourou mais uma vez.

Dessa vez, mais de vinte diabretes saltaram.

— Ah não… — disse Garwin. — Giezer, Thurstan, pra dentro! Arastine, Shern, prepara as balistas!

A confusão se espalhou pelo estaleiro.

Cailynm puxou Shern por reflexo — mas Shern se desvencilhou.

Arastine não se moveu.

Os diabretes encurralaram um mecânico no canto do convés. O homem ergueu o pau de fogo com as mãos tremendo; o tiro atingiu uma caixa atrás dele, fazendo runas se acenderem.

O diabrete abriu as asas e avançou.

— Shern! — gritou Cailynm, estendendo o braço.

Shern ergueu a mão.

A luz ao redor dos dedos dela se dobrou em um tom azul-violeta-prateado. O ar ondulou, como se o espaço recolhesse fôlego.

A onda cresceu.

Silenciosa.

Depois brutal.

A energia se expandiu num arco com força cortante. Os diabretes foram atingidos em cheio — jogados contra o casco do aeroplano, corpos pequenos esmagados com estrondos secos.

O grupo de cinco se desfez em massa rubra.

Shern virou o rosto para o restante.

— Agora é a vez de vocês.

A onda seguinte implodiu os diabretes que restavam. O líquido de seus corpos espirrou contra o chão enquanto os ossos viravam pó comprimido, caindo em pedacinhos minúsculos.

O estaleiro congelou.

Os mecânicos ficaram imóveis. Alguns levaram a mão à boca; outros cambalearam para trás. Giezer olhou para Shern sem piscar, como quem tentava entender o que estava diante dele.

Garwin e Cailynm permaneceram parados por um instante. Thurstan deixou o pau de fogo cair; o artefato tilintou no chão.

Arastine foi a única que manteve o rosto neutro.

Ela colocou a mão no ombro de Shern.

— Bom trabalho — disse, baixo.

Shern apenas piscou.

— Eu só ajudei.

Os sussurros começaram:

— O que ela é?

— Isso não é magia humana.

— Descendente dos féericos… mas desse jeito?

O dono do estaleiro atravessou a multidão apoiado em uma muleta metálica. A barba branca e curta tremia levemente com a respiração acelerada. Ele parou diante de Shern, depois virou para Garwin.

— Garwin… — disse, ainda olhando para os restos dos diabretes. — Eu não sabia que a tua menina tinha poderes desse tamanho.

Garwin manteve o olhar firme.

— Nem eu — respondeu. — E depois disso tudo, vou ter que conversar com ela.

O velho respirou fundo e assentiu. Ajustou a postura e limpou a poeira do uniforme com a palma da mão, como se tentasse retomar a normalidade.

— E então… o que veio fazer no estaleiro?

— Troca de velas e cabos. Revisão no casco. Só isso.

O dono do estaleiro observou a crosta escura grudada na nave de Giezer. Depois olhou para Shern mais uma vez antes de falar:

— Quer fazer uma troca? Eu acelero tua revisão. Em troca… — apontou para a crosta — se sair mais algum diabrete desses, queria a ajuda dela.

Cailynm fechou o rosto na hora. Cruzou os braços e desviou para o lado, com a respiração curta.

Garwin olhou para ela.

Antes que ele respondesse, Shern deu um passo à frente.

— Pai… — disse, a voz baixa. — Eu posso ajudar. Deixa eu ajudar.

Garwin passou a mão na testa. Ficou alguns segundos parado, olhando para a crosta e para os mecânicos feridos.

— Tá — disse enfim. — Dessa vez eu deixo. Mas depois… nós vamos conversar.

Shern assentiu rápido.

Cailynm virou de costas sem dizer nada e subiu a rampa da Alghoryn com passos duros.

Garwin começou a segui-la, mas parou no meio do caminho. Virou o rosto para Arastine.

Ela estava parada, observando Shern. Nenhum músculo do rosto dela se moveu.

Garwin falou sem levantar a voz:

— Você e eu temos muito a conversar.

Arastine apenas inclinou o queixo, mínima e lentamente.

A porta do alojamento fechou, abafando o som distante dos mecânicos no estaleiro. O quarto estava em meia penumbra; a luz azulada do cristal de leitura se refletia nas paredes metálicas, fria e imóvel.

Cailynm entrou primeiro. Os ombros estavam tensos, e o passo firme marcava o chão com raiva contida.

Garwin veio logo atrás.

Ela parou no centro do quarto, sem olhar para ele.

— Você me desautorizou — disse, a voz baixa e firme. — Na frente de todo mundo.

Garwin inspirou devagar, escolhendo o ritmo mais que as palavras.

— Eu não podia negar ajuda aos mecânicos. Eles estavam feridos, assustados. Nós tínhamos como ajudar.

— Podia negar, sim. — Ela virou o rosto; a luz desenhou a linha rígida da mandíbula. — Podia ter dito “não” como pai. Como mãe. Como família.

— Se mais diabretes saíssem e alguém morresse enquanto eu dizia “não”, o que você ia fazer?

Cailynm deu um passo para ele.

— Isso não é sobre mecânicos. — Tocou o próprio peito. — É sobre a nossa filha.

Garwin apoiou a mão no encosto da cadeira, firme, mantendo a postura.

— Eu vou conversar com ela. Vou conversar com a Arastine. Eu sei que—

— Sabe? — Ela cortou, rápida. — Então me explica. Me explica por que essa mulher entra e sai da nossa nave quando quer. Por que decidiu treinar a nossa filha sem falar comigo. Por que tudo que eu digo é atropelado quando Arastine dá um sorriso e passa a mão no ombro da Shern.

O silêncio que se seguiu pareceu ocupar todo o quarto.

Garwin se aproximou um passo.

— Cailynm… lembra da vez da Quindia? Você agiu sozinha porque estava com medo. Fez tudo para proteger a gente. E ninguém te culpou. Nem eu.

O corpo dela ficou rígido ao ouvir o nome.

Garwin continuou, sem levantar a voz:

— O que aconteceu com a cidade da Arastine também quebrou ela. Ela perdeu um olho, quase morreu, lutou por nós, lutou por você. E nunca cobrou nada. Nunca jogou nada na cara de ninguém.

— A mártir perfeita — ela soltou, num sopro áspero.

Garwin respirou fundo; o ar do quarto pareceu mais pesado.

— Ela não é mártir. Mas está ferida. E pessoas feridas fazem coisas confusas. Você sabe disso melhor do que ninguém. Isso não quer dizer que eu esteja escolhendo ela ao invés de você. Eu só estou tentando entender o que está acontecendo antes de sair acusando.

Cailynm aproximou o rosto do dele, sem encostar.

— Enquanto você “entende”, ela está pegando a nossa filha pra si. Está ocupando o meu espaço. 

A voz dela vacilou por um instante.

— E eu não tenho mais tanto espaço assim, Garwin. Você sabe.

Garwin ergueu as mãos e tocou os braços dela de leve.

Ela não recuou, mas o corpo ficou tenso.

— Eu não quero que ela tome o seu lugar — disse ele. — Nem que use a Shern pra nada. Mas eu preciso saber se ela está fazendo isso de propósito ou não. Não posso chegar acusando sem saber.

Cailynm afastou as mãos dele.

— Você vai conversar com ela. — Os olhos dela estavam firmes, brilhando nos cantos. — Mas olha pra mim: você quer ver a nossa filha morta? Ensanguentada? Por causa de uma guerra que nunca foi dela?

— Arastine jamais—

— Não fala isso. — A frase dela veio afiada. — Você não sabe. Não sabe mais do que ela é capaz. Nem do que pode convencer uma criança a fazer.

Garwin abriu a boca, mas ela ergueu a mão, encerrando tudo.

— Eu não estou pedindo pra você escolher entre nós duas. — Ela respirou fundo. — Estou pedindo pra você proteger a nossa filha.

Ela passou por ele, abriu a porta e, antes de sair, completou sem olhar para trás:

— Essa situação não pode continuar assim. Coloque essa mulher no lugar dela.

A porta fechou devagar atrás dela.

***

O ar do estaleiro estava pesado com cheiro de magia residual. Faíscas saltavam do casco de Giezer enquanto mecânicos raspavam o que restara da crosta infernal.

Thurstan apoiou-se na grade lateral, comendo uma fruta. Arastine estava a alguns passos, observando Shern ajudar os mecânicos, enquanto eles empurravam restos de metal contaminado para dentro de um contêiner de descarte.

— Tá treinando ela em segredo — disse Thurstan, sem encará-la.

Arastine permaneceu olhando Shern.

Thurstan deu outra mordida lenta na fruta.

— Eu conheço esse silêncio. — Ele fez um gesto com a mão. — É o mesmo que você fazia antes de dar aquele blefe no carteado.

Arastine soltou um riso curto, sem alegria.

— A menina é talentosa.

— Talento eu também tenho — disse ele. — Mas não consigo pulverizar vinte diabretes com uma mãozinha levantada.

Arastine virou o rosto na direção dele.

— Ela nasceu assim. Você conhece a origem dela. Não fui eu que fez aquilo.

Thurstan ergueu as sobrancelhas.

— Mas é você que está afiando a lâmina. Já pensou que ela pode cortar gente errada?

Arastine apertou o corrimão.

— Alguém precisa preparar essa menina. Olha o mundo. — Ela indicou o estaleiro com o queixo. — Quem vai proteger essas pessoas quando o próximo portal selvagem abrir? Você?

— Eu? — Thurstan bateu no próprio peito, rindo. — Eu mal protejo minhas botas. Mas ela tem pai e mãe, sabia? Eles deveriam decidir isso.

Arastine desviou o olhar.

— A mãe… — Ela ajeitou o cabelo atrás da orelha. — Desde que não conseguiu ir pra cama com aquele demônio, nunca mais ficou certa da cabeça. A menina sente isso. Eu também sinto.

Thurstan parou de mastigar.

— Arastine… isso foi baixo.

Ela não respondeu.

Apenas observou Shern de novo — os olhos estreitos, medindo movimento, potência, controle.

Thurstan cruzou os braços.

— Se isso der errado, vai ser algo feio.

Arastine curvou um sorriso pequeno.

— Acha que eu estou criando um monstro?

— Eu acho que você não tá nem aí. Desde que ela esteja na sua revolução — disse ele.

Arastine não respondeu.

Um mecânico derrubou uma peça, o barulho ecoou pelo estaleiro.

O sorriso dela voltou, fino.

— Ela vai ter um papel importante no que está por vir.

Thurstan engoliu em seco. O humor leve sumiu do rosto dele.

— Arastine… você tá cruzando uma linha perigosa. Podia ser mais honesta com eles.

— Garwin vai entender. — disse ela.

— É… — Thurstan soltou uma risada curta, vazia. — Nem meu pai aceitaria uma traição assim.

— Seu pai nos vendeu por poucas moedas. Ou esqueceu?

— Nunca esqueci quem é o meu pai. Nem esqueço quem é você.

Arastine voltou a olhar Shern — o brilho nos olhos não era afeto, nem orgulho. Era cálculo.

Thurstan observou também.

Desta vez, não disse mais nada.

***

Garwin surgiu na rampa da Alghoryn com passos longos e o rosto fechado. Abaixo, mecânicos recolhiam pedaços de diabretes espalhados pelo chão. Shern permanecia próxima de Giezer, observando enquanto ele apontava para o casco do próprio aeroplano.

Na rampa, Thurstan e Arastine estavam encostados no corrimão. Ambos olharam quando viram Garwin se aproximar.

Arastine descruzou os braços apenas para cruzá-los de novo.

— Se é pra brigar, fala logo. — disse ela. — Eu já sei o que você vai dizer.

Garwin parou diante dela, sem responder.

— Vamos conversar em outro lugar.

Arastine inclinou a cabeça de leve, o olhar estreito.

— Aqui serve.

Garwin fez um gesto convidando-a a seguir. Sem acrescentar nada, virou-se e começou a descer a rampa.

Thurstan observou os dois por alguns segundos antes de soltar um suspiro e olhar de volta para o estaleiro.

Arastine desceu atrás de Garwin, os passos curtos e tensos.

No caminho gramado que levava à encosta, ela soltou um resmungo abafado pelo vento. Garwin não respondeu. Continuou subindo em silêncio.

A trilha estreita rangia sob as botas, o mato se dobrava ao toque dos pés, e o vento empurrava o casaco dos dois conforme subiam. O barulho distante das ferramentas do estaleiro chegava como um eco metálico.

No topo da montanha, a luz incidia direto e projetava sombras longas sobre o campo. A grande pedra plana estava ali, intocada pelo tempo. Garwin tocou a superfície com a mão e apontou para que ela se sentasse.

— Senta aqui.

Arastine permaneceu rígida por alguns instantes antes de se sentar. Apoiada nos joelhos, mantinha os ombros tensos.

Garwin sentou-se também, deixando uma distância entre eles. Ficou alguns segundos olhando o horizonte antes de falar:

— Faz quinze anos que eu vim aqui pela última vez. Eu e a Cailynm ficamos exatamente aqui, aquela vez, quando a Alghoryn quebrou. A gente não sabia o que fazer.

Arastine não comentou. O vento levantou uma mecha do cabelo grisalho dela.

Garwin continuou ajeitando as mãos sobre as pernas:

— Quando eu te deixei com a Shern, foi porque eu sabia que você cuidaria dela.

Arastine virou o rosto parcialmente, o maxilar firme, mas permanecendo em silêncio.

Garwin ergueu a mão, pedindo calma.

— Me deixa terminar.

Ela ficou imóvel, observando a paisagem.

— Hoje eu vi a Shern usar uma magia que eu nunca tinha visto. Forte demais. Perigosa demais pra alguém tão nova.

O peito de Arastine subiu e desceu com mais peso, mas ela não falou.

— Eu sei que não foi você quem ensinou aquilo. — disse ele. — Mas me incomodou ninguém ter me contado. Nem ela. Nem você.

Arastine enfim virou totalmente o rosto para ele.

— Eu não devo satisfação pra—

Garwin ergueu a mão de novo, interrompendo-a sem tocar.

— Agora não. Por favor.

O silêncio dela endureceu, e os dedos apertaram a borda da pedra.

Garwin continuou:

— Shern é muito nova. Coisas como aquilo… passam do que ela consegue segurar. Ela pode se machucar. Pode machucar qualquer um. Pode até um dia destruir a Alghoryn.

Arastine soltou o ar pelo nariz.

— Ela precisa estar preparada, Garwin. — disse, a voz baixa porém firme.

— Preparada pra quê? — perguntou Garwin, ainda controlado. — Pra sua revolução?

Arastine virou o corpo inteiro para ele. Os ombros estavam tensos; o olho único brilhava sob a luz direta.

— A cidade era minha. Tomaram tudo. Não vai voltar sozinha.

Garwin sustentou o olhar.

— Eu sei. Eu quero que você tome de volta. Vou ajudar. Vou doar dinheiro. Vou falar com pilotos. O que for preciso.

Arastine piscou devagar, mantendo o rosto impassível.

Garwin se levantou.

— Mas a Shern fica fora disso. De tudo isso. Se você tiver que enfrentar necromantes, matar metade do povo de Sam Brehim, virar o inferno do avesso… faça. Mas deixa ela fora. Promete isso.

O vento passou entre eles. Arastine não respondeu. O silêncio dela ficou reto, inquebrável, sem indicar concordância.

Garwin ajustou a alça do macacão.

— Vou considerar esse silêncio como um “sim”. Eu confio em você.

Ele começou a descer.

Arastine permaneceu sentada, imóvel, o olhar preso em algum ponto distante.

Quando Garwin já estava a vários metros, ela chamou:

— Garwin.

Ele parou e virou o rosto.

Arastine falou sem alterar a postura:

— Eu vou respeitar a sua vontade.

Garwin assentiu uma única vez, breve, e continuou descendo a encosta.

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