Volume 2
Capítulo 17: O Poder dos Peixe Inseto
O barco adentrou a coluna negra como quem mergulha num sonho. O céu — um manto de azul escuro mesclado a cinza pesado — se movia devagar, como se respirasse. O mar, liso e espesso, refletia os clarões distantes que rasgavam as nuvens.
O primeiro trovão fez o convés vibrar. O som veio de todos os lados, grave o bastante para fazer o peito doer.
Thurstan girava o leme, atento às engrenagens que rangiam sob o piso.
— A direção ainda responde, mas parece que o mar tá mais denso. — disse, franzindo o cenho e lançando um olhar rápido para o golem.
Garwin caminhou até ele, os olhos percorrendo o horizonte sem fim.
— Deve ser por causa da água. Tem menos ondas. Continua. Enquanto o golem aguentar, a gente segue. — falou em tom firme, mas sem esconder a tensão na voz.
Atrás deles, o golem soltava vapor pelas juntas; a cada relâmpago, as placas de metal brilhavam, transformando-o num farol vivo.
Cailynm se protegeu do vento, o casaco agitado contra o corpo.
— Nem o vento se mexe direito… Isso é normal? — perguntou, olhando para o céu como se esperasse que o próprio ar respondesse.
Garwin manteve o olhar fixo à frente.
— Nada aqui é normal. Não esquece que estamos em outro mundo. Mas se o gás vier fácil, já vale o risco. — disse, e o reflexo do raio seguinte desenhou o contorno de sua mandíbula rígida.
Outro trovão rasgou o ar. Pedras grossas de granizo começaram a cair, batendo no convés como dedos de vidro. O grupo se abrigou sob a cobertura da casaria. O calor e o frio se misturavam — o ar fervia e gelava ao mesmo tempo.
Arastine ergueu o rosto, os relâmpagos refletindo em seus olhos azuis.
— O problema não é o gás. — disse, pausadamente. — Acho que tem alguma coisa aí dentro. Algo que só os tolos ousam provocar.
Por um instante, ninguém respondeu. Mais trovões preencheram o espaço. O barco avançava sobre um mar parado, como se deslizasse sobre vidro líquido.
Thurstan soltou o ar num assobio curto, tentando disfarçar o nervosismo.
— Então está nos chamando de tolos? — perguntou com um meio sorriso que não alcançou os olhos.
— Acho que sim. — respondeu Arastine, ainda imóvel, o olhar distante. — Não pode ser tão fácil assim. — A voz soou baixa, quase afogada pelo trovão seguinte.
Garwin se aproximou dela, os passos firmes apesar do convés úmido.
— O que você acha que é? — perguntou, observando-a com atenção.
Arastine baixou o olhar por um instante antes de responder.
— Um dragão azul ou coisa do tipo. — murmurou, o tom mais de quem teme acertar do que de quem especula.
Garwin esboçou um sorriso breve, sem alegria.
— Sabe como são os dragões. Se tivesse um aqui, já teria nos percebido. — disse, voltando o olhar para o horizonte elétrico.
— Pois é. — respondeu ela, cruzando os braços e recuando um passo, o rosto agora meio na sombra. — Mas é só uma suposição. — A frase ficou suspensa no ar, como se o vento também esperasse pela confirmação.
O mar parecia respirar junto com o barco.
Entre cada trovão, o silêncio era tão espesso que se ouvia o chiado da roda de pás e o ranger das madeiras do casco. Então, um som diferente — um estalo leve, depois outro — fez todos olharem para as gaiolas laterais.
Os peixes-inseto começaram a vibrar. As asas translúcidas batiam sob a água como lâminas finas, e o corpo metálico refletia os relâmpagos que riscavam o céu. Um por um, começaram a flutuar, presos às correntes que limitavam o alcance. Dentro d’água, lampejos azulados se espalhavam como um campo de estrelas vivas.
Cailynm se inclinou sobre a borda, fascinada.
— Olha só isso... a caçamba tá ficando viva! — disse, a voz quase um sussurro entre a chuva.
Arastine também ajoelhou perto do tanque, enquanto apertava as juntas da válvula.
— Não podemos deixar nada vazar. A vedação precisa segurar até que a cor mude. — respondeu, sem desviar os olhos. — Se o gás escapar, perdemos tudo.
As criaturas subiram um pouco mais. O brilho se intensificou.
Algumas atingiram o limite da corrente e pararam, os corpos inchando, pulsando com luz azulada. Outras começaram a cair pesadas de volta — uma das gaiolas bateu na borda da caçamba, e caiu para fora. Quando o peixe tocou o mar, liberou um jato luminoso que se apagou aos poucos, dissolvendo o gás na água.
Garwin observava de pé, o olhar atento a cada movimento.
— Quando começarem a cair, recolham. Os cheios vão ficar pesados. — disse, a voz firme sobre o trovão.
Thurstan correu para o lado oposto, puxando uma das correntes com esforço. Os peixes que ainda brilhavam foram recolhidos com cuidado. Cailynm os guiava até a borda para que caíssem dentro da caçamba, onde a água já tremulava em tons de azul e lilás.
O brilho aumentou. A água parecia se transformar num líquido vivo, cortado por pequenas bolhas que subiam em espirais. Quando os peixes liberavam o gás, o corpo deles ficava leve outra vez e voltavam a flutuar, prontos para reiniciar o ciclo.
Thurstan soltou uma risada, o rosto iluminado pela luz azul.
— Dá pra encher um barril muito rápido!
Garwin manteve o tom pragmático.
— Então façam isso render antes que alguma coisa aconteça. — disse, cruzando os braços.
O golem girava a roda de pás lentamente, mantendo o barco estável.
Cailynm, agora com o rosto suado pelo calor, ajustava uma das alavancas para drenar a caçamba. A válvula abriu-se com um silvo, despejando parte da água luminosa em recipientes de barro. Arastine tampava as vasilhas com firmeza, as mãos brilhando sob o reflexo do gás.
— Nunca pensei que veria isso dar certo. — disse Cailynm, sem esconder o espanto.
— Nem eu. — respondeu Arastine, mais séria. — Mas é assim que começa. Um pouco de sorte, um pouco de ganância… e pronto, viramos coletoras de gás trovão.
Assim que a caçamba esvaziou, os peixes voltaram a flutuar, sintetizando mais gás através de seus corpos.
— Muito bom. — disse Thurstan, girando uma válvula. — Agora é só abrir isso aqui...
Um chiado metálico ecoou quando a válvula liberou nova água para a caçamba.
— Pronto. — disse ele, satisfeito. — Cheia de novo.
Garwin se aproximou das duas.
— Vamos encher mais essa caçamba e já chega por hoje. — disse, olhando o horizonte escuro. — Assim saímos antes que anoiteça. Amanhã levamos tudo pro velho Korr e vemos quanto isso abate da dívida.
Thurstan riu, enxugando o suor da testa.
— E se ele reclamar, vendemos pros outros piratas. Quero ver a cara dele com isso!
Cailynm respondeu com um sorriso cansado.
— Então trate de guardar bem, porque amanhã, quando o sol nascer, já estaremos de volta, meu caro.
O trabalho recomeçou. As mãos se moviam rápidas, o som das correntes se misturando ao murmúrio do mar. A água na caçamba pulsava num ritmo próprio, viva, como um coração de luz.
De tempos em tempos, um peixe saltava, libertando uma onda cintilante que iluminava os rostos do grupo.
Quando a segunda coleta terminou, o tanque brilhava em tom uniforme — um azul intenso que lembrava o do repelente usado na partida. O reflexo dançava sobre os rostos deles, dando àquela pequena tripulação um ar de lenda.
Thurstan levantou o olhar e apontou para o alto.
— Olhem! Lá em cima!
Acima das nuvens, uma faixa de luz cruzava o céu. Era um cardume inteiro de peixes-inseto, voando como estrelas arrastadas pelo vento. As asas faiscavam, e o som era um zumbido distante, quase melódico.
Arastine observou em silêncio, a expressão entre o assombro e o receio.
— Então é daqui que esses peixes vêm…
Garwin não desviou o olhar.
— E provavelmente voltem para a água quando estiverem cheios. — disse, baixo. — No futuro podemos pescar eles pra coletar mais rápido.
O mar permaneceu quieto, como se escutasse.
As luzes subiram mais alto, desaparecendo nas nuvens, e o barco continuou seu curso — pequeno e frágil sob o céu elétrico.
Com um comando de Garwin, o barco deu meia-volta e rompeu o véu da tempestade, emergindo de volta ao mar aberto.
O som dos trovões ficou para trás, substituído pelo farfalhar tranquilo das ondas curtas batendo no casco. O céu ainda era pesado, mas sem relâmpagos. O ar parecia mais leve — quente e salgado — como se o perigo tivesse ficado preso dentro daquela nuvem.
A caçamba brilhava num azul intenso. A água pulsava devagar, refletindo o balanço suave do barco, e o convés se iluminava com aquele brilho líquido, como se o próprio mar tivesse virado luz. Ao redor, as vasilhas de barro estavam empilhadas, tampadas e seladas com cera — um trabalho limpo, preciso.
Cailynm passou a mão pela borda da caçamba, sorrindo.
— Com isso, vamos comprar outra Alghoryn em breve.
Thurstan, sentado sobre uma das tampas, soltou uma risada curta.
— Ou dois barcos novos, se pechincharmos direito.
Arastine ajeitou a trança do cabelo bagunçado pelo vento e olhou para o horizonte.
— E pagar a dívida do velho Korr de uma vez.
Garwin mantinha o leme, o olhar fixo na linha distante onde o céu tocava o mar.
— Barcos novos estão fora de questão — disse, sério. — Afinal, só restou essa lata velha aqui. E tem o preço também. Até agora, não sabemos quanto isso vale.
Cailynm cruzou os braços, meio risonha, meio contrariada.
— Ai, amor... que balde de água fria. Você tá muito tenso. O que tá acontecendo?
— Nada nessa vida vem tão fácil — murmurou ele. — É estranho, só isso.
Cailynm se apoiou na borda, ainda sorrindo.
— Estranho é finalmente dar certo, só isso.
Arastine o olhou de lado.
— Até o mar tá quieto demais — disse, seca.
— Deve ser assim mesmo. — respondeu Cailynm, rindo. — Não é, Thurstan?
O garoto não respondeu. Continuava no leme, concentrado.
Arastine estreitou os olhos.
— Eu sempre tô certa — disse, sem tirar o olhar do mar.
Garwin se aproximou da caçamba e ajudou a abrir uma das válvulas. A água azul escorreu devagar pelos tubos, enchendo as vasilhas. O som era baixo, constante — quase um sussurro.
— Vamos terminar isso e procurar um lugar seguro pra acampar — disse ele. — Pode ser na baía ou no continente. Desde que seja calmo.
O mar se estendia até onde a vista alcançava, um tapete cinzento e irregular.
A luz do fim de tarde filtrava-se com dificuldade entre as nuvens, tingindo tudo de cobre e sombra.
Thurstan estreitou os olhos, enquanto segurava o leme.
— O que... o que é aquilo? — murmurou, a voz seca.
Cailynm se levantou, limpando as mãos na roupa.
— Parece... parece um navio voador.
O vulto se aproximou lentamente. Um clarão breve refletiu nas superfícies metálicas —
e o que parecia pedra revelou-se ferro. Um casco costurado por chapas irregulares,
placas de cores diferentes presas com correntes. De cada lado, seis velas-foles batiam em ritmo compassado, lançando vapor rosado no ar.
O som era grave, um sopro vivo que parecia vir de uma garganta metálica.
Garwin manteve os olhos fixos, o maxilar travado.
— Não... — disse baixo. — É aquele aeroplano. O da caverna.
Arastine apoiou as mãos no parapeito, o olhar frio.
— O que ele tá fazendo aqui?
Garwin respondeu sem desviar os olhos da máquina.
— Não sei... mas tenho um mau pressentimento.
O aeroplano avançava devagar, e o vento começou a mudar. Um rugido metálico percorreu o ar, fazendo o convés vibrar sob os pés da tripulação. O som parecia vir de todos os lados, pesado, profundo — como se o mar inteiro respondesse àquela presença.
Cailynm prendeu a respiração.
— Ele tá vindo pra cá...
Garwin não respondeu. Apenas firmou a mão sobre o leme, ao lado de Thurstan,
enquanto o vulto crescia, tomando o céu à frente.
O convés estava úmido, as cordas tensionadas pelo vento que soprava da tempestade. Arastine se virou para Garwin, o rosto parcialmente encoberto pelo cabelo molhado.
— E agora, o que vamos fazer?
Garwin abriu a escotilha da cabine e vasculhou entre cabos e runas partidas. Um estalo metálico soou — o comunicador, preso à parede, crepitava em faíscas azuis. A voz de Korr atravessou o ar, rouca e fria, misturada ao chiado da estática.
— Então acharam que iam se dar bem sem taxas.
Garwin ergueu a cabeça. O rosto perdeu cor; o ar parecia mais denso em volta dele.
— Então era isso? Você nos mandou pra morrer?
O silêncio veio rápido e absoluto.
— Responda! — gritou, a voz estourando como o trovão ao redor.
Thurstan avançou até a roda, os dedos sujos de óleo tremendo sobre uma corrente.
— Garwin, isso é problema! — disse, com mais desespero do que convicção. — A gente precisa sair daqui!
Arastine virou o rosto, o olhar varrendo o horizonte.
— E pra onde? — perguntou, seca. — Olha em volta. Só tem mar.
O ar vibrou antes do som. Um clarão cortou o céu, seguido de um estampido grave que fez o convés tremer. O primeiro disparo caiu perto — um jato de água subiu, espirrando sal e estilhaços por toda parte.
O barco gemeu.
Garwin se jogou contra o leme.
— Abaixem-se! Segurem as vasilhas!
Arastine agarrou um recipiente com as duas mãos, os músculos tensos.
— E de que adianta isso? Ele é quem ia comprar! Agora tá nos matando!
— Bobagem! — respondeu Garwin, sem desviar o olhar. — Eles precisam desse gás, senão não conseguem navegar!
Cailynm prendeu a alça da caçamba, os dedos brancos.
— Cailynm, sai da borda! — gritou Thurstan. — Essa porcaria sacode e te joga pra fora!
Outro disparo ribombou. A onda levantou o barco, e a caçamba balançou com força.
Garwin olhou para os lados, rápido.
— Ele vai nos matar. Ali! — apontou para o véu negro da tempestade.
Girou o leme com violência. O barco respondeu devagar, o casco protestou com um rangido enquanto virava. O golem soltou vapor azul pelas juntas, a roda de pás girando com esforço.
Thurstan lutava contra o vento, o rosto coberto por respingos.
— O que nós vamos fazer agora?
— Nos esconder nessa tempestade — respondeu Garwin, firme. — Se ele seguir, tentamos despistar. Mas se ele ficar… — as palavras morreram sob o rugido dos canhões.
Cailynm ergueu uma vasilha tombada.
— Vocês não entenderam? — gritou. — Isso tudo é uma armadilha! O pai de Thurstan tá com eles!
Garwin virou-se de súbito.
— Como assim?
Mas a resposta se perdeu quando o aeroplano atravessou aquela cortina tempestuosa, surgindo atrás deles como uma sombra viva.
Arastine cerrou os olhos.
— Eu sabia que isso era estranho. O pai ausente de vida inteira, de repente receptivo... Ele tá no jogo também.
O segundo disparo veio certeiro. Um projétil rasgou a popa com um golpe seco — o casco gemeu, e uma nuvem de vapor quente se ergueu do ponto atingido. A roda de pás quebrou, e uma corrente se soltou, chicoteando o ar. O golem emitiu um som agudo, quase humano.
— O motor! — Thurstan gritou. — A roda! — A voz morreu quando o mecanismo travou com um estalo seco.
Por um instante, só o som da água entrando.
Depois, o pânico.
O barco inclinou, a caçamba balançou, e um filete de líquido azul escorreu pelo convés antes de se dissipar.
Garwin agarrou o leme, o corpo inteiro em tensão.
— Thurstan! Ajuda aqui! Vamos tira o barco da linha de fogo!
Thurstan obedeceu, mas o golem soltou uma sequência de estalos — engrenagens quebradas, ferro rasgado, faíscas saltando. Tentou acionar a roda reserva; travou com um gemido metálico.
Os canhões rugiram outra vez. Colunas de água ergueram-se, desabando sobre o convés. Cordas se romperam. Vasilhas voaram. Garwin pulou sobre a madeira molhada enquanto parte da casaria desabava.
O cheiro de pólvora tomou o ar.
— Não temos poder de fogo! — gritou Cailynm, entre o desespero e o choro. — E nem a roda!
— Ali! — bradou Garwin, apontando a muralha de nuvens. — Vamos usar o que restou do motor pra entrar lá!
— Naquela nuvem negra? Isso é suicídio! — gritou Cailynm. — A gente vai se perder!
— É isso ou morrer parado! — rebateu Thurstan, amarrando as cordas.
O caos virou método. Cordas arriadas, caixas presas, vasilhas empilhadas. Garwin girou o leme com força, e a proa rasgou o ar em direção à tempestade.
O último disparo atingiu mais uma vez a popa. A roda se despedaçou por completo, mas o impacto empurrou o barco — um golpe brutal que o lançou direto para dentro da escuridão.
A tempestade os engoliu.
A visibilidade caiu de uma vez. Raios cortavam o ar, fazendo o chão vibrar. O som dos canhões ficou distante, abafado, enquanto o aeroplano se tornava apenas um vulto oscilante na névoa elétrica.
O convés ardia em pequenos focos. O grupo, encharcado e exausto, mal respirava.
— Qual o estado do motor? — perguntou Garwin, a voz seca.
— Que motor? — respondeu Thurstan. — O golem tá destruído, e a roda… perdida.
— Então o barco não tem propulsão?
— Só se for no braço. — disse Arastine.
— E como vamos remar isso aqui? — gritou Thurstan. — Olha o tamanho!
As gaiolas dos peixes-inseto tremulavam, emitindo lampejos fracos. O vento sibilava nas cordas soltas.
O barco, sem força e com a popa partida, descia devagar sobre o mar denso.
Mais longe, um trovão respondeu — longo, profundo, quase como um riso.
O som dos canhões cessou.
O aeroplano sumiu atrás do véu elétrico.
O silêncio veio pesado, como se o ar tivesse sido arrancado do mundo. As cordas batiam devagar no mastro, o som seco ecoando na névoa.
O barco deslizava quase sem ruído, cercado por clarões distantes.
Thurstan limpou o rosto, o olhar perdido entre os relâmpagos.
— A gente… conseguiu escapar?
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios