Shern Brasileira

Autor(a): Richard P. S.


Volume 2

Capítulo 11: A Corrida

A areia subiu em redemoinhos atrás deles quando Thurstan inclinou o corpo e tomou a dianteira.

— Tá lento, capitão! — gritou, o sorriso atravessando o vento.

Garwin virou o rosto, o leque de areia do colega à frente o castigando; ajustou o acelerador, e a libélula branca respondeu num salto curto.

— Continua achando isso... enquanto pode.

— Essa foi muito fácil, Arastine! — Thurstan puxou a moto pra esquerda, subindo por uma duna inclinada. As asas vibraram forte, soltando faíscas etéreas.

Arastine se agarrou mais forte à cintura dele, o cabelo chicoteando.

— Thurstan, cuidado! Não vê que num salto desses pode ter uma rocha pontuda escondida?

Ele riu sem diminuir a velocidade.

— Relaxa, ela aguenta!

Garwin desviou de um jato de poeira, o olhar fixo, o corpo inclinado com precisão.

— Sem vergonha. Tá cortando caminho — disse, baixo, sem tirar o foco do terreno.

Cailynm se inclinou para o lado, acompanhando a manobra.

— Se ele continuar assim, a gente vai perder ele de vista, né?

— Calma, ainda não tá tudo perdido. — O tom dele era calmo, mas o maxilar estava tenso.

— Já desapareceu dos meus olhos, Garwin? — disse Thurstan, virando meio corpo para trás, o sorriso escancarado. — Achei que fosse mais rápido que isso!

A libélula autômata de Thurstan finalmente pousou num terreno plano. Garwin vinha mais atrás pelo mesmo caminho, porém era só um ponto no horizonte.

Thurstan riu, balançando a cabeça, o vento bagunçando os fios loiros.

— Você chama isso de correr? Parece que tá levando uma carroça!

— Thurstan, seu idiota — disse Arastine, olhando para trás. — Você não percebeu?

— Perceber o quê? — ele virou rápido, franzindo o cenho.

— Eles vão nos passar!

— O sol tá te fazendo delirar?

— Eu delirando? Não percebe que ele ficou em terreno plano?

— Sim, e daí?

— E daí que ele tava fazendo isso pra tomar velocidade, seu idiota!

— Bobagem.

— Bobagem é? — Arastine bufou, os dedos cravados no tecido do casaco dele. — Você esquece muito fácil as coisas. Garwin foi nosso capitão. Ele se adapta com facilidade às coisas.

Thurstan ficou em silêncio por um momento, o olhar duro, refletindo o brilho do sol na viseira.

— Então, se for assim...

O loiro respondeu acelerando. A libélula negra e vermelha rugiu e saltou de um aclive, cortando o ar num arco elegante antes de tocar o chão com suavidade. Arastine soltou um palavrão, agarrando-se mais firme à cintura dele.

— Você é completamente doido! — gritou, o cabelo batendo contra o rosto. — Vai acabar nos matando!

— Tá vendo só? — respondeu Thurstan, rindo sem olhar pra trás. — Agora ele vai ter que fazer uma volta enorme pra nos pegar!

— Isso não vai servir de muita coisa se a gente cair, seu babaca!

Atrás deles, Cailynm tentava não rir, escondendo o rosto atrás do ombro de Garwin.

— Parece que eles venceram — murmurou ao ouvido dele.

— Calma, ainda nem passaram o primeiro portal — respondeu Garwin, curvando-se um pouco mais para reduzir o vento.

A duna seguinte era mais alta. Thurstan desviou por uma trilha íngreme, jogando areia pra todo lado. Garwin saltou. A altura da duna somada à velocidade acumulada fez com que eles caíssem num pouso leve alguns metros à frente de Thurstan.

— É, acho que ele aprendeu alguma coisa — disse Thurstan, emparelhando-se ao lado dele, com um meio sorriso desafiador.

— Ainda bem que ele perdeu tempo se exibindo — respondeu Garwin, o olhar impassível, o punho firme no acelerador.

Arastine riu alto.

— Viu? Eu avisei!

— Não vai durar — respondeu o loiro, apertando o acelerador.

O portal apareceu ao longe, um arco de metal elevado muito acima da linha de dunas. A luz azulada pulsava em intervalos lentos, iluminando a areia ao redor com reflexos frios. Ao lado dele, alguns aeroplanos guardavam a passagem.

Cailynm apertou Garwin com força, o olhar fixo.

— É aquele o portal certo?

Garwin assentiu, a voz firme.

— Sim. Mas é feito para aeroplanos. A gente vai ter que saltar.

— Saltar?! — ela se segurou mais forte à cintura dele, os olhos arregalados. — Você tá falando sério?

— Totalmente. — ele respondeu sem humor, ajeitando a postura. — Fica firme.

Thurstan ergueu o punho, gritando sobre o zumbido das asas.

— Agora eu quero ver do que você é feito, capitão!

— Vai na frente, garoto — disse Garwin, diminuindo o ritmo. — Só não erra o ângulo.

O loiro inclinou o corpo e acelerou com tudo. A libélula negra subiu pela duna, o som agudo aumentando até se confundir com o rugido do vento. O salto veio num clarão de areia — por um instante, ficaram suspensos no ar, silhuetas recortadas contra o pôr do sol.

— Thurstan! — Arastine gritou, o tom entre susto e fúria. — Eu vou te matar quando isso acabar!

A duna se desfez sob eles, e o construto atravessou o portal num lampejo azul. O ar estalou como vidro trincando, e o som desapareceu por um instante.

Garwin observou o rastro de luz por meio segundo, depois respirou fundo e girou o acelerador.

— Agora é a nossa vez.

Cailynm fechou os olhos, o corpo tenso, as mãos firmes no casaco dele. A libélula branca e laranja ganhou impulso, subindo em curva limpa. O portal se aproximava rápido — um círculo de luz flutuando entre o ouro e o azul do horizonte.

O salto foi preciso. O som das asas vibrou alto, e, quando cruzaram o limiar, o mundo pareceu se torcer. O calor virou frio, o ar seco se transformou em brisa salgada. A areia não desapareceu — mas agora era de praia, refletindo o brilho do céu crepuscular. Rochas flutuavam acima da água rasa, formando um labirinto que se perdia até o horizonte.

Garwin ajeitou o corpo, reduzindo a velocidade.

— Amor, não acha que é perigoso correr perto dessas pedras? — perguntou Cailynm, o olhar tenso.

— Acho sim. Mas eu conheço esse lugar: Reino do Dragão, costa norte do continente. — Ele desviou de um bloco enorme de granito flutuante que girava lentamente.

Thurstan acelerou mais, abrindo distância entre eles.

— Acabou o tutorial, capitão. Agora começa a corrida de verdade.

Thurstan disparou pela areia úmida, o corpo inclinado, o vento arrancando risadas da garganta.

— Vamos ver se aguenta o ritmo, capitão! — gritou, a voz quase engolida pelo rugido do mar.

A libélula negra avançou entre blocos flutuantes, as asas vibrando em lampejos azulados. Arastine se curvou, agarrada à cintura dele, os cabelos chicoteando o ar salgado.

— Thurstan, cuidado! Essas pedras tão transformando a praia num labirinto!

— Estão paradas, não estão? Então dá pra passar sem bater!

A moto desviou de uma rocha menor e subiu no ar, cruzando um trecho antes de passar por baixo de outra. O deslocamento fez o bloco oscilar, e faíscas finas correram pela superfície, escorrendo para a areia como eletricidade estática.

Mais atrás, Garwin reduziu a velocidade. O olhar atento varria o cenário, cada pedra, cada reflexo.

— Isso não tá certo... — murmurou.

Cailynm colocou o seu rosto acima do ombro dele, os olhos atentos às rochas.

— O quê?

— Elas estão tremendo. — A voz dele era calma, mas grave. — Quando a gente passa perto, reagem.

— Reagem como?

— Como se fossem atraídas... ou repelidas. — Ele desviou de um bloco que girou lentamente sobre o próprio eixo. — O Etherdoorium tá interferindo.

Lá na frente, Thurstan passou por baixo de um bloco enorme de granito que, segundos depois, caiu sobre a praia, espalhando areia e detritos.

— Isso sim é paisagem! — gritou, empolgado. — Garwin vai tá cada vez mais encurralado!

— Daqui a pouco ele vai é resgatar os nossos corpos esmagados! — retrucou Arastine, entre raiva e medo.

Uma pedra menor estalou perto deles, girando no ar. Thurstan desviou por instinto, raspando na lâmina de água salgada.

Garwin viu o movimento e franziu o cenho.

— Cailynm, segura firme.

— O que vai fazer?

— Avisar ele antes que uma dessas pedras acabe caindo por cima.

Ele inclinou o corpo e acelerou. A libélula branca e laranja deslizou rente à água, levantando um leque de espuma.

— Thurstan! — gritou, a voz rompendo o barulho das asas. — Para! As rochas estão instáveis!

Thurstan olhou rápido por cima do ombro e riu.

— Droga, ele contornou pela praia! — disse, divertido. — Coma poeira, capitão!

— Thurstan! — Arastine empurrou o ombro dele. — Ele tá acenando!

— Tá tentando me distrair! — respondeu, desviando por entre dois blocos flutuantes.

Garwin esticou o braço, o gesto seco, quase militar, ordenando que reduzisse. Arastine viu de relance — e arregalou os olhos.

— Thurstan! Ele tá mandando você parar!

— O quê?

— Olha pra trás! — forçou-o a virar o rosto.

O olhar de Garwin encontrou o dele — sério, urgente.

O estrondo veio logo depois.

Uma rocha gigantesca, do tamanho de uma casa, soltou-se do ar e despencou na água. O impacto levantou um jato salgado que varreu ambos. Arastine gritou, e Thurstan quase perdeu o controle.

— Eu te avisei! — berrou ela. — Isso tá desabando!

— Verdade... — murmurou, firme no guidão, o riso sumindo. — Tá caindo tudo!

O som das asas se misturou ao retumbar grave das pedras batendo umas nas outras. Faíscas azuis riscavam o ar, dançando entre os blocos.

Cailynm gritou algo, mas o vento engoliu as palavras.

— Segura! — foi tudo que Garwin conseguiu dizer.

As pedras começaram a oscilar mais rápido — algumas se chocando, outras subindo como projéteis. Thurstan desviou por reflexo, quase raspando em uma que caiu logo atrás.

— Elas tão vindo por cima! — gritou Arastine. — Thurstan, faz alguma coisa!

— Eu tô tentando! Droga! Vou pra direita ou pra esquerda?!

Garwin passou por eles e fez sinal com o braço.

— Me segue! — ordenou. — É o Etherdoorium que tá deixando essas pedras instáveis!

Thurstan assentiu, o rosto tenso e suado.

— Certo... certo.

Mais uma rocha despencou à frente, levantando uma onda que os atingiu de lado. Eles derraparam sobre a água, mas se mantiveram firmes.

O som mudou — o zumbido das asas agora se misturava a uma estática azulada que vibrava no ar.

Cailynm olhou pra cima, o rosto molhado de sal.

— Garwin, o portal! — apontou.

Lá adiante, entre os blocos flutuantes, um arco de luz pulsava — o segundo portal, ainda distante.

Garwin assentiu, voz firme mesmo sob o caos.

— Vamos rápido e com cautela, senão vamos ser esmagados.

Thurstan engoliu em seco e acelerou para acompanhá-lo.

— Então vamos, capitão... antes que esse céu de rocha resolva cair de vez.

O vento vinha de todos os lados, carregando sal, areia e o som pesado das rochas se chocando. Garwin seguia na frente, o olhar fixo, o corpo inclinado sobre a libélula branca e laranja. Cada movimento era medido, preciso — cortes rápidos no meio do caos.

Atrás, Thurstan desviou de um bloco flutuante que desabou a poucos metros.

— Isso tá piorando! — gritou Arastine, os cabelos colando no rosto pelo vento e pela água. — Essas pedras não param de cair!

— Se a gente parar, elas caem em cima! — respondeu Thurstan, a voz tensa. — Segura firme!

Outra rocha do tamanho de um aeroplano passou girando sobre eles, soltando faíscas azuladas. O reflexo do Etherdoorium cintilava na areia e sobre a pele suada dos dois.

— Elas mudaram mais uma vez — murmurou Garwin, acompanhando o movimento das pedras que pareciam reagir à presença deles.

— Cailynm, fica atenta — disse, o tom grave, os olhos avaliando a distância entre um bloco e outro.

— Você sabe por que o Etherdoorium tá causando isso, não sabe? — perguntou ela, prendendo o corpo contra o dele.

— Sim. Ele tá saturando o magnetismo das rochas.

— Então... quanto mais perto a gente passa... —

— Mais instáveis elas ficam. — completou Garwin. — E ele ainda tá forçando potência máxima.

Cailynm olhou para trás, o coração acelerado. Thurstan era só um borrão vermelho e negro entre os blocos — e Arastine gritava sem parar.

— Thurstan! — ela berrou, mas o vento engoliu a voz.

Uma sequência de fragmentos menores se soltou do alto e começou a cair como uma chuva de granizo. Garwin desviou em zigue-zague, quase raspando no espelho d’água.

— Garwin, cuidado! — Cailynm se inclinou junto, instintivamente.

— Fica comigo — respondeu ele, baixo, firme.

À frente, Arastine empurrou o ombro de Thurstan.

— A gente devia voltar!

— Voltar pra onde?! — rosnou ele, desviando de um bloco que tombou logo atrás. — Não tem pra onde ir!

— Então vai! Segue o capitão, droga! — retrucou ela. — Não vê que estamos ficando pra trás?!

Thurstan olhou para frente — Garwin abria caminho entre as pedras, as asas da libélula branca deixando rastros luminosos no ar. Um bloco enorme despencou; Garwin passou por baixo no último segundo, e a pedra se espatifou atrás dele.

— Certo... — murmurou Thurstan, o rosto agora tenso. — O capitão já abriu a trilha. É só seguir.

Ele girou o acelerador, e o terreno piorava a cada metro. Rochas colidiam, o ar vibrava em azul, e o som era um rugido de metal, vento e magia.

Garwin desviou de uma pedra lateral e apontou com o braço, indicando uma abertura estreita. Thurstan entendeu o gesto e o seguiu logo atrás.

— A gente vai passar ali?! — perguntou Cailynm, o olhar fixo no corredor estreito.

— É a única saída — respondeu Garwin, os dentes cerrados.

As libélulas entraram juntas pelo vão. O ar comprimido vibrava ao redor. Faíscas cruzaram o espaço — uma delas atingiu o casco do construto de Thurstan.

— Droga! — gritou o loiro. — Essa porcaria de portal não aparece nunca!

— Mantém o curso! — berrou Garwin. — Se você parar, morre!

Arastine se encolheu atrás dele, os ombros tensos.

— Por que eu inventei de vir com você?!

— E perder o passeio? — respondeu Thurstan, forçando um meio sorriso. — Jamais!

O chão tremeu. Rochas despencavam de todos os lados, partindo a água em colunas altas. Cailynm se abaixou, o braço cobrindo o rosto.

— Garwin, olha! — apontou ela.

No horizonte, entre blocos gigantescos, o portal de saída pulsava — alto, azulado, suspenso no ar. Um último trecho de praia levava até lá, mas o caminho estava tomado por fragmentos em queda.

Garwin mediu a distância, os olhos firmes, calculistas.

— Vamos usar o paredão — murmurou.

— O quê?

— A elevação ali. — Ele apontou com o queixo. — Se pegarmos impulso, dá pra saltar até o portal.

Cailynm engoliu em seco. — E se não der?

— Vai dar.

Sem trocar uma palavra, Garwin olhou para Thurstan. O loiro entendeu o gesto — um aceno breve, silencioso.

Thurstan inclinou o corpo e acelerou. A libélula negra e vermelha rugiu, subindo pela parede de rocha como uma flecha. Arastine gritou, agarrando-se a ele quando o construto saltou do topo e mergulhou no brilho azul.

Garwin esperou meio segundo, depois puxou o acelerador.

— Agora.

A libélula branca disparou. Areia e sal explodiram atrás deles. O som das asas se misturou ao trovão das pedras desabando — e então, luz.

Eles atravessaram o portal num clarão azul; a luz se desfez, e o som do mar desapareceu.

Thurstan puxou o guidão e reduziu a velocidade. A libélula vermelha e preta tocou o chão firme, deslizando alguns metros antes de parar. Logo atrás, Garwin fez o mesmo — o pouso controlado, o metal rangendo até o silêncio se instalar.

O ar ali era outro. Brisa fria, cheiro de lenha queimada vindo da estrada abaixo. O sol já se escondia por trás das colinas, tingindo o céu de cobre.

Garwin desmontou primeiro. Ajeitou as calças úmidas, respirou fundo e sentou-se na grama. Cailynm fez o mesmo, os cabelos ainda molhados de água e areia grudando nas têmporas.

Thurstan caminhou até eles, as pernas bambas. Arastine chegou por último, tirando o sal dos olhos com o dorso da mão.

O loiro passou a mão pelos cabelos molhados, o gesto rápido, incerto.

— Que passeio, hein. — murmurou, meio rindo, meio sem fôlego.

Garwin levantou o olhar.

— Vamos ter que terminar nossa corrida outra hora.

Thurstan ergueu o rosto, o riso voltando aos poucos.

— Que corrida? — disse, cansado. — Você provou mais uma vez que é o capitão. Salvou nossas vidas.

Garwin ajeitou o manto, o movimento contido.

— Eu só abri caminho. Vocês seguiram.

Thurstan balançou a cabeça, um sorriso breve no canto dos lábios.

— E se não tivesse aberto? — respondeu. — A gente não tava aqui.

Cailynm soltou um suspiro curto, o olhar se perdendo no horizonte.
Arastine cruzou os braços, o rosto marcado de areia e sal, mas com um meio sorriso cansado.

— Thurstan… me diga que há uma hospedagem aqui perto. — disse ela.

O loiro apenas acenou, ofegante.

— Na vila.

O grupo ficou ali por um tempo, à beira da estrada. O vento frio batia nos mantos, o céu escurecia devagar.

Mais adiante, o vilarejo esperava — luzes pequenas acendendo uma a uma, o som distante de vozes, metal e lenha queimando.

Garwin olhou na direção das colinas.

— Vamos. — disse, baixo. — Antes que escureça de vez.

Thurstan montou de novo na libélula, o movimento leve, quase respeitoso.
Garwin o acompanhou. As duas máquinas voltaram a rugir, mas agora o som era mais contido — o ritmo, uniforme.

As asas brilharam sob a luz do crepúsculo, e o grupo seguiu pela estrada em direção às pequenas luzes que tremulavam no vale.

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