Volume 6
Capítulo 4: Management Game
NA MANHÃ SEGUINTE. No carro a caminho da academia, eu observava a paisagem pela janela, perdido em pensamentos.
— Itsuki-san, você está bem?
— Sim….
Shizune-san parecia preocupada comigo, mas, naquele momento, eu não conseguia reunir energia nem para fingir animação.
O fato de Suminoe-san ter comprado as ações da minha empresa era algo que Hinako e Shizune já sabiam. A notícia havia aparecido em destaque no noticiário do jogo, então Narika, Taishou, Asahi-san e os outros também ficaram sabendo. Depois que aquilo aconteceu, todos entraram em contato comigo por ligação ou mensagem, demonstrando preocupação.
— Itsuki?
Hinako, sentada ao meu lado, olhou para mim com expressão apreensiva. Lembrei-me de como já havia feito todos se preocuparem antes, quando fiquei obcecado demais pelo jogo. ...Dei tapas leves nas duas bochechas, tentando afastar aquele clima depressivo.
— Estou bem. Dormi e consegui me acalmar.
— ..Mm.
Ficar remoendo aquilo não mudaria nada. Reunindo alguma positividade à força, desci do carro antes de Hinako, como de costume.
— Nos vemos na academia, Hinako.
— Mm. Espere por mim, tá?
Enquanto caminhava em direção à academia, comecei a pensar no meu próximo movimento. Mas, ao atravessar o portão e me aproximar do prédio...
— Ora, bom dia, Tomonari-san.
Acabei dando de cara justamente com a pessoa que eu menos queria encontrar naquele momento.
— Suminoe-san.
— Você parece ter algo a dizer.
Bom, claro que tinha. Ao olhar discretamente ao redor, percebi colegas observando a situação de longe. Graças às notícias do jogo, muita gente já devia ter entendido o que estava acontecendo entre mim e Suminoe-san.
Se eu falasse por impulso, provavelmente acabaria dizendo algo patético, então me controlei e respondi calmamente:
— Aquilo foi um movimento bem agressivo da sua parte.
— Eu avisei, não avisei? Para você não se arrepender depois.
Suminoe-san respondeu sem demonstrar o menor sinal de culpa. De modo geral, adquirir uma empresa significava obter controle sobre ela garantindo suas ações. Existiam vários métodos para isso: negociar diretamente com acionistas para transferirem suas ações ou lançar uma oferta pública de compra — uma TOB — para adquirir ações de diversos acionistas ao mesmo tempo.
Mas o método que Suminoe-san utilizou estava longe de ser convencional.
A empresa que ela adquiriu, a Tech Capital Inc., era uma firma de capital de risco — um fundo especializado em investir em startups. Eles financiavam empresas emergentes em troca de ações, lucrando quando essas empresas cresciam conforme o esperado.
A Tomonari Gifts havia recebido investimentos da Tech Capital e, em troca, a Tech Capital possuía parte das ações da Tomonari Gifts.
Assim, quando Suminoe-san adquiriu a Tech Capital, ela efetivamente passou a controlar as ações da Tomonari Gifts que pertenciam ao fundo... o que significava que a empresa dela agora tinha uma posição capaz de praticamente dominar a Tomonari Gifts.
Aquilo era uma aquisição indireta. Era o tipo de estratégia em que, se alguém não obedecia você, você simplesmente passava por cima e assumia o controle do chefe dessa pessoa. Não era ilegal. Mas receber aquele tipo de abordagem agressiva, baseada puramente em dinheiro, definitivamente não era agradável.
— Achei que tivesse deixado claro que eu não concordaria com uma aquisição...
— O mundo dos negócios não é tão gentil a ponto de recuar só porque alguém disse "não".
Aquilo me deixou sem resposta. As ações da Tomonari Gifts em posse da Tech Capital correspondiam a pouco menos de quarenta por cento do total.
Se eles tivessem ultrapassado cinquenta por cento, minha empresa teria sido transformada à força em subsidiária sem discussão alguma, então eu mal ainda estava resistindo por um fio. ...Não, talvez nem estivesse mais resistindo. Mesmo sem virar oficialmente subsidiária, eles agora possuíam direitos de voto suficientes para reduzir drasticamente a liberdade operacional da Tomonari Gifts.
— Por favor, não entenda errado — eu não escolhi especificamente a sua empresa como alvo.
Suminoe-san falou com um sorriso calmo.
— Eu já pretendia trazer para o meu controle várias empresas do portfólio de investimentos da Tech Capital. Tudo isso é para transformar minha empresa na líder do setor de TI.
A Tech Capital possuía muito mais ativos do que a Tomonari Gifts. Adquirir um fundo inteiro só para controlar indiretamente a minha empresa realmente não faria sentido, então eu já imaginava que existia um objetivo maior por trás daquilo. Mas eu não esperava qual seria esse objetivo.
— Hehe... surpreso? Por eu ter ambições?
— Sim... isso tudo também é por causa da Tennouji-san?
— Claro que é.
Suminoe-san começou a explicar suas ambições.
— No futuro, quero ser o braço direito da Tennouji-sama. Quero servir alguém que, um dia, terá seu nome conhecido em todo este país... não, no mundo inteiro, apoiando-a tanto em assuntos públicos quanto privados. No Management Game, estou tratando tudo isso como treinamento.
Os sentimentos de Suminoe-san por Tennouji-san eram um pouco perturbadores, mas, ouvindo apenas suas palavras, ela parecia uma pessoa extremamente esforçada e dedicada.
O conhecimento necessário para expandir uma empresa certamente seria útil quando ela estivesse ao lado de Tennouji-san no futuro. Talvez fosse por isso que Suminoe-san estivesse tão focada em expandir a SIS.
— Bem, eu também simplesmente queria derrotar você.
— Espera, o quê?
Senti-me um idiota por ter escutado aquilo tão seriamente.
— Eliminar obstáculos faz parte do treinamento. Não vou perdoá-lo por seduzir a Tennouji-sama.
— Seduzir?
Ela já tinha dito antes que não gostava de mim, mas seduzir? Aquilo era novidade. Que tipo de pessoa Suminoe-san achava que eu era?
— Até agora, Tennouji-sama era muito mais estoica. Por trás daquela postura elegante havia uma determinação inabalável; ela sempre buscava superar sua rival, Konohana-san.
Suminoe-san falou sobre a Tennouji-san que conhecia.
— Mas Tennouji-sama mudou. Por sua causa.
Suminoe-san me lançou um olhar afiado.
— Desde que conheceu você, Tennouji-sama ficou mais branda. ...Mais especificamente, na época do teste de aptidão de junho! Foi ali que os sinais da mudança começaram a aparecer...!
Suminoe-san fechou os punhos, tremendo de raiva. Aquilo era assustadoramente específico.
Foi exatamente na época em que eu ajudei a resolver o problema do noivado da Tennouji-san. É verdade que ela mudou depois daquilo, mas será que tinha sido tão perceptível assim?
— E, desde então, você e Tennouji-sama ficaram cada vez mais próximos...! O número de vezes em que vocês trocam olhares durante os chás depois da aula aumentou 2,7 vezes, e, quando caminham lado a lado, a distância entre vocês diminuiu quatro centímetros! Nada escapa aos meus olhos!!
Assustador, assustador, assustador demais—!
Todo o clima sério foi por água abaixo. Quer dizer, ela provavelmente estava falando muito sério, mas...
— Então você estava observando os encontros para o chá...
— Eu estava observando!! Derramando lágrimas de sangue!!
— Você podia simplesmente participar normalmente, sabia?
— Não posso! Conversar sobre a escola ou o jogo é uma coisa, mas assuntos pessoais? Eu morreria de nervosismo!!
Ela não deveria apoiar a Tennouji-san tanto no público quanto no privado?
— A antiga Tennouji-sama jamais teria formado uma aliança com Konohana-san. Jamais teria descido ao nível de criar esse tipo de camaradagem.
Aquilo... talvez fosse verdade, como Suminoe-san dizia. Hinako certa vez comentou que achava que Suminoe-san talvez não gostasse dela. ...Provavelmente era por isso. Suminoe-san idolatrava Tennouji-san e, no fundo, devia enxergar Hinako — a rival dela — como uma inimiga.
— É por isso que vou derrotar você: para despertar Tennouji-sama. Quando ficar claro que você não tem nada de especial, Tennouji-sama certamente voltará ao normal. Isso também faz parte do meu dever como futuro braço direito dela.
Ao ouvir o objetivo de Suminoe-san, lembrei-me de algo que Tennouji-san havia dito.
"Mas… ela admirava a antiga eu, então talvez ache a atual um pouco complicada."
Tanto eu quanto a própria Tennouji-san acreditávamos que sua mudança era algo positivo. Mas parecia existir uma pessoa ali que odiava profundamente essa mudança.
— Você não é digno de ficar ao lado da Tennouji-sama. Em pouco tempo, estará fora deste jogo.
Depois de dizer isso, Suminoe-san virou-se e foi embora.
◆
No fim, não consegui pensar em nenhuma contramedida contra Suminoe-san, e o dia de aula terminou. Mesmo depois de voltar para a mansão, continuei trancado no meu quarto, pensando sozinho.
Eu não podia deixar aquilo continuar — precisava de um plano, e rápido. Impulsionado por essa urgência, comecei a pesquisar maneiras de escapar do controle indireto de Suminoe-san, listando tudo o que eu realisticamente conseguiria fazer.
Toc toc.
Ouvi batidas leves na porta. Quando respondi "entre", Hinako entrou no quarto.
— Bom trabalho hoje... Trouxe chá.
— Obrigado.
Peguei a xícara e tomei um gole devagar. A doçura suave e refrescante pareceu aliviar a tensão que se acumulava no fundo da minha mente.
— Está ainda mais gostoso do que antes.
— S-Sério...!?
Quando dei minha opinião sincera, Hinako ficou visivelmente surpresa.
— Então todo o esforço valeu a pena...
O sorriso inocente dela tocou algo no fundo do meu peito. ...Ela realmente é talentosa, não é? Quando Hinako se dedicava de verdade, conseguia fazer praticamente qualquer coisa com perfeição. O problema era que ela raramente se esforçava tanto, mas, ultimamente, vinha demonstrando energia mesmo depois de voltar para a mansão.
Hinako estava crescendo. ...Eu não podia ficar para trás.
— Com um chá tão gostoso assim, acho que consigo me esforçar um pouco mais.
Endireitei minha postura curvada, renovando minha motivação. Quando voltei a olhar para o computador, Hinako se aproximou e começou a observar a tela junto comigo.
— Ainda está sofrendo por causa da Suminoe-san?
— Sim. Sinceramente, isso está me dando dor de cabeça.
Ou melhor, eu estava literalmente segurando a cabeça até Hinako entrar no quarto.
— Mm... então deixe comigo.
Do nada, Hinako disse aquilo. Desviei o olhar da tela para ela.
— Sobre a Suminoe-san... eu tenho uma boa solução.
— Uma solução?
— Mm. Eu vou proteger você, Itsuki.
Hinako falou com um sorriso gentil.

— Faça uma emissão de ações para terceiros e dê parte das ações para a minha empresa. ...Se fizer isso, eu transformarei sua empresa em subsidiária e a protegerei da Suminoe-san.
Graças ao conselho de Takuma-san para que eu estudasse sobre ações, eu entendia o que Hinako estava sugerindo. Uma emissão de ações para terceiros era um método de captação de recursos no qual novas ações eram emitidas especificamente para uma terceira parte em troca de investimento.
A vantagem era permitir entregar ações a alguém confiável, mas emitir um grande número de novas ações diluía a porcentagem de participação dos acionistas existentes. Acionistas que antes tinham influência na gestão podiam perder poder devido à redução de sua participação, então era necessário considerar cuidadosamente os direitos deles.
Por outro lado, isso também significava que era possível escapar do controle desses acionistas existentes. No momento, a maior acionista da Tomonari Gifts era a SIS Inc. — em outras palavras, Suminoe-san. Se eu emitisse uma enorme quantidade de novas ações para Hinako por meio de uma emissão para terceiros, a posição de maior acionista passaria de Suminoe-san para Hinako, e a Tomonari Gifts ficaria sob a proteção do Grupo Konohana.
Isso me libertaria do controle de Suminoe-san. Em troca, eu passaria a fazer parte do Grupo Konohana, mas, como Hinako entendia o que eu queria fazer, ela não tentaria me prender.
Esse tipo de estratégia defensiva contra aquisições hostis tinha até um nome específico.
— Um cavaleiro branco, certo?
— Isso mesmo.
Hinako assentiu, parecendo um pouco satisfeita. Quando uma empresa sofria uma aquisição hostil, um comprador amigável aparecia para salvá-la. Para uma empresa precisando de ajuda, não era nem um pouco um termo exagerado — era perfeito.
— Eu serei seu cavaleiro branco.
Hinako estufou o peito com orgulho. Mas, por algum motivo... eu não consegui concordar imediatamente. Ao ouvir a proposta de Hinako, fiquei chocado por dentro, pensando: Então essa também é uma opção!
Mas, ao mesmo tempo...
...Será que isso está certo?
Algo parecia errado. Eu tinha a sensação de que não deveria aceitar aquela mão estendida.
Pelo bem da empresa, deixar Hinako me ajudar seria a decisão mais inteligente. Como Suminoe-san havia dito, ser alvo de um M&A era uma honra para uma startup. Eu rejeitei a proposta dela porque nossas visões não combinavam, mas Hinako conhecia a Tomonari Gifts e a mim, seu fundador, melhor do que ninguém. Ela era uma compradora amigável.
A empresa na qual derramei todo o meu esforço estava sendo desejada pelo prestigioso Grupo Konohana. Não existia honra maior do que essa. ...Ou pelo menos não deveria existir.
E, ainda assim, algo continuava me incomodando...
...Ah.
Era isso. Exatamente isso. Eu não tinha acabado de conversar sobre isso com Tennouji-san recentemente? Eu queria ficar ao lado de Hinako. Hinako, Tennouji-san, Narika, Asahi-san, Taishou, Kita e... até mesmo Suminoe-san. Eu estava me esforçando agora justamente para poder ficar verdadeiramente no mesmo nível deles.
Era por isso que eu queria me tornar um executivo do Grupo Konohana, por isso me esforçava para entrar no conselho estudantil, por isso dava tudo de mim no Management Game — tudo tinha como objetivo alcançar esse sonho.
...Então, de jeito nenhum. Eu não podia aceitar a mão de Hinako aqui. Eu estava tentando me tornar igual a ela — então como poderia permitir ser protegido unilateralmente desse jeito?
— Desculpe…. Hinako — abaixei a cabeça enquanto dizia aquilo. — Eu não quero aceitar essa proposta.
— Hã….?
Talvez aquela resposta fosse completamente inesperada, porque Hinako soltou um som fraco de surpresa.
— P-Por quê...?
— Eu não posso me permitir ser salvo por piedade.
Para começar, não existia nenhum motivo para a empresa de Hinako adquirir a minha. Também não era como se ela enxergasse minha empresa como uma oportunidade de investimento. Hinako simplesmente estava me oferecendo ajuda porque percebeu que eu estava em apuros. Em outras palavras, aquilo não era negócios nem nada do tipo — era pura compaixão.
E era justamente por isso que eu não podia aceitar.
— Eu quero ser seu igual, Hinako.
Se eu ficasse sob a proteção dela, nunca conseguiria ser seu igual. Na Academia Kiou, havia inúmeros alunos que admiravam Hinako. Todos a observavam de longe, encantados, elogiando-a sem parar.
Mas, talvez isso fosse rude da minha parte, eu não queria ser como eles. Eu não queria apenas admirá-la de longe. Não queria ser apenas alguém que a seguia. Eu queria ser alguém digno de permanecer ao lado dela.
— Então... pode confiar em mim? Eu vou resolver isso sozinho de alguma forma. ...Se eu depender de você aqui, sinto que nunca conseguirei ficar ao seu lado.
Desabafei tudo o que sentia. Hinako permaneceu em silêncio por alguns instantes e então...
— Tudo bem…..
Com a cabeça baixa, Hinako deixou o quarto. Por entre os fios de cabelo dela, consegui ver suas orelhas completamente vermelhas.
...Será que eu a deixei irritada?
Eu sabia que Hinako não me menosprezava. Ela havia me estendido a mão por pura gentileza. Rejeitar aquilo de forma tão direta certamente poderia magoá-la. Mas... isso era algo em que eu não podia ceder. Daqui em diante, eu deixaria minhas ações falarem por mim.
— Tudo bem!
Tentando me animar, voltei minha atenção ao computador.
◆
Depois de sair do quarto de Itsuki, Hinako caminhou pelo corredor mantendo os olhos fixos no chão. Enquanto encarava distraidamente o tapete vermelho, acabou batendo a cabeça na parede com um baque.
— Ai!
— Ojou-sama...?
Shizune, que por acaso estava limpando o corredor ali perto, percebeu Hinako. Mas Hinako rapidamente se virou e voltou a caminhar, ainda olhando para o chão...
— Ai!
— O-Ojou-sama? Hum, está tudo bem? Seu quarto é para este lado...
— Ugh...
Shizune olhou confusa para o comportamento estranho de Hinako. Esfregando a testa, Hinako deixou que Shizune a conduzisse até o quarto. Assim que entrou, Hinako foi direto para a cama.
Ela se enterrou nos cobertores e ficou imóvel, fazendo Shizune demonstrar preocupação.
— Se estiver passando mal, posso chamar um médico...
— Não... só me deixe sozinha por um tempo...
Aquilo não tinha nada a ver com doença ou mal-estar físico. Talvez concluindo que o melhor era obedecer por enquanto, Shizune se afastou em silêncio, e logo o som da porta se fechando ecoou pelo quarto.
Sozinha, Hinako enterrou o rosto no travesseiro enquanto agitava as pernas sem parar.

Ughhh...!
Seu rosto estava quente. Parecia que poderia explodir a qualquer momento.
Ela provavelmente estava fazendo uma expressão extremamente estranha naquele instante. Não havia como deixar alguém vê-la daquele jeito, então continuou escondendo o rosto.
Estava completamente à mercê das emoções que transbordavam do fundo do seu coração. Sua mente repetia sem parar a conversa que acabara de ter com Itsuki.
"Eu quero ser seu igual, Hinako."
As palavras de Itsuki, sua voz, sua expressão — tudo retornava vividamente à mente dela.
— T-Tão... tão incrível...!
Como se tentasse liberar toda aquela emoção avassaladora que não conseguia conter, Hinako começou a chutar as pernas ainda mais rápido. Ela esfregou o rosto repetidas vezes no travesseiro, mas seu coração não dava o menor sinal de que se acalmaria tão cedo.
É isso mesmo... Itsuki quer se aproximar de mim...
Não era apenas imaginação dela. O próprio Itsuki tinha dito aquilo, de forma clara e direta. Os sentimentos sinceros dele haviam alcançado Hinako sem deixar qualquer dúvida.
— ~~~!
Um som sem palavras escapou de seus lábios. Abraçando o travesseiro com força, Hinako começou a rolar de um lado para o outro na cama.
Estou tão feliz... tão feliz, tão feliz, tão feliz...!
Sentia uma vontade inexplicável de gritar o mais alto que pudesse. Um calor transbordava de seu peito, percorrendo seu corpo inteiro enquanto buscava alguma forma de escapar.
Mas... ughhh! Eu também queria me esforçar pelo bem do Itsuki...!
Um sentimento complicado, diferente da felicidade que sentia, começou a surgir dentro dela. Sinceramente, ela não esperava que sua proposta fosse rejeitada. Não era que estivesse subestimando Itsuki, mas, naquela situação, ele claramente estava em enorme desvantagem. A SIS era uma empresa dezenas de vezes maior do que a Tomonari Gifts. Encontrar uma maneira de enfrentar aquilo de frente e sair ileso não era algo que simplesmente acontecia por acaso.
Foi justamente por isso que ela sugeriu o que acreditava ser a melhor solução possível. Ela tinha elaborado aquele plano acreditando que faria Itsuki feliz.
Eu até deixei um cargo na diretoria reservado para ele, caso aceitasse entrar...!
No fundo, ela esperava poder aproveitar o jogo ao lado dele. Na academia ou na mansão, os dois juntos, mergulhando apaixonadamente no Management Game — Hinako havia imaginado aquela cena, com o coração acelerado de empolgação enquanto fazia sua proposta.
Mas... as palavras de Itsuki sobre querer ser igual a ela fizeram seu coração disparar, e a maneira como ele disse aquilo foi inegavelmente incrível.
...Tão incrível.
Seu coração já estava transbordando. Talvez aquilo estivesse bom daquele jeito. As coisas não saíram como ela havia planejado, mas provavelmente estava mais feliz do que jamais imaginou que poderia ficar.
Se existia apenas uma preocupação restante, era o fato de ainda não saber o que Itsuki pretendia fazer dali em diante. Ele tinha dito que resolveria tudo sozinho, mas aquilo definitivamente não seria fácil.
Talvez eu possa ajudá-lo secretamente nos bastidores...
Ela cogitou apoiar Itsuki escondido, sem que ele percebesse. Mas... depois de ele pedir que confiasse nele, agir pelas costas parecia errado.
— Ughhh...
Ela estava feliz pelas palavras de Itsuki. Mas... seria realmente certo deixar as coisas daquele jeito? Essa dúvida continuava girando em sua mente. Foi então que alguém bateu na porta.
— Ojou-sama, você realmente está bem?
— Estou bem…. Pode entrar.
Reconhecendo a voz de Shizune, Hinako permitiu sua entrada. Shizune se aproximou e colocou delicadamente a mão na testa de Hinako.
— Parece que não há problema algum.
Confirmando que ela não estava com febre, Shizune soltou um suspiro de alívio.
— Viu? Eu disse que estava bem.
— Mesmo assim, seu rosto está extremamente vermelho.
— I-Isso... não é nada.
Envergonhada, Hinako desviou o rosto.
— Itsuki-san gostou do chá?
— Sim. Ele disse que estava ainda melhor do que antes... hehe.
Aquilo também havia sido algo que a deixou feliz. Ao ouvir as palavras de Hinako, Shizune sorriu como se o elogio fosse direcionado a ela mesma.
— Então seus esforços deram resultado.
— Foi graças a você ter me ensinado tão cuidadosamente, Shizune. ...Obrigada.
Mesmo ocupada, Shizune havia acompanhado pacientemente todo o aprendizado dela sobre como preparar chá até o fim. Olhando diretamente para Shizune, Hinako expressou sua gratidão.
Shizune colocou a mão na testa e olhou dramaticamente para o teto...
— Estou feliz por estar viva.
Ela parecia genuinamente emocionada. Hinako não pretendia agradecer de forma tão grandiosa, mas decidiu que passaria a expressar mais sua gratidão dali em diante.
— Mas aposto que Itsuki também espera ansiosamente pelo chá que você faz, Shizune. Então, da próxima vez, deveria ser você a prepará-lo em vez de mim.
— Por mim tudo bem, mas... tem certeza?
— Sim. Parece meio injusto se só eu puder ficar feliz.
Ela não queria fazer nada que roubasse a felicidade de Itsuki. No fim das férias de verão, essa preocupação cresceu tanto dentro dela que acabou ficando acamada por um tempo. Será que tinha tirado algo precioso da rotina dele? Ela nunca mais queria sentir aquela ansiedade novamente. Mesmo que Itsuki dissesse que estava tudo bem, sabia que precisava tomar cuidado.
— Entendido — Shizune assentiu. — Itsuki-san parecia preocupado com o problema da aquisição?
— Sim. Mas ele disse que quer resolver isso sozinho.
— Entendo. ...Bem, considerando a determinação dele, vou evitar pegar pesado desta vez. Sinceramente, isso tem menos a ver com falhas do Itsuki-san e mais com o fato de o outro lado ter sido agressivo além do esperado.
— Sim... Itsuki tem estudado bastante. Ele até sabia sobre coisas como cavaleiros brancos.
Hinako concordava que Itsuki não tinha culpa. Saber sobre emissão de ações para terceiros e cavaleiros brancos significava que Itsuki vinha estudando diligentemente M&A e mercado de ações por conta própria. O conhecimento dele era amplo demais para ter sido adquirido apenas depois que a aquisição hostil de Suminoe Chika começou.
— Falando nisso, ouvi das outras empregadas que, quando o Management Game começou, Itsuki-san fazia alguma coisa junto com Takuma-sama no escritório.
— O Itsuki... com aquele cara?
A imagem do sorriso astuto e travesso de seu irmão surgiu na mente de Hinako.
— Takuma-sama disse que estava "ajudando no trabalho", mas talvez estivesse dando conselhos ao Itsuki-san sobre o jogo. ...Conhecendo ele, espero que não exista alguma segunda intenção.
Depois de já ter sido manipulada por Takuma antes, Shizune não conseguia confiar nele facilmente. Hinako também sentiu uma leve suspeita.
— Shizune….
— Sim?
Ela queria ter o mínimo de contato possível com o irmão. Mas, se existisse a possibilidade de Itsuki acabar caindo nas mãos dele, ela deixaria seus sentimentos pessoais de lado sem hesitar.
— Ligue para ele.
Shizune assentiu e tirou o smartphone do bolso. Hinako pegou o aparelho, ouvindo o toque da chamada ecoar em seus ouvidos. Ao mesmo tempo, pressionou a tecla Enter no computador.
— Acabei de enviar alguns dados para o tablet. Mostre ao Itsuki. ...Acho que ajudar nesse nível deve ser aceitável.
— Entendido. ...Tudo bem eu me ausentar daqui?
— Sim. ...É só uma conversa entre irmãos.
Embora eles estivessem longe de ser irmãos comuns. Shizune parecia preocupada, mas decidiu confiar em Hinako. Fez uma reverência respeitosa antes de sair do quarto.
— Shizune?
A voz de seu irmão veio pelo smartphone.
— Sou eu.
— Hinako, hein? Raro você ligar. O que aconteceu?
O tom despreocupado dele permanecia o mesmo de sempre. Ela nunca conseguia entender o que ele estava pensando, enquanto ele parecia enxergar completamente através dela. Aquilo era injustamente irritante e difícil de lidar.
— O que você está planejando com o Itsuki? — Hinako foi direto ao ponto. — Eu sei que você andou colocando ideias na cabeça dele. ...O que está tentando fazer com ele?
— Hmm, quem sabe? Isso depende do Itsuki-kun.
A resposta vaga fez Hinako apertar os lábios.
...Que irritante.
Como se percebesse a irritação dela, Takuma soltou uma risada divertida.
— Não precisa se preocupar. Eu só quero dar um pequeno empurrão no talento dele.
— Talento...?
Hinako repetiu, e seu irmão continuou.
— Ele é... meio parecido comigo.
◆
Algum tempo depois de Hinako sair do meu quarto. Enquanto eu pensava em contramedidas para a aquisição de Suminoe-san, ouvi outra batida na porta.
— Bom trabalho hoje.
— Shizune-san? O que houve?
— Mais cedo, Ojou-sama estava agindo de forma um pouco estranha, então vim investigar a causa.
— Hã?
Agindo estranho...? Será que eu realmente deixei Hinako chateada?
— Estou brincando. Bem, ela realmente estava estranha, mas não parece ser nada ruim, então não precisa se preocupar.
— E-Entendi...
Se Shizune-san dizia que estava tudo bem, então provavelmente não havia motivo para preocupação.
— Ojou-sama pediu para eu lhe entregar isto, Itsuki-san.
Dizendo isso, Shizune-san me entregou um tablet.
— Isto é...
— Informações que Ojou-sama reuniu sobre várias empresas. São dados mais detalhados do que os disponíveis publicamente. ...Ela disse que ajudar nesse nível deveria ser aceitável.
— Obrigado.
— Guarde seus agradecimentos para a Ojou-sama mais tarde.
Claro que eu pretendia fazer isso. Esse nível de ajuda não parecia caridade. Mesmo que não fosse Hinako, qualquer pessoa da Aliança do Chá ofereceria esse tipo de apoio sem hesitar. Eu faria o mesmo. Grato pela consideração de Hinako, comecei a analisar os dados no tablet.
— Em que está trabalhando agora?
— Estou procurando empresas que possam ajudar nas contramedidas contra a aquisição. Então essas informações vieram na hora certa.
Respondi enquanto passava os olhos pelos documentos no tablet. Havia inúmeros perfis de empresas — muito mais do que dez ou cem. Ficava claro que o sucesso de Hinako no jogo não vinha apenas de sorte ou do prestígio da família dela. Esse tipo de esforço diligente era o verdadeiro motivo.
— Empresas são meio interessantes, não acha?
Falei enquanto lia os arquivos e fazia anotações ao mesmo tempo.
— Filosofias corporativas, relatórios para investidores... quando você analisa tudo sob diferentes perspectivas, começa a enxergar a verdadeira natureza da empresa. ...É quase possível vislumbrar o tipo de líder que está por trás dela.
Não havia necessidade de se intimidar pela palavra "empresa". No fim das contas, empresas e serviços eram criados por pessoas. Por trás daqueles dados frios, sempre existia alguém com emoções.
— Quando olho para os dados, consigo imaginar vagamente o rosto da outra pessoa ou o que ela está pensando... e então só resta verificar se conseguiríamos nos dar bem.
E, com isso... as negociações costumavam fluir tranquilamente. Eu tinha sentido algo parecido quando li o e-mail de Takuma-san ou quando encontrei o parceiro de negócios da Tennouji-san. As intenções escondidas por trás dos dados iam ficando cada vez mais claras.
— Itsuki-san, isso é...
Por algum motivo, Shizune-san, que estava ao meu lado, parecia séria.
— O que houve?
— Não é nada muito importante, mas...
Shizune-san hesitou, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.
— É só que... você soa assustadoramente parecido com Takuma-sama.
◆
Do outro lado da ligação, Takuma começou a falar com evidente diversão.
— Você conhece meu talento, não conhece? Minha inteligência emocional — meu EQ — é absurdamente alta. Eu simplesmente consigo sentir o que as pessoas estão pensando.
Isso Hinako já sabia. Afinal, eles eram família. Ela já tinha ouvido inúmeras vezes sobre as habilidades do irmão.
— Em outras palavras... você é um esquisito que lê a mente dos outros.
— Nossa, isso foi cruel. E eu aqui achando que me chamavam de gênio.
Apesar das palavras, ele não parecia minimamente incomodado.
— Um dia, pedi ao Itsuki-kun que me ajudasse a organizar alguns documentos. E, em um instante, ele percebeu uma mentira neles. Ele disse: "Essa proposta é toda legítima?"
Aquilo provavelmente era o que Shizune havia mencionado antes. Quando o jogo de gestão começou, os dois trabalharam juntos no escritório. Parecia que Takuma tinha percebido algo em Itsuki naquela época.
— Ele consegue perceber instintivamente se uma informação é verdadeira ou falsa.
Takuma afirmou aquilo de forma simples.
— Ou, mais precisamente, ele consegue sentir as intenções ocultas. Se vê uma informação manipulada, ele não precisa de lógica para entender — simplesmente percebe que há algo errado. E, mesmo que os dados em si estejam incompletos ou falhos, ele consegue dizer se a pessoa por trás deles é confiável.
Takuma explicou calmamente, mas aquilo não era algo que Hinako conseguia aceitar facilmente.
Então... Itsuki tinha o mesmo tipo de talento daquele cara?
— Já basta existir um maluco sobrenatural como você.
— Para nós, isso não é sobrenatural.
Hinako franziu a testa.
"Nós." Ela odiava aquela palavra. Parecia que Takuma já estava tentando colocar Itsuki no mesmo grupo que ele.
— Por exemplo, quando um colega de classe convida você para um chá, como sabe se é apenas educação ou um convite sincero?
— Eu só... meio que sei.
— Exatamente. Você simplesmente sabe. Parece algo vago, mas, estranhamente, esse tipo de instinto costuma estar certo.
Takuma continuou:
— Para nós, esse alcance intuitivo é muito maior. Assim como você consegue perceber se um convite é sincero, nós conseguimos julgar se a informação diante de nós é verdadeira ou falsa.
Hinako já conhecia o talento de Takuma, mas era a primeira vez que ele explicava aquilo com tantos detalhes.
Soava lógico... ou pelo menos parecia soar. Mas talvez aquilo fosse apenas mais uma demonstração da eloquência manipuladora de Takuma. Ela tinha medo de acreditar facilmente demais.
Hinako sabia melhor do que ninguém. O talento de Konohana Takuma não podia ser resumido como "boa intuição".
Ele conseguia oferecer exatamente o que alguém desejava, assumir a personalidade que a pessoa preferia e até tocar em assuntos que ela normalmente evitaria, tudo para conduzir negociações a seu favor. Foi assim que Takuma conquistou a confiança dos executivos do Grupo Konohana em uma velocidade sem precedentes, garantindo sua posição. ...Se ele não fosse tão irresponsável e brincalhão, teria sido recebido sem qualquer oposição como o próximo chefe da família.
— Mas o Itsuki nunca demonstrou nada parecido antes.
— Verdade. Provavelmente porque eu fui o gatilho — Takuma respondeu à dúvida dela. — Conhecer alguém como eu... conversar comigo... deve ter servido como uma boa faísca para ele.
Hinako não conseguiu negar essa possibilidade.
Para o bem ou para o mal, Takuma era uma pessoa extraordinária — muito distante do comum. Muitas pessoas mudaram completamente seu modo de vida depois de serem influenciadas por ele. ...Até Shizune era um desses casos.
Talvez Itsuki também tivesse sido influenciado por Takuma e despertado seu próprio talento.
— Então a origem disso tudo é você?
— Ora essa. Não é algo ruim. Se for para falar a verdade, você deveria me chamar de mentor dele.
Ela conseguia praticamente ouvir o sorriso torto de Takuma através do telefone.
— Você entende, não entende, Hinako? Isso é, sem dúvida, um talento para liderança. Ser capaz de ler as verdadeiras intenções das pessoas significa evitar riscos e descobrir oportunidades escondidas.
Vindo de Takuma, que havia ascendido ao poder usando justamente esse talento, aquelas palavras tinham peso.
— O único problema é que ele não possui crueldade suficiente. Com esse talento, ele poderia até explorar as fraquezas das pessoas, se quisesse. Se conseguisse dominar isso... poderia se tornar como eu.
Essa única frase fez Hinako se lembrar exatamente do tipo de pessoa que seu irmão era.
Meu irmão simplesmente acredita que a forma como vive é a correta, então apenas mostra aos outros o caminho para chegarem lá. Para ele, isso provavelmente é uma forma de gentileza. Mas, como esperado, ele não considerou os sentimentos do Itsuki nem um pouco.
— Ele não precisa disso.
Hinako pensou em Itsuki... em alguém precioso para ela.
Itsuki sempre cuidou dela. Mesmo sendo preguiçosa, carregando preocupações irritantes e sendo constantemente abalada por emoções confusas ultimamente, Itsuki sempre olhava para ela com um sorriso gentil. Não havia como aquele rosto bondoso desaparecer.
— O Itsuki não precisa se tornar cruel.
Hinako falou em um tom mais firme do que o habitual.
— No mundo dos negócios, crueldade é essencial. Se Itsuki-kun conseguisse simplesmente abandonar suas emoções, ele poderia se tornar um executivo de primeira classe. Poderia facilmente alcançar uma posição no conselho do Grupo Konohana—
— Isso é irrelevante.
Interrompendo as palavras do irmão, Hinako falou:
— O Itsuki não vai se tornar como você. Ele não é alguém que trata os outros como peões.
Takuma frequentemente manipulava pessoas habilmente para alcançar seus próprios objetivos. Hinako conhecia muito bem o destino daqueles que acabavam envolvidos com ele.
Alguns perderam suas famílias, outros abandonaram seus sonhos. No começo, todos seguiam Takuma com os olhos brilhando de admiração, mas, no final, a única pessoa que continuava sorrindo era o próprio Takuma.
Não era que Takuma não entendesse os sentimentos das pessoas — muito pelo contrário. Ele era mais perspicaz do que qualquer um quando se tratava de compreender os outros. O que significava que aquele homem descartava conscientemente os sentimentos alheios.
...Talvez justamente por conseguir enxergá-los tão claramente, eles parecessem triviais para ele.
Konohana Takuma sempre tratou os sentimentos das pessoas de maneira leviana.
— Diferente de mim, é? ...Você está tão confiante assim de que conhece tão bem o Itsuki-kun, Hinako?
— Eu não preciso saber tudo para entender alguém.
Hinako respondeu calmamente.
— Você não tem uma Tennouji Mirei ao seu lado.
Ela se lembrou daquela garota nobre, competitiva e extremamente correta.
— Você não tem uma Miyakojima Narika ao seu lado.
Ela se lembrou daquela garota desajeitada e sincera, que sempre encarava a si mesma de frente.
— Você não tem uma Hirano Yuri ao seu lado.
Ela se lembrou daquela garota calorosa, intrometida e sem qualquer afetação.
— Você não tem um Taishou Katsuya ou uma Asahi Karen ao seu lado.
— Todos eles são amigos dele, não são?
— Sim, amigos.
Ela se lembrou daqueles dois animadores do grupo, que apoiavam discretamente todo tipo de pessoa.
...Por algum motivo, a proporção de garotas parecia suspeitamente alta, e isso a incomodava um pouco, mas ela decidiu ignorar isso por enquanto. O importante era que Itsuki tinha amigos assim.
— Você só consegue construir relacionamentos baseados em benefícios mútuos. É por isso que tudo ao seu redor são apenas parceiros de negócios. ...Mas o Itsuki é diferente. Ele sempre se esforçou pelo bem dos outros. É por isso que está cercado de tantos amigos.
E então—
— O Itsuki já está vivendo uma vida diferente da sua. ...Não importa o quanto tente influenciá-lo, isso é inútil. Porque existem muitas pessoas ao redor dele que vão impedi-lo.
Hinako não tinha o menor medo pelo futuro de Itsuki. Ela tinha certeza de que ele ficaria bem. Confiava que ele jamais se tornaria como aquele homem.
— Hmm, que desperdício. Ele tem um talento incrível para negócios. ...Pessoalmente, adoraria que ele se tornasse meu braço direito algum dia.
— Isso não vai acontecer. Procure outra pessoa.
Viu só? No fim, aquele cara só pensava em si mesmo.
— Bem, pensar assim é um direito seu, Hinako — Takuma murmurou baixinho. — Ah, já está na hora do trabalho. Terminamos aqui?
— Mm.
Ela já havia entendido as intenções do irmão, então não havia mais nada para dizer. Aquele homem estava procurando um segundo Konohana Takuma. Queria moldar alguém para se tornar um subordinado conveniente.
Se Itsuki desejasse isso, ela não o impediria. Mas, se ele não quisesse... então impedi-lo seria sua missão.
...Hã?
Quando seus pensamentos chegaram até ali, Hinako percebeu algo de repente. Se Itsuki realmente possuía o mesmo talento que seu irmão… Se Itsuki era tão perspicaz quanto Takuma para entender os sentimentos das pessoas...
Então será que Itsuki percebeu os meus sentimentos...?
— Ei….
— Hm?
Takuma respondeu em um tom curioso à voz repentinamente hesitante de Hinako.
— O Itsuki não está... lendo o coração das pessoas igual você faz... está?
— Nah, ele não é tão afiado assim. Pelo jeito, ele nem percebeu seus sentimentos ainda.
— O quê—!
Seu rosto congelou no instante em que seus sentimentos foram expostos daquela forma.
— D-Do que você está falando...?
— Quero dizer, é óbvio. Você estava mesmo tentando esconder isso?
— C-C-Cala a boca...!!
Mesmo sabendo que era inútil contra aquele homem, ela tentou disfarçar desesperadamente. Seu irmão riu com evidente diversão.
— Até nós temos nossos pontos cegos. O Itsuki-kun parece ser do tipo completamente sem noção para esse tipo de coisa... Provavelmente ele só é lerdo quando o assunto envolve a si mesmo.
Yuri, amiga de infância de Itsuki, certa vez disse algo sobre ele. Que Itsuki era uma boa pessoa, mas acabava negligenciando os próprios desejos nesse processo.
Quando Hinako ouviu aquilo, seu coração doeu... mas, naquele momento, ainda sem estar preparada, sentiu um pequeno alívio ao pensar.
Ainda bem.
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