O Cuidador da Ojou-sama Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Volume 6

Capítulo 3: Desafiante

UMA SEMANA HAVIA se passado desde a sessão de estudos com Suminoe-san e os outros.

O Management Game já estava em andamento havia quase duas semanas. Na vida real, duas semanas podiam parecer pouco, mas, dentro do jogo, aquilo equivalia a um ano inteiro. E um ano era tempo suficiente para perceber como uma empresa estava indo.

Empresas em dificuldade — aquelas com desempenho estagnado — já precisavam começar a considerar mudanças sérias. Observando os movimentos dentro do jogo, eu conseguia ver alguns jogadores (CEOs) desesperadamente tentando virar a situação.

E isso não era problema dos outros. Porque eu também era um desses CEOs que precisava pensar em mudanças.

— Hoje é o encontro do chá, né?

— É.

De manhã, dentro do carro a caminho da Academia, assenti. Naquela tarde, depois das aulas, iríamos nos reunir com a Aliança do Chá pela primeira vez em algum tempo. O plano era fazer uma rápida atualização sobre o progresso de cada um.

Talvez eu esteja dormindo pouco demais…

Deixei escapar um pequeno bocejo. Nos últimos dias, eu quase não havia dormido. O desempenho da minha empresa não estava crescendo como eu esperava. A base de usuários do meu e-commerce havia estacionado, e os esforços de publicidade pareciam não surtir muito efeito.

Eu queria causar algum impacto, mudar alguma coisa, mas não fazia ideia de como fazer isso, então continuava quebrando a cabeça sem parar.

— Itsuki, você anda dormindo bem?

— Sim, ando sim.

Não querendo preocupá-la, acabei mentindo.

— Ojou-sama certamente não anda. Afinal, ontem à noite ela ficou preparando chá até muito depois do horário de dormir.

— S-Shizune…!

— Peço desculpas. Minha língua escorregou.

Hinako soltou um pequeno som aflobado. Desde aquele dia, Hinako havia começado a me servir chá ocasionalmente. No dia seguinte à primeira vez em que ela me ofereceu chá, levei um pouco até o quarto dela como agradecimento, mas, no dia seguinte, ela preparou chá para mim novamente. Desde então, essa troca continuava.

…Ultimamente, parecia que Hinako e Shizune-san haviam ficado ainda mais próximas. Ou melhor… dava a impressão de que Shizune-san tinha começado a mimar Hinako.

Será que a própria Shizune-san percebia isso? …Se eu comentasse, talvez ela começasse a se conter, então decidi ficar quieto. No fundo, Hinako também não parecia se importar, então achei melhor deixar como estava.

— Hinako, se estiver com sono, pode tirar um cochilo, sabia?

— Ngh… eu não… estou com sono…

Os olhos de Hinako estavam enevoados, mas ela insistia teimosamente em lutar contra o sono.

— Você já era assim antes, mas por que começou a se forçar tanto de repente?

Na noite passada, quando preparou chá para mim, Hinako já parecia sonolenta, mas ainda assim ficou acordada. Remexendo-se inquieta, ela respondeu:

— Porque… eu quero conversar… com o Itsuki…

Não consegui evitar olhar para o teto. O que era essa criatura adorável? Aquilo estava acabando comigo, então esfreguei a testa, tentando desesperadamente manter a compostura.

— Nós podemos conversar quando quisermos, não? Diferente dos outros, nós moramos na mesma casa.

— Talvez….

Hinako pareceu discretamente feliz e assentiu. O carro balançava suavemente. Entregando-se ao movimento, Hinako apoiou a cabeça no meu ombro e murmurou:

— Sono…..

Então fechou os olhos. Um leve aroma adocicado pairou no ar, e um calor reconfortante se espalhou a partir do toque dela. Ela devia estar se forçando muito para permanecer acordada, porque adormeceu quase instantaneamente.

…Agora eu também estou ficando com sono.

Como responsável por cuidar dela, eu sentia que precisava permanecer atento e vigiá-la, mas, naquele dia, uma onda esmagadora de sonolência me atingiu, e minhas pálpebras começaram a cair sozinhas.

— Shizune-san, desculpe, acho que vou dormir um pouco também.

— Entendido. …É raro vê-lo tão sonolento assim, Itsuki-san.

Agora que penso nisso, talvez fosse a primeira vez que eu dormia durante o trajeto de ida ou volta da escola. …Todas aquelas noites viradas finalmente estavam cobrando seu preço. Arrependendo-me de ter sacrificado tanto meu sono, acabei adormecendo.

 

Depois das aulas. No café de sempre, os membros da Aliança do Chá estavam reunidos ao redor de uma única mesa.

— Que tal começarmos compartilhando a situação de cada um? — disse Tennouji-san, mostrando a tela de seu notebook para todos.

— Primeiro, eu, Tennouji, apresentarei os resultados financeiros do Grupo Tennouji. Explicar cada negócio levaria muito tempo, então mostrarei apenas as principais empresas.

Tennouji-san exibiu seus slides financeiros.

As vendas de uma fabricante de metais não ferrosos haviam aumentado cerca de 13% em relação ao ano anterior, enquanto as de uma fabricante de eletrônicos haviam caído aproximadamente 2%. O desempenho variava de empresa para empresa — algumas em alta, outras em baixa —, mas, no geral, o grupo continuava no azul.

Que apresentação chamativa… Os slides estavam cheios de efeitos exagerados, tornando tudo sinceramente meio difícil de ler. Era muito a cara da Tennouji-san, com seu gosto por extravagância, mas tinha um ar meio brega, quase como propaganda de "Grande Liquidação!" de supermercado.

Ao olhar para Tennouji-san, vi que ela colocava uma mão no peito, exibindo uma expressão convencida de "Humph!". Seria cruel estragar o momento dela, então guardei meus pensamentos para mim mesmo.

— Quanto ao Grupo Konohana, começando pela nossa principal empresa, a Konohana Trading…

Em seguida, Hinako virou a tela de seu notebook para os outros e começou a explicar. Assim como Tennouji-san, ela detalhou as vendas por segmento. Diferente dos resultados mistos de Tennouji-san, Hinako vinha aumentando as vendas de maneira constante em várias empresas, ainda que gradualmente.

— A-As vendas consolidadas da minha empresa, comparadas ao ano passado, hum…

Narika estava nervosa, mas seus resultados eram sólidos. Ela não tinha motivo para sentir vergonha do desempenho da empresa; apenas ficava tímida ao apresentar diante dos outros.

— A minha empresa está—

— A J’s Holdings está—

Taishou e Asahi-san também estavam indo bem no geral. Por fim, chegou minha vez.

— A Tomonari Gifts está assim no momento.

Mostrei para todos o relatório financeiro gerado pelo jogo.

— Parece que está indo bem, não?

— Bem, se olhar apenas os números do ano, talvez…

Abri um gráfico linear mostrando o número de usuários e expliquei:

— Desde a segunda metade do ano, os números ficaram estagnados. …Sinceramente, parece que atingimos um teto. Se continuar assim, o desempenho do próximo ano parece instável.

Para deixar claro, o problema era a abordagem atual estar estagnada. Eu ainda acreditava que o serviço de e-commerce focado em presentes tinha potencial inexplorado.

— Criar o catálogo aumentou a receita, certo? — perguntou Taishou.

— Sim. Achei que demoraria mais para dar resultado, mas funcionou mais rápido do que eu esperava. O problema é que amadureceu rápido demais… e perdeu força na mesma velocidade.

Compartilhei meus pensamentos em resposta à pergunta de Taishou. Criar o catálogo havia realmente atraído clientes do mercado de presentes por catálogo, como planejado. Meu erro de cálculo foi que o próprio mercado era menor do que eu imaginava. Com um número reduzido de clientes em potencial, naturalmente também havia um limite para quantos poderíamos atrair.

— Tomonari, por que você não cria um departamento de marketing? Ainda não tem um, né?

— Marketing… É verdade, eu não tenho.

Era um bom ponto. Até então, eu vinha fazendo sozinho toda a análise de mercado, mas talvez já fosse hora de delegar isso. Se eu tivesse contado com especialistas, talvez pudesse ter evitado esse erro.

— Você não precisa criar um departamento inteiro. Que tal contratar uma empresa de marketing? Posso recomendar uma que já usei.

Asahi-san entrou na conversa com sua sugestão. Criar um departamento interno poderia funcionar, mas eu preferia testar primeiro. Resolvi seguir a ideia dela.

— Por favor, eu agradeceria muito.

— Beleza! Vou entrar em contato com eles agora mesmo~.

Asahi-san começou a digitar rapidamente no teclado. Ela estava entrando em contato com um estudante que administrava uma empresa de marketing.

— Tomonari-kun, você está se esforçando bastante, hein? Ontem você ficou conectado no jogo a noite inteira, não foi?

— Sim, mas como você sabe?

— Tem uma página onde dá para verificar as informações das outras empresas, né? No canto superior esquerdo aparece o status de login do jogador. Você não sabia?

— Não fazia ideia…

Ultimamente eu estava tão consumido pela minha própria empresa que não tinha tempo para acompanhar os outros. Eu sempre achava estranho como as mensagens dos outros alunos chegavam em momentos tão perfeitos. Eles verificavam se eu estava online antes de me mandar algo.

— Falando nisso, Tomonari, hoje você bocejou bastante. Ficou acordado até tarde jogando?

— Não, não foi isso…

— Mas durante a aula, quando te chamaram, você não conseguiu responder, né~?

— Ugh…

O ataque em dupla de Taishou e Asahi-san me deixou sem palavras. Tennouji-san, que ouviu nossa conversa, arregalou os olhos.

— Isso é verdade?

— E-Está tudo bem. Hoje eu pretendo revisar tudo direito.

Tennouji-san me lançou um olhar semicerrado. Preciso tomar cuidado… Se minhas notas caírem por causa do jogo, estarei deixando de enxergar o todo por me preocupar apenas com os detalhes.

 

Oito e meia da noite. De volta à propriedade dos Konohana, eu estava no meu quarto, encarando o notebook.

Certo, então vamos seguir com o Plano B para o contrato.

Uma mensagem chegou de um parceiro de negócios.

"Com esse plano, a Tomonari Gifts poderá resolver seus problemas de segmentação e, após executarmos as estratégias, conseguiremos coletar registros de compra para aplicar o ciclo PDCA de forma eficiente. Também cuidaremos da pesquisa de volume de mercado que você acreditava ter calculado errado, então não se preocupe."

"Obrigado, isso ajuda muito."

"Como foi uma indicação da Asahi-san, darei um pequeno desconto."

A remetente era a presidente da empresa de marketing que Asahi-san havia me apresentado naquela tarde. Depois de uma hora ouvindo minha situação, ela prontamente recomendou o melhor serviço e finalizamos o contrato.

Aparentemente, utilizar serviços de marketing dentro do jogo aumentava bastante a eficiência dos funcionários. Mas não bastava contratar qualquer serviço — era necessário algo adaptado aos problemas específicos da empresa para realmente obter resultados.

— Até o marketing começar a surtir efeito… agora é questão de esperar…

A base do marketing era a análise de dados, e análise levava tempo. Como o próprio ciclo PDCA sugeria, era preciso repetir o processo várias vezes, ajustando as estratégias aos poucos, antes de começar a ver resultados concretos.

— É assustador.

Eu sabia que não deveria esperar resultados imediatos, mas aquela espera era angustiante. E se eu estivesse fazendo tudo errado? E se estivesse apenas desperdiçando tempo e dinheiro? Esse tipo de ansiedade corroía minha mente.

…Talvez eu devesse estudar mais sobre o jogo.

Já passava das nove da noite. Eu não podia entrar no jogo naquele horário, mas ainda havia uma montanha de coisas que eu queria pesquisar. Meu plano era mudar para os estudos e revisões das aulas normais depois das nove, mas a ansiedade em relação ao jogo era tão grande que eu não conseguia me concentrar em outras matérias.

Eu resolvia um problema e outro surgia logo em seguida… Parecia que eu estava preso em areia movediça. A falta de sono estava me deixando pessimista. Dei leves tapas nas próprias bochechas para me recompor quando ouvi batidas na porta.

— Itsuki-san, você está ocupado agora?

Ao ouvir a voz de Shizune-san, respondi:

— Não.

— Com licença.

— Onde está a Hinako?

— Ojou-sama está em uma reunião sobre o jogo com Kagen-sama. Eu vim transmitir um recado.

Um recado? Inclinei a cabeça, e Shizune-san continuou:

— Neste domingo, Ojou-sama e eu estaremos fora até a noite por conta de um jantar formal.

— Entendi. …Posso ir junto?

— Desta vez, trata-se de uma ocasião especial na qual os principais executivos do Grupo Konohana estarão reunidos, então… talvez ainda seja um pouco cedo para você, Itsuki-san.

Existe um evento assim? Hinako não gostava daquele tipo de ambiente em jantares formais. Eu queria apoiá-la e acompanhá-la, se possível, mas parecia fora de questão desta vez.

— Guardarei suas palavras com carinho. Talvez, algum dia, você participe também, Itsuki-san.

— Isso é ao mesmo tempo lisonjeiro e assustador…

Um jantar especial apenas com os principais executivos do grupo… Se eu fosse jogado naquele lugar, me sentiria menos como um gato deslocado e mais como uma ovelha cercada por lobos.

— Nesse dia, você pode fazer o que quiser, Itsuki-san, mas… se possível, recomendo que descanse e vá com calma.

— Eu pareço tão cansado assim?

— Você tenta esconder, mas é óbvio. …Não nos vemos todos os dias à toa, sabe?

Com isso, Shizune-san deixou o quarto.

Ir com calma, hein…

Eu apreciava a preocupação dela. Mas, naquele momento, eu não tinha tempo para descansar. Se eu ficaria sozinho de qualquer forma… então estudaria até não aguentar mais.

Eu não poderia entrar no jogo no domingo, mas isso apenas significava que poderia focar totalmente em absorver conhecimento. Mais do que qualquer coisa, eu precisava de tempo para estudar administração.

— Hm?

O celular ao lado do notebook vibrou. Ao olhar a tela, vi uma ligação recebida de certa pessoa.

— Tennouji-san?

— Tomonari-san, você está livre agora?

— Sim, estou.

Fiquei me perguntando o que ela queria.

— É meio repentino, mas você está livre no próximo domingo?

— Estou, mas…

— Então você vai sair comigo.

Foi um convite extremamente abrupto. Eu fiquei lisonjeado, mas tinha acabado de decidir que passaria aquele dia focado nos estudos.

— Desculpe, mas ultimamente tenho estado bastante ocupado, então acho que desta vez vou recusar—

— Teremos uma reunião estratégica sobre o jogo — Interrompendo-me, Tennouji-san continuou. — Como companheiros que almejam o conselho estudantil, acredito que poderemos ter uma discussão produtiva.

— Nesse caso, estou dentro.

— Excelente. Depois lhe enviarei os detalhes.

Dava para perceber que Tennouji-san estava de ótimo humor pelo som de sua risada do outro lado da linha. Tennouji-san e eu já havíamos estudado juntos muitas vezes. Graças à ajuda dela naquela época, consegui tirar boas notas nos exames da Academia Kiou.

Se ela dizia que aquela conversa seria produtiva, então eu tinha certeza de que seria outra oportunidade valiosa de aprendizado.

— A propósito, não traga seu notebook naquele dia.

— Hã? Mas não vai ser difícil trabalhar sem ele?

— Você não pode entrar no jogo aos domingos de qualquer forma, e ficar carregando um notebook por aí é cansativo.

— Faz sentido.

Ela tinha razão, então concordei.

— E trate de dormir.

— Pode deixar.

Era uma oportunidade rara, e eu queria estar em ótimas condições para aproveitá-la ao máximo.

…Era melhor eu dormir cedo no sábado.

 

Depois de esperar alguns minutos no ponto de encontro perto da estação, um elegante carro preto parou diante de mim.

O veículo era tão imponente, como se estivesse transportando algum político importante, que os pedestres ao redor não conseguiam evitar olhar. E a garota que desceu dele, de certa forma, correspondia perfeitamente às expectativas deles, com sua aparência marcante e presença dominante.

Os lindos cabelos loiros de Tennouji-san, penteados em elegantes cachos verticais, balançaram suavemente enquanto ela se aproximava.

— Espero não ter feito você esperar.

— Não, eu também acabei de chegar…

E realmente tinha acabado de chegar. Ainda faltavam dez minutos para o horário combinado, e eu pretendia esperar um pouco, mas talvez Tennouji-san tivesse pensado a mesma coisa.

Mas, mais do que isso, minha atenção estava voltada para a própria Tennouji-san.

— O que foi?

— Ah… suas roupas casuais ficaram muito bonitas.

— Nossa, você ficou ainda mais habilidoso com as palavras.

Tennouji-san soltou uma risadinha suave. Lembrei-me da vez em que ela me chamou de "trapaceiro" por elogiá-la. Mas, no fundo… eu estava um pouco atordoado.

Eu havia imaginado que o encontro de hoje seria algo parecido com uma sessão de estudos, mas a roupa de Tennouji-san era glamourosa demais para isso. Ela parecia pronta para ir diretamente a um parque de diversões.

— Vamos indo, Itsuki-san?

Tennouji-san passou a me chamar pelo primeiro nome. Eu conhecia o significado daquele sinal.

— Sim. Estou ansioso pelo dia de hoje.

— Hehe… Este momento realmente é uma bênção, não é?

Só de mudar o tom de voz, Tennouji-san sorriu com uma felicidade evidente. …Ouvir algo assim até me deixava um pouco envergonhado.

Tomonari Itsuki, herdeiro de uma empresa de médio porte, estava atualmente "de folga". Hoje, quando eu estava com Tennouji-san, eu era o verdadeiro Tomonari Itsuki — um ex-estudante problemático que agora trabalhava como cuidador da família Konohana.

— Para onde vamos?

— Aqui.

Tennouji-san mostrou a tela do smartphone.

— Um museu de arte?

O plano era estudar lá ou algo assim?

— Vou me desculpar antes de qualquer coisa — Tennouji-san falou com uma expressão séria. — A reunião estratégica era mentira.

— Hã?

— Convidei você hoje para ajudá-lo a relaxar, Itsuki-san.

Instintivamente levei a mão à testa enquanto processava as palavras dela. Ela provavelmente percebeu o quanto eu vinha me desgastando ultimamente e se deu ao trabalho de me convidar para sair e me distrair.

Claro, aquilo sem dúvida vinha da preocupação dela comigo. Mas, dessa vez, eu não conseguia simplesmente aceitar sem hesitar.

— Desculpe. Eu realmente agradeço pela consideração, mas estou atolado de coisas agora.

Havia coisas demais sobre meus ombros. Minha mente estava constantemente à beira de entrar em colapso, e eu precisava resolver tudo o mais rápido possível ou acabaria enlouquecendo.

Nesse estado, mesmo que eu saísse com Tennouji-san, provavelmente ela também não conseguiria se divertir. Então, por mais doloroso que fosse, talvez fosse melhor voltar para casa hoje. Ao ver minha expressão perturbada, Tennouji-san falou.

— É como olhar para o meu antigo eu…..

— Essa expressão de alguém encurralado… eu a vi incontáveis vezes no espelho naquela época.

Murmurando com um leve tom de tristeza, Tennouji-san fixou em mim um olhar decidido.

— Você sabe que, durante o Management Game, não é possível entrar no jogo aos domingos, certo? Sabe o motivo disso?

— Não é… para que possamos focar nos estudos fora do jogo?

— Não.

Tennouji-san balançou a cabeça.

— É para que os estudantes mentalmente sobrecarregados pelo jogo possam recuperar a compostura.

A resposta dela me pegou de surpresa.

— Executivos carregam uma responsabilidade imensa. Por causa disso, são muito mais propensos a desenvolver problemas mentais do que funcionários comuns. …Na verdade, executivos têm uma taxa de suicídio mais alta.

— É mesmo?

— O Management Game pode ser apenas um jogo, mas é uma disciplina que afeta fortemente as notas. E, como os alunos da Academia Kiou carregam o peso das expectativas dos pais, muitos são extremamente sensíveis ao próprio desempenho. …Todos os anos, alguns alunos acabam entrando em colapso mental durante o jogo, então a academia reservou um dia de descanso por semana.

Eu não fazia ideia de que existia um motivo desses.

Mas Tennouji-san estava certa. Todos os alunos da Academia Kiou carregavam o peso das expectativas dos pais ou do legado familiar. Mesmo sem o Management Game, alguns já se forçavam até o limite todos os dias. Hinako e Tennouji-san eram exemplos disso.

— O cuidado com a saúde mental é essencial para executivos. No jogo, não é diferente. …Então, por favor, aceite isso e deixe-me ajudá-lo a relaxar hoje.

As palavras de Tennouji-san atingiram profundamente meu peito. O fato de eu tê-la preocupado tanto me abalou mais do que qualquer outra coisa.

…Entendi. Eu realmente estava encurralado, não estava?

Os sinais certamente estavam por toda parte. Hinako, Asahi-san, Taishou e Shizune-san haviam demonstrado preocupação com minha falta de sono e exaustão. Com tantas pessoas preocupadas comigo, era impossível eu estar em um estado normal.

— Tudo bem…. — assenti profundamente e olhei para Tennouji-san. — Eu sabia que estava me forçando demais. …Hoje, vou focar em relaxar.

— Muito bem. Descansar também faz parte do trabalho, sabia? — Tennouji-san assentiu, satisfeita. — Sinceramente… eu não disse para você não exagerar?

Agora que ela mencionou isso, eu me lembrava vagamente dela ter dito algo parecido quando eu pesquisava sobre suas estratégias de administração. Pensando bem, talvez ela já tivesse percebido esse lado da minha personalidade naquela época.

— Você provavelmente foi a única pessoa que já me disse isso.

— Quanto melhor alguém vai no Management Game, mais fácil é ser engolido por ele. …Eu suspeitava disso, mas parece que Itsuki-san corre o risco de se tornar um workaholic.

(N/SLAG: workaholic=viciado em trabalho.)

Eu nem conseguia rebater. Olhando para trás, antes de entrar na Academia Kiou, eu sempre estava trabalhando em empregos de meio período para conseguir me sustentar. Depois de entrar na academia, passei a viver enterrado nos estudos.

Conversei com meus antigos colegas da minha cidade e decidi continuar vivendo dessa forma, mas talvez eu tivesse me acorrentado inconscientemente a esse estilo de vida. Eu precisava continuar me esforçando, mas preocupar todo mundo daquela maneira não era o que eu queria.

— Agora, vamos indo! Primeiro, ao museu de arte!

— Certo. Mas não parecia bem longe daqui?

— Sim. Por isso vamos de carro.

Enquanto falava, Tennouji-san lançou um olhar para o lado. O carro que a havia trazido até ali ainda estava estacionado por perto. Quando nossos olhares se encontraram, o motorista — um homem de terno preto — fez uma profunda reverência.

— Da última vez, Itsuki-san me acompanhou em uma diversão ao estilo plebeu. Desta vez, eu lhe mostrarei como aproveitar um passeio da alta sociedade!

Com Tennouji-san, que parecia ainda mais animada do que de costume, segui em direção ao carro.

Em silêncio, pedi desculpas pelo meu humor sombrio, que provavelmente vinha lançando uma sombra sobre ela até aquele momento. …Ao mesmo tempo, não consegui deixar de pensar que uma expressão alegre combinava muito mais com ela.

 

Depois de passarmos duas horas explorando o museu de arte tranquilamente, saímos do prédio ainda envolvidos pela sensação agradável que a visita havia deixado.

— E então, o que achou? — perguntou Tennouji-san.

— Foi minha primeira vez em um museu de arte, mas… gostei muito.

— Hehe, imaginei que sim.

Tennouji-san sorriu, satisfeita.

— Não é com os olhos, nem com os ouvidos… mas com o coração que se aprecia arte. Acredito que esse tipo de estímulo seja algo precioso, algo impossível de encontrar em qualquer outro lugar.

Então era por isso que ela queria compartilhar aquilo comigo. Eu concordava que apreciar arte tinha um charme único. Diferente de esportes, filmes, mangás ou jogos, aquela forma de entretenimento guiada pelas emoções possuía um fascínio difícil de descrever.

— Você costuma vir bastante a museus de arte?

— Talvez uma ou duas vezes por mês. Venho sempre que alguma pintura que me interessa está em exibição.

Era uma frequência considerável. Tennouji-san praticamente havia guiado toda a visita sozinha. Ela conhecia tão bem a disposição do lugar que devia ter vindo ali muitas vezes.

— Alguma pintura chamou sua atenção, Itsuki-san?

— Hmm… pode soar clichê, mas Nenúfares tinha um encanto fascinante.

— A obra-prima de Claude Monet, não é?

Havia uma multidão ao redor de Nenúfares, e a pintura era destacada como uma das principais atrações do museu, então provavelmente era uma obra muito famosa. De longe, a pintura das flores flutuando sobre a água parecia pesada e sombria, dominada por tons profundos de azul. Mas, ao me aproximar, percebi a forma delicada e suave com que a luz era retratada, e acabei ficando parado ali por um bom tempo, completamente hipnotizado.

— Na verdade, Nenúfares faz parte de uma série, e existem outras variações da obra.

— Sério?

— Em breve haverá uma exposição com outras pinturas da série Nenúfares. Vou convidá-lo novamente.

Isso parecia interessante. Enquanto começávamos a caminhar, senti um leve formigamento na sola dos pés. O museu era enorme, então provavelmente eu havia me cansado de tanto andar. Peguei o smartphone para verificar as horas. Três da tarde… ainda faltava algum tempo até o jantar.

— Vamos fazer uma pausa?

— Sim, vamos. Que tal um café? — Tennouji-san sugeriu naturalmente. — A propósito, eu já escolhi o lugar. Fica a uma curta caminhada daqui.

— Sua habilidade de conduzir um encontro é impecável, como esperado.

— É o refinamento de uma dama — disse Tennouji-san com um sorriso orgulhoso.

No caso dela, "refinamento de uma dama" parecia servir para praticamente qualquer coisa que decidisse fazer. Tivesse ou não relação com ser uma dama, ela era inegavelmente impressionante.

— Seja bem-vinda, Tennouji-ojou-sama. Bem-vindo, Tomonari-sama.

Assim que entramos no café escolhido por ela, um funcionário usando um fraque fez uma profunda reverência. Seguindo Tennouji-san, que parecia perfeitamente à vontade, sentei-me.

O interior do estabelecimento era luxuoso, lembrando um palácio europeu. O piso era de mármore, pinturas decoravam as paredes, e as mesas estavam arrumadas com utensílios de chá que pareciam extremamente caros. Ao fundo havia uma área semelhante a um palco, onde um piano de cauda ocupava posição de destaque. O teto branco era adornado por lustres dourados, e para qualquer lado que eu olhasse, tudo exalava elegância.

— Este é um café exclusivo para membros frequentado pela família Tennouji. Venho aqui cerca de uma vez por semana.

Eu já havia achado que ela parecia familiarizada com o lugar, e agora entendia o motivo. Fiquei surpreso quando os funcionários nos chamaram pelo nome sem qualquer apresentação, mas provavelmente já conheciam Tennouji-san e haviam sido avisados previamente de que eu a acompanharia hoje.

— Este lugar é incrivelmente refinado.

— Você não precisa ficar tão rígido… ou era isso que eu ia dizer.

Sentada à minha frente, Tennouji-san olhou diretamente para meu rosto.

— Você está surpreendentemente calmo.

— Bem, ah… acho que isso acontece por causa do lugar onde estou morando atualmente.

Morar na mansão da família Konohana significava estar constantemente cercado por móveis que valiam dezenas de milhares de ienes e pinturas avaliadas em mais de um milhão.

Era natural que eu acabasse criando certa imunidade a esse tipo de coisa.

— Você mora na residência secundária da família Konohana, não é, Itsuki-san?

— Sim. Não na propriedade principal.

— A propriedade principal é ainda mais grandiosa. Eu a visitei uma vez, há muito tempo, para uma festa da alta sociedade, e até eu fiquei maravilhada. …É uma lembrança um pouco frustrante.

Naquela época, Tennouji-san ainda não enxergava Hinako como uma rival, então provavelmente sentiu uma admiração genuína. …Bem, essa sinceridade ainda aparecia de vez em quando até hoje.

Agora que penso nisso, eu nunca tinha visto a propriedade principal da família Konohana.

Kagen-san costumava usar bastante a residência secundária, mas Takuma-san parecia ficar na principal. …Hinako e Shizune-san provavelmente estavam jantando com os executivos do Grupo Konohana naquele momento, e era possível que o evento estivesse acontecendo justamente lá.

— Aqui está o cardápio.

Um funcionário nos entregou os menus.

Morar na mansão dos Konohana havia me tornado resistente a atmosferas elegantes. Mas apenas à atmosfera — no instante em que vi um cardápio sem preços, meu cérebro travou.

— Quanto custa isso?

— Você não precisa se preocupar com isso hoje. Afinal, estou aqui para ajudá-lo a relaxar.

Eu havia pensado que aquilo seria apenas uma sessão de estudos, então não trouxe muito dinheiro. Parecia meio deselegante continuar insistindo em preços num lugar como aquele, então decidi aceitar a gentileza de Tennouji-san por enquanto.

Pedi o mesmo chá que ela, e logo o trouxeram até nossa mesa. Levando a xícara aos lábios sem fazer barulho, tomei um gole silencioso.

— Delicioso.

Era um chá com leite de doçura suave. Um leve amargor servia como o toque perfeito, deixando um sabor limpo e agradável na boca.

— Os chás desta época do ano são encorpados e deliciosos, não acha?

— O sabor muda de acordo com a estação?

— Sim. O período em que os chás de alta qualidade são colhidos é chamado de "estação de qualidade", e, entre eles, os chás de outono — colhidos nessa estação — possuem aroma intenso, sabor rico e combinam maravilhosamente com chá com leite.

— Ah… Desde que entrei na Academia Kiou tenho tomado mais chá, mas não fazia ideia.

— Chá é um hobby pessoal meu, então apenas tenho bastante conhecimento sobre isso.

Ainda bem que isso não era conhecimento geral… Desde que entrei na Academia Kiou, vinha aprendendo sobre tipos de chá e marcas de utensílios, mas ainda assim me assustava quando meus colegas falavam do assunto, pensando: "Eu realmente preciso saber tudo isso?!" A cultura da elite era profunda demais.

Enquanto aproveitava aquele momento refinado com Tennouji-san, uma mulher usando um belo vestido subiu ao palco no fundo do café e fez uma reverência aos clientes. Ela se sentou diante do piano de cauda e começou a tocar suavemente.

Era uma música delicada. Talvez por eu ter acabado de experimentar tanta arte no museu, aquelas notas suaves pareciam fluir naturalmente para dentro do meu coração.

Pavane pour une infante défunte… Uma pavana era uma dança popular na Europa do século XVI.

Saboreando a explicação de Tennouji-san, continuei apreciando o chá e a apresentação.

Eu não entendia muito de piano, mas as notas complexas e contínuas eram tocadas de forma tão distinta, como pequenos grãos individuais, que a música era extremamente agradável de ouvir. A pianista devia ser alguém famosa.

Quando a apresentação terminou, o público aplaudiu. A pianista se levantou e fez outra reverência. Por fim, ela lançou um olhar para Tennouji-san e fez um pequeno aceno de cabeça, que Tennouji-san respondeu com um sorriso. Como ela frequentava bastante aquele lugar, provavelmente se conheciam.

— Se ela é sua amiga, você pode ir falar com ela, sabia?

— Neste momento, eu sou uma cliente, e ela é uma artista. Eu jamais faria algo tão deselegante quanto interromper essa dinâmica maravilhosa.

Tennouji-san respondeu calmamente enquanto tomava um gole do chá. Antes de serem conhecidas, elas eram uma artista e uma cliente. …Tennouji-san provavelmente apreciava a música de uma profissional, e não apenas a apresentação de uma amiga. Aquilo parecia a forma suprema de respeito.

…Então era isso que significava ser uma verdadeira ojou-sama.

Se Hinako era a ojou-sama perfeita, Tennouji-san era a ojou-sama por excelência. Não era apenas o modo elegante de falar ou agir — sua própria maneira de existir, sua forma de viver, transbordava refinamento.

— Você é surpreendentemente talentosa em várias coisas, Tennouji-san.

— A parte do "surpreendentemente" era desnecessária.

Ops, minha língua escorregou. Mas Tennouji-san não parecia realmente irritada — ela ainda estava sorrindo.

— Ainda assim, a maioria dos hobbies que você viu hoje são relativamente novos.

— Sério?

— Sim — Tennouji-san olhou para mim com olhos gentis. — Graças a você.

De bom humor, ela continuou:

— Até pouco tempo atrás, eu estava desesperadamente tentando me tornar uma filha digna da família Tennouji. Eu tomava cuidado para não demonstrar isso, mas naquela época estava mental e fisicamente exausta, e minha família frequentemente se preocupava comigo.

Eu conhecia a Tennouji-san daquela época. Foi quando surgiu a conversa sobre um casamento arranjado, e ela acreditou, por engano, que não tinha escolha além de aceitar. Naquele período, ela realmente estava encurralada.

— Foi você quem ampliou meu mundo, Itsuki-san. Graças a você, consegui encarar os verdadeiros sentimentos dos meus pais e encontrar uma forma mais equilibrada de viver. …E, como resultado, pude descobrir todos esses hobbies.

Tennouji-san havia se concentrado excessivamente em corresponder às expectativas dos pais — ou melhor, criou em sua mente uma versão idealizada dessas expectativas e passou a acreditar que cumprir aquilo era o único propósito de sua vida.

O resultado de se libertar desse peso era a Tennouji-san de hoje. Ela continuava tão esforçada quanto antes, mas já não estava presa a uma visão estreita. Agora aceitava os sentimentos direcionados a ela e vivia plenamente.

Ela achava que carregava um enorme fardo, mas, na verdade, Tennouji-san sempre foi alguém leve e livre. E agora estava usando essa liberdade para experimentar todos os tipos de coisas.

— Itsuki-san, quero agradecê-lo mais uma vez. Por sua causa, minha vida se expandiu enormemente.

Tennouji-san abaixou a cabeça em silêncio.

— Não acho que eu tenha feito algo tão grandioso assim.

— Para mim, foi mais importante do que qualquer outra coisa.

Ouvir aquilo fazia eu sentir que todo o esforço que tive para convencê-la realmente valeu a pena.

— De qualquer forma, o que quero lhe dizer, Itsuki-san, é que fui capaz de mudar minha maneira de viver por sua causa.

Tennouji-san tomou mais um gole do chá. Então colocou a xícara na mesa com um pouco mais de força.

— E MESMO ASSIM…! Agora é você quem está se desgastando exatamente como eu fazia antes! Honestamente, não consigo deixar de querer dizer alguma coisa!

— Desculpe…

Eu tive um mau pressentimento quando ela tomou aquele gole, e, como esperado, a conversa acabou chegando nesse assunto…

— Ultimamente, você tem sido exatamente como a antiga eu. …Foi por isso que decidi que precisava ser eu a estender a mão desta vez.

— Entendo…..

— A antiga eu provavelmente teria olhado para um Itsuki-san encurralado e dito: "Continue se esforçando desse jeito."

Será mesmo?

É verdade que Tennouji-san mudou bastante desde aquela época, mas acho que até mesmo a antiga Tennouji-san teria me mandado descansar se me visse daquele jeito.

Ela reconhecia o próprio crescimento, então acabava sendo um pouco dura demais com seu antigo eu, mas, para mim, Tennouji-san sempre foi gentil desde o instante em que nos conhecemos.

Eu ainda me lembrava claramente da vez em que ela falou comigo enquanto eu procurava a carteira perdida de Hinako, dizendo para eu andar de cabeça erguida. …Naquela época, ela foi tão incrível e gentil. Para alguém como eu, que não sabia nem para onde ir, ela me fez pensar: "Quero ser como ela." Ela dizia que fui eu quem estendeu a mão para ela, mas a primeira pessoa a realmente fazer isso foi Tennouji-san.

— Eu também mudei por sua causa, Tennouji-san.

Não consegui evitar colocar meus pensamentos em palavras.

— Confiança. Falar com clareza. Andar de cabeça erguida. Se esforçar ao máximo. …Foi você quem me ensinou todas essas coisas. Então, obrigado.

Sem dúvida, foi Tennouji-san quem me mostrou a importância de tudo isso. Olhei diretamente para ela, mantendo o peito erguido com orgulho.

Naquele ambiente refinado, onde um único deslize pareceria deslocado, eu estava sentado frente a frente com a herdeira do Grupo Tennouji. O antigo eu teria se intimidado. Mas agora, até eu me surpreendia com a confiança com que conseguia me portar.

Ao me ver daquela forma, Tennouji-san pareceu momentaneamente atordoada. As bochechas dela gradualmente ganharam um suave tom avermelhado.

— B-Bem… fico feliz em ouvir isso!

De alguma forma, o clima entre nós ficou um pouco mais quente e estranho. Meu rosto estava quente. Provavelmente devia estar vermelho naquele momento.

— A-Ah, falando nisso, Suminoe-san também disse que você mudou bastante, não foi?

Para mudar o clima, acabei soltando o primeiro assunto novo que veio à mente.

— Foi mesmo?

— Sim. Outro dia, durante nossa sessão de estudos, ouvi várias coisas dela.

Falei sobre Suminoe-san com cuidado, evitando mencionar sua verdadeira personalidade.

— Tennouji-san, você ajudou Suminoe-san naquela época, não foi?

— Não se tratava de ajudá-la. Eu simplesmente não queria que os talentos de Suminoe-san fossem desperdiçados. Quem realmente a ajudou foi ela mesma, por meio do próprio esforço.

Parecia que Tennouji-san queria interpretar aquilo como apenas ter recrutado Suminoe-san para uma empresa do grupo puramente por causa de suas habilidades.

— Você conversa bastante com Suminoe-san?

— Sim. Embora, desde que fomos colocadas em turmas diferentes no segundo ano, normalmente só conversamos quando nos encontramos depois das aulas.

— Entendo… Suminoe-san realmente admira muito você, então talvez se sinta um pouco solitária.

— Oh? Ela pareceu assim?

— Bem…

Eu não sabia se "solitária" era exatamente a palavra certa, mas o carinho que ela sentia por Tennouji-san era extremamente evidente. Antes de serem separadas em turmas diferentes… quando Suminoe-san ainda podia vê-la todos os dias, talvez estivesse emocionalmente melhor do que agora.

— Eu já tinha uma vaga impressão de que Suminoe-san me admirava.

Parecia que Tennouji-san havia percebido, ainda que vagamente, os sentimentos dela. Claro, ela provavelmente não fazia ideia da verdadeira personalidade de Suminoe-san.

— Mas… ela admirava a antiga eu, então talvez ache a atual um pouco complicada.

Tennouji-san disse isso com uma expressão complexa enquanto olhava para o relógio pendurado na parede do café.

— Bem então, vamos para nosso próximo destino?

— Tem mais?

— Sim. …Nós dois não passamos muito tempo presos a mesas ultimamente?

Isso era verdade.

— Em momentos assim… nada supera mexer o corpo!

 

Com uma leve sensação de nervosismo, soltei um suspiro. Depois de ficar parado por um tempo, ouvi passos se aproximando.

— Desculpe por fazê-lo esperar.

Quando Tennouji-san caminhou em minha direção, não consegui evitar encará-la, completamente fascinado.

— Você está absolutamente deslumbrante.

— Voltou a usar linguagem formal.

Enquanto eu estava vestido com um simples terno preto, Tennouji-san, usando um impressionante vestido azul, abriu um sorriso. Ela estendeu a mão para mim.

— Então… vamos dançar?

Uma melodia lenta e suave começou a tocar. Depois de sairmos do café, Tennouji-san me levou até um salão de dança.

O lugar, claramente projetado para dança de salão, era espaçoso, elegante e carregado de uma atmosfera refinada. O piso de madeira polida deslizava na medida certa, e cada passo ecoava de maneira agradável. Lustres ornamentados pendiam do teto, espalhando uma iluminação suave e acolhedora.

Como o local oferecia aluguel de roupas, nós dois trocamos de roupa para trajes formais. Fazia algum tempo desde a última vez em que usei roupas próprias para dança, já que ultimamente eu quase não tinha oportunidades de praticar dança de salão.

A dança que executávamos era uma valsa lenta. Agora que penso nisso, a primeira dança que Tennouji-san me ensinou foi justamente essa mesma valsa lenta.

— Nossa, você se lembra dos passos surpreendentemente bem.

— Bem, você treinou comigo de forma bem rigorosa…

— Parece que meu ensino foi bastante eficaz. Na próxima vez, devo lhe ensinar tango?

Diferente da valsa, o tango era uma dança intensa e apaixonada. Eu fiquei um pouco curioso, mas deixaria isso para outro dia. Mantendo nossa postura, girei junto com Tennouji-san em uma meia-volta suave. O movimento parecia quase sem esforço, como se não houvesse resistência alguma.

Na dança de salão, existem momentos em que você sente estar perfeitamente sincronizado com o parceiro.

Esses momentos eram pura felicidade. Era como se as fronteiras entre mim e Tennouji-san se dissolvessem e desaparecessem… não apenas um de nós, mas ambos nos entregando ao fluxo da dança, criando uma sensação quase mística.

— Olhando para trás, isso é bastante nostálgico — disse Tennouji-san com um sorriso suave. — Na primeira vez em que dançamos, Itsuki-san, você estava tão nervoso que praticamente tremia.

— Eu estava tão nervoso assim?

— Oh, com certeza. Você travava só de fazer contato visual comigo.

Agora que ela mencionou isso, acho que estava certa.

— Eu também era assim quando era mais jovem. Ficava tão pressionada para fazer tudo perfeitamente que acabava nervosa…

— Não, não era exatamente isso.

Quando Tennouji-san inclinou a cabeça curiosamente, continuei:

— Não era a dança que me deixava nervoso — era o fato de estar dançando com você, Tennouji-san.

Parei antes de continuar, sentindo vergonha e constrangimento demais para prosseguir. Mesmo sendo apenas dança, nossos corpos ficavam próximos, nossos rostos mais perto do que o normal… e fazer isso com Tennouji-san? Claro que eu ficava nervoso.

Eu já havia me acostumado um pouco, mas, sinceramente, ainda continuava tenso. Sentindo-me um pouco inadequado enquanto dançávamos, percebi que Tennouji-san de repente errou um passo, quase perdendo o equilíbrio.

— Tennouji-san?

Era raro ela cometer um erro daqueles, então olhei para o rosto dela e vi…

— Você não é o único nervoso.

— Hã?

As bochechas de Tennouji-san estavam levemente avermelhadas enquanto ela desviava o olhar. Um silêncio estranho pairou entre nós, mas continuamos dançando.

…Ah não, agora estou consciente demais das minhas mãos suadas.

Parecia que Tennouji-san sentia o mesmo, pois ambos começamos a nos mexer de maneira inquieta enquanto dançávamos.

— E-Então, hum, Itsuki-san, por que decidiu entrar para o conselho estudantil?

Tennouji-san mudou de assunto. Agora que penso nisso, nunca havia explicado isso a ela. Mas como eu deveria dizer isso? …Tennouji-san sentia rivalidade em relação à Hinako. Eu não queria estragar aquela atmosfera agradável, então decidi omitir essa parte.

— Na verdade, eu queria me tornar executivo de uma certa empresa no futuro, e precisava de conquistas para tornar isso possível. Ouvi dizer que fazer parte do conselho estudantil da Academia Kiou me daria uma vantagem…

Enquanto eu explicava, os olhos de Tennouji-san ficaram mais afiados.

— O Grupo Konohana, presumo?

— O qu—?

— Você não mencionou o nome da empresa na minha frente. E precisa de uma conquista de alto nível, como o conselho estudantil da Academia Kiou. Esses dois pontos tornam a conclusão bastante óbvia.

Ela enxergou tudo imediatamente. Fiquei sem palavras, fechando a boca.

— Em outras palavras, você está buscando o conselho estudantil por causa de Konohana Hinako?

— Não, não é só isso…

Tennouji-san parou de dançar. A melodia suave e bela continuava ecoando, trazendo consigo uma leve sensação de solidão e saudade…

— Nos seus olhos… o que você vê…? — De repente, Tennouji-san me puxou para mais perto. — Você está olhando apenas para… Konohana Hinako?

Nossos narizes quase se tocaram. Mesmo assim, Tennouji-san não desviou o olhar. O rosto refletido nos olhos dela era o de alguém perturbado — hesitante, lutando para encontrar uma resposta, mantendo os lábios fechados.

Então… percebi os olhos dela tremendo. Os olhos de Tennouji-san sempre pareceram fortes e radiantes. Mas não naquele momento. Observando-os tão de perto, consegui perceber. Havia uma leve ansiedade escondida neles.

Algo estava errado. Tennouji-san estava olhando para mim com tanta intensidade… então por que eu estava usando aquela expressão confusa?

— Isso não é verdade.

Minha respiração balançou levemente os cabelos de Tennouji-san. Fechei os olhos por um instante e depois os abri novamente. O rosto refletido nos olhos dela… já não vacilava mais.

— Eu comecei a dizer isso antes, mas não é só isso. Quero ficar lado a lado com você, com Narika, com todos aqueles com quem convivo todos os dias.

— Lado a lado…?

Assenti.

— Sim.

Isso… era algo que eu havia decidido no fim das férias de verão. Naquele período, tive a oportunidade de voltar à minha antiga vida. Mas não voltei. E uma das razões para isso… foi Tennouji-san.

— Entrar na Academia Kiou e conhecer tantas pessoas me fez querer me tornar alguém como elas. …Você, Tennouji-san, foi uma das pessoas que despertaram isso em mim.

Tennouji-san ouviu minhas palavras atentamente. Eu queria me tornar alguém capaz de carregar grandes responsabilidades, assim como eles. Mais especificamente, queria ao menos me tornar um executivo do Grupo Konohana. E… eu estava até mesmo começando a nutrir ambições além disso.

— Agora mesmo, frequento a academia usando um título falso… mas, um dia, quero estar ao lado de todos sendo meu verdadeiro eu. …Buscar uma vaga no conselho estudantil é um passo nessa direção.

Aquilo, eu acreditava, era o verdadeiro significado de igualdade. Queria caminhar lado a lado com todos no sentido mais genuíno possível. Ao ouvir meus sentimentos, Tennouji-san soltou um pequeno suspiro…

— Você realmente é um desafiante, não é?

Um desafiante, hein? …Quando ela colocava dessa forma, talvez eu realmente fosse. Para alguém comum como eu carregar ambições desse tamanho, acho que realmente fazia sentido me chamar assim.

— É justamente por você ser assim que eu…

Tennouji-san me encarou com uma expressão sonhadora, quase hipnotizada.

— Tennouji-san?

— N-Não é nada! …Quase deixei escapar.

O rosto dela ficou vermelho vivo enquanto cobria a boca com as duas mãos. Quando a próxima música começou, voltamos a segurar as mãos um do outro e retomamos a dança. Dançamos uma valsa lenta e deliberada, como se estivéssemos confirmando nossos sentimentos a cada passo.

— Deixe-me lhe perguntar uma coisa. …Se eu pedisse para você entrar no Grupo Tennouji, o que faria?

— Isso…

Eu devia muito à Hinako por ter me contratado. E, como cuidador dela, queria permanecer ao seu lado e aliviar seus fardos. Ela sempre travava batalhas solitárias. Meu desejo de apoiá-la era forte.

Mas eu também devia muito à Tennouji-san e, se ela estivesse em dificuldade, eu também gostaria de ajudá-la. Se ela depositasse confiança e expectativas em mim, eu sentiria vontade de corresponder a isso.

Será que eu deveria escolher baseado no trabalho? …O salário certamente não seria o fator decisivo. Provavelmente ambas ofereceriam condições mais do que generosas. Então seria pela área? Escolher aquilo que mais combina comigo? …Não, se eu não fosse adequado, simplesmente estudaria até me tornar apto antes da formatura.

Eu estava pensando demais nisso a ponto de suor começar a surgir na minha testa. E, no fim, a conclusão à qual cheguei foi—

— A-Ambas… talvez…?

— Haaaaahhh!

Tennouji-san soltou o suspiro mais profundo que já ouvi dela.

— Trapaceiro, denso, cabeça-dura.

— Ah…

— Passei a entendê-lo ainda melhor, Itsuki-san. Você é o tipo de pessoa que continua adiando esse tipo de decisão e nunca dá uma resposta clara até o último momento.

— Ugh.

Ser chamado assim me dava vontade de retrucar um pouco. …Além disso, e quanto ao lado dela? Se eu tomasse uma decisão agora, será que ela realmente estaria pronta para aceitá-la?

— Bem, eu já imaginava isso desde o começo. Se pensar bem, isso até me coloca na melhor posição. Afinal, sou muito mais adequada para correr atrás do que quero do que para ficar esperando—

— Então eu vou com você.

Os olhos dela se arregalaram ao ouvir minhas palavras.

— H-Hã!?

— Eu escolho você, Tennouji-san.

— O qu—!? E-Espera aí—!?

Tennouji-san soltou um som estranho e parou no lugar. Ao ver a reação dela, senti uma certa satisfação.

— Estou brincando. …Viu? Você também não está preparada para isso, está?

— E-Espere, espere um pouco…! A-Acho que estamos falando de coisas diferentes aqui!

— Coisas diferentes? Estamos falando sobre o futuro, não?

— Sim, mas! É que…!

Isso não era sobre em qual empresa eu trabalharia…?

— Acho que também passei a entendê-la melhor. …Você é fraca quando alguém toma a iniciativa, não é?

— O-O qu—!?

Tennouji-san abriu e fechou a boca repetidamente enquanto me encarava.

— N-Não fique tão convencido assim! Se disser algo desse tipo de novo…

— Se eu disser?

Com o rosto completamente vermelho, Tennouji-san declarou:

— E-Eu vou fazer você assumir responsabilidade!!

Aquilo soou sério demais para parecer apenas uma brincadeira, então praticamente esfreguei a testa no chão enquanto me desculpava.

 

Depois disso, continuamos dançando por mais cerca de uma hora e, em seguida, cada um tomou banho para lavar o suor antes de deixarmos o salão.

— Ufa… Suei bastante hoje.

— Sim.

Embora parte desse suor tivesse vindo dos momentos constrangedores. Enquanto caminhávamos sob a luz do entardecer, um leve toque eletrônico soou do lado de Tennouji-san.

— Com licença.

Ela tirou o smartphone do bolso e o levou ao ouvido. Consegui captar apenas fragmentos da conversa — algo sobre o "Management Game", então provavelmente era um colega de classe do outro lado da linha. Tennouji-san disse: "Retorno a ligação mais tarde", e encerrou a chamada.

— Assuntos do jogo?

— Sim. Mas decidi focar completamente em relaxar hoje, então lidarei com isso outra hora.

Mesmo assim… se estavam ligando diretamente para ela, talvez fosse algo urgente.

— Se está se segurando por minha causa, não precisa se preocupar. Já estou bem agora. Graças a você, consegui descansar bastante.

Sinceramente, o problema desde o começo foi minha insistência teimosa em não fazer pausas. Agora que eu havia refletido sobre isso, não havia necessidade de forçar mais descanso. Além disso, ao contrário de mim, Tennouji-san parecia ter a saúde mental perfeitamente sob controle. Não existia motivo para ela interromper o trabalho apenas para continuar me fazendo companhia.

Ela deveria fazer o que quisesse. Percebendo meus sentimentos, Tennouji-san soltou uma leve risada e assentiu.

— Entendido. …Então vou me afastar um instante.

Ela caminhou alguns passos para longe e iniciou outra ligação. Dessa vez, a conversa durou mais. Pelo que consegui perceber, não era uma conversa casual, mas uma discussão séria que exigia bastante reflexão e respostas cuidadosas. Sentei-me em um banco próximo para esperar, e logo Tennouji-san voltou.

— Desculpe pela demora.

Ela se sentou ao meu lado.

— Bom trabalho. Sobre o que era?

— Era sobre uma parceria empresarial. Estamos avaliando possíveis empresas parceiras, e uma delas estava insistindo bastante, então precisei lidar com isso.

— Uau. Bem, considerando sua empresa, imagino que muita gente queira formar parceria com vocês.

— Felizmente, parece ser o caso.

Da última vez foi um M&A, e agora uma parceria comercial. Tennouji-san administrava sua empresa aproveitando conexões com todo tipo de negócio. Isso me fez pensar que… talvez eu também precisasse formar parcerias com outras empresas algum dia.

Agora fiquei curioso sobre como funcionavam as parcerias de Tennouji-san.

— Que tipo de candidatos vocês têm?

— Algo assim, mais ou menos.

Tennouji-san me entregou o smartphone. Na tela havia documentos de várias empresas. Talvez umas dez ao todo. Passei o dedo pela tela enquanto observava as características de cada companhia.

— Por enquanto, a segunda empresa é a candidata mais promissora.

Olhei os documentos daquela empresa. Era claramente uma excelente companhia. O porte era grande, e o setor estava intimamente alinhado ao dela. Formar parceria com eles provavelmente traria retornos estáveis.

…Hm?

No entanto, enquanto lia os documentos das outras empresas, algo chamou minha atenção.

— E esta empresa aqui? Ela não parece combinar bastante com você?

— Hã?

Entreguei o smartphone de volta para Tennouji-san. Ela leu silenciosamente os documentos exibidos na tela.

— Você acha? As restrições orçamentárias dessa empresa são bastante rígidas e, no geral, acredito que o porte dela não combine com o da minha companhia.

— Os números talvez indiquem isso, mas tenho a impressão de que essa empresa compartilha a visão mais próxima da sua, Tennouji-san.

Depois de dizer aquilo, percebi que não conseguia explicar exatamente por que sentia isso. Ainda assim, Tennouji-san mergulhou em pensamentos profundos.

— Vou marcar uma reunião…. — dizendo isso, ela pegou novamente o smartphone e iniciou outra ligação.

Alguns minutos depois de começar a conversa, Tennouji-san abriu um sorriso radiante. O tom animado da voz dela deixava claro que as negociações estavam indo bem. Depois de esperar um pouco, ela voltou até mim.

— Como foi?

— Nós nos demos extremamente bem! — disse Tennouji-san alegremente. — Você estava certo, Itsuki-san. Essa empresa não apenas compartilha minha visão, como já está olhando além dela. Os números podem favorecer outras empresas, mas decidi fechar parceria com esta. Não existe nada mais valioso do que um parceiro que compartilha da mesma visão!

Parecia que, no fundo, Tennouji-san não queria escolher um parceiro baseada apenas em números. Os documentos por si só revelavam apenas uma parte da realidade. Encontrar o parceiro que realmente procurava a deixou de ótimo humor.

— Mas como você soube que isso aconteceria, Itsuki-san?

Ao ouvir a pergunta, parei para pensar. Pensei bastante… mas ainda não consegui colocar aquilo em palavras.

— Eu apenas… tive uma sensação quando li os documentos. Como se aquela empresa fosse a combinação perfeita para você, Tennouji-san.

Em outras palavras, pura intuição. Senti um pouco de culpa por fazê-la agir baseada em algo tão vago, mas, como tudo deu certo, esperava que ela me perdoasse. Enquanto refletia sobre isso, Tennouji-san me encarou seriamente.

— Itsuki-san — com uma expressão solene, ela declarou. — Você talvez… se torne alguém ainda mais extraordinário do que eu imaginava.

 

Alguns dias haviam se passado desde que tirei aquela folga com Tennouji-san. Na mansão da família Konohana, eu verificava a situação da Tomonari Gifts.

— Parece ótimo.

Com a ajuda da empresa de marketing apresentada por Asahi-san, parecia que a Tomonari Gifts finalmente estava saindo do período de estagnação. Ao analisar os dados dos clientes, conseguíamos gradualmente operações mais eficientes e sem desperdícios.

Enquanto organizava mentalmente a situação da empresa, o aplicativo de videochamada notificou uma ligação recebida. Preparei o microfone e atendi.

"Takuma-san, bom trabalho hoje."

"Bom trabalho. Vi seu e-mail. Parece que as coisas estão indo muito bem."

"Graças a você."

Eu vinha atualizando Takuma-san sobre nosso progresso por e-mail.

O sucesso tranquilo da minha empresa era, sem dúvida, graças a Takuma-san. Sem os conselhos dele, eu certamente teria tropeçado em algum momento no caminho. Em sinal de gratidão, fazia questão de compartilhar relatórios detalhados sobre minha empresa com ele.

"Com esses resultados, você já pode começar a expandir o negócio."

Disse Takuma-san do outro lado da tela.

"O catálogo de presentes era mais um novo empreendimento, mas agora é hora de ampliar as operações existentes. Tem alguma ideia, Itsuki-kun?"

"Sim. Estou planejando adicionar um menu voltado para empresas. Até agora focamos exclusivamente em clientes individuais, mas quero começar a mirar o mercado corporativo daqui em diante."

"Entendo… Muito bom. Não é tão diferente dos serviços individuais que você já oferece, então provavelmente conseguirá colocar isso em funcionamento rapidamente. Estratégia sólida."

"Obrigado."

Não era algo tão chamativo quanto um novo empreendimento, mas envolvia menos riscos. Eu concordava com a avaliação dele de que era um plano sólido.

"Dito isso, você provavelmente vai bater em uma parede em breve."

Takuma-san soltou aquele comentário ominoso.

"Entrar em novos mercados sempre traz seus próprios riscos. Além disso, sua empresa vem crescendo em um ritmo absurdo, então não seria estranho se você enfrentasse alguma turbulência por agora."

"Uh…"

O que exatamente ele estava vendo que eu não conseguia enxergar? Não parecia que estivesse apenas fazendo advertências aleatórias…

"Como vão seus estudos sobre o mercado de ações?"

"Já cobri o básico que você mandou por e-mail."

"Ainda só o básico, é… Que tal uma prova escrita da próxima vez? Se não tirar nota máxima, sua punição será ficar sem jantar."

"Isso não parece um castigo meio antiquado?"

"O que mais você odiaria? Fazer tarefas para mim provavelmente só o deixaria feliz."

Bem, ele não estava errado. Fazer tarefas para Takuma-san provavelmente me ensinaria um monte de coisas, e no fim eu acabaria gostando. Infelizmente para ele, meus dias de pobreza haviam me tornado resistente à fome. Nem mesmo o perspicaz Takuma-san tinha previsto isso.

"Continue estudando o mercado de ações. Isso vai prepará-lo para o que vem pela frente."

Dizendo isso, Takuma-san mergulhou novamente em pensamentos.

"Ah, mas você tem a Hinako, não é…"

"O que tem a Hinako?"

"Não, uh… esqueça. Você vai ficar bem."

Parecia que ele estava escondendo alguma coisa.

"Certo, vamos encerrar por aqui. Seu dever de casa é continuar estudando ações."

"Obrigado."

Encerrei a videochamada.

…Conversar com ele sempre me anima.

Ultimamente, falar com Takuma-san aumentava bastante minha motivação para o jogo.

Ele devia estar me inspirando. Em algum momento do caminho, passei a respeitar profundamente Takuma-san. E não era surpresa. No começo, eu não sabia o que pensar dele, e sua atitude em relação à Hinako e aos outros me incomodava. Mas, depois de superar essa primeira impressão, ficava claro o quão incrível ele era — a ponto de aquelas impressões iniciais simplesmente desaparecerem.

Mesmo assim, para mim, Takuma-san era uma parede que eu precisava superar.

Por enquanto, vou pedir para a empresa de marketing investigar quanto lucro esse serviço corporativo pode gerar.

Fiquei feliz por ter recorrido às conexões de Asahi-san. Decidi pedir outra análise de mercado. O Management Game durava seis semanas, e estávamos nos aproximando da metade. Eu não precisava ter pressa, mas precisava ficar atento ao cronograma.

Vai demorar um pouco até saírem os resultados da análise… Acho que vou aproveitar esse tempo para revisar as matérias da academia.

Fechei o laptop e mudei o foco. Ultimamente, eu vinha tendo dificuldades para acompanhar as aulas da Academia, então decidi me esforçar mais nos estudos e revisões naquele dia. O timing era perfeito.

Esforço constante e consistente era o segredo. Foi Tennouji-san quem me ensinou isso. Depois de concluir as metas de revisão e preparação que havia planejado, abri o laptop novamente.

— Certo, vamos ver os resultados…

Enquanto eu estudava, alguns dias haviam se passado dentro do jogo. Os resultados da análise de mercado finalmente chegaram, então comecei a examiná-los rapidamente.

— Hã…..?

Inclinei a cabeça ao ver os resultados. Os lucros projetados estavam… abaixo do esperado. O que estava acontecendo? Eu não era arrogante a ponto de acreditar que minhas ideias eram perfeitas, mas até Takuma-san havia aprovado esse plano de serviço corporativo. Eu podia aceitar que tivesse cometido algum erro de cálculo, mas Takuma-san deixar passar algo assim? Difícil de acreditar.

O que significava que… ele provavelmente já havia previsto isso e aprovado o plano mesmo assim. Passei a investigar os detalhes da análise de mercado. A razão para as projeções baixas estava claramente escrita.

— Concorrentes….

Em resumo, outra empresa já havia iniciado um serviço semelhante. Quando vi o nome da companhia, fiquei em choque.

— Essa empresa…

Eu estava diante de um problema complicado. O nome da empresa concorrente… SIS Corporation. A empresa de Suminoe-san.

 

No dia seguinte, depois das aulas, olhei para fora da sala e percebi alguém me encarando. Ela fez um gesto para que eu me aproximasse, então fui até ela.

— Olá, Tomonari-san — Suminoe-san me cumprimentou com um sorriso gentil. — Gostaria de conversar um pouco?

— Claro. Na verdade, eu também queria falar com você, Suminoe-san.

Por isso já havia avisado Hinako e Shizune de que chegaria tarde em casa. Fomos até o café onde havíamos estudado com Kita antes, decidindo conversar lá. Depois de nos acomodarmos, pedimos bebidas e tiramos um momento para relaxar.

— Pela sua expressão, imagino que já tenha percebido, não é? — Enquanto eu pensava em como abordar o assunto, Suminoe-san sorriu. — Minha empresa administra um serviço corporativo de e-commerce. Lidamos principalmente com materiais de escritório, mas também vendemos presentes como parte do catálogo.

Enquanto Suminoe-san explicava, um garçom trouxe duas xícaras de chá. Percebendo que estávamos tendo uma conversa séria, ele se retirou silenciosamente. Suminoe-san pegou uma xícara, fechou os olhos e tomou um gole de chá elegantemente.

— A verdadeira SIS Corporation não opera um serviço assim, certo? Então esse site de e-commerce foi algo que você criou dentro do jogo?

— Sim. Assim que o jogo começou, lancei a divisão de e-commerce como um novo empreendimento.

Era exatamente como eu imaginava… Eu havia pesquisado, e a verdadeira SIS Corporation não possuía nenhuma divisão de e-commerce. Como esperado, Suminoe-san havia iniciado aquilo por iniciativa própria dentro do jogo.

— Então fiquei surpresa. Pensar que havia alguém fazendo praticamente a mesma coisa que eu.

Estritamente falando, não era exatamente a mesma coisa. Eu administrava um serviço de e-commerce focado em presentes para indivíduos, e minha abordagem nichada vinha recebendo bastante reconhecimento. Já o serviço de Suminoe-san era voltado para empresas e não especializado em presentes. A plataforma dela vendia principalmente papelaria, quadros brancos, arquivos e móveis de escritório como mesas e cadeiras. Mas também incluía itens para cerimônias e eventos. Era aí que nossos planos se sobrepunham.

Como a plataforma de Suminoe-san já lidava com papelaria, ela conseguia facilmente atender demandas como presentear alguém com uma caneta-tinteiro em ocasiões especiais usando os serviços que já possuía.

A plataforma dela não era focada em presentes, mas ainda assim atendia necessidades relacionadas a isso. Era por isso que estávamos competindo.

"Dito isso, você provavelmente vai bater em uma parede em breve."

Finalmente entendi o que Takuma-san quis dizer ontem. A parede era um concorrente… um rival. Para fazer a Tomonari Gifts crescer ainda mais, eu acreditava que expandir para serviços corporativos era praticamente essencial.

A atmosfera sofisticada e adulta da Tomonari Gifts combinava perfeitamente com um serviço empresarial. Para tornar a empresa maior, aquela era uma parede que eu não podia evitar.

O que eu deveria fazer…? Superá-la estrategicamente ou chegar a algum tipo de acordo? 

Afinal, o que Suminoe-san queria?

— Por que você começou uma divisão de e-commerce, Suminoe-san?

Para entender suas intenções, fiz uma pergunta segura, mas a resposta dela foi movida muito mais por sentimentos pessoais do que por lógica.

— Pela Tennouji-sama, é claro — Suminoe-san respondeu com uma expressão extasiada. — Criei esse serviço para apoiar a empresa da Tennouji-sama. O Grupo Tennouji está constantemente envolvido em M&A e reestruturações empresariais, então eles sempre sofrem com falta de materiais de escritório… Eu queria resolver isso com o poder do meu amor.

Motivações à parte, ela claramente havia identificado uma necessidade real. Quando considerei iniciar um serviço corporativo de e-commerce, também pesquisei o mercado por conta própria, e não apenas através da empresa de marketing. O mercado de materiais de escritório era um dos que eu vinha observando silenciosamente. Dominá-lo poderia atrair novos clientes que os serviços individuais não conseguiam alcançar.

— Tomonari-san, tenho uma proposta — Suminoe-san olhou diretamente nos meus olhos. — Você me daria sua empresa?

Eu já havia antecipado aquelas palavras. Uma proposta de aquisição. Suminoe-san queria comprar minha empresa.

— Os serviços que estou desenvolvendo e os seus miram praticamente o mesmo mercado. Se nós dois expandirmos aqui, acabaremos canibalizando os clientes um do outro. E isso não seria um resultado agradável para nenhum dos lados.

Em um mercado que já era nichado, competir poderia acabar levando ambas as empresas à destruição mútua. Eu entendia a lógica de Suminoe-san ao propor uma aquisição.

Mas… havia uma coisa que não fechava.

— Antes de responder à proposta de compra, posso perguntar uma coisa?

Suminoe-san piscou levemente e assentiu.

— Desde que percebi que estávamos competindo, venho me perguntando… por que você não me contou sobre sua divisão de e-commerce?

Era isso que eu queria discutir com ela. Por exemplo, durante nossa sessão de estudos com Kita, ela poderia ter mencionado o assunto. Nós chegamos a conversar sobre negócios, então ela claramente evitou tocar nesse tema de propósito.

Por que Suminoe-san manteve em segredo a existência da divisão de e-commerce dela? Eu tinha um palpite.

— Você estava… esperando que eu desenvolvesse minha empresa?

Diante da minha pergunta, Suminoe-san tomou um gole de chá antes de responder.

— Sim. Você estava fazendo exatamente o que eu havia planejado fazer, então decidi observar por um tempo. Se você fracassasse, eu evitaria o risco. Se tivesse sucesso, eu faria uma proposta de aquisição no momento certo.

E agora, exatamente como planejado, ela estava oferecendo comprar minha empresa. Em outras palavras, Suminoe-san havia me usado como um experimento. Um site de e-commerce focado em presentes realmente poderia dar certo? Até onde ele conseguiria crescer? Se mostrasse potencial, ela simplesmente compraria meu serviço e o tomaria para si.

Não era uma estratégia ruim de forma alguma. Utilizar M&A para abrir caminho em novos negócios era uma tática padrão para uma empresa rica em recursos como a SIS Corporation.

— Obrigada por construir um serviço tão excelente. A partir daqui… deixe o resto com a minha empresa.

Suminoe-san disse isso enquanto sustentava meu olhar. O sorriso confiante e confiável dela fazia uma parte de mim sussurrar que segui-la talvez fosse realmente a escolha certa.

Às vezes, eu sentia aquela mesma confiabilidade em várias pessoas da Academia Kiou. Já a havia percebido em Hinako, Tennouji-san, Narika e outros. Era a aura de alguém destinado a liderar, uma qualidade que naturalmente se destacava.

Suminoe-san era uma dessas pessoas.

— Terei que recusar.

Ao ouvir minha resposta, os olhos de Suminoe-san se arregalaram de surpresa.

— Talvez você não saiba, Tomonari-san, mas ser adquirido por uma grande corporação é uma história de sucesso para uma startup. Receber uma proposta de M&A significa que o valor da sua empresa foi reconhecido. Não há motivo para enxergar uma "aquisição" de forma negativa.

— Eu entendo isso.

Eu havia estudado o suficiente para saber pelo menos aquilo. Minha recusa não era porque eu odiava a ideia de perder o controle da minha empresa.

— A razão pela qual estou recusando é porque nossas direções são diferentes.

Expliquei passo a passo.

— A Tomonari Gifts é um e-commerce focado em presentes. Um de seus princípios centrais é eliminar a complexidade. Se você quer enviar um presente, vem para o nosso site. Queremos manter essa experiência simples e intuitiva para o usuário.

Suminoe-san assentiu levemente enquanto ouvia.

— Você está preocupado com a descaracterização do serviço. Mas, se eu adquirir a Tomonari Gifts, pretendo mantê-la praticamente com a estrutura atual. Para aumentar a sinergia de vendas, apenas transformaríamos o meu serviço na porta de entrada…

— E esse é exatamente o problema.

Balancei a cabeça.

— Um serviço focado em presentes dentro de uma plataforma de materiais de escritório é, por natureza, algo complexo.

A Tomonari Gifts tinha como público-alvo os adultos, e seu apelo junto às faixas etárias mais velhas vinha crescendo, como confirmado pela análise da empresa de marketing. Num mundo digital transbordando de informação, a simplicidade em si era um charme. Eu não queria perder essa vantagem.

— Além disso, nossos serviços têm atmosferas completamente diferentes. A Tomonari Gifts prioriza uma imagem sofisticada, mas… sua plataforma é diferente, não é?

Lembrei-me do que Takuma-san havia me ensinado sobre a importância do "mundo" de uma empresa.

Relações adultas, delicadeza nos pequenos gestos e consideração pelos outros — era essa sofisticação que o meu serviço vendia. A plataforma de Suminoe-san, focada na praticidade, possuía um mundo completamente diferente.

Suminoe-san não tinha intenção de administrar um e-commerce especializado em presentes. Ela apenas queria usar o meu serviço para fortalecer o segmento de presentes da plataforma dela. Mas, sem um mundo unificado, ambos perderiam sua individualidade.

Agora eu entendia. Um "mundo" era uma marca. Era a própria imagem que as pessoas tinham de uma empresa. Precisava ser simples, pura e impactante.

— Eu não quero destruir a marca que construí. É por isso que não posso aceitar sua proposta de aquisição.

— Entendo….

Suminoe-san soltou um pequeno suspiro. Soou como um sinal de resignação, mas talvez também tivesse sido apenas uma tentativa de acalmar o coração.

— Muito bem. Se está tão decidido assim, vou recuar por enquanto — Com isso, Suminoe-san se levantou. — Então… espero que não venha a se arrepender disso.

Deixando para trás aquelas palavras ominosas, Suminoe-san se afastou de mim.

 

De volta à mansão, sentei-me em meu quarto, encarando o monitor do computador. Tendo recusado a aquisição… não há dúvidas de que entrei num caminho espinhoso. Ao rejeitar a ideia de unir forças, a relação competitiva entre mim e Suminoe-san continuaria.

A muralha ainda não havia sido superada. Se duvidar, o verdadeiro desafio estava apenas começando.

A SIS Corporation era uma empresa numa escala que fazia a Tomonari Gifts parecer um grão de poeira. Se eles mergulhassem seriamente no setor de e-commerce, eu não teria a menor chance no meu estado atual.

Preciso pensar em alguma contramedida… Enquanto quebrava a cabeça, meu smartphone vibrou com uma chamada recebida.

— Hm, Tennouji-san?

O que ela poderia querer a essa hora? Talvez, como antes, estivesse preocupada achando que eu estava sendo encurralado. Pensando nisso, atendi a ligação.

— Tennouji-san, o que houve—

— Tomonari-san! Você viu a notícia sobre o Management Game!?

A voz desesperada de Tennouji-san interrompeu minhas palavras.

— Não, ainda não, mas…

— Por favor, confira agora mesmo!

Eu estava tão focado em lidar com Suminoe-san que ainda não tinha olhado as notícias. Seguindo sua insistência, abri as notícias do jogo. No Management Game, atualizações como atividades recentes de M&A ou rankings de valor de mercado eram divulgadas periodicamente como notícias.

E, entre aquelas notícias… uma frase chamou minha atenção.

— A SIS Corporation adquiriu a Tech Capital Corporation.

— O quê?

A Tech Capital Corporation era a VC que Suminoe-san havia me apresentado, e a Tomonari Gifts Corporation havia recebido investimentos deles. Naturalmente, em troca, a Tomonari Gifts havia cedido ações à Tech Capital. Em outras palavras, se a Tech Capital tinha sido adquirida—

— Minhas ações… foram tomadas.

 

(N/SLAG: Ok, agora sim a historia tá ficando legal, ainda bem!)

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