Volume 6
Capítulo 2: Suminoe Chika
A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA após o início do Management Game havia chegado. Durante o período do jogo, as sextas-feiras eram designadas como dias sem aula, permitindo que os jogadores entrassem no jogo e jogassem da manhã até a noite, assim como aos sábados. Em outras palavras, as sextas-feiras daquele período eram dias inteiramente dedicados ao jogo.
— Sim… você entendeu muito bem os três pontos.
Naquele dia, eu estava em uma chamada de vídeo com Takuma-san. Takuma-san analisou as respostas do dever de casa que eu havia enviado e começou a falar em um tom satisfeito.
— Tennouji-san está focado em expandir o tamanho e o faturamento da empresa por meio de fusões e aquisições. Hinako mantém uma posição inabalável com uma gestão estável e eficiente. E Miyakojima-san continua lançando produtos revolucionários um após o outro. Realmente, cada um possui uma abordagem distinta.
Takuma-san resumiu de forma impecável os estilos de gestão das três pessoas que eu havia pesquisado nos últimos dias.
— O mais notável é a abordagem de Miyakojima-san. Aquilo é obra de um gênio. Dá até para chamar de trapaça… no bom sentido. A maioria dos gestores não consegue fazer algo assim, por isso precisam passar por tentativa e erro.
Takuma-san disse aquilo com sincera admiração. Pensar que justamente Narika seria chamada de gênio naquela área, superando Hinako e até Tennouji-san… era surpreendente, mas fazia sentido. As ideias de Narika sempre partiam da perspectiva do usuário. Ela simplesmente não jogava ideias ao vento sem pensar.
Se a abordagem de Hinako era o caminho tradicional, e a de Tennouji-san era o caminho da conquista, então a de Narika… bem, já que parecia praticamente uma trapaça, talvez fosse o caminho heterodoxo?
(N/SLAG: heterodoxo=diferente dos iguais.)
— Agora, dentre essas três abordagens, qual você acha que deveria seguir, Itsuki-kun?
Após pensar por um instante, tive a sensação de que nenhuma delas era algo que eu pudesse imitar facilmente. No momento, eu não tinha recursos para adquirir empresas, nem possuía conhecimentos extraordinários. Mas, se eu tivesse que escolher…
— A estratégia de Tennouji-san de desenvolver novos negócios.
— Correto. Expandir novos empreendimentos e serviços é uma prioridade urgente — Takuma-san assentiu. — Alguma ideia específica?
— Bem… que tal aumentar os mercados-alvo? Assim criaríamos mais fontes fundamentais de receita, e acredito que isso daria retorno no longo prazo.
— Nada mal. …Ei, isso foi muito bom. Você realmente começou a pensar como um gestor.
Bom, eu vinha estudando bastante para acompanhar os ensinamentos de Takuma-san, então era de se esperar.
— Mas, antes que você caia em alguma armadilha, deixe-me dar um conselho. Não julgue um negócio apenas pela margem de lucro.
Do outro lado da tela, Takuma-san falou com uma expressão séria.
— O propósito de uma empresa pode assumir muitas formas. Pegue um supermercado local, por exemplo. O varejo é um setor difícil se você olhar apenas para as margens de lucro, mas ele contribui enormemente para a economia local. Além de oferecer bons produtos, também gera empregos.
Aquilo era algo que Hinako havia mencionado durante as reuniões da Aliança do Chá. Toda empresa tinha seu próprio propósito, e esses propósitos não competiam entre si.
— O seu serviço não é apenas mais uma plataforma de e-commerce — ele foi deliberadamente focado em presentes. Se você perseguir apenas margens de lucro, acabará entrando em conflito com o conceito central do negócio.
— Então o importante é permanecer fiel a esse conceito.
— Exatamente. Não há problema em mirar novos mercados, mas não deixe que a sedução do lucro faça você perder de vista o conceito.
Claro e confiável. Provavelmente era esse tipo de gestão que atraía os clientes. No fim das contas, talvez a essência da administração se resumisse a uma única pergunta: "Quanto você consegue fazer as pessoas gostarem de você?"
Números como faturamento eram importantes, mas, no final, tudo girava em torno das emoções, não era?
— Para impedir que você vacile desnecessariamente, sugeri que criasse uma identidade de marca. E parece que você encontrou uma ótima resposta para isso também.
— Sim. Escolhi uma estética elegante, com uma aura madura e sofisticada. Estou pensando em lançar algumas propagandas seguindo esse estilo.
Para o site de e-commerce da Tomonari Gifts, busquei um design que fizesse o ato de presentear parecer algo estiloso e refinado, promovendo conexões humanas de maneira casual, mas adulta. Na prática, tudo o que fiz foi dizer ao funcionário engenheiro de IA: "Faça algo assim", mas acho que no mundo real também funcionava desse jeito.
— Então já definimos uma direção. Vamos encerrar esta consultoria por aqui.
— Mas pareceu mais uma revisão do que qualquer outra coisa.
— Isso porque as coisas estão indo bem.
Takuma-san continuou:
— Normalmente, quando alguém sem experiência administrativa começa um negócio do zero, o ego acaba atrapalhando. A pessoa enche o produto com coisas que ela mesma quer expressar ou vender. …Mas você, Itsuki-kun, desde o início pensou primeiro nos clientes. Você tem talento para administração.
— Obrigado.
Eu não esperava receber elogios, então fiquei um pouco surpreso.
Estou feliz. Eu vinha avançando na base da tentativa e erro, então ser elogiado foi incrivelmente gratificante. E o fato de aquilo vir justamente de Takuma-san, que sempre era tão rígido, fez com que eu realmente sentisse que estava no caminho certo.
— Você parece bastante motivado. Algo mudou na sua mentalidade?
— Não exatamente mudou, mas… desde que o Management Game começou, todo mundo na academia parece tão animado…
Lembrei-me das conversas que ouvi no ginásio com meus colegas no dia anterior.
— Isso me fez querer aproveitar o jogo também. Mesmo sendo uma empresa fictícia, ver os números crescendo é sinceramente divertido.
No começo, eu era movido por um senso de urgência ou obrigação, mas agora estava realmente me divertindo com o jogo.
— Isso mesmo. Administração é algo divertido e empolgante.
Takuma-san sorriu.
— Mais da metade dos alunos da Academia Kiou se tornarão gestores algum dia, mas não apenas porque desejam herdar os negócios dos pais. Eles sabem o quanto administrar é divertido. Desde pequenos, viram o fascínio disso através do trabalho de seus pais. …Não existe outro mundo tão intelectualmente estimulante quanto este.
Ao ouvir Takuma-san dizer aquilo de maneira tão animada, um pensamento cruzou minha mente.
…Takuma-san amava administração.
Até então, Takuma-san parecia um enigma, mas, pela primeira vez, senti que havia vislumbrado uma parte de quem ele realmente era. Isso não significava que seus valores haviam mudado. Mesmo agora, Takuma-san acreditava que não havia problema em desmantelar o Grupo Konohana pelo bem de Hinako ou de Kagen-san.
Ele também não havia me aceitado como discípulo pelo meu próprio bem. Eu não sabia seus motivos, mas ensinar administração para mim certamente estava ligado aos interesses dele de alguma forma.
Mesmo assim…
…No fim das contas, esse cara não é uma pessoa ruim.
Ele apenas era obstinadamente fiel ao que queria fazer, para o bem ou para o mal. Não havia bondade nem malícia nele. De certa forma, talvez isso o tornasse… confiável.
— Tem mais alguma pergunta?
A pergunta de Takuma-san me fez lembrar de algo de dois dias antes.
— Enquanto pesquisava sobre o estilo de gestão da Hinako, acabei descobrindo que o Management Game inclui assembleias de acionistas. Em algum momento vou precisar participar de uma dessas?
— A menos que você esteja constantemente entrando em conflito com seus acionistas, duvido que seja necessário. No seu caso, provavelmente será ignorado automaticamente. No mundo real, startups que acabaram de começar já mantêm contato próximo com seus acionistas, então não há nada de novo para discutir em uma reunião.
Eu havia me perguntado se precisava estudar sobre assembleias de acionistas, mas parecia ser algo de baixa prioridade. Sinceramente, isso foi um alívio. Eu já estava ocupado demais com outras coisas.
— Certo, vamos para sua próxima tarefa. Quero que aprenda a analisar a saúde financeira de uma empresa. Mais especificamente, acostume-se a ler demonstrativos de BS e PL.
— Entendido.
BS, ou balanço patrimonial, mostrava a situação financeira de uma empresa, enquanto PL, ou demonstração de lucros e perdas, mostrava seu desempenho.
— Além disso, Itsuki-kun, você pretende abrir o capital da sua empresa?
Abrir o capital. Era um termo sobre o qual eu nunca havia pensado muito.
— Não exatamente… Pelo menos não neste estágio.
— Bem, já que você só pode administrar a empresa por três anos, talvez um plano de saída mais simples já seja suficiente.
Takuma-san murmurou algo em voz baixa.
— Nesse caso, que tal aprofundar seu entendimento sobre ações?
— Ações?
— Já que tocamos no assunto de fusões e aquisições, é uma boa oportunidade. Se possível, procure entender como a valorização das ações da sua empresa é calculada. Isso vai ajudar a esclarecer o que você precisa fazer.
— Certo… vou estudar isso.
— Também vai prepará-lo para situações em que a avaliação da empresa dispara de repente e você não consegue pagar os impostos… embora isso provavelmente não aconteça no jogo.
Anotei a tarefa em um arquivo de texto. O conteúdo parecia um pouco complexo, então provavelmente eu deveria revisá-lo mais tarde ao compartilhar as anotações da reunião.
— Isso é meio repentino, mas… você não era aluno da Academia Kiou, certo, Takuma-san? Como sabe tanto sobre o Management Game?
— Foi a Shizune quem te contou isso?
Assenti. Foi ela quem me contou, mas… como ele adivinhou isso instantaneamente? Hinako ou Kagen-san também poderiam ter contado. A intuição desse cara era assustadora.
— É simples. Eu ajudei a criar o Management Game.
— Ajudou…?
— Sim. Meu nome está nos créditos.
Abri as opções do jogo e verifiquei a lista de equipe. E, de fato, o nome de Takuma-san estava lá.
…Isso era complicado. Eu sabia que era arrogante da minha parte, mas, no fundo, sempre pensei em Takuma-san como uma parede a ser superada — algo como um rival. Era isso que alimentava minha motivação no jogo. Mas, ouvindo aquilo, parecia que eu ainda estava dançando na palma da mão dele.
— Não fique tão abatido. Eu só contribuí com uma pequena parte.
Pare de ler minha mente.
— A propósito, se vai começar algo novo, precisará pensar em captação de recursos. Tem alguma conexão confiável?
— Ainda não… estou procurando.
No Management Game, ao abrir uma empresa, você podia optar por receber acionistas automaticamente, obtendo financiamento conforme cumpria as metas estabelecidas por eles. Também era possível trazer seus próprios acionistas e, caso quisesse mais investimentos, precisava encontrá-los por conta própria. Foi assim que consegui os recursos até agora.
Meu negócio começava a ganhar força. Eu provavelmente já conseguiria encontrar alguns investidores.
— Já que está nisso, por que não pede para algum amigo ligado à área de TI apresentar algumas conexões? Isso pode ser valioso para sua rede de contatos no futuro.
Pensei na sugestão de Takuma-san. Um amigo ligado à área de TI a quem eu pudesse recorrer seria…
◆
Segunda-feira. Ao chegar na academia, observei a sala e encontrei a pessoa que procurava.
— Kita-kun.
Kita, que mexia no notebook sentado em sua carteira, virou-se para mim. Durante o período do jogo, os alunos podiam usar seus notebooks livremente fora do horário das aulas. …Ou pelo menos era o que eu pensava, mas aparentemente a Academia Kiou sempre permitiu isso. Normalmente, a maioria dos estudantes resolvia tudo pelo celular, mas durante o jogo mais pessoas estavam usando notebooks.
— Tomonari-kun, o que foi?
— Queria devolver este livro.
Retirei da bolsa um guia de estudos para o Exame Fundamental de Engenharia da Informação, uma certificação nacional para profissionais de TI. Eu o havia pegado emprestado com Kita antes do início do Management Game. Kita pegou o livro, abriu em uma página aleatória e olhou para mim.
— Explique o que é BPO!
— É a terceirização das operações de uma empresa, desde o planejamento até o design, para uma parte externa.
— E qual é o método de reiniciar um sistema desligando-o completamente, retornando-o ao estado inicial e ligando-o novamente?
— Cold start.
Apontando um para o outro, trocamos perguntas e respostas até que Kita caiu na risada.
— Ambos corretos. Você continua estudioso como sempre, hein?
— Preciso continuar, ou os demônios virão atrás de mim…
— ?
Kita inclinou a cabeça, confuso. Se eu relaxasse nos estudos, a chefe das empregadas se transformaria em um demônio.
— Kita-kun, posso te perguntar algo sobre o Management Game?
— Claro, manda.
Kita era um colega de classe de quem me aproximei pouco antes do festival esportivo. Desde então continuamos em contato, e ele se tornou tão fácil de conversar quanto Taishou ou Asahi-san.
Como nós dois estudávamos TI, frequentemente emprestávamos livros um ao outro. Embora, considerando que Kita estava muito mais avançado do que eu, no fim das contas era quase sempre eu quem pegava livros emprestados dele.
— Na verdade, estou procurando contatos para captação de recursos a fim de expandir meu negócio…
— Certo, sua posição inicial era uma startup, não era?
Ele provavelmente havia pesquisado minha empresa dentro do jogo. Eu não me lembrava de ter contado minha posição inicial para ele, mas Kita já parecia saber da minha situação.
— Desculpe, mas não tenho nenhuma conexão que possa apresentar. Para startups, o normal seria procurar uma VC, mas eu comecei como uma empresa de médio porte, então…
— Sim, imaginei…
VC significava venture capital, empresas especializadas em investir em startups. Eu esperava conseguir financiamento através de uma delas, mas parecia que Kita não tinha nenhuma indicação.
…Sinceramente, eu já esperava essa resposta. Como nossas posições iniciais eram diferentes, Kita e eu enfrentávamos problemas diferentes.
— Ah, mas… — Kita interrompeu a frase de repente, como se tivesse acabado de pensar em algo. — Tomonari-kun, que tal fazermos um grupo de estudos voltado para empreendedores da área de TI?
— Para mim seria ótimo, mas…
— Eu também estou lidando com alguns problemas e queria ter uma oportunidade para discutir essas coisas.
Eu não fazia ideia.
— Além disso… estou meio com inveja daquele grupo de estudos que vocês fazem depois da aula.
Kita disse isso de forma um pouco envergonhada. Ele estava falando da Festa do Chá. …Ultimamente, aquilo vinha sendo mencionado com frequência.
— A Aliança do Chá, né?
— Não, isso é só um nome que alguém inventou…
— Hahaha, justo. Mas eu entendo por que as pessoas chamariam assim. Você realmente mudou bastante, Tomonari-kun. Parece até que combina perfeitamente com Konohana-san e as outras…
Aquilo sinceramente me deixou feliz. Meu objetivo naquele momento era me tornar alguém capaz de ficar lado a lado com Hinako, Tennouji-san e Narika sem parecer deslocado.
— Quem devemos convidar para o grupo de estudos? Eu não tenho muitos contatos…
— Sobre isso, tenho alguém em mente.
Kita continuou:
— Tem a Suminoe-san da nossa turma, não é? A família dela administra uma grande empresa de TI.
◆
Depois das aulas, Kita e eu estávamos no café da academia.
— Será que a Suminoe-san já chegou?
O grupo de estudos seria formado por mim, Kita e Suminoe-san — três pessoas. Se tivesse membros demais, o tempo que cada um teria para discutir seus problemas seria reduzido.
Convidamos Suminoe-san durante o intervalo, e ela aceitou participar de bom grado. Porém, ela já tinha um compromisso antes disso, então chegaria cerca de trinta minutos atrasada. Também comentou que talvez precisasse sair mais cedo por assuntos familiares.
Kita e eu, que chegamos primeiro ao café, abrimos nossos notebooks e começamos a conversar casualmente enquanto mexíamos no jogo.
— Desculpa pelo que falei antes. Quando você estava estudando para aquela certificação, eu disse que nós éramos os únicos da turma com origens parecidas, mas isso foi meio enganoso. …A Suminoe-san está em outro nível, então nem cheguei a considerá-la — disse Kita.
— Não, agora que você falou nisso, eu sabia que a família da Suminoe-san administrava uma empresa de TI.
Eu apenas tinha me esquecido disso, já que quase não interagíamos.
— A propósito, Tomonari-kun, o que você está estudando? — Kita perguntou enquanto espiava a tela do meu notebook.
— Estou aprendendo a ler demonstrativos de BS e PL.
— Uau… isso é impressionante. Você está realmente se aprofundando nessas coisas.
— Você não está estudando isso também, Kita-kun?
— Nah. O jogo gera os números automaticamente, então para mim está tudo bem por enquanto.
Eu havia percebido isso enquanto estudava. Se o objetivo fosse apenas jogar, não era necessário entender balanços patrimoniais ou demonstrativos de resultados.
— Agora entendo por que você está crescendo tão rápido, Tomonari-kun. Mesmo com uma rotina corrida, você continua estudando coisas que vão ajudar no longo prazo.
Takuma-san havia me passado aquela tarefa, mas eu também vinha pensando que o Management Game era uma oportunidade de aprender coisas úteis para meu futuro. Parece que eu estava no caminho certo.
Provavelmente desenvolvi essa mentalidade graças à Shizune-san e ao Takuma-san. A orientação rígida e racional deles me ensinou a enxergar as coisas a longo prazo. Enquanto agradecia silenciosamente aos dois em minha mente, ouvi passos se aproximando por trás de mim.
— Desculpem pela demora.
Quando me virei, vi Suminoe-san, com seus cabelos macios balançando suavemente enquanto fazia uma reverência educada.
— Não, nós é que agradecemos por reservar um tempo mesmo estando ocupada.
— Hehe, não precisa ser tão formal.
Kita e eu nos levantamos para cumprimentá-la, e Suminoe-san sorriu gentilmente. Assim que se sentou, uma atendente do café se aproximou imediatamente para anotar seu pedido. Suminoe-san pediu chá com uma naturalidade já acostumada ao ambiente.
— Então a família da Suminoe-san administra uma grande empresa de TI, hein?
— Sim. Trabalhamos principalmente com desenvolvimento de sistemas para o setor financeiro.
Quando me transferi para a Academia Kiou, Shizune-san me fez memorizar os perfis dos meus colegas de classe. Por isso eu sabia um pouco sobre a empresa da família de Suminoe-san. Como quase não interagíamos, a informação acabou ficando esquecida no fundo da minha memória, mas agora voltou de uma vez.
A empresa da família de Suminoe-san, a SIS Corporation, era uma companhia de TI listada no Mercado Prime da Bolsa de Valores de Tóquio. Eles eram especializados em sistemas e serviços para o setor financeiro, dominando especialmente cerca de 50% do mercado nacional de desenvolvimento de sistemas centrais para cartões de crédito. Aliás, SIS significava Suminoe Information System.
Não era à toa que ela conversava normalmente com Hinako em sala de aula sem demonstrar nervosismo. Dentro da indústria de TI, a família da Suminoe-san provavelmente estava entre as três mais influentes da academia.
Suminoe-san também era uma verdadeira Ojou-sama.
— Depois da formatura, você vai… assumir a empresa?
— Não, não vou.
Suminoe-san balançou a cabeça diante da minha pergunta.
— O sucessor da empresa já foi definido — será meu irmão mais velho.
Ela respondeu aquilo de maneira natural.
…Entendo.
Eu não havia percebido isso porque todos ao meu redor estavam destinados a herdar os negócios da família, mas pessoas como Suminoe-san provavelmente também eram comuns.
— Graças à bondade dos meus pais, pude estudar nesta academia, mas não pretendo me envolver na administração da empresa depois de me formar. Pretendo trabalhar em outra companhia.
— Outra companhia?
— Sim. …Depois da formatura, pretendo trabalhar sob as ordens de Tennouji-san.
Da Tennouji-san? Suminoe-san começou a explicar educadamente.
— Quando eu estava no primeiro ano, passava meus dias sem objetivos, apenas seguindo o fluxo. Foi então que Tennouji-san falou comigo. Ela reconheceu minhas notas e sugeriu que eu trabalhasse em uma empresa de TI ligada ao Grupo Tennouji após a formatura. …Nunca conseguirei agradecer o suficiente à Tennouji-san.
Pelas palavras e pela expressão dela, era evidente que Suminoe-san admirava profundamente Tennouji-san. Lembrei-me de como, em uma Festa do Chá anterior, Suminoe-san havia falado com Tennouji-san. Então era esse o tipo de relação que elas tinham…
— Você está falando daquela subsidiária focada no usuário do Grupo Tennouji, certo? Ela é listada no Mercado Prime da Bolsa de Valores de Tóquio. É uma empresa enorme.
— Sim. Sinto-me honrada por valorizarem tanto minhas habilidades.
Kita parecia conhecer bem a empresa onde Suminoe-san havia conseguido emprego. Pelo jeito que falou, devia ser uma companhia famosa, fácil de encontrar com uma simples pesquisa.
— Falando nisso, Tomonari-kun, você também é bem próximo da Tennouji-san, não é?
Kita olhou para mim de repente enquanto dizia isso.
— Eu vi vocês dois dançando no ginásio durante o primeiro semestre. Vocês combinavam muito bem juntos. No final, até surgiram rumores de que você e Tennouji-san formavam o casal perfeito.
— Hã? Sério?
Houve uma época em que Tennouji-san me ensinou coisas como estratégias para provas e etiqueta à mesa. Provavelmente era disso que ele estava falando.
Então, quando Tennouji-san e eu conversamos sobre o Management Game outro dia, aquilo talvez tenha chamado mais atenção do que eu imaginei. Parece que os rumores sobre mim e Tennouji-san circulavam desde o primeiro semestre.
——Crrk.
Naquele momento, ouvi um som estranho. Instintivamente, olhei em direção à origem do som… para Suminoe-san.
— O que foi?
Suminoe-san mantinha um sorriso sereno no rosto. …Foi impressão minha? Achei ter ouvido algo parecido com dentes rangendo… mas, no fim, não consegui entender o que era.
— Vamos ao assunto principal? …Acredito que ambos tinham algo que os estava incomodando.
Enquanto dizia isso, Suminoe-san abriu seu notebook. Kita assentiu e começou a mexer no próprio computador.
— Posso falar primeiro sobre o meu problema? A tarefa em si é simples, então não deve levar muito tempo.
Quando assenti, Kita virou a tela do notebook em nossa direção e começou a explicar.
— Minha empresa está desenvolvendo um serviço utilizando IoT. Porém, estamos tendo dificuldades para encontrar empresas dispostas a cooperar com nossos testes de compatibilidade…
— IoT significa que vocês vão precisar de dispositivos, certo? Então os testes de compatibilidade consistem em preparar esses aparelhos e verificar se eles funcionam com o sistema que estão desenvolvendo?
— Exatamente. Precisamos de coisas como sensores de umidade e sensores de aceleração, mas eu não tenho contatos, então fiquei travado nisso.
IoT se referia a dispositivos conectados à internet, uma tecnologia de ponta que vinha melhorando o mundo ativamente. Geladeiras que enviavam notificações para o celular caso a porta fosse deixada aberta eram um exemplo típico de aparelhos constantemente ligados à rede.
O problema de Kita me lembrou um caso que eu havia visto anteriormente enquanto organizava os documentos de Takuma-san. Basicamente, eles precisavam de vários dispositivos para desenvolver um novo serviço, mas não conseguiam encontrar empresas dispostas a fornecê-los.
Suminoe-san colocou um dedo no queixo, pensou por alguns instantes e então falou:
— Posso apresentar vocês a alguns fabricantes.
— Sério?!
— Sim. IoT é uma área muito importante atualmente. Até a empresa da minha família começou recentemente um serviço de IoT voltado para a indústria de manufatura.
Kita pareceu extremamente feliz.
— Isso ajuda demais…
Ao que tudo indicava, ele realmente vinha tendo dificuldades com aquilo.
— E quanto a você, Tomonari-san?
— No meu caso, estou procurando contatos para conseguir financiamento…
Expliquei para Suminoe-san um resumo da minha situação.
— Entendo. Então você precisa de recursos para iniciar um novo serviço. Posso apresentá-lo a alguns investidores de venture capital, mas poderia me explicar melhor sobre o seu negócio?
— Claro. Também vou te enviar os documentos.
Enviei para Suminoe-san os materiais da minha empresa.
— Entendi. Um e-commerce focado em presentes.
Quando terminou sua primeira xícara de café, Suminoe-san já havia lido todos os documentos.
— Posso perguntar qual é o novo serviço que pretende lançar?
— Claro. Estou planejando criar um catálogo.
— Um catálogo…?
Os olhos de Suminoe-san se arregalaram, e eu assenti.
O principal modelo da indústria de presentes sempre foram os catálogos de presentes. Atualmente, os serviços da Tomonari Gifts eram totalmente online, mas, para atrair clientes mais velhos que não estavam acostumados com a internet — ou pessoas que simplesmente gostavam de catálogos físicos — decidi que deveríamos nos adaptar a eles também.
— Quero incluir como clientes pessoas que usam catálogos de presentes. Vai custar um pouco, mas acredito que vale a pena produzir um catálogo físico—
— E é aí que entra o financiamento. Como se trata de uma nova iniciativa, dependendo da situação você também poderá precisar contratar funcionários competentes.
Como esperado, ela compreendeu imediatamente. Agora eu entendia perfeitamente por que Kita descreveu Suminoe-san como "de outro nível". Não apenas a empresa da família dela era gigantesca, mas a própria Suminoe-san parecia tão afiada quanto Hinako ou Tennouji-san, possuindo uma excelente compreensão de negócios.
— Entendido. Vou apresentá-lo a uma VC forte na área de TI. Considerando a situação financeira atual da Tomonari Gifts, eles provavelmente estarão dispostos a investir.
— Isso ajuda muito.
Ela havia até mesmo analisado nossa situação financeira antes de tirar uma conclusão. Com isso, eu finalmente poderia avançar para a próxima etapa.
— A propósito, Suminoe-san, existe algum problema que você gostaria de discutir…?
— Meu problema já foi resolvido. Eu queria entender melhor no que outras pessoas da mesma área estão trabalhando.
Enquanto respondia, Suminoe-san tomou um gole de chá. …Bem, então suponho que essa reunião também tenha sido proveitosa para ela. Uma pergunta repentina surgiu em minha mente, então resolvi fazê-la.
— A empresa que você está administrando no jogo é a mesma SIS da sua família?
— Sim. …Por que a pergunta?
— Bem, você comentou que não é a herdeira da empresa, então imaginei que talvez tivesse escolhido algo diferente.
— Entendo.
Suminoe-san assentiu em compreensão.
— Para ser sincera, esse era o meu plano inicial. …Antes do jogo começar, perguntei se poderia assumir uma subsidiária do Grupo Tennouji. Achei que isso seria valioso para meu futuro. Mas Tennouji-san me impediu. Ela disse que seria um desperdício abrir mão da oportunidade de administrar uma grande empresa.
— Então Tennouji-san queria que você tivesse liberdade.
— Acho que sim. Pelo menos, eu esperava formar uma aliança com Tennouji-san… mas isso também acabou sendo colocado em espera.
Agora que pensei nisso, Tennouji-san comentou durante a Festa do Chá anterior que sua aliança com Suminoe-san estava em espera. …Então era porque ela não queria limitar as possibilidades de Suminoe-san.
Nesse momento, o smartphone de Suminoe-san, que estava sobre a mesa, vibrou.
— Com licença. Parece que meu carro chegou…
— Então acho que podemos encerrar por aqui? No fim das contas, acabamos passando quase todo o tempo pedindo conselhos a você, Suminoe-san.
— Não, eu também me diverti.
Suminoe-san guardou o notebook na bolsa.
— Obrigado por hoje, Suminoe-san.
— Eu que agradeço.
Suminoe-san saiu do café. Kita também guardou seu notebook e começou a se preparar para ir embora.
— Você não vai voltar também, Tomonari-kun?
— Vou ficar aqui mais um pouco.
Eu já havia avisado Shizune-san com antecedência o horário para vir me buscar, mas como a sessão de estudos terminou antes do esperado, ainda tinha cerca de trinta minutos livres. Eu poderia mandar mensagem para ela vir agora, mas eram só trinta minutos. Achei que poderia passar o tempo jogando no café e aquilo acabaria rápido.
Depois de me despedir de Kita, voltei minha atenção para o notebook. Eu havia conseguido uma pista para obter financiamento. Agora usaria esses recursos para adicionar novas funcionalidades e aumentar os lucros. Dependendo da situação, talvez até precisasse contratar mais funcionários.
Suminoe-san… ela realmente admira a Tennouji-san, não é?
Enquanto digitava no teclado, lembrei-me das palavras de Suminoe-san.
Ela disse que Tennouji-san lhe deu um ponto de virada quando estava perdida e sem rumo… Isso realmente parecia algo que Tennouji-san faria. Qualquer pessoa acabaria admirando-a depois de uma experiência dessas.
…Isso meio que me deixa feliz.
Eu também achava Tennouji-san incrível. Saber que outra pessoa sentia o mesmo, alguém além de mim, me deixou contente. Talvez Suminoe-san e eu pudéssemos nos dar bem. Para relaxar meu corpo rígido, levantei-me e me espreguicei.
— Hm?
Havia algo embaixo da cadeira onde Suminoe-san estava sentada. Dei a volta e peguei o objeto. Era um elegante caderno de couro.
…Da Suminoe-san?
Na parte de trás do caderno, o nome de Suminoe-san estava escrito em letra cursiva. Ela provavelmente o deixou cair ao guardar o notebook na bolsa. Ainda bem que percebi. Se eu me apressasse, talvez ainda conseguisse alcançá-la.
Corri em direção ao portão da escola, procurando por Suminoe-san. Ela havia mencionado que seu carro estava chegando, então provavelmente já estaria entrando nele. Observei a rua ao redor e finalmente a encontrei.
— Suminoe-san!
— Oh, Tomonari-san?
Ao que parecia, o carro dela ainda não havia chegado. Quando Suminoe-san se virou para mim com curiosidade, mostrei o caderno que havia encontrado.
— Você esqueceu isto—
— !?!
Naquele instante, o rosto de Suminoe-san ficou completamente vermelho.
— Me devolva isso!!
— Hã!?
Com uma expressão demoníaca, Suminoe-san avançou na minha direção para arrancar o caderno das minhas mãos.
— Ei, isso é perigoso—!?
Ela veio com tanta força que parecia prestes a me socar, então desviei por reflexo. Suminoe-san acabou acertando o caderno, fazendo-o voar da minha mão. Ao mesmo tempo, ela tropeçou em um degrau—
— Ah!?
Suminoe-san caiu de maneira espetacular.
— V-Você está bem…?
Um som alto ecoou pelo local, mas… Aproximei-me de Suminoe-san, que tremia de dor. Aos pés dela estava o caderno que ela tentou recuperar. O caderno havia se aberto com a queda, revelando seu conteúdo. Dentro dele… havia incontáveis fotos da Tennouji-san coladas por todas as páginas.
Que diabos é isso?
Sem conseguir processar aquilo, comecei inconscientemente a folhear o caderno. A página seguinte — e a próxima também — estavam repletas de fotos da Tennouji-san. Tennouji-san conversando com colegas de classe, Tennouji-san bebendo água, Tennouji-san lendo, Tennouji-san olhando distraidamente pela janela…
Enquanto eu permanecia ali, atônito, Suminoe-san agarrou o caderno.
— Você viu, não viu?
A voz de Suminoe-san estava fria como uma tempestade de neve.
— Desculpa.
Como eu havia acabado vendo o interior sem permissão, pedi desculpas por enquanto. Em parte, aquilo tinha sido inevitável, mas…
— Hum… Suminoe-san, sobre a Tennouji-san…?
— Eu a amo. E daí?
Suminoe-san respondeu de maneira desafiadora.
— Eu a adoro. Algum problema?
As palavras dela começaram a ganhar intensidade.
— Claro que eu a amo. Como alguém poderia não se apaixonar por uma pessoa tão nobre? Quem não ama Tennouji-sama nem pode ser chamado de humano!
Isso já era exagero demais. A essa altura, ela claramente não tinha mais intenção de esconder nada. Com uma postura descarada, Suminoe-san começou a despejar todo o seu amor por Tennouji-san.
— Tennouji-sama é como uma deusa que salvou minha vida. Ela é íntegra, radiante, mais dedicada e pura do que qualquer outra pessoa, possuindo tanto força quanto gentileza… Aqueles olhos brilhantes como joias, aquele cabelo resplandecente… certamente são presentes dos céus. …Ah, minha adorada Tennouji-sama. Foi você quem me deu uma razão para viver. Como alguém insignificante como eu poderia sequer começar a retribuir essa dívida…?

O cabelo da Tennouji-san é só tingido, mas tudo bem… Como uma devota fervorosa, Suminoe-san juntou as mãos e rezou para os céus. Durante todo o grupo de estudos… não, o tempo todo diante de nós, ela esteve apenas atuando. Agora até estava chamando Tennouji-san de "Tennouji-sama".
…Aquilo já estava muito além de mera admiração.
Eu pensava que Suminoe-san apenas respeitava Tennouji-san. Mas, ao abrir aquela tampa, revelou-se uma emoção esmagadora — quase assustadora — escondida por baixo.
Talvez eu tivesse tropeçado em algo realmente perigoso.
Pensar que aquela refinada Ojou-sama, que reinava no topo da hierarquia social da academia, escondia secretamente esse lado… problemático e ardiloso. A diferença entre sua postura elegante em público e aquilo era tão extrema que chegava a ser assustadora.
…Por um instante, pensei: "Bem, comparado à Hinako, isso é até leve", e quase me convenci disso.
Eu também já estava corrompido. Por outro lado, eu mesmo escondia minha verdadeira posição social, então talvez não tivesse direito de julgá-la… Não, definitivamente eu podia falar alguma coisa naquela situação.
— Essas fotos foram tiradas escondido?
— Não há problema desde que ninguém descubra.
Não é assim que funciona! De repente, Suminoe-san abaixou a cabeça diante das fotos de Tennouji-san no caderno.
— Tennouji-sama, sinto muitíssimo por ter deixado isto cair de forma tão descuidada… Deve ter sido horrível para você ser tocada por um garoto tão impuro…
Mas fui eu quem pegou o caderno… Se for pensar direito, eu não deveria ser considerado o herói aqui?
— A Tennouji-san sabe dos seus sentimentos?
— Claro que não. Eu morreria se ela descobrisse.
Se Suminoe-san realmente morreria ou não era outra história, mas eu já esperava essa resposta. …Por maior que fosse o coração de Tennouji-san, esse nível de devoção intensa provavelmente a assustaria. Durante a Festa do Chá, elas pareciam conversar normalmente, então Tennouji-san provavelmente não fazia ideia da verdadeira personalidade de Suminoe-san.
— Mas eu entendo. A Tennouji-san realmente tem um charme magnético, não é?
Sentindo que provocá-la poderia ser perigoso, tentei agir com cautela e mostrar que estava do lado dela. Mas, por algum motivo, Suminoe-san estreitou os olhos.
— Devo interpretar isso como uma provocação?
— Hã!? Por quê!?
— Minhas desculpas. Achei que você estivesse dizendo: "Eu conheço Tennouji-sama melhor do que você."
— Eu jamais diria isso…
Falar algo assim para Suminoe-san parecia praticamente uma sentença de morte. Eu realmente admirava Tennouji-san, então minhas palavras foram sinceras, mas… poucos minutos antes eu estava pensando que talvez Suminoe-san e eu pudéssemos nos dar bem. Como chegamos a isso?
— De qualquer forma, eu não aceito você — Suminoe-san me encarou diretamente e declarou aquilo. — Já que estamos falando disso, vou deixar claro. Eu não gosto de você.
— Isso é porque sou próximo da Tennouji-san?
— Não coloque isso no mesmo nível de um ciúme mesquinho. Embora… bem, isso também faça parte.
Então eu estava certo…
— Tennouji-sama mudou. Antes ela era mais…
Ignorando completamente minha expressão cansada, Suminoe-san murmurou aquilo. Não consegui ouvir o restante da frase. Provavelmente ela nem estava falando comigo, apenas pensando em voz alta. Enquanto eu inclinava a cabeça, um carro parou ali perto.
Um empregado saiu do veículo e fez uma reverência para Suminoe-san. Ao que parecia, seu transporte finalmente havia chegado.
— De qualquer forma, não diga uma palavra sobre o que viu hoje. Entendido?
— Sim.
Como se alguém fosse acreditar em mim se eu contasse. Suminoe-san entrou no carro e foi embora. Um suspiro muito mais profundo do que eu esperava escapou dos meus lábios.
◆
Nove horas da noite.
De volta ao meu quarto na mansão, eu encarava meu notebook. O jogo havia acabado de terminar, e aproveitei um momento para recuperar o fôlego.
— Ufa…
Depois do jantar, voltei imediatamente para o quarto e mergulhei novamente no jogo. Talvez por estar tão concentrado, o tempo passou voando até chegar às nove horas.
Fiquei tão preso pensando na Suminoe-san que meu progresso hoje foi lento.
Mesmo depois de voltar para a mansão, minha mente ainda estava confusa. A verdadeira personalidade de Suminoe-san havia sido chocante nesse nível. Dei leves tapas nas próprias bochechas para me recompor.
…Sinceramente, meu tempo estava começando a acabar.
Eu não conseguia acompanhar o ritmo do jogo enquanto aprendia tudo o que precisava. Estudar administração era obviamente essencial e, além disso, eu ainda precisava pensar em maneiras de expandir a empresa.
Meu plano era revisar e me preparar para as aulas depois das nove, mas… o Management Game era um evento limitado. Desta vez, eu priorizaria os estudos relacionados ao jogo.
Estou gastando tempo demais com o jogo. …Será que estou ficando obcecado? Mas as coisas estão indo tão bem que não quero quebrar esse ritmo…
Eu havia dito ao Takuma-san: queria me tornar um executivo do Grupo Konohana. Eu também havia dito à Tennouji-san: pretendia entrar para o conselho estudantil. Não podia me dar ao luxo de reclamar por causa de algo tão pequeno.
Preparei-me mentalmente para virar a noite estudando. Logo depois desse pensamento, ouvi uma batida na porta.
— Itsuki… você está ocupado agora?
— Hm? Não.
A porta se abriu, e Hinako entrou no quarto.
— Hinako, aconteceu alguma coisa?
Por um breve instante, consegui ver a barra de um uniforme de empregada do outro lado da porta. Shizune-san provavelmente havia acompanhado Hinako até meu quarto. Como sempre, parecia que ela se perderia na mansão se viesse sozinha.
— Eu preparei chá.
Hinako empurrava um pequeno carrinho. Sobre ele havia um bule britânico e xícaras para duas pessoas.
— Você preparou… quer dizer que fez isso sozinha?
— Uhum.
Era a primeira vez, então fiquei genuinamente surpreso. Hinako alternava o olhar entre mim e o chá, claramente ansiosa para que eu experimentasse. Quando levantei a xícara, o aroma familiar de ervas subiu até mim — eram as folhas de chá preferidas da família Konohana. Levei a bebida lentamente aos lábios, e uma leve doçura se espalhou pela minha boca.
— C-Como ficou…?
Hinako perguntou, com um leve nervosismo na voz.
— Obrigado. Está realmente delicioso.
— Ufa… ainda bem. A Shizune me ensinou, e eu me esforcei bastante.
Sinceramente, comparado ao chá preparado por Shizune-san, aquele estava um pouco fraco. Mas a felicidade esmagadora que senti superava isso facilmente. Pensar que Hinako — justamente Hinako, que normalmente desabava de preguiça no instante em que voltava para a mansão — tinha se esforçado para preparar chá para mim.
Eu estava tão feliz que quase podia chorar, mas ao mesmo tempo uma dúvida surgiu na minha mente.
— Algo mudou? Tipo… alguma mudança nos seus sentimentos?
— O quê!? P-Por que você perguntaria isso…!?
— Quero dizer, você normalmente não faz coisas assim, faz?
Ao ouvir isso, as bochechas de Hinako ficaram vermelhas, e ela abaixou o olhar, claramente envergonhada.
— Daqui para frente… eu quero fazer coisas assim.
Hinako mexia os dedos nervosamente enquanto respondia de maneira adoravelmente tímida. Aquilo me emocionou, mas…
— Mas isso não vai acabar te cansando? Você normalmente dorme assim que chega.
— Estranhamente, não parece tão cansativo….. — Hinako respondeu em um tom calmo. — Acho que eu mudei.
— Mudou?
— Uhum… Ultimamente, sinto essa energia crescendo dentro de mim — enquanto falava, Hinako colocou uma mão sobre o peito. — Fazer coisas por você, Itsuki… eu adoro isso.
Ela disse com um sorriso suave. Por um instante, parecia até que flores vibrantes desabrocharam atrás dela em plena primavera.
Meu coração disparou — talvez até tenha parado por um momento. Aquele sorriso gentil, as bochechas levemente coradas, os olhos brilhando… havia uma emoção especial ali, algo além das palavras, e minha mente ficou completamente em branco.
Calma, calma, calma…
Desesperadamente, tentei controlar os batimentos acelerados do meu coração.
— Eu também adoro fazer coisas por você, Hinako.
— Eu sei….
Hinako assentiu, sorrindo com uma felicidade transbordante.
…Ufa.
De alguma forma, consegui manter a compostura. Ultimamente, Hinako vinha agindo de maneira intensa e imprevisível… e às vezes me pegava completamente desprevenido assim. Não sei exatamente o que deu nela, mas definitivamente não estava fazendo bem para o meu coração.
Claro, eu não me importava nem um pouco com isso.
— Fwaa…
Hinako soltou um bocejo.
— Quer tirar um cochilo? Eu te acordo quando estiver na hora do banho…
— N-Não… estou bem, vou continuar acordada…
Talvez tentando afastar o sono, Hinako começou a andar pelo quarto. Ela parou bem ao meu lado e olhou para minha mesa.
— Você está estudando bastante, hein.
— Sim. Desde que o jogo começou, não paro de perceber o quanto ainda me falta aprendimento.
Minha mesa estava soterrada por uma quantidade absurda de materiais. Todos eram coisas que considerei necessárias para continuar avançando no jogo — assuntos relacionados à administração de empresas. Ultimamente, eu até vinha estudando ações para acompanhar as tarefas passadas por Takuma-san.
— Está sendo difícil?
Hinako olhou diretamente para meu rosto enquanto perguntava.
— Bem, sim. Mas também é gratificante e divertido.
— Então está tudo bem — Hinako sorriu suavemente, parecendo aliviada. — Como foi o grupo de estudos depois da aula?
— Uma das minhas preocupações acabou sendo resolvida. …Desculpa por fazer você voltar sozinha para casa de novo hoje.
— Não tinha jeito… eu não sou da área de TI.
O grupo de estudos era especificamente voltado para empresários do setor de tecnologia, então Hinako educadamente decidiu não participar.
— Quem estava no grupo mesmo…?
— Kita e Suminoe-san, da nossa turma.
Hinako soltou um pequeno murmúrio pensativo. Sinceramente, meu encontro com Suminoe-san foi tão chocante que eu mal lembrava do grupo de estudos em si. Ainda bem que tomei notas, mas…
— Hinako. Que tipo de pessoa é a Suminoe-san?
Fiquei curioso para saber o que os outros pensavam dela. Quando perguntei, Hinako imediatamente me lançou um olhar afiado, quase emburrado.
— Por que você está perguntando sobre ela?
— Ah… bem, não tem nenhum motivo específico…
Como eu deveria responder isso…? Não dava para simplesmente perguntar: "Ela é boa em esconder a verdadeira personalidade?"…
— Você é mesmo um mulherengo, Itsuki.
— Não é nada disso…
Por favor, não faça parecer que eu saio dando em cima de toda garota que encontro. Especialmente depois de Suminoe-san ter dito claramente que me odiava.
— A Suminoe-san é uma pessoa séria — pelo menos Hinako estava disposta a responder minha pergunta. Ela pensou por alguns instantes antes de continuar. — Mas ela é meio assustadora.
— Assustadora?
— Uhum… Como se tivesse essa intensidade obsessiva dentro dela.
Parecia difícil para Hinako colocar aquilo em palavras. A expressão dela ficou séria enquanto falava.
— Às vezes ela conversa comigo na sala, mas… não acho que ela realmente goste de mim.
Não me parecia ser o caso, mas Hinako não era do tipo que dizia coisas sem motivo. Talvez Suminoe-san ainda estivesse escondendo sua verdadeira natureza de mim. Embora, sinceramente, eu nem soubesse mais o que ela poderia esconder depois daquilo...
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