O Cuidador da Ojou-sama Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Volume 6

Capítulo 1: A Aliança do Chá

— O SEGUNDO SEMESTRE começou… E, com isso, o tão aguardado Management Game está oficialmente começando!

Após a cerimônia de abertura, seguimos para a sala de aula, onde nossa professora responsável pela turma 2-A, Fukushima Misono, começou a explicar com um nível de entusiasmo incomumente alto.

— A maioria de vocês provavelmente já sabe, mas, por precaução, vou revisar. O Management Game é, como o nome sugere, um programa principal da Academia Kiou, no qual os alunos aprendem sobre administração empresarial. Durante o próximo mês e meio, vocês participarão desse jogo junto com as aulas regulares.

Eu já tinha recebido uma visão geral de Shizune-san anteriormente. Apesar de ser chamado de game, o Management Game era, na prática, tratado como uma disciplina. Naturalmente, isso afetava as notas.

— Se obtiverem bons resultados nesse Management, suas notas serão melhores. Aqueles que se destacam demonstram habilidade em gestão — ou seja, são bons em administrar organizações —, então costumam ter mais chances de serem selecionados para o conselho estudantil.

Alguns dos meus colegas exibiram expressões cheias de motivação. Provavelmente estavam almejando o conselho estudantil. E eu era um deles.

— Agora então, vamos começar distribuindo os laptops que vocês usarão no Management.

Cada aluno recebeu um laptop. Segundo Shizune-san, todos eram novinhos. Ao verificar as especificações, percebi que eram máquinas de alto nível. Era possível até destacar a tela e usá-la como tablet. Comprar algo assim provavelmente custaria pelo menos 200 mil ienes.

— Os detalhes do Management serão explicados no tutorial. O Management começa oficialmente amanhã, então certifiquem-se de concluir o tutorial até lá.

Com isso, a professora encerrou, e a aula terminou.

Lá vamos nós. Lembrei-me de algo do final das férias de verão. Naquele dia, Takuma-san havia me dito: "Na Academia Kiou, o verdadeiro desafio começa no segundo semestre do segundo ano."

Sem dúvida, ele estava se referindo ao Management Game.

Takuma-san também mencionou que, se eu quisesse almejar uma posição no Grupo Konohana, entrar para o conselho estudantil e construir um histórico seria o caminho. …Para um cara comum como eu, a ideia de entrar no conselho estudantil de um lugar como esse parecia quase uma blasfêmia, mas, se era minha única chance, eu precisava tentar.

— Ei, Tomonari. É hoje, né?

Enquanto eu guardava o laptop na mochila, Taishou falou comigo.

— Sim. Vamos para o café de sempre.

Já tínhamos trocado cumprimentos antes da cerimônia de abertura. Pelo visto, Taishou passou as férias de verão acompanhando retiros da empresa da família e viajando bastante.

— Aliás… você deu uma bronzeada, hein?

— Pois é! Fiquei rodando por aí — praia, montanha, tudo que você imaginar! Mas, comparado a ela…

A pele de Taishou estava um pouco mais escura do que antes. Mas a pessoa para quem ele olhava era—

— Ei, vocês dois! Já faz um tempo, então vamos fazer uma festa do chá hoje, certo!?

Asahi se aproximou com um sorriso animado, a pele visivelmente mais bronzeada que a de Taishou. Asahi sempre foi alegre e cheia de energia, mas, com aquele brilho saudável de quem pegou sol, ela parecia praticamente um feixe de energia ambulante.

— Asahi… você está bem bronzeada.

— Não é!? Aproveitei o máximo esse verão!

Asahi disse isso com um toque de orgulho. Ela não parecia incomodada com o bronzeado — pelo contrário, parecia vê-lo como uma medalha de honra.

— Bom, o próximo verão provavelmente vai ser corrido, então faz sentido você ter aproveitado — murmurou Taishou.

O verão do nosso terceiro ano provavelmente seria consumido pelos exames de admissão. Para os alunos da Academia Kiou, talvez houvesse eventos ainda maiores no horizonte.

— Desculpem a demora.

Enquanto conversávamos, Hinako chegou. Ela parecia ter sido cercada por vários colegas que vieram cumprimentá-la. Olhando para fora da sala, vi alunos de outras turmas que tinham vindo vê-la, mas não havia como atender todos hoje. Ela provavelmente já estava exausta.

— Konohana… você nem parece bronzeada.

— Eu tomo precauções. Por motivos familiares.

— Nossa… ser tratada como uma verdadeira ojou-sama deve ser bom. Enquanto isso, eu fiquei assim, toda bronzeada, e ninguém me impediu. Só diziam: "Combina com você, combina com você"…

Asahi pareceu um pouco abatida. O coração de uma donzela é algo complicado. Pensando bem, durante as aulas de verão, lembro-me de Shizune-san passando protetor solar em Hinako.

Ser a herdeira da família Konohana significava que nem mesmo se bronzear livremente era uma opção… mas, ao que parecia, Asahi invejava esse tipo de tratamento de ojou-sama.

Se me perguntassem, Asahi já era ojou-sama o suficiente.

 

Quando chegamos ao café, duas garotas já estavam lá. A loira familiar com cachos verticais, Tennouji-san, e a bela de aparência fria com um toque de dificuldade social, Narika.

— É agora!! O Management Game!!

No momento em que nos sentamos, Tennouji-san explodiu de empolgação.

— Antes disso… Tennouji-san, vamos começar com as saudações do novo semestre.

Asahi deu um sorriso irônico, e Tennouji-san pareceu um pouco envergonhada.

— Aham… você tem razão. Cumprimentos vêm primeiro.

— Vamos aproveitar mais um semestre juntos. Fico realmente feliz que nenhum de nós tenha ficado de fora deste grupo.

A sinceridade de Tennouji-san não parecia exagerada. 

Os alunos da Academia Kiou vinham todos de famílias de políticos ou magnatas dos negócios. Com as restrições de seus contextos prestigiados, alguns poderiam até precisar se transferir de escola nessa fase. Dito isso, já tínhamos confirmado que nenhum dos seis estava nessa situação. Esse grupo, formado desde nossas primeiras festas do chá, significava muito para mim. Eu me sentia silenciosamente grato por podermos passar mais esse semestre juntos.

— Miyakojima, vamos aproveitar mais um semestre.

— S-Sim! Conto com você!

A voz de Narika saiu rígida, com o rosto tenso de nervosismo.

— Narika, você está séria demais.

— Ah… e-eu não tenho convivido muito com pessoas ultimamente, então…

Ela deveria ter evoluído um pouco desde a última vez que nos vimos… mas será que regrediu? Fiquei um pouco preocupado.

— Tennouji-san, foi você que organizou esse encontro, certo? Tem algo específico que queria discutir? — Quando perguntei, Tennouji-san colocou seu laptop sobre a mesa.

— Antes de irmos ao assunto principal, deixem-me perguntar: todos entendem do que se trata o Management Game?

A maioria de nós assentiu com um "mais ou menos".

— Desculpa, eu sei o básico, mas não os detalhes…

— E-Eu também…

Levantei a mão, e Narika fez o mesmo.

— Então vou explicar, só por garantia. O tutorial cobre a maior parte, mas leva tempo, então isso deve ajudar.

Shizune-san havia mencionado antes que, por ser uma disciplina diferente, era melhor ouvir os detalhes com colegas depois do início do semestre, então eu fiquei grato por isso. A professora havia tocado no assunto na aula, mas o Management Game era uma marca registrada da Academia Kiou. A maioria dos alunos, exceto transferidos como eu, já conhecia o essencial… embora Narika parecesse ser uma exceção.

— O Management Game é um simulador de negócios. Os jogadores assumem o papel de executivos e administram uma ou mais empresas ao longo de um período de três anos dentro do jogo.

Eu estava familiarizado com simuladores de negócios. Na minha antiga escola, um colega era obcecado por eles. Alguns exemplos populares incluem jogos em que você atua como prefeito construindo uma cidade ou gerenciando uma fazenda.

— É possível administrar uma grande variedade de negócios — manufatura, varejo, escolas, aeroportos, parques temáticos e muito mais. No entanto, vocês não podem escolher livremente. Com base no histórico familiar e nas notas, recebem um conjunto de opções para escolher. Por exemplo, Miyakojima, você certamente terá um fabricante de equipamentos esportivos entre suas opções.

— Sim. Meus pais me disseram para escolher a empresa de equipamentos esportivos.

— Todos devem conseguir escolher um negócio dentro do mesmo setor de suas famílias. Isso torna a simulação mais realista.

Era chamado de jogo, mas ainda era uma aula. O objetivo era aprendizado, não apenas diversão. Limitar as opções fazia sentido.

— Que tipo de opções você e a Konohana têm, Tennouji-san?

Expressei minha curiosidade. O Grupo Konohana, por exemplo, incluía bancos, trading companies, indústria pesada e imobiliário. Será que todas essas áreas estavam disponíveis?

— No nosso caso, temos a opção de administrar um grupo empresarial inteiro.

Entendi. Então elas poderiam assumir um papel como o de Kagen.

— A função inicial que vocês escolhem é chamada de "posição inicial". Também é possível definir a escala do negócio, como capital ou número de funcionários.

Naturalmente, a escala dependia do histórico familiar e das notas. No meu caso, minha posição inicial provavelmente seria uma empresa de TI de porte médio ou menor.

— Há exceções, no entanto. Algumas posições iniciais, como restaurantes ou pequenos comércios, estão abertas a todos.

Ao meu lado, Narika murmurou:

— Será que tem uma doceria…?

Mesmo que o jogo permitisse, duvido que os pais dela permitiriam.

— Espera, isso não torna tudo injusto? Se estamos competindo por lucro, quem pode escolher empresas grandes tem vantagem, enquanto quem só pode escolher pequenas fica em desvantagem…

— Boa observação, Tomonari-kun! — disse Asahi, sorrindo.

— Como você disse, os pontos de partida não são iguais, então a avaliação não se baseia apenas em lucro. É preciso adotar uma estratégia adequada — seja gestão estável ou abordagens inovadoras —, e isso é o que influencia a nota.

Taishou assentiu.

— Exato. Mesmo no mundo real, lucro não é tudo. Nem para nós, e muito menos para empresas como as da Konohana ou da Tennouji-san. Nem sempre é sobre maximizar o lucro, certo?

— Isso mesmo.

Hinako assentiu silenciosamente.

— O propósito de uma empresa não é apenas vendas — é contribuir para a sociedade. Por exemplo, a empresa da Tennouji-san sempre focou na criação de empregos.

Tennouji-san se virou para ela, surpresa.

— V-Você sabe sobre a minha empresa também?

— Claro, Tennouji-san.

— !~~! N-Não pense que já venceu!!

A tentativa desajeitada de esconder o constrangimento aqueceu meu coração. Tennouji-san não conseguiu conter o sorriso, claramente satisfeita.

— Você estuda esse tipo de coisa o tempo todo, Konohana?

— Nem sempre, mas ultimamente tenho participado de jantares com líderes empresariais, então acabo ouvindo bastante sobre o mundo corporativo.

— Uau, isso é tão Konohana. Você vai dominar totalmente o Management Game! — disse Asahi, impressionada.

— Agora que aprofundamos nosso entendimento do jogo, vamos ao assunto principal — Tennouji-san olhou para cada um de nós. — E se nós seis formássemos uma aliança?

— Uma aliança…?

Inclinei a cabeça, e Tennouji-san continuou.

— Os objetivos são simples: compartilhar informações regularmente e prometer não competir entre nós. Só isso.

— Só isso?

— Sim. Esses dois pontos são cruciais no Management Game.

Tennouji-san continuou explicando.

— O coração do Management Game está no fato de que existem outros jogadores. É um jogo estratégico emocionante, com coisas como aquisições via M&A ou negociações secretas acontecendo nos bastidores.

Ela soltou uma risadinha astuta. M&A se refere a fusões e aquisições — quando uma empresa maior absorve uma menor ou quando duas empresas se unem para formar uma nova.

…Tennouji-san parecia gostar desse tipo de coisa.

A explicação dela deixou claro o propósito da aliança. Essencialmente, o Management Game era um simulador de negócios com um elemento multijogador online. A competição com outros jogadores era inevitável. Uma aliança nos protegeria e nos daria vantagem na disputa. Eu tinha certeza de que outros alunos também formariam suas próprias alianças.

— Felizmente, nós seis temos áreas de atuação diferentes, então essa aliança deve beneficiar a todos.

— Verdade. Eu estou pensando em seguir na área de transporte — disse Taishou.

— E eu vou escolher varejo de eletrônicos. Estamos bem distribuídos! — acrescentou Asahi.

Ambos pareciam convencidos.

— Também há um motivo pessoal — disse Tennouji-san. — Estou visando o conselho estudantil. Sinceramente, adoraria ter o máximo de aliados possível.

Os olhos de todos se arregalaram de surpresa. Mas, se alguém ali fosse almejar o conselho estudantil, Tennouji-san fazia todo sentido. O clima mudou para um apoio silencioso, e eu falei com cautela.

Agora era a hora de dizer.

— Na verdade… eu também estou mirando nisso.

— O quê!?

— S-Sério, Itsuki!?

Tennouji-san e Narika exclamaram, chocadas. Taishou e Asahi ficaram igualmente surpresos. Eu já tinha mencionado isso para Hinako antes, então ela não se surpreendeu… mas, por algum motivo, parecia um pouco emburrada. Seu olhar ia de Tennouji-san para mim, com as bochechas levemente infladas.

— Eu sei que é difícil, mas… vou tentar.

Para mim, declarar que queria entrar no conselho estudantil exigia coragem. Esta era uma escola de elite, cheia de herdeiros de magnatas. No papel, eu era filho de uma empresa de médio porte, mas, na realidade, não passava de alguém comum. Para alguém como eu almejar o conselho estudantil, que liderava os alunos, era quase um absurdo. Era o tipo de coisa que faria as pessoas inclinarem a cabeça e perguntarem: "Isso é alguma piada?"

Mas—

— Claro! Você tem que tentar!

Ao contrário dos meus receios, Tennouji-san estava totalmente a favor.

— Você tem determinação para tornar o impossível possível, Tomonari-san. Não acho que esteja fora do seu alcance.

— Isso é exagero… eu só estou tentando acompanhar todo mundo.

— Você percebe o quão extraordinário é ter conseguido isso em apenas alguns meses desde que se transferiu? Se eu entrar para o conselho estudantil, ter você ao meu lado seria extremamente reconfortante.

Tennouji-san falou com um ar sonhador, perdida na própria imaginação. Ela provavelmente elogiava minha determinação porque conhecia minha verdadeira origem. Para ser justo, sobreviver ao treinamento espartano de Shizune-san e Tennouji-san havia me dado muita confiança na minha perseverança.

— Konohana, você não está visando o conselho estudantil? — perguntou Asahi.

— É complicado por causa da minha família, então…

— Entendi. Bom, não tem o que fazer.

Asahi assentiu, um pouco decepcionada. Hinako era uma das ojou-samas mais proeminentes da Academia Kiou. Naturalmente, muitos alunos provavelmente queriam que ela almejasse o conselho estudantil.

Tennouji não era diferente — ela também tinha muitos apoiadores.

…Na verdade, não era só a família. Eram as circunstâncias pessoais de Hinako. Ela já estava exausta por manter diariamente sua imagem perfeita de ojou-sama. Se assumisse um cargo no conselho estudantil, acabaria se esgotando por completo.

Com o status da família e suas notas, Hinako já tinha opções de sobra para o futuro, mesmo sem o conselho estudantil. Kagen provavelmente reconhecia isso, e por isso aceitava que ela não seguisse esse caminho.

Tennouji também não buscava o conselho apenas pelo currículo. Lembrei-me da nossa conversa na praia durante as férias de verão. …Ela queria isso para trilhar seu próprio caminho, diferente do de Hinako.

— Dito isso… você ainda está animada para o jogo, não é, Konohana Hinako?

Tennouji encarou Hinako, cheia de espírito competitivo. Hinako tomou um gole de chá, pousou a xícara e respondeu:

— Claro. Vamos nos esforçar para alcançar ótimos resultados.

Embora não estivesse mirando o conselho estudantil, Hinako pretendia levar o jogo a sério para manter sua imagem impecável de ojou-sama. Fosse intencional ou apenas sua aura natural, quando a normalmente gentil Hinako ficava séria, ela emanava uma presença esmagadora.

Eu já havia sentido algo semelhante em Takuma-san antes. Eles realmente eram irmãos, embora Hinako provavelmente odiasse a comparação. Mas Tennouji não se intimidou — ela abriu um sorriso destemido.

— Bem, todos precisamos concluir o tutorial, então gostaria de encerrar por aqui… mas há uma última coisa muito importante.

Algo importante? Enquanto inclinávamos a cabeça, Tennouji se levantou.

— Precisamos decidir o nome da nossa aliança!

Isso era realmente o mais importante…? Ainda assim, eu entendia. Um nome tornava tudo mais oficial e animador.

— Que tal Aliança Hexágono? Significa literalmente uma aliança de seis.

— Hmm, eu preferiria algo mais único para nós.

— Que tal Equipe Luxo? Sabe, por causa do patrimônio total da Konohana.

— Isso soa meio… cafona.

Asahi e Taishou deram sugestões, mas nenhuma ganhou força. Taishou provavelmente estava meio brincando mesmo. Talvez eu devesse sugerir algo… Justo quando pensei nisso, Hinako levantou a mão.

— Que tal simplesmente Aliança do Chá?

— Tch… bem jogado, Konohana Hinako. Você sabe que, nessas coisas, o simples é melhor…!

Ela estava pensando demais. Dito isso, eu gostei de Aliança do Chá. Nosso vínculo como grupo nasceu dessas reuniões, e o nome capturava isso perfeitamente.

— Então está decidido. A partir de hoje, formamos oficialmente a Aliança do Chá!

Exclamações de "Oh!" e aplausos preencheram o ambiente.

— É isso por hoje. Afinal, não podemos perder para nossos rivais.

Com uma leve reverência, Tennouji foi embora. Agora que parei para pensar… não é estranho ter rivais dentro da própria aliança?

 

Depois que a festa do chá terminou. De volta à mansão, mergulhei direto no tutorial do Management Game.

— Com licença.

Houve uma batida na porta, e Shizune-san entrou junto com Hinako. Parecia que elas haviam preparado bebidas. Peguei uma xícara da bandeja que Shizune-san carregava.

— Ah, café hoje?

— Ouvi da Ojou-sama que o senhor estava tomando chá na reunião após as aulas.

Como esperado de Shizune-san. Sua hospitalidade era digna de uma maid de alto nível.

— Obrigado. …Desculpa. Uma coisa é a Hinako, mas parece errado fazer você me servir como se fosse minha empregada pessoal.

— Eu, como empregada do Itsuki-san?

Droga, talvez eu tivesse dito algo desnecessário.

— Eu me empolguei.

— Não… eu não diria que é totalmente impossível.

Será que uma possibilidade dessas realmente poderia existir…? Ainda assim, ela não parecia particularmente incomodada. Shizune-san lançou um olhar para o laptop sobre a mesa.

— Então, como está indo o Management Game?

— Estou com dificuldade na posição inicial. As opções são mais amplas do que eu esperava…

— Isso é algo que vale a pena considerar com calma.

Shizune-san pareceu entender imediatamente a barreira que eu estava enfrentando.

— A Ojou-sama poderia aprender um pouco com você, Itsuki-san. Ela ainda nem terminou o tutorial, terminou?

— Nem… estou com sono… faço depois…

— Francamente… bom, foi o primeiro dia de volta à academia depois de um tempo, então vou relevar.

Shizune-san soltou um suspiro.

— Hinako, se estiver com sono, pode usar a cama.

— Ngh, ngh… não, não é isso…

— Você não veio aqui para dormir? Então veio para quê…?

Havia algo que ela queria dizer? Virei-me para Hinako. Seu rosto estava vermelho, e seus olhos desviavam nervosamente.

— É que… e-eu vim… te ver…

— ?

— Dormir……..! Vou dormir!

— Certo. Só não durma demais e depois fique sem sono à noite.

Hinako se jogou na cama. Ela parecia um pouco diferente do habitual… ou eu estava imaginando coisas?

— Itsuki-san, posso dar uma olhada?

— Claro.

Shizune-san observou a tela do laptop. Por um breve momento, nossos rostos ficaram próximos, e senti um leve nervosismo, mas Shizune-san falou com uma expressão séria.

— Como esperado, você pode escolher áreas relacionadas à TI.

— A área em si está boa, mas estou indeciso quanto à escala… — especificamente, eu estava em dúvida sobre com quantos funcionários começar. Mil? Cem? Ou… começar uma empresa do zero? As possibilidades eram inúmeras. — Começar com uma empresa maior não seria mais estável?

— Não necessariamente. Por exemplo, uma empresa de capital aberto traz o risco de aquisição. Se for comprada, sua liberdade de gestão diminui.

— Entendi…

Gerenciar uma empresa listada provavelmente seria demais para mim agora. Nesse caso, eu preferia algo de menor escala… Se vou fazer isso, quero que realmente ajude no meu futuro. Meu objetivo atual era me tornar um executivo do Grupo Konohana. Para adquirir experiência que me ajudasse a chegar lá, qual posição seria a melhor?

— Shizune-san. Se eu quisesse realmente me tornar um líder empresarial no futuro, que caminhos poderia seguir?

— O caminho mais seguro seria ingressar em uma pequena ou média empresa com problemas de sucessão e herdar o cargo de presidente.

Apenas Takuma-san sabia que eu pretendia entrar no Grupo Konohana, então minha pergunta pode ter parecido repentina, mas a resposta dela foi surpreendentemente concreta. Para as pessoas desse mundo, tornar-se um líder empresarial não era um sonho distante — era uma carreira realista.

Shizune-san provavelmente também me via como parte desse mundo. Eu era grato por isso.

— Isso é mais seguro do que abrir minha própria empresa?

— Abrir uma empresa é mais rápido, mas, se você pensa em um plano de carreira estável, recomendo sucessão. Cerca de 99% das empresas japonesas são pequenas ou médias, e muitas enfrentam problemas de sucessão. Você teria muitas opções.

Era mesmo? Com a queda da taxa de natalidade, isso devia ser um problema ainda mais sério para empresas regionais.

— No entanto, no seu caso, Itsuki-san, para os fins deste jogo, começar uma empresa do zero seria melhor para aprender os fundamentos da gestão.

— Você tem razão.

Eu não deveria confundir os meios com o objetivo. O propósito do Management Game era aprender sobre administração. Progredir bem no jogo era apenas um meio para isso. Quando pensei no que precisava fazer para o meu próprio futuro…

— Já decidi. Vou abrir minha própria empresa.

— Acho que é uma boa escolha.

Imediatamente apliquei minha decisão no jogo. Minha posição inicial: CEO de uma empresa de TI recém-fundada. O tutorial terminou. Eu continuaria no dia seguinte.

Senti um leve nervosismo… como eu me sairia em comparação aos outros da academia?

— Vai dar tudo certo.

A voz de Hinako veio atrás de mim.

— Hinako? Você ainda está acordada?

— Uhum — Hinako assentiu levemente. — Itsuki, não importa o que você escolha, vai dar tudo certo.

— O que você quer dizer…?

— Se for preciso… eu vou te proteger.

Inclinei a cabeça diante da declaração confiante de Hinako. Naquele momento, eu não entendi completamente o que ela quis dizer.

 

No dia seguinte, a cerimônia de abertura do Management Game foi realizada no auditório da Academia Kiou. Os alunos do segundo ano do ensino médio se reuniram, ouvindo atentamente os discursos dos convidados, com expressões cheias de determinação ao retornarem para suas salas.

— Finalmente vai começar, hein?

— Pois é — de volta à sala, concordei com o comentário de Taishou. — Eu não esperava que o Ministro da Economia, Comércio e Indústria aparecesse.

— Tinha um monte de figurões também. Embora a maioria provavelmente seja da família dos nossos colegas.

Suspirei, cansado, e Taishou sorriu de forma irônica. A cerimônia contou com CEOs de grandes corporações e startups unicórnio — verdadeiros titãs do mundo dos negócios — como convidados, criando uma atmosfera solene. Pela primeira vez em um tempo, senti-me sobrecarregado pelo ambiente da Academia Kiou.

Será que meus colegas não se abalavam com isso? Olhei ao redor da sala e—

— Ei, qual é a sua posição inicial?

— Fui com uma empresa farmacêutica, receita anual de 200 bilhões de ienes.

— Estamos em setores parecidos… quer conversar depois da aula? Talvez possamos formar uma aliança empresarial.

— Seria útil. Vou preparar alguns materiais até lá.

Meus colegas já estavam traçando estratégias para o jogo. Conversas sobre valor de mercado, investimentos de capital e outros temas relacionados ao jogo preenchiam o ambiente.

— Todo mundo está tão sério.

— Bom, claro. Dizem que quem domina o Management Game basicamente domina a Academia Kiou.

— Sério?

— A maioria de nós provavelmente vai se tornar político ou CEO, certo? Então habilidade de gestão é um grande símbolo de status para nós. O Management Game deixa claro quem tem isso e quem não tem. Bons resultados não só te levam ao conselho estudantil — eles abrem portas de várias maneiras.

Assenti em compreensão. Na Academia Kiou, os alunos que se destacavam no Management Game eram vistos como os mais excepcionais e exemplares. Eles conquistavam mais facilmente a confiança dos professores, e bons resultados podiam impactar significativamente sua vida acadêmica futura.

Quanto a mim, eu também estava levando o jogo a sério. Meu corpo tremia — eu preferia acreditar que era apenas empolgação nervosa.

— Não podemos começar a jogar até depois das aulas, mas como é o primeiro dia, todo mundo está animado demais para esperar — disse Taishou, rindo.

O Management Game não podia ser jogado o tempo todo. De segunda a quinta, era apenas das 16h às 21h — após as aulas. Às sextas e sábados, das 9h às 21h, podendo jogar o dia inteiro. Durante o período do jogo, as sextas eram folga escolar. Aos domingos, o acesso era bloqueado.

O Management Game era intenso, tanto em suas mecânicas quanto na dedicação dos alunos, mas o cronograma era pensado para ainda permitir espaço para os estudos regulares. Shizune-san também havia me dito que eu poderia pausar as aulas de etiqueta durante esse período. Eu teria que me esforçar para equilibrar tudo.

 

Depois das aulas. Nos reunimos no café com nossos laptops abertos para uma reunião.

— Vamos começar compartilhando nossas posições iniciais? — disse Tennouji-san após tomar um gole de chá. — Eu estou administrando o Grupo Tennouji. Ele abrange diversos setores.

— Eu estou com o Grupo Konohana. Assim como o da Tennouji-san, cobre múltiplos setores — grandes trading companies, indústria pesada e por aí vai.

Essas duas eram como esperado. Provavelmente assumiriam esses papéis na vida real algum dia.

— Os nomes das empresas são os mesmos da realidade, né?

— Você pode mudar, mas a maioria mantém. Fica mais pessoal assim.

Mesmo sendo um jogo, levar uma empresa com o nome da sua família à falência seria doloroso. Era natural se envolver. Em seguida, Narika falou:

— Eu estou com a Shimax, uma fabricante de equipamentos esportivos. …Sinceramente, eu queria abrir uma doceria do zero, mas meus pais brigaram comigo.

É… O Management Game fazia parte do currículo. Esse tipo de coisa ficava melhor em jogos comerciais.

— Eu estou com a Taishou Movers. Como o nome sugere, transporte.

— Eu estou com a J’s Holdings, varejo de eletrônicos.

Taishou e Asahi anunciaram suas escolhas. Por fim, chegou a minha vez.

— Eu só decidi que vou administrar uma empresa de TI.

Todos inclinaram a cabeça, curiosos.

— Vou começar uma empresa do zero. Será de TI, mas ainda não defini o nome.

O tutorial exigia apenas a posição inicial, então o resto eu teria que decidir a partir dali. Os olhos de Asahi-san se arregalaram, surpresa com minha escolha.

— T-Tomonari-kun… isso é ambicioso!

— Hã?

— Quero dizer, você está desafiando as expectativas da sua família e abrindo seu próprio caminho, certo? Uau… eu já pensei nisso, mas realmente fazer? Não é fácil!

Os olhos dela brilhavam enquanto falava. Droga… eu não tinha pensado que isso soaria assim. Se fosse só um mal-entendido, tudo bem, mas se despertasse curiosidade sobre minha família, poderia complicar. Eu preferia não chamar muita atenção…

— Ou talvez seja sobre aprender os fundamentos de uma empresa desde o início.

Hinako, que sabia o verdadeiro motivo da minha escolha, me salvou. Assenti rapidamente.

— É, a Konohana-san está certa. Não é sobre ambição.

— Entendi. …Mesmo assim, isso é bem estudioso da sua parte!

A admiração de Asahi-san não diminuiu. Enquanto isso, eu tinha uma pergunta para ela.

— Hum, você disse que já pensou nisso… isso quer dizer que está considerando algo parecido?

— Vamos deixar o meu caso de lado por enquanto!

O comentário dela soou pessoal, então perguntei, mas ela desviou. Talvez ela não queira assumir o negócio da família? …Se ela não quer falar, melhor não insistir.

— Agora, vamos compartilhar nossas estratégias de gestão — disse Tennouji-san, olhando para todos.

— Meu objetivo mínimo é manter o status atual, enquanto busco aumentar as vendas em todos os setores o máximo possível.

— Manter o status atual também é minha prioridade. Pretendo administrar de forma estável.

Tennouji-san e Hinako falaram. Ambas já estavam à frente de grandes conglomerados. Focar na estabilidade fazia sentido.

— Eu estou mirando crescimento.

— O mesmo que o Taishou-kun. …Meus pais disseram para eu tentar ser a número um no país, pelo menos no jogo, já que na realidade é difícil.

Asahi-san soltou um pequeno suspiro. A J’s Holdings, empresa da família dela, estava entre as cinco maiores do Japão no setor de eletrônicos, mas não era a primeira. A diferença poderia ser difícil de superar na vida real, mas, em um jogo, criatividade poderia tornar isso possível — um dos atrativos desse formato. Por fim, compartilhei minha estratégia.

— Meu objetivo é fazer o negócio decolar.

Tennouji-san assentiu. Nada poderia começar antes disso.

— Você já decidiu que tipo de serviço vai desenvolver?

— Bom… só uma ideia geral.

Para uma empresa de TI, o primeiro passo era decidir qual serviço criar. Esse era, sem dúvida, o maior obstáculo. Não era tudo, mas moldava as receitas futuras e o mercado de atuação.

— Pode ser intromissão, mas deixe-me dar um conselho — Tennouji-san me encarou com seriedade. — O que você quer criar para contribuir com a sociedade, Tomonari-san?

— Eu…

— Pense bem nisso. Essa será a sua resposta.

Contribuições sociais podiam assumir muitas formas. Até o voluntariado tinha inúmeras abordagens. Se eu tivesse que escolher uma, qual seria? …O que melhor expressava o que eu queria fazer, o que eu sentia? Pensei profundamente. Então, percebi.

— Na verdade, tem algo que eu gostaria de tentar.

A resposta já estava ali. Eu expus a ideia que vinha pensando desde a noite anterior.

— Quero criar uma loja online especializada em presentes.

Os olhos de todos se arregalaram.

— O gatilho foi justamente isso que a Tennouji-san disse — pensar em como quero contribuir com a sociedade. …Desde que entrei nesta academia, muitas pessoas me ajudaram, e eu pensei que gostaria de retribuir isso algum dia.

Foi assim que cheguei à ideia. Um serviço centrado em presentes.

— Também pensei nos detalhes… Quando você vai dar um presente, não fica na dúvida sobre "como entregar"? Dar pessoalmente? Comprar online? E, se for online, em qual site? Achei que seria ótimo ter um serviço que eliminasse todas essas dúvidas.

Dar presentes envolve coisas como embalagem, papel cerimonial (noshi) e várias regras de etiqueta. Pensei que seria conveniente se tudo isso pudesse ser automatizado ou feito de forma intuitiva, com até um recurso para gerenciar listas de destinatários. Em resumo — eu queria criar o site definitivo para presentes. Observei a reação de todos.

— Isso realmente parece ter demanda — murmurou Tennouji-san.

— Presentes de fim de ano são um saco. Decidir o que mandar para quem é um trabalho enorme.

— Para amigos tudo bem, mas quando é parceiro de negócios, tem que seguir etiqueta, né?

As reações de Taishou e Asahi-san também não pareciam ruins.

— Pensando bem, lembro que meu pai teve um pouco de dificuldade quando enviou presentes de fim de ano para um cliente no exterior — disse Narika, como se estivesse se lembrando de algo.

Enquanto avaliava as reações de todos, olhei para Hinako. Eu ainda não tinha mencionado isso para ela. Então, seria a primeira vez que veria sua reação…

— Isso é bem a sua cara, Tomonari-kun, e acho maravilhoso.

Hinako sorriu de forma suave e gentil. Talvez fosse só impressão minha, mas suas palavras pareciam vir do coração, não de alguma atuação.

— Dar presentes é uma questão de etiqueta. …Tomonari-san tem se dedicado bastante a aprender boas maneiras desde que entrou nesta academia, então isso pode ser exatamente o ideal para você.

Não era minha intenção, mas agora que foi dito, talvez eu estivesse ligando as duas coisas inconscientemente. As reações de todos eram positivas, e eu podia aplicar bem o que havia aprendido. Não havia mais motivo para hesitar.

— Vou enviar a proposta assim mesmo.

— Sim, acredito que receberá uma avaliação muito positiva — disse Tennouji-san, com confiança.

— No Management Game, a qualidade das ideias é devidamente avaliada. Ao iniciar um novo negócio, a IA e os professores analisam o conteúdo e, se for considerado inovador, isso lhe dá vantagem no jogo. Aliás, como regra, as ideias propostas no jogo são protegidas por acordos para evitar que sejam roubadas na vida real, então não precisa se preocupar.

Esse jogo era realmente muito bem elaborado.

— Além disso, se você estiver começando uma empresa do zero, existe uma função de avanço de dois anos. Quando o negócio estiver minimamente estruturado, é melhor usar essa função.

— Existe algo assim?

— O Management Game foi projetado para ensinar administração por meio da interação com outros alunos. Uma empresa recém-criada tem pouca margem de negociação, então esse é um recurso pensado com cuidado.

Como esperado, nem tudo era perfeitamente realista. Para nos ajudar a aprender gestão de forma eficiente, o jogo oferecia certos atalhos.

— Obrigado pela explicação.

— Não precisa agradecer. No mundo real, ao abrir uma empresa, você receberia conselhos de várias pessoas. O Management Game é mais eficiente quando você envolve os outros, em vez de fazer tudo sozinho.

Eu já suspeitava disso, mas parecia que o jogo era construído com base na interação — tanto dentro quanto fora dele. Afinal, até formamos uma aliança. Assenti diante do comentário de Tennouji-san.

— Além disso, todos nós estamos mirando o conselho estudantil juntos… podemos até nos chamar de companheiros! Especialmente no meu caso! Pode contar comigo! — disse Tennouji-san, colocando a mão no peito.

Eu era grato. Provavelmente não havia aliada mais confiável do que ela. Foi então que—

— Companheiros, é?

Hinako murmurou em voz baixa.

— Hm? Disse algo, Konohana Hinako?

— Não. Apenas não achei esse termo muito adequado.

Fechando os olhos enquanto falava, Hinako então os abriu e me encarou diretamente.

— Se estamos falando de companheiros… no mínimo, deveria ser um tipo de vínculo em que se vive sob o mesmo teto.

— O quê!?

Hinako soltou uma verdadeira bomba, e eu me levantei sem pensar. Ela estava falando da nossa relação? Por que estava tão competitiva de repente…!?

— H-Hooh…?

A xícara na mão de Tennouji-san começou a tremer, fazendo barulho. Tennouji-san sabia que eu estava hospedado na mansão da família Konohana com Hinako. Narika também sabia e olhava nervosa entre nós dois.

Apenas Taishou e Asahi inclinaram a cabeça, confusos. …A reação deles era a mais útil naquele momento.

— H-Hmph… distância física não importa! — disse Tennouji-san, com a voz trêmula. — Na verdade, quanto maior a distância, mais forte você sente a conexão emocional! Julgar um relacionamento apenas pela proximidade… isso é superficial.

— Entendo.... Superficial, é? — Hinako tomou um gole de chá e colocou a xícara na mesa. — Mas eu tenho estudado, sabe.

— E-Estudado…?

— Sim. Ultimamente, tenho me interessado pelas complexidades das relações humanas… estou aprendendo por conta própria sobre coisas como romance.

— R-Romance… estudando!?

Ela só está lendo mangá shoujo, não está? Eu sabia que recentemente ela havia pegado alguns emprestados com a Yuri. Yuri trabalhava como cozinheira na casa Konohana uma vez por semana e, aparentemente, levava mangás sempre que ia. Mas Tennouji-san e os outros, sem saber disso, arregalaram os olhos, chocados.

— Hum, Konohana Hinako, se não for incômodo, será que eu poderia participar desse estu—

— Bom! Valores variam de pessoa para pessoa, não é? Vamos deixar por isso mesmo!

Antes que Tennouji-san se envergonhasse ainda mais, tentei mudar o assunto desesperadamente. Algo estava estranho… Ultimamente, Hinako vinha ficando mais ousada.

— Tennouji-san.

Quando me sentei novamente, uma voz veio de trás. Sem que percebêssemos, uma aluna havia se aproximado.

— Suminoe-san?

Falei seu nome. Era Suminoe-san, nossa colega de classe.

— Suminoe-san, aconteceu alguma coisa?

— Alguns colegas queriam consultar Tennouji-san sobre o Management Game…

— Entendo. Vou tratar disso agora mesmo.

— Não, como vi que estavam em uma festa do chá, enviei os detalhes por e-mail.

— Entendido. Obrigada pela consideração.

Tennouji-san agradeceu. Asahi observava a conversa, surpresa.

— Suminoe-san, você é próxima da Tennouji-san?

— Sim, estivemos na mesma turma no ano passado — disse Suminoe-san, e Tennouji-san concordou com um aceno.

— A Suminoe-san sempre me apoia assim.

— Hã — disse Taishou, olhando entre as duas. — Parece meio que uma secretária da Tennouji-san.

— Isso é uma grande honra.

Suminoe-san sorriu.

— Como já disse antes, você não precisa se esforçar tanto por mim.

— Não, faço isso porque quero.

A troca entre elas parecia realmente a de uma secretária competente com sua chefe. …Eu não fazia ideia. Suminoe-san era minha colega, mas quase não conversávamos. Como parecia tão próxima de Tennouji-san, elas deviam passar bastante tempo juntas fora do meu conhecimento.

— Ei, Suminoe-san! Quer se juntar a nós?

— Obrigada pelo convite, fico feliz. Mas tenho alguns assuntos familiares para resolver em breve…

Suminoe-san recusou educadamente o convite de Asahi. Ela se virou para sair. Mas, pouco antes—

— ?

Será que foi impressão minha? Por um instante… Suminoe-san tinha me lançado um olhar duro?

— Tennouji-san, você vai formar uma aliança com a Suminoe-san também?

— Ela mencionou isso uma vez, mas deixei em suspenso.

Em suspenso? Elas pareciam tão próximas… Enquanto eu pensava nisso, Tennouji-san continuou, com uma expressão séria:

— As habilidades dela são impecáveis, mas minha relação com a Suminoe-san é um pouco complicada… não, é um assunto delicado, então não devo falar levianamente.

Ela parecia prestes a dizer algo, mas se conteve. O que havia entre aquelas duas…?

 

De volta à mansão, eu estava no meu quarto, diante do laptop.

— O escritório e os equipamentos estão prontos. Já garanti engenheiros como equipe. O design inicial do site de e-commerce está concluído… certo, hora de usar a função de avanço.

Na vida real, abrir uma empresa do zero geralmente significa enfrentar dificuldades financeiras no início. Mas, se eu ficasse preso nisso no Management Game, nunca chegaria ao ponto principal — interagir com outras empresas.

Era melhor aceitar que o foco do jogo era o que vinha depois da criação do negócio. …Pensando bem, os alunos da Academia Kiou provavelmente nem enfrentariam esse problema. Empreendedores normalmente sofrem para conseguir financiamento, pois precisam encontrar investidores. Mas, na Academia Kiou, conexões assim estavam por toda parte. Provavelmente havia alunos cujos pais administravam fundos de investimento.

Na tela apareceu: "Avanço concluído."

Assim, minha empresa já estava em seu segundo ano. Como o jogo cobre três anos, ao final ela estaria no quinto ano de existência. Verifiquei os detalhes dos serviços criados após o avanço.

— Uau…!

Mesmo sendo apenas um jogo, ver minha empresa crescer de forma tão fluida era empolgante. Ao conferir os dados, vi desde o número de acessos diários até a quantidade de anúncios, tudo organizado em números detalhados.

Também revisei a landing page — a primeira página que os usuários veem. Como ela havia sido gerada pela função de avanço, eu me preparei para algo malfeito, mas, aos meus olhos de leigo, parecia bastante decente.

Acho melhor dar uma olhada nas empresas dos outros.

Abri o mapa, e a tela se encheu com uma visão aérea de uma cidade. No centro, havia um prédio de médio porte — parte dele era o meu escritório.

Assim como na vida real, o jogo atribuía endereços às empresas. Procurei a empresa do Taishou e encontrei sua sede na província de Osaka exibida na tela. Por curiosidade, conferi como aquele cenário urbano era na vida real usando um aplicativo de mapas. …Era praticamente idêntico. O Management Game parecia recriar as cidades reais com o máximo de fidelidade possível.

Impressionado, comecei a analisar os dados das empresas ao redor.

…Bom, não tem como eu estar no mesmo nível que eles depois de apenas dois anos de avanço.

Todos os alunos estavam administrando empresas muito maiores que a minha. Capital, receita, número de funcionários — todos os indicadores superavam minha empresa com folga. Ver essa diferença numérica tão claramente era ao mesmo tempo impactante e assustador.

— Pode vir.

Primeiro, eu precisava alcançá-los de alguma forma. Se não conseguisse isso, podia esquecer o conselho estudantil. Um dia se passou no jogo, e os números das empresas foram atualizados.

Em tempo real, quinze minutos equivaliam a um dia no jogo. Se eu tentasse pensar em estratégias em tempo real o tempo todo, nunca conseguiria acompanhar, então precisava me preparar com antecedência.

…Também existem NPCs, hein.

O mundo do jogo também incluía empresas controladas por NPCs, não por alunos. Parecia possível fazer negócios com elas também.

— A primeira coisa que preciso fazer… é aumentar o número de usuários.

Ao verificar a tendência de crescimento, vi que no início ela subia de forma constante, mas havia estagnado nos últimos seis meses. Descobrir como quebrar esse platô seria meu próximo desafio.

Um site de e-commerce permite que usuários comprem produtos ou serviços online. Como eu poderia aumentar a base de usuários…? Algumas ideias começaram a surgir. Alonguei-me levemente e olhei para o relógio do laptop.

Já era quase 21h. O jogo não podia ser jogado depois desse horário. …Eu ainda estava empolgado, então parar ali parecia um pouco frustrante, mas decidi levar esse entusiasmo para o dia seguinte e encerrar por hoje.

Hinako, determinada a manter sua imagem perfeita de ojou-sama, aparentemente estava focando no Management Game por um tempo a partir daquele dia. Por isso, não veio ao meu quarto naquela noite. Normalmente, a essa hora, ela estaria relaxando na minha cama, então sua ausência me fez sentir um pouco solitário.

…Talvez eu vá vê-la, para variar.

Fechei o laptop e saí do quarto. No caminho para o quarto da Hinako, encontrei uma figura familiar.

— Takuma-san?

— Hm? Ah, é você, Itsuki-kun?

Um homem alto e esguio, vestindo um terno elegante — Takuma-san — se virou. Ele carregava uma pilha de documentos. …Conhecendo sua verdadeira natureza, não consegui deixar de encarar aqueles papéis com certa desconfiança.

— Não precisa ficar tão cauteloso. Já fiz algo contra você?

— Não… é só reflexo.

— Isso torna ainda mais doloroso.

Ele não parecia nem um pouco magoado.

— Aliás, o Management Game começou hoje, não foi? Conseguiu iniciar sua empresa?

— Sim. …Espera, como você sabe que escolhi abrir uma empresa?

— Só um palpite de que você seguiria por esse caminho.

A percepção dele continuava afiada como sempre. EQ… inteligência emocional, era isso? Aparentemente, Takuma-san tinha um nível absurdamente alto, conseguindo ler as pessoas apenas olhando seus rostos.

— Então, que tipo de empresa você criou, Itsuki-kun?

— Uma empresa que administra uma loja online de presentes.

— Boa. E-commerce é uma escolha sólida — é um mercado que ainda vai crescer por um bom tempo. Os professores da Academia Kiou tendem a valorizar tendências, então sua ideia deve ser bem avaliada — disse Takuma-san, apoiando o queixo na mão enquanto refletia.

Ao ouvi-lo, comecei a pensar. …Será que eu deveria pedir conselhos a esse cara? Eu ainda desconfiava de Takuma-san, mas tinha uma sensação vaga. Ficar perto dele poderia me ajudar a crescer. Durante o verão, ele me ajudou a definir meus objetivos, e como conhecia minhas ambições, era fácil conversar com ele.

Além disso, Takuma-san entendia muito de negócios. Outro dia mesmo, ele comentou sobre a cultura tóxica de trabalho em uma empresa, então claramente dominava os bastidores corporativos.

— Takuma-san, você poderia me dar alguns conselhos sobre o Management Game? Estou meio perdido sobre o que fazer agora.

— Qual é o problema específico?

— Acabei de usar a função de avanço e estou pensando em como aumentar o número de usuários. Mas, com um orçamento limitado, não posso tentar tudo…

— Você quer saber estratégias eficazes.

Assenti, e Takuma-san pensou por um momento.

— Certo, então que tal me ajudar com meu trabalho? Como você pode ver, estou atolado de documentos — disse ele, balançando levemente a pilha de papéis.

— Se eu puder ajudar, não me importo…

— É só organizar documentos, então você dá conta.

Takuma-san se virou e seguiu em frente. Eu o acompanhei. Ele entrou em um pequeno escritório no primeiro andar da mansão. …Era a primeira vez que eu entrava ali. Segundo Shizune-san, aquele espaço era usado por visitantes para trabalhar. Eu achava que dificilmente seria utilizado, mas… entendi, servia para membros da família que não ficavam sempre na mansão.

Takuma-san me entregou uma pilha de cerca de cinquenta papéis.

— São e-mails? Por que imprimir…?

— Para variar um pouco. Tenho ficado tempo demais olhando para telas, então senti falta de papel. Mas acabei sem tempo para ler, então estou passando para você.

Eu também andava grudado no laptop ultimamente, então até que entendia. Talvez esse tipo de estratégia para manter a motivação seja algo essencial para qualquer profissional.

— Separe entre os que precisam de resposta e os que não precisam. Para os que não precisarem, se forem curtos, pode só me dizer verbalmente. Depois pode descartar.

Takuma-san se sentou, folheando seus próprios documentos. Com um leve nervosismo, comecei a organizar os papéis.

— Da Arise Co., Ltd., um agradecimento pela ajuda na conclusão de um contrato.

— Certo.

— Da With Partners Co., Ltd., informando que um protótipo foi concluído e será enviado em breve.

— Entendido.

Takuma-san continuava trabalhando enquanto respondia aos meus relatos.

— Do Ministro da Defesa, confirmação de recebimento de um contrato… espera, o quê? Ministro da Defesa…!?

— Um dos nossos principais clientes.

A presença de um nome tão grande me pegou desprevenido. …Takuma-san realmente era alguém impressionante. Caso contrário, não teria uma rede de contatos tão ampla. Lidar com alguém desse nível significava que ele conquistou uma enorme confiança.

— Terminei.

— Bom trabalho.

Concluí a separação dos documentos. Quando olhei para Takuma-san, ele ainda estava concentrado lendo algo complexo.

— Ainda vou demorar um pouco para terminar aqui. Se ficar entediado, pode dar uma olhada naqueles documentos ali. Talvez aprenda algo.

— T-Tudo bem mesmo? Não tem, tipo, segredos confidenciais de empresa ou algo assim?

— A essa altura, isso ainda importa?

Bom… é, acho que não. Fiquei até envergonhado por, por um momento, ter pensado que ele era um adulto responsável. É verdade, Takuma-san é esse tipo de pessoa. O fato de eu estar buscando orientação com alguém assim talvez diga algo sobre mim também. Peguei um documento que chamou minha atenção.

— Isso aqui é…

— Uma proposta para um fabricante.

Só essa explicação não ajudava muito. Mas interromper Takuma-san enquanto ele trabalhava parecia inadequado, então tentei entender sozinho.

Basicamente, estão pedindo cooperação de outra empresa para concluir um produto. Parecia que a fabricante de eletrônicos do Grupo Konohana estava desenvolvendo um ar-condicionado voltado para clientes ricos no exterior. Para priorizar desempenho, queriam usar peças desenvolvidas por outra empresa e estavam solicitando autorização.

Se a outra empresa aceitasse, teria acesso a uma grande quantidade de dados experimentais, que seriam compartilhados. Além disso, se o produto fosse concluído com essas peças, a visibilidade da marca também aumentaria. Claro, haveria compensação financeira. A proposta detalhava tudo isso — dados esperados, motivos da parceria, etc.

— Essa proposta é toda legítima?

— Hm?

Quase sem perceber, acabei perguntando. Takuma-san interrompeu o que fazia e me olhou.

— Quero dizer… algumas partes parecem meio forçadas, como se… seu verdadeiro objetivo fosse só conseguir um encontro presencial, não?

Ao lado da proposta havia um histórico de e-mails com o responsável. Pelo que vi, Takuma-san ainda não havia se encontrado pessoalmente com ele. Ao ouvir minha pergunta, os olhos de Takuma-san se arregalaram… e ele riu.

— Acertou. Esse cara é bem teimoso, então fechar algo por e-mail é difícil. Mas, se eu conseguir falar com ele pessoalmente, tenho certeza de que consigo convencê-lo. Então só incluí alguns "incentivos" atraentes.

Uau… Internamente, me encolhi diante do sorriso astuto dele.

— Como você percebeu?

— Hã?

— Estou impressionado que tenha captado minha intenção só com aquele documento.

— Não, foi só um pressentimento. A proposta parecia meio… vaga.

Não sei por quê, mas Takuma-san me encarava com uma expressão séria. Ainda assim, eu não conseguia explicar aquele instinto.

— Eu só… senti que isso é algo que você faria, Takuma-san.

Não era uma resposta muito convincente, mas era o que eu sentia. Realmente foi só intuição. Por que ele estava levando isso tão a sério?

— Mudei de ideia — disse Takuma-san, em voz baixa. — Itsuki-kun. Que tal se tornar meu aprendiz?

— Aprendiz?

— Sim. Só durante o período do Management Game. Quer aprender algumas coisas comigo?

Isso era…

— Isso é mais do que eu poderia esperar, mas…

— Ótimo, então está decidido.

Ao ver o sorriso satisfeito de Takuma-san, senti um leve arrepio. Isso vai dar certo…? Será que acabei de fazer um pacto com o diabo?

— Certo, vamos começar. Mostre em que ponto você está. O jogo está offline agora, mas ainda dá para acessar a tela inicial, certo?

— Certo. Vou buscar meu laptop.

Fui até meu quarto, peguei o laptop na mesa e voltei ao escritório onde Takuma-san me esperava. Abri o computador e mostrei a tela inicial do jogo.

— Agora está assim, e eu estou tentando aumentar a base de usuários…

Expliquei a situação enquanto mostrava os dados. Depois de ouvir, Takuma-san refletiu por um momento.

— Em vez de aumentar os produtos, é melhor investir em publicidade.

Ele declarou sua conclusão sem rodeios.

— Sua empresa não fabrica os produtos, então contar com boca a boca é ingenuidade. É como um restaurante dizer "vamos competir só pelo sabor". Isso é o básico.

— Isso… é um exemplo ruim?

— Competir pelo sabor já é o mínimo, não é?

Ou seja, não basta fazer o básico — é preciso se destacar em outras áreas também.

— Você precisa estabelecer uma identidade de marca.

— Identidade de marca?

— Dar uma característica clara à empresa facilita transmitir sua imagem. É prático. Voltando ao exemplo do restaurante — pode ser um ambiente rústico, estilo casa antiga, ou algo moderno e futurista. Depois de definir isso, é só reforçar essa imagem na publicidade.

— Entendi. …Obrigado pelo conselho.

Definir que tipo de identidade de marca seguir — isso dependia de mim. Diferente de um restaurante, por se tratar de um site de e-commerce, eu queria atingir o público mais amplo possível.

…Já que é uma loja online, a base de clientes diretos provavelmente seria composta por adultos que podem ter cartão de crédito. Talvez um conceito como "conexões maduras" funcionasse? Não de forma formal, educada ou superficial, mas algo inteligente, profissional, com cara de negócios… esse tipo de atmosfera adulta.

— Esse nome de empresa é bem sem graça, hein.

— A…

Ele acertou bem onde doía.

— Bem, nomes de empresa muitas vezes são só o nome do fundador, então não é grande coisa. A nossa também é assim, e tem a Toyota, a Ishibashi e muitas outras. …Mas, para uma empresa de TI, você podia ter escolhido algo um pouco mais estiloso.

— Eu… não tenho muito jeito pra dar nomes…

— Hoje em dia, muitas empresas recorrem a sugestões do público para escolher nomes. Administrar um negócio não é algo que se faz sozinho — você precisa contar com os outros.

A Tennouji-san não tinha dito algo parecido? Que o Management Game ficava melhor quando jogado em colaboração com outras pessoas. Se alguém como o Takuma-san, que está envolvido em vários negócios, também dizia isso, então devia ser verdade.

— Aqui vai uma tarefa. Até sexta-feira, pesquise os estilos de gestão das pessoas com quem você costuma conviver e me traga um relatório. …Hinako, Tennouji-san e Miyakojima-san já são suficientes.

Como ele sabia com quem eu andava? Cheguei a me perguntar, mas decidi que não valia a pena pensar demais nisso e fiquei em silêncio.

— Além disso, hoje eu só estou na propriedade, então, de agora em diante, vamos passar a usar chamadas de vídeo.

— Entendido. Obrigado por hoje.

— Não precisa agradecer. Afinal, eu só estou investindo.

— Investindo?

Inclinei a cabeça, e Takuma-san assentiu de forma despreocupada.

— No seu talento — dizendo isso, Takuma-san pegou sua pilha de documentos e saiu do escritório.

Eu também saí, voltando para o meu quarto enquanto refletia sobre suas palavras.

…Talento?

Eu? Que tipo de talento ele estava falando? Fiquei pensando nisso por um tempo, mas eu mesmo tinha acabado de decidir não pensar demais nas coisas. Por enquanto, o melhor era me concentrar em cumprir a tarefa que Takuma-san tinha me dado. Quando me aproximei do meu quarto, vi alguém parado em frente à porta.

Era Hinako. Pensando bem, o motivo de eu ter saído do quarto em primeiro lugar tinha sido ir vê-la. Naquele momento, Hinako estava parada diante da minha porta, concentrada… ajeitando a franja.

…O que ela está fazendo?

— Hinako?

— !? I-Itsuki…?

Hinako se virou rapidamente, claramente assustada. Isso era raro. Eu nunca a tinha visto tão atrapalhada antes.

— Onde v-você estava…?

— Estava conversando com o Takuma-san.

— Aff…

Como esperado, ela ainda não suportava o Takuma-san.

— Você também estava bem focada no Management Game hoje, né?

— Sim. Eu queria terminar mais cedo, mas… o papai me chamou.

— Kagen-san? Por causa do jogo?

— Exato. Ele me lembrou com firmeza de que eu precisava apresentar resultados dignos de uma Ojou-sama da família Konohana…

Hinako soltou um suspiro cansado, com uma expressão completamente exaurida. Pensei em começar imediatamente a tarefa que Takuma-san tinha passado, mas, ao ver o quanto Hinako parecia cansada, decidi deixar para falar do Management Game outro dia.

Quando a conversa esfriou, os olhos de Hinako começaram a se mover de um lado para o outro, e sua inquietação denunciava seu desconforto.

— Hum… quer entrar?

— Sim, eu entro....

Com um leve rubor nas bochechas, Hinako assentiu discretamente. Em um clima estranhamente constrangedor, deixei Hinako entrar no meu quarto.

 

Ao entrar no quarto de Itsuki, Hinako, como de costume, examinou o ambiente ao redor. Itsuki provavelmente não percebia esse pequeno hábito dela.

Oh… tem um porta-canetas novo.

Como visitava o quarto de Itsuki quase todos os dias, Hinako percebeu a mudança imediatamente. Um porta-canetas preto, que não estava ali antes, agora repousava sobre a mesa.

Hinako adorava ir ao quarto de Itsuki. No começo, ele era impecavelmente arrumado, sem nada desnecessário, passando a sensação de uma estadia temporária. Mas, dia após dia, ela adorava vê-lo ganhar a personalidade de Itsuki. Mais materiais de escritório apareciam, depois chinelos, um relógio de mesa, um computador… Parecia que Itsuki estava, pouco a pouco, se tornando um verdadeiro morador da mansão, e isso enchia seu coração de alegria.

Normalmente, ela aproveitaria esse conforto tirando um cochilo na cama de Itsuki, mas…

Não, não posso…

Uma gota de suor surgiu em sua testa.

Eu simplesmente… não posso agir como antes…!!

Seu coração não parava de bater acelerado. Na verdade, ela também não tinha conseguido relaxar nem um pouco no dia anterior. Embora tivesse se jogado na cama de Itsuki como de costume, não pregara os olhos, passando todo o tempo acordada, ouvindo a conversa entre Itsuki e Shizune.

Até mesmo nos mangás shoujo, o quarto de um garoto era retratado como um espaço especial, quase sagrado. Agora, ela entendia esse sentimento. Havia uma tensão inexplicável, um medo de fazer algo inadequado.

— Posso usar o computador um pouco? Quero anotar umas coisas…

— S-Sim, pode…

Hinako assentiu, e Itsuki imediatamente se voltou para o computador. Sentada na beirada da cama, ela lançava olhares furtivos para o perfil dele. …Não importava quando visse, a postura séria e dedicada de Itsuki era inegavelmente atraente.

De repente, Itsuki olhou na direção dela. Será que ele tinha percebido que ela estava encarando? Em pânico, ela desviou o olhar rapidamente antes que a situação ficasse estranha.

O som do teclado preenchia o quarto. Quando ela olhou novamente… Itsuki também estava olhando, e seus olhos se encontraram.

— P-Por que você fica me olhando de lado assim?

— Ah, eu só estava pensando que te levaria para a cama se você acabasse dormindo.

— Carregar…?

— Sim. Já fiz isso algumas vezes antes, não fiz?

Pensando bem, aquilo realmente lhe soava familiar… Se ela pedisse, será que ele a carregaria naquele dia também? Ela ficou encarando Itsuki atentamente enquanto ele digitava no teclado.

Isso é ruim… ultimamente, eu fico querendo me apoiar nele…

Mesmo que cedesse a esse impulso, ela não achava que Itsuki a rejeitaria por isso. Mas, antes de mais nada… o que Itsuki pensava de alguém como ela?

— Itsuki, o que você acha de mim?

— Hã?

Itsuki arregalou os olhos ao se virar para ela.

Ah não, isso foi direto demais…!

Ela tinha deixado escapar o que pensava sem refletir.

— Quer dizer… o que você acha de alguém tão relaxada como eu?

Reformulando a pergunta, ela observou enquanto Itsuki parava para pensar.

— Às vezes você se preocupa com esse tipo de coisa, né, Hinako?

— Aff…

— Como eu já disse antes, eu não me importo nem um pouco. Essa sua "falta de jeito" é só resultado do quanto você se esforça no dia a dia… e, sinceramente, eu me sinto honrado por ser a pessoa que pode te apoiar.

Itsuki disse isso com um leve constrangimento. Hinako levou as mãos ao rosto, sentindo como se fosse abrir um sorriso bobo a qualquer momento.

Ele já tinha dito algo parecido antes, não tinha? …Foi quando decidiram alternar quem a acordaria de manhã, passando de Itsuki para Shizune. Pensando agora, talvez tenha sido ali que ela começou a vê-lo como algo além de um amigo. A ideia de ele vê-la logo ao acordar, toda sonolenta, de repente tinha se tornado constrangedora demais.

Itsuki provavelmente gostava de cuidar dos outros. Ela sabia que, não importava quantas vezes ele visse seu lado verdadeiro, sem filtros, ele não ficaria decepcionado. Mesmo assim, de vez em quando, ela não conseguia evitar querer confirmar isso.

…O amor é um sentimento tão estranho.

Sua confiança em Itsuki não tinha vacilado. Ainda assim, de alguma forma, ela se sentia mais ansiosa do que antes. Ser ela mesma, agir naturalmente, de repente exigia um pequeno esforço de coragem. Mas, se alguém não pudesse aceitá-la como ela realmente era, essa distância entre eles nunca diminuiria.

— Posso… usar sua cama? Acho que vou acabar dormindo…

— Sim, claro. Eu estou estudando, então faz o que quiser, como sempre.

Hinako se jogou na cama de Itsuki. Se, em um romance comum, ser aceito como realmente se é fosse essencial… o que ela deveria fazer, quando já era aceita desde o começo? Talvez, só talvez, ela estivesse lidando com um tipo de amor bastante complicado. 

Enquanto caía em um leve cochilo, perdida nesses pensamentos…

— Hm? Ah, é da Tennouji-san.

As orelhas de Hinako se aguçaram. Itsuki pegou o celular. Parecia ser uma ligação.

— Tomonari-san?

A voz de Tennouji-san ecoou no quarto silencioso.

— Tennouji-san, o que foi?

— Imaginei que você poderia estar se preocupando com o jogo a essa altura, então pensei em me oferecer para ajudar, caso quisesse conversar.

Lentamente, Hinako se sentou. Uma ligação… a essa hora? Hinako lançou um olhar penetrante para Itsuki. Ele não pareceu notar.

— Obrigado pela preocupação, mas está tudo bem. Eu já resolvi.

— É mesmo? …Ainda assim, isso é um pouco preocupante por outro lado. Com a sua personalidade, Tomonari-san, você pode acabar se esforçando demais.

— Vou tomar cuidado…

Ela tinha que admitir — ele realmente precisava prestar atenção nisso.

— Descansar também é importante. Talvez, no próximo domingo, você e eu possamos…

A voz de Tennouji-san foi diminuindo até virar um murmúrio. Nesse instante, Hinako respirou fundo—

— Tomonari-kun. Que tal irmos às compras no próximo domingo?

— Hã? Essa voz… K-Konohana Hinako!?

Hinako falou alto o suficiente para que sua rival do outro lado da linha ouvisse claramente. Os ombros de Itsuki se contraíram de susto.

— Ah, e eu também não me importo de ir ao cinema, sabia?

— Cinema…!? Tomonari-san!? O-O que está acontecendo aqui!?

Gotas de suor frio escorriam pelo rosto de Itsuki.

— N-Não, espera! É que eu estava só conversando com a Konohana-san sobre o jogo!

— Sério!? Parecia que vocês estavam planejando casualmente um passeio de fim de semana!

— Ah!? D-Desculpa, o sinal está ruim, vou ter que desligar!

— E-Espera—!

Itsuki encerrou a chamada às pressas. Ela até poderia ter insistido um pouco mais… mas aquilo já era suficiente por enquanto.

— Hinako……………………? — Itsuki olhou para ela com cautela, como se tivesse acabado de pisar em uma mina terrestre. — Então… você quer ir ao cinema?

— Tenho um jantar em família nesse dia, então não posso fazer nada.

O rosto de Itsuki parecia gritar "Então por que você disse aquilo?", completamente confuso. Ela não sabia. Nem ela mesma entendia direito. Só sabia que tinha sido tomada por um turbilhão de emoções extremamente complicado.

— Vou dormir…

— Hã?

Jogando-se de volta na cama, Hinako deixou Itsuki completamente perdido. O único som era o tique-taque constante do relógio.

— Ei, Hinako? Já está na hora do banho…

— Me carrega.

— Me carrega.

Itsuki parecia completamente confuso, mas Hinako o ignorou. Por fim, ele suspirou resignado e a pegou no colo, em estilo princesa, levando-a até o quarto dela. Ao ser envolvida por aqueles braços mais firmes do que pareciam sob o uniforme, Hinako sentiu uma onda de vitória.

Toma essa, Tennouji Mirei.

Esse era o poder da proximidade física.

 

No dia seguinte, a Academia ainda fervilhava com conversas sobre o Management Game.

Diferente de ontem, naquele dia eu conseguia participar dessas conversas. Tendo criado minha própria empresa e alcançado a linha de partida, eu conseguia me identificar com o que todos diziam como um participante.

— Mesmo assim, Tomonari-kun… "Tomonari Gifts" como nome de empresa? Sério?

Asahi-san comentou com um sorriso irônico. Taishou, ao lado, tinha uma expressão complicada. Durante o intervalo, eu conversava com Taishou e Asahi-san sobre o jogo. Eles tinham me dado conselhos durante o chá, então achei que deveria atualizá-los sobre meu progresso, mas…

— Estou começando a me arrepender um pouco.

— Ah, não! Quer dizer, não é tão ruim assim, tá!? É só que… o nome parece meio de uma fábrica ou algo assim…

Ao me ver desanimar, Asahi-san tentou me animar às pressas. Tomonari Gifts Co., Ltd. — esse era o nome da minha empresa. Takuma-san já tinha apontado isso, e agora eu percebia que realmente não parecia o nome de uma empresa de TI.

— E o desempenho, como está?

— Ficou estável logo depois que usei a função de avanço rápido. Mas encontrei uma forma de superar isso, então acho que vai dar certo.

— Parece que você está indo bem… A nossa empresa também meio que estagnou, então talvez eu precise mudar alguma coisa.

Taishou parecia estar lidando com seus próprios problemas de gestão.

…Também preciso fazer a tarefa do Takuma-san. A tarefa era investigar os estilos de gestão de Hinako, Tennouji-san e Narika.

O prazo era sexta-feira, então ainda restavam dois dias. Conhecendo o Takuma-san, ele não estava me dizendo para fazer de qualquer jeito, mas para analisar cuidadosamente a abordagem de cada uma. Olhei primeiro para Hinako, mas ela já estava cercada por colegas, aparentemente dando conselhos sobre o Management Game.

Eu podia falar com Hinako fora da escola. Na verdade, provavelmente seria mais fácil conversar com calma na mansão depois das aulas. …Hoje, eu tentaria falar com Tennouji-san. Assim como Hinako, Tennouji-san estava sempre cercada de pessoas. Em vez de esperar o almoço ou o fim das aulas, talvez fosse melhor perguntar sobre a agenda dela agora.

Enquanto eu pensava na tarefa de Takuma-san—

— Bom dia, pessoal.

Uma voz suave e gentil chegou aos meus ouvidos.

— Ah, Suminoe-san! Bom dia!

— Bom dia.

Suminoe-san fez uma reverência elegante.

— Desculpem por ter recusado o convite para o chá ontem.

— Relaxa, não se preocupe. Você também deve estar ocupada, Suminoe-san.

— O Management Game realmente traz muitas responsabilidades.

Asahi-san e Taishou responderam a Suminoe-san. Enquanto isso, eu perdi o momento de entrar na conversa e permaneci em silêncio.

— Tomonari-kun, você não conversa muito com a Suminoe-san, né?

— Não muito. Não é como se nunca tivéssemos conversado, mas…

Como se tivesse lido meus pensamentos, Suminoe-san sorriu gentilmente.

— Hehe, não precisa ficar tão tenso. Afinal, somos colegas de classe.

— Desculpa.

Ela tinha percebido claramente meu nervosismo.

Suminoe Chika. Uma das poucas pessoas da turma capaz de conversar com Hinako de igual para igual. Seus modos refinados rivalizavam com os de Hinako e Tennouji-san, e sua aparência delicada e encantadora era frequentemente comentada pelos garotos da sala.

Pele branca como a neve. Longos cabelos negros que desciam das escápulas até a cintura. Sua aura suave e elegante transmitia um charme de ojou-sama diferente do de Hinako ou Tennouji-san.

Não era a primeira vez que eu falava com Suminoe-san. Quando ajudei no plano da Narika para deixar de ser solitária, nós conversamos algumas vezes. …Como estar próximo de Hinako significava também me dar bem com as amigas dela, eu me esforcei para conversar com Suminoe-san também.

Ainda assim, não tínhamos muito contato, então nossas conversas eram raras. Ser abordado assim de repente me deixava tenso. Eu já estava acostumado com Hinako e Tennouji-san, mas a aura nobre de Suminoe-san era tão marcante que quase me fazia recuar.

— Não temos muitas oportunidades de conversar assim pessoalmente, não é? Mas sinto que sei bastante sobre você, Tomonari-san.

— Hã… por quê?

— Você e a Konohana-san parecem bem próximos, por exemplo. E…

Suminoe-san olhou ao redor para as pessoas reunidas ali.

— Sempre há muitas pessoas ao seu redor, Tomonari-san.

— É mesmo?

— Ah, essa sua falta de percepção também é bastante encantadora.

Ser elogiado assim, de forma tão direta, me fez corar. Como dizer… ela parecia um anjo. Pura, sem mácula, quase etérea. Eu não estava comparando ninguém, mas Suminoe-san provavelmente era a segunda pessoa mais popular da turma, depois de Hinako. Era fácil entender o motivo. Ela tinha tanto linhagem quanto personalidade de sobra.

Nesse momento, o sinal de aviso tocou.

— Ah.

O som me fez soltar um pequeno murmúrio.

— O que foi, Tomonari-kun?

— Não, é que… eu queria falar com a Tennouji-san sobre algo, mas como a aula vai começar, deixo para o próximo intervalo.

Eu queria conversar com Tennouji-san sobre a tarefa do Takuma-san.

— Tennouji-san?

O olhar de Suminoe-san se fixou em mim. Será que algo a incomodava?

— Ah… eu queria falar sobre o Management Game.

— Entendo. A Tennouji-san é bastante confiável, não é?

Suminoe-san assentiu, parecendo satisfeita.

— Você estava na mesma turma que a Tennouji-san no ano passado, não estava?

— Sim. Ela sempre foi muito gentil comigo. …Mesmo naquela época, Tennouji-san já era admirada por alunos de outras turmas também.

— Isso é impressionante para alguém do primeiro ano.

— De fato. Eu não conheço ninguém tão gentil e nobre quanto ela.

Parecia que Suminoe-san ficava mais animada assim que o assunto era Tennouji-san. Ela devia admirá-la bastante. Logo, todos se sentaram, e a aula começou.

 

Depois da aula, como planejado, fui até a sala de Tennouji-san. Espiando pela porta da Turma C, eu a vi — seus cabelos dourados brilhantes, presos em elegantes cachos verticais, eram inconfundíveis. Tennouji-san inclinou a cabeça e se aproximou de mim.

— Tomonari-san, aconteceu alguma coisa?

— Desculpa, eu queria conversar sobre algo…

Senti um pouco de culpa por interromper a conversa dela com os colegas… mas, por algum motivo, os alunos que estavam falando com Tennouji-san passaram a me olhar, murmurando animados.

— Aquele rapaz ali, ele sempre participa dos chás com a Tennouji-san…

— Então ele deve ser um dos ilustres membros da Aliança do Chá…

Eu ouvi os cochichos das garotas na sala.

— Aliança do Chá?

— Parece que nossos encontros de chá depois da escola acabaram recebendo esse nome de alguma forma. Bem, considerando os participantes, é um título apropriado, não acha?

Eu não achava nem um pouco apropriado… Taishou e Asahi-san provavelmente balançariam a cabeça com força diante dessa ideia.

— Você não tem um chá marcado para hoje, tem?

— De fato, não. Se fizermos com muita frequência, isso pode atrapalhar nosso foco no jogo.

— Então… será que poderíamos conversar a sós depois da aula, nem que seja por um instante?

Quando eu disse isso, as garotas que observavam da sala ficaram ainda mais agitadas.

— Q-Que ousado…!

— Ele não parece, mas que cavalheiro audacioso…!

Os gritinhos animados chegaram aos meus ouvidos, e um suor frio escorreu pelas minhas costas.

…Droga.

Ultimamente eu tinha ficado relaxado demais, baixando a guarda porque todos vinham sendo tão amigáveis. As garotas da Academia Kiou eram ojou-samas protegidas, completamente inexperientes em romance e famintas por esse tipo de coisa. Mas Tennouji-san, diferente delas, manteve-se perfeitamente calma e apenas assentiu.

— Imagino que seja sobre o jogo?

— Sim, exatamente. …Desculpa, eu acabei me expressando de um jeito confuso.

— Não precisa se preocupar. Eu sei que você não é esse tipo de pessoa, Tomonari-san.

Tennouji-san disse isso com um sorriso. Por que aquele sorriso parecia um pouco… intimidador?

— No entanto, tenho um compromisso depois da aula hoje, então posso me atrasar um pouco…

— Sem problemas. Por favor, eu realmente agradeceria.

— Muito bem. Vamos nos encontrar no café de sempre depois da aula.

Ótimo, isso deve me ajudar a avançar na tarefa do Takuma-san.

— A propósito, que tipo de consulta você pretende fazer?

— Na verdade, estou pesquisando como diferentes pessoas administram seus negócios.

— Entendo. É uma abordagem bastante admirável.

Eu estava genuinamente curioso sobre a empresa da Tennouji-san, mesmo deixando a tarefa de lado.

— Atualmente, estou administrando uma empresa do setor têxtil.

— Têxtil, é?

— Sim. É a segunda maior empresa do setor, trabalhando principalmente com fibras sintéticas.

Sendo a segunda maior, isso já indicava que não era uma empresa que ela tinha criado depois do início do jogo — devia ser uma que ela já possuía desde o começo.

— Então, seu objetivo atual é torná-la a número um?

— Isso… eu não tenho certeza.

…Hã?

Eu esperava um "Claro!" confiante, mas a resposta dela me pegou de surpresa.

— Esse era o meu plano inicial, mas a líder do setor está em outro nível. Superá-la em três anos talvez não seja realista.

A expressão de Tennouji-san ficou séria.

…Para alguém tão obcecada em ser a melhor como a Tennouji-san, ela estava surpreendentemente calma quanto a isso. Senti uma leve inquietação. Será que ela tinha alguma estratégia em mente, ou apenas era mais cautelosa quando o assunto era negócios?

— É uma história longa, então vamos continuar isso depois da aula.

— Entendido. Estou ansioso por isso.

Parecia que seria uma conversa bastante esclarecedora. Eu era grato por ela reservar um tempo para mim, mesmo com a agenda cheia.

— A propósito… sobre aquela ligação de ontem à noite.

O olhar afiado de Tennouji-san me atravessou. Um suor frio escorreu pelas minhas costas.

— Eu sei da situação entre você e a Konohana-san, mas… com certeza vocês não estavam sozinhos em um quarto àquela hora, estavam…!?

— N-Não, não é bem assim…

— Olhe nos meus olhos e responda direito, por favor!

Tennouji-san se aproximou. Instintivamente, desviei o olhar.

— B-Bem, Tennouji-san… não aconteceu algo parecido com você também?

— Comigo…?

— Sabe, quando eu passei a noite na sua casa…

Eu me referia à vez em que fiquei na casa da Tennouji-san durante aquela chuva forte, quando ela levou chá para o meu quarto. A vez em que gritamos juntos "Derrotem Konohana Hinako!!". A vez em que vi Tennouji-san de cabelo solto, logo após o banho, pela primeira vez.

— Talvez você tenha esquecido, Tennouji-san, mas…

— E-Esquecer? Como eu poderia…?

Tennouji-san desviou o olhar.

— Como eu poderia esquecer… aquele dia…

As bochechas de Tennouji-san coraram. O que ela quis dizer com isso…? Eu me perguntei, mas não consegui reunir coragem para perguntar. Parecia que, se perguntasse, estaria ultrapassando algum tipo de limite.

— E-Espera… esses dois não estão com um clima meio intenso…?

— S-Sim… só de olhar já dá um friozinho na barriga…

As vozes das garotas chegaram da sala. Os olhares delas, como se estivessem presenciando algo proibido, fizeram Tennouji-san e eu voltarmos à realidade na mesma hora.

— B-Bem, já está na hora da aula!

— S-Sim! Até depois!

Eu me apressei para voltar à minha sala. Ainda bem que a conversa continuaria mais tarde. Por enquanto, eu não conseguiria conversar direito com a Tennouji-san.

 

Depois da aula, como combinado, fui até o café de sempre.

Eu já tinha avisado a Hinako que tinha um compromisso e não poderia voltar com ela naquele dia. …Ultimamente, Hinako vinha reagindo de forma bem intensa sempre que o assunto era Tennouji-san, então não mencionei com quem eu ia me encontrar. Só contei à Shizune-san, que concordou: "É melhor não contar isso à Ojou-sama por enquanto." Eu me sentia um pouco culpado, mas provavelmente foi a decisão certa.

Cheguei ao café e esperei um pouco até Tennouji-san aparecer.

— Tomonari-san, desculpe por fazê-lo esperar.

— Não, está tudo bem.

Tennouji-san puxou a cadeira e se sentou à minha frente. Então… falou em voz baixa:

— O que está acontecendo aqui?

— Eu também queria saber.

Nós olhamos ao redor apenas com os olhos. O café estava lotado, muito mais do que o normal. Os estudantes nas outras mesas… estavam nos encarando diretamente.

— Parece que alguém ouviu nossa conversa durante o intervalo. Ainda assim, não esperava chamar tanta atenção.

Tennouji-san parecia incomodada. Aparentemente, garotas gostavam mais desse tipo de fofoca do que os rapazes, já que a maioria das mesas estava ocupada por alunas. Elas se remexiam, claramente escutando nossa conversa.

…Será que as ojou-samas tinham tempo livre demais? Não, isso não devia ser verdade, mas…

— Hum, por enquanto, podemos focar no que viemos fazer?

— Sim, você tem razão. Se perceberem que estamos falando sério, provavelmente vão se acalmar.

Dito isso, Tennouji-san colocou seu notebook sobre a mesa. Eu me aproximei para sentar ao lado dela e ver a tela, e um "Kyaa!" ecoou de algum lugar quando uma das garotas se empolgou. Tennouji-san e eu congelamos por um instante, mas fingimos que não ouvimos nada.

Na tela, apareciam informações sobre a empresa de Tennouji-san. Como ela administrava várias empresas, havia muito mais dados ali do que nos meus relatórios.

— Você disse que está administrando uma empresa têxtil, certo?

— Sim, esta aqui.

Os dados da empresa apareceram na tela. Sendo a segunda maior do setor, seu capital e número de funcionários estavam em um nível completamente diferente do da minha empresa.

— Agora… uma pergunta para você — Tennouji-san virou-se para mim. — Mais cedo hoje, eu tomei uma decisão sobre essa empresa têxtil. Consegue adivinhar qual foi?

(N/SLAG: Empresa têxtil = produção de fibras, fios, tecidos e confecção de vestuário)

O formato de "pergunta surpresa" me pegou desprevenido, mas me acalmei e pensei. A empresa dela era a segunda do setor. Nesse caso, a prioridade não seria evitar ser ultrapassada pela líder? Mas, como ela disse que tomou uma decisão, provavelmente não era apenas manter um crescimento estável.

— Você fez uma parceria com outra empresa para enfrentar a líder do setor?

— Não é um palpite ruim, mas está incorreto — Tennouji-san balançou a cabeça. — A resposta é… eu a vendi.

A resposta inesperada me deixou sem reação por um instante.

— Vendeu?

— Para ser mais precisa, finalizei um acordo de venda. O comprador é a empresa líder do setor. Foi isso que motivou meu compromisso depois da aula.

Ou seja, em vez de tentar superar a líder, ela simplesmente entregou toda a empresa para eles. Por que ela faria isso…? Percebendo minha confusão, Tennouji-san explicou:

— Naturalmente, vender uma empresa gera lucro. A minha era a segunda do setor, então o valor foi bastante significativo. …Pretendo investir isso em um novo empreendimento — Tennouji-san tomou um gole de chá antes de continuar. — Na minha estimativa, essa abordagem aumentará o valor do grupo no longo prazo.

Completamente chocado, eu fiquei olhando em silêncio para a tela do notebook. Tennouji-san soltou uma leve risada ao ver minha expressão atônita.

— Mesmo concorrentes não são necessariamente inimigos — é isso que torna os negócios tão fascinantes. Você não deve fazer inimigos com tanta facilidade, sabia?

— Vou lembrar disso.

À medida que minha empresa crescesse e eu expandisse além do ramo de presentes, talvez eu enfrentasse dilemas parecidos. Se um concorrente fosse esmagadoramente forte, em vez de insistir em enfrentá-lo, talvez fosse mais sensato ceder e mirar ganhos de longo prazo.

— Oh, uma mensagem…

Uma notificação apareceu na tela. Era uma mensagem de um estudante, provavelmente o envolvido no acordo.

"Obrigado pela conversa sobre M&A mais cedo! Agora posso adquirir a empresa da Tennouji-san com confiança!"

Ao ler a mensagem, Tennouji-san sorriu com satisfação.

— Parece que chegamos a um acordo vantajoso para ambos. Isso é reconfortante.

A empresa desse estudante provavelmente se tornaria ainda mais forte ao adquirir a de Tennouji-san, consolidando-se como uma força dominante no setor têxtil. Era fácil imaginar que ele via um futuro promissor. A mensagem praticamente transbordava entusiasmo.

— Se você se tornasse líder de um grande grupo empresarial na vida real, administraria assim, com fusões e aquisições?

— Na prática, tomar decisões tão ousadas não é tão simples. …Mas pode chegar o dia em que eu enfrente escolhas assim. Estou usando este jogo para me preparar para esse momento.

Não podíamos esquecer — aquilo era um jogo de simulação. Se era para aprender, fazia sentido tomar decisões que talvez não fossem possíveis na vida real.

— Obrigado. Isso foi extremamente esclarecedor.

— Foi um prazer. Como sua aliada e companheira, atenderei quantos pedidos quiser.

Tennouji-san sorriu com orgulho, soltando um leve "hmph". Como sempre, ela gostava de ser alguém em quem os outros podiam confiar.

— Agora… já está na hora de cada um voltar aos seus próprios assuntos.

Tennouji-san se dirigiu às pessoas que estavam observando no café. As garotas que nos espiavam soltaram sons constrangidos. …Provavelmente tinham vindo até ali por admirarem Tennouji-san. Quando ela falava com tanta firmeza, não tinham escolha a não ser obedecer. Elas fizeram uma leve reverência e se dispersaram.

Enquanto iam embora, ouvi seus comentários:

— Afinal, qual é a desses dois?

— Vamos ter que ficar de olho neles daqui pra frente.

Elas não tinham desistido nem um pouco. Pelo visto, eu ficaria sob observação por um tempo. Não… eu não tinha tempo para me preocupar com olhares alheios.

— Preciso me esforçar mais….

A ideia de vender uma empresa para financiar um novo negócio nem sequer tinha passado pela minha cabeça. Era frustrante. Eu precisava estudar mais para estar no mesmo nível que Tennouji-san e os outros. Enquanto eu mergulhava nesses pensamentos…

— Tomonari-san — Tennouji-san falou com uma expressão séria. — É bom se esforçar, mas não exagere, está bem?

— ?

Ela estava me dizendo para não me forçar demais? Se fosse isso, eu não pretendia exagerar. Assenti e respondi: — Entendi.

 

Depois de me despedir de Tennouji-san, voltei para a mansão Konohana e fui até o quarto de Hinako. Agora, eu queria aprender sobre o negócio da Hinako. Parado diante da porta, bati.

— Hinako, tem um minuto?

— Itsuki-san? Por favor, aguarde um momento.

A voz de Shizune-san veio do outro lado. A porta se abriu, e eu entrei.

— Shizune-san, você também está aqui?

— Sim, estou auxiliando a Ojou-sama.

— Auxiliando?

Shizune-san ergueu o tablet que segurava.

— Durante o Management Game, atuo como secretária da Ojou-sama.

A tela do tablet estava cheia de textos e gráficos. Aquilo tudo eram documentos da empresa? A quantidade de informação era impressionante.

— Itsuki… o que foi?

Hinako, que estava concentrada no notebook, levantou o olhar. Parecia estar no meio do jogo.

— Estou estudando o Management Game analisando como diferentes pessoas administram seus negócios. Posso observar?

Decidi não mencionar a tarefa do Takuma-san. Hinako fazia uma careta só de ouvir o nome dele.

— Pode sim. Mas estou quase terminando…

— De acordo com o cronograma, você ainda ficará mais uma hora focada no jogo.

— Aff…

Hinako voltou ao notebook com uma expressão abatida. Pensei em trazer algo para ela beber, mas notei um conjunto de chá em um carrinho do outro lado da mesa. Shizune-san provavelmente já tinha preparado tudo.

Um som de notificação veio do notebook de Hinako. Uma mensagem de outro estudante apareceu na tela.

"Hum, Konohana-san, posso pedir um conselho?"

Hinako respondeu imediatamente:

"Claro. O que foi?"

"Estou pensando em vender um negócio, mas a assembleia de acionistas se opôs por causa de IA. O que devo fazer?"

Era uma questão bastante complicada. Ao ler a mensagem, Hinako rapidamente estendeu a mão para Shizune-san.

— Shizune.

— Sim, Ojou-sama. É esta empresa, correto?

Shizune-san entregou um tablet a Hinako.

— Vamos compartilhar com o Itsuki-san também, por precaução.

— Obrigado.

Shizune-san me entregou um smartphone. Na tela, estavam as mesmas informações da empresa do estudante que enviou a mensagem — exatamente o que Hinako estava analisando.

"Que tal fechar o capital da empresa? Assim, ficaria mais fácil conduzir as operações, e para uma empresa como a sua, as desvantagens seriam mínimas."

"Muito obrigado! Você ainda se deu ao trabalho de pesquisar minha empresa!"

O outro estudante parecia profundamente comovido com a resposta de Hinako.

"A propósito, se não for incômodo… você se importaria se eu comprasse esse negócio?"

"Hã?"

— Hã?

Não só o outro estudante — eu também fiquei chocado. Examinei rapidamente os dados que Shizune-san tinha me entregado. Conferindo as finanças, o negócio em questão não parecia nada atraente, para ser sincero.

— Isso está mesmo bem, Hinako? Esse negócio está no vermelho há um tempo…

— Está tudo bem… eu consigo reverter.

Hinako afirmou com calma, sua voz firme. O outro estudante, claramente surpreso, enviou outra mensagem.

"Hum, tem certeza?"

"Sim. Por precaução, poderia me enviar os dados desse negócio? O mais detalhado possível, por favor."

Quase imediatamente, o estudante enviou os dados. Comparados aos documentos que tínhamos, eram muito mais detalhados, repletos de números em uma quantidade esmagadora. Hinako ficou encarando a tela, observando os dados.

…Será que ela vai ficar bem?

Sem conseguir entender o que Hinako estava pensando, senti uma leve inquietação. Percebendo minha preocupação, Shizune-san soltou um pequeno suspiro.

— Entendo. Talvez, por você ser tão próximo da Ojou-sama, não tenha plena noção do talento dela.

— Talento…?

Inclinei a cabeça, e Shizune-san assentiu.

— Não há motivo para se preocupar. A Ojou-sama é alguém que até o Kagen-sama já chamou de "gênio em capacidade prática".

— !

Era isso mesmo. Exatamente. Diferente dos outros alunos da academia, minha visão de Hinako estava muito mais ligada ao seu lado natural e descontraído. Mas Hinako era, sem dúvida, a herdeira do Grupo Konohana, um prodígio considerado a Ojou-sama perfeita da Academia Kiou, com um brilho incomparável.

— Produtos… entendido.

Hinako murmurou em voz baixa.

— Instalações… entendido.

Seus olhos estavam fixos no monitor. Ela absorvia os dados em uma velocidade impressionante.

— Funcionários… entendido.

Clique, clique — ela movia o mouse em ritmo constante.

— Clientes… entendido.

Em silêncio, como se mergulhasse profundamente, Hinako se concentrava ao máximo. Por fim, soltou um leve suspiro e—

— Certo, entendi tudo.

Hinako disse, endireitando levemente a postura.

— As estimativas são imprecisas… também há muitos gastos excessivos. Mas, se revisarmos os termos dos contratos e corrigirmos esses pontos, isso dará lucro em dois anos.

Eu não conseguia compreender o que Hinako dizia. Não conseguia enxergar o que ela enxergava. Mas uma coisa ficou clara. Em apenas alguns minutos, Hinako tinha dominado completamente aqueles dados. Caso contrário, não teria chegado a uma conclusão tão precisa.

Um arrepio percorreu meu corpo. Ninguém conseguiria simplesmente pegar um monte de dados e entendê-los instantaneamente assim. Agora que eu também estava estudando gestão, percebia o quão extraordinária era aquela habilidade. Sem notar meu espanto, Hinako enviou uma mensagem:

"Gostaria de comprar, por favor."

"Muito obrigado!"

Eu só conseguia encarar aquela troca de mensagens, completamente atônito.

— A Ojou-sama consegue compreender perfeitamente todos os recursos à sua disposição e utilizá-los com maestria.

Shizune-san explicou.

— Claro, isso não é algo simples. Quanto maior uma empresa cresce, mais difícil se torna controlá-la, e até mesmo CEOs muitas vezes não conseguem ter uma visão completa. Mas a Ojou-sama é diferente. Com sua capacidade intelectual, ela consegue abranger todos os números e direcioná-los corretamente.

Shizune-san olhou para Hinako, seus olhos cheios de admiração sincera.

— Cortar custos desnecessários, maximizar instalações e talentos… é a abordagem mais sólida e clássica de gestão.

"Clássica"… parecia a palavra perfeita. Eu entendi por que Kagen-san não conseguia deixar de ver Hinako como uma líder empresarial, e não apenas como sua filha. Hinako era, sem dúvida, alguém nascida para liderar. E, somando isso à sua reputação impecável, "perfeita" era realmente o único termo que a definia.

— Ufa… estou exausta.

Aparentemente tendo terminado com o estudante, Hinako relaxou.

— Bom trabalho, Hinako.

— Mm… aprendeu alguma coisa?

— Sim, foi muito esclarecedor.

— Hehe…

Hinako sorriu, claramente satisfeita. …Eu precisava continuar próximo dessa Hinako também. A Ojou-sama perfeita e a Hinako verdadeira, sem filtros — ambas certamente eram preciosas para ela.

A cena que eu tinha acabado de presenciar era impressionante, despertando em mim uma mistura de admiração e um leve traço de temor. A postura de Hinako era tão perfeitamente digna de uma Ojou-sama que quase ofuscava a imagem da Hinako que eu conhecia, como se pudesse apagá-la.

Pensando bem, era assim que todos na academia deviam se sentir. Na academia, o comportamento refinado de Hinako podia ser, em parte, uma atuação — mas sua habilidade era absolutamente real. Mesmo que cometesse pequenos deslizes, seu talento era capaz de encobrir tudo.

Por isso, justamente eu, não podia me deixar influenciar. Eu queria ser alguém capaz de estar ao lado das duas versões de Hinako — tanto a pública quanto a privada. Era por isso que eu buscava me tornar um executivo do Grupo Konohana, alguém que pudesse ficar o mais próximo possível dela, como um igual.

— Eu não vou perder para a minha autoproclamada rival.

Hinako murmurou baixinho, com um tom carregado de uma determinação difícil de decifrar. À sua maneira, Hinako também carregava uma resolução misteriosa.

— Itsuki-san.

Shizune-san me chamou suavemente. Ela fez um gesto, indicando que queria falar em particular, sem que Hinako ouvisse. Tomando cuidado para não chamar a atenção de Hinako, que estava concentrada no jogo, me aproximei de Shizune-san.

— O que foi?

— Miyakojima-sama é a próxima pessoa com quem você pretende falar?

— É o plano, mas como você sabe?

— Considerando suas conexões, se você já falou com Tennouji-sama e com a Ojou-sama, era possível deduzir o próximo passo lógico.

Makes sense. Entre os alunos com famílias de nível semelhante ao de Tennouji-san e Hinako, e que eu conhecia, Narika era praticamente a única opção.

— Tenho um pequeno pedido. Se você descobrir algo sobre o estilo de gestão da Miyakojima-sama, poderia compartilhar comigo?

— Acho que não tem problema. Mas por quê?

— A empresa da Miyakojima-sama, a Shimax, vem aumentando suas vendas de forma constante. Se houver algum segredo por trás disso, eu gostaria de repassá-lo à Ojou-sama.

A empresa da Narika estava prosperando sem que eu sequer tivesse percebido. Eu achava que o jogo ainda estava no começo, mas dentro dele já tinha se passado mais de um mês. Não era estranho que os resultados começassem a se diferenciar.

— Não estou pedindo que você espione. Se ela não permitir, tudo bem.

— Entendi. Conhecendo a Narika, acho que ela não vai se importar.

Narika não era do tipo que fazia jogos mentais ou tramava estratégias ocultas. Ainda assim… pensar que ela estava avançando de forma tão estável. Pelo jeito que ela normalmente agia, não parecia exatamente um gênio dos negócios, então que tipo de gestão ela estava fazendo?

 

No dia seguinte.

— Tomonari, a bola está indo para você!

— Deixa comigo!

A aula de educação física do segundo semestre começou com basquete. Peguei uma bola que tinha sobrado de um rebote e avancei driblando direto para a quadra adversária.

— Vai, Tomonari!

Fui para uma bandeja, e a bola entrou suavemente na cesta.

— Boa!

— Valeu!

Toquei na mão do Taishou em comemoração. Por pura sorte, o lado adversário estava completamente aberto quando peguei a bola. Foi um contra-ataque de sorte, mas colocou nosso time na frente.

O apito soou, sinalizando o fim da partida. Nosso time entrou em intervalo. Fui para a lateral da quadra, limpando o suor do rosto com a gola do uniforme. Enquanto recuperava o fôlego, ouvi a conversa de alguns alunos próximos.

— Aquela ideia que você comentou ontem recebeu muitos elogios.

— Sério? Era sobre aquele sistema de desenvolvimento de novos produtos para supermercado?

— Isso. Se você fizer testes com consumidores durante o desenvolvimento, aumenta a taxa de sucesso. Queria que tentassem isso na vida real.

— Se você se sair bem no Management Game, talvez consiga convencer seus pais.

Refleti sobre a conversa dos dois garotos, juntando as peças. Tradicionalmente, o desenvolvimento de novos produtos dependia do julgamento dos funcionários sobre o que venderia. Mas, ao envolver um grupo mais amplo de consumidores — clientes comuns de supermercado — em uma espécie de participação casual, seria possível avaliar os produtos antes do lançamento sob a perspectiva do público.

…Isso é inteligente. Sem perceber, um sorriso surgiu no meu rosto. A Academia Kiou estava cada vez mais imersa no clima do Management Game, mas parecia que apenas eu estava me sentindo deslocado. Os outros alunos não estavam abalados — pelo contrário, estavam prosperando.

Pensando bem, os alunos da academia já estavam sempre refletindo sobre os negócios de suas famílias. O Management Game apenas deu uma forma de expressar esses pensamentos. Eles não tinham mudado antes ou depois do jogo; aquilo apenas trouxe suas ideias à tona.

A prova disso? Ultimamente, todos pareciam estar se divertindo. Até mesmo os alunos mais quietos agora falavam sem parar, como se uma represa tivesse se rompido, despejando ideias que antes existiam apenas em suas mentes. Talvez aquela energia estivesse me influenciando, porque eu também começava a me divertir.

…Quando devo falar com a Narika?

Pensei na tarefa que Takuma-san tinha me dado. Sinceramente, eu não conseguia prever o estilo de gestão da Narika. Tennouji-san e Hinako tinham abordagens bem definidas, ambas baseadas em conhecimento e experiência excepcionais. Mas e a Narika? Eu não diria que ela era tão afiada quanto as duas. Não que fosse incapaz, mas Tennouji-san e Hinako eram casos fora da curva, mesmo na Academia Kiou.

Mesmo depois de ouvir Shizune-san, eu não conseguia imaginar o que Narika estava fazendo. Meu olhar se voltou para a quadra ao lado, onde Narika tinha acabado de entrar em descanso. Narika em movimento era cativante, o tipo de presença que naturalmente chamava atenção. Sua reputação de "bela fria" era mais do que merecida. Ainda envolvida na intensidade do jogo, ela enxugava o suor com uma expressão séria, atraindo olhares admirados de vários alunos.

— Miyakojima-san! Aquele arremesso de antes foi incrível!

— Ah… obrigada.

Diferente de antes, Narika já não estava sempre sozinha. Ainda parecia um pouco rígida, mas se comunicava normalmente. …Ela cresceu. Saber das dificuldades que enfrentou no passado tornava isso ainda mais significativo.

— Narika.

Como estávamos próximos durante o intervalo, achei que era uma boa oportunidade para conversar. Narika se virou, e seu rosto se iluminou com um sorriso radiante ao se aproximar.

— Itsuki! O que foi!?

Se ela mostrasse aquela simpatia quase infantil para outras pessoas também, provavelmente seria ainda mais popular.

— Posso te perguntar um pouco sobre o Management Game?

— Hum… B-Bem, não sei o quanto posso ajudar, mas tudo bem.

Por um instante, a expressão de Narika vacilou. Ela não parecia muito confiante.

— Como você está administrando sua empresa?

— Administrando? Quer dizer… não estou fazendo nada demais. Não tenho nenhum conhecimento ou habilidade especial.

— Mas o seu desempenho está melhorando, certo?

— É, parece que sim. Mas nem parece real…

— Tipo, o que você fez recentemente? — Perguntei, e Narika pensou por um momento antes de responder.

— Desenvolvi tênis de corrida sob medida.

Ela continuou explicando.

— Os pés de cada pessoa são um pouco diferentes, até entre o esquerdo e o direito. Altura do arco, comprimento dos dedos, esse tipo de coisa. Eu queria fazer um tênis adaptado ao formato do pé de cada pessoa, então propus a ideia, e ela recebeu uma resposta melhor do que eu esperava. Escanear o pé com uma máquina e usar uma impressora 3D para criar as peças aparentemente chamou atenção.

— Nossa… como você pensou nisso?

— Tênis sob medida já existem há muito tempo no mercado de calçados, então eu só desenvolvi a ideia a partir disso.

Eu nunca tive um calçado sob medida, mas os tênis de alto nível realmente passam essa imagem de algo feito por artesãos para um cliente específico. A ideia da Narika se destacava por digitalizar esse processo, tornando-o inovador.

— Mais alguma coisa?

— Antes dos tênis… eu trabalhei com roupas de compressão femininas.

— Roupas de compressão?

— São roupas esportivas, tipo leggings bem justas que comprimem levemente o corpo. Ajudam na recuperação muscular e no desempenho. Mas, como marcam o corpo, algumas pessoas têm dificuldade de usar. Então pensei em cobrir esse problema com design. Tipo, colocar linhas brancas aqui para dar a impressão de uma barriga mais fina…

Narika gesticulou na própria cintura enquanto explicava em detalhes.

…Como assim "sem conhecimento ou habilidade especial"?

Ela tem. Conhecimento especializado — e do tipo que deixa os outros para trás. Quando se tratava de esportes, Narika sempre foi imbatível, até mesmo contra Tennouji-san ou Hinako. Produzindo ideias com essa energia, todas práticas e aplicáveis, não era surpresa que Shizune-san estivesse de olho nos resultados dela.

— E-Então? Isso ajudou?

— Sim… sinceramente, estou impressionado. Você está levando isso bem a sério, Narika.

— Ei—! O que você pensa de mim!? Bom, tá, talvez seja difícil imaginar pelo jeito que eu costumo agir… — ela bufou, mas logo desanimou, seu humor mudando rapidamente. — Eu queria mesmo era administrar uma loja de doces, sabia?

— Você ainda está com isso?

— Sim… levei uma bronca feia por causa disso.

Os pais da Narika deviam ser tão sérios quanto ela. Como será que a Narika enxergava o próprio futuro…?

— Aliás, você já pensou em se tornar uma atleta profissional?

— Hum… me perguntam isso bastante, mas, sinceramente, não. Eu adoro esportes, e sei que sou boa nisso, mas prefiro ajudar outras pessoas a se envolverem.

Talvez os pais da Narika tivessem percebido esse traço dela. Se ela fosse totalmente contra assumir os negócios da família e insistisse em abrir uma loja de doces, talvez eles acabassem cedendo. Mas, no fim das contas, era provável que Narika herdasse o legado da família.

— Você jogou tênis alguma vez desde então, Itsuki?

— Não… ando ocupado demais.

— Com a sua posição, faz sentido. …Se quiser jogar de novo algum dia, é só falar. É a única coisa que posso te ensinar!

Narika declarou, estufando o peito. …Isso não era verdade. O esforço incansável dela já tinha me inspirado inúmeras vezes. E, apesar de sua tendência ao negativismo, Narika não enxergava suas próprias qualidades — havia muito nela digno de admiração.

— Miyakojima-san, você está falando do Management Game?

Nesse momento, uma aluna que também estava em intervalo chamou Narika. Narika ficou tensa na mesma hora, seu rosto endurecendo. Eu levantei levemente as bochechas com os dedos, fazendo um gesto para que ela relaxasse a expressão. Narika suavizou o rosto um pouco e se virou.

— A-Ah, sim.

— Hum, nós estamos pensando em fazer uma discussão sobre o jogo com toda a turma depois da aula hoje. Se não se importar, gostaria de participar, Miyakojima-san?

— O-O quê… e-eu!?

— Sim!

Diante da gentileza sincera da garota, Narika entrou em pânico.

— O-O-O que eu faço, Itsuki!? O que você acha que eu devo fazer!?

Achei que ela tinha evoluído um pouco… Pelo bem da Narika, eu precisava ser firme aqui. Respondi por ela:

— Parece que ela vai participar.

— Itsuki!?

— Você vai ouvir coisas bem interessantes, então pode ficar animada.

— Itsuki!?

Torcendo mentalmente por uma Narika quase às lágrimas, eu segui em direção à quadra dos rapazes.

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