O Cuidador da Ojou-sama Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Volume 6

Prólogo

AS MANHÃS DE KONOHANA Hinako eram cedo. Para ser mais preciso, tinham ficado só um pouquinho mais cedo desde que ela percebeu seus sentimentos por Itsuki.

— Mmm.

O despertador tocou, e Hinako acordou. Ela quase nunca tinha usado um despertador antes. Quando era criança, tentou uma vez, mas o som era tão alto que decidiu que, dali em diante, deixaria os empregados acordá-la. Recentemente, porém, vinha acordando com esse relógio.

Ah, não… não tenho muito tempo!

Ao conferir as horas, Hinako correu para o banheiro. Pegou um pente ali perto e, olhando-se no espelho, arrumou o cabelo rapidamente.

…Certo.

Graças às repetidas lições de Shizune, ela conseguia domar o cabelo bagunçado ao acordar. Ainda havia alguns fios fora do lugar, mas, sem tempo a perder, teria que servir. Hinako voltou para a cama. E então, fingiu dormir.

Só mais um minuto… até o Itsuki chegar.

Depois de dar uma última olhada no relógio, Hinako fechou os olhos. Desde que percebeu seus sentimentos, Hinako vinha lidando com uma grande contradição.

Quero continuar dependendo do Itsuki.

Mas não quero que ele me veja com uma aparência estranha…!

Por isso, Hinako vinha acordando um pouco antes de Itsuki chegar para despertá-la, arrumando secretamente as roupas e o cabelo. Uma vez, ele a viu com baba escorrendo pelo rosto. Ela nunca mais queria que ele a visse daquele jeito.

Mas… ela ficava feliz por ele vir acordá-la de manhã. Foi por isso que não trocou o empregado responsável por acordá-la pela Shizune — manteve Itsuki nessa função.

Um minuto depois de começar a fingir que dormia, ouviu-se uma batida suave na porta.

— Hinako, já é de manhã.

Ele chegou…!

Com o coração acelerado, Hinako escondeu o rosto nas cobertas. …Ela precisava fazer isso, ou poderia acabar sorrindo como uma boba. Itsuki vinha acordá-la todas as manhãs, mas, desde que percebeu seus sentimentos, parecia que a alegria só aumentava a cada dia.

— O segundo semestre começa hoje, hein… Tenho que me animar.

Itsuki murmurou para si mesmo enquanto abria as cortinas. Pensando bem, hoje era a cerimônia de abertura. Hinako só se lembrou disso naquele momento.

— Hinako, hora de levantar. Temos aula hoje.

— Mm….

Como se tivesse acabado de acordar, Hinako respondeu. Ela se sentou, e seus olhos encontraram os de Itsuki.

— Bom dia, Hinako.

— Bom dia…, Itsuki.

Remexendo-se nervosamente, Hinako esperou pela reação dele. Ela queria que ele dissesse que ela estava bonita. Como se percebesse seus pensamentos, Itsuki a encarou e abriu a boca—

— Seu cabelo não está arrumado demais para quem acabou de acordar?

— O-O-O que você está dizendo…? Eu não sei do que você está falando!

Os olhos de Hinako vagaram, inquietos. Agora que pensava bem, já fazia quase meio ano desde que Itsuki se tornara seu cuidador. Durante esse tempo, ele a via logo ao acordar quase todos os dias, então talvez tivesse notado a mudança — mas ficado mais confuso do que impressionado.

Mas… ainda não tinha acabado. Hinako partiu para sua próxima estratégia.

— M-Meu cabelo… arruma.

— Claro. Senta ali.

Quando Hinako se acomodou na cadeira, Itsuki pegou um pente e ficou atrás dela.

Agora, mostre a nuca…!

Ela tinha lido isso em um mangá shoujo que pegou emprestado com Yuri. Homens ficam desconcertados quando veem a nuca de uma garota. Hinako levantou o cabelo, expondo a nuca para Itsuki. Ela espiou a reação dele, mas… não houve nenhuma reação marcante.

— Itsuki.

— Hm?

— Tem… alguma coisa?

— Alguma coisa, você diz…

Diante da pergunta de Hinako, Itsuki soltou um som hesitante.

— Ah.

— O-O quê…?

— Você está com um baita cabelo bagunçado bem aqui.

Ele disse, tocando a parte de trás da cabeça dela.

— Muu…

— Q-Que foi? Eu falei algo errado…?

Hinako inflou as bochechas, lançando um olhar de protesto para Itsuki. Desde pequena, os empregados sempre cuidaram de sua aparência. Ela sabia que não conseguiria arrumar tudo perfeitamente sozinha.

Pensou em pedir ajuda a Shizune, mas Shizune certamente perguntaria: "Por que você precisa acordar escondido sem o Itsuki-san saber?". Então ela se conteve. …Mesmo sendo Shizune, ainda era constrangedor demais admitir esses sentimentos.

Como, afinal, ela poderia fazer Itsuki gostar dela…? Ela se sentiu frustrada por seu plano não ter dado certo. Mas, enquanto Itsuki penteava seu cabelo com gentileza, sua expressão acabou se suavizando em um sorriso, contra a própria vontade.

*

 

Hinako, agora vestida com o uniforme, foi comigo em um carro preto elegante. O segundo semestre na Academia Kiou começava naquele dia. Era apenas a cerimônia de abertura e a aula de orientação, então terminaríamos ao meio-dia, mas eu havia combinado com Tennouji-san e os outros no dia anterior de tomar chá com o grupo de sempre depois. Claro, Hinako também iria.

Cara, a Hinako de hoje… estava meio encantadora.

Quando o carro começou a andar, lancei um olhar de soslaio para Hinako sentada ao meu lado. Ultimamente, havia algo diferente nela. Não sabia se "diferente" era a palavra certa, mas… ela parecia mais arrumada do que antes. Menos cabelo bagunçado, e seus modos à mesa estavam mais refinados. Talvez ela estivesse amadurecendo à sua maneira… eu já tinha pensado nisso antes, mas—

— Mm.

— Hinako, o que foi?

— Estou… com sono.

Com uma resposta um tanto hesitante, Hinako se inclinou em minha direção. Suas orelhas estavam levemente vermelhas. …Será que ela estava mesmo com sono? Justo quando eu achava que ela estava mais composta, ela fazia algo assim, se agarrando a mim como antes. Bem, ela parecia feliz, então acho que não tinha problema…

— Itsuki-san, já estamos chegando.

— Certo.

Ninguém podia saber que Hinako e eu íamos juntos para a escola. Então eu descia do carro primeiro, e depois Hinako vinha em seguida. Era assim desde o primeiro semestre. Uma vez, sugeri que fôssemos em carros separados, mas Hinako recusou na hora. Mesmo que fosse só no carro, ela queria ir para a escola comigo sempre que possível.

Talvez por ser o primeiro dia depois de um mês, Hinako demonstrou um pouco de resistência naquele dia.

— Shizune, não pode mesmo… ir para a escola com o Itsuki?

Hinako expressou sua frustração por ter que se conter. Shizune-san fez uma expressão incomumente séria.

— Ojou-sama. Eu… entendo como se sente, mas não deve agir de forma imprudente.

— Mm. Eu só estava confirmando, então tudo bem. …Heroínas que tentam forçar um fato consumado geralmente não são recompensadas mesmo…

(N/SLAG: Basicamente, ela não vai forçar as coisas com o Itsuki.)

Ela chegou a uma conclusão meio estranha, mas parecia ter aceitado por ora. Fato consumado… Será que Hinako sequer sabia o que isso significava? Era a mesma garota que não conhecia a regra dos três segundos, então era difícil imaginar que entendesse esse tipo de coisa.

— Hum, Ojou-sama. Já ouviu falar do efeito Dunning-Kruger?

— ? O viés cognitivo em que pessoas menos competentes superestimam suas habilidades?

— Exatamente. Em termos simples, é quando amadores ficam confiantes demais.

De repente, Shizune-san começou a falar sobre algo complicado. Eu nunca tinha feito aula de psicologia, mas já tinha ouvido esse termo. Devia ser relativamente conhecido.

— Shizune… saiba que sou chamada de a Ojou-sama perfeita.

— Sim.

— Não há como eu cair em um viés cognitivo desses…!

— Sim…………………………

Shizune-san confirmou com a voz tensa. No fim das contas, não consegui entender a conversa delas. Enquanto eu inclinava a cabeça, confuso, Shizune-san pigarreou de forma exagerada.

(N/SLAG: Hinako pode estar sendo confiante demais ou achando que entende melhor a situação do que realmente entende. É isso que a Shizune está dizendo aqui.)

— A propósito — disse ela, olhando pela janela para a paisagem da cidade que passava. — O Management Game começa neste segundo semestre, não é?

 

 


 

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