Volume 5

Prólogo

RESTAVAM APENAS cerca de dez dias das férias de verão.

Para um estudante comum, aquele seria o momento em que uma sensação crescente de letargia começaria a se instalar à medida que o longo descanso se aproximava do fim, mas, sinceramente, eu não tinha esse luxo. Eu já estava no meu limite só por frequentar a prestigiosa Academia Kiou, os venerados corredores da elite, então, conforme as férias de verão iam chegando ao fim, uma tensão familiar começava a surgir dentro de mim.

Será que eu fiz toda a minha lição de casa corretamente? Será que estou baixando a guarda? As dúvidas só se acumulavam.

Ainda assim, uma parte de mim estava, na verdade, ansiosa pela reabertura da academia.

Eu queria me tornar alguém que pudesse ficar naturalmente ao lado da Hinako… Esse era o meu objetivo, e o que me impulsionava era um acontecimento durante as aulas de verão.

Nas provas do curso de verão, consegui tirar notas altas. Aquele momento tinha sido pura felicidade. Pouco a pouco, meus esforços estavam dando resultados inegavelmente concretos.

— Certo!

Assim, naquele dia, eu estava mais uma vez me preparando para a reabertura da academia, estudando e revisando.

Ainda havia muitas matérias para revisar, mas o que eu realmente precisava reforçar era a etiqueta. Depois de ficar um tempo afastado da Academia Kiou, havia a possibilidade de meus hábitos casuais terem voltado ao que eram antes. Abri o caderno que usava quando me tornei cuidador e comecei a revisar as maneiras à mesa que Shizune-san havia me ensinado do zero.

Ultimamente, tenho pensado bastante na minha antiga vida como alguém comum...

Reencontrar Yuri durante as aulas de verão fez com que eu lembrasse mais do meu passado, com aqueles momentos fugazes da minha vida anterior surgindo de forma inesperada. Eu achava que um pouco de nostalgia não faria mal, mas, se isso me levasse a esquecer minhas boas maneiras, poderia acabar causando problemas para Hinako e os outros. Eu precisava tomar cuidado...

Foi então que meu smartphone vibrou sobre a mesa. O aplicativo me notificou de uma nova mensagem.

Yuri: As férias de verão ainda não acabaram, né? Quer vir aqui em casa comer alguma coisa?

Em resumo, era um convite para "passar um tempo juntos mais uma vez".

Desde que as aulas de verão terminaram, Yuri e eu havíamos trocado mensagens assim algumas vezes. Aparentemente, o pai dela também queria me ver, então passar por lá não parecia uma má ideia. Quando as férias acabassem, nós dois voltaríamos a ficar ocupados, então aquele provavelmente era o melhor momento para visitar a casa dela.

— Hinako.

— Mm...?

A voz de Hinako veio da cama atrás de mim. Parecia que ela já estava acordada.

— A Yuri perguntou se queremos passar na casa dela antes das férias acabarem.

— Eu vou.

Meus olhos se arregalaram com a resposta imediata de Hinako.

— Isso foi rápido. Você não costuma gostar muito de sair, né?

— Porque estou com você, Itsuki.

Hinako disse isso enquanto se sentava lentamente.

— E… 

Ela começou a falar algo, mas fechou a boca. Inclinei a cabeça, esperando que continuasse, e, por fim, ela voltou a falar.

— Você costumava ir muito à casa da Hirano-san naquela época...?

— É, acho que sim. Depois do trabalho ou quando ela me chamava, eu costumava passar por lá.

Era menos "ir à casa dela" e mais "passar na restaurante da família", mas ainda assim.

— Então eu vou….

Hinako assentiu levemente. Ao ver sua expressão estranhamente séria, não pude deixar de me sentir confuso. Eu não sabia o motivo, mas — ultimamente, Hinako vinha se fixando no meu passado.

Ela começou a fazer perguntas como: "O que você fazia naquela época?" ou "Você costumava fazer esse tipo de coisa antes?". Não era do feitio dela ser tão curiosa assim, mas isso começou por volta das aulas de verão. Sempre que eu tentava perguntar o motivo de forma sutil, ela desconversava, me deixando completamente no escuro.

Por ora, respondi à Yuri que iria com a "Konohana-san".

— Muuu...

Hinako soltou um resmungo baixo enquanto rolava na cama. Depois de um tempo, ela se levantou e veio até mim.

— Itsuki, me empresta seu dicionário….

— Dicionário? Pode ser o eletrônico?

— Uhum.

Hinako assentiu. Peguei o dicionário eletrônico preto que havia acabado de guardar na gaveta da mesa e entreguei a ela. Com o aparelho em mãos, Hinako se sentou na cama e começou a procurar algo. Alguns minutos depois, ela voltou até mim.

— Obrigada….

— Já terminou?

— Uhum... Não entendi muito bem.

Hinako disse isso com uma expressão preocupada. Fiquei curioso sobre o que ela queria saber, mas o fato de ela não me contar provavelmente significava que não queria que eu soubesse.

Aquilo era mais uma coisa sobre Hinako que vinha me preocupando ultimamente. De vez em quando, ela mostrava esse lado pensativo. Ela já tivera preocupações antes, mas geralmente se abria comigo ou com a Shizune-san. Desta vez, porém, não estava falando com ninguém, apenas lidando com tudo sozinha...

Enquanto me preocupava em silêncio com Hinako, retomei os estudos.

Abri o dicionário eletrônico para procurar "viande". Eu tinha acabado de ver aquilo antes, mas já havia esquecido de novo. Quando olhei o histórico de buscas—

..Ah, esse é o histórico da Hinako. Acabei vendo, sem querer, o que ela havia pesquisado.

Suki... suki... suki...? O que ela está pesquisando?

(N/SLAG: Significado: Gostar, amar, querido, preferido. Na moral, essa ignorância do Itsuki é deprimente…..)

No fim, nem mesmo ver o histórico dela me ajudou a entender suas preocupações. Lembrando que "viande" significava pratos de carne em francês, continuei estudando.

*

 

No salão de jantar. Enquanto jantava com Hinako, Shizune-san me chamou por trás.

— Itsuki-san, você revisou sua etiqueta?

— Hã? Ah, sim.

— Eu estava prestes a apontar que suas maneiras estavam um pouco descuidadas, mas parece que minha preocupação foi desnecessária.

Essa foi por pouco… Um suor frio escorreu, mas, ao mesmo tempo, senti uma pequena satisfação. Ao que parecia, eu tinha conseguido me avaliar de forma objetiva.

— Ojou-sama, tenho uma mensagem para a senhorita.

Shizune-san se dirigiu à Hinako, que mastigava um bacalhau à meunière.

— Takuma-sama ficará hospedado nesta mansão por um tempo.

— Ughhh...

O rosto de Hinako se contorceu em uma expressão claramente desagradada. Aquela reação era um pouco incomum. Hinako frequentemente parecia sonolenta de manhã ou durante eventos sociais, mas eu nunca a tinha visto demonstrar tanta aversão por uma pessoa específica.

— Takuma... san, esse é o seu irmão mais velho, certo?

— Sim.

Sem saber exatamente como chamá-lo, acabei optando por usar -san por enquanto. Olhei para Hinako, que ainda parecia profundamente incomodada.

— Por que ele está vindo para cá...?

— É por trabalho. Ele pretende ficar cerca de uma semana, a partir de amanhã.

— Ugh...

Hinako franziu a testa.

— Ele é... alguém com quem você não se dá bem? Quero dizer, seu irmão.

— Eu odeio ele.

Aquilo ia além de simplesmente não se dar bem.

— Aquele cara... só pensa em si mesmo.

Hinako soltou um suspiro pesado enquanto falava. Eu sempre achei que Hinako fosse do tipo que conduzia os outros, mas talvez Takuma-san fosse o tipo de pessoa que conseguia desestabilizar até alguém como ela.

— Ojou-sama, o que a senhorita gostaria de fazer?

— Evacuar….

— Entendido.

Shizune-san assentiu. Evacuar? O que aquilo queria dizer? Enquanto eu inclinava a cabeça, Shizune-san explicou:

— Isso já aconteceu várias vezes antes. Sempre que Takuma-sama vem, Ojou-sama se hospeda temporariamente em outro lugar.

— Isso é bem extremo….

Ela o odiava tanto assim?

— Só para deixar claro, Itsuki-san, você virá junto.

Eu já esperava isso, então assenti.

— Sim.

Ficar sozinho naquela mansão... seria mais do que desconfortável.

— Para onde iremos evacuar desta vez?

— Um lugar fresco... qualquer lugar serve...

— Já estivemos em Karuizawa, então talvez outro destino de verão...

Hokkaido, ou talvez o exterior... Shizune-san começou a considerar opções. Ao observá-la, lembrei da promessa que fiz à Yuri.

— Hum, se possível — e apenas se for viável — seria difícil irmos para perto de onde eu morava? Eu combinei de encontrar a Yuri com a Hinako em breve, então...

Claro, eu estava pronto para mudar os planos, caso fosse complicado. A expressão de Shizune-san ficou séria. Achei que poderia ser pedir demais, mas então—

— E a casa do Itsuki? — Uma sugestão inesperada veio de uma fonte surpreendente: Hinako.

— A minha?

— Uhum. Quero visitar a casa onde você morava antes.

Isso... era possível?

Se bem me lembrava, havíamos perdido aquela casa por não conseguirmos pagar o aluguel. Mas, tendo visto repetidas vezes o poder da Ojou-sama de tornar o impossível possível, tive a sensação de que aquilo poderia dar certo de alguma forma.

— Vou verificar.

Como esperado, Shizune-san parecia ter um jeito de resolver aquilo. Ela pegou o smartphone e fez uma ligação. Após alguns minutos, desligou.

— É possível.

— É mesmo possível?

— Aquela casa era originalmente administrada pela Konohana Real Estate. Acabei de confirmar: ela está desocupada no momento, então podemos alugá-la por um tempo.

(N/SLAG: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK vá se foder, essa empresa é dona de todo o japão?)

Ao que parecia, eu já estava sob a influência do Grupo Konohana antes mesmo de conhecer Hinako.

— No entanto, Ojou-sama, com todo o respeito ao Itsuki-san, aquela casa não é exatamente confortável para a senhorita.

Eu não podia discordar. Naturalmente, minha antiga casa não era tão espaçosa quanto aquela mansão, nem tinha móveis sofisticados. Não havia um jardim bonito, e, com uma estrada logo à frente, também não era muito silenciosa.

— Tudo bem — Hinako disse, voltando o olhar para mim. — Eu quero experimentar como o Itsuki vivia.

Hinako parecia completamente fascinada pela ideia de viver como uma pessoa comum. Ou seria apenas impressão minha? Por algum motivo, sua expressão parecia carregada de um certo senso de obrigação. Como se ela precisasse conhecer meu passado...

— Entendido. Farei os preparativos imediatamente.

Shizune-san pegou o smartphone novamente.

— Hum, e quanto à segurança? Quando eu e a Hinako nos conhecemos, ela quase foi sequestrada naquela região, então...

— Não há com o que se preocupar. Não repetiremos aquele erro. Providenciarei segurança 24 horas na área.

Uma determinação feroz brilhava nos olhos de Shizune-san. Ela ainda devia se culpar profundamente pelo que aconteceu naquele dia. Ao olhar para ela agora, tive certeza de que algo assim não voltaria a acontecer.

— Além disso, você não é mais a mesma pessoa de antes, é? — Shizune-san me encarou firmemente. — Se chegar a esse ponto, você protegerá a Ojou-sama, não é?

— Sim.

Isso mesmo.

Agora eu era o cuidador dela. Se fossem sequestradores ou o irmão dela, Takuma-san, meu papel continuava o mesmo: permanecer ao lado de Hinako e protegê-la — esse era o meu dever.

 


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