Volume 4

Capítulo 4: O Mar, a Ojou-sama e a Amiga de Infância

NA MANHÃ SEGUINTE. Enquanto eu tomava café da manhã no restaurante do hotel, como de costume, uma pequena figura se aproximou.

— Bom dia, Itsuki!

Duas mãos foram colocadas sobre meus ombros. Quando me virei, vi minha amiga de infância, Yuri, parada ali. Hinako e as outras a cumprimentaram educadamente com um "bom dia". Eu respondi com um casual:

— Bom dia.

Depois olhei para o rosto de Yuri.

— Você parece estranhamente animada. Aconteceu alguma coisa?

— Nada demais. Só percebi que você não é alguém que dá pra subestimar, só isso.

— O que isso quer dizer?

Inclinei a cabeça, confuso. Foi então que percebi Tennouji-san e Narika, sentadas à minha frente, levemente coradas — ou pelo menos parecia.

Eu já tinha a impressão de que Yuri andava tramando alguma coisa nos bastidores nesses últimos dias. Conhecendo-a, ela não causaria problemas para ninguém, mas será que tinha conversado com Tennouji-san e as outras?

— Ah, e a propósito, fui eu que fiz aquela salada, então coma com cuidado, tá? Embora eu só tenha cortado os ingredientes.

— Tá, tá.

Yuri apontou para o prato enquanto falava, e eu apenas respondi com um aceno meio desinteressado. Mas então senti um estranho incômodo.

— Yuri?

— O quê?

— Você... não está se forçando, está?

Ela demorou um instante antes de responder.

— Hã? Claro que não.

Eu não conseguia dizer se aquilo era verdade ou não, mas sabia que Yuri podia ser teimosa em momentos assim. Quando ficava desse jeito, raramente mudava de atitude. Por enquanto, não tive escolha a não ser aceitar o que ela disse. Pensando assim, apenas assenti.

— Você tem tempo para se preocupar comigo? Não tem prova hoje?

— Ugh... é, você tá certa.

Ela estava absolutamente certa. Hoje era a prova do curso de verão. Eu tinha estudado e revisado com dedicação desde o primeiro dia, então consegui acompanhar as aulas... mas não fazia ideia de como iria me sair.

Sendo sincero... eu não estava confiante.

— É mesmo algo para ficar tão nervoso assim? — perguntou Yuri.

— Bem... se eu tirar uma nota ruim, vou ficar preso com a Shizune-san me fazendo estudar no estilo espartano até o fim das férias de verão...

— Shizune-san? Aquela empregada, né? Parece ótimo! Ter aulas particulares de alguém tão bonita... qualquer cara ficaria feliz, não?

— Isso é porque você não conhece os métodos espartanos dela.

Eu disse isso com uma expressão séria. Yuri piscou, surpresa.

— É-É mesmo? E você, Konohana-san? Está pronta para a prova?

— Acredito que me preparei como de costume.

Respondendo à pergunta de Yuri, Hinako tomou um gole de seu chá Assam. Eu tinha ouvido que o Assam contém cafeína, então vinha bebendo bastante durante o curso de verão.

— Konohana Hinako. Para registro, eu me preparei ainda mais do que o habitual.

— Tennouji-san é bem dedicada.

— B-Bem, eu tento ser todos os dias. ...Não, não é isso! Desta vez eu vou resolver tudo de uma vez!

— Pegue leve comigo, por favor.

Ultimamente, Hinako parecia ter descoberto como lidar com Tennouji-san. Ou talvez tivesse simplesmente passado a entendê-la melhor. Na verdade, parecia que a mudança vinha da própria Tennouji-san. Em vez de depender apenas do peso do sobrenome da família, ela começava a agir mais de acordo com sua própria vontade — e isso a deixava com um ar muito mais amigável.

— Narika, você está bem?

— Eu? Já desisti. Mesmo depois do curso de verão, um tutor vai começar a vir à minha casa.

Narika disse isso com o olhar vazio de um peixe morto. Eu estava a um passo de cair nesse mesmo desespero, então não podia tratar aquilo como se fosse problema de outra pessoa.

— Bem, não adianta ficar se preocupando agora, né? Só faça o seu melhor. Se você for mal, eu preparo outro combo de hambúrguer para você.

— Certo — eu disse.

Yuri tinha razão. A essa altura, tudo que eu podia fazer era me preparar mentalmente e encarar.

— Vou cobrar esse hambúrguer, então.

— Ei! Não desista antes mesmo de começar!

Yuri deu um leve tapa na minha cabeça.

...Pelo que eu podia ver, ela tinha voltado ao normal. Antes parecia que estava se forçando, mas talvez eu estivesse pensando demais.

— A propósito, pessoal — disse Tennouji-san depois de tomar um gole da sopa —, quais são os planos de vocês para a folga de amanhã?

O curso de verão terminaria hoje com a prova. A correção levaria um dia, então amanhã seria um dia livre, e os resultados seriam divulgados no dia seguinte.

— Eu ainda não decidi nada — eu disse.

— Eu também — Narika concordou comigo, já que eu ainda não tinha feito planos.

— Eu também não decidi... mas, já que é uma oportunidade rara, talvez fosse bom ir a algum lugar divertido. Quero esquecer os estudos por um dia e aproveitar a folga — disse Tennouji-san.

Eu concordei completamente. Afinal, eram férias de verão. Depois de estudar tanto, um pequeno evento como recompensa não faria mal.

— Nesse caso, que tal irmos ao mar? — sugeriu Hinako. Ao ouvir isso, inclinamos a cabeça. — Há uma praia no lado do Mar do Japão, a cerca de duas horas de carro daqui — explicou ela. — Não é uma praia particular, então haverá outras pessoas, mas...

— Parece maravilhoso! Verão combina com mar! Eu topo!

— E-Eu também adoraria ir!

Tennouji-san e Narika concordaram imediatamente.

O curso de verão tinha sido tão intenso que eu tinha até esquecido, mas agora que pensei bem, tínhamos falado sobre ir ao mar no carro antes de chegar a Karuizawa. Mesmo assim, fiquei surpreso.

Hinako convidando todo mundo... isso é raro.

Na verdade, o simples fato de Hinako planejar algum evento já era incomum. Se não houvesse olhares por perto, ela largaria completamente a fachada. Eu imaginava que ela preferiria passar um raro dia de folga relaxando no quarto do hotel.

— O-O mar com amigos...! Ah... o evento com que sempre sonhei...! — Narika estava tão emocionada que parecia prestes a chorar. — E-Espera! M-Mas eu não trouxe traje de banho!

— Podemos comprar um no caminho. Há uma loja do Grupo Konohana perto da praia.

— A-Ah... é verdade. Faz sentido.

Eu também não tinha trazido roupa de banho, então teria que comprar uma.

— H-um... posso ir também?

Yuri levantou a mão timidamente. Hinako sorriu gentilmente e assentiu.

— Claro.

— Ufa... que bom. Quando você mencionou praia particular, achei que uma plebeia como eu não seria bem-vinda.

— Se o momento tivesse sido outro, eu teria convidado você para uma praia particular.

— O-Oh... é bom ter amigas ojou-sama...

Yuri levou a mão ao peito de forma dramática, exagerando a emoção.

— Mas Yuri, e o seu trabalho? — perguntei.

— Ah, amanhã eu estou de folga, na verdade.

— Achei que você estaria super ocupada.

— Eu planejava passar um tempo pesquisando receitas, então pedi uma escala mais leve. Além disso, trabalhar na cozinha é bem pesado, então eles garantem que a gente tenha boas pausas.

Eu sabia, depois de ter ido inúmeras vezes à casa de Yuri, que trabalhar na cozinha era realmente exaustivo. E em um hotel de alto padrão como aquele, não havia espaço para trabalho descuidado. Para manter os cozinheiros em forma, as pausas eram aparentemente generosas.

— Acho que já devemos ir para a sala de aula — disse Tennouji-san ao conferir o horário.

— Boa sorte na prova, pessoal! — Yuri nos despediu.

Deixamos o restaurante e seguimos em direção à sala. Enquanto caminhávamos juntos pelo corredor, eu diminui o passo e fui para o final do grupo, falando em voz baixa com Hinako.

— Hinako... você já estava pensando nesse passeio para o mar há algum tempo?

— Hum... conversei com a Shizune e decidimos.

Então era por isso que ela sabia sobre a praia no lado do Mar do Japão. Não tinha sido uma ideia de última hora.

— Mas tem certeza de que está tudo bem convidar todo mundo? Você vai ter que manter sua atuação com tanta gente por perto.

— Não é uma praia particular, então não faz diferença.

Justo.

— Além disso... achei que você ficaria mais feliz assim, Itsuki.

Hinako disse isso olhando diretamente nos meus olhos. Parecia que ela tinha me lido completamente.

...Durante todo o curso de verão, estivemos sempre com o mesmo grupo. Se surgisse a chance, eu realmente queria sair com todos.

— Obrigado. Eu também acho que vai ser mais divertido se formos todos juntos.

— Hehe... eu te conheço bem, Itsuki.

Hinako estufou o peito com orgulho. Nesse momento, Tennouji-san, que caminhava na frente, percebeu que estávamos ficando para trás e se virou.

— Aconteceu alguma coisa com vocês dois?

— Não, não é nada.

Hinako voltou instantaneamente ao seu modo de ojou-sama.

Eu sorri de forma irônica. …Acho que nunca vou me acostumar com essa mudança repentina.

*

 

No dia seguinte à prova. Eram duas da tarde. Saímos do hotel pela manhã, passamos em uma loja de departamentos para comprar roupas de banho, almoçamos e finalmente chegamos ao nosso destino.

— O mar.

Foi um comentário terrivelmente sem graça, mas era mesmo o mar. No ensino fundamental, eu tinha ido ao mar uma vez em um evento escolar chamado Acampamento da Natureza. Mas a família Tomonari era tão pobre que não podíamos pagar o transporte, então a família da Yuri me levou de carro. Conseguimos juntar dinheiro apenas para a comida e, durante um mês depois de voltar para casa, não tive nenhuma refeição além do jantar.

Mesmo assim, aquela refeição talvez tenha sido a mais luxuosa de todos os meus anos no fundamental. Ao lembrar disso, senti lágrimas se formando nos olhos.

— Parece que você já terminou de se trocar.

Enquanto eu esperava do lado de fora do vestiário, já de roupa de banho, aguardando as meninas, Shizune-san falou comigo. Como sempre, ela estava usando seu uniforme de empregada.

— Você não vai usar roupa de banho, Shizune-san?

— Quer me ver usando uma?

(N/SLAG: Eu quero.)

Shizune-san perguntou com um sorriso travesso. Senti meu rosto esquentar e abaixei o olhar para esconder.

— Você ainda não se acostumou com isso. Difícil acreditar que passa todos os dias ao lado da ojou-sama.

— Eu tento tomar cuidado, sabia. Especialmente na hora do banho.

— Uma atitude louvável.

Aliás, o segredo era não olhar diretamente, mas manter no campo periférico da visão. Assim, eu conseguia lidar, ainda que por pouco, com as roupas extremamente reveladoras da Hinako.

— Hoje estou priorizando o trabalho para garantir a segurança de todos. Afinal, esta não é uma praia particular, e sim uma praia pública com bastante gente.

— Desculpa… parece que sou o único aqui se divertindo.

— Não precisa se preocupar com isso. Graças à sua consideração, consegui descansar mais do que o normal — Shizune-san disse isso com uma expressão gentil. Pelo visto, ela realmente tinha conseguido recuperar as energias. — Além disso, a família Konohana já posicionou cerca de cem seguranças nesta praia. Meu trabalho não é tão pesado assim.

— E-Entendi…

Como esperado da família Konohana. Eles agem rápido. Olhando discretamente ao redor, vi um homem grande e familiar caminhando pela praia vestindo apenas sunga. …Neste momento, esta praia provavelmente tinha o equivalente a cem salva-vidas.

— A propósito, Itsuki-san, como você se sentiu em relação à prova?

— Pelo menos fiz tudo o que pude.

Sendo honesto, eu não tinha certeza. As matérias que estudamos aqui são diferentes das que aprendemos na academia, então, mesmo depois de resolver as questões, ainda me sentia cheio de ansiedade.

— Já está bom assim. Estou ansiosa pelos resultados.

— Sim...

Para mim, aquilo não era nada além de mais pressão.

— Desculpem a demora!!

Nesse momento, uma voz alta veio do vestiário feminino. Yuri apareceu correndo, acenando os braços com entusiasmo. Bem ao lado dela estavam três deslumbrantes ojou-sama.

— Belo tempo, não é?

— De fato, está quase ofuscante de tão claro.

— Ahh... estou vivendo minha juventude agora...!

As três pareciam estar absorvendo aquela atmosfera quase surreal do mar, visivelmente animadas. Meu olhar caiu sobre algo que Yuri estava segurando.

— Yuri, isso é...

— Uma bola de praia! Eu comprei quando paramos naquela loja de departamentos.

Eu nem tinha percebido. Enquanto comprávamos os trajes de banho, eu tinha ficado um pouco separado das garotas, então ela deve ter comprado nesse momento.

— Mais importante, Itsuki, você não tem algo para dizer?

— Ugh...

Eu sabia, em teoria, o que deveria dizer em momentos como esse. Olhei para as quatro garotas à minha frente. Narika e Tennouji-san estavam inquietas, com uma timidez incomum. Até Hinako, mantendo sua postura elegante de ojou-sama, tinha um leve rubor nas bochechas.

O biquíni de Hinako era um modelo branco off-shoulder, com babados tanto na parte de cima quanto na de baixo. Os babados suavizavam sua silhueta, dando uma impressão refinada e adorável. Havia uma beleza pura e intocável nela, quase perfeita demais para se aproximar.

Tennouji-san vestia um biquíni azul com um pareô amarrado na cintura. As alças dos ombros, feitas de um material especial, refletiam levemente a luz do sol como se fossem um colar, e o pareô tinha padrões intricados. Chamativo e elegante ao mesmo tempo, combinava perfeitamente com o estilo de Tennouji-san.

O traje de Narika era um biquíni preto com pequenas bolinhas brancas. Parecia feito tanto para aparência quanto para facilitar a natação. Seu corpo tonificado, moldado por exercícios regulares, não tinha um grama de gordura a mais, exibindo com ousadia sua figura esguia.

O traje de Yuri tinha um top de biquíni laranja combinado com shorts bege. Apesar de ela ser baixa e não ter exatamente um grande busto, o ar animado do conjunto combinava perfeitamente com ela.

Depois de observar todos os trajes de banho, abri a boca com cautela.

— Todo mundo está ótimo……..

— Covarde.

Yuri murmurou baixinho. Elogiar trajes de banho femininos com naturalidade estava muito além da minha força mental. Então percebi que as ojou-sama estavam me encarando intensamente por algum motivo.

— Itsuki, seu corpo está... bem definido, hein? — Narika murmurou.

— É... você não ficou bem mais musculoso?

— Bom, muita coisa aconteceu.

Graças ao treinamento rigoroso da Shizune-san.

— Mesmo assim, eu não imaginava que uma praia pública pudesse ficar tão cheia — disse Tennouji-san, olhando ao redor.

— Você costuma ir a praias privadas, Tennouji-san?

— Sim. Ou piscinas cobertas. Uso essas quando não quero me bronzear.

— Não consigo imaginar você bronzeada, Tennouji-san.

— Ah, é mesmo? Quando eu era mais nova, me bronzeava bastante. Acredite ou não, eu era bem ativa naquela época.

Isso me surpreendeu por um momento, mas logo deixou de parecer tão estranho. Tennouji-san sempre é graciosa, mas também tem um ar energético. Uma Tennouji-san bronzeada... talvez tivesse seu próprio charme. Enquanto eu imaginava isso sem perceber, Yuri se aproximou.

— Ei, Itsuki, você passou protetor solar?

— Hã? ...Ah, droga. Esqueci.

— Já imaginava. ...Não tem jeito.

Suspirando, Yuri tirou um protetor solar da bolsa.

— Vamos, deita aí.

— E-Espera, eu mesmo posso passar!

— Você não consegue passar nas próprias costas, consegue?

Isso é verdade, mas… Parecia inútil resistir, então me deitei sobre o lençol.

— Lá vou eu!

Yuri montou na minha cintura. Ela é leve, então não foi problema nenhum, mas...

— Hm, Yuri? Você está um pouco perto demais...

— Qual é o problema? A gente tomava banho junto, lembra?

— Tomavam banho juntos!?

Os olhos de Tennouji-san e Narika se arregalaram.

— Isso foi com vocês dois de roupa de banho, certo?

— Hã? Não... por que de roupa de banho...?

Hinako estava perguntando algo estranho. Eu não entendi muito bem, mas talvez ela estivesse surpresa à sua maneira.

— Só para esclarecer, isso foi quando estávamos no ensino fundamental, tá? — Com um suspiro, acrescentei o detalhe, e Tennouji-san e Narika levaram a mão ao peito, aliviadas. Hinako também se acalmou como de costume.

Eu realmente queria que Yuri não falasse como se isso ainda estivesse acontecendo hoje.

...Embora eu ainda tome banho com a Hinako agora, definitivamente vou guardar isso para mim.

— Pronto!

— Ai! Não bate em mim!

Um tapa repentino nas minhas costas me fez pular.

— Hahaha! Olha só essa marca perfeita de mão vermelha!

— Você...!

Yuri disparou em direção ao mar, e eu corri atrás dela. Minhas sandálias escaparam, e senti a areia diretamente sob os pés. O calor do chão me fez pular, e naquele instante senti que estava realmente aproveitando o verão.

*

 

— Toma essa!

Com um grito, Yuri lançou a bola de praia para o alto. A bola descreveu um arco no ar, vindo na minha direção.

— Opa!

O vento desviou um pouco sua trajetória, mas estendi a mão direita e a rebati para cima. A bola voou na direção de Hinako.

— Hop!

— Lá vai!

Hinako levantou a bola, e Tennouji-san a direcionou para Narika.

— Hah!

A bola se desviou com o vento, mas Narika saltou rapidamente, pegou-a e a mandou de volta para Yuri. Ela é a única colocando tanta energia nisso. A habilidade atlética de Narika estava brilhando até num esporte de praia.

— Nada mal!

Yuri mostrou um sorriso destemido.

Agora que percebi, todo mundo aqui é bom em esportes. Hinako e Tennouji-san se destacam tanto nos estudos quanto no atletismo, eu também estou treinando meu corpo, e Yuri sempre foi razoavelmente boa em esportes.

Naturalmente, até um simples jogo de manter a bola no ar acabou ficando intenso.

— Simplesmente ficar rebatendo uma bola no mar assim é surpreendentemente profundo, não é?

— Sim, trabalha bastante as pernas e o core. É um ótimo exercício.

As ojou-sama estavam apreciando a atividade de um ponto de vista meio estranho. Fiquei me perguntando se elas sequer tinham notado... a atenção que estavam atraindo. Um grupo de garotas absurdamente bonitas reunidas num só lugar, todas de traje de banho. Homens e mulheres, jovens e velhos, todos estavam olhando para nós.

— Itsuki, você lida com isso o tempo todo?

— Só me acostumei recentemente.

Yuri e eu, bem no epicentro daqueles olhares, estávamos extremamente nervosos. Aprendi recentemente que as ojou-sama têm plena consciência da atenção que recebem e ajustam seu comportamento de acordo. Elas certamente também perceberam esses olhares. Mas, para elas, ser o centro das atenções é algo tão comum que simplesmente não se importam.

— Ainda assim...

— ? O que foi?

Sentindo o peso dos olhares ao redor, olhei para Yuri. Não é surpresa que as três ojou-sama sejam incrivelmente bonitas, mas olhando com atenção, Yuri, que está entre elas, também não fica nada atrás. Como amigo de infância, eu conheço seu passado comum e seus valores simples, mas deixando esse viés de lado, será que ela não conseguiria se igualar a elas?

— A Yuri também é bem fofa, sabia? — eu disse.

— O-O que é isso!? Você é idiota?! Muito idiota!!

— Ai, ai, para de me bater!

Ela começou a me dar tapas repetidamente para esconder o constrangimento. Nesse momento, uma bola veio voando em nossa direção com uma velocidade feroz. Virando lentamente a cabeça, como um ventilador enferrujado, vi Hinako sorrindo radiante para mim.

— Tomonari-kun, a bola.

— S-Sim, senhorita.

Era melhor não provocar mais confusão. Peguei rapidamente a bola e a passei para Tennouji-san. Com um pof, a bola de praia subiu alto e caiu na direção de Narika. Eu esperava que ela a devolvesse com uma cortada, mas… a bola passou direto por Narika e caiu na água com um respingo.

— Miyakojima-san, aconteceu alguma coisa?

— E-Eu acho que estou um pouco cansada! V-Vou fazer uma pausa!

Com uma expressão sem jeito, Narika se afastou de nós. Confuso, percebi que ela estava olhando para mim com um olhar que parecia pedir ajuda.

— I-Itsuki, vem aqui um instante.

Ela me chamou discretamente com a mão, então me aproximei com naturalidade.

— O que foi?

— Meu traje de banho foi levado.

— Hã?

— E-Eu devo ter me mexido com muita força...

Agora que ela mencionou… a parte de cima do biquíni dela estava—

Quase olhei para confirmar, mas imediatamente desviei o olhar.

— Desculpem! Eu também vou fazer uma pausa!

Por enquanto, me afastei do grupo usando o descanso como desculpa. Aproximei-me de Narika, tomando cuidado para não olhar diretamente para ela.

— Não teria sido melhor chamar uma das meninas em vez de mim?

— A-Agora que você falou.

Por que ela não fez isso? Narika parecia confusa, mas quem queria fazer essa pergunta era eu. O traje de banho de Narika era preto. Procurei entre as pessoas, mas não consegui encontrá-lo.

— Talvez tenha sido levado para perto daquelas pedras ali.

— E-Espera, não me deixa sozinha!

— Tudo bem, mas… quer vir comigo?

— S-Sim. Se eu fingir que estou nadando, acho que consigo...

Narika me seguiu, agachada. Provavelmente para esconder a parte de cima do corpo, ela se manteve bem perto de mim. Eu só queria que ela percebesse o quão arriscado aquilo era. Será que seria cruel demais apontar isso numa situação dessas…?

Quando chegamos às pedras, onde havia menos gente por perto, Narika relaxou um pouco.

Ali, entre as rochas, flutuava um traje de banho preto.

— Achei!

Peguei-o e tentei entregá-lo a Narika, que estava escondida atrás de uma pedra.

— E-Espera! Não olha para cá!

— D-Desculpa!

Desviei rapidamente o olhar e estendi o traje de banho para ela.

— J-Já pode olhar.

Com a permissão dela, virei novamente. Narika já tinha colocado o traje de banho corretamente.

— Que alívio. Vamos voltar?

— Sim… Obrigada pela ajuda.

— Não precisa agradecer.

Eu não sabia se aquilo era comum, mas talvez biquínis realmente se soltem com facilidade.

— Se mexendo tão livremente assim, não é surpresa que seu traje de banho tenha saído.

— É… Eu pretendia pegar leve no começo, mas a Hirano-san foi mais forte do que eu esperava. Acabei me empolgando.

— A Yuri também é boa em esportes, afinal. Ontem à noite a gente estava trocando mensagens, e ela ficou dizendo que queria ir com tudo.

— Trocando mensagens…

De repente, Narika baixou o olhar. Mas então, com uma expressão determinada, ergueu o rosto e encontrou meus olhos.

— I-Itsuki, você pode chegar um pouco mais perto?

— Hã? Claro, mas o que—

Antes que eu pudesse perguntar o que ela pretendia fazer, Narika encurtou a distância de repente e avançou o braço direito com força.

— Hah!

— Uou!?

O golpe de palma da prodígio das artes marciais, Miyakojima Narika, passou raspando pela minha bochecha. Mesmo com o treinamento de autodefesa da Shizune-san, eu não consegui reagir. Um tump alto ecoou atrás de mim. O golpe de Narika errou meu rosto e acertou a rocha atrás.

— P-Por que um tapa…?

— Tapa!? N-N-N-Não é isso! Isso é um kabedon!

— Um kabe… don? …Kabedon?

(N/SLAG: Kabedon "壁ドン" é uma cena clássica onde alguém encurrala outra pessoa contra uma parede, apoiando uma ou ambas as mãos ao lado dela, produzindo o som de "don" (batida)

https://cdn.donmai.us/sample/c2/51/__karuizawa_kei_and_hashimoto_masayoshi_youkoso_jitsuryoku_shijou_shugi_no_kyoushitsu_e_drawn_by_tomose_shunsaku__sample-c25151924658367b117e8a9c442b494d.jpg

Exemplo aí, guys. VALEUUUUU! Para quem quer saber, a obra é Classroom of the elite. Eu também traduzo ele, tem no novelmania (LEVE PUBI))

Não foi como se eu pensasse: "Ah, é só um kabedon". Se alguma coisa, aquilo só deixou tudo mais confuso.

— E-Eu ouvi dizer que fazer isso… bem… faria a gente se aproximar mais, Itsuki — Narika explicou de forma hesitante.

— Quem foi que te contou isso, aliás?

— Hirano-san.

Era óbvio, pensei, assentindo. Não tem como cultura de kabedon ser algo comum entre ojou-sama. Eu não ensinei isso para ela, então só podia ter sido a Yuri.

— Kabedon não é tão infalível quanto você imagina, Narika.

— N-Não é?

— Além disso, fazendo isso com essa roupa fica difícil saber para onde olhar…

Falei, desviando o olhar. Narika piscou confusa por um momento, mas logo entendeu.

—!?

Entrando em pânico, ela recuou e cobriu o peito com as duas mãos. Sua vergonha parecia ter atingido o limite, e ela se agachou, segurando a cabeça.

— Ughhh… O dia inteiro o Itsuki só me viu passando vergonha…!

Isso meio que sempre acontece, mas resolvi guardar esse comentário para mim.

— Então, o que você estava tentando fazer?

Depois de um tempo, quando Narika se acalmou, perguntei. Ela se levantou devagar, seus olhos úmidos encontrando os meus.

— Itsuki, tem algo que eu queria perguntar há algum tempo — assenti levemente, e Narika continuou. — Qual é exatamente a sua relação com a Konohana-san?

O tom dela era estranhamente sério. A intensidade da sua voz era esmagadora. Levei alguns segundos para conter o desconforto que surgiu dentro de mim.

— Como assim? Eu já te disse antes — estou trabalhando na casa da Konohana-san.

— Mas você chama a Konohana-san pelo primeiro nome, não chama?

— !

Como ela sabia disso? Sem palavras, fiquei parado, e Narika continuou por mim.

— Você provavelmente não percebeu, mas uma vez chamou a Konohana-san pelo primeiro nome na minha frente. …Vocês realmente se chamam pelo primeiro nome, não é?

Eu não fazia ideia. Normalmente eu nunca faria isso. Será que foi naquela época em que eu ainda estava me acostumando a ser cuidador? Mesmo assim eu tomava cuidado… Não, esquece. Ela já ouviu, então o momento não importa.

Uma desculpa surgiu na minha mente. Por exemplo, eu poderia dizer que existe outra Konohana na propriedade onde moro e, para evitar confusão, comecei a usar os primeiros nomes. É meio forçado, mas plausível.

Mas eu hesitei. Como funcionário, eu não podia causar problemas para a família Konohana. Ainda assim, queria evitar mentir o máximo possível.

— Sim, é verdade.

No fim, o que saiu da minha boca foi uma confirmação.

— Trabalhando na propriedade da família Konohana, eu acabei me aproximando da Hinako. …Provavelmente mais do que você imagina, Narika.

Os olhos de Narika se arregalaram quando passei a chamar Hinako pelo primeiro nome.

— Mas se eu a chamasse assim na academia, isso chamaria atenção para a Hinako. Já moramos na mesma propriedade, mesmo sendo enorme. Se rumores estranhos se espalhassem, isso causaria problemas para ela e para a família Konohana. Por isso, em público eu a chamo de Konohana-san.

Narika pareceu convencida e, ao mesmo tempo, mostrou uma expressão de compreensão. Chamá-la de "Hinako" na frente de Narika foi algo único. A partir de agora, eu voltaria ao normal. Com outros alunos da Academia Kiou também hospedados em Karuizawa, alguns poderiam até estar nesta praia.

— Isso é tão a sua cara, Itsuki. Sempre pensando nos outros, nunca em si mesmo. …Como eu poderia reclamar quando você coloca dessa forma?

Narika soltou um longo suspiro. Ela parecia frustrada, mas—

— Mas, pensando bem, nós dois nos chamamos pelo primeiro nome desde o começo, não é? — perguntei.

— Ugh… É-Verdade, mas… — Narika lutava para colocar em palavras a insatisfação que girava dentro do seu coração. Ela levantava e abaixava os braços, tentando organizar seus sentimentos. — Mas, mesmo assim… eu quero ser alguém mais especial para você, Itsuki!

Seria a falta de jeito dela que tornava suas palavras tão fortes? Às vezes Narika simplesmente jogava seus sentimentos em mim com uma franqueza direta demais. Sem saber como responder, fiquei imóvel, com os lábios fechados.

— E-Então, Itsuki!

— Sim?

— V-Você… poderia, hum… trocar endereços de e-mail comigo!?

— Hã?

Como ela chegou a essa conclusão? Meu cérebro travou, incapaz de acompanhar.

— E-Eu também quero trocar mensagens com você, Itsuki! Não só na academia, mas também nas folgas!

Ah, era isso.

— É, você tem razão. Agora que penso nisso, a gente ainda não trocou contato, né?

Na verdade, já estava demorando demais. Eu raramente mandava mensagens para alguém além da Yuri, então simplesmente tinha esquecido de trocar contatos.

— Vamos buscar nossos celulares. …Vamos trocar e-mail, mas hoje em dia o pessoal usa mais aplicativos de mensagem, então vamos começar por isso para você, Narika.

— O-Okay. Me ensina como usar.

Fomos passando pelas rochas irregulares de volta para a praia. Enquanto pequenas ondas batiam em nossos pés, Narika falou de repente.

— Itsuki, essa marca nas suas costas… foi a Hirano-san que deixou quando te bateu?

— Ah, ainda está aí? Já nem dói mais, então não precisa se preocupar.

Narika ficou em silêncio de repente. No instante seguinte, um estalo seco ecoou nas minhas costas.

— Ai!? Espera, por quê!?

— Não foi nada.

Por que eu acabei de levar um tapa nas costas? Confuso, subi para a areia da praia. Pensando bem, eu não tinha visto a Hinako nem as outras. Será que todas foram descansar?

— Ei, vocês dois! Aqui!

Yuri, sentada debaixo de um guarda-sol, nos avistou e chamou. Narika e eu fomos até lá. Hinako e Tennouji-san não estavam por perto.

— Só você, Yuri?

— Ei, não fala como se eu fosse uma solitária, tá? A Konohana-san e as outras foram ao vestiário reaplicar o protetor solar, então eu fiquei aqui cuidando das nossas coisas.

Não foi isso que eu quis dizer — ainda mais considerando que a verdadeira solitária está bem ao meu lado.

— Enfim, para onde vocês dois foram?

— A gente estava procurando um pouco de sombra, mas não achamos um lugar bom.

— Ah, entendi. Bem, mesmo aqui embaixo do guarda-sol está bem quente, então…

Yuri abana o rosto com a mão, tentando criar um pouco de vento. Se me permitem dizer, foi uma desculpa improvisada bem convincente. Yuri não pareceu suspeitar de nada. Peguei minha bolsa debaixo do guarda-sol e tirei o celular.

— Narika, você trouxe seu celular?

— A-Ah, sim!

Enquanto Narika tirava o celular da bolsa, eu acabei vendo de relance a lista de contatos dela. O número pequeno de nomes me deu uma sensação estranha no peito… mas podemos aumentar essa lista juntos. Se Narika quiser, ela com certeza consegue.

— Pronto, já cadastrei.

Confirmei que tínhamos trocado os IDs sem nenhum problema. Nesse momento, vi Hinako e as outras vindo em nossa direção. Comecei a guardar meu celular na bolsa — mas, antes disso, ele vibrou.

— Hm?

Uma mensagem apareceu. Era da Narika.

Narika: Não pretendo perder para ninguém, nya!

Ao ler a mensagem, meus olhos automaticamente foram até Narika, que estava na minha frente. Ela desviou o olhar, com as bochechas levemente coradas. Claro que a primeira mensagem dela teria um erro de digitação — bem a cara da Narika. Talvez ela ainda não esteja acostumada a digitar no celular.

O verdadeiro significado por trás das palavras dela me atingiu — meio vago, mas inegável. Mesmo assim… não consigo deixar de pensar que não há necessidade de competir por algo assim. Digitei rapidamente uma resposta.

Itsuki: A Narika tem o seu próprio charme especial, nya!

O rosto de Narika se iluminou quando ela leu a mensagem, saboreando o momento… até perceber o "nya" no final e inclinar a cabeça confusa com um "Ah!?”. Um segundo depois, ela percebeu o próprio erro de digitação.

— I-Itsuki, você é tão malvado…!

Ei, essa fala era minha. Não vai me desestabilizar assim do nada.

*

 

Depois que nos reunimos novamente com Hinako e as outras, que já tinham reaplicado o protetor solar, voltamos a brincar na praia. Conversamos preguiçosamente na areia e, quando o calor apertava, voltávamos a nadar.

O verão…. chegou.

O que eu estava fazendo no verão passado mesmo? Minhas memórias são meio vagas — provavelmente porque eu estava afundado em trabalhos de meio período.

Mas este verão?

Tenho quase certeza de que vou me lembrar dele pelo resto da vida.

— Estou começando a ficar com um pouco de sede — disse Tennouji-san.

— Ah, eu vou buscar bebidas para todo mundo.

Estávamos descansando em boias depois de nadar bastante. Minha energia já tinha voltado, então era o momento perfeito. Saí da água, peguei minha carteira na bolsa e fui.

— Tomonari-san.

Quando eu estava calçando minhas sandálias, alguém me chamou por trás.

— Oh, Tennouji-san?

— Carregar bebidas para cinco pessoas sozinho parece difícil, não acha? Além disso, fui eu quem disse que estava com sede.

Tennouji-san colocou suas sandálias enquanto falava. Fomos juntos até as máquinas de venda. A mais próxima tinha uma pequena fila. Comprar para cinco pessoas poderia demorar e atrapalhar quem estava esperando, então decidimos ir até outra mais distante.

— Itsuki-san.

Quando ficamos mais afastados da multidão, Tennouji-san passou a me chamar pelo primeiro nome.

— Pode haver alunos da Academia Kiou por perto, sabia?

— Mesmo que haja, ninguém nos ouviria a essa distância e com esse tom de voz.

Ela tem razão, mas mesmo assim… Suspirei levemente e cedi.

— Você é bem ousada, Tennouji-san.

— De fato. Eu sempre procuro viver com ousadia e sem medo.

É… se eu tivesse que escolher alguém que personifica essa expressão, seria definitivamente a Tennouji-san. Mas, mesmo que sua voz não chame atenção, sua aparência com certeza chama.

Seus cachos dourados molhados brilhavam sob a luz do sol — "transbordando elegância" foi a expressão que me veio à mente. Sua figura vibrante e chamativa estava totalmente à mostra, combinando perfeitamente com sua presença marcante.

É… melhor eu não encarar.

Mesmo para alguém como eu, que já se acostumou com o traje de banho da Hinako, isso é demais.

— Oh? O que é isso…?

Quando nos aproximamos da máquina de vendas, Tennouji-san inclinou a cabeça com curiosidade.

Ah, claro. Talvez alguém como ela — uma ojou-sama da Academia Kiou — nunca tenha usado uma máquina dessas.

— Isso se chama máquina de venda automática, e—

— N-Não me trate como uma idiota! Eu sei disso!

— Uou, foi mal. Claro que você sabe.

Pensando bem, máquinas dessas estão por toda parte hoje em dia. Ela deve ter visto várias indo e voltando da Academia Kiou. Não tem como não saber.

Por um momento, fiquei em dúvida sobre quais bebidas comprar. Parte de mim queria pegar algo estranho só para provocar todo mundo, mas resolvi ir pelo seguro e peguei isotônicos. Talvez eu faça essa brincadeira outra hora.

Entreguei duas latas para Tennouji-san e levei três comigo.

É… carregar tudo sozinho teria sido um saco. Ainda bem que ela veio.

…?

Tennouji-san encarava as latas nas mãos com uma expressão genuinamente confusa, examinando a tampa, as laterais e o fundo. Então, de repente, assentiu como se tivesse entendido algo.

— O abridor de latas é vendido separadamente?

— Pff—!

Aquilo me pegou totalmente de surpresa, e quase engasguei. Então ela conhece máquinas de venda, mas não bebidas em lata.

— Não, abre assim… pff.

— N-Não ria! Nem pense em rir!

Abri a lata e tomei um gole para mostrar, e o rosto de Tennouji-san ficou vermelho. Ela começou a me dar leves tapas, mas foi tão fofo que nem doeu.

— Bom, já pegamos bebidas para todo mundo, então vamos voltar.

Minha voz ainda tremia um pouco enquanto eu tentava segurar o riso. Tennouji-san inflou as bochechas num pequeno bico enquanto caminhávamos de volta. No meio do caminho, ela parou de repente.

— Itsuki-san, que tal conversarmos um pouco?

— Conversar?

— Sim… há algo que eu gostaria de discutir.

Pela expressão dela, não parecia um assunto leve. Esperei que continuasse, e Tennouji-san respirou fundo, reunindo coragem.

— Isso é… bem, uma hipótese!

Claramente era sobre ela mesma. Ela não é muito boa em mentir.

— Imagine que existe uma jovem extremamente promissora bem aqui!

— Extremamente?

— Sim, extremamente.

Não faço ideia do quão "extremamente" estamos falando, então por enquanto imaginei alguém no nível da própria Tennouji-san.

— Essa garota está destinada a chegar ao topo deste país, ou pelo menos a ficar entre sua elite. Mas o coração dela não é feito de aço. No fundo, ela deseja que alguém fique ao seu lado… alguém em quem possa confiar.

Assenti, incentivando-a a continuar.

— Se essa garota pedisse para você ficar ao lado dela… Itsuki-san, o que você pensaria?

A pergunta me fez parar para pensar.

O que você quer dizer com o que eu pensaria?

Percebendo minha confusão, Tennouji-san explicou melhor.

— Para ficar ao lado dela, naturalmente você teria que superar todo tipo de provação. O trabalho seria exaustivo, fracassar não seria uma opção, e você estaria liderando milhares… talvez dezenas de milhares de pessoas…

Os olhos dela se fixaram nos meus.

— Isso não pareceria muita pressão?

Seu olhar vacilou levemente. Talvez o calor do verão esteja deixando minha cabeça lenta, mas só agora entendi completamente o que ela queria dizer. Tennouji-san parecia estar lutando com algum tipo de ansiedade. Ela sabe muito bem o quanto se destaca. Por isso está pensando seriamente nos sentimentos de quem ficaria ao lado dela. É um tipo de preocupação com a qual eu não me identifico facilmente.

Pessoas como eu — gente comum — costumam se preocupar com coisas parecidas, mas de outra forma. Eu não sou bom o suficiente para ela. Não consigo corresponder às expectativas dele. Não tenho o direito de falar com eles. Até mesmo os alunos da Academia Kiou provavelmente têm pensamentos assim.

Mas, no caso de Tennouji-san, é o oposto. Ela percebe nossas hesitações e tenta ser cuidadosa em resposta. Quem recebe esse cuidado não é bobo. As pessoas percebem quando alguém mantém distância ou age com cautela excessiva e, com o tempo, podem começar a pensar: "Talvez eu não pertença a esse lugar ao lado deles."

E no meu caso… E eu, então? A pessoa de quem estamos falando é alguém incrível como Tennouji-san — de alto status, poderosa e admirável como pessoa. Se alguém assim me pedisse para ficar ao seu lado…

— Sim, provavelmente pareceria muita pressão — essa é a minha resposta sincera. Tennouji-san baixou o olhar. — Mas eu também me sentiria incrivelmente honrado.

Com minhas palavras seguintes, ela ergueu a cabeça. Passei pelo cenário que ela descreveu na minha mente. O resultado? Junto com a ansiedade, outras emoções começaram a surgir. É um pouco constrangedor dizer em voz alta, mas confio que Tennouji-san não vai zombar de mim.

Escolhi minhas palavras com cuidado.

— Como você sabe, eu tenho lutado todos os dias desde que comecei na Academia Kiou. Mas, estranhamente… eu acabo gostando desses dias.

Desde o começo até agora — e provavelmente daqui para frente — tem sido uma sequência de desafios. Mesmo assim, consegui continuar positivo porque…

— Acho que é porque sinto orgulho.

— Orgulho…?

— Sim. As dificuldades são reais, mas sinto mais orgulho dos meus dias na Academia Kiou do que de qualquer outra coisa. Estar nesse ambiente incrível, competir com pessoas extraordinárias… estou sempre sendo lembrado das minhas próprias limitações, mas cada vez que consigo superá-las, sinto uma grande satisfação.

Sem esse sentimento, eu teria desistido há muito tempo.

— Então, minha resposta para a sua pergunta é a mesma — olhei diretamente nos olhos de Tennouji-san e disse com clareza: — Se essa garota me pedisse para ficar ao lado dela… eu sentiria orgulho.

Pressão é prova de responsabilidade. Ser confiado com responsabilidade é prova de confiança. Se uma garota incrivelmente promissora como a que Tennouji-san descreveu confiasse em mim a ponto de me pedir algo assim, eu definitivamente me sentiria orgulhoso.

— Entendo.

Tennouji-san assentiu em silêncio. Percebendo um leve brilho de alegria em sua expressão, não consegui deixar de dizer algo que me incomodava.

— Hum… Tennouji-san, essa garota de quem você está falando… é você, não é?

— Não. Eu ainda não sou tão promissora assim.

O ainda indicava claramente que ela pretendia ser.

— Mas ouvir você dizer isso me ajudou a tomar uma decisão — Tennouji-san continuou, com um brilho travesso nos olhos. — Vou mirar ainda mais alto. Tão alto que ninguém conseguirá me acompanhar.

Com um sorriso ousado e desafiador, ela declarou isso. Seus olhos ardiam com um novo espírito competitivo.

— Mais especificamente, qual é o seu plano? — perguntei.

— Ainda não decidi, mas estou pensando em mudar minha abordagem.

— Abordagem?

— Sempre quis superar Konohana Hinako. …É frustrante admitir, mas ela é meu ideal, meu objetivo mais claro. Porém, uma vez eu empatei com ela em uma prova e comecei a pensar… talvez vencê-la apenas nos estudos não pareça uma verdadeira vitória.

Tennouji-san continuou.

— Não vou desistir de superar Konohana Hinako. Mas talvez eu não precise me limitar apenas à parte acadêmica. É nisso que estou pensando.

— Claro que também não tenho intenção de perder nos estudos — acrescentou ela.

De fato, Tennouji-san sempre viu Hinako como rival, mas a competição entre elas sempre girou em torno de provas, notas e conquistas acadêmicas.

Ela já empatou com Hinako em um exame e sentiu tanto realização quanto uma estranha inquietação. Talvez tenha se perguntado se seguir apenas esse caminho realmente a satisfaria. Depois de trabalhar tanto e enxergar a linha de chegada, agora está considerando outros caminhos.

— Bem, ainda vou descobrir o que fazer a seguir, mas… quero aprimorar algo que Konohana Hinako não tem. Algo que seja exclusivamente meu.

Ela parecia refletir sobre as possibilidades, ainda sem uma direção clara. Querendo ajudar, comecei a pensar. Além dos estudos… em que Tennouji-san é excepcional?

— Você tem muito carisma, Tennouji-san.

Acabei dizendo a primeira coisa que me veio à cabeça.

— Mas Konohana Hinako também tem.

— Não, é… como posso explicar? É um tipo diferente de carisma.

Tentei organizar meus pensamentos. Mas definitivamente existe uma diferença entre Hinako e Tennouji-san.

— Carisma, talvez.

A diferença entre elas. Eu começava a colocar isso em palavras.

— Acho que você tem um carisma magnético. Tipo… a capacidade de reunir as pessoas, de fazê-las querer seguir sua liderança. Isso provavelmente é algo que Konohana-san não tem.

Hinako não é do tipo que gosta de estar no centro das atenções. Ela provavelmente conseguiria lidar com isso se fosse necessário, mas achava cansativo. Então é aí que Tennouji-san pode superá-la.

Conhecendo a verdadeira natureza de Hinako, tenho certeza disso. Tennouji-san pode até brilhar mais que Hinako quando se trata de se conectar com as pessoas.

— Entendo — Tennouji-san assentiu lentamente. — Carisma… reunir pessoas… Sim, isso parece certo. Essas definitivamente são minhas forças. Mesmo contra Konohana Hinako, não sinto que perderia nisso.

Ao transformar sentimentos vagos em palavras, ela parecia ganhar clareza sobre suas próprias emoções.

— Além disso… se você diz isso, eu ganho ainda mais confiança.

Tennouji-san murmurou isso olhando para mim, seus olhos brilhando de determinação.

— Obrigada, Itsuki-san. Agora consigo ver claramente o que preciso fazer.

Tennouji-san inclinou a cabeça em agradecimento. Não havia mais nenhum traço de hesitação em sua voz.

— Para começar… tentar me tornar a presidente do conselho estudantil não parece uma má ideia, não acha?

— Presidente do conselho estudantil?

— Oh, você não sabia? A eleição do conselho estudantil da Academia Kiou vai acontecer em dois meses. Eu tinha planejado não participar por causa das obrigações da minha família, mas… acabei de decidir que vou me candidatar.

Naquele único momento, ela parecia já ter estruturado um plano concreto. A Academia Kiou já é cheia de alunos extraordinários. Tornar-se presidente do conselho estudantil ali exigiria um esforço fora do comum. Mesmo para Tennouji-san, certamente seria um grande desafio.

— Se houver algo em que eu possa ajudar, é só dizer. Eu estou dentro.

— Ah, com certeza. Quando chegar a hora, vou fazer você se sentir orgulhoso de ter me apoiado, Itsuki-san.

Confiança transbordava em seu olhar. Para corresponder a essa confiança, talvez eu também devesse começar a me esforçar um pouco mais.

— Vamos voltar?

— Sim.

Junto com Tennouji-san, voltei para onde os outros estavam.

— A propósito, Itsuki-san, essas marcas vermelhas nas suas costas… foram da Hirano-san?

— Ah… não, acho que algumas também são da Narika. Ela me bateu agora há pouco por algum motivo.

A expressão de Tennouji-san ficou estranha.

— Eu adoraria escrever meu nome aí, mas como não tenho uma caneta, isso vai ter que servir. Toma!

— Ai!?

Tennouji-san bateu nas minhas costas. Por que isso continua acontecendo…?

*

 

Alguns minutos depois de Itsuki e Mirei terem saído sozinhos em direção à máquina de bebidas. Yuri observava em silêncio enquanto os dois voltavam.

— Trouxemos bebidas.

Itsuki carregava três latas, Mirei duas, totalizando cinco. Uma delas já estava aberta — provavelmente a de Itsuki.

Ah… com certeza aconteceu alguma coisa entre eles.

A distância entre Itsuki e Mirei parecia um pouco menor do que antes. Mirei já havia confidenciado algo a Yuri certa vez. Ela provavelmente tinha conversado com Itsuki sobre aquilo. Pela maneira como estavam agindo, parecia que Mirei tinha recebido a resposta que esperava.

Fingi que não percebi antes, mas parece que ele também ficou sozinho com a Miyakojima-san fazendo alguma coisa… Parece que as duas deram um passo à frente.

Yuri também tinha visto Itsuki e Narika indo em direção às rochas mais cedo. A distância entre aqueles dois também tinha diminuído. Para Yuri, que torcia pelos dois pares, aquilo era um resultado reconfortante.

…Hm?

De repente, Yuri percebeu algo estranho em Hinako, que estava ao seu lado. Hinako, que sempre tinha um sorriso caloroso e amigável… agora mostrava uma expressão levemente amarga.

— O que foi, Konohana-san?

— Ah, não é nada.

Apesar de dizer isso, o rosto de Hinako continuava rígido. Seu olhar estava fixo nos dois à sua frente — Itsuki e Mirei, que pareciam um pouco mais próximos do que antes.

Quase parecia que ela estava se preocupando com o relacionamento entre os dois—

Por que ela está fazendo essa cara…? A Hinako nem gosta do Itsuki desse jeito.

Yuri inclinou a cabeça, confusa.

*

 

Quando percebi, o céu já tinha escurecido. Os dias de verão são longos, então a linha entre o entardecer e a noite ficou meio indefinida. Provavelmente nenhum de nós percebeu quando o crepúsculo passou. Era esse o nível de diversão que estávamos tendo.

Começou a esfriar, então saímos da praia.

Depois de tomar banho e trocar de roupa, nos reunimos novamente e encontramos uma área preparada para churrasco.

— Preparamos um conjunto de churrasco para vocês.

Disse Shizune-san, fazendo uma reverência respeitosa. Uma churrasqueira com grelha, carvão, pinças e uma variedade de carnes e vegetais já estavam prontos. Podíamos começar imediatamente.

— Faz tempo que não faço isso no Japão.

— No Japão?

O comentário de Tennouji-san chamou minha atenção e inclinei a cabeça.

— Em países como os Estados Unidos, onde festas em casa são comuns, churrascos acontecem com frequência. É uma espécie de evento social.

— Entendo…

Essa é uma perspectiva bem global. Mas faz sentido. A influência das ojou-sama aqui não se limita ao Japão. A Hinako provavelmente também tem bastante experiência no exterior.

— A propósito, nesses churrascos… você mesma grelhava a carne?

— Hã? Churrasco não é algo que chefs profissionais fazem?

— Para nós, pessoas comuns, é algo que fazemos nós mesmos.

Não é questão de certo ou errado, mas a resposta dela foi exatamente o tipo de mal-entendido que eu esperava. Tennouji-san começou a se remexer um pouco. Narika teve uma reação parecida.

— Que tal tentarmos fazer nós mesmos desta vez?

— S-Sim! Eu adoraria tentar!

— E-Eu também quero fazer!

Essas ojou-sama estão cheias de curiosidade. Não só Tennouji-san, mas aparentemente Narika também nunca cozinhou.

— Então vamos fazer todos juntos.

Disse Yuri com um sorriso animado. Se Tennouji-san e Narika não têm experiência, Hinako provavelmente também não tem. Mas com a Yuri, que cozinha regularmente para clientes, devemos ficar bem.

— Estaremos por perto. Por favor, chamem se precisarem de alguma coisa.

Shizune-san fez uma reverência e se afastou. Essa praia fica ao lado de um parque onde é permitido acampar, e há uma área com água entre a praia e o parque para lavar utensílios. Levamos primeiro todos os ingredientes para lá.

— Certo, vamos começar lavando os vegetais.

Yuri colocou as mãos na cintura, animando-se. Então uma dúvida me veio à cabeça.

— A propósito… alguma de vocês já cozinhou antes? Churrasco ou qualquer outra coisa…?

As ojou-sama balançaram a cabeça. É, imaginei, murmurei mentalmente. Parece que essas ojou-sama nunca cozinharam na vida.

— Temos um grande desafio pela frente.

Depois de um breve silêncio, Yuri murmurou. Sua gentileza escondia as palavras não ditas: principalmente eu. Talvez eu não tenha experiência com churrasco, mas já fritei ingredientes numa panela barata muitas vezes. Provavelmente devo ajudar ativamente.

Hinako inclinou a cabeça em um pedido de desculpas para Yuri.

— Por favor, nos guie e nos instrua.

— Claro. Churrasco é basicamente cortar e grelhar, então não é nada muito complicado. Eu e o Itsuki ficamos com as facas, e vocês três podem cuidar das preparações mais simples. Especificamente…

Yuri começou a dar instruções rapidamente. Olhando para os ingredientes e para o papel-alumínio que tínhamos trazido, ela continuou:

— Vamos fazer também algumas batatas no papel-alumínio. Vocês podem descascar as batatas ali? Coloquem aqui as que já estiverem lavadas.

— Entendido.

As três ojou-sama — Hinako, Tennouji-san e Narika — pegaram batatas e descascadores. Enquanto elas cuidavam das batatas, Yuri e eu ficamos responsáveis pelos outros vegetais.

— Yuri, rodelas de cebola estão boas?

— Sim. Ah, me passa aqueles cogumelos eryngui.

Entreguei o pacote de cogumelos para Yuri. Era uma marca que eu nunca tinha visto. A embalagem brilhava em dourado.

— Como esperado, nunca cozinhei com ingredientes tão sofisticados — disse Yuri.

— Esses realmente são de outro nível, né? — eu acrescentei.

— Pois é. E a carne? Tudo BMS12.

— BMS…?

— Em termos simples, o nível mais alto possível. Tem até chateaubriand.

Eu só conheço classificações como A5 ou B4, mas aparentemente existem outros padrões também.

Essas cebolas provavelmente também são caras. Diferente dos cogumelos, elas estavam só numa rede, então não dava para ver a marca. Mesmo assim, resolvi manuseá-las com mais cuidado do que o normal.

Primeiro cortei as duas pontas da cebola. Assim fica mais fácil descascar.

— Você é bem habilidoso.

— Faço esse tipo de coisa desde criança. Cozinhar, costurar… tudo isso era minha responsabilidade em casa.

Pensando bem, nunca mostrei para a Yuri como eu cozinho. Durante as sessões de teste de receitas, eu já me ofereci para ajudar algumas vezes, mas Yuri sempre balançava a cabeça, dizendo para eu apenas relaxar.

De certa forma, isso parece até refrescante. Enquanto às vezes me surpreendia com a habilidade das mãos de Yuri, aproveitava o processo de cozinhar.

— Você sempre foi bom em economia doméstica, não foi? Os professores te elogiavam bastante — disse Yuri enquanto abaixava a faca. Lembro vagamente de algo assim.

— Pensando bem, a Academia Kiou não tem aulas de economia doméstica.

— Hm. Imagino que, para ojou-sama, cozinhar e costurar geralmente ficam por conta dos empregados.

— É… quando você coloca assim, não é surpresa que elas não saibam cozinhar.

Terminei de cortar as cebolas em rodelas. Agora… como será que as ojou-sama estão indo? Fui verificar só por garantia.

— Eu entendi! Segura assim!

— Não, o ângulo dessa lâmina… aposto que tem que segurar ao contrário.

Elas ainda não tinham descascado nem uma única batata. Tennouji-san e Narika estavam discutindo sobre como segurar o descascador.

Hinako estava em silêncio, inclinando a cabeça enquanto passava os dedos pelo buraco do cabo e girava o utensílio de um lado para o outro. Ela permanecia quieta para manter sua compostura perfeita de ojou-sama, mas, assim como as outras duas, claramente não fazia ideia de como usá-lo.

— Parece que primeiro precisamos ensinar como usar um descascador.

O jeito como Tennouji-san estava segurando parecia especialmente perigoso.

Olhei para Shizune-san ao longe e ela estava nos observando com uma ansiedade intensa — algo raro para alguém que normalmente mantém uma postura tão elegante. Provavelmente eu levaria uma bronca se isso continuasse, então me apressei até as três.

— Tomonari-san! Quem está certa!?

— Nenhuma de vocês. Segura assim—

Tanto Tennouji-san quanto Narika achavam que estavam certas, e quando ouviram a resposta, ficaram tão abatidas que parecia até dar para ouvir um tum. Ignorei isso.

Expliquei detalhadamente como usar o descascador e como remover os "olhos" da batata.

Para alguém de fora, aquilo poderia parecer uma receita para desastre, mas eu não estava muito preocupado. Essas garotas são ojou-sama da Academia Kiou. Uma vez que aprendam o método correto, suas mentes afiadas se adaptariam rapidamente.

Quando vi Hinako e as outras começando silenciosamente a preparação, voltei para o meu lugar. Já tinha terminado as cebolas, então passei para os cogumelos shiitake, removendo os talos e fazendo cortes na superfície.

Então percebi Yuri me encarando fixamente.

— Estou impressionada… você realmente está acostumado com isso.

— Acostumado? Bem, não tanto quanto você, mas eu já cozinhei algumas vezes—

— Não é disso que estou falando.

Yuri colocou no prato um punhado de cogumelos king oyster cortados em fatias verticais.

— Você está acostumado a ensinar a Ojou-sama. Elas estavam te ouvindo com tanta atenção… Isso acontece com frequência?

Segurando um pimentão, Yuri o lavava sob a água enquanto perguntava.

— A gente já passou por algumas situações bem intensas… então acabei conquistando um pouco da confiança delas.

— Hm. Impressionante… Ser alguém em quem a elite da Academia Kiou confia — Yuri levou cada pimentão à torneira aberta, enxaguando-os um a um. — Eu me pergunto para onde foi aquele Itsuki de quem eu costumava cuidar.

Ela murmurou, com o olhar baixo. Seu perfil parecia um pouco solitário.

*

 

— Certo! A carne está pronta!

A carne, grelhada junto com os legumes, finalmente estava no ponto. Quando me aproximei com um prato, Yuri usou a pinça para servir alguns pedaços.

— Está delicioso!

— Sim! Estranhamente parece ainda mais gostoso!

Entre carnes temperadas apenas com sal e pimenta e outras marinadas em molho, enchíamos a boca com vários tipos diferentes. Até os paladares refinados das Ojou-sama pareciam claramente satisfeitos.

— Valeu a pena todo o esforço que tivemos, não foi?

— Exatamente! É isso mesmo, Konohana-san! Essa é a verdadeira alegria de cozinhar! — Ao ouvir o comentário de Hinako, Yuri, a chef do dia, respondeu com um entusiasmo contagiante. — A comida que você se esforça para fazer já fica deliciosa por si só. Mas quando alguém come e diz que está gostosa… a sensação é ainda melhor.

Yuri explicou isso com paixão. Depois de ouvir isso, Tennouji-san e Narika de repente começaram a grelhar carne e legumes.

— Tomonari-san, a carne está pronta. (Tennouji)

— Itsuki, as cebolas já estão no ponto. (Narika)

Elas colocaram carne e cebolas no meu prato. Para as Ojou-sama, apenas grelhar já deve contar como cozinhar.

— Ah… as duas está muito bom.

As duas Ojou-sama sorriram, radiantes de alegria.

— Os pratos que Hirano-san trouxe também estão deliciosos. (Hinako)

— Obrigada. Valeu a pena usar bons ingredientes do meu trabalho de meio período.

No prato de papel de Hinako não havia apenas carne e legumes do churrasco, mas também alguns pratos que Yuri havia preparado antecipadamente no hotel.

Ela os trouxe caso o churrasco não fosse suficiente — e também porque queria praticar algumas técnicas que aprendeu no trabalho.

— Percebi desta vez que minhas habilidades culinárias ainda têm um longo caminho pela frente… mas tenho confiança no meu paladar. A qualidade dos ingredientes é evidente, claro, mas esse sabor profundo e delicado… só pode ser alcançado com anos de estudo. Dá para sentir a sinceridade da Hirano-san em relação à culinária.

— H-Haha… receber tantos elogios assim é meio constrangedor.

Ser elogiada por alguém tão refinada quanto Tennouji-san devia deixá-la nas nuvens. O rosto de Yuri ficou levemente corado de felicidade.

— Esse hambúrguer está delicioso, mas essa carne aqui também é maravilhosa. Que prato é esse?

— É carne de porco com gengibre. Fico feliz que tenha gostado.

— E esse frito também está ótimo! É tão… apetitoso!

— É croquete de katsu. …As Ojou-sama não costumam comer porco com gengibre ou croquete de katsu?

Pensando bem, esses pratos não aparecem no cardápio do refeitório da Academia Kiou. Talvez as Ojou-sama realmente não conheçam essas chamadas comidas "gourmet de classe B".

— Tomonari-kun, o que você costumava comer na casa da Hirano-san? — Perguntou Hinako, naquele seu modo Ojou-sama. Revirei minhas memórias antes de responder.

— Hm? Acho que… hambúrguer, croquete de katsu e porco com gengibre, provavelmente.

De repente, o clima animado congelou. Tennouji-san olhou para os pratos que Yuri havia trazido e abriu a boca para falar:

— Todos são os pratos favoritos do Tomonari-san, não são?

— Ehh!? N-Não, quer dizer… é só coincidência! Coincidência!! — Yuri se apressou em explicar, completamente atrapalhada. — Q-Quero dizer… não tem o que fazer, né!? O Itsuki era meu provador de comida, então é natural que meus melhores pratos acabassem se inclinando para o gosto dele!

Eu já imaginava que fosse algo assim, mas as Ojou-sama apenas soltaram um "hmmm…" desconfiado, assentindo vagamente.

— Mesmo assim… está realmente delicioso — enquanto provava a comida da Yuri, Shizune-san murmurou, admirada. — Agora entendo por que o restaurante da sua família vai tão bem. Esse sabor é convincente… E a carne do churrasco está incrivelmente macia também. Hirano-sama, você fez algo especial com ela?

— Ah, nessa carne eu injetei suco de maçã usando um injetor de carne. A qualidade dela já era boa, então não foi tanto para amaciar, e sim para dar um toque diferente no sabor.

Enquanto falava, Yuri ergueu uma ferramenta prateada, parecida com uma seringa, para mostrar.

Antes de começarmos a grelhar, Yuri havia explicado rapidamente. Existe uma técnica de deixar a carne de molho em suco de frutas para amaciá-la, mas com aquela espécie de seringa é possível injetar o suco diretamente na carne. Assim ela amacia rapidamente, e até cortes grossos ficam temperados por dentro em pouco tempo.

— Hirano-sama, você está trabalhando meio período em Karuizawa para aprimorar suas habilidades culinárias, correto?

— Isso mesmo, mas…

— Se não se importar… você consideraria trabalhar para nós?

— Hã!?

Os olhos de Yuri se arregalaram, e Shizune-san continuou:

— Você tem aulas durante a semana, então talvez apenas um dia no fim de semana… um único dia por semana já seria suficiente. Se estiver disposta, podemos discutir os detalhes depois.

A proposta repentina deixou Yuri completamente paralisada. Com um rangido, como se o pescoço estivesse enferrujado, ela virou lentamente para me olhar.

— I-Itsuki… o que eu faço…?

— Não me pergunta…

Para mim aquilo também tinha surgido do nada. Enquanto nós dois ficávamos ali, atônitos, Shizune-san voltou a falar.

— Não precisa se sentir pressionada. Do nosso ponto de vista, Hirano-sama possui algo como uma vantagem sobre nós, então considere isto uma forma de garantir sua discrição.

— Vantagem… ah, você quer dizer o Itsuki.

Ela se referia ao fato de que eu estava estudando na Academia Kiou usando uma identidade falsa. Agora entendi o que Shizune-san estava pensando. O interesse dela em contratar Yuri como chef provavelmente era genuíno. Mas, além disso, ela também queria manter Yuri — que conhece meu segredo — perto da família Konohana.

Pode soar um pouco cruel, mas ela queria manter Yuri sob controle. Preferia tê-la em um lugar onde pudesse observá-la.

— Eu preciso pensar no restaurante da minha família, então preciso de um pouco de tempo.

— Entendido. Ficarei aguardando sua resposta.

Shizune-san assentiu diante da resposta séria de Yuri. O restaurante da família dela já deve exigir bastante tempo. Haverá muito a discutir. Ainda assim, para Yuri — que é apaixonada por aprimorar suas habilidades culinárias — essa proposta deve ser extremamente tentadora. Seus olhos brilhavam de ambição.

Continuamos comendo, acabando tanto com o churrasco quanto com os pratos que Yuri havia preparado.

— Ufa… estou cheia — Tennouji-san esfregou o estômago, satisfeita.

— Então vamos encerrar com isto aqui! — dizendo isso, Yuri puxou da mochila um saco grande e achatado. Dentro havia vários objetos longos e cilíndricos.

Um conjunto de fogos de artifício. …Quando foi que ela preparou isso?

— Hirano-san… o que são essas coisas…? (Hinako)

— Ah, vocês não sabem? São fogos de artifício!

— Fogos de artifício… daqueles que são lançados no céu, certo? Coisas tão pequenas assim conseguem fazer aquilo? (Tennouji)

Hinako e Tennouji-san pareciam confusas. Entendi. Parece que as Ojou-sama só conhecem os grandes fogos lançados para o alto.

— Estes são do tipo que você segura na mão… apenas observem.

Yuri acendeu a ponta de um fogo de artifício com um palito já aceso. Depois de alguns instantes, faíscas amarelas começaram a saltar.

— E-Está pegando fogo!? Água! Alguém traga água!!

— Calma. É assim mesmo que se usa.

Yuri tranquilizou Tennouji-san, que estava entrando em pânico. Quando as Ojou-sama entenderam que fogos de artifício de mão são feitos justamente para isso, passaram a observar em silêncio as faíscas crepitando e se espalhando.

— São lindos, não são?

— De fato.

Para as Ojou-sama, o charme desses fogos de mão parecia ser uma experiência totalmente nova. Pensando bem, quando eu era criança, meus olhos provavelmente brilhavam exatamente como os delas agora.

— Narika, você já conhecia esse tipo de fogo de artifício?

— Sim. No verão, a loja de doces onde eu costumo ir às vezes vende alguns. Mas é a primeira vez que vejo um aceso. …As cores são tão vivas… é meio divertido.

Narika também estava completamente encantada pelos fogos de artifício.

— Existem vários tipos diferentes, então vamos nos divertir bastante!

Yuri começou a apresentar outros tipos de fogos. Enquanto todos brincávamos juntos assim, parecia que a parede invisível entre pessoas comuns e a elite se dissolvia na escuridão da noite. Hinako e as outras, tão curiosas com os fogos de mão, me lembravam exatamente de mim e da Yuri quando éramos crianças.

Mesmo que venhamos de mundos diferentes, esse momento compartilhado é a prova de que podemos sentir as mesmas emoções.

— Pessoal, preparei bebidas.

Justo quando começávamos a nos cansar de brincar, Shizune-san nos chamou.

— Ótimo momento, eu estava começando a ficar com sede.

— Eu também. Acho que até inhalei um pouco de fumaça.

Restavam apenas alguns fogos. Depois que usarmos todos, voltaremos para Karuizawa. Mesmo sabendo que o dia precisa terminar, queremos prolongá-lo o máximo possível. Queremos aproveitar cada instante de hoje e gravá-lo em nossos corações. Eu entendo esse sentimento.

Especialmente para as ojou-sama, que vivem sempre ocupadas. Dias como este, em que podem simplesmente se divertir, devem ser raros. A primeira vez delas em uma praia pública, a primeira vez grelhando carne por conta própria, os primeiros fogos de artifício de mão. Hoje deve ter sido uma experiência maravilhosa para elas.

— Ufa… — Hinako, que estava ao meu lado, soltou um suspiro lento. Olhei ao redor para ter certeza de que não havia ninguém por perto e falei com a verdadeira Hinako.

— Hinako, você está cansada, né?

— Um pouco.

Hinako realmente parecia exausta, mas também satisfeita. Para ela, parte do cansaço vem de manter sua atuação, mas hoje provavelmente é só por ter brincado tanto. Afinal, passamos o dia inteiro em atividade. Não é só Hinako — eu também estou esgotado.

Olhei ao redor mais uma vez. Todos os outros tinham ido pegar bebidas. Agora ninguém estava nos observando.

— Quer descansar um pouco aqui?

— Mm.

Hinako e eu nos agachamos na areia.

— Eu também queria fazer algo para o Itsuki comer.

Hinako disse com tristeza. Ela não pode fazer o que quer enquanto está atuando. Senti pena dela, carregando esse peso.

— Então que tal fazer algo para mim quando voltarmos para casa?

— Mm. Vou fazer. Pode esperar.

Hinako respondeu alegremente. Mesmo que seja apenas macarrão instantâneo, se Hinako fizer, já ficarei feliz.

— Você gostou dos fogos de artifício?

— Mm. Gostei — Hinako assentiu com brilho nos olhos. — Você já brincou com fogos assim, Itsuki?

— Já, mas não muitas vezes. Eu não tinha muito tempo para brincar, e o dinheiro também era curto.

Então, para mim também, fogos de artifício são um tipo de diversão rara. Agora que penso nisso, eles são tão coloridos quanto eu lembrava.

— Mas já brinquei bastante com estrelinhas.

— Estrelinhas…?

— Sim, espera um pouco, vou pegar algumas.

Peguei algumas estrelinhas da bolsa de fogos que Yuri trouxe. Voltei para Hinako e acendi uma imediatamente.

— Você queima a ponta assim… e depois segura levemente apontando para baixo.

Por um breve momento, a chama floresceu como uma pequena flor. Então se curvou para dentro, formando uma esfera alaranjada. Daquela pequena esfera tremulante, faíscas começaram a se espalhar sem parar.

— Oooh…

— Bonito, não é?

— Mm. Parece um pouco diferente dos fogos de antes. …Quero tentar também.

— Já imaginei que você diria isso, então trouxe várias. Eu acendo para você.

Não confio muito em deixar Hinako lidar com o fogo agora, então acendi para ela.

— Ooooh…

Hinako observava a estrelinha com os olhos brilhando.

— Por que você fez isso tantas vezes, Itsuki?

— Bem, elas são baratas.

Respondi hesitante, sem querer estragar o clima. Mas Hinako não pareceu se incomodar.

— Estrelinhas são baratas e duram mais do que outros fogos. Acho que foi por isso que meus pais as compravam para mim. …Naquela época, eram uma das poucas coisas divertidas que eu tinha, então eu usava uma por dia, com calma. Tentava fazê-las durar o máximo possível ou sacudia para deformar o formato. …Pensando bem, estrelinhas são minhas favoritas.

Aliás, a família Tomonari uma vez tentou usar estrelinhas como substituto para velas. Não deu certo e ficamos todos decepcionados. Se tivesse funcionado, poderíamos ter economizado um pouco com comida.

Acho que essa é apenas uma das memórias ligadas a elas. Olhar para aquela pequena esfera de fogo estalando traz de volta lembranças boas e ruins. Comparado com aquela época, minha vida agora é inegavelmente melhor. Não quero voltar ao passado nem um pouco. Mas, mesmo assim, parece que sinto um pouco de nostalgia. Quero aceitar esse sentimento. Mesmo que o passado não tenha sido tão bom.

— Algo… que você tem apego, Itsuki? — Hinako perguntou enquanto observava a estrelinha.

— Sim, acho que sim.

Talvez seja uma das poucas coisas pelas quais eu realmente sinto apego — é isso que conclui.

— Então… eu também…

Hinako murmurou enquanto olhava para sua própria estrelinha. Seu rosto bonito, iluminado pelo brilho alaranjado, virou lentamente em minha direção. Ela sorriu.

— Eu também… gosto mais dessas.

Hinako disse suavemente. De alguma forma, aquele rosto parecia mais bonito do que nunca.

O som das ondas e o estalo das faíscas de repente pareciam distantes. Tudo que eu conseguia ver era o sorriso gentil e efêmero de Hinako, iluminado pela luz tremulante.

Meu coração continuava batendo normalmente. Mas minha mente estava completamente confusa. Eu queria continuar olhando para aquele rosto para sempre. A nostalgia em que eu estava imerso começou a se transformar em algo mais calmo… mais quente.

— Vooocês dooois! As bebidas vão esqueeentar!!

A voz alta de Tennouji-san me puxou de volta à realidade. Hinako parecia já ter se recuperado. Eu também estava com sede, então era melhor irmos até os outros.

— Vamos.

— Mm. …Me carrega.

— Alguém pode ver, então não agora.

— Tch…

Dei um sorriso torto para Hinako, que sempre procurava uma chance de ser mimada. Com o clima daquele momento, eu quase cedi.

Começamos a caminhar juntos. No caminho, quase instintivamente, protegi minhas costas com as duas mãos.

— Itsuki?

— Ah, é que hoje me deram alguns tapas nas minhas costas. Não faço ideia do motivo, mas o lugar onde a Yuri bateu também levou um tapa da Narika e da Tennouji-san…

— Hmm…

Aconteceu tantas vezes seguidas que acabei protegendo as costas por reflexo. Hinako pareceu pensar por um momento, então perguntou:

— O traje de banho que você usou hoje, onde comprou?

— Acho que foi numa loja do Grupo Konohana…

Lembrei da loja onde paramos antes de ir para a praia.

— Onde você costuma morar, Itsuki?

— Na propriedade da família Konohana.

— Ao lado de quem você costuma trabalhar?

— Ao seu lado, é claro.

Sem entender muito bem onde ela queria chegar, respondi, e Hinako assentiu satisfeita.

— Vitória total da minha parte… não há com o que se preocupar.

— ?

Eu não entendi direito, mas parece que Hinako não tem intenção de bater nas minhas costas. Bem, as outras três também não bateram tão forte, então não é grande coisa. …Embora o da Narika tenha doído um pouco.

— Itsuki… o que você acha da Hirano-san? — Hinako perguntou de repente.

— O que eu acho? Ela é só minha amiga de infância, nada mais.

Ao ouvir minha resposta, Hinako fez uma expressão estranha. Não parecia que ela tinha ficado insatisfeita com a resposta — era mais como se estivesse frustrada, como se sua pergunta desajeitada não tivesse conseguido expressar o que ela realmente queria saber.

— Você quer encontrar seus antigos amigos, Itsuki? — Hinako perguntou novamente. Desta vez, a pergunta pareceu um pouco diferente.

— Sim, acho que sim. Seria bom vê-los de vez em quando.

— Entendi.

Desta vez satisfeita, Hinako ficou em silêncio. Quando nos aproximamos dos outros, Hinako voltou ao seu modo de ojou-sama. Observando-a endireitar a postura, inclinei a cabeça.

Qual foi o objetivo daquelas perguntas?

*

 

Yuri tomou um gole da bebida em seu copo. Aparentemente era um isotônico caseiro. O aroma refrescante de cítrico e o sabor levemente doce se destacavam.

A bebida, preparada pela empregada da família Konohana, Shizune, estava servida em um copo que parecia caro. A escolha de evitar opções casuais como garrafas plásticas ou copos descartáveis revelava a elegância refinada típica da elite.

— Hm? Onde estão o Itsuki e a Konohana-san?

Depois de matar a sede, Yuri percebeu que Itsuki e Hinako não estavam por perto.

— Agora que você falou....

— Vou ver onde eles estão.

Yuri pegou dois copos e saiu para procurá-los. Quando começaram os fogos, ainda não estava tão escuro, mas agora a noite tinha se aprofundado tanto que ela mal conseguia enxergar alguns metros à frente. Por coincidência, a lua estava escondida atrás das nuvens.

Mesmo assim, encontrar Itsuki e Hinako foi fácil. O brilho dos fogos guiou Yuri até eles.

Os rostos dos dois estavam iluminados pela luz de uma estrelinha. Eles ainda não tinham percebido a aproximação dela. Enquanto os dois estavam iluminados pela luz, Yuri estava envolta na escuridão da noite. Provavelmente eles não conseguiriam vê-la dali.

Yuri começou a levar as bebidas até eles, mas parou quando viu seus rostos de perfil.

…Ah.

A expressão de Hinako, banhada pela luz da estrelinha, estava mais calma do que Yuri jamais tinha visto. Não era apenas sua habitual simpatia amigável. Havia ternura, alegria, uma tranquilidade serena como se estivesse meio adormecida… Mesmo não conhecendo Hinako há tanto tempo, Yuri percebeu imediatamente que aquela era uma expressão especial.

Naquele momento, Yuri entendeu.

Entendi… então a Konohana-san também se sente assim.

Yuri percebeu a verdadeira natureza dos sentimentos que Hinako guardava. Ela então virou os pés na direção oposta de onde estava indo. Provavelmente era melhor não se aproximar deles agora. Foi o que pensou.

— Hm?

De repente, Yuri percebeu que seus passos pareciam pesados. A brisa do mar parecia mais fria do que antes. A sensação pegajosa em sua pele era estranhamente desagradável. Itsuki certamente tem qualidades suficientes para agradar o sexo oposto. Mas ser amado assim — receber sentimentos tão fortes — Yuri nunca tinha imaginado.

O que é isso… esse sentimento?

Uma inquietação turva começou a crescer dentro dela.

O Itsuki que Yuri conhece é um garoto com um ar meio desajeitado, alguém que fica muito nervoso ao conversar com garotas. Até o corpo dele é diferente — não era tão robusto assim. Pensando bem, até a postura mudou; antes, não mantinha as costas tão eretas.

Apenas alguns dias atrás, quando ela levou comida caseira para o quarto dele, Yuri achou que nada havia mudado. Mas, quanto mais tempo passavam juntos, mais percebia que isso não era verdade. Aquele que ela conhecia e o que agora está diante dela não se encaixam. O Itsuki de agora parece quase não ter mais defeitos que ela possa apontar—

— Não pode ser.

Isso não pode estar certo. O Itsuki em sua mente e o Itsuki da realidade — ela força as duas imagens a se sobreporem. Itsuki é um cara gentil, do tipo que acaba sendo querido por todo mundo. Mas ele tem que ter alguns defeitos.

Se não tiver…

Então eu—

Então a razão de existir de Hirano Yuri—

 



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