Volume 3
Conto Curto Exclusivo do E-book: A Derrota de Konohana Hinako
— VOCÊ QUER VENCER a Narika?
— Mm.
Alguns dias haviam se passado desde o fim do festival esportivo. Numa tarde preguiçosa de fim de semana, inclinei a cabeça diante do murmúrio repentino da Hinako.
— Não me diga que você ainda está remoendo aquela derrota para ela no tênis?
Quando perguntei, Hinako assentiu.
— A Narika é uma adversária difícil, sabia?
— Eu sei disso… mas mesmo assim, eu quero vencer.
Hinako respondeu enquanto estava largada na minha cama. Ao vê-la daquele jeito, Shizune-san, que estava parada discretamente no canto do quarto, fez uma expressão impressionada.
— É raro ver a Ojou-sama tão tomada por espírito competitivo.
— Sério?
Quando perguntei, Shizune-san assentiu.
— As notas da Ojou-sama são excelentes em geral, mas isso é apenas porque ela segue as expectativas da família Konohana. É raro vê-la demonstrar ambição genuína.
De fato, a verdadeira natureza da Hinako, como qualquer um pode notar, é bem relaxada. Talvez essa situação fosse mesmo algo incomum.
— Aconteceu alguma coisa para provocar essa mudança de atitude?
— Bem, eu tenho meus palpites.
Shizune-san lançou um olhar direto, quase acusatório, na minha direção. Por que ela está me encarando assim…? Eu realmente não faço ideia.
Sendo honesto, para a Hinako vencer a Narika, seria necessário um treino intenso — e mesmo assim, seria difícil. Mas, com a Hinako sempre era ocupada com compromissos familiares, mal tinha tempo para praticar.
Se houvesse alguma chance de vitória, teria que ser em um esporte em que a Narika fosse ruim.
A Narika sequer tem algum esporte em que ela seja ruim?
Vou ter que perguntar da próxima vez que a encontrar.
*
No dia seguinte. Não perdi tempo e fui falar com a Narika na academia.
— Então, Narika… tem algum esporte em que você seja ruim?
— Não entendi bem por que você está perguntando, mas… acho que tem um.
A resposta fez meus olhos se arregalarem. Eu até perguntei, mas não esperava que ela realmente tivesse algum. Sempre achei que a Narika fosse uma espécie de prodígio esportivo completo.
— Qual?
— Queimada.
— Queimada? Mas esse é um esporte bem simples.
Nunca levei a queimada a sério a ponto de chamá-la de esporte de verdade. A última vez que joguei deve ter sido em algum torneio de educação física no ensino fundamental. Quando criança, a gente jogava bastante. É um jogo em que dois times arremessam uma bola — mais ou menos do tamanho de uma de vôlei — um no outro.
Pensando agora, a queimada é surpreendentemente bem estruturada. Se alguém do campo externo elimina um jogador do campo interno, pode voltar para o jogo. Existe até uma versão chamada queimada americana, sem campo externo… Quando criança, eu nunca pensava nas regras, só jogava por diversão, mas hoje dá para ver que essa diversão simples vem de um conjunto sólido de regras.
— Na queimada, você tem que acertar o outro time com a bola, certo? Eu… não gosto de ver as pessoas fazendo cara de dor quando são atingidas.
— Entendo.
Isso fazia todo sentido. Parando para pensar, ela está certa. Levar uma bolada dói. É literalmente um esporte em que você apanha de uma bola.
Além disso, a Narika tem habilidades físicas absurdas, mesmo do ponto de vista de um cara como eu. Provavelmente ela hesitaria em arremessar uma bola com força total em uma garota de aparência delicada, ainda mais quando vê a expressão de dor depois. A expressão amarga no rosto da Narika dizia tudo.
— Narika, é que a Hinako-san disse que quer te desafiar de novo—
Expliquei rapidamente a situação para a Narika. Ela assentiu, murmurando:
— Hmm, entendi.
— Mas a queimada é um esporte de equipe. Seria complicado jogar só nós três, como fizemos no tênis.
— Ah… é verdade.
Uma partida de queimada um contra um seria só uma espécie de pega-pega agressivo com bola. Além disso, a Hinako também não é fraca fisicamente. Provavelmente a partida se arrastaria sem um vencedor claro.
Acho que vou ter que pensar em outra coisa. Ou foi o que eu pensei—
*
— A aula de hoje será de queimada.
Na quarta aula, durante a educação física. O professor anunciou isso segurando uma bola com uma das mãos.
Parece que até a Academia Kiou inclui queimada no currículo. Os alunos se dividiram em times masculino e feminino e entraram na quadra. Hinako e Narika, como se fosse algo combinado em silêncio, ficaram em times opostos, frente a frente.
Hinako contra Narika — a tensão entre as duas devia ser visível, porque os outros alunos começaram a observar com atenção. E então, a partida começou.
— Hah!
— Mmgh, bom arremesso.
Narika pegou a bola que Hinako lançou.
— Agora é minha vez.
Narika arremessou a bola de volta, mas Hinako desviou com movimentos ágeis.
— Já entendi seus movimentos.
— Hmph, eu nem mostrei minhas verdadeiras habilidades ainda.
Hinako sorriu com confiança, enquanto Narika respondeu com um sorriso ousado. A troca intensa entre as duas deixou os outros alunos boquiabertos.
…Isso já está parecendo uma cena de mangá de batalha.
Desde quando este lugar virou um mundo de shonen manga?
— Ai!?
Nesse momento, um pequeno grito veio de outra quadra. Olhei naquela direção e vi a Asahi-san sentada na beira da quadra, esfregando a bochecha com dor. Parece que uma bola tinha acertado o rosto dela. Como eu estava por perto, corri até ela.
— Asahi-san, você está bem?
— Ah, sim, estou bem, mas…
Ela sorriu enquanto falava, mas um fio de sangue escorria do nariz.
— Ops… sangramento nasal.
— Vamos te levar até a enfermaria.
Olhei para o professor ali perto, que assentiu em concordância. Parecia a decisão certa, então segurei a mão da Asahi-san e a ajudei a se levantar.
— Tomonari-kun, você é tão gentil.
— É só o normal.
— Conseguir dizer isso é o que te torna realmente gentil. …Obrigada.
Para alguém tão cheia de energia quanto a Asahi-san, aquela gratidão suave, quase tímida, era rara. Era estranhamente adorável, e eu acabei desviando o olhar.
— Hã? Espera aí—Tomonari-kun, você está corando?
— Não estou corando.
— Mentira! Você desviou o olhar agora há pouco! Vai, admite!
Asahi-san cutucou meu lado. Ela é próxima de todo mundo, mas… eu queria que ela tivesse um pouco mais de noção de espaço pessoal em momentos assim. Quando chega tão perto, qualquer cara saudável — eu incluso — ficaria sem jeito.
Conduzi a Asahi-san até a enfermaria. No caminho, senti um olhar afiado cravado nas minhas costas. Curioso, olhei para trás—
— Eek!
Hinako e Narika estavam me encarando com olhos frios de gelar a espinha.
Por quê…?
*
Mais tarde, durante o intervalo do almoço.
— Hã? Empate?
— Mm.
Quando levei a Asahi-san à enfermaria e voltei para o ginásio, a partida entre Hinako e Narika já tinha terminado. Ao perguntar o resultado, disseram que havia sido um empate.
— A verdadeira vencedora… foi a Asahi-san.
Inclinei a cabeça diante da Hinako, que disse isso com uma expressão claramente insatisfeita.
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