Volume 3
Capítulo 1: O Festival Esportivo e a Melancolia de Narika
— DAQUI A TRÊS semanas, teremos o festival esportivo.
Foi assim que Fukushima-sensei, a professora responsável pela nossa turma do 1º A, anunciou a novidade para nós.
— Consultem o livreto à sua frente para ver os detalhes de cada modalidade. Todos são obrigados a participar, então escolham em quais provas irão competir e entreguem a inscrição até o fim desta semana.
Enquanto ouvia a professora, folheei o livreto. Isso… é um evento bem elaborado, não é?
Mesmo depois de a primeira aula começar, minha mente continuava ocupada com pensamentos sobre o festival esportivo. E então chegou a hora do almoço. Como de costume, eu estava comendo meu bentô com a Hinako no terraço do antigo prédio do conselho estudantil.
— Festival esportivo, hein… — murmurei enquanto comia uma fatia grossa de tamagoyaki.
— A escola onde você estudava antes, Itsuki… também tinha algo assim…?
— Tinha, sim, mas não nessa escala.
Peguei um pedaço de pato defumado com os hashis e levei até a boca da Hinako.
— Mmm… Delicioso.
Hinako abriu um sorriso suave e adorável. O cozinheiro provavelmente ficaria muito feliz em ouvir isso.
Como eu queria conversar sobre várias coisas com a Hinako, trouxe o livreto do festival comigo. Folheei as páginas, que fizeram um leve ruído ao se espalharem pelo chão.
— Eu já achava que o campus da academia era enorme, mas, para o festival esportivo, eles vão dividir as provas em vários locais diferentes… Golfe, hipismo, até patinação?
Ou seja, há um campo de golfe, um haras e uma pista de patinação. E, surpreendentemente, esses locais não são alugados — todos pertencem à própria academia.
Quanto terreno essa escola tem, afinal…?
— Itsuki, algo um pouco doce agora…
— Certo, certo.
Provei antes, só para conferir. O kinshi tamago e a abóbora estavam doces e saborosos, mas os feijões pretos cozidos em calda eram especialmente bons. Peguei um feijão com os hashis e levei até a boca da Hinako.
— Mmf… Muito bom.
— Você não consegue comer os feijões sozinha?
— De jeito nenhum…
Dar comida a ela feijão por feijão vai levar uma eternidade. Enquanto pensava nisso, notei uma colher colocada na lateral do obentô. Já que está aqui, melhor usar.
— Eu acho… que você não precisa se preocupar tanto, Itsuki.
Hinako disse isso enquanto mastigava uma colherada de feijões.
— Como assim?
— O festival esportivo é bem tranquilo… muita gente leva na boa.
É mesmo? Agora que ela mencionou, o livreto realmente passa uma sensação descontraída. O festival não afeta as notas. Parece que o foco é mais a diversão do que os resultados.
Isso me deixou um pouco mais aliviado. Provavelmente o clima da academia não vai mudar tanto só por causa do festival.
— Então você também vai só participar por participar, Hinako?
— Eu adoraria… mas preciso ficar em primeiro lugar.
Suas palavras me fizeram arregalar os olhos.
— Ordem da Kagen-san?
— Aham… Aff, que saco…
Hinako se jogou para frente, completamente desanimada. Mesmo sendo um evento casual, mirar o primeiro lugar não parece nada fácil.
— Aliás, como foi da última vez?
— Eu ganhei… Foi exaustivo.
Fiquei boquiaberto ao ouvir isso enquanto Hinako comia kinshi tamago com toda a naturalidade do mundo. Às vezes eu esqueço, mas a Hinako realmente é uma prodígio. Mesmo entre a elite reunida nessa academia, as habilidades dela se destacam.
As ordens da Kagen-san não são totalmente sem sentido, eu acho…
Com um talento desses, seria um desperdício não aproveitá-lo. Dá para entender esse tipo de sentimento parental. Mesmo assim, eu fico do lado da Hinako. Vou fazer o que puder para aliviar o fardo dela.
— Em qual modalidade você vai participar, Hinako?
— A mesma do ano passado: tênis… É popular, e vencer chama bastante atenção.
De fato, comparado a golfe ou patinação, o tênis deve ter bem mais participantes.
— Então talvez eu participe do tênis também.
— Você sabe jogar?
— Já brinquei um pouco com um amigo, antigamente.
Uma certa amiga de infância me convidava para jogar às vezes. Ela fazia parte do clube de tênis, então, depois da aula, eu acabava sendo arrastado para treinar com ela de vez em quando.
Ainda consigo lembrar daqueles fins de tarde, rebatendo a bola preguiçosamente em um parque tingido pela luz do entardecer. Dá uma certa nostalgia.
O parque era pequeno, então mal dava para correr, e a bola sempre se perdia no meio dos arbustos, o que era um saco. Se eu fosse fazer algo assim com a Hinako e os outros hoje, provavelmente seria em alguma instalação enorme e impecável. É conveniente, sem dúvida, e o antigo eu teria ficado com inveja — mas não consigo evitar sentir uma pontada de nostalgia ao perceber o quanto minha vida cotidiana mudou.
Nesse momento, ouvi um zumbido.
— Hinako, seu celular está tocando.
— Ah, é mesmo.
Hinako tirou o smartphone do bolso da saia. Ao atender, colocou imediatamente no viva-voz.
— Ojou-sama, posso tomar um momento do seu tempo?
— Uhum.
Hinako assentiu levemente. Parecia ser a Shizune-san.
— É sobre o festival esportivo que se aproxima. Como de costume, planejávamos contratar um treinador de tênis, mas a pessoa que tínhamos em mente torceu o tornozelo recentemente e não poderá comparecer. Estamos procurando um substituto, mas, dependendo da situação, talvez seja melhor mudar de modalidade.
Que notícia oportuna… e nada boa.
— E se eu… não participasse, talvez…?
— Absolutamente não.
— Aff…
— O festival esportivo é uma oportunidade perfeita para demonstrar que a senhorita se destaca tanto nos estudos quanto no atletismo. Nem mesmo Kagen-sama irá ceder quanto a isso.
Mesmo que o festival não afete as notas, ainda é um grande evento. Vencer consolidaria a imagem da Hinako como a Ojou-sama perfeita.
— Além disso, é bom para a senhorita se manter ativa. Ultimamente, com todas as refeições que tem feito com o Itsuki-san, parece que ganhou um pouquinho de—
— O quê…!?
Hinako soltou um som estranho de repente. Por causa disso, não consegui ouvir o resto do que a Shizune-san disse… Do que ela estava falando? Com o rosto vermelho como um tomate, Hinako pegou o celular e se afastou de mim.
— Ojou-sama?
— O-Itsuki está aqui, então… não diga esse tipo de coisa…!
— Entendo. Isso só reforça a necessidade de se exercitar, então.
— Ngh… Mmph…
O rosto da Hinako se contorceu numa expressão absurdamente complicada.
— Itsuki-san, está aí?
Shizune-san me chamou. Hinako me entregou o telefone.
— Estou sim.
— Em qual modalidade o senhor pretende participar no festival esportivo, Itsuki-san?
— Estou pensando em acompanhar a escolha da Hinako, mas…
— Entendido. No seu caso, apenas tome cuidado para não exagerar e cometer erros.
— Certo. Vou ter cuidado.
Lembrei do que aconteceu no mês passado. Minha verdadeira identidade acabou sendo exposta para a Tennouji-san. O festival esportivo terá muitos alunos participando. Se eu fizer algo errado na frente de todos, isso pode causar problemas para a família Konohana… para a Hinako.
— Dito isso, o senhor é bastante atlético, Itsuki-san, então a maioria das modalidades comuns não deve ser um problema. No entanto, eu recomendaria evitar provas como hipismo.
Nem precisa dizer — já estou totalmente decidido a evitar isso. Tenho um pouco de curiosidade, mas não é algo para se tentar num festival esportivo.
Depois de encerrar a ligação, devolvi o celular à Hinako.
— Então, Hinako, qual é o plano?
Eu quis dizer isso como uma pergunta para confirmar nossa estratégia — as modalidades, o treinador de tênis, essas coisas — mas, por algum motivo, Hinako estava tocando nervosamente a própria barriga.
Beliscando a lateral do corpo, ela começou a suar frio.
— Itsuki.
— Hm?
— Ultimamente… como eu estou? — Não entendi muito bem o que ela queria dizer. Inclinei a cabeça. — Tipo… eu fiquei… um pouco mais cheinha, talvez?
Cheinha… Ah, ela estava falando da silhueta.
— Agora que você falou, talvez tenha ganhado um pouquinho de peso.
— !
Mas a Hinako sempre foi bem magra, então um pouco a mais não deveria ser problema… ou foi o que pensei. O rosto dela, porém, caiu em puro desespero.
— Eu vou vencer.
Hinako cerrou os punhos e declarou.
— Eu… eu vou vencer…!!
— O-Okay.
Não consegui acompanhar essa explosão repentina de motivação, mas acho que é bom vê-la animada.
*
Depois do almoço, limpamos as marmitas e voltamos para o prédio da escola.
— Espera, Hinako. Tem um grão de arroz no seu rosto.
— Mmm…
Limpei a boca dela com um lenço. Quase deixei uma manchinha estragar a imagem perfeita de Ojou-sama da Hinako. Com isso resolvido, seguimos em direção ao prédio.
A grande questão agora é qual modalidade escolher. Se a Hinako quer vencer, o melhor é continuar no tênis, que ela já conhece…
E, nesse caso, eu também participaria do tênis. A Shizune-san mencionou o problema com o treinador, o que é preocupante, mas eu preferiria ficar com uma modalidade familiar. Espero que consigam encontrar um substituto.
— I-Itsuki…!!
Alguém me chamou enquanto caminhávamos pelo corredor coberto. Virei-me para trás e vi—
— Narika?
Uma garota de cabelos longos e negros, presos em um rabo de cavalo — Narika — se aproximou de mim.
— O que houve? Você parece tão agitada.
— Itsuki, você já ouviu falar do festival esportivo?
— Só o que a Fukushima-sensei comentou na aula hoje de manhã…
Quando respondi, os olhos da Narika se encheram de lágrimas, e ela segurou meus ombros com força.

— Por favor, Itsuki! — Me ajuda!!
*
— Você está com medo do festival esportivo?
Repito as palavras de Narika em forma de pergunta. É algo estranho de ouvir. Narika, cuja habilidade atlética talvez até supere a de Hinako — não, sem dúvida ela é a melhor da Academia Kiou — dizendo que tem medo do festival esportivo?
— Miyakojima-san, eu achava que você fosse boa em esportes.
— B-Bem, sim, isso é verdade, mas…!
Hinako expressa a mesma confusão que eu sinto. Narika assente, com uma expressão tensa.
— Nós já passamos tempo juntas em chás da tarde e sessões de estudo, então não precisa ficar tão nervosa, certo?
— N-Não, eu tenho certeza de que isso é justificável! Normalmente, qualquer um ficaria nervoso perto da Konohana-san!
Bem… ela não está errada. Como eu conheço a verdadeira Hinako, não fico nervoso perto dela.
— Vamos voltar ao assunto — Narika pigarreia de forma exagerada. — No ano passado, eu participei da modalidade de kendo no festival esportivo.
Kendo, hein. Então, com certeza—
— Você venceu, não foi? Você é ótima em artes marciais, Narika.
— Sim, eu venci.
Era algo de que ela deveria se orgulhar, mas, por algum motivo, a resposta de Narika soava hesitante.
Vinda de uma família que administra o maior fabricante de equipamentos esportivos do país, Narika esteve imersa no mundo dos esportes desde a infância. Ela é especialmente talentosa em artes marciais.
Sua família também possui um dojo, e Narika foi treinada rigorosamente em várias modalidades desde pequena. Não havia como ela perder para alguém da mesma idade.
— Eu venci, mas… houve um problema.
Narika abaixa o olhar enquanto fala.
— Eu venci de forma espetacular demais, e isso acabou assustando todo mundo. …Olhando agora, talvez tenha sido esse o momento em que me tornei uma solitária.
Então foi isso que aconteceu… Não é de se admirar que ela esteja tão abatida apesar de uma conquista tão brilhante.
— Bom, eu meio que duvido que esse seja o verdadeiro motivo. Você sempre foi meio solitária, Narika.
— I-I-I-Isso não é verdade! Quer dizer, eu devo ter tido um ou dois amigos no passado… talvez…!
Esse é exatamente o tipo de frase que alguém usa quando nunca teve nenhum.
— E-Enfim, aquela experiência foi traumática para mim! É por isso que tenho medo do festival esportivo… Eu só queria me divertir com todo mundo, então como isso acabou assim…?!
Narika segura a própria cabeça. Ela está claramente em sofrimento.
Mas quando ela diz "me ajude", o que eu deveria fazer…? O que eu posso fazer por ela, afinal?
— Para começar, por que você não participa de algo além de kendo este ano?
— Não dá. Eu fiquei presa ao kendo de novo este ano. Foi decidido por unanimidade na sala hoje de manhã. …Bom, unanimidade tirando eu.
Parece que ela cedeu à pressão dos colegas. Então essa é a raiz do problema da Narika… Ao ouvir como ela acabou cedendo, começo a ligar os pontos. Narika não tem muitas pessoas que realmente a compreendam. Por isso, situações como essa continuam surgindo.
Se estivéssemos na mesma sala, talvez eu pudesse apoiá-la melhor, mas isso não é suficiente. Pensando em avançar de série ou seguir para o ensino superior, ela precisa construir conexões além de nós.
— Tudo bem.
Já faz algum tempo que sei que Narika está passando por dificuldades. Três meses se passaram desde que comecei a trabalhar como cuidador da Hinako. Agora tenho um pouco mais de margem — e quero ajudar a Narika.
— Narika, vamos trabalhar para que você faça alguns amigos antes do festival esportivo. Eu vou te ajudar.
— S-Sério!?
Assenti, confirmando com um "sim", enquanto os olhos de Narika se arregalavam.
— Em troca, você poderia treinar a Konohana-san e a mim no tênis?
Narika piscou, pega de surpresa pela minha proposta.
*
Depois da aula, contei imediatamente à Shizune-san sobre a ideia de ter Narika como nossa treinadora de tênis.
— Entendo. É uma boa ideia.
Shizune-san aceitou prontamente. Parece que ela também reconhece as habilidades atléticas da Narika. As conquistas esportivas dela são bastante conhecidas na Academia Kiou, então sua reputação provavelmente já se espalhou além da escola.
— A Kagen-san também vai aprovar?
— Acho que não será um problema. Embora… possa ser um pouco complicado.
Complicado…?
— Quando se trata de esportes, Miyakojima Narika-sama supera a Ojou-sama. Para manter a imagem de uma Ojou-sama perfeita, ela pode acabar se tornando um obstáculo considerável.
— Entendo.
Em outras palavras, uma rival para a Hinako. Enquanto Tennouji-san é a rival dela em status e desempenho acadêmico, Narika realmente se destaca nos esportes, com resultados impressionantes.
Então a Narika é vista como uma ameaça pela Kagen-san… Se ela soubesse disso, provavelmente desmaiaria.
Na verdade, isso é mais um motivo de orgulho, mas conhecendo a Narika, ela provavelmente só ficaria completamente confusa.
Por ora, isso oficializa a Narika como nossa treinadora. Dito isso, como Hinako venceu a modalidade de tênis no ano passado, ela originalmente não pretendia dedicar muito tempo aos treinos. Ter uma treinadora parecia ser mais uma forma de afiar seus instintos que haviam enferrujado.
Assim, decidimos lidar primeiro com o problema da Narika.
*
…No dia seguinte.
Durante a reunião de classe após a aula, Hinako e eu informamos ao professor as modalidades em que iríamos participar.
— Tomonari-kun e Konohana-san, tênis, certo? Entendido.
O professor Fukushima conferiu os formulários entregues. A modalidade de tênis tinha simples e duplas, mas era separada por gênero. Isso significava que Hinako e eu não poderíamos formar dupla.
Então, ambos escolhemos simples. Eu não tinha parceiro para jogar em duplas e, no caso da Hinako, competir sozinha provavelmente seria menos estressante.
— Oh, o Tomonari vai fazer tênis?
De repente, uma voz nos chamou por trás. Taishou e Asahi-san estavam parados ali.
— A Konohana-san também fez tênis no ano passado, não foi?
Ao comentário de Asahi-san, Hinako assentiu com elegância.
— Sim.
— E vocês dois escolheram o quê?
— Eu vou fazer esqui — disse Taishou.
— E eu vou de dança — acrescentou Asahi-san.
Eles nos mostraram seus formulários, que de fato diziam "Esqui" e "Dança".
— Parece que eu sou o único que vai para um local diferente.
Taishou soou um pouco desapontado. Tênis e dança aconteciam dentro da academia, mas o esqui, ao que parecia, ocorria em uma montanha distante.
— Espera… esqui nessa época do ano?
— É uma pista de verão. Eles colocam tapetes para deslizar. Se você cair, dói pra caramba, então não dá pra ir muito rápido.
Existia mesmo isso…?
— Vou me apresentar na abertura do torneio, no campo, com uma dança, então venham assistir se puderem!
— Estou ansiosa por isso — responde Hinako.
A modalidade de dança dá início ao torneio com uma apresentação no campo. De acordo com o livreto que recebemos ontem, é tradicionalmente um espetáculo chamativo, feito para empolgar o público. Também há uma competição em que várias equipes disputam pela melhor qualidade de dança. É uma modalidade bem intensa.
Taishou e Asahi-san se afastam para entregar seus formulários. Depois de nos despedirmos, saímos da sala de aula.
— Certo, vamos até a Narika?
Normalmente, iríamos direto para casa, mas por um tempo vamos passar mais tempo com ela. Narika provavelmente está na sala da Classe B, que fica ao lado.
Enquanto seguimos em direção à Classe B, olho de relance para Hinako ao meu lado.
— Hinako, qual é o seu plano? Vai para casa primeiro?
— Eu vou junto. …Não quero que acabe como aconteceu com a Tennouji-san…
O que ela quer dizer com "como aconteceu com a Tennouji-san"? Inclino a cabeça, mas Hinako não explica.
— Principalmente… a Miyakojima-san é alguém com quem devemos ter cuidado.
— Ter cuidado? Por quê? Eu não acho que a Narika tenha feito nada que te incomodasse…
— Itsuki, você age um pouco diferente perto da Miyakojima-san.
— Diferente?
Quando pergunto, Hinako assente com uma expressão complicada, murmurando:
— Mm. Parece… natural, de alguma forma.
— Eu não tenho muita noção disso… mas acho que, quando éramos crianças, éramos bem à vontade um com o outro.
Do ponto de vista de quem observava, não era exatamente "à vontade", mas é mais sobre como eu me sentia. Naquela época, eu não achava que a família da Narika fosse tão impressionante, e também não tinha plena consciência da situação da minha própria família.
Olhando agora, dá até um arrepio. Quando criança, eu era destemido de um jeito perigoso.
— Isso não é justo.
Hinako murmurou em voz baixa. Ao vê-la fazer um leve bico, inclino ainda mais a cabeça.
— Ah, Tomonari-san e Konohana-san!
Uma garota com cachos loiros em rolinhos verticais nos chamou do corredor.
— Olá, Tennouji-san.
— Sim, olá.
Trocamos cumprimentos, e Tennouji-san sorriu suavemente. De alguma forma, sua expressão parece um pouco mais branda do que antes. Ela ainda exala confiança, mas agora há um toque de cordialidade em seu comportamento.
— Vocês dois já decidiram em quais modalidades vão participar? — Perguntou Tennouji-san.
O torneio é o assunto do momento por toda parte.
— Vamos de tênis. E você, Tennouji-san?
— Vou participar do polo!
Declarou Tennouji-san com entusiasmo.
— Polo é aquele com cavalos, certo?
— Sim! Em termos simples, é hóquei montado a cavalo.
Era uma explicação bem clara. Consigo imaginar facilmente. O livreto do torneio descreve brevemente cada modalidade. O polo, esporte que inspirou as camisas polo, envolve cavalgar, usar tacos para conduzir uma bola e marcar pontos ao acertá-la no gol adversário.
— O polo é um esporte eletrizante. Você galopa livremente por um campo amplo, o que é exaustivo tanto para o cavaleiro quanto para o cavalo. Para evitar sobrecarregar os animais, há uma regra que exige a troca deles em intervalos regulares.
— Parece intenso.
— Sem dúvida. É isso que o torna tão gratificante.
Os olhos de Tennouji-san brilhavam com paixão. Ela continuava tão competitiva quanto sempre.
— E vocês dois? Que tal se juntarem a mim no polo? Ainda dá tempo de mudar de modalidade se agirem agora.
— Vou passar. Eu nunca nem montei a cavalo.
É exatamente o tipo de modalidade sobre a qual a Shizune-san me alertaria — minha falta de experiência ficaria dolorosamente evidente. Recusando com cuidado, Tennouji-san corou levemente.
— B-Bem, então… eu poderia te ensinar, sabe? — Com as bochechas levemente rosadas, ela continuou. — Com sua natureza dedicada, você poderia dominar qualquer coisa. Montar a cavalo? Eu… eu te ensinaria passo a passo, lado a lado!
Assim como quando ela me ensinou a dançar. Ou quando me ensinou etiqueta — provavelmente faria isso com o mesmo cuidado. Isso… seria uma rotina bastante gratificante. Por um instante, esquecendo todos os meus objetivos, imaginando os dias passados ao lado da Tennouji-san.
Então—
— Nós recusamos respeitosamente.
Hinako recusa educadamente em meu nome. Os olhos de Tennouji-san se arregalam por um segundo, mas logo ela assente.
— Entendo. Então, ao menos o Tomonari-san poderia—
— Nós recusamos respeitosamente.
Cortando Tennouji-san, Hinako diz com firmeza. Hinako não está recusando apenas por si mesma.
Ela está recusando por mim também. Uma veia pulsa na testa de Tennouji-san.
— Konohana-san, eu estava falando com o Tomonari-san…
— O Tomonari-san vai participar do tênis comigo.
Hinako responde com um sorriso gentil e refinado. O rosto de Tennouji-san se contrai levemente.
— Com você?
— Sim, comigo. Decidimos juntos, apenas nós dois.
Hinako mantém o sorriso elegante o tempo todo. Sua atuação é impecável; não há sequer um sinal de hesitação em seu rosto. Ainda assim, por algum motivo, sinto que ela está mantendo a Tennouji-san sob controle.
— Heh, hehehe… Parece que ainda tínhamos mais uma questão a resolver…! — disse Tennouji-san, com veias saltando na testa. Mas logo controlou as emoções com racionalidade. — Vou deixar passar desta vez. Tenho o dever de conduzir minha equipe de polo à vitória.
Será que eu estava cercado por gente demais que almejava o topo…?
— A propósito, para onde vocês dois estavam indo?
— Bom, a Narika nos pediu alguns conselhos…
Como se tratava de algo pessoal, deixei os detalhes vagos.
— Se houver algum problema, podem contar comigo.
Tennouji-san colocou a mão no peito e assumiu uma pose elegante.
— Eu agradeceria, mas… desta vez, acho que você não é a pessoa mais indicada.
— Não sou a pessoa mais indicada? — A sobrancelha de Tennouji-san se contrai. — Não há nada para o qual eu não seja adequada!
— Certo, por exemplo, se alguém estivesse tendo dificuldades para fazer amigos, que conselho você daria?
— Simples! Basta pedir para ser amigo da pessoa!
— Ah… nós já vamos indo.
— Tomonari-san!?
Enquanto me afastava, os olhos de Tennouji-san se arregalam como se perguntassem: "Por quê!?" As habilidades de comunicação da Tennouji-san eram excepcionais — um ponto forte —, mas isso acabava dificultando sua empatia com o problema da Narika.
Mais uma vez, Hinako e eu entramos na sala da Classe B.
— K-Konohana-san…!
— O que ela estava fazendo na nossa sala…?
A sala fervilhava de agitação. Hinako raramente visitava a Classe B, então os alunos ficaram surpresos.
Ficar ali por muito tempo só nos atrasaria. Avistando Narika em um canto, guardando livros na mochila, fiz um gesto silencioso, chamando-a.
— Itsuki!
Os olhos de Narika se iluminaram quando ela se aproximou.
— M-Miyakojima-san está conversando com alguém…!?
— Quem é esse "Itsuki"…?
A turma ficou ainda mais alvoroçada. Ela estava chocando as pessoas só por conversar…
De qualquer forma, já havíamos nos reunido com a Narika, então saímos rapidamente. Graças a ela ter chamado meu nome, inúmeros olhares agora perfuravam minhas costas, o que era um pouco desconfortável.
Quando Hinako fez uma leve reverência, os alunos congelaram como estátuas, completamente encantados.
— Certo, vamos começar.
Nós nos reunimos em uma mesa no jardim, onde quase não havia circulação de pessoas.
Já era julho. O início do verão havia passado, e o calor aumentava aos poucos. Não pretendíamos conversar por muito tempo, então não preparamos chá nem nada do tipo. Ainda assim, a temperatura estava mais alta do que o esperado, e senti vontade de molhar a garganta.
Enquanto pensava nisso, bebidas foram colocadas de repente sobre a mesa. Ao me virar, vi um garçom do café do campus parado ali.
— Hã, nós não pedimos nada…
— Serviço de cortesia.
Era como se estivéssemos em um resort de luxo. Antes que eu percebesse, utensílios foram organizados à nossa frente, com alguns biscoitos habilmente colocados por cima.
Agradecemos ao garçom, que se retirou. A Academia Kiou nunca deixava de me surpreender. Dei um gole no chá gelado para aliviar a garganta e soltei um suspiro.
— Ufa.
— Certo, vamos lá — olhando para os dois rostos à minha frente, declarei. — Está oficialmente lançado o plano da Narika para deixar de ser uma solitária!
— O-Oh!
Narika fechou os punhos, transbordando determinação.
Enquanto isso, Hinako, sentada ao lado dela, sorriu suavemente e disse:
— E! Hehe.

Um pouco envergonhada, ela fechou a mãozinha em um pequeno punho. O contraste era avassalador. O charme destrutivo dessa Hinako desconhecida nos deixava, a Narika e a mim, momentaneamente paralisados.
O que foi aquele gesto adorável agora há pouco?
— Ugh…!? Esse é o poder da idol número um da academia…?
Ao ver o gesto da rainha reinante, Narika já estava à beira de desistir. Sendo sincero, eu também fiquei abalado. Hinako, que interpretava a Ojou-sama perfeita, encantava a todos com seus modos refinados, mas também sabia se soltar para combinar com o clima do momento. Ela nunca fora distante. Era por isso que era amada por todos os alunos da Academia Kiou.
— Primeiro, vamos revisar a situação atual da Narika. …Você se importaria em compartilhar?
— Ah, sim. Quer dizer, eu já tinha aberto praticamente todo o meu coração para o Itsuki, então achava que não havia nada de novo para dizer… — Narika fez uma breve pausa antes de começar. — Primeiro, tirando o Itsuki… e o pessoal do grupo de estudos, eu não ttenho nenhum outro amigo.
Uma verdade triste veio à tona. Ela hesitou por um instante, provavelmente se perguntando se era apropriado incluir a Hinako. Mas deve ter decidido que seria ainda mais indelicado não incluí-la.
— Em seguida, quando eu tentava falar com as pessoas, elas mantinham distância.
Outra verdade dolorosa.
— E, para piorar, as pessoas tinham medo de mim sem motivo algum. Outro dia, eu só estava andando normalmente e, no momento em que me reconheceram, se abriram como o Mar Vermelho para Moisés…
— Certo, certo, Narika, isso já bastava…
— Ugh… Uwaaah!
O rosto da Narika parecia prestes a desabar em lágrimas.
— Por que isso acontecia? Você não estava sofrendo bullying, certo?
— E-Eu não acho que esteja sofrendo bullying… mas parece que existe algum grande mal-entendido.
Por ora, como a própria Narika nega estar sendo intimidada, vou aceitar isso. Depois de ouvir o ponto de vista dela, volto-me para a Hinako.
— Do seu ponto de vista, Konohana-san, qual é a sua impressão da Narika?
Como a própria Narika estava ali, precisei escolher as palavras com cuidado. Em seu modo refinado de Ojou-sama, Hinako fez uma breve pausa para pensar antes de responder:
— Bem… Ela fica na sala ao lado, então não a conheço muito bem… mas já ouvi pessoas dizerem que ela é intimidadora.
— Ugh!
O rosto da Narika se contraiu, como se tivesse levado um golpe direto no estômago. Pensando bem, da primeira vez que vi Narika nesta academia, sua expressão realmente era dura como pedra. Então a raiz do problema era o rosto dela, não era?
— Narika, você poderia tentar sorrir para mim?
Agora que paro para pensar, Narika raramente sorria na frente dos outros. Claro, às vezes ela abria um sorriso quando estávamos só nós, mas se conseguisse mostrar esse sorriso para os demais, isso não suavizaria um pouco a imagem dela?
Foi isso que pensei ao sugerir, mas—
— A-Assim?
Narika forçou um sorriso terrivelmente desconfortável. Era como encarar o final boss de uma organização maligna.
— Isso é assustador!
— Nããão! Se até o Itsuki diz isso, então não tem mais jeito! — Narika levou as mãos à cabeça, em total desespero. Minha reação sincera escapara antes que eu pudesse contê-la.
— Não há dúvida de que a Narika tem azar, mas ela também não é totalmente inocente. Para começar, precisamos lidar com esse hábito de se enrijecer imediatamente e com essa expressão dura que ela faz quando fica nervosa.
— Ugh, mas como…?
Ela sofria justamente por não saber a resposta. No fim das contas, a única solução era que ela fizesse amigos com quem pudesse conversar livremente, como fizera conosco. Narika ficava nervosa diante de estranhos num piscar de olhos.
Então, se conseguíssemos diminuir o número de "estranhos" dentro da academia, ela se sentiria mais à vontade.
— Vamos pensar em algumas formas de criar conexões. Por exemplo—
O que dá início a uma amizade? Cada um de nós começou a lançar ideias. Naturalmente, eu também contribui, e Hinako acrescentou algumas sugestões. Entre elas, selecionamos as que pareciam viáveis para a Narika.
— Certo, já temos algumas estratégias.
Por ora, decidimos por três planos. Não eram esquemas elaborados, mas, para a Narika, cada um exigiria uma boa dose de coragem. Ainda assim, todos valiam a tentativa.
— Vamos começar a colocá-los em prática amanhã.
— A-Amanhã!? E-Espera, calma! Eu ainda não estou psicologicamente preparada…!
— O festival esportivo está chegando rápido, então não há tempo para hesitar.
Diante disso, Narika se calou, sem conseguir retrucar. Era visível o esforço dela para controlar a ansiedade. Eu entendia bem esse sentimento. Também não era nenhum cara todo-poderoso. Quando fui designado pela primeira vez como cuidador da Hinako, cada dia fora um turbilhão de nervosismo.
Naquela época… que tipo de palavras eu teria gostado de ouvir?
— Narika.
Querendo apoiá-la enquanto ela enfrentava seus medos, eu disse:
— Vamos encarar isso juntos.
— Juntos…..
Narika repetiu minhas palavras em um murmúrio suave, como se as estivesse saboreando.
— É verdade. Eu tenho… o Itsuki comigo — ela falava como se estivesse tentando se convencer. E então — Eu vou conseguir…!
Narika se armou de determinação.
*
No dia seguinte, depois das aulas, nós três nos reunimos perto da sala da Classe B para conversar.
— Só para garantir, vamos revisar a estratégia que estamos prestes a executar.
Narika e Hinako assentiram. O pôr do sol banhava a escola com tons alaranjados. Já tinham se passado cerca de trinta minutos desde o fim das aulas, então o campus estava quase vazio. Com menos gente por perto, os nervos da Narika deviam ficar um pouco mais calmos.
— Estratégia Um: organizar ou participar de um grupo de estudos — expliquei um dos planos que tínhamos decidido no dia anterior. — Grupos de estudo reúnem todo tipo de gente, então são perfeitos para criar novas conexões. Além disso, como já fizemos um recentemente, deve ser fácil para a Narika imaginar como funciona.
Narika fez um leve aceno com a cabeça. Já tínhamos feito um grupo de estudos antes. Se ela conseguisse se apoiar naquela experiência, deveria dar tudo certo. Eu sabia com certeza que aquele grupo de estudos tinha me ajudado a me aproximar da Tennouji-san, da Asahi-san e do Taishou.
Os resultados falavam por si.
— Organizar um grupo do zero é complicado, então desta vez você vai se juntar ao de outra pessoa. Por sorte, já existe um grupo assim na sua sala, certo?
— Sim. Tem umas três pessoas que ficam depois da aula estudando juntas.
Parecia que os alunos da Classe B eram bem aplicados.
— Você observa bem o que acontece ao seu redor, Narika.
— Eu tinha inveja deles ficarem juntos depois da aula.
— Entendo.
Quanto mais eu investigava, mais triste eu ficava. Depois eu teria que convidá-la para um chá da tarde ou algo assim.
— Certo, agora só falta se juntar a eles.
— E-Eu estou ficando nervosa…!
— Não fica tensa! Você sabe que seu rosto fica assustador quando você fica nervosa!
— S-Só me dá um segundo… eu vou me acalmar, prometo…!
Narika respirou fundo. Aos poucos, o tremor em seu corpo foi diminuindo.
— E-Eu vou lá…!
Com determinação feroz, Narika entrou na sala. Hinako e eu ficamos do lado de fora, observando discretamente pelo corredor. Narika não era exatamente uma especialista em puxar conversa. Mas os alunos da Academia Kiou costumavam ser sinceros e aplicados. Desde que ela não tentasse forçar uma conversa animada, imaginei que mostrar seu lado sério poderia ajudá-la a se conectar.
Em um canto da sala da Classe B, três alunos — dois garotos e uma garota — tinham juntado suas carteiras e estavam estudando.
Narika se aproximou deles e—
— O-Oi!!
Ela errou feio na saudação. A voz saiu alta demais, assustando tanto os três que seus ombros quase saltaram. Da nossa posição, eu não conseguia ver claramente o rosto da Narika, mas o perfil dela denunciava… isso mesmo, ela estava dura como uma estátua.
Ela ficou ainda mais nervosa depois de errar a saudação. As orelhas dela estavam vermelhas, mas o rosto provavelmente parecia aterrorizante. Ela tropeçou logo na largada.
— M-Miyakojima-san… aconteceu alguma coisa?
— B-Bem, é que…
Narika lutou para responder à garota que falou. Ela não conseguia chegar direto ao ponto.
— A-Ah não!? N-Não me diga que esse é o seu lugar, Miyakojima-san…!?
— O-O quê!? D-Desculpa! Nós vamos sair agora mesmo!
Os alunos entraram em pânico e se levantaram.
— N-Não! Não é isso!
Narika se apressou para detê-los. Boa recuperação!
— Vocês, hum… estão estudando, certo?
— Hã? …S-Sim, estamos estudando, mas…
— S-Será que eu… poderia me juntar a vocês?
Isso—!
Fechei o punho instintivamente. Eu parecia um pai torcendo pela filha em um dia de esportes. Os três alunos trocaram olhares, discutindo o pedido dela.
— O-O que a gente faz…? A Miyakojima-san quer estudar com a gente? Tudo bem?
— Mas se ela ficar aqui, talvez até nos ensine algumas coisas…
— É verdade…
O clima parecia pender para aceitar a Narika.
Mas então—
— N-Não, quer dizer… eu não sou exatamente boa o suficiente para ensinar ninguém…
— Hã?
Os três alunos piscaram para Narika, confusos.
— B-Bem… nós estamos estudando para tentar ficar entre os primeiros colocados na próxima prova…
Não era uma fala maldosa. Eles provavelmente só queriam dizer que qualquer um com a motivação certa era bem-vindo. Em outras palavras, eles não estavam ali para bater papo sob o pretexto de estudar. Tudo o que Narika precisava fazer era mostrar seu lado sincero, mas—
— M-Me desculpem!
Suando frio, Narika saiu correndo da sala. No instante em que ela pisou no corredor, nossos olhares se encontraram.
— Itsuki…!
Narika se jogou em mim, praticamente soluçando.
— P-Por que… por que todo mundo acha que eu sou algum tipo de gênio…?
— Quer dizer, é melhor do que te confundirem com alguém preguiçoso, mas… é, isso foi inesperado.
Se ela tivesse fingido ser uma gênia e se juntado ao grupo, a farsa teria sido descoberta em pouco tempo. Só o fato de tentar entrar no grupo de estudos já tinha sido um grande desafio para a Narika. Ela não tinha margem mental para desfazer um mal-entendido daqueles.
Pensando bem, no começo nós também não sabíamos as notas da Narika. Durante nosso primeiro grupo de estudos, quando descobrimos que as notas da Narika eram surpreendentemente medianas, não fui só eu que fiquei chocado — a Asahi-san, o Taishou e os outros também ficaram.
A reputação da Narika vinha antes dela, mas poucas pessoas conheciam quem ela realmente era.
— Não se preocupe com isso. Amanhã a gente tenta outra estratégia.
Consolando uma Narika de olhos marejados, eu disse isso. Estratégia Um — um fracasso total.
*
No dia seguinte, nos reunimos novamente na academia. A missão daquele dia estava marcada para a manhã, antes do início das aulas.
— Estratégia Dois: uma mudança de visual.
Um plano direto e simples. Narika assentiu em concordância.
Bom… essa ideia tinha vindo de observar a Hinako. Lancei um olhar para a Hinako ao meu lado, e nossos olhos se encontraram.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não.
Em seu modo Ojou-sama, Hinako inclinou a cabeça de forma adorável. A mesma Hinako que, em particular, era completamente desajeitada, se transformava na garota mais popular da academia ao aperfeiçoar sua imagem.
De certa forma, dava para dizer que Hinako se reinventava todos os dias. Ela era uma mestra em mudanças de visual.
— O objetivo da mudança é diminuir a aura intimidadora que a Narika passa. Para isso, vamos buscar uma imagem oposta à de alguém rígida ou excessivamente séria.
— Eu entendo a lógica, mas… — o rosto de Narika se contorceu, cheio de dúvidas. — Ei, sei que é meio tarde para perguntar, mas eu sou mesmo tão assustadora assim?
— Hmm… com a gente você parece totalmente normal.
Sendo sincero, eu também não sentia essa “aura assustadora” da Narika. Claro, objetivamente eu sabia que a expressão dela podia parecer intimidadora, mas como a conhecia desde criança, nunca a tinha achado realmente assustadora.
— Vamos fazer um pequeno experimento.
— Um experimento?
Narika repetiu, e eu assenti.
— Ainda temos um tempo antes da aula. Vamos sair um pouco.
Com isso, conduzi Narika e Hinako para fora da academia.
Os funcionários da família Konohana sempre ficavam posicionados perto do caminho de ida e volta, caso algo acontecesse com a Hinako. Eles provavelmente ainda estavam por ali. Eu não queria ir longe demais nem causar transtorno, então planejei algo rápido e próximo.
Do outro lado da faixa de pedestres, um grupo de crianças que pareciam ser do ensino fundamental caminhava junto.
Essas crianças serviam. Aproximei-me delas e chamei:
— Ei, podem me dar um minuto?
As crianças se viraram.
— O que foi~?
— Ei, não é para falar com estranhos…
— Ah, eu conheço esse uniforme! É daquela escola super rica!
— Academia Kiou!
Parecia que a Academia Kiou era famosa até entre as crianças.
— Tenho uma pergunta para vocês.
Agachei-me até ficar na altura dos olhos delas e disse:
— Essa Onee-san aqui…
Apontando para a Narika, tirei uma foto do bolso do meu uniforme.
— E essa foto de um chefe da yakuza. …Qual dos dois é mais assustador?
— E-Ei, Itsuki, por que você tem uma foto de um yakuza?
— Um sujeito tentou mexer com o Grupo Konohana um tempo atrás, e eles tinham as informações dele arquivadas.
A foto mostrava um homem barbudo, com uma cicatriz na testa. Pela lógica comum, o yakuza deveria ser mais assustador. As crianças olharam umas para as outras, alternando entre a foto e a Narika.
— Narika, dá um sorriso leve.
Precisávamos compará-la com a forma como ela costumava se mostrar quando tentava interagir com os outros na escola. Ao ouvir isso, Narika forçou um sorriso rígido.
— H-Heh… heh…
Ao ver aquele sorriso duro, os rostos das crianças empalideceram.
— A Onee-san é muito mais assustadora!!
— Ugh…! Eu preferia morrer…!
As crianças saíram correndo, como se estivessem fugindo de um monstro. Narika desabou no chão, agachada ali mesmo.
— Então, agora você entende por que a mudança de visual é necessária?
— Sim. Pode fazer. Sem piedade.
Narika ainda estava em choque.
— Certo, a partir daqui, a Konohana-san assume.
— Sim.
Hinako assentiu. Como não se tratava apenas de mudar o penteado, mas também de ajustar um pouco o uniforme, era a vez da Hinako entrar em ação. Ainda bem que ela estava junto.
— Narika, você quer tentar se vestir de um jeito um pouco mais casual, tipo a Asahi-san, certo?
— S-Sim. Para ser sincera, eu sempre admirei ela. Minha família é bem rígida, então o estilo dela parece tão… livre para mim. A Asahi-san também tem muitos amigos, e eu queria seguir o exemplo dela.
Narika disse isso com um ar tímido e envergonhado. Só descobri isso recentemente, mas a Academia Kiou quase não tinha regras rígidas de uniforme. A escola confiava que os alunos soubessem se controlar sem a necessidade de regulamentos explícitos.
A Asahi-san era um caso raro. Ainda assim, ela nunca ultrapassava os limites do decoro escolar. Apenas trocava a cor da camisa ou adicionava pequenos acessórios — nada exagerado.
— Bom, se você fizer uma mudança muito radical logo de cara, as pessoas podem ficar ainda mais intimidadas, então vamos só buscar uma alteração sutil no clima por enquanto.
— S-Sim, acho melhor assim. Agradeço por isso.
De volta à academia, Narika e Hinako entraram em um vestiário que ficava sempre disponível para uso. Cerca de dez minutos depois, as duas reapareceram.
— C-Como eu estou…?
Narika, mexendo inquieta as mãos e sem muita confiança, me mostrou o novo visual. O blazer do uniforme estava aberto, sem abotoar, e a barra da saia estava um pouco mais curta. A camisa, usada para fora, tinha os botões de cima e de baixo abertos, dando um ar relaxado e descontraído.
Um bracelete rosa adornava seu pulso fino. Era uma cor que não combinava muito com a imagem habitual da Narika, mas justamente por isso o contraste valorizava o visual. O design elegante impedia que chamasse atenção demais, o que era um ponto positivo.
— Só alguns ajustes e a sua aura muda tanto assim, hein?
A Narika atual passava a impressão de uma gyaru reservada. O penteado estava apenas um pouco mais suave e volumoso, quase igual ao de antes. Esse nível de mudança não devia causar uma má impressão em ninguém.
— Narika, e aí, como se sente?
— E-Eu estou um pouco nervosa, mas… acho que consigo lidar com isso.
Ao que parecia, essa mudança tinha encontrado o equilíbrio perfeito, sem ferir demais o senso de modéstia da Narika.
— Mas… está tudo bem deixar a camisa tão solta nessa parte do peito? Parece meio… inseguro…
Sentindo algo estranho, Narika puxou a gola.

— E-Ei—!
Por um instante, acabei vendo sua roupa íntima por baixo da camisa e desviei o olhar imediatamente. Como ela podia ser tão descuidada…?
— É melhor fechar o botão de cima.
— Hã? …Ah!?
Ao perceber que sua roupa íntima estava visível, Narika cobriu o peito às pressas. Que situação constrangedora… Enquanto Narika se apressava para fechar os botões—
— Ai!?
Do nada, Hinako me deu um chute na canela.
— U-Um, Konohana-san…?
— Desculpa, meu pé escorregou.
— S-Sim…
A Ojou-sama não estava nada satisfeita. O sorriso dela era aterrador.
— C-Certo, agora só falta ir para a sala desse jeito…!
Narika reuniu toda a sua determinação.
— Daqui em diante não podemos ir com você, então vai ter que se virar sozinha. Boa sorte!
— S-Sim! Desta vez, eu vou conseguir!
Reforçando a própria coragem, Narika seguiu em direção à sala de aula.
O vestiário não ficava longe dali. Em apenas alguns minutos, o novo visual dela estaria exposto para todos verem.
— Itsuki.
Depois de nos despedirmos da Narika, Hinako me chamou.
— Aquele tipo de estilo… você gosta?
— Hã? — A pergunta me pegou desprevenido, e a intenção dela não ficou clara de imediato. Pensei por um momento antes de responder. — Não é exatamente que eu goste, mas… vindo de um colégio comum, esse tipo de visual mais descontraído me parece familiar.
— Hmm.
Na Academia Kiou, os alunos abotoavam o uniforme até o último botão. Era uma cena que eu quase nunca via no meu antigo colégio. Enquanto eu relembrava meus dias de escola—
— Da próxima vez, eu tento também.
— Hã?
Não sabia o que tinha despertado aquilo, mas Hinako murmurou algo assim. O Kagen-san provavelmente ficaria furioso… mas, sendo sincero, eu queria ver.
Depois disso, seguimos para a sala e assistimos à primeira aula. Enquanto eu copiava o conteúdo do quadro-negro, o sinal tocou.
Intervalo… Vamos ver como a Narika está. Lancei um olhar para a Hinako, e nossos olhos se encontraram. Saímos para o corredor e, com naturalidade, demos uma espiada na sala da Classe B.
A Narika…
— Hã? Ela não está aqui?
Percorrendo a sala com o olhar, não encontrei Narika em lugar nenhum. Sem alternativa, resolvi perguntar a um aluno próximo.
— Com licença, a Miyakojima-san está por aqui?
— A Miyakojima-san? Ah… ela… ela foi chamada para a sala de orientação.
— Sala de orientação?
Uma sensação ruim se instalou no meu peito. Corremos imediatamente para a sala de orientação. Enquanto eu hesitava se devia bater na porta, ela se abriu de repente. Narika apareceu do outro lado.
— N-Narika, o que aconteceu com você…?
A aparência da Narika estava sutilmente diferente de quando ela tinha saído do vestiário. O cabelo estava bagunçado, e a camisa, amassada.
E… havia o que pareciam ser arranhões nos braços e nos joelhos. Quando isso tinha acontecido? Com certeza não estavam ali quando nos separamos…
— Depois que a gente se separou, eu estava tão nervosa indo para a sala que tropecei. Na hora, nem percebi, mas… de algum jeito, meu visual ficou todo assim.
Então os arranhões tinham sido da queda. Fazia sentido.
Ela parecia uma delinquente que tinha acabado de sair de uma briga…
Talvez eu devesse ter ficado de olho nela até chegar à sala. Levei a mão à testa. É… isso definitivamente faria alguém ser chamado para a sala de orientação.
— Antes, a professora me perguntou… com quem eu tinha brigado — Narika disse isso com os olhos marejados. — Disseram que, neste país, ameaças e extorsão são crimes.
…
— Perguntaram que tipo de ferimentos eu causei na outra pessoa, para poderem calcular os custos médicos.
…
— Mesmo que tivesse sido uma briga, por que eles nem consideraram a possibilidade de eu ter perdido…?
Bom… provavelmente porque ninguém conseguia imaginar você perdendo…
— Vamos seguir em frente.
Estratégia Dois — fracasso.
*
Na manhã seguinte, nos reunimos novamente antes da aula.
— Estratégia Três: passar uma imagem mais pé no chão, para parecer mais acessível — em um canto tranquilo do pátio da escola, à sombra e fora de vista, realizamos nossa terceira reunião. — Basicamente, queremos mostrar que a Narika é como qualquer outra pessoa. No momento, as pessoas a veem como alguém durona e intimidadora, então precisamos mudar essa imagem.
— Mas a gente ainda não definiu exatamente como fazer isso, certo…?
— É. Por enquanto, a ideia é só suavizar de alguma forma essa imagem rígida da Narika…
Diferente dos planos um e dois, o terceiro ainda não estava totalmente estruturado. Quebrei a cabeça tentando pensar em algo bom. Dessa vez, em vez de mudar a aparência, queríamos alterar a vibe da Narika por meio das atitudes dela.
— Algo que passe uma mensagem clara à primeira vista seria ideal. Tipo ler um mangá na frente de todo mundo ou comentar sobre um programa de TV da noite passada…
— Eu não leio mangá nem assisto TV.
Nesse caso, precisávamos mudar de abordagem. Fingir ser alguém que ela não era só para fazer amigos tornaria essas relações cansativas de manter.
— Doces — Hinako murmurou em voz baixa. — Que tal comer alguns doces? Acho que isso faria ela parecer mais acessível.
— Essa é uma ótima ideia.
Sinceramente, achei que era uma sugestão excelente. Comer doces não parecia algo leviano e podia suavizar bem a aura rígida que a Narika transmitia.
— Itsuki, eu tive uma ideia brilhante!
Naquele momento, Narika declarou isso de repente.
— Uma ideia brilhante?
— Dagashi!
Narika disse isso com confiança transbordante.
— Acho que já mencionei antes, mas mesmo depois de a gente se afastar, eu continuei indo à loja de dagashi! Graças a isso, eu sei tudo sobre dagashi — mais do que a maioria das pessoas!
O entusiasmo da Narika era contagiante. Mesmo falhando duas vezes seguidas, a determinação dela em continuar tentando era, sinceramente, admirável.
— Agora que você falou nisso, tem uma loja de dagashi perto da academia.
Lembrei-me de ter visto uma dessas lojas no caminho para a escola outro dia. Ela provavelmente atendia mais crianças de uma escola primária próxima do que alunos da Academia Kiou, mas podia funcionar para nós.
— Que tal comer dagashi no caminho para casa depois da aula? Talvez alguém puxe conversa comigo!
— Duvido que alguém vá se aproximar só porque você está comendo dagashi…
Mas, pensando melhor, mudei de ideia.
— Não… se existir alguém como a Narika por aqui, essa pessoa pode acabar falando com você.
Dagashi e alunos da Academia Kiou eram uma combinação improvável, sem dúvida. Mas podia existir pelo menos uma pessoa com gostos parecidos. Um hobby raro como esse podia criar um laço forte com alguém que compartilhasse do mesmo interesse.
Mesmo que ninguém falasse com ela, pelo menos ia deixá-la mais acessível do que antes.
Se desse certo, ela poderia encontrar uma alma gêmea de gostos e fazer uma grande amizade. Mesmo que não desse, ainda poderia mudar um pouco a imagem dela. Valia a tentativa.
— Certo, vamos fazer isso.
— Sim! A gente se encontra depois da aula!
Com determinação ardente, Narika seguiu em direção ao prédio da escola.
— Hinako, obrigado pela ótima sugestão.
— Mm.
Hinako assentiu levemente. Pensando agora, talvez fosse a primeira vez que eu trabalhava em algo assim com a Hinako em seu modo Ojou-sama. Normalmente, ela aproveitaria qualquer oportunidade para voltar à mansão e ficar à toa.
— Desculpa te arrastar para tudo isso. Como eu disse antes, você não precisa ficar conosco por causa disso.
— Tudo bem. Eu quero ajudar — dessa vez, Hinako balançou a cabeça e respondeu: — Ficar com você é divertido, e além disso…
— Além disso?
Percebendo a hesitação dela, insisti para que continuasse.
— Você é meio galanteador, Itsuki. Preciso ficar de olho em você.
— Hã?
Senti que ela estava entendendo tudo errado sobre mim. Mas Hinako não se explicou mais.
Depois disso, assistimos às aulas normalmente e, antes que eu percebesse, o dia letivo chegou ao fim.
— E-Então… finalmente chegou a hora de colocar o plano em prática.
Narika disse isso com uma expressão nervosa.
— Nós vamos ficar observando daqui.
— E-Entendi. …Lá vou eu!
Andando daquele jeito clássico de quem está nervosa — braços e pernas se movendo em sincronia —, Narika seguiu em direção à loja de dagashi. Já tínhamos avisado nossas famílias que voltaríamos tarde, então tínhamos cerca de uma hora livre. Com sorte, conseguiríamos algum progresso nesse tempo…
Com movimentos experientes, Narika comprou alguns dagashi e começou a comê-los à beira da estrada.
Que cena surreal…
Uma estudante do ensino médio comendo dagashi sozinha depois da aula. Eu estava preocupado que isso pudesse fazê-la parecer uma delinquente, mas Narika segurou um doce em formato de bastão — um Umaibō — com as duas mãos e beliscou como um hamster. Ninguém iria confundi-la com alguém problemática com aquele gesto.
Como esperado, alunos da Academia Kiou começaram a notar Narika comendo seus dagashi.
A maioria dos estudantes ali era buscada de carro, mas o espaço para estacionamento era limitado. Hinako, Tennouji-san e Narika vinham de famílias especialmente prestigiadas, então seus carros podiam parar bem em frente ao portão da escola. Outros alunos, por consideração, costumavam embarcar um pouco mais afastados. …Oficialmente, eu era um desses alunos.
Esses estudantes precisavam caminhar um pouco pelo trajeto escolar. Narika definitivamente estava sendo vista pelos colegas. Mas…
— Ninguém está falando com ela, né?
— É…
Como Hinako observou, ninguém se aproximava. Comer dagashi em silêncio não era exatamente algo que quebrasse o gelo instantaneamente. Ainda assim, não fiquei tão decepcionado com esse resultado.
Se o objetivo é só mudar a imagem dela, não é necessário que alguém se aproxime. Só o fato de ser vista assim já é um avanço, certo?
Para os alunos que conheciam a Narika, vê-la comendo dagashi no caminho da escola depois da aula devia parecer, no mínimo, um pouco incomum. Se cenas como aquela se repetissem, a imagem dela poderia mudar aos poucos.
Nesse caso, não havia necessidade de apressar nada agora.
Aquilo é… Chupa Chups? Fazia tempo que não comia um desses. Talvez cansada do doce em bastão, Narika trocou por um pirulito, lambendo-o enquanto segurava o palito branco entre os dedos. Ela se remexia inquieta, claramente esperando que alguém falasse com ela.
Decidimos observar mais um pouco.
Nesse momento—
— M-Miyakojima-san…?
Uma garota que voltava para casa deixou a bolsa cair no chão com um baque ao avistar Narika. Narika se virou ao ouvir o próprio nome, mas parecia confusa. Por algum motivo, a garota estava completamente chocada.
— I-Isso… é um c-cigarro, né…?
— Hã?
A garota apontou para o palito branco que saía da boca da Narika.
— E-Espera, não! Não é! Isso não é um cigarro!
Narika tirou rapidamente o pirulito da boca para mostrar.
— É um Chupa Chups!
— E-Eu não conheço essa marca…!
— Eu estou dizendo que não é um cigarro!!
— Não é cigarro…? E-Então… pode ser… droga!?
A imaginação daquela garota estava indo longe demais. Não consegui evitar querer fugir da realidade ao pensar: uau, a Academia Kiou realmente tinha Ojou-samas de todo tipo…
— É doce!
— Doce… isso é algum tipo de código? E-Eu não ouvi nada, juro!
— Não!? Espera!!
A estudante saiu correndo às pressas, fugindo da Narika. Agora que penso nisso, havia aquele boato de que a Narika vinha de uma família yakuza…
Provavelmente esse rumor estava alimentando o mal-entendido. De qualquer forma — aquilo era péssimo. Se continuasse assim, Narika poderia acabar sendo confundida com alguém vendendo uma droga chamada Doce.
— Vou esclarecer esse mal-entendido.
Corri imediatamente atrás da estudante que tinha fugido. Ela estava correndo, então não tive escolha a não ser correr também, mas isso só fez com que ela pensasse que eu estava atacando, e ela tentou fugir ainda mais rápido.
De algum jeito, consegui alcançá-la, fazê-la me ouvir e esclarecer tudo com sucesso. Quando voltei para perto da loja de doces, Narika estava sentada no chão, caída em desalento.
— Será que isso é culpa minha?
Senti uma pontada difícil de descrever no peito.
— Sendo sincero, eu também subestimei a situação — disse isso enquanto recuperava o fôlego. — Nunca imaginei que a imagem da Narika fosse tão ruim assim…
— Não diz isso…!
Narika segurou a cabeça, em desespero. Isso… ia ser mais difícil do que eu pensava.
*
Como acabamos chamando atenção demais, decidimos sair dali. De volta à academia, nos sentamos para conversar, com um clima pesado pairando no ar.
— Então… os três planos acabaram em fracasso…
Soltei um suspiro ao dizer isso.
— E agora, o que fazemos?
(N/SLAG: Não há nada a ser fazido!)
Sinceramente, o que poderíamos fazer? Não era como se estivéssemos totalmente sem opções, mas os resultados tinham sido muito mais desastrosos do que eu esperava.
Não consegui encontrar palavras para sugerir o próximo passo.
— Eu sei que sou eu quem está recebendo ajuda, mas… não se culpe tanto. Eu não estou tão incomodada assim.
As palavras da Narika me fizeram arregalar os olhos.
— Você é surpreendentemente otimista.
— Haha, eu já estou acostumada a falhar, sabe? Heh… hehehe.
Era dolorosamente óbvio que ela estava forçando um sorriso.
— Falando sério, se isso fosse um problema que desse para resolver em poucos dias, eu não estaria lutando com isso há tanto tempo. Então, sim, eu estou pra baixo, mas isso já estava dentro do esperado.
Entendi — então era por isso que ela conseguia manter um pouco de positividade.
— Se a Narika não está tão abatida, então acho que eu também não preciso ficar.
Enquanto ela tivesse motivação, não havia motivo para eu me afundar sozinho.
— Hoje é sexta-feira, então vamos nos reunir de novo na segunda e pensar em novas ideias. Dessa vez, vamos aprender com esses fracassos.
Narika e Hinako assentiram.
— A propósito, Itsuki, quando você quer que eu ensine tênis para vocês dois?
— Quando você tiver tempo, eu acho… — Ao dizer isso, olhei para a Hinako, que concordou em silêncio. Já tínhamos conversado antes. Mas Narika não assentiu.
— Acho que já passou da hora de eu retribuir.
— Retribuir? A gente nem teve resultados ainda.
— Não, quero dizer… se não fosse por vocês dois, eu não teria conseguido fazer nada. Vocês já me ajudaram mais do que o suficiente.
Enquanto dizia isso, Narika abriu um sorriso genuinamente feliz.
…Ela não poderia mostrar esse sorriso para outras pessoas além de nós?
Era um desperdício. Narika era uma pessoa de coração tão puro.
— Vocês estão livres amanhã? É dia de folga, então posso ensinar, se vocês quiserem.
Diante da pergunta da Narika, Hinako e eu trocamos olhares. Se me lembrava bem, Hinako não tinha planos para o dia seguinte.
— Então… podemos aceitar?
— Claro!
Narika estufou o peito com orgulho.
— Dessa vez, é a minha especialidade! Preparem-se para se impressionar!!
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