Volume 3
Prólogo
MANHÃ. Ao acordar na mansão da família Konohana, troquei-me rapidamente para o uniforme escolar e saí do meu quarto.
— Bom dia.
— Bom dia, Itsuki-san.
Após trocar cumprimentos com as empregadas da casa Konohana, comecei minhas tarefas como servo. A primeira era a limpeza. Acordar cedo para arrumar aquela mansão enorme não era nada fácil, mas finalmente eu estava começando a pegar o jeito.
Passei um pano no corrimão da escada. Faltava pouco mais de uma hora para irmos à academia. Um último esforço.
— Bom dia, Shizune-san.
— Bom dia.
Enquanto limpava, encontrei Shizune, a chefe das empregadas, e a cumprimentei. Ela cuidava de algumas decorações no corredor.
— Itsuki-san, pode segurar esse vaso para mim, por favor?
— Claro… Aqui está.
O vaso era surpreendentemente pesado, e eu o segurei por um tempo. Enquanto isso, Shizune limpou a superfície do suporte onde o vaso ficava.
— Essas flores já não estão na hora de serem trocadas? — Observando as flores brancas no vaso, Shizune murmurou.
— São as hortênsias que preparamos há cerca de duas semanas, não é?
— Sim. Elas duraram bem, mas já estão no fim. Agora que é julho, talvez algo mais vibrante, como sandersonia, fosse uma boa mudança.
Como chefe das empregadas, Shizune também era responsável pela decoração interior da mansão. Em junho, o ambiente fora adornado com hortênsias brancas, mas parecia que este mês teria flores diferentes.
Eu não entendia muito de flores. Nem tinha a sensibilidade necessária para escolher decorações harmoniosas para um espaço tão grande. Achei que já estivesse acostumado ao trabalho de servo, mas… ainda havia muito o que aprender.
— Ora, Itsuki-kun. Ajudando a chefe das empregadas hoje?
Depois de recolocar o vaso no suporte, alguém me chamou de lado. Curvei-me levemente para o homem de uniforme de mordomo que se aproximava pelo outro lado do corredor.
— Bom dia, Oliver-san.
Oliver, o mordomo-chefe, era alemão, mas falava japonês fluentemente. Ele dizia ter cerca de cinquenta anos, mas sua silhueta esguia e postura ereta não denunciavam a idade. Havia nele um ar de dignidade.
— Oliver-san, sobre a organização das louças…
— Já está tudo resolvido. Eu estava prestes a preparar o café da manhã, mas estamos com pouca gente hoje. Pensei em pedir ajuda.
Oliver respondeu à pergunta de Shizune. Seu olhar se voltou para mim. Minhas mãos logo ficariam livres. Talvez eu devesse me oferecer para ajudar…
— O Itsuki-san ainda não está acostumado à cozinha, então eu vou.
Shizune respondeu. Oliver assentiu com um sorriso gentil.
— Muito bem, obrigado.
— Itsuki-san, você poderia acordar a Ojou-sama?
Shizune virou-se para mim e disse. Pensando bem, já estava quase na hora de Hinako acordar. Mas…
— Tudo bem se eu for? Da última vez, ela disse que não queria que eu a acordasse.
— Não se preocupe. Não é como se ela não gostasse de você, Itsuki-san.
Eu também sentia que ela não me odiava… mas, se era assim, então qual era o motivo? Ainda não entendia. Mesmo assim, se Shizune estava ocupada, eu deveria assumir a tarefa.
— Itsuki-kun, estou contando com você para cuidar da Ojou-sama — disse Oliver, olhando para mim. — Um cuidador não é um mordomo nem uma empregada. Um cuidador permanece ao lado da Ojou-sama, atendendo às suas necessidades como um igual. Esse é um papel que nós não podemos cumprir. Por isso, confiamos a Ojou-sama a você.
— Farei o meu melhor.
Gravei as palavras de Oliver no coração e segui em direção ao quarto de Hinako. Meu humor estava um pouco mais leve do que quando eu estava limpando. É meio tarde para dizer isso, mas "cuidador" é um título estranho. Talvez por já estar exercendo esse papel há três meses, eu tivesse começado a encontrar satisfação em cuidar de Hinako.
— Hinako, já acordou?
Bati na porta, só por precaução. Como esperado, não houve resposta, então abri a porta silenciosamente e entrei.
Ela dorme tão tranquila, como sempre.
Hinako dormia profundamente, e eu já tinha visto seu rosto adormecido várias vezes, mas fazia tempo que não a via assim, de manhã, em seu próprio quarto. Ela parecia tão satisfeita, talvez sonhando com algo agradável.
— Hinako, já é de manhã.
Falei enquanto abria as cortinas do quarto. A luz quente do sol se espalhou pelo rosto de Hinako.
— Nngh… Está muito claro…
Ela cobriu os olhos com a mão.
— O café da manhã já vai ficar pronto, então vá lavar o rosto.
— Hm’kay…
Veio uma resposta sonolenta e arrastada. Hinako sentou-se lentamente, ainda de olhos fechados, e ficou imóvel por um momento.
— Vou deixar sua roupa aqui.
Antes que ela voltasse a dormir, tratei de me adiantar. Peguei o uniforme da Academia Kiou no armário e o coloquei sobre a mesa.
— Me veste…
Hinako disse, ainda meio dormindo.
— Tem certeza? Eu te vestir?
— Hm…? Por quê…?
Ela perguntou, esfregando levemente os olhos. Depois de soltar um grande bocejo, olhou para mim com os olhos arregalados… e inclinou a cabeça.
— Hã? …Itsuki?
— Bom dia, Hinako.
Agora ela devia ter acordado de verdade.
— Por que… o Itsuki está aqui…?
— A Shizune-san está ocupada, então vim no lugar dela.
Ao ouvir isso, Hinako se enfiou de volta debaixo das cobertas, como um urso fugindo do frio.
— Por que você está se escondendo aí?
— Porque… meu cabelo bagunçado… pode estar estranho…
— Você acha mesmo que eu me importo com isso agora?
— Eu me importo.
Por uma fresta entre as cobertas, dava para ver o rosto de Hinako levemente corado. Tudo bem, então. Fui até o banheiro e peguei algumas coisas. Arrastei uma cadeira para perto da cama e falei.
— Senta aqui. Vou arrumar seu cabelo.
Hinako sentou-se a contragosto. Seu cabelo, mais liso do que se esperaria logo após acordar, caía suavemente. Será que precisava mesmo arrumar? Mas, se ela estava preocupada, eu cuidaria disso.
Umedeci levemente seus cabelos para domar os fios rebeldes e, enquanto secava com o secador, passei o pente.
— E aí, o que acha?
— Hm… Está bom.
Hinako assentiu, conferindo o reflexo no espelho. Por um instante, senti-me como um cabeleireiro. Eu me acostumei a mexer no cabelo da Hinako, não é… Com o que exatamente eu estou me acostumando?, retrucou meu lado racional.
— Isso… até que é bom.
— Hm?
— Ter você mexendo no meu cabelo assim… acho que eu gosto.
Que ponto de vista curioso. Pensei isso, mas fiquei em silêncio. Porque, para falar a verdade, eu estava pensando algo parecido. Sob a luz da manhã que entrava pela janela, passando suavemente os dedos pelo cabelo de Hinako, senti uma estranha sensação de calma.
O quê, agora eu virei algum tipo de fetichista por cabelo…? Não, impossível.
— Então pare de se preocupar com o cabelo bagunçado.
Meu papel como cuidador da Hinako era criar um espaço onde ela pudesse baixar a guarda. Por isso, eu preferia que ela não se estressasse com coisas assim.
— Você não acha que eu fico desleixada com o cabelo bagunçado…?
— De jeito nenhum.
Respondi com firmeza, e Hinako fez um pequeno aceno com a cabeça.
— Tá bom… então vou parar de me preocupar…
Com isso, ela voltou a se deitar na cama.
— Então… vou dormir de novo…
— Nada disso.
Cabelo bagunçado até passava, mas dormir demais não. Depois disso, saí do quarto enquanto Hinako se trocava e voltei às minhas tarefas de servo. Por fim, me preparei para a escola e me encontrei com Hinako, que já tinha terminado o café da manhã.
— Vamos para a academia.
Shizune sentou-se no banco do passageiro da frente. Hinako e eu nos acomodamos atrás. Eu já estava completamente acostumado a essas viagens de carro de ida e volta da escola.
— Está um pouco congestionado… Que tal pegarmos outro caminho? — Shizune murmurou, e o motorista assentiu em silêncio, virando à direita em vez de seguir em frente como de costume.
Uma paisagem desconhecida se estendeu do lado de fora da janela. Vi a entrada de um beco estreito. No fim dele, havia uma pequena loja.
…Uma loja de doces, é. Fazia tempo que eu não visitava uma. Mesmo sem perceber, é o tipo de lugar do qual as pessoas acabam se afastando conforme crescem. Ainda assim, para mim, guardava lembranças queridas.
Me pergunto como a Narika está…
Uma parente distante, uma garota mais nova. A menina de quem cuidei antes da Hinako, quando ainda éramos crianças — será que ela está bem hoje?
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