Volume 1
Capítulo 4: Cuidador
A DOENÇA DE HINAKO durou mais do que o esperado. De acordo com a suposição de Shizune-san, Hinako deveria se recuperar no sábado, mas a febre só baixou na manhã de domingo. Por enquanto, ela passou o dia inteiro descansando e, se continuasse bem até a manhã seguinte, voltaria para a academia.
*
Segunda-feira de manhã. Hinako, já recuperada, entrou no carro com um ar preguiçoso.
— Está com sono?
— Nn… dormi só até a metade da noite…
Enquanto observava Hinako cochilando ao meu lado, lembrei-me do que havia decidido na sexta-feira. Como cuidador, eu queria reduzir o máximo possível o fardo de Hinako. Isso não havia mudado.
— Empresta o seu colo.
— Sim, sim.
Hinako apoiou a cabeça no meu colo. Passei a mão de leve em sua cabeça sonolenta. Assustada, Hinako abriu bem os olhos.
— Itsuki… você mudou alguma coisa?
— O que te fez pensar isso?
— De algum jeito, você parece mais gentil.
— Fico feliz em ouvir isso.
Continuei acariciando sua cabeça, sem confirmar nem negar a pergunta.
— Quentinho…
Parecendo mais confortável do que o normal, seguimos para a academia. No entanto, havia um olhar vindo do banco do passageiro. Shizune-san nos observava em silêncio.
*
Chegamos à sala de aula e fui para o meu lugar. Os estudantes da academia estavam cheios de energia naquela manhã de segunda-feira. Devem ter uma rotina bem regulada, pois são muito diferentes dos meus colegas da antiga escola.
— Ei, Tomonari!
— Bom dia, Taisho-kun.
Enquanto colocava minha bolsa ao lado da carteira, Taisho me chamou. Desde a festa do chá, senti que me aproximei mais de Taisho. Embora ainda precisasse da permissão de Shizune-san, fui lembrado mais uma vez de como era importante aprofundar minhas interações com os colegas.
— Konohana-san também, bom dia! Você faltou na sexta-feira, o que fez?
— Bom dia, Asahi-san. Estive ajudando com algumas tarefas domésticas.
— Entendi. Deve ter sido puxado.
Ouvi a conversa entre Asahi-san e Hinako, enquanto falavam de Taisho e outras coisas triviais. Ao que parece, a ausência de Hinako não foi considerada como doença. Talvez isso seja melhor para manter as aparências, mas ainda assim me deixou com um sentimento complicado.
*
Intervalo do almoço. Como de costume, saí furtivamente da sala e almocei com Hinako.
— Hinako, abra um pouco mais a boca.
— Nn~.
Alimentei Hinako, que abriu a boca um pouco mais, com um acompanhamento do seu bentô. Como sempre, eu estava dando o almoço para ela. …Sinto que essa é a única coisa fora do ritmo normal da minha vida.
Só fui alimentado assim quando era criança. De qualquer forma, se isso ajuda Hinako a relaxar, farei o meu melhor por ela.
— Muu.
Hinako olhou para o bentô e soltou um pequeno resmungo.
— Itsuki… isso é para você.
Hinako apontou os hashis em direção à minha boca. O que ela me ofereceu foi um pedaço de pimentão verde, fresco e suculento.
— Nada disso. Mesmo que você não goste, precisa comer.
— Muuuu…
Eu poderia simplesmente ter seguido a vontade de Hinako. Tenho certeza de que qualquer outro cuidador faria o mesmo. Mas nunca é tão simples assim. O que Hinako precisa é do calor de uma família.
É preciso tratá-la como alguém da própria família e não ceder em situações como essa. Para isso, preciso me importar com Hinako mais do que ela mesma.
— Se a sua alimentação não for equilibrada, você vai ficar doente.
— Não é grande coisa. Se eu adoecer, é só dormir na mansão. Talvez seja até mais fácil assim…
— Não diga isso.
Eu não queria que ela pensasse dessa forma, então tentei incentivá-la.
— Eu ficaria muito feliz se a Hinako estivesse saudável e bem.
Com isso, Hinako abaixou o olhar e colocou os hashis de volta no bentô.
— Eu vou comer.
Com expressão apreensiva, Hinako comeu o pimentão verde. Não pude deixar de me impressionar ao vê-la comendo algo que claramente detestava, com uma expressão tão sofrida no rosto.
*
Depois da escola, voltei para a mansão com Hinako e recebi o treinamento de Shizune-san como de costume.
— Obrigado pela refeição.
Após terminar o jantar na mesa do meu quarto, limpei a boca e me sentei corretamente. Naquele dia, estávamos praticando boas maneiras à mesa. Comendo todos os pratos servidos, apliquei o conhecimento que havia adquirido, enquanto Shizune-san permanecia ao meu lado, avaliando calmamente.
— Você ainda se move de forma desajeitada, mas… já adquiriu o mínimo necessário de conhecimento.
— Obrigado.
— No entanto, você ainda é ingênuo demais. Eu disse para sair pelo lado esquerdo da mesa ao se levantar.
— Ah… desculpe. Esqueci.
Eu me lembrava disso quando me sentei. Mas, depois de terminar a refeição, relaxei e acabei esquecendo. Ainda tenho muito a aprender. Preciso me esforçar mais para estar à altura de Hinako.
— A propósito, o que Hinako costuma fazer no jantar? — Perguntei de repente algo que me deixou curioso. — Eu sempre janto no meu quarto, aprendendo etiqueta, mas onde… não, com quem a Hinako janta?
— A ojou-sama já terminou o jantar na sala de refeições da mansão.
Shizune-san respondeu de forma breve.
— Sozinha?
— Sim. Os empregados podem ajudar a levar a comida, mas apenas a ojou-sama tem permissão para comer.
Eu já previa que fosse assim, mas ainda assim senti um aperto no peito.
— Hm… então, eu poderia jantar com a Hinako a partir de agora?
— Isso não será permitido.
A recusa foi firme e definitiva.
— Itsuki-san ainda não concluiu o aprendizado de etiqueta. Reconsideraremos quando Itsuki-san dominar completamente as boas maneiras.
— Entendido.
Se aprender etiqueta é o que me permitirá estar ao lado de Hinako, então preciso me esforçar ainda mais.
— E, Itsuki-san. Por favor, acorde a ojou-sama amanhã de manhã.
— Acordá-la… eu?
— Como lhe disse no primeiro dia, aumentaremos gradualmente as responsabilidades de Itsuki-san. Eventualmente, o cuidador será responsável por todos os aspectos da vida da ojou-sama, desde acordá-la até colocá-la para dormir.
— Entendo.
Ao ouvir a explicação de Shizune-san, assenti com a cabeça.
*
A manhã chegou cedo na casa Konohana. Acordei às seis da manhã, vesti meu uniforme escolar e saí imediatamente do quarto.
Primeiro, varrer e limpar a área em frente ao quarto. Depois de remover cuidadosamente a sujeira diante da porta, sob o corredor e perto da escada, os utensílios de limpeza são colocados no centro do primeiro andar. Embora raramente haja visitas na ala dos empregados, se o local estiver sujo, poeira e sujeira podem grudar nos uniformes. Somos instruídos a limpar com cuidado, pois seria falta de educação ficar diante de um convidado usando roupas sujas.
Hoje estou de serviço na limpeza. Em outros dias, posso dormir um pouco mais.
Sete horas da manhã. Os empregados se reúnem no refeitório para comer e dar início à reunião. Havia cerca de trinta empregados reunidos. Aqueles que trabalharam no turno da noite ou estavam de folga não compareceram.
— Não haverá mudanças na programação hoje. Vamos apenas segui-la e fazer nosso trabalho — disse Shizune-san.
— Sim — responderam os empregados em uníssono.
Como aprendi quando comecei a trabalhar aqui, Shizune-san é a chefe das criadas, o cargo mais prestigioso entre as empregadas da família Konohana. Os funcionários da casa são liderados por duas pessoas: a chefe das criadas e o mordomo-chefe.
Às sete e meia, os empregados terminaram de comer e se dirigiram a seus postos. Eu também segui para o quarto da Hinako.
— Itsuki-san, bom dia.
No caminho, uma das criadas me chamou.
— Bom dia.
— Eu sei que é difícil ser cuidador, mas desejo boa sorte.
— Sim, obrigado.
A mulher que me encorajou saiu rapidamente. …Aos poucos, estou sendo aceito. Já faz uma semana que me tornei cuidador. Meu rosto já é bem conhecido entre os empregados desta casa.
Ao chegar em frente ao quarto da Hinako, parei.
…Eu só preciso acordá-la, certo? Pensando bem, nunca acordei uma garota antes. Mas Shizune-san não é do tipo que dá ordens irracionais. Vou acreditar que ela confiou essa tarefa a mim porque achou que eu conseguiria.
— Com licença.
Bati à porta e entrei. Diz-se que os empregados podem entrar sem bater. No entanto, a família Konohana tem uma regra segundo a qual novos empregados devem bater primeiro. Com os avanços recentes de PCs e outros eletrônicos, a privacidade se tornou mais importante, então as regras precisaram ser flexibilizadas.
Quando entrei no quarto, Hinako dormia tranquilamente em uma cama com uma colcha luxuosa.
— Hinako, já é manhã.
— Nuuu… mais três horas…
Os números estavam completamente errados. Eu até entenderia três minutos, mas não três horas.
— Acorda, ou vai se atrasar.
— Eu quero me atrasar.
— Isso não!
Se fizer isso, todo o seu esforço como atriz vai por água abaixo. Se a imagem pública da Hinako for arruinada por minha causa, serei demitido como cuidador. E então não estaria mais ao lado dela.
— Vamos, levanta.
Quando abri as persianas e as cortinas, o quarto foi inundado por uma luz solar ofuscante.
— Muuuuu…
Esfregando os olhos com o dorso das mãos, Hinako se sentou.
— Eh, I-Itsuki…?
— Sou eu. Bom dia.
Depois que a cumprimentei, Hinako me olhou com uma expressão distante… e voltou a se deitar. Por que você está voltando a dormir…?
— Me acorda.
Hinako disse isso, erguendo os braços. Quer que eu a acorde?… Sorri de forma constrangida diante da Hinako mimada.
— Sim, sim.
Segurei as mãos dela e a ajudei a se levantar. Enquanto apoiava levemente a parte superior de seu corpo, Hinako sorriu de leve.
— Itsuki… bom dia.
— Bom dia.
Depois de trocarmos as saudações matinais mais uma vez, peguei o uniforme dela do cabide.
— Vou deixar sua roupa aqui. Vou esperar lá fora.
— Me ajuda.
— Hã?
— Me ajuda… a me vestir.
Hinako disse isso, estendendo as mãos, como se dissesse "tire minha roupa".
— Não, ajudar com isso é um pouco…
— A-Anda logo.
Meu trabalho é acordar a Hinako e levá-la ao refeitório. …Será que isso também inclui ajudá-la a se vestir? Devagar, desabotoei a camisa da Hinako. Pude ver sua pele através da abertura entre os botões.

…!
Era uma visão muito estimulante, e isso me deixou desconfortável. Hinako fechou os olhos tranquilamente e se entregou a mim. Calma… calma, eu.
Ajudei Hinako a se vestir enquanto pensava comigo mesmo. Abri todos os botões da camisa, revelando sua roupa íntima cor de pêssego. Apertando os olhos ao máximo, ajudei-a a colocar o uniforme.
…
Hinako não me olhava dessa forma. Tenho certeza de que ela procura alguém que possa lhe oferecer o calor de uma família em quem confie. Para alcançar isso, preciso me livrar desses pensamentos excessivos. Era o que eu estava pensando—
— Itsuki-san, você está aí?
— S-S-Sim?!
Ouvi a voz da Shizune-san do lado de fora do quarto. Fiquei tão surpreso que soltei um som estranho.
— Esqueci de mencionar que a ojou-sama costuma falar enquanto dorme. Às vezes, por exemplo, ela pede ajuda para se vestir… Mas você é um homem, então não levaria isso a sério, certo?
Eu levei a sério!! O que eu faço?!
Peço desculpas? Seria melhor chamar alguém para ajudar… não, já é tarde demais. Se a Shizune-san me vir assim, minha vida como homem acaba aqui.
— C-C-Claro! Não ter esse tipo de bom senso não é uma característica minha!
— É verdade. Minhas desculpas, você não é um macaco em pleno crescimento. …Nesses últimos dias, passei a entender que Itsuki-san tem uma personalidade direta e dedicada. Assim como a ojou-sama, eu também confiarei em você.
Dói. Dói. Dói… dói demais. Shizune-san, por que você só me elogia em momentos como esse?
— Hum… Hinako.
— O quee~?
— Você pode não contar à Shizune-san que eu te ajudei a se vestir hoje?
Quando pedi isso, com suor frio escorrendo pelo rosto, Hinako pensou um pouco antes de responder.
— Se você fizer disso parte da sua rotina diária, tudo bem.
— Não era isso…
— Vou te ver todas as manhãs, a partir de agora…
Você só pode estar de brincadeira!
*
— Provas intermediárias?
Eu estava na sala de aula da Academia, um ambiente com o qual já havia me acostumado. Perguntei ao Taisho enquanto me sentava no meu lugar.
— Ah. Como o Tomonari acabou de se transferir, achei melhor comentar. As provas começam na semana que vem.
— Semana que vem… não é cedo demais para provas intermediárias?
— Nossa cerimônia de abertura também é mais cedo do que a das outras escolas.
As palavras do Taisho faziam sentido. Ainda não ouvi nada da Shizune-san… mas, de qualquer forma, nunca deixei de me preparar e revisar todos os dias. Mesmo sabendo que a prova está próxima, vou continuar fazendo o que sempre fiz.
— A propósito, aqui estão algumas questões de provas de anos anteriores. Se quiser, pode tentar resolvê-las.
Taisho então me mostrou um maço de folhas. Li o conteúdo e… comecei a suar frio.
…Isso é ruim. Tem coisas aqui que eu mal sei por onde começar. Mesmo recebendo orientação da Shizune-san, não sei se vou conseguir dar conta disso até a semana que vem. Não é que eu nunca tenha deixado passar algumas coisas antes, mas agora sentia uma urgência real.
*
Hora do almoço. Como de costume, eu estava almoçando com a Hinako.
— Itsuki… eu quero esse agora — disse Hinako olhando para a marmita. Mas eu permaneci em silêncio, perdido em pensamentos.
— Itsuki?
— A-Ah, desculpa. Hambúrguer? — Peguei o hambúrguer de carne japonesa com os hashis e levei até a boca dela.
— Ishuki… o que tá errr… mmf …ado?
— Engole antes de falar.
Não dava para entender nada do que ela dizia. Hinako engoliu a comida e falou de novo.
— Itsuki… o que foi?
Parece que ela percebeu que eu estava estranho. Suspirei antes de responder.
— Não é nada demais, só que as provas intermediárias parecem mais difíceis do que eu pensei. Fiquei um pouco desanimado.
Na verdade, era um problemão. Uma nota ruim poderia colocar minha posição em risco. História, Economia e Inglês até dá para resolver com memorização ao longo do tempo… mas fora isso, minhas opções são limitadas.
— Eu posso te ensinar, se quiser…?
— Eh?
— Posso não parecer, mas ainda sou a melhor da turma.
Hinako estufou o peito e falou com confiança e orgulho.
— Agora que penso nisso, você vivia na sala ajudando todo mundo a estudar.
— Nn. Minha habilidade é bem conhecida… né isso?
Ela parecia muito orgulhosa. É estranho para mim, que conheço a verdadeira Hinako, lembrar que ela é a melhor aluna da academia. Estou tentando ser alguém em quem ela possa confiar, mas… pedir ajuda justamente a ela me deixa com sentimentos confusos. Ainda assim, não posso voltar atrás agora.
— Então… posso te pedir ajuda?
— Deixa comigo~.
Como agradecimento, continuei dando comida da marmita para a Hinako, que agora estava de ótimo humor.
*
Depois do almoço, voltei para a sala de aula e me sentei no meu lugar. Enquanto me sentia aliviado por ter encontrado uma forma de me preparar para a prova, Taisho e Asahi-san se aproximaram.
— Tomonari-kun, fiquei sabendo. Você está preocupado com as provas do meio do período?
Foi a Asahi quem falou. Pelo visto, Taisho já tinha contado.
— Sim… Aproveitando, queria perguntar aos dois: vocês fazem algo especial para estudar para as provas?
— Bem, nada de especial. Se tiver que dizer algo, acho que só estudo mais tempo do que o normal.
— Eu sou igual à Asahi. Em vez de preparação extra, eu foco em revisar.
Os alunos da Academia Kiou normalmente estudam depois das aulas, então não precisam fazer nada fora do comum.
— E você? Como estudava na sua escola anterior?
— Bom… às vezes eu virava a noite estudando, e também participava de grupos de estudo.
— Grupos de estudo?
Expliquei à Asahi-san, que inclinou a cabeça curiosa.
— A gente se reunia para estudar. Quando tem mais gente, fico mais motivado, e às vezes cooperamos ensinando uns aos outros aquilo em que somos melhores.
Na prática, porém, esse tipo de cooperação muitas vezes virava conversa fiada em vez de estudo.
— Então… por que não tentamos isso?
— Hm?
— Um grupo de estudos! Vamos fazer, parece divertido e interessante! — Asahi-san respondeu animada. Por algum motivo, os olhos tanto do Taisho quanto da Asahi-san brilhavam.
— Vamos chamar as mesmas pessoas do chá da outra vez. Você conhece muita gente com notas altas.
— Boa ideia! Vamos convidar todo mundo!
Era para ser só uma conversa, mas quando percebi, os dois já estavam totalmente empolgados. Mas… e agora? Eu tinha planejado pedir para a Hinako me ensinar…
— Tomonari-kun, quando você está livre?
— Não, sobre isso… eu ainda não decidi se vou participar.
— Ehhh? Você não vem, Tomonari-kun!? Foi você que deu a ideia!
— É! Você explicou tudo, então tem que participar também!
O clima tornava difícil recusar.
Bem… podemos fazer o grupo de estudos e deixar a Hinako ensinar todo mundo.
— Tudo bem, eu participo.
*
Depois das aulas, conversei com a Shizune-san sobre o grupo de estudos assim que as lições terminaram. (Aulas habituais com a Shizune.)
— Um grupo de estudos, é?
— Sim. Para nos prepararmos para a prova, decidimos estudar juntos com os mesmos membros do chá…
— Não faz tanto tempo desde o chá… é mesmo necessário estudar em grupo?
Shizune-san lançou-me um olhar afiado.
— Como é apenas uma preparação para a prova da academia, achei que seria útil aprender com pessoas mais experientes.
Mas, se for assim, eu poderia simplesmente pedir ajuda à Hinako. Então por que estudar com os mesmos membros do chá? Eu tinha meus próprios motivos.
— Isso pode ser só um capricho meu, mas… todas as pessoas que convidei para o chá são aquelas em quem confio. A Asahi-san, o Taisho, a Tennouji-san e a Narika são muito importantes para mim, e eu quero valorizar isso.
Então, por favor, permita que eu interaja mais com eles. Ao ouvir isso, Shizune-san assentiu levemente.
— Entendo. Eu estava planejando começar amanhã o currículo específico para as provas, mas, nesse caso, podemos ajustar o cronograma.
Arregalei os olhos diante da resposta indiferente dela.
— Desculpe. Eu não sabia que já tinha preparado tudo para mim.
— Não precisa se preocupar. Afinal, sou apenas uma pessoa de fora. Como o Itsuki-san disse antes, colegas de classe podem pensar em contramedidas melhores.
Mesmo assim, seria um desperdício não aproveitar o tempo e o esforço que ela já havia dedicado. Além do grupo de estudos, vou cumprir também o currículo que a Shizune-san preparou.
— Acho que isso encerra o treino de hoje. A ojou-sama está esperando, então vá para o quarto dela o mais rápido possível.
Agradeci à Shizune-san e deixei o dojô. A rotina depois das aulas para um cuidador é relativamente pesada. Depois das aulas e da revisão, ainda há lições de etiqueta durante o jantar, mais estudos e, por fim, treinamento de autodefesa.
Após o treino, sigo para o quarto da Hinako e entramos juntos no banheiro. No começo, essa rotina era exaustiva, mas finalmente me acostumei. …Mas, antes disso—
Lembrando-me das minhas tarefas, fui primeiro ao meu quarto. Depois de pegar os itens que havia esquecido, voltei ao quarto da Hinako.
— Muuu…
Juntei-me à Hinako, que já estava no banheiro, e lavei seu cabelo. Enquanto isso, ela resmungava baixinho.
— Ainda está emburrada?
— Mas era para eu ser quem te ensinaria… muuuu…
— Desculpa ter decidido isso sozinho. Mas não é como se eu fosse parar de estudar com você só porque vamos ter um grupo de estudos.
— Você está insatisfeito comigo?
— Não, não foi isso que eu quis dizer, mas…
Ela parecia realmente de mau humor. Então enxaguei o shampoo e me levantei.
— Espera só um pouco.
Voltei ao vestiário e peguei as coisas que havia preparado antes.
— Não conta para a Shizune-san.
Tirei algo da bolsa térmica e entreguei à Hinako.
— Isso é…?
— Sorvete. Eu comprei escondido antes de entrar no carro.
Como, oficialmente, a Hinako e eu moramos em casas diferentes, ela entra sozinha no carro primeiro, e depois eu vou a um local mais afastado para ser buscado. Hoje, depois da aula, comprei escondido uma bolsa térmica e sorvete antes de ir ao ponto de encontro e os escondi na mochila. Usei o dinheiro mínimo que a Shizune-san me dá para a escola.
— Hinako, você já comeu sorvete dentro da banheira?
— Não, mas…
— É a melhor coisa que você vai provar na vida.
Eu também tinha comprado um para mim, então comecei primeiro. Hinako fez o mesmo, comendo enquanto relaxava na banheira.
— !! Muito bom! Muito gostoso…!!
— Viu só?
Com os olhos brilhando, Hinako parecia genuinamente impressionada. Ao ver sua expressão feliz, não consegui evitar um sorriso. …Consegui melhorar o humor dela. Na verdade, isso já tinha sido preparado para que a Hinako pudesse relaxar um pouco.
Como cuidador, meu objetivo é fazer com que os dias da Hinako fluam sem que ela desmorone. Se ela vem se sentindo sobrecarregada com frequência, então o modo como as coisas vinham sendo feitas até agora não estava funcionando.
Esses pequenos passos se tornam importantes. E as coisas que preparei pensando nisso deram resultado.
— Ah…
Um pedaço de sorvete caiu no chão. O piso estava quente, e ele derreteu rapidamente. …Hinako rapidamente recolheu o líquido restante com a palma da mão.
— Regra dos três segundos.
Franzi a testa diante da justificativa orgulhosa dela.
— Não, isso não vale para líquidos…
— Regra dos três segundos.
Aqui não se aplica. Hinako ficou abatida e devolveu o líquido ao chão.
— Só para avisar, não use essa regra em público com tanta frequência, ok?
— Hm… vou tomar cuidado.
Não tive certeza se ela estava realmente prestando atenção, já que sua resposta foi vaga.
— Itsuki… quando vai ser o grupo de estudos?
— Ainda não decidimos a data, mas quanto antes, melhor. Talvez amanhã ou depois de amanhã…
— Eu vou participar.
Pelo rumo da conversa, eu já esperava essa resposta. Mas, diferente do chá, agora sentia um certo desconforto.
— Esqueci de perguntar, mas… será que a razão de você ter passado mal antes foi por causa do chá? — Perguntei, sentindo-me culpado. — Se for isso, acho que o grupo de estudos pode acabar sendo um peso para você. Talvez fosse mais fácil se você voltasse primeiro para a mansão.
— Hmm… — Hinako respondeu de forma pensativa. — Não é como se… isso fosse melhor.
Ela não disse muito, mas acho que consegui entender o que quis dizer.
— Entendo.
Ficar sozinha pode ser mais fácil, mas isso não significa que ela esteja satisfeita com isso. Para ser sincero, eu também queria que a Hinako interagisse com mais pessoas. Pensando nos casos da Narika e da Tennouji-san, sinto que a Hinako deveria ter boas amizades também.
— Além disso… eu odeio ainda mais quando você não está ao meu lado, Itsuki.
Ri ao ouvir isso.
— Então, quer participar com a gente?
— Hmmm.
*
Depois da aula. Pensei comigo mesmo ao reconhecer os rostos dos alunos reunidos em torno da mesa redonda.
— Então, vamos começar esta sessão de estudos.
— Isso! — foi a Asahi-san quem gritou primeiro, animada.
Não havia exatamente a tensão típica de um grupo de estudos sério, mas achei que apontar isso seria má ideia, então preferi ficar calado. Estávamos no mesmo café onde havíamos feito o chá da outra vez. Os membros ao redor da mesa eram os mesmos: eu, Asahi-san, Taisho, Hinako, Narika e a Tennouji-san.
— Mas… mais uma vez, que grupo cheio de rostos lindos. É reconfortante ter duas das melhores alunas da escola para ajudar.
As palavras do Taisho me deixaram curioso.
— Eu sei que a Konohana-san está em primeiro lugar, mas quem é a segunda…?
— Sou eu — respondeu a Tennouji-san, sentada à minha direita, com a voz emburrada.
Ela tem um forte sentimento de rivalidade com a Hinako. Pedi desculpas a ela em voz baixa.
— A Asahi-san também tem notas boas, não tem?
— Bem~… entre nós todos, tenho certeza de que a Miyakojima-san se sairia melhor.
— !?
Quando Asahi-san disse isso, o rosto da Narika se contraiu.
— E-Eu só tenho boas notas em educação física e história…
— História?
— A família Miyakojima valoriza muito o espírito do bushidô. Por causa disso, fui obrigada a estudar história desde pequena — Narika explicou como se fosse difícil admitir. — Mas, em praticamente todas as outras matérias… eu mal passei raspando.
A mesa ficou em silêncio, e Narika ficou vermelha de vergonha. Diferente da Hinako, que vai bem tanto nos estudos quanto nos esportes, Narika se destaca apenas nas atividades físicas.
— Hã… o que eu posso dizer… desculpa.
— Não, está tudo bem. Não se preocupe com isso.
Narika respondeu de forma abatida. Ela é temida e respeitada por causa de vários mal-entendidos, e por isso muitas de suas fragilidades acabam passando despercebidas. No chá, Asahi-san e Taisho a olhavam com respeito; agora, olhavam para ela com familiaridade.
— Isso é… bem, parece que vou ter que me esforçar — murmurou Tennouji-san, com uma expressão complicada, olhando para mim em seguida. — Tomonari-san, você já tem alguma ideia de como esse grupo de estudos vai funcionar?
— Não… a ideia era só nos reunirmos e estudarmos juntos.
— Nesse caso, que tal dividirmos em dois grupos: quem ensina e quem aprende? Deve ser mais eficiente. …Eu, a Konohana-san e a Asahi-san ficaremos do lado que ensina.
Ou seja, três pessoas ficariam aprendendo: eu, Taisho e Narika.
— Em quais matérias você tem mais dificuldade, Tomonari-san?
— Tudo o que não seja apenas memorização… acho que matemática vai ser especialmente difícil.
Contei honestamente quais eram meus pontos fracos. Hinako, sentada à minha esquerda, então se manifestou.
— Se você quiser, eu—
— Nesse caso, eu vou te ajudar a estudar. Sou boa em matemática.
Hinako estava prestes a dizer algo, mas a voz clara da Tennouji-san a interrompeu. Num instante, o sorriso da Hinako se enrijeceu.
— Então, eu ensino a Miyakojima-san. Não tenho nenhuma matéria em que seja particularmente ruim, então acho que posso ajudar a aumentar sua média — disse a Asahi-san.
— P-Por favor! — respondeu Narika, rígida.
— I-Isso quer dizer que eu fico com a Konohana-san…?
— Sim. Conto com você, Taisho-kun.
— S-Sim, eu também!!
Taisho parecia nervoso, mas claramente feliz. Já a Hinako continuava sorrindo de forma gentil — enquanto pisava com força no meu pé.
Dói, dói, dói… Pensando bem, a Hinako queria me ensinar desde ontem. Então, como quem vai me ajudar é a Tennouji-san, e não ela, é natural que esteja de mau humor.
Não é como se a Hinako e eu não pudéssemos estudar juntos depois de voltar para a mansão… Ai, ai, isso dói, para de furar meu pé com o salto.
— Bem, então vamos começar.
Com as palavras da Tennouji-san, todos nós começamos a estudar.
*
Já haviam se passado duas horas desde que começamos a estudar em nossos respectivos grupos.
Na minha escola anterior, as sessões de estudo viravam conversa fiada depois de trinta minutos, mas aqui os alunos permaneciam concentrados em silêncio. Acho que isso é exatamente o que significa ter crescido em ambientes diferentes. Eu realmente sentia uma urgência em relação à prova, e era grato por poder aproveitar essa oportunidade.
— Miyakojima-san, você está bem? Quer fazer uma pausa?
— S-Sim… por favor. Sinceramente, minha cabeça vai explodir…
Narika segurou a cabeça e gemeu baixinho.
— Taisho-kun, vamos fazer uma pausa rápida também.
— A-Ah, sim~.
Taisho, ainda nervoso, respondeu à sugestão da Hinako em voz baixa.
— Que tal fazermos uma pequena pausa também?
Tennouji-san, que estava me ensinando matemática, fez a sugestão. Mas respondi sem tirar os olhos do caderno que tinha nas mãos.
— Não, só mais um pouco, por favor.
Graças à Tennouji-san, eu estava conseguindo resolver, aos poucos, problemas que antes não entendia. Não gosto de estudar a ponto de achar isso divertido… mas é em momentos como esse que consigo enxergar meu próprio crescimento e sentir que o esforço vale a pena. …Por isso, queria continuar só mais um pouco.
— O Tomonari-kun é uma pessoa muito séria, não é? — De repente, Asahi-san olhou para mim e disse isso. — Ah, não, não estou zombando. Estou falando sério.
— É verdade. Eu gosto desse seu desejo de melhorar a si mesmo — concordou a Tennouji-san. — Tenho certeza de que foi o Tomonari-san quem planejou e iniciou esta sessão de estudos, não foi? Ele não tem plena consciência de que é um líder, mas… por outro lado, é muito bom em apoiar os outros e empurrá-los para frente.
Como eu não tinha intenção de me colocar acima de ninguém, pensei em deixar o comentário passar, mas… fiquei um pouco surpreso com o elogio na segunda parte.
— O que foi essa cara?
— Não, é que… fiquei surpreso, ou melhor, feliz por receber um elogio assim…
— Ara, eu sou muito boa em julgar o caráter das pessoas, sabia? Na verdade, fui eu quem escolheu todos os meus criados pessoalmente.
Tennouji-san disse isso com orgulho.
— Os criados da Tennouji-san costumam ser bem rigorosos, não?
— Quando estou fora, eu… em casa, tenho outro criado ao meu lado.
Na família Konohana, os empregados são basicamente contratados pelo Kagen-san, mas na família Tennouji, ao que parece, a própria Tennouji-san tem o direito de escolher quem a acompanha.
— Então, o Tomonari-kun, que chamou a atenção da Tennouji-san, tem um futuro promissor, não acha?
— Sim, acho que sim. Sei que é um pouco rude olhar para um colega de classe como um criado, mas… se ele estiver disposto, acredito que seja promissor o bastante para ser "recrutado".
— Servir à família Tennouji não é algo tão ruim assim… Tomonari-kun, é algo para se pensar, ok?
Asahi-san disse isso com alegria. Mas, naquele instante, senti uma intenção assassina direcionada a mim. Tanto a Hinako quanto a Narika me encaravam com olhares afiados.
— B-Bem, por enquanto, ainda não tenho intenção nenhuma disso.
— Ara, que pena.
Tennouji-san, é claro, não parecia realmente desapontada. A conversa não passava de uma hipótese.
— Acho que também deveríamos fazer uma pausa. Existe um limite para a concentração, e depois de descansar pensamos melhor.
— Entendo.
De qualquer forma, eu pretendia continuar estudando depois de voltar para a mansão. Preciso ajustar o ritmo para não gastar toda a minha energia aqui.
— Ah, Tomonari. Aonde você vai?
— Vou fazer uma pausa e queria me alongar um pouco… então vou dar uma volta por aí.
Avisei o Taisho e saí do café.
Eu queria me alongar para mudar o humor, mas não queria fazer isso em um lugar chamativo, então fui para a parte de trás do prédio da escola, onde havia poucas pessoas. A área também era bem cuidada. Comecei a me alongar devagar, sentindo o vento do lado de fora.
— Sou abençoado, não sou?
Lembrei-me dos membros do grupo de estudos.
Hinako, Narika, Taisho, Asahi-san e Tennouji-san. …Na minha escola anterior, eu também tinha amigos, mas meus relacionamentos atuais não são ruins. Todos são gentis e confiáveis.
No começo, achei que ser cuidador seria difícil e pesado, mas, antes que eu percebesse, já estava me sentindo muito confortável com minha situação atual. Eu queria apoiar a Hinako, mas também queria proteger esse ambiente que se formou ao redor dela.
Vamos dar o nosso melhor nos estudos.
Assim que tomei essa decisão, ouvi passos atrás de mim.
— Tomonari-san.
Virei-me ao ouvir meu nome e encontrei a Tennouji-san parada atrás de mim.
— Hm? Você também está dando uma volta, Tennouji-san?
— Sim. Eu também queria me alongar um pouco.
Entendi… pensei em responder, mas antes que pudesse fazê-lo, ela continuou:
— Isso foi apenas um pretexto.
Tennouji-san falou.
— Tenho algumas perguntas para você, Tomonari-san.
— O que você quer perguntar…?
Eu não fazia ideia do que ela estava prestes a dizer. Então ela abriu a boca.
— Tomonari-san. Você é realmente filho de um homem de meia-idade com um negócio sólido?
A pergunta atingiu meu coração em cheio. Meu estado de espírito relaxado desapareceu, e um suor frio começou a escorrer por todo o meu corpo.
Ela descobriu? Por quê? Como? A informação vazou?
Calma. Reprimi minha agitação e tentei parecer o mais tranquilo possível.
— O que te faz pensar isso?
Não consigo enxergar a intenção por trás dessa pergunta. Será que a Tennouji-san já está convencida de que minha identidade é falsa? …Se for esse o caso, não há muito o que eu possa fazer agora.
— Etiqueta à mesa.
Tennouji-san respondeu de forma breve.
— Imagino que isso signifique que meus modos não foram bons o bastante.
— Não. Houve alguns pontos falhos, mas, no geral, foi aceitável. Ainda assim, aos meus olhos… parecia falso — ela me observava atentamente. — Sinto que há algo diferente na sua maneira de agir. Seus modos… é como se você os tivesse decorado à força, mesmo que só um pouco. No mínimo, não são ações de alguém educado desde cedo como candidato a herdeiro.
Lembrei-me de que a Tennouji-san havia dito antes que tinha um bom olho para pessoas. Isso foi algo que nem mesmo a Shizune-san apontou. Naturalmente, eu também não havia percebido.
— Não me entenda mal, não estou te acusando de nada.
Enquanto eu estava perdido em pensamentos, Tennouji-san suavizou a expressão e continuou:
— Fiquei apenas um pouco curiosa. Você é um aluno transferido, então provavelmente nunca precisou aprender etiqueta antes. Pensando assim, faz sentido, mas… é bom demais para ser verdade.
— Bom demais para ser verdade?
— Quero dizer que apenas o seu conhecimento está adiantado. Você se esforçou bastante nesses últimos dias, não foi?
Apesar do tom interrogativo, a confiança dela era evidente.

— Por que o Tomonari-san se esforça tanto? Achei que a resposta talvez estivesse no seu status. …Se não quiser falar sobre isso, não vou insistir.
Não insistir. Agradeço a consideração, mas ainda assim restavam dúvidas.
— Você não acha isso suspeito?
— Não acho que seja possível registrar alguém suspeito nesta academia. Você certamente teve seu histórico verificado pela escola quando se transferiu — A Tennouji-san respondeu à minha pergunta apreensiva com um sorriso gentil. Pensando bem, a Narika também havia dito algo parecido algum tempo atrás. Mas então… por que a Tennouji-san trouxe esse assunto à tona? — Eu só perguntei por pura curiosidade.
Talvez lendo meus pensamentos, a Tennouji-san falou:
— Será que você também…
Em uma voz muito baixa, ela murmurou algo. Inclinei a cabeça, sem conseguir ouvir o que disse, e a Tennouji-san me olhou como se tivesse recuperado a compostura.
— Não é nada. …Devemos voltar logo.
— É verdade.
Seguimos de volta em silêncio.
*
Quando voltei ao café junto com a Tennouji-san, a Asahi-san e os outros estavam conversando e rindo animadamente.
— Parece que a animação está grande por aqui.
Tennouji-san comentou enquanto se sentava.
— Ah, Tennouji-san. Estávamos falando sobre o chá na casa da Konohana-san.
— Chá? …Ah, você quer dizer o encontro social anual da família Konohana, que acontece todo início da primavera?
— Como esperado, a Tennouji-san já sabe disso.
— Bem, é famoso, não é? Acho que o evento acontece na semana seguinte às provas do meio do período. Ouvi dizer que é um grande evento social, com a presença de muitas celebridades.
Aparentemente, há um evento social importante se aproximando, organizado pela família Konohana. Eu não fazia ideia.
— Você já participou alguma vez, Tennouji-san?
— Meu pai já participou algumas vezes, mas eu não. Esse tipo de encontro é voltado para adultos e, além disso… as famílias Tennouji e Konohana têm uma relação delicada.
— Ah…
Asahi-san pareceu entender o que a Tennouji-san quis dizer.
— Não é que não nos demos bem. É só que ler as intenções dos outros não é muito do meu feitio, então recusei até agora.
Antes que o clima ficasse estranho, Tennouji-san explicou de forma direta. Como alguém comum, não entendo muito bem o que ela quis dizer com "ler as intenções dos outros", mas os demais pareceram satisfeitos com a resposta.
— E você, Miyakojima-san, já participou?
— N-Não… quer dizer, acho que o convite chegou, mas… eu não sou boa em eventos sociais…
Narika respondeu como se fosse difícil admitir.
— Eu sabia que convites chegaram tanto para a família Tennouji quanto para a Miyakojima. …É algo bonito, não é? Se é um baile grande o bastante para a família Konohana organizar, deve ter dança também, certo? Eu adoro usar vestidos, então, se houver um evento social, fico sempre animada para participar.
Asahi-san falou com admiração. Então Hinako sorriu suavemente.
— Asahi-san, eu posso lhe enviar um convite, se quiser.
— Eh, sério!?
— Sim. Como a Tennouji-san disse, embora seja reconhecido como um evento para adultos, não temos essa intenção rígida. Então, sinta-se à vontade para participar. Haverá um baile, e também vários convidados da nossa idade.
— O-O que eu faço… fiquei nervosa quando disseram que eu poderia ir, mas talvez seja uma oportunidade valiosa… Posso aceitar? O convite?
— Sim. Vou providenciar para que chegue em até três dias.
— Eba… então vou me arrumar toda para o dia do evento! Conto com você, Konohana-san!
— Sim.
Hinako prometeu com naturalidade enviar o convite. Inclinei-me e sussurrei discretamente em seu ouvido.
— Tem certeza de que está tudo bem decidir isso sozinha?
— Nn… disseram para eu convidar pessoas, já que esse evento serve para demonstrar a dignidade da família Konohana. …Mas nunca fiz isso antes.
Nunca convidou ninguém antes? Bem, os alunos da academia são todos filhos de famílias ricas. A família Konohana não tem nada a perder convidando-os.
— K-Konohana-san! Isso quer dizer que eu também posso ir?
— Sim. Também enviarei um convite para o Taisho-kun.
Taisho demonstrou claramente sua empolgação.
— Isso também faz parte do plano — murmurou Tennouji-san. — Konohana-san, desta vez eu também vou participar. …Foi assim que acabamos juntas na mesa do chá e no grupo de estudos, e agora posso aceitar o convite não como filha da família Tennouji, mas como amiga — Tennouji-san disse isso sorrindo. — Tomonari-kun, você gostaria de participar também?
— Bom… eu… — diante da pergunta da Tennouji-san, lancei um olhar para a Hinako. Ela sorriu gentilmente. Como cuidador, vamos juntos à academia, mas não acho que eu devesse participar de eventos sociais desse tipo…
— Sim. Acho que é uma boa oportunidade, então gostaria de participar.
Transmiti de forma implícita que não poderia garantir nada.
— E você, Miyakojima-san?
— E-Espera, eu!? — Quando perguntaram à Narika, ela se assustou e estremeceu. — E-Eu vou… se eu puder. Todos, exceto a Narika, fizeram expressões um pouco complicadas diante da resposta vaga dela. Bem, vamos deixar assim. Forçá-la a participar só a deixaria ainda mais confusa.
O grupo de estudos continuou — e, alguns dias depois, começaram as provas do meio do período da Academia Kiou.
*
As provas do meio do período da Academia Kiou eram estruturadas de forma um pouco diferente da minha antiga escola. O tempo de prova para cada matéria era de noventa minutos. Era simplesmente mais longo porque havia mais questões. Além disso, disciplinas que não existiam em outras escolas, como economia, também faziam parte do exame.
As provas aconteceram ao longo de três dias. E finalmente, no último dia, após concluir a última prova… pude enfim relaxar.
— De algum jeito, acabou.
Assim que o sinal do fim da prova soou, soltei um suspiro de alívio. Como não havia aulas naquele dia, os alunos deixaram a escola com expressões cansadas.
Olhei na direção da Hinako. Ela estava cercada por colegas de classe, conversando animadamente sobre como tinha ido bem na prova. Parecia que ia demorar um pouco, então fui ao banheiro.
Ao voltar para a sala depois de usar o banheiro, encontrei um rosto familiar.
— Narika?
— Itsuki, é você, né?
Narika, que caminhava pelo corredor com passos vacilantes, virou-se para mim. Seus olhos estavam sem brilho algum.
— Haha… acabou. …A prova e eu.
— Imagino que não tenha sido muito útil.
Embora eu já suspeitasse disso pelas sessões de estudo, parece que a Narika realmente não é boa nos estudos. Tirando educação física e história, ela parece ficar abaixo da média em tudo.
— E você, Itsuki, como foi?
— Acho que pelo menos escapei das notas vermelhas.
— Pfft, claro que sim. Já esperava isso. …Você é um traidor.
— Como assim, traidor…?
— Você trabalha na casa da Konohana-san, longe de mim, e ainda tira notas melhores do que as minhas… No fim das contas, o Itsuki é meu benfeitor. Isso só me lembra como eu sou uma pessoa ruim. …Será que você me odeia, Itsuki?
— Não, eu não te odeio…
— Injusto.
Ela murmurou em voz baixa. Para não me envolver ainda mais naquela aura negativa que transbordava dela, virei-me rapidamente.
— E-Então… vou indo. A gente se vê amanhã.
— Amanhã… queria poder tirar um dia de folga…
Você soa igualzinha à Hinako. Despedi-me da Narika, que ficou olhando para fora da janela com um olhar distante, e voltei para a sala. Nesse momento, a Hinako também parecia ter terminado de conversar com as colegas e estava se preparando para ir embora.
*
Como sempre, depois que Hinako entrou no carro, fui até o ponto de encontro um pouco mais afastado.
— Obrigada pelo esforço nas provas.
Assim que entrei no carro, a Shizune-san se aproximou.
— Como foi?
— Graças à sua ajuda, consegui resolver tudo de forma razoável.
— Não sei exatamente o que você quer dizer com "razoável", mas considerando o resultado do simulado do dia anterior… não foi nada mal. Vale a pena estudar com afinco, não é?
— Muito obrigado.
O elogio da Shizune-san fez com que eu sentisse, de fato, que as provas tinham terminado.
Acho que consegui superar isso. Passei por mais uma etapa. Mas não posso baixar a guarda. Vou continuar estudando.
O carro seguiu em direção à mansão da família Konohana. Hoje quase não houve conversa — eu também estava cansado.
— A propósito, ojou-sama. Fui instruída a avisá-la de que, depois de amanhã, no sábado, a senhorita deverá comparecer a um jantar junto com o Kagen-sama.
Shizune-san falou do banco do passageiro.
— Os convidados serão o CEO da corporação de estaleiros Chikamoto, além de diretores de outras empresas pertencentes à Sea Japan United. O plano da Chikamoto Shipbuilding é firmar uma parceria com empresas do grupo Konohana. A Sea Japan United já mantém uma relação econômica com eles, e esse tipo de vínculo está se fortalecendo.
Enquanto conferia documentos, Shizune-san continuou a explicação.
— Quando tinha sete anos, ojou-sama cumprimentou o CEO da Chikamoto Shipbuilding em um evento social. Ao organizar este jantar, a outra parte manifestou o desejo de ver a ojou-sama já crescida, e foi decidido que a senhorita participará. Por favor, comporte-se adequadamente.
— Nnn… que saco.
— Por favor.
Talvez acostumada a esse tipo de troca, Shizune-san continuou sem hesitar. Hinako, sentada à minha direita, estava emburrada.
— E, Itsuki-san…
— Sim?
— Peço que o Itsuki-san se aproxime do local do evento no dia.
— Sim…?
Inclinei a cabeça diante do pedido inesperado.
— É provável que você venha a participar de eventos sociais no futuro, então não há mal algum em se acostumar com a atmosfera desde já. O jantar será realizado ao ar livre, então peço que observe à distância como um servo da família Konohana.
— Entendido.
*
Sábado. No dia em que Hinako participaria do jantar com o Kagen-san, eu havia trocado de roupa conforme instruído pela Shizune-san, vestindo-me como um servo que a acompanharia.
— Um terno…?
Murmurei enquanto pedia que a Shizune-san conferisse minha aparência.
— Não gostou?
— Não, não é isso… só não estou acostumado a usar algo assim.
Diferente do uniforme da escola ou do trabalho de meio período, as roupas eram um pouco apertadas e desconfortáveis. Ainda assim, refletido no espelho, eu parecia bem melhor do que com o uniforme escolar de sempre. Talvez fosse o penteado… ou talvez a qualidade do terno.
— A propósito, esse terno é de uma das marcas italianas mais luxuosas, e custa 700 mil ienes.
— Eh!?
— Por favor, trate-o com o máximo cuidado.
Era ainda mais caro do que eu imaginava. Não manchar o terno de forma alguma — com essa missão em mente, deixei a mansão junto com a Shizune-san.
*
— Este é o local do evento.
Levamos cerca de uma hora de carro até chegar ao destino: uma pensão.
— Shizune-san, este também é uma residência da família Konohana?
— É mais um local para eventos do que uma casa de veraneio. Este é usado principalmente para ocasiões como esta.
Diante de nós havia uma grande e bem cuidada construção em estilo ocidental. A recepção tinha o mesmo luxo de um hotel de primeira classe, e ao lado do prédio havia um amplo campo de golfe.
— Então, por favor, dirija-se à recepção, ojou-sama. Nós aguardaremos do lado de fora.
— Nn.
Hinako, vestida de forma elegante e apropriada para o jantar, assentiu. A partir dali, nos separaríamos dela.
— Itsuki.
— O que foi?
— Eu… vou encontrar um tio que não conheço.
— Não fale como se fosse um crime.
Foi uma frase tão repentina que me deixou sem saber como reagir. Achei que aquilo fosse o fim da conversa, mas… Hinako ainda estava ali.
— Itsuki.
— O que foi agora?
— Vou dar o meu melhor.
Hinako me olhou com uma expressão levemente expectante. Podia ter dito isso desde o começo…
— Sim, estou torcendo por você. Quando isso acabar, podemos relaxar juntos na mansão.
Hinako sorriu ao ouvir isso.
— Nn. Quero mais sorvete.
Dizendo isso, Hinako foi em direção ao Kagen-san. Depois que ela se afastou cerca de cinco metros…
— Sorvete? — Shizune-san murmurou. — Itsuki-san, o que ela quis dizer com isso?
……
Desviei o rosto do olhar frio que me foi lançado.
HINAKOOO!!!
*
Hinako deixou Itsuki e os outros para trás e seguiu sozinha em direção à recepção da villa. Seu pai, Kagen, era fácil de reconhecer. Assim como Itsuki, ele vestia um terno preto, mas o dele era de uma marca de altíssimo nível e feito sob medida.
Os empregados da família Konohana eram obrigados a usar uniformes caros para não comprometer a dignidade da família. Ao mesmo tempo, havia a regra de que não deveriam vestir roupas mais caras do que as do chefe da família, a fim de realçar sua posição. Enquanto o terno de Itsuki era um modelo pronto, custando cerca de 700 mil ienes, o de Kagen era ainda mais caro, ultrapassando 1 milhão de ienes.
— Há quanto tempo, Hinako.
— Nn… faz tempo.
Hinako respondeu às palavras do pai apenas com o mínimo esperado.
— Como foi na prova?
— Sem problemas.
— Isso é bom. Mantenha suas notas altas, como convém à filha da família Konohana.
Kagen falou como se estivesse em uma ligação de trabalho; não havia alegria, raiva ou tristeza em sua voz.
— E quanto ao Itsuki-san? Já faz cerca de um mês desde que ele se tornou seu acompanhante…
— Ele é o melhor.
Hinako respondeu com um leve entusiasmo, fazendo Kagen arregalar os olhos de surpresa.
— Isso é raro. Nunca imaginei que a Hinako elogiaria tanto um cuidador.
— Quero continuar trabalhando com o Itsuki.
— Entendo. Foi uma tentativa experimental contratar um plebeu sem qualquer ligação com a família Konohana, mas… fico satisfeito em ver que deu certo.
Kagen não sorriu — parecia mais um pesquisador que acabara de confirmar o sucesso de um experimento. Em seguida, moveu apenas os olhos e fitou Hinako.
— Você não está sob nenhuma influência, está?
— Influência?
— Tenho certeza de que a personalidade da Hinako combina bem com a dele, mas o Itsuki é um plebeu. Não há necessidade de você se deixar seduzir e acabar se misturando ao mundo comum.
Hinako o olhou de forma estranha, sem entender muito bem o que ele queria dizer.
— Vamos andando. Hinako, por favor, não faça nada precipitado.
Com uma expressão séria, Kagen selou a conversa. No instante seguinte, Hinako vestiu imediatamente sua fachada.
— Sim, pai.
— Boa garota.
Como uma dama entre damas. Como a garota mais talentosa da Academia Kiou, Hinako inicia sua atuação. Alguns minutos depois, um carro parou em frente à villa, trazendo os convidados para o jantar.
— Agradeço por terem vindo até aqui.
— Hahaha, eu gosto de vir a este lugar, então não diga isso. Ouvi dizer que hoje será apenas um encontro informal.
Enquanto os convidados quebravam o gelo, Kagen os cumprimentava de maneira solene.
Havia cinco convidados. Dois deles eram diretores da Chikamoto Shipbuilding, e os outros eram diretores da Sea Japan United. Todos aparentavam ser mais velhos que Kagen. A família Konohana deveria ser a mais prestigiosa entre elas, mas o motivo de todos estarem tão relaxados era a diferença de idade e experiência.
— Ei, faz muito tempo. Você se lembra de mim?
O CEO da Chikamoto Shipbuilding dirigiu-se a Hinako.
— Sim. Quando eu tinha sete anos, cumprimentei o senhor em um evento social.
— Fico feliz que se lembre de mim, mesmo depois de tanto tempo. Você continua educada como sempre.
O CEO da Chikamoto Shipbuilding parecia impressionado.
— Oh? Esta é a filha do Konohana-san?
— Sim. O nome dela é Hinako.
Hinako fez uma reverência elegante após a apresentação de Kagen.
— Já ouvi rumores. Tenho um conhecido cujo filho estuda na Academia Kiou. Ouvi por meio de um amigo que você é chamada de a dama perfeita na academia.
— Fico honrada.
Hinako inclinou-se educadamente.
— Além disso, ela é muito promissora, com notas excelentes. …Tenho certeza de que o Konohana-san deve se orgulhar bastante de ter uma filha com uma reputação tão admirável.
— Sim. Sou grato por minha filha ter crescido de forma honesta e íntegra.
Kagen então lançou um rápido olhar ao redor, observando os rostos dos convidados.
— Imagino que todos já estejam cansados de conversar em pé, então vamos até o local da refeição. Preparamos uma mesa ao ar livre, a pedido do senhor Chikamoto, se não houver problema.
— Claro. Hoje está um dia agradável. E como não se trata de uma grande reunião, podemos relaxar e conversar sentindo a brisa.
*
Eu observava Hinako e os outros durante a refeição, ao lado da Shizune-san.
— E então, Itsuki-san? O que acha do clima?
— Bom… — respondi sem desviar o olhar. — De certa forma, os modos deles parecem bem descontraídos. Cada movimento é natural… mas dá para perceber que ainda estão atentos a cada gesto…
— Isso é o que chamamos de boas maneiras adequadas — explicou Shizune-san.
— São naturais a ponto de não sufocar ninguém, mas suficientemente claras para mostrar que todos estão demonstrando respeito e cortesia. À primeira vista pode parecer algo superficial, mas essa cooperação mútua no cumprimento das regras cria relações de confiança mais fortes.
— Confiança, hein…
— Embora os bons modos sejam muitas vezes desprezados hoje em dia, há muitas situações em que eles são indispensáveis. Especialmente entre as camadas superiores. …Boas maneiras não dizem respeito às palavras, mas à atitude. Elas se tornam necessárias quando estamos em uma posição em que não podemos dizer o que realmente sentimos.
É duro. Como alguém comum, há coisas que não consigo compreender totalmente.
— Por isso, quebrar essas regras é extremamente rude.
Dizendo isso, Shizune-san fechou os lábios. Eu também permaneci em silêncio, observando Hinako, Kagen-san e os demais durante a refeição. Até o momento, tudo parecia correr bem.
*
— Oh? Você ainda estuda mesmo depois de chegar em casa?
— Sim. Mas não estudo o tempo todo.
Hinako respondia enquanto engolia um bocado de legumes finamente cortados, usando a faca com precisão.
Os executivos a observavam inicialmente com olhares calorosos, como se fosse uma filha querida, mas aos poucos seus verdadeiros sentimentos começaram a transparecer. Com um rosto belo, uma figura graciosa e modos impecáveis, Hinako realmente encarnava o título de ojou-sama perfeita.
— Ela é uma jovem admirável. Eu trocaria facilmente pelo meu filho, que é um completo idiota.
O CEO da Chikamoto Shipbuilding disse isso rindo, dirigindo-se a Kagen.
— Certamente está brincando. O filho do senhor CEO também se formou em uma excelente universidade, não foi?
— Educação e competência são coisas diferentes. Ele ainda é imaturo, e não acho que possa deixá-lo assumir a empresa por enquanto.
O CEO falou com um ar de arrependimento. Um empregado da família Konohana recolheu os pratos vazios e distribuiu novos pratos.
— Oh? Não tem carne?
— O menu de hoje é um pouco mais leve, já que ainda é horário de almoço. Se fosse jantar, teríamos preparado algo mais elaborado…
— Tenho outros compromissos à noite. Teria preferido um jantar, se fosse possível.
— Hahaha.
O CEO e os executivos riram.
— A Hinako-chan ainda é estudante, afinal. Talvez ela quisesse comer algo mais substancioso?
— Não, eu como pouco. Já estou satisfeita.
Com um sorriso cuidadosamente ensaiado, Hinako respondeu. O CEO da Chikamoto Shipbuilding levou o dedo ao queixo ao observar seus modos belos e refinados.
— Ora, ora… ela é realmente tudo o que dizem. Tenho certeza de que terá muitas opções de casamento.
— Como pai, eu ficaria feliz se isso acontecesse, mas, infelizmente, ainda não temos planos nesse sentido.
Ao ouvir isso, o CEO demonstrou certa surpresa.
— Oh? É mesmo? Sendo a filha do Konohana-san, não seria estranho já ter um noivo…
— Houve um no passado, mas por diversos motivos o relacionamento foi encerrado. Ele já não faz mais parte de nossas vidas.
— Hmmm…
Os olhos do CEO se estreitaram.
— Na verdade, tenho um conhecido que está procurando uma parceira para casamento.
Kagen quase sorriu, mas conteve rapidamente a expressão.
— Posso perguntar mais detalhes?
— Claro. É alguém de uma família que faz muitos negócios com o exterior. O porte da empresa é razoável, mas lida com clientes famosos, então eles procuram alguém educado e respeitável. Bem… é apenas uma ideia minha, mas achei que sua filha pudesse agradá-lo.
— Entendo. O outro lado seria o filho desse conhecido?
— Exatamente. Creio que ele esteja no início dos vinte anos.
Ao receber essas informações, Kagen começou a refletir sobre o futuro da família Konohana.
Um conhecido do CEO de uma grande construtora naval. Uma família com amplos negócios internacionais. Se fosse assim, certamente atuavam na área de comércio. Embora não fossem tão grandes, o foco em clientes famosos indicava um nicho de mercado bastante específico.
— Vou considerar a proposta.
— Hahaha, é uma possibilidade distante, não é?
— Está enganado. Considerarei isso com toda a seriedade.
Dizendo que não se tratava de mera bajulação, Kagen levou a xícara à boca.
Pouco depois, os pratos foram recolhidos, e o último item do cardápio foi colocado sobre a mesa.
— Aqui está a sobremesa.
— Oh? Doces assados? Um doce elegante como esse não é nada mau de vez em quando.
O CEO da Chikamoto Shipbuilding comentou, dizendo ser uma coincidência… mas, na verdade, Kagen havia investigado previamente que o homem gostava de confeitaria assada. Como esperado, o CEO ficou de bom humor e passou a saborear o doce com satisfação.
— Konohana-san, sobre o que acabamos de conversar… posso informar meu conhecido a respeito?
— Claro. Como pai, posso garantir as qualidades da minha filha.
Se o filho desse conhecido era ou não digno de Hinako não importava neste momento. O importante era criar conexões. Mesmo que essa não desse certo, outra oportunidade poderia surgir — assim como aconteceu agora.
— Hinako, por isso—
No exato momento em que Kagen se virou, chamando o nome da filha—Hinako estava justamente no meio de pegar com a mão um pedaço do doce que havia caído sobre a mesa.

Os executivos ficaram rígidos, boquiabertos. Hinako, alheia ao clima que congelava rapidamente, levou o pedaço à boca sem hesitar.
Regra dos três segundos.
Sim, exatamente quando ele estava prestes a falar. Hinako então percebeu que Itsuki não estava ali… e que estavam no meio de uma refeição formal.
— Ah.
Um som quase inaudível escapou de seus lábios.
— Hmm.
O CEO da Chikamoto Shipbuilding passou a mão pela barba de leve.
— Talvez um pouco abaixo do que a reputação sugeria.
*
Naquele instante, eu soube.
…Ahhh.
Talvez eu tenha deixado escapar um som ao mesmo tempo que Hinako.
Ela também deve ter percebido o erro — mas já era tarde demais. A refeição prosseguiu sem maiores interrupções. À primeira vista, tudo parecia normal, mas… Eu notei que a expressão de Kagen-san se tornou sombria por um breve momento.
— Isso não é bom — murmurou Shizune-san ao meu lado.
— O que vai acontecer agora…?
— Eu não sei. Mas… considerando a personalidade de Kagen-sama, isso é o mais próximo possível de um pior cenário.
Shizune-san, que normalmente é calma, falou com a voz tensa. Prendendo a respiração, aguardamos o fim da refeição. Cerca de dez minutos depois, os participantes saíram da vila, preparando-se para partir.
— Agradeço por terem vindo hoje.
— Não, eu me diverti bastante. Às vezes é necessário dar uma pausa como essa.
O CEO e os executivos, convidados de Kagen-san, despediram-se de bom humor, visivelmente impressionados. Não parecia que tudo tinha dado errado… porém, o CEO da Chikamoto Shipbuilding abriu a boca, como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
— Ah, Konohana-san. Sobre aquela proposta de casamento… não sei bem o que fazer a respeito, então gostaria que fingíssemos que isso nunca aconteceu. Por ora, se eu os apresentar, isso pode acabar afetando minha reputação.
— Entendo.
— Hahaha, não estou particularmente preocupado com isso. Como posso dizer… trata-se apenas de um terceiro que nem sequer estava presente hoje. Quanto a mim, gostaria de continuar mantendo um bom relacionamento com o senhor, Konohana-san, tanto em público quanto em particular.
— Sim, concordo.
Os convidados então entraram em seus carros e deixaram a vila.
Por fim, depois de se despedir de todos os convidados, Kagen-san voltou-se para nós.
— Shizune.
— Sim.
— Quem ensinou Hinako esses gestos tão deselegantes?
— I-Isso…
Shizune-san gaguejou. Sem conseguir suportar aquela atmosfera, decidi confessar.
— Com licença. Fui eu.
Quando disse isso honestamente, Kagen-san soltou um suspiro. Como se já soubesse que era esse o caso.
— Eu sempre me perguntei… se realmente era necessário ter um cuidador — Kagen-san continuou. — Como você sabe, Hinako possui uma grande diferença entre seu verdadeiro eu e a personagem que interpreta. O papel de um cuidador é esconder os deslizes e dar cobertura a eles da melhor forma possível. …No entanto, isso é apenas uma solução indireta.
Após lançar um olhar para Hinako, ele prosseguiu. Seus olhos eram tão frios que mal pareciam pertencer a um pai olhando para a própria filha.
— Não deveríamos permitir deslizes desde o início. …Isso é o que acontece quando ela deixa sua verdadeira personalidade transparecer. O cuidador é quem incentiva Hinako e a mima — murmurando para si mesmo, Kagen-san voltou-se para Shizune-san. — Shizune. A partir de agora, faça com que Hinako esteja sempre atuando, tanto em público quanto em particular.
— O tempo todo…?
— Exatamente. Faça com que ela atue o tempo inteiro, não apenas fora, mas também dentro da mansão.
— Tenho receio de que isso faça Ojou-sama entrar em colapso ainda mais rápido.
— Dê um jeito.
Curto e direto, Kagen-san falou com dureza.
— Esse é o resultado de mimá-la sempre que ela desmorona. Não é como se ela tivesse uma doença crônica… Eu já não suporto mais isso. Forneceremos o tempo e a orientação necessários, se preciso. …Já que nasceu na família Konohana, é dever dela sustentar o nome da família.
Ao ouvir essas palavras, o pior futuro possível passou pela minha mente.
Não se trata de entrar em colapso ou não. Atuar o tempo todo significa… Que o verdadeiro eu de Hinako… será completamente selado.
— E-Espera um pouco! — Interrompi-o sem pensar. Ele virou o rosto para mim, com uma expressão gélida. Por um instante, senti meu sangue gelar, mas mesmo assim forcei as palavras a sair, com a voz trêmula.
— E-Eu… peço desculpas por ter estragado a refeição. Mas, seja qual for o preço, eu—
— Não é sua culpa.
— O quê?
— Desde o início, muitos cuidadores desistiram após pouco tempo. Eu também pensei que você faria o mesmo. …Achei que sua influência seria insignificante. Não é você quem deve ser responsabilizado, mas eu, por ter feito tal julgamento, e Hinako, por ser tão ingênua — com arrependimento estampado no rosto, Kagen-san continuou. — Shizune. Quando voltarem à mansão, pague Itsuki-kun.
— Entendido.
Inclinei a cabeça, confuso com o rumo da conversa.
— Meu… pagamento?
De fato, estava quase na época do pagamento. Mas o motivo para isso tão repentino…
— A partir de agora, Hinako não precisará mais de um cuidador.
Kagen-san disse, lançando-me um olhar penetrante.
— Itsuki-san. A partir de hoje, você está dispensado do cargo de cuidador.
*
Duas horas depois, eu estava parado, atônito, encarando o enorme portão fechado.
— Isso é mentira, né?
Como chefe do grupo Konohana, Kagen-san age com uma eficiência assustadora. Ao retornar à mansão, fui imediatamente instruído por ele a arrumar minhas coisas. Por conta da dispensa repentina, recebi um valor extra como pagamento.
— Se não tiver para onde ir, use esse dinheiro por enquanto — disse ele, com um olhar frio e opressor.
Recebi uma quantia absurda pelo meu trabalho… e fui expulso da mansão. Em apenas um dia… em poucas horas, minha vida cotidiana desmoronou. Não frequentarei mais a Academia Kiou. Quanto aos trâmites de desligamento, certamente serão rápidos. A família Konohana é poderosa — pode apagar tudo como quiser.
— Haha…
Uma risada seca escapou da minha boca.
— E pensar que eu estava vivendo a vida com que sempre sonhei.
A ideia de desistir começou a tomar conta da minha mente. Queria que tudo não passasse de um sonho. Se fosse assim, Hinako não teria sofrido tanto.
— Hinako.
Se isso continuar, Hinako será forçada a viver uma vida ainda mais dura e dolorosa do que antes. Mas, do jeito que as coisas estão, nem sequer posso reclamar com Kagen-san.
— Eu sou a causa disso tudo.
Ele disse que eu não era o responsável… mas isso não é verdade. Tudo por causa daquela estúpida regra dos três segundos que ensinei a Hinako. Além disso, eu sabia do interesse anormal dela pela cultura dos plebeus… e ignorei isso. A responsabilidade é minha. Pensando bem… não há nada que eu possa fazer agora.
— Itsuki…?
Enquanto vagava sem rumo pela cidade, alguém me chamou. Virei-me lentamente. Era uma garota que eu reconhecia.
— Narika.
Ali estava uma garota de cabelos negros que iam até as coxas.
— O que aconteceu? Por que você está aqui?
— Estou dando uma volta. Eu te disse, conquistei minha liberdade derrotando meu pai. Agora posso sair um pouco—
Narika, que falava normalmente, de repente me encarou e parou. Sua expressão se tornou inquieta.
— Itsuki, o que houve? Aconteceu alguma coisa?
Ela perguntou, preocupada. Eu tentava manter a compostura… mas parecia impossível esconder o peso no meu peito.
— Na verdade—
Sem querer causar problemas à família Konohana, contei apenas o que não era segredo. Que eu fui o motivo de Hinako ter agido de forma inadequada em público. Que fui expulso da casa Konohana por isso. E que a vigilância sobre Hinako seria ainda mais rigorosa. Essas foram as coisas que contei a Narika.
— Entendo.
Narika ouviu tudo com uma expressão estranha.
— É difícil acreditar que Konohana-san faria algo tão descuidado em público, mas… pelo que você contou, parece verdade.
Ela me olhou com preocupação, como se eu estivesse afundado numa escuridão profunda.
— Embora não seja tão grande quanto a família Konohana, a família Miyakojima também é influente. Então eu consigo entender um pouco do que está acontecendo. Tenho certeza de que Konohana-san também estava lutando à sua maneira, de formas que não conhecemos.
— É.
Mesmo sem eu ter contado tudo, ela conseguiu compreender a situação.
— O que aconteceu com a Konohana-san?
— Não sei os detalhes. Mas, pelo que parece, a partir de agora ela será muito mais restringida. Talvez não possamos mais fazer coisas como chás da tarde ou grupos de estudo.
— Entendo… A família Konohana é realmente rígida. Como podem prender a própria filha por causa de um único erro e ainda expulsar você, Itsuki?
Talvez Kagen-san nem considere Hinako como sua própria filha. Pelo menos até agora, suas palavras e ações jamais demonstraram carinho ou preocupação paternal.
— É tudo… culpa minha — sem querer, deixei escapar meus verdadeiros sentimentos. — Se eu não tivesse ensinado aquelas coisas desnecessárias, nada disso teria acontecido.
Agora, tudo o que sinto é arrependimento. Eu havia decidido fazer o meu melhor para aliviar a solidão de Hinako… e este foi o resultado. Acabei fazendo com que ela sofresse ainda mais do que antes.
— No fim das contas, eu não passo de um plebeu sem modos. …Se eu soubesse que isso iria acontecer, nunca deveria ter me envolvido desde o começo—
— Isso não é verdade! — Narika falou em voz alta. Fiquei surpreso com aquela explosão impensável vinda da Narika de sempre. — Itsuki, isso não é verdade! Você nunca está errado!
— Narika…?
— Lembra de como eu era antes?!
Ela disse, olhando diretamente nos meus olhos.
— Eu era proibida até mesmo de sair sozinha! Mas foi você quem mudou isso — mudou o meu mundo! Eu ainda me lembro claramente daquele dia! Você me fez perceber o quão pequeno era o mundo em que eu vivia! — Narika continuou, visivelmente emocionada. — Se não fosse por você, eu provavelmente ainda teria medo do mundo exterior. Não saberia o gosto de uma barra de chocolate, como fazer compras… o burburinho das ruas ou a tranquilidade dos parques. …Por isso, sou extremamente grata a você. Mais do que palavras conseguem expressar, eu sou muito grata.
Em seguida, Narika abaixou o olhar.
— E tenho certeza de que com a Konohana-san não é diferente — com tristeza, ela murmurou: — Ela foi criada para não saber nada além do que lhe é permitido saber. Isso é muito solitário. Tenho certeza de que você não salvou apenas a mim, mas também a Konohana-san dessa solidão.
Depois de dizer tudo isso, Narika voltou a me encarar.
— Tenha mais confiança. É justamente por isso que… e-eu… o Itsuki é a pessoa que eu a-ad—
As bochechas de Narika ficaram vermelhas no instante seguinte, e, ao continuar, ela desviou o olhar.
— E-Eu… a-admiro essa parte em você…
Por algum motivo, sua voz soou abatida ao pronunciar a última frase. Era como se ela quisesse dizer algo mais… mas tivesse mudado o rumo das palavras no último instante. Ainda assim, aquilo foi suficiente para fazer meu coração disparar.
— É verdade.
Mesmo que, para mim, seja algo trivial. Mesmo que seja apenas senso comum, ou algo sem graça. Para Hinako e Narika, isso pode ser algo que muda a vida.
— Narika… obrigado.
Enquanto agradecia, lembrei-me do tempo que passei na casa Konohana. Isso não era, de forma alguma, uma autoindulgência. Olhando objetivamente, não era totalmente errado pensar assim.
Comigo ao lado dela, Hinako não se sentia perdida nem confusa. Hinako depositou em mim um certo nível de confiança. Então, eu quero corresponder a essa confiança. Ainda não respondi aos sentimentos de Hinako.
— Certo.
Lembrei-me do dia em que tomei essa decisão. Hinako carrega um peso enorme em um corpo tão pequeno. Alguém precisava ser gentil e bondoso com ela. Se seus pais e os criados não cumprirem esse papel… então eu farei isso.
— Estou indo.
— Indo para onde?
— Para a mansão da família Konohana — respondi a Narika, que havia me encorajado. — Só quero ter uma conversa cara a cara.
Meu humor sombrio já havia desaparecido. Com a confiança restaurada graças a Narika, parti em direção à mansão da família Konohana.
*
Narika observou com um leve sorriso no rosto enquanto as costas de Itsuki se afastavam, sem que ele olhasse para trás sequer uma vez.
— Hinako, é?
— Acho que ele estava com pressa.
No fim, Itsuki não percebeu o pequeno deslize em suas palavras.
— Aaaah… acabei ajudando o inimigo…
Seu benfeitor estava em apuros, então era natural que ela o ajudasse. Ela não se arrepende disso. Mas seus sentimentos são outra história. Narika levou a mão à cabeça.
Esses dois… afinal, que tipo de relação eles têm?
*
Enquanto Itsuki seguia em direção à mansão da família Konohana…
A porta se abriu de repente diante de Hinako, que estava sentada em sua cama.
— Com licença.
A criada, Shizune, entrou pelo vão da porta.
— Ojou-sama, como a senhorita está se sentindo?
— Como sempre.
Hinako respondeu de maneira displicente e se jogou sobre a cama. Ela não foi à escola por ser um dia de folga; participou apenas de uma única refeição. O tempo que passou atuando também foi menor do que o habitual. Ainda assim, às vezes desabava por causa do estresse acumulado.
Em especial, aquele dia havia sido particularmente inconveniente para Hinako. Por isso, Shizune interrompeu seu trabalho e foi até o quarto dela. Não queria que nada acontecesse com Hinako e decidiu verificar seu estado.
— Shizune… onde está o Itsuki?
— O Itsuki-san já deixou a mansão.
Ao ouvir a resposta, Hinako baixou o olhar.
— O Itsuki… foi apenas por um mês que ele cuidou de mim.
— Sim.
— Isso é muito tempo.
— Sim.
Shizune respondeu de forma neutra, sem compreender o que Hinako realmente pensava. A voz de Hinako soava rígida, triste e apática. Talvez ela não estivesse tão abalada com a demissão de Itsuki — foi o que Shizune pensou, mas…
— Se não precisam mais de cuidadores, por que não contratá-lo como servo? — Hinako perguntou. Era algo que ela jamais teria questionado em relação a outros cuidadores antes de Itsuki. — Ouvi dizer que há falta de jardineiros…
— Ojou-sama?
— E o cozinheiro…? Ou alguém que só varra e limpe… na verdade, há tantas funções…
— Ojou-sama.
Shizune falou com mais firmeza.
— Kagen-sama não tem intenção alguma de recontratar o Itsuki-san.
Hinako deveria entender isso como algo óbvio. Embora atuasse perfeitamente, a verdadeira Hinako tinha dificuldades em expressar seus sentimentos. Foi então que Shizune percebeu: Hinako estava tão deprimida que estava se afastando da realidade.
— Não — disse Hinako, em voz baixa. — Eu quero ver o Itsuki.
Ao ouvir aquele pequeno desejo, Shizune mordeu os lábios e falou lentamente.
— Isso não será permitido por Kagen-sama. …Por favor, desista desta vez. Não é prudente provocar Kagen-sama ainda mais.
Ao ouvir isso, os lábios de Hinako tremeram.
— Shizune… de que lado você está?
— Sou apenas alguém a serviço de Kagen-sama.
Hinako ficou ainda mais abalada.
— Chega. Se é assim, eu mesma vou procurá-lo.
— Não.
Ignorando o olhar afiado que recebeu, Shizune se curvou.
— Preciso ajudar Kagen-sama com seu trabalho, então me retirarei agora. Colocarei um guarda diante da porta, por precaução… portanto, por favor, evite qualquer atitude imprudente.
Dito isso, Shizune se virou e saiu do quarto. Hinako soltou um suspiro ao ouvir a porta se fechar com força.
— A Shizune não entende nada.
Como se tivesse tomado uma decisão, Hinako apertou o futon com as duas mãos.
— Eu sou uma mulher que pode fazer o que quiser… — com um brilho nos olhos, Hinako entrou em ação.
*
Depois de me separar de Narika, fui imediatamente à mansão da família Konohana, onde Hinako estava.
Kagen-san também se encontrava ali. Após o almoço, ele planejava voltar para a residência principal, mas decidiu passar pela mansão para verificar a rotina de Hinako. Disse também que trabalharia no escritório, então provavelmente ficaria por um tempo. Como eu não sei onde fica a residência principal, precisava encontrá-lo antes do fim do dia.
Quando cheguei novamente à mansão, fui encarado por dois guardas posicionados diante do portão.
— O que você está fazendo aqui de novo?
O tom era frio… mas o olhar carregava certa compaixão. Depois de um mês trabalhando como cuidador, eu já era reconhecido pelos empregados da família Konohana. Aqueles dois guardas me viam todos os dias quando Hinako e eu íamos e voltávamos da escola.
— Por favor, me deixem entrar.
— Negado. Se quiser entrar, siga os procedimentos adequados.
Provavelmente queriam que eu marcasse um encontro com Kagen-san antes. Mas eu não podia simplesmente aceitar isso e recuar.
Mesmo que seguisse os procedimentos, não havia chance alguma de Kagen-san permitir. Ignorei os dois guardas e caminhei em direção ao portão. Ele era incrivelmente alto, mas havia saliências e relevos suficientes para escalá-lo.
— Espere.
Assim que dei um passo adiante, os guardas se aproximaram.
— Se avançar mais, será considerado uma ameaça. Tomaremos as medidas cabíveis.
Era uma forma indireta de dizer que estavam preocupados comigo. Mas eu tinha um motivo para não recuar.
— Com licença—!
Com determinação, corri em direção ao portão.
— O quê?!
Os dois guardas se assustaram e avançaram quando tentei escalar.
— Seu moleque idiota!
— Não subestime os guardas da família Konohana!
Eles tentaram me conter pelos lados. Se eu fosse pego ali, talvez nunca mais visse Hinako. Esses pensamentos me atravessaram, e minha mente ficou confusa. Ainda assim, surpreendentemente, eu estava calmo.
— Hã?
Fui eu quem se surpreendeu. Mas o outro lado estava ainda mais agitado. Mergulhei rapidamente no espaço do guarda e usei o impulso dos joelhos para derrubá-lo. As costas dele bateram no chão com força — bang! — e um som seco ecoou.
— Gah?!
Ignorei o guarda gritando aos meus pés e encarei o outro.
— Q-Que diabos foi isso…?!
Talvez por não esperar um contra-ataque, o guarda restante hesitou. Não havia como desperdiçar essa chance.
Meu corpo se moveu sozinho. As técnicas de autodefesa que Shizune havia me ensinado passaram pela minha mente em alta velocidade. O guarda recuperou os sentidos e avançou, mas já era tarde. Agarrei seu braço e torci para fora. Quando ele perdeu o equilíbrio, derrubei-o no chão.
— Gahk?!
O segundo guarda caiu, assim como o primeiro.
— H-Hey… onde você aprendeu essas técnicas…?
Enquanto ele gemia, encarei meu próprio punho e me lembrei do último mês. Lembrei do que Shizune disse certa vez: Eu tinha um grande talento para autodefesa.
— Desculpe… estou com pressa.
Escalei o portão e aterrissei do outro lado. O guarda caído gritou em voz alta:
— Intruso! Capturem-no!
*
Trabalho aqui há cerca de um mês e já tenho uma noção da estrutura da mansão. Assim que passei pelo portão, me escondi atrás de arbustos e contornei silenciosamente até os fundos da propriedade. Lembrando o percurso das rondas dos empregados e deduzindo suas posições, avancei pelo terreno da família Konohana.
— Onde diabos ele foi?!
— Revistem o portão principal de novo!
As vozes ecoavam à distância. Prendi a respiração com cuidado para não ser descoberto.
— Agora… por onde eu entro…?
Primeiro, eu precisava entrar na mansão — mas não pelo caminho convencional. Enquanto pensava no que fazer, lembrei-me do passeio noturno que tive com Hinako. A porta da cozinha, nos fundos da mansão, costumava ficar aberta. Um corredor estreito e pouco movimentado levava à parte inferior da casa.
— Obrigado, Hinako.
O mais rápido possível, segui em direção ao lugar favorito dela.
— Encontraram ele!?
— Não, não está aqui!
Assim que entrei na mansão, ouvi vários empregados gritando. Era uma grande confusão, mas eu não tinha intenção de recuar. Kagen-san não falaria comigo de qualquer jeito. Sendo assim, eu iria forçar a passagem.
— Achei ele!!
— Geh!
Servos da família Konohana, vestidos de preto, surgiram do outro lado do corredor. Em pânico, me virei e subi correndo as escadas para o segundo andar — onde dei de cara com outro grupo de empregados.
— Peguem ele!
Um ataque violento veio direto em minha direção.
— Eu não posso… ser… pego!!
Saltei para trás para evitar o avanço e chutei o atacante.
— A-Agh! Waaah!?
O empregado caiu escada abaixo com força. Como a escada era curta, ele não se machucou gravemente.
— E-Esse cara… ele é duro!
— Cerquem ele e imobilizem!
Enquanto eles se aproximavam, respirei fundo e me lembrei calmamente do que Shizune-san havia me ensinado. Se o oponente estende o braço, então—
— O quê?!
Antes que ele pudesse me alcançar, deslizei por baixo, fui para trás dele mantendo o contato corporal. Enquanto bloqueava seus movimentos, toquei rapidamente o joelho dele com o pé, forçando-o a se ajoelhar.
— Você… fique quieto!
Desviando dos socos, agarrei seu braço. Torci o pulso para fora e pressionei a articulação, fazendo com que ele tentasse fugir da dor — e naturalmente caísse.
— Gohk!?
Era uma técnica chamada kotegaeshi. Passei por cima do empregado que rolava no chão e corri em direção ao quarto andar.
— Shizune-san… muito obrigado.
Autodefesa não é uma técnica para derrotar alguém, mas para se proteger. Em outras palavras, sua verdadeira essência é escapar do inimigo — exatamente o que eu precisava agora.
— Se não me engano, o caminho para o escritório é…
Segui em direção ao cômodo onde Kagen-san estava. O escritório também foi onde conversei com ele pela primeira vez. Eu não lembrava de todos os detalhes da planta, mas tinha uma vaga noção do caminho.
— Hã?
Nesse momento, algo estranho chamou minha atenção pelo canto do olho. Parei e olhei melhor.
— Hmmm?
Um pano longo e estreito pendia do lado de fora da janela. Aquilo era… uma cortina. Por algum motivo, ela estava pendurada no andar superior, balançando ao vento. Estavam secando roupa? Não parecia… Enquanto eu inclinava a cabeça, uma garota desceu pela cortina. Era a Hinako.
— Nnnn~~~!?
O que diabos ela está fazendo!? Corri para impedi-la, mas antes que pudesse fazer algo, Hinako já estava descendo para os andares inferiores.
Ah não — se ela cair, vai ser um desastre.
Eu até poderia ir direto ao escritório, mas isso já não importava mais. Desci correndo as escadas, saí da mansão e gritei para Hinako, que estava acima de mim.
— Hinako! O que você está fazendo!?
Hinako me olhou enquanto se pendurava na cortina amarrada como uma corda.
— Isso é perigoso, vem—
— Limite.
— Hã?
Um pressentimento ruim me atravessou.
— Não… consigo… segurar…
— Esp—
Hinako soltou a cortina. Seu corpo esbelto e gracioso voou pelo ar e caiu.
Abri os braços e a peguei contra o meu peito.
— Gueh!?
O impacto foi tão forte que expulsou todo o ar dos meus pulmões.
— Boa pegada.

— V-Você… o que estava pensando… fazendo isso…
Hinako sorriu, aliviada, ao dizer:
— Eu só queria ver o Itsuki.
Se você diz algo assim com esse rosto… eu simplesmente não consigo ficar bravo.
— Tenho uma sugestão.
— Sugestão?
Inclinei a cabeça diante das palavras dela. Eu estava prestes a perguntar do que se tratava quando—
— A-O-Ojou-sama foi sequestradaaa!!
Um empregado que nos viu pela janela gritou.
— Droga!
Eu não queria, mas… não podia deixar Hinako ali sozinha. Curioso com a tal sugestão, comecei a correr levando Hinako nos braços.
— Acabei sendo sequestrada de novo.
— Eu não achei que seria eu quem iria te sequestrar.
Pensando bem, nós nos conhecemos por causa de um sequestro. Naquela época, eu jamais imaginaria que acabaria sendo o sequestrador dela.
— De certo modo, foi você mesmo.
*
Escondi-me entre os arbustos e suspirei aliviado ao perceber que não havia ninguém por perto.
— Então… qual é a sua sugestão?
— Eu serei a refém — Hinako disse isso com naturalidade. — Assim, o Itsuki pode convencer meu pai.
— Isso soa mais como uma ameaça do que como persuasão.
— Então, é só fazer desse jeito.
Hesitei por um momento diante de Hinako, que propunha aquele plano sem a menor dúvida. Depois de pensar um pouco, percebi que não podia simplesmente aceitar.
— Isso não vai dar certo.
— Por quê…?
— Porque isso não resolve nada.
Não adianta manter uma aparência de paz enquanto o problema na raiz continua intacto. Além disso, Kagen-san é um homem poderoso. Mesmo que eu tentasse resolver isso à força, ele me esmagaria com ainda mais força.
— Vou tentar convencer o Kagen-san de alguma forma. Esse é o único jeito.
— Convencer… você consegue?
— Consigo.
Era uma confiança sem fundamento. Ainda assim, eu garanti.
— Eu vou fazê-lo mudar de ideia. Eu prometo.
Quero tranquilizar a Hinako. Não quero que ela seja esmagada por isso. Quero retribuir tudo o que ela fez por mim quando perdi meu lugar no mundo. Por isso, vou lutar até o fim, custe o que custar.
— Para onde você está levando a Ojou-sama?
Ao ouvir aquela voz familiar, olhei para cima… e senti um calafrio percorrer minha espinha.
— Shizune-san.
A chefe das criadas da família Konohana. Uma empregada capaz de tudo. A única pessoa que eu jamais consegui vencer nos treinos de autodefesa… estava bem diante de mim.
— Contenção.
Assim que Shizune-san pronunciou essa única palavra, empregados surgiram de todas as direções ao mesmo tempo.
— Kuuuuh!?
Se todos me agarrassem de uma vez, eu não conseguiria me mover. Aproximei-me do empregado mais franzino, desviando de um soco enquanto escapava do cerco. Os movimentos deles eram diferentes dos outros empregados. Todos estavam agindo com calma e cooperação. O fato de Shizune-san tê-los trazido significava que eram bem treinados.
Entre os quatro, sempre havia pelo menos um tentando sair do meu ponto cego. Sentindo esse movimento, chutei para trás sem sequer me virar. A sola do meu pé acertou o peito de um empregado. Ele gritou, e os outros três se sobressaltaram. Aproveitando a abertura, avancei contra o que estava à minha frente e o derrubei com um arremesso por cima.
Mas, no instante seguinte, fui agarrado por trás.
— Droga—!?
Havia um quinto. Ele se aproximara sem fazer barulho. Os quatro primeiros eram distrações. Tentei escapar com todas as forças, mas não consegui me mover nem um centímetro. Cerrei os dentes enquanto Shizune-san se aproximava calmamente.
— Estou impressionada com o quanto você evoluiu em tão pouco tempo. Você absorveu as lições de forma exemplar — dá para ver o quanto se esforçou. Ainda assim… isso superou minhas expectativas.
— Se isso foi um elogio, eu gostaria que você desse um passo para trás.
— Isso não será possível.
— Shizune. Eu… vou continuar atuando — disse Hinako enquanto se aproximava lentamente de mim, que estava imobilizado. — Eu não vou parar nunca mais. Vou agir perfeitamente, sempre, em qualquer lugar. Então, por favor… deixe-me ficar com o Itsuki.
Shizune-san ficou em silêncio, claramente surpresa. Considerando a postura de Hinako até então, aquele pedido era impensável. Ninguém entendia melhor do que ela o peso de estar sempre atuando. Mesmo assim, estava disposta a abrir mão de todo o pouco tempo livre que tinha — só para ficar comigo.
Por isso…
— Hinako, pare — falei com firmeza. — Eu não quero que você carregue um peso tão grande. Por isso, eu quero ficar ao seu lado. Se não houver mais ninguém… então pelo menos deixe que seja eu. Alguém que impeça você de se forçar demais.
— Itsu… ki…
Eu não quero que você seja obrigada a ficar comigo. A ideia da Hinako, como eu disse antes… seria o fim para mim.
— Por favor, não jogue fora sozinha aquilo que eu estou tentando proteger.
Para Hinako, aquelas palavras devem ter sido inesperadas. A garota diante de mim, que sempre parecia sonolenta…
— Nnn.
Ela assentiu, de forma pequena, mas clara.
— Eu entendo. …Eu acredito no Itsuki.
O murmúrio chegou perfeitamente aos meus ouvidos. Hinako me encarava diretamente. E, nos olhos dela, via meu próprio reflexo fazendo o mesmo. Era uma sensação estranha — como se conseguíssemos nos comunicar sem palavras.
— Peço desculpas por ter me exaltado — Shizune-san falou. Agora vinha o verdadeiro problema. Lancei um olhar determinado para ela, mostrando que não pretendia ceder, mas…
— Itsuki-san, não se preocupe. Isso não vai terminar do jeito que você imagina.
— Hã?
Confuso, olhei para Shizune-san.
— Suas realizações como cuidador logo chegarão aos ouvidos de Kagen-sama. Até lá, por favor, aguardem.
— Bem… então vou esperar…
Eu não fazia ideia do que Shizune-san queria dizer. Nesse momento, um toque eletrônico ecoou. Ela tirou o celular do bolso do uniforme e olhou para a tela.
— Ótimo timing.
Dizendo isso, levou o telefone ao ouvido. Após uma breve conversa, Shizune-san voltou o olhar para mim.
— Fui chamada por Kagen-sama. Vou me retirar agora. Por favor, aguardem aqui mais um pouco, vocês dois.
A expressão rígida de Shizune-san se desfez, voltando ao semblante calmo de sempre.
— Shizune-san… de que lado você está afinal?
— Sou apenas alguém a serviço do Kagen-sama — Continuando, Shizune-san nos diz: — No entanto… estou do seu lado, Ojou-sama.
*
Convocada por Kagen, Shizune bateu à porta do escritório.
— Com licença.
Ao abrir a porta, Shizune entrou na sala. Kagen estava sentado atrás de uma grande mesa.
— Kagen-sama, às suas ord—
— Entre.
Shizune fez uma breve reverência ao comando curto de Kagen e obedeceu.
— O que diabos é isso? — dizendo isso, Kagen mostrou vários documentos empilhados sobre a mesa.
— Convites para o círculo social organizado pela família Konohana… Aqui estão os convites. Fomos informados de que o senhor ficaria aqui por um tempo, então pedi que fossem enviados da residência principal. Achei melhor que o Kagen-sama desse uma olhada o quanto antes.
— Não houve erro nessa decisão. Mas… — Kagen falou enquanto analisava os documentos. — …Descreva esses quatro convidados.
Kagen entregou quatro convites a Shizune. Shizune assentiu.
— Sim, senhor.
E começou a explicar.
— Asahi Karen-sama parece ser filha da J’s Holdings Inc. A J’s Holdings é uma das cinco maiores varejistas de eletrônicos do Japão e um importante parceiro comercial do Grupo Konohana.
Primeira explicação concluída.
— Taisho Katsuya-sama é filho de uma grande empresa de transporte, famosa por seus serviços de mudança. Trata-se também de uma empresa de ponta em seu setor, e entre os clientes do Grupo Konohana, bancos e empresas do ramo imobiliário optaram por firmar parceria conosco.
Segunda explicação concluída.
— A família de Miyakojima Narika-sama administra um dos maiores fabricantes de artigos esportivos do Japão. Atualmente, o Grupo Konohana não atua nesse setor, mas estabelecer uma conexão aqui pode ser um excelente ponto de partida.
Terceira explicação concluída.
— E, como o senhor já sabe, Tennouji Mirei-sama é filha do Grupo Tennouji. Eles competem diretamente com o Grupo Konohana, mas, por serem grupos de porte equivalente, consideramos essa uma conexão extremamente importante. Se unirmos forças, os lucros certamente serão significativos.
Quarta explicação concluída. Após terminar, Shizune acrescentou mais uma frase:
— Além disso… os quatro são colegas de escola da Ojou-sama.
Ao ouvir a explicação de Shizune, Kagen levou a mão à testa. Sua expressão demonstrava claramente confusão e perplexidade.
— Nem Asahi nem Taisho haviam sido convidados antes, mas não são maus parceiros de negócios — Kagen murmurou. — Miyakojima tinha algum contato com o presidente, mas raramente participava de eventos sociais. No entanto, há poucos minutos, o presidente da empresa me disse: "Se minha filha vai participar, eu também participarei", e assim concordaram em comparecer ao evento deste ano.
Que oportuno, pensou Shizune, assentindo internamente.
— Quanto aos Tennouji… é claro que eu conhecia o chefe da família, mas esta é a primeira vez que a filha dele participa do nosso evento. Até agora, nossa relação tem sido superficial, para o bem ou para o mal, mas esta pode ser uma oportunidade de construir um vínculo de confiança mais forte. A família Tennouji valoriza mais as pessoas do que os números… espero que possamos tomar a iniciativa.
A segunda metade da explicação soou quase como um monólogo de Kagen. Depois de examinar novamente os quatro convites, Kagen soltou um longo suspiro e voltou o olhar para Shizune.
— Todos eles são contatos valiosos. …Todos esses convites foram feitos pela Hinako?
— Sim.
— Ela nunca convidou ninguém antes… e agora aparece com essas conexões absurdas.
Kagen falou em um tom carregado de confusão.
— Gostaria de dizer algo, senhor.
Shizune disse, dirigindo-se a Kagen, que permanecia em silêncio.
— Se o senhor está satisfeito com a mudança da Ojou-sama… acredito que seria imprudente abrir mão de alguém que contribuiu tanto para nós.
— Alguém que contribuiu tanto? — Kagen compreendeu a intenção de Shizune.
— Embora estejamos desenvolvendo uma relação comercial com uma empresa de construção naval, temos poucas conexões com quatro grandes empresas que podem se tornar extremamente importantes em um futuro próximo…
Kagen comparou o que se ganhava e o que se perdia. Isso lhe trouxe à mente um garoto que conhecera apenas um mês antes, contratado em caráter experimental. Sua impressão sobre ele havia mudado — da surpresa para a admiração.
— É bem óbvio o que deve ter prioridade.
A resposta veio rapidamente.
Soltando um suspiro, Kagen disse:
— Chamem o Itsuki-kun de volta.
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