Volume 1
Epílogo
UMA SEMANA HAVIA se passado desde que minha demissão fora repentinamente revogada. Eu estava escalado para participar de um evento social organizado pela família Konohana.
— O que achou do terno?
— É confortável.
Shizune-san examinava o traje com cuidado. Dizia-se que o evento seria luxuoso, já que era promovido pelo prestigiado Grupo Konohana. O local já estava lotado de pessoas, pronto para começar a qualquer momento.
— Desta vez, Itsuki-san estará oficialmente em uma posição delicada… Em outras palavras, você foi convidado como o filho e herdeiro de uma empresa de médio porte. Se não estiver confiante quanto às boas maneiras, ao menos tente não chamar atenção.
— Entendi.
Enquanto Shizune-san trabalhava com naturalidade, acabei falando de repente:
— Shizune-san. Mais uma vez, muito obrigado — ela se virou para mim, e eu continuei. — Depois do incidente durante o jantar outro dia, foi a Shizune-san quem convenceu o Kagen-san a me contratar novamente como cuidador, não foi?
— É verdade que conversei com o Kagen-sama sobre isso, mas foi graças aos resultados do Itsuki-san que isso se tornou possível.
Shizune-san falou enquanto ajustava a gravata em meu pescoço.
— Para ser sincera, fiquei um pouco nervosa naquele dia. Decidi que apenas palavras não seriam suficientes para convencer o Kagen-sama, e pretendia fazê-lo depois de mostrar as cartas de convite que mandei buscar da residência principal… Nunca imaginei que o Itsuki-san tomaria uma atitude tão ousada antes disso.
— Desculpe.
Ainda me lembro do que Shizune-san me disse naquele dia: "Sou alguém a serviço do Kagen-sama, mas estou do lado da Ojou-sama." Tenho certeza de que Shizune-san também se esforça muito por Hinako, de maneiras que eu nem imagino.
— Pois bem, vou voltar ao trabalho.
Shizune-san disse após terminar de verificar o terno.
— Durante o evento, claro, você precisa ficar atento o tempo todo. Se não conseguir, ao menos observe as pessoas ao seu redor. Acredito que aprenderá bastante.
— Entendi. …Para mim, isso é como um treinamento.
— Naturalmente.
Shizune-san respondeu.
— Daqui em diante, Itsuki-san precisa continuar crescendo.
Com isso, Shizune virou-se e se afastou.
"Daqui em diante."
Essas palavras trouxeram alívio ao meu coração. Pelo menos Shizune-san continuará cuidando de mim. Ela acredita que dias como estes seguirão adiante.
*
Alguns minutos depois, o evento começou.
O local reuniu figuras políticas influentes, presidentes e executivos de grandes corporações, além de outras personalidades relevantes. No instante em que pisei naquele salão glamouroso, senti um desconforto imediato.
— Estou totalmente deslocado.
Lembrei-me das palavras de Shizune-san e procurei não chamar atenção. Afastei-me para as laterais do salão, evitando olhares.
— Ei, ei, Tomonari-kun!
De repente, uma voz me chamou por trás, fazendo meus ombros estremecerem. Ao me virar, vi duas figuras familiares.
— Asahi-san… e Taisho-kun, né…
— Yo.
Ao lado da energética Asahi-san, Taisho também me cumprimentou casualmente. Diferente de mim, eles pareciam acostumados com aquele ambiente, caminhando pelo salão com naturalidade e dignidade.
— Ei, Tomonari, você está com um terno bem elegante. É de uma marca italiana, não é?
— Sim. Preparei para hoje. Para ser sincero, não estou muito acostumado a usá-lo…
— Ahh… eu te entendo. O mais importante é não economizar demais na aparência. Não posso me dar ao luxo de passar vergonha com um terno ruim, então acho que vale a pena cuidar disso.
Provavelmente Taisho estava certo. Assenti e também observei o traje de Asahi-san.
— Você está linda com esse vestido, Asahi-san.
— Viu só!? Então, você se apaixonou por mim!?
— S-Sim, me apaixonei… — respondi com um sorriso sem graça enquanto Asahi-san girava e estufava o peito.
É um exagero… mas vou guardar segredo.
— Tomonari, pode ser honesto com ela. Qualquer um fica bonito com a roupa certa.
— Ahaha! Taisho-kun, você faz piadas engraçadas. Você pode vir aqui um minutinho?
Taisho desapareceu em algum lugar depois que Asahi-san o puxou pela orelha. Logo após os dois se afastarem, uma garota loira se aproximou, como se estivesse tomando o lugar deles.
— Eles continuam cheios de energia.
Foi Tennouji-san quem murmurou isso, suspirando.
— Mas talvez um dos seus talentos seja conseguir ficar à vontade em qualquer ambiente.
— É mesmo?
Aquela observação ficou ecoando na minha mente enquanto eu permanecia encostado à lateral do salão.
— I-Itsuki…
Ouvi uma voz familiar atrás de mim.
— Narika, né.
— Uuu… me ajuda. Que lugar chamativo… é brilhante demais… ofuscante demais…
Narika parecia pálida e debilitada. Tennouji-san suspirou ao ver a cena.
— Miyakojima-san… desse jeito, você não vai sobreviver no futuro.
— B-Bom, é verdade… mas isso faz parte da minha natureza…
— Aff. …Essa é uma boa oportunidade, por que não toma uma atitude mais radical desta vez?
— A-Atitude radical?
— Venha comigo cumprimentar as pessoas. Felizmente, há figurões de todos os setores aqui, então você deve conseguir criar coragem para falar com eles.
— N-Não, eu não quero! Se eu fizer isso, vou morrer!
Tennouji-san arrastou Narika, que estava quase chorando, para algum lugar. Elas são tão animadas quanto Asahi-san e os outros.
— Todo mundo parece estar se divertindo… — observei as costas das garotas se afastando e murmurei para mim mesmo. Senti um pouco de sede e fui buscar uma bebida.
No caminho, avistei alguém usando um terno luxuoso. Tomei coragem e o chamei.
— Kagen-san.
Inclinei a cabeça em cumprimento quando ele se virou para mim.
— Obrigado por tudo o que o senhor preparou hoje.
— Sim — Kagen-san pareceu um pouco surpreso. — Achei que você guardasse algum ressentimento contra mim.
— Mesmo que eu dissesse que sim, isso não mudaria nada… No fim, o resultado foi bom para mim, então não vou me culpar aqui.
Não havia vantagem alguma em estragar o humor de Kagen-san naquele momento. Ao ouvir isso, Kagen-san me lançou um olhar sereno.
— Achei que você fosse mais impulsivo, mas parece que sabe pensar antes de agir. …Mas naquele dia, você tentou me pressionar, não foi? — Kagen murmurou, virando-se lentamente. Kagen-san começou a caminhar com uma taça de vinho na mão e fez um gesto para que eu o acompanhasse. Parece que ele queria mudar de lugar.
Seguimos até uma varanda conectada ao salão. Andamos um pouco, viramos uma esquina e chegamos a um ponto onde não havia ninguém por perto. Kagen-san parou ali e apoiou os cotovelos no corrimão, como se quisesse tomar fôlego. Permaneci ao seu lado, em silêncio.
— Hinako é um gênio.
Kagen-san disse de repente.
— Ela parece ser a melhor da escola.
— Não é disso que estou falando — após dar um gole no vinho, Kagen-san continuou: — Hinako tem uma personalidade problemática, mas possui um talento natural quando se trata de questões práticas. …Ela herdou habilidades condizentes com o sangue da família Konohana.
Ele falou enquanto fitava o horizonte.
— É por isso que quero que Hinako assuma a família. Claro, oficialmente quem herdará será o genro… mas não há motivo para não aproveitar esse talento. Além disso, depois que ela se formar na academia, ficará livre das restrições de tempo e, se tiver uma sala particular para trabalhar, a carga será bastante reduzida. Se conseguirmos superar este período, poderemos abrir caminho para um avanço.
Senti que compreendia um pouco melhor a visão de futuro que Kagen-san tinha em mente. Ainda assim, eu não queria entendê-la, não queria simpatizar com ela, muito menos concordar.
— Mas isso precisa mesmo ser ela?
— Hahaha, se houvesse alguém para substituí-la, eu aceitaria sem hesitar — Kagen-san sorriu. — Mas o fardo da família Konohana é pesado.
O sorriso dele desapareceu rapidamente, dando lugar a uma expressão enigmática.
— O grupo possui aproximadamente oitocentos mil funcionários. Um talento mediano não é suficiente. Um único erro pode custar a vida de muitos empregados, ou esmagá-los sob pressão… e até fazê-los perder pessoas queridas.
Enquanto dizia isso, Kagen-san acariciou o anel em seu dedo anelar. Segundo o que Shizune-san me contou, na família Konohana não apenas o chefe trabalha, mas também sua esposa. …Porém, ouvi dizer que a esposa de Kagen-san já havia falecido.
Tenho certeza de que Kagen-san passou por algo marcante em seu passado. Mas isso não lhe dá o direito de menosprezar Hinako.
— Kagen-san, o que o senhor sente pela Hinako?
Era algo que eu sempre quis perguntar. Kagen-san baixou o olhar e respondeu:
— Coloquei a família acima da minha filha. Para mim, neste momento, tanto minha filha quanto meu filho são apenas engrenagens da família Konohana.
Erguendo o cotovelo do corrimão, Kagen-san voltou o olhar para o salão.
— E, claro… eu mesmo não sou exceção.
Com um murmúrio baixo, Kagen-san deixou a varanda. Uma brisa noturna e fria tocou meu rosto. Nem mesmo o calor do salão alcançava aquele lugar. Decidi permanecer ali por um tempo, para esfriar a cabeça.
— Itsuki.
Alguém me chamou.
— Hinako.
Diante de mim estava uma bela garota de cabelos cor de âmbar. Hinako, vestindo um elegante vestido branco, aproximou-se com passos curtos.
— O que você está fazendo aqui?
— Papai disse que você estava aqui, então…
— Entendo.
Não havia ninguém por perto. Ali, Hinako podia ser ela mesma.
— Obrigada por continuar sendo meu cuidador.
Hinako disse enquanto tocava o corrimão da varanda.
— O que o Itsuki me disse naquele dia… aquilo me deixou muito feliz.
Devia ter sido quando falei aquilo diante de Shizune-san. Naquele momento, eu estava pensando em muitas coisas ao mesmo tempo, então ser lembrado disso agora era um pouco constrangedor. …Mas, se deixou Hinako feliz, então não há problema.
— Eu… vou continuar acreditando em você, Itsuki.
Ela me encarava com olhos puros e inocentes. Sua postura, sua expressão, suas palavras e ações mexeram profundamente com minhas emoções.
— Sim.
Suprimi minha agitação e respondi. Às vezes… eu quase esqueço. Hinako não me vê como alguém do sexo oposto. Para corresponder às expectativas dela, eu também não deveria enxergá-la dessa forma além do necessário.
— Fuuu…
Hinako apoiou o queixo no corrimão e soltou um suspiro distraído.
— Está tudo bem?
— Cumprimentei muita gente… estou cansada. …Faz um carinho na minha cabeça.
— Tá, tá.
Soltei uma risadinha enquanto ela me oferecia a cabeça. No fim das contas, o que esperam de mim é o calor de um membro da família. Para corresponder a isso, acariciei a cabeça de Hinako com o máximo de cuidado possível.
— Muu?
Enquanto eu a acariciava, Hinako soltou um som estranho.
— Mu? …Muuu?
Continuei passando a mão por seus cabelos, e o rosto dela começou a ficar vermelho—
— Muuu~!?
Hinako, completamente ruborizada até as pontas das orelhas, afastou-se de repente. Seus olhos estavam arregalados, confusos.
— U-Ué…?
— O que foi? De repente você ficou toda vermelha…
— Não, não é nada.
Hinako parecia confusa, como se não entendesse o que estava acontecendo com ela. Talvez estivesse passando mal. Preocupado, dei um passo em sua direção.
— Se não estiver se sentindo bem, não force—
— N-Não é nada, sério…!
Inquieta de forma estranha, Hinako recuou mais uma vez.
Hã? Não me diga… ela está me evitando? Pelo que sei, esta é a primeira vez que Hinako fica tão claramente desnorteada. …Será que ela quer se afastar de mim a ponto de deixar isso tão óbvio?
Será que cheguei perto demais?
Não… mas já fiz isso tantas vezes antes.
*
— Estranho…. — Hinako, como se tentasse esconder o rosto ainda vermelho, tocou as próprias bochechas com as duas mãos e murmurou, intrigada. — Eu… tem algo de errado comigo…

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