Volume 1
Capítulo 3: A Festa do Chá
ERA O TERCEIRO DIA da vida na academia. Quando terminou o segundo período e chegou o intervalo, Taishou e Asahi-san se aproximaram de mim.
— Tomonari, que tal depois da aula hoje? Da última vez você teve que sair cedo, mas de vez em quando dá pra sair, né?
Sorri em resposta à pergunta de Taishou.
— Hoje estou livre, então tudo bem.
— Ah, que ótimo!
Depois de conversar com Shizune-san outro dia, combinamos que, desde que eu me reportasse de manhã, poderia fazer planos depois da aula. Eu só precisava avisar Shizune-san até o horário do almoço.
— Tomonari-kun, tem algum lugar que você queira ir? Se não, a gente decide.
— Bem… Já que é uma chance rara, deixo com vocês.
Eu realmente não sabia onde os estudantes da Academia Kiou costumavam passar o tempo depois da aula, então, para não errar, decidi deixar por conta dos dois.
— Taishou-kun, o que fazemos? É só um passeio de um dia, então não dá pra ir pro exterior, né?
— Se fosse Taiwan, dá pra chegar em três horas só de ida… mas mesmo que só jantássemos e voltássemos, passaríamos a noite fora. Melhor ficar dentro do país.
— Ah, então que tal Kyoto? Os brotos de bambu de Kyoto estão deliciosos nesta época do ano.
— Kyoto, hein… Nesse caso, eu também conheço uns lugares bons.
Ouvindo os dois conversarem tão casualmente… comecei a suar frio. Certo. Esqueci que esses dois também vêm de famílias ricas.
— Uh, mesmo estando livre hoje, ainda preciso estar em casa à noite, então, se possível, melhor ficar em algum lugar próximo…
— Entendido. Então não vamos muito longe.
Se eu não tivesse interrompido, será que realmente estaríamos indo para Kyoto depois da aula…?
— Que tal um café no campus? Se for só pra conversar, deve ser o suficiente, certo?
— Ah, verdade. Isso pode ser bom.
Fiquei ao lado de Taishou, que concordou, e inclinei a cabeça.
— Olha, tem alguns cafés estilo festa do chá aqui na academia. Alguns são bem autênticos, mas como ficam no campus, não há código de vestimenta, e são populares entre os estudantes.
— É mesmo… Não sabia.
Mas se formos a algum lugar sofisticado, precisarei cuidar das maneiras. Já tive aulas de etiqueta com Shizune-san, mas ainda não me sinto confiante.
— Mas como o objetivo é se conhecer melhor, é melhor ir a algum lugar tranquilo. Que tal o café ao lado da cafeteria?
— Sim, isso funciona — Asahi-san concordou com a sugestão de Taishou. Por dentro, fiquei grato a ele. Que alívio não ter que ir a um lugar muito formal.
— Mas só nós três fica um pouco solitário, né?
— É~. Seria bom se tivesse mais duas ou três pessoas.
Disseram Taishou e Asahi-san.
— Se houver alguém que vocês acham que poderiam convidar, podem chamar.
— Tá… vou pensar nisso.
*
No horário do almoço, eu estava comendo no terraço com Hinako.
— Itsuki… agora, alga.
— Tá, tá.
Peguei um pouco de alga do bento com os hashis e levei à boca de Hinako.
— Mmm… Nada mal.
Ah, vamos, é muito melhor que "nada mal". Como esperado da Ojou-sama da família Konohana. Ela tem um paladar refinado.
— Ei… pelo menos coma você mesmo, ok?
— Não.
— Se você consegue fingir, então poderia comer sozinha se quisesse, né?
— Eu me oponho — abandono de função.
Quando ela fala isso, é difícil argumentar. Enquanto Hinako mastigava, peguei meus hashis para comer meu próprio almoço.
— Itsuki.
— Hm?
— Você vai sair hoje…?
— Não é exatamente "sair", só ir a um café com alguns colegas…
— Eu vou também — Hinako disse isso no seu tom habitual, neutro. — Se você for, eu vou também.
— Bem… eu não me importo, mas você pediu permissão à Shizune-san?
— Vou pedir agora.
Com isso, Hinako tirou o celular do bolso. De maneira desajeitada, mexeu no aparelho e levou-o ao ouvido.
— Ojou-sama? Precisa de algo?
Como ela estava bem ao meu lado, pude ouvir a voz de Shizune-san também.
— Quero ir à festa do chá. Com Itsuki.
— Entendido. Eu já planejava trabalhar em torno da agenda do Itsuki-sama hoje, então não há problema se a Ojou-sama também for.
Isso foi bem mais fácil do que eu esperava. Assim como eu, se Hinako não tivesse vida social, as pessoas ficariam desconfiadas. Parece que já esperavam que ela pudesse fazer planos depois da aula.
— Mas Ojou-sama, tem certeza? Não está quase no seu limite…?
— Vou ficar bem.
Depois disso, houve alguma troca que eu não entendi muito bem, mas Hinako desligou imediatamente.
— Então tá… obrigada.
— Ok. A propósito, os membros até agora são Taishou e Asahi-san — você os conhece?
— Conheço os nomes deles.
A resposta vaga dela me fez franzir a testa. Será que ela vai conseguir manter uma conversa com alguém que só conhece de nome?
— Uh… você realmente não precisa se forçar a ir, sabia? Isso é só um pouco de socialização, e se achar que não vai se divertir, é melhor não ir…
— Se você for, eu vou.
Não é o motivo mais convincente, mas se ela quer ir, não há necessidade de impedir.
*
Quando o almoço acabou, Hinako e eu voltamos para o prédio da escola separadamente, mantendo alguma distância.
— Então agora somos quatro…
Incluindo Hinako, o grupo para a festa do chá depois da aula já estava com quatro pessoas. Parecia suficiente, mas, enquanto eu pensava se havia mais alguém que pudesse convidar, uma pessoa específica veio à mente.
— Ela disse que queria fazer amigos… acho que vou perguntar, só por precaução.
Fui em direção àquela garota estranha e solitária. Não demorou para encontrar meu alvo, Miyakojima Narika. Já sabia pela aula de educação física que a classe de Narika era a 2-B. Assim que vi que Hinako tinha voltado para a própria sala e iniciado sua "performance", fui direto para a Classe B — e encontrei Narika em segundos.
…Ela realmente se destaca.
Eu já esperava, mas Narika estava almoçando completamente sozinha. Sentada na segunda carteira a partir da janela, parecia comer sua refeição silenciosamente.
De longe, parecia uma beleza digna, mas de perto dava para ver as rugas na testa e seus olhos penetrantes a faziam parecer constantemente irritada. Não é de se estranhar que as pessoas mantivessem distância.
Por isso, se possível, eu queria ser quem se aproximasse dela… Justamente quando pensei nisso, Narika se virou para me encarar.
— ? …Itsuki!!
Percebendo minha presença, Narika parou de comer e se levantou rapidamente. Sem conseguir conter a alegria, abriu um sorriso e veio direto até mim. Enquanto isso, a sala da Classe B estava em polvorosa.
— Não pode ser…?
— A-A-A Miyakojima-san acabou de chamar alguém pelo nome…?
Murmúrios tristes circulavam, mas Narika parecia alheia a tudo e se posicionou à minha frente. Enquanto eu refletia se tinha chamado atenção demais, Narika olhou para mim, os olhos brilhando.
— Então, o que foi!? Precisava de algo!? Po—por acaso, estou livre agora! Podemos conversar sobre qualquer coisa, sério!
Ela está muito animada… Ela devia estar se sentindo muito sozinha.
— Uh, será que podemos ir para outro lugar primeiro?
— C—Claro! Eu te sigo para qualquer lugar!
Sob o olhar de incontáveis colegas, saímos da sala.
Se Hinako fizesse alguma coisa inesperada, queria estar perto o suficiente para lidar com isso, então não queria ir muito longe da Classe A. Levei Narika para trás do prédio da escola, onde estava mais tranquilo, e me virei para encará-la novamente.
— Então… tem muita coisa que eu queria falar. Também não expliquei sobre o que aconteceu outro dia.
— Outro dia… Ah, é! Ainda não te perdoei!
De repente, o rosto de Narika ficou vermelho e ela parecia furiosa, como se tivesse voltado à realidade.
— Era pra você cuidar de mim, então por quê… Por quê você de repente virou o cuidador da Konohana-san? T-T-T-T-Traidor!!
—Ora, traidor… Eu já fui seu cuidador, mas isso foi há muito tempo, né?
— Só porque foi há muito tempo não significa que você pode simplesmente ignorar! Eu queria morar com você de novo!!
— Eh… sério?
Minha surpresa deve ter aparecido, porque Narika percebeu imediatamente o que acabara de dizer, e o rosto dela ficou completamente vermelho.
— W-W-Waaah?! Esquece! Finja que eu não disse nada! Apague da sua memória!
— T-Tá… Ajudaria se você se acalmasse um pouco.
Será que ela está pior do que antes…? A essa altura, só sinto pena dela.
— Sobre o que mencionei ontem… Resumindo, fui adotado.
— Adotado?
— Sim. Meu pai atual é o presidente de uma empresa de médio porte. E esse presidente tem ligação com a família Konohana, então, enquanto estudo na Academia Kiou, estou trabalhando na casa da família Konohana.
— Espera aí. Por que isso significa que você tem que trabalhar na casa da Konohana? Só por causa da ligação?
Eu sabia que ela diria isso. Calmamente, lembrei da história de fundo que havia decorado desesperadamente na noite anterior.
— Você sabe sobre ser um "aprendiz de etiqueta", certo?
— Sim. Viver e trabalhar com uma família rica para aprender boas maneiras. Era popular no Japão durante a era Meiji, e na Europa é costume desde a Idade Média.
Ela realmente estuda muito. É estudante da Academia Kiou, afinal, então é muito mais inteligente que eu.
— O que estou fazendo na casa dos Konohana é basicamente a mesma coisa. Eu não sei nada sobre etiqueta, então estou aprendendo com eles em troca de ajuda.
— Entendi. Então é assim que funciona.
Olhando para trás, Shizune-san realmente pensou em uma boa história de fundo. É até perfeitamente forjada, então se alguém investigar, vai resistir até certo ponto.
— M-Mas… você poderia ter feito isso na minha casa também, né?
— Bem, eu só pensei primeiro na casa dos Konohana, só isso…
— Hmm.
Narika franziu a testa.
— Prefiro que você não conte isso para ninguém.
— Entendi. Ser adotado é uma posição delicada.
Eu tinha outros motivos para querer que ela mantivesse segredo, mas Narika convenientemente interpretou do jeito dela. Isso deve ser suficiente sobre mim e Hinako.
— A propósito, Narika. Você está livre depois da aula hoje?
— Depois da aula? Bem, estou livre.
— Se quiser, quer se juntar a nós no café?
— No café? Es-esse… será que é… uma festa do chá!?
— Sim, algo assim.
— P—Por favor, me deixa participar!
Seus olhos brilhavam enquanto ela falava.
— Ah, para ser honesta, sempre admirei festas do chá…! Ouvi dizer que estudantes da Academia Kiou aprofundam suas amizades em festas do chá, mas nunca fui convidada… Achei que ia me formar sem nunca ter participado de uma…
— E-Entendo… Isso é, bem, difícil.
Toda vez que falo com Narika, sinto pena dela.
— A propósito, até agora somos eu, Taishou da Classe A, Asahi-san e Konohana-san.
— Eh? T—Tem mais gente?
— Sim. É oficialmente minha festa de boas-vindas, afinal.
— Entendi… Ouvi dizer que você acabou de se transferir outro dia.
Aparentemente, estudantes transferidos na Academia Kiou não são tão raros, mas ainda assim chamam atenção. Narika parecia saber que eu era um novo transferido.
— Quero participar, mas estou nervosa… Posso não conseguir conversar direito…
— Mas você conversa comigo muito bem.
— Isso porque… você conhece a velha Narika, e eu não preciso fingir nada com você.
— Então talvez você nem precise fingir com os outros também?
— Se eu pudesse fazer isso, eu não estaria com problemas!! — disse Narika, com lágrimas se formando nos cantos dos olhos. — E… não é só problema meu.
— Como assim?
— Parece arrogante eu mesma dizer, mas a família Miyakojima é grande. Por causa disso, a maioria dos estudantes fica intimidada com meu histórico… Não é só que sou desajeitada; as pessoas têm medo de mim desde o início.
— Entendi.
Isso realmente não é só problema dela.
— Nesse sentido, Konohana-san é incrível. Mesmo tendo te perdido para ela, tenho que admitir… Eu realmente invejo como ela é querida. Normalmente, com uma família tão influente quanto a Konohana, as pessoas ficariam intimidadas… mas ainda assim, muitos se aproximam dela sem hesitar. Como ela consegue que as pessoas a adorem assim… — olhando para baixo, Narika falou.
Acho que sei por que Hinako é tão popular. É a atuação dela. Hinako está sempre interpretando a perfeita Ojou-sama, alguém que todos podem admirar. Mas isso não é algo que eu posso dizer publicamente.
— Não sei por que Konohana-san é tão popular… mas se você falar com ela pessoalmente, talvez encontre uma pista.
— Sim. E já que você vai estar lá, definitivamente participarei da festa do chá depois da aula — como se se firmasse, Narika fechou o punho. — M-Mas, será que vai dar certo? E se as pessoas se incomodarem com a minha presença…
— Acho que vai dar certo. Provavelmente.
— Provavelmente…?
— Com certeza.
Tentei tranquilizar Narika, suspirando.
Nem Asahi-san nem Taishou têm algo contra Narika. Na verdade, Asahi-san me disse uma vez que tentou conversar com Narika para conhecê-la melhor. Então tenho certeza de que ninguém se importará se Narika participar.
*
Depois de me separar de Narika e voltar para a Classe A, ouvi duas garotas conversando mais adiante no corredor.
— M-M-Muito obrigada!! Pela sua ajuda!
— Não precisa agradecer.
A loira de cabelos encaracolados respondeu com dignidade à garota que se curvava para ela. Vendo sua aparência marcante, acabei dizendo seu nome:
— Tennouji-san?
— Oh, você não é…
Os olhos de Tennouji-san se estreitaram ao me olhar. Pensando bem, nosso último encontro terminou de forma um pouco desastrosa. Seria um problema se ela lembrasse disso, então rapidamente tentei mudar de assunto.
— Então, o que você estava fazendo?
— Nada demais. Só ajudei a carregar alguns materiais necessários para a aula.
Mesmo quando ela havia recolhido minha carteira perdida, eu já tinha pensado isso, mas Tennouji-san é mais gentil do que parece. Aparentemente, ela frequentemente se esforça para ajudar os outros.
— A propósito, ouvi dizer… você é um estudante transferido, não é?
— Sim. Me transferi anteontem. Sou Tomonari Itsuki.
Só então percebi que nunca me apresentei, então disse meu nome.
— Então, Tomonari-san… Ouvi dizer que você chegou à escola com Konohana Hinako. Isso já virou um pouco de rumor, sabe.
Certo, Tennouji-san é abertamente antagonista em relação a Hinako. Seria um problema se ela começasse a me ver como inimigo também, então precisava esclarecer.
— É verdade que fui com ela no primeiro dia para que me mostrasse a escola, mas ontem e hoje viemos separadamente. Só tenho laços com a família Konohana, é só isso — nada mais.
— É mesmo? Mas você não faz parte do grupo da Konohana também?
— O grupo da Konohana?
Ao inclinar a cabeça, Tennouji-san explicou:
— É só como eu os chamo. Há muitos estudantes na Academia Kiou que praticamente idolatrizam Konohana Hinako, então uso esse termo para eles.
— Entendi…
Basicamente, como um fã-clube. A Academia Kiou é surpreendentemente normal em alguns aspectos.
— Tennouji-san, você não gosta da Konohana-san?
— E-Eu… não diria que não gosto dela! É só que, por causa da Konohana Hinako, minha própria influência diminuiu! — Em um tom confuso, Tennouji-san respondeu. — Eu reconheço as habilidades da Konohana Hinako. Ela me iguala em beleza e notas. Claro que ela vai ser popular.
— Isso é… um elogio meio torto a si mesma…
Queria que ela pudesse passar um pouco dessa confiança para Narika.
— Mas falando sério, Konohana Hinako… Mesmo eu sendo filha do Grupo Tennouji, ela recebe toda a atenção! O Grupo Tennouji é tão grande quanto o Grupo Konohana, e nossa história é ainda mais longa! Então sério! Eu é que deveria ser o centro das atenções de toda a Academia Kiou! — Com convicção e força, Tennouji-san me lançou um olhar intenso. — Se você não faz parte do grupo da Konohana, concorda, né!?
— Uh? Bem… acho que sim…
— Pois é, pois é!! Estou tão irritada! Por que ela recebe toda a atenção e não eu!? Ela age como a perfeita Ojou-sama, mas aposto que em casa é uma preguiçosa inútil!
Ela não estava errada… mas mantive a boca fechada.
— É mesmo só porque ela é boa com as pessoas? Mas sério, alguém de alta linhagem deveria agir com dignidade como eu. Sorrir demais arruína sua autoridade, ajudar os outros demais não ajuda ninguém. Além disso, outro dia, aquela garota—
Enquanto Tennouji-san resmungava baixinho, eu falei o que estava pensando:
— Tennouji-san, você sabe bastante sobre Konohana-san.
— Q-Quê?! I-Isso é totalmente normal! — Tennouji-san negou, com o rosto vermelho. — Eu e Konohana Hinako somos rivais! Por isso é natural que eu saiba tudo sobre ela! "Conheça seu inimigo e a si mesmo, e não precisará temer o resultado de cem batalhas", certo?
Enquanto ela citava provérbios, pensei um pouco sobre a própria Tennouji-san. Narika comentou sobre isso. Quando você vem de uma família grande, as pessoas se intimidam. Como filha do enorme Grupo Tennouji, talvez ela esteja realmente solitária, assim como Narika.
Mas se for Hinako, com seu histórico igualmente impressionante, provavelmente conseguiria construir uma relação equilibrada com Tennouji-san. Talvez seja por isso que Tennouji-san é tão fixada em Hinako.
— Hum… você está livre depois da aula hoje?
— Depois da aula? Bem, sim, mas por que pergunta?
— Estamos planejando uma festa do chá no café ao lado da cafeteria. Konohana-san também vai estar lá, a propósito.
— Konohana Hinako!?
Os olhos de Tennouji-san se arregalaram de surpresa.
— Espera, você está tentando me recrutar para o grupo da Konohana…!?
— Por que está tão desconfiada? Estou só convidando você normalmente.
Ela está exageradamente consciente de Hinako.
— Bem, se aquela garota insiste que eu vá, acho que posso participar…
— Uh, na verdade, Konohana-san não disse nada…
— É mesmo?
— Sim.
…
— Bem, na verdade, talvez ela tenha mencionado, então você poderia se juntar a nós?
— T-Tá! Então eu vou participar!
A situação estava ficando estranha, então contei uma mentirinha gentil. Os olhos de Tennouji-san brilharam. Ela realmente queria participar da festa do chá.
— "Conheça seu inimigo e a si mesmo, e não precisará temer o resultado de cem batalhas", afinal!
É… você acabou de dizer isso.
*
E então, depois da aula. Taishou e Asahi-san ficaram sem palavras ao verem o grupo reunido no café.
— Eu disse para convidar quem quisesse, mas… esse é um grupo doido.
Disse Taishou, olhando para os rostos das garotas nobres ali reunidas. Ao redor da mesa redonda e branca, seis alunos estavam sentados. O grupo original — eu, Taishou e Asahi-san — mais Hinako, Narika e Tennouji-san, que eu tinha trazido.
Nenhuma dessas três garotas nobres era do tipo que se deixa levar pelo clima. Hinako, interpretando a perfeita Ojou-sama, tinha um sorriso gentil; ao lado dela, Narika parecia suspeitosamente nervosa, e Tennouji-san tomava chá com confiança.
— Ei, Tomonari-kun. Como você conhece todas essas pessoas? Como consegue conhecer gente tão incrível em apenas três dias?
— Quero dizer… aconteceu.
Tirando Hinako, convidei Narika e Tennouji-san porque achei que seria uma boa oportunidade para criar amizades. Mas pensando com calma, esse realmente é um grupo impressionante. Provavelmente é raro as filhas das famílias Konohana, Miyakojima e Tennouji se reunirem em um mesmo lugar.
— Pensando bem, essa é a festa de boas-vindas do Tomonari-san, né?
Tennouji-san apoiou a xícara e olhou para mim.
— Desculpe o atraso, mas parabéns pela transferência. A Academia Kiou é uma escola exigente — mais do que a maioria —, mas, se você se formar, certamente valerá a pena no futuro. Espero acompanhar o seu sucesso.
— M-M-Muito obrigado.
Mesmo gaguejando, consegui agradecê-la. Quando alguém tão digno quanto Tennouji-san diz isso, me deixa feliz.
— Há algumas pessoas aqui com quem ainda não falei, então vamos nos apresentar de novo. Sou Tennouji Mirei, filha do Grupo Tennouji.
Com as apresentações começando, Taishou e Asahi-san seguiram.
— Sou Taishou Katsuya. Minha família atua no setor de transporte marítimo.
— Sou Asahi Karen. Minha família trabalha com varejo — principalmente lojas de eletrônicos, eu acho.
Em seguida, Hinako e Narika.
— Sou Konohana Hinako. Prazer em conhecê-la.
— E-Eu… sou Miyakojima Narika. M-M-Muito prazer.
Ela gaguejou, mas eu fingi não perceber. Os rostos de Hinako e Tennouji-san não mudaram. Talvez não tivessem notado, ou talvez simplesmente não se importassem. Por outro lado, Taishou e Asahi-san pareciam confusos, como se quisessem dizer: "Não pode ser, Miyakojima-san nunca gaguejaria assim."
— Sou Tomonari Itsuki. Minha família tem uma empresa de TI.
Finalmente, eu disse meu nome e o ramo da minha família. Quando todos terminaram, Tennouji-san falou:
— Deixe-me dizer desde já, não precisa se preocupar com o histórico da minha família. Podem falar comigo normalmente… Taishou-san, Asahi-san, vocês não costumavam ser um pouco mais descontraídos?
— Ah… Bem, se você percebeu, não adianta fingir.
— Ahaha, é… Acho que vou falar normalmente então.
Pareciam um pouco desconfortáveis por um momento, mas logo se soltaram. Depois disso, Tennouji-san se voltou para Hinako.
— Nos encontramos em festas do chá de vez em quando, não é, Konohana-san?
— Isso mesmo. Sou sempre grata pela sua ajuda, Tennouji-san.
— Você está sendo sarcástica…? — Com um sorriso forçado, Tennouji-san respondeu. Mas Hinako parecia não notar, bebendo seu chá serenamente. Tanto Narika quanto Tennouji-san eram garotas incrivelmente bonitas, mas Hinako ainda emanava um nível de elegância acima delas. A forma como inclinava a xícara com graça atraía todos os olhares.
— E-Ei, Konohana-san! Estamos na mesma classe, mas… você se lembra de mim?
— Claro, Asahi-san. Você sempre anima a Classe A. Graças a você, o lugar é muito mais confortável.
— A—Ahaha, obrigada… Uau, só ouvir isso de você já me deixa muito feliz.
Asahi-san tentou desesperadamente esconder o sorriso com as mãos.
— E quanto a mim? E quanto a mim, Konohana-san!?
— Também conheço você, Taishou-kun. Sua atitude amigável com todos é uma das suas qualidades mais cativantes.
— Ohhh…! Sinto que acabei de ganhar muito carma…!
Não acho que o carma dele realmente tenha aumentado, mas ele parecia radiante de felicidade.
— Grr… Por que ela não fala nada comigo…! — Com Hinako monopolizando a atenção de todos, Tennouji-san estava claramente descontente. Achei que era só a forma como a conversa seguia, mas, por precaução, decidi mudar de assunto.
— Narika, você já conversou com alguém em uma festa do chá antes?
— Uh, não. Quase não participo de eventos fora da escola.
Ela quer dizer que quase não é convidada, não que raramente participa…? Justo quando pensei nisso, percebi que todos estavam olhando para mim.
— Narika?
Alguém disse. Parecia que tinham notado que eu chamava Narika pelo primeiro nome. Enquanto eu pensava se deveria explicar nossa relação—
— E-Eu e Itsuki nos conhecemos quando tínhamos dez anos. Por causa dessa ligação, fui convidada para esta festa do chá.
— Uau, sério?!
Asahi-san ficou surpresa com a explicação de Narika. Narika abaixou a cabeça. Ela estava apenas envergonhada, mas a expressão rígida poderia fazer os outros pensarem que ela estava chateada. Provavelmente é esse tipo de coisa que a leva ao isolamento. Fui eu quem convidou Narika para cá. Eu devia ajudá-la.
— Parece que houve um mal-entendido, mas Narika não é nada assustadora. Ela só passou a maior parte da infância em casa, então não é muito boa em conversar.
— É mesmo?
— Sim. Esses rumores que você ouviu — todos são falsos.
Disse isso claramente para a assustada Asahi-san.
— Itsuki…!
Tomada por gratidão, Narika olhou para mim, com os olhos marejados. Eu esperava que isso a ajudasse a fazer algumas amizades…
— Acredito que a família Miyakojima administra uma empresa de artigos esportivos, certo?
Tennouji-san perguntou a Narika.
— S-Sim. Como sabe disso…?
— Você é modesta demais. Não há estudante aqui que não conheça a família Miyakojima. E se você investigar aqueles rumores, fica óbvio que não são verdadeiros. …Eu quase nunca vejo você em eventos sociais, então, normalmente, o que você faz?
— O-O que eu normalmente faço…? Principalmente treino em casa…
— Treino?
— Minha família tem um dojo. Treinar lá faz parte da minha rotina diária. Ultimamente, muitas vezes sou convidada para testar nossos novos produtos também.
— Entendi. Parece que você leva uma vida plena.
Tennouji-san parecia impressionada. Ao lado delas, Asahi-san conversava com Hinako.
— Já que estamos aqui, quero te perguntar também, Konohana-san. Como é a vida em casa? Você só estuda o tempo todo?
— Estudar é importante, mas também faço questão de relaxar. Eu leio… e às vezes como algum lanche.
— Ah, então você também gosta de lanches, Konohana-san? Que tipo você come?
— Deixe-me ver… Talvez scones.
Mentira. Você come batata chips o tempo todo.
— Pensando bem, Konohana-san e Tomonari-kun estão conectados pelas famílias, certo?
Asahi-san perguntou a Hinako.
— Sim. Meu pai e o pai de Tomonari-kun são conhecidos.
— Então vocês dois nunca se encontraram até recentemente?
— Exato. Mas agora, como pode ver, passamos tempo juntos assim.
Hinako respondeu com um sorriso, e Asahi-san assentiu, parecendo divertida.
— Parece suspeito~. Tem certeza que é só isso entre vocês dois?
— Ah, Asahi… Isso é exagero — disse Taishou com um sorriso irônico.
— Eh, mas… conexões familiares basicamente são como um noivado arranjado, né? É clássico que isso vire romance. Talvez vocês já sejam bem próximos…?
Pelo tom, dava para perceber que ela estava brincando. Mas quando Asahi-san disse isso, Hinako apenas tomou um gole de chá silenciosamente, sem falar nada.
…Ei. Por que de repente ficou em silêncio? Parecia um silêncio carregado. Até Asahi-san, que começou brincando, gradualmente ficou séria. Tennouji-san franziu a testa, desconfiada, enquanto Narika me encarava, pálida.
— Uh, não, não é bem assim — disse, já que Hinako não respondia nada.
— Como a Konohana-san mencionou, nossas famílias estão conectadas, mas não há nada especial entre nós. Além disso… eu realmente não sou páreo para a Konohana-san.
De um lado, a herdeira do famoso Grupo Konohana, e do outro, apenas o herdeiro de uma empresa de médio porte. Até meu suposto status social está em outro mundo.
— Se você é um par ou não… Tomonari-kun, você está ocupado com seus estudos de qualquer forma, certo? Não é hora para isso.
— Exatamente.
Sorri para as palavras de Asahi-san, e ao meu lado, Narika abaixou o olhar.
— Hmph… Mentiroso — Narika murmurou baixinho, apenas alto o suficiente para eu ouvir. Se ela está falando baixo, deve aceitar a necessidade de segredo, mas ainda está insatisfeita com meu trabalho na casa dos Konohana.
Ainda assim, no geral, as coisas parecem estar indo bem. Narika parece ter se integrado ao grupo, e, exceto pela relação dela com Hinako, Tennouji-san também é amigável. Olhando para trás, fico feliz por ter convidado ambas para a festa do chá.
Relaxando um pouco, tomei um gole de chá da minha xícara. Naquele momento, senti o olhar de Tennouji-san.
— Tomonari-san, fica mais elegante levar a xícara aos lábios do que inclinar a cabeça para ela.
— E-Entendi… Obrigado.
Baixando a guarda, eu já tinha errado. Olhando mais de perto, notei que todos os outros na mesa bebiam o chá daquela forma. …Preciso tomar mais cuidado. Diferente dos outros, estou vivendo aqui sob uma identidade falsa.
— Tomonari, antes de vir para cá, você estudava em uma escola normal, certo?
— Sim. Então não tenho muita confiança nas minhas maneiras…
Assenti em resposta à pergunta de Taishou.
— Lembro que um colega me disse uma vez que escolas normais têm todos os tipos de tradições divertidas. Por exemplo… dividir a conta?
— Dividir a conta? — Taishou inclinou a cabeça. Todos os outros também pareciam confusos. Acho que tenho que explicar.
— Dividir a conta significa que cada um paga sua parte nos restaurantes… Ninguém na Academia Kiou faz isso?
— Não. Não é mais rápido uma pessoa só pagar por todos?
— Isso pode ser verdade, mas não significa que uma pessoa acaba pagando por todos?
— Se incomodar, você pode pagar da próxima vez. Mas, no geral, ninguém se importa com quem paga. Quem convida todo mundo, ou simplesmente sente vontade de pagar, resolve.
É realmente tão casual assim…? Eu fico superconsciente quando alguém paga por mim.
— Ah, e tem também aquela coisa… pegar coisas emprestadas e não devolver.
— Certo, certo. Isso é quando você só fica com o que pegou emprestado. Mas por que roubar? É só comprar o seu próprio.
— Uh, não, isso não é bem uma questão cultural…
Interrompi a conversa de Asahi-san e Taishou para corrigi-los. Mesmo entre nós, pessoas comuns, isso quase nunca acontece e, quando acontece, normalmente é um acidente.
— Isso não acontecia na sua antiga escola, Tomonari?
— Vamos ver…
Como a pergunta veio de pura curiosidade, tentei pensar em algo que eles achassem interessante.
— Que tal a regra dos três segundos?
— A regra dos três segundos? — Asahi-san inclinou a cabeça. Como ninguém parecia conhecer, expliquei:
— Geralmente é usada com comida. Se você derrubar algo, ainda pode comer, contanto que pegue em até três segundos.
— O quê…?
— Não é nada demais, mas… eu às vezes faço isso.
Com isso, peguei um biscoito do centro da mesa. Seria um desperdício derrubar um biscoito inteiro, então mordi metade para fazer um pedaço pequeno.
— Se você derrubar algo assim enquanto come… — deliberadamente deixei cair um pedaço do biscoito na mesa e rapidamente o peguei — então, contanto que pegue em até três segundos, pode comer. Essa é a regra.
— Uau… As pessoas realmente inventam coisas interessantes.
Ela está zombando de mim? Bem, talvez não, mas ainda é estranho ficar genuinamente impressionado. Honestamente, é só falta de boas maneiras. Eu estava prestes a dizer que provavelmente é melhor não copiar isso quando—
— Assim? — Hinako, sentada à minha frente, imitou-me, derrubando um pedaço de biscoito na mesa. Então o levou à boca e mastigou.
— S-Sim, assim…
O sorriso adorável de Hinako fez minha voz tremer ao confirmar. Todos ficaram chocados ao ver Hinako, normalmente tão graciosa e elegante, fazendo algo tão simples e cotidiano.
Naquele momento, Tennouji-san pigarreou:
— Os plebeus às vezes realmente inventam coisas interessantes… mas não posso dizer que essa regra dos três segundos seja muito adequada — ela disse isso, apoiando a xícara.
— Mas, sinceramente, até faz sentido. Três segundos provavelmente não importam. Talvez eu tente da próxima vez — Asahi-san acrescentou.
— Não é uma questão de higiene. É apenas inadequado — Tennouji-san repreendeu. Asahi-san, não levando tão a sério, concordou rapidamente.
— Sim, é meio inadequado.
A festa do chá continuou tranquila depois disso. A primeira festa do chá terminou pacificamente, sem problemas reais.
*
Depois de sair do café, caminhamos em direção ao portão da academia. Vários carros pretos esperavam na frente.
— Desculpem pela espera, Ojou-sama.
— Eu já disse, para de me chamar de Ojou-sama… — Asahi-san disse com um sorriso irônico enquanto entrava no carro, dirigido pelo servo de sua família. Um pouco depois, Taishou entrou no mesmo carro.
— Huh? Taishou-kun, você vai com a Asahi-san?
— Sim. Nossas casas são próximas, e nos conhecemos desde sempre.
— Os servos das nossas famílias se revezam para nos levar para casa.
Assim como meu suposto vínculo com Hinako, parece que Asahi-san e Taishou também têm uma conexão familiar.
— Então, nós vamos primeiro.
— Hoje foi divertido. Até amanhã.
O carro com os dois partiu. Perto dali, o carro de Tennouji-san também esperava.
— Então, eu também vou indo.
Com um leve aceno, Tennouji-san se despediu. Vários servos de terno estavam ao lado dela. Diferente dos servos da Asahi-san, estes pareciam mais como seguranças, mantendo vigilância silenciosa.
— K-Konohana Hinako!
— Sim?
Chamando pelo nome em voz tensa, Hinako respondeu com seu habitual sorriso gentil.
— E-Eu… é a primeira vez que participo de uma festa do chá particular com você… mas foi realmente agradável! N-Na próxima, talvez possamos conversar mais sobre a escola, negócios da família e tal!
— Sim, se houver oportunidade, eu adoraria.
Tennouji-san havia assegurado habilmente uma promessa para a próxima vez. Satisfeita, ela se endireitou rapidamente e se voltou para mim.
— Hum… E também, Tomonari-san — com uma tosse discreta, Tennouji-san me dirigiu a palavra. — Você manteve as costas retas hoje. Ficou muito mais digno assim.
Fiquei parado por um instante com suas palavras.
— O-Obrigado.
Não esperava receber um elogio, então minha resposta atrasou. Com um pequeno sorriso, Tennouji-san se virou e entrou no carro.
— Vocês dois parecem se dar muito bem — murmurou Narika.
— É só educação.
— Não, Tennouji-san é uma pessoa direta. Aceite o elogio… Ser elogiado por Tennouji-san no seu terceiro dia aqui é realmente algo.
Narika não parecia muito contente ao dizer isso. Ao contrário de Tennouji-san, não parecia estar sinceramente me parabenizando.
— Bom trabalho hoje, Ojou-sama, Itsuki-sama.
Naquele momento, dois carros pretos pararam e alguém nos chamou.
— Shizune-san?
Shizune-san, em seu uniforme de criada, apareceu e se curvou diante de nós.
— Você deve ser Miyakojima Narika-sama. Sou Tsumuri Shizune, serva da família Konohana.
Narika, sem esperar ser chamada, se assustou.
— Acredito que você já ouviu sobre a situação de Itsuki-sama por ele mesmo. Nossas famílias têm uma relação próxima, então agradeceria se pudesse manter este assunto confidencial.
— S-Sim… Entendi. Itsuki explicou tudo, e estou de acordo. Pode ficar tranquila, não contarei a ninguém.
— Obrigada.
Shizune-san fez uma reverência respeitosa. Parecia que havia vindo especificamente para tratar desse assunto. Narika sabe que eu trabalho na casa dos Konohana. Então, mesmo que Hinako e eu voltemos para casa juntos, ela não achará suspeito.
— Narika, seu carro ainda não chegou?
— Chegou… Deve chegar logo…
Enquanto dizia isso, Narika ficou em silêncio. Tirou o celular do bolso e atendeu. Parecia uma ligação. Depois que a ligação terminou, Narika suspirou levemente.
— Algo errado?
— Sim… Parece que tem trânsito e meu carro vai se atrasar um pouco. Mas eles estão perto, então vou me dirigir para encontrá-los. Vocês dois podem ir embora.
Mesmo que ela tenha dito para irmos, depois do recente incidente do sequestro, eu não me sentia tranquilo em deixar Narika sozinha.
— Shizune-san, vou acompanhar Narika até o carro dela.
Shizune-san e Narika pareceram surpresas. Virei-me para Narika.
— Seu carro está perto, certo? Vou com você.
— F-Ficaria feliz, mas… você tem certeza?
Olhei para Shizune-san, que assentiu, como se tivesse entendido minhas intenções.
— Entendido. A ojou-sama tem uma agenda cheia, então retornaremos à mansão. Providenciarei outro carro para você, Itsuki-sama, por favor utilize-o.
Dito isso, Shizune-san voltou o olhar para Hinako, que já estava entrando no carro.
— Ojou-sama, está tudo bem assim?
— Sim.
Hinako respondeu com um sorriso.
— Obrigado.
*
Assim que o carro deixou a academia, Hinako soltou um suspiro profundo.
— Estou tããão cansada…
— Bom trabalho hoje.
Livre de sua postura de ojou-sama, Hinako soltou um suspiro preguiçoso. Ela se ajoelhou no banco traseiro e ficou olhando pela janela de trás.
— Hmmm… o Itsuki está com outra pessoa…
— Se você não gostou, não precisava tê-lo deixado ir.
— Será que eu devia tê-lo impedido?
— Foi descuido meu. Teria sido estranho a ojou-sama impedir o Itsuki naquela situação.
A oferta de Itsuki de acompanhar Narika foi um gesto cavalheiresco. A ojou-sama perfeita não podia barrá-lo apenas por causa de seus próprios sentimentos.
— Ei, Shizune… você conhece a regra dos três segundos?
Hinako perguntou com um sorriso orgulhoso. Parecia pronta para explicar, achando que Shizune não sabia, mas—
— Sei sim.
— Hã?
— É uma superstição conhecida, e há muita pesquisa sobre ela. Tem aquele famoso estudo de uma estudante do ensino médio nos Estados Unidos que até ganhou um Ig Nobel por isso. Embora lá seja a regra dos cinco segundos.
— Mmm.
Hinako ficou claramente emburrada, percebendo que Shizune sabia mais do que ela. Shizune sorriu levemente diante da reação de Hinako.
— Sério… desde que Itsuki chegou… Ojou-sama, você mudou.
— Acha mesmo?
— Você já participou de chá da tarde antes, mas sempre a mando de Kagen-sama. Não foi a primeira vez que você participou por vontade própria?
— É… talvez seja.
Hinako respondeu num tom que fazia parecer algo sem importância. Shizune olhou para ela com preocupação.
— Ojou-sama… como você está se sentindo?
— Talvez seja hora.
Hinako respondeu sem ânimo.
*
— Haaaah…
Enquanto o carro de Hinako se afastava, Narika soltou um longo suspiro.
— O que houve?
— Ah, bem… finalmente sinto que posso relaxar…
Parecia que a tensão finalmente havia diminuído.
— Você disse que não era boa com pessoas, mas hoje parecia estar bem.
— Não foi por minha causa. Só consegui porque todos me ajudaram…
Isso até podia ser verdade. Especialmente Asahi-san e Tennouji-san cuidaram de Narika. Asahi-san se esforçou para incluí-la na conversa, e Tennouji-san fazia perguntas para ajudá-la a se envolver.
— Itsuki… obrigada, de verdade — de repente, Narika falou de forma formal e me agradeceu. — Se você não tivesse estado aqui, provavelmente teria ficado sozinha até a formatura.
— Ah, não seria tão ruim assim. Eu só ajudei um pouco.
— Não, eu sei de mim mesma. Hoje será um ponto de virada na minha vida — ao dizer isso, Narika me olhou. — Afinal, Itsuki… você é meu herói. Quando éramos crianças, você me mostrou o mundo lá fora… e agora, me salvou da solidão.
Isso é exagero. Eu realmente não acho que fiz algo tão incrível.
— É justamente por isso… que é injusto — Narika abaixou os olhos enquanto falava. — Injusto… Injusto, injusto, injusto! Konohana-san é injusta!!
— Você ainda está com isso?
— Claro que estou! Vou dizer quantas vezes quiser! É demais! Finalmente nos reencontramos, então por que você tem que estar na casa dos Konohana?!
— Bem… é como nossos pais organizaram.
— Ugh…! Você diz que está treinando maneiras, mas o que mais você faz!? Não trabalha também!?
— Mais ou menos. Mas são só pequenas tarefas, na verdade.
— Konohana-san não precisa de ninguém cuidando dela! Ela já é perfeita!
Se ao menos ela fosse perfeita… Mas é claro que eu não podia dizer isso em voz alta.
— Então, quando acaba esse tal de "treinamento de maneiras"?
— Ainda não decidiram…
— Então, quando acabar, você viria à minha casa? Não seria nostálgico pra você também!?
Seria, mas eu devo ficar com a família Konohana até a formatura, então provavelmente não vai acontecer.
— Se eu tiver vontade.
— Isso é só para ser educado!
Bem, não sou Tennouji-san, mas às vezes posso ser educado.
*
— Por hoje é só treino. Bom trabalho.
— S-Sim, bom trabalho…
No dojô da família Konohana, eu enxugava o suor da testa enquanto falava. Mesmo no dia do chá da tarde, o treino não foi cancelado. Na verdade, a sessão de hoje estava mais intensa do que o normal, e eu estava completamente exausto.
— Itsukiii. Banho…
Nesse momento, as portas do dojô se abriram e Hinako apareceu.
— Já é tão tarde assim?
Eram dez da noite. Eu também queria me limpar, então fui para o banho—mas…
— Ojou-sama, preciso discutir algo com Itsuki-san. Então, por favor, volte para seu quarto primeiro.
— Tá. Não demore.
Hinako acenou com a cabeça às palavras de Shizune-san e deixou o dojô.
— Queria falar comigo?
— Sim. Não vou tomar muito do seu tempo.
Shizune-san falou em tom formal.
— Não quero deixar Ojou-sama esperando, então serei breve… Ultimamente, a saúde da Ojou-sama não está boa, então, por favor, tenha cuidado e fique de olho nela.
— A saúde dela? Ela parecia bem no chá da tarde…
Será que eu a fiz se esforçar demais?
— Estritamente falando, acredito que ela ficará indisposta em breve.
…?
Sem entender direito, incline a cabeça.
— Apenas fique atento. Agora, por favor, vá para o quarto da Ojou-sama.
Com isso, Shizune-san começou a limpar o dojô. Eu não sabia exatamente o que ela quis dizer, mas já que pediu cuidado, eu ficaria atento. Fui para o quarto de Hinako, troquei de roupa de banho no vestiário e entrei no banho.
— Ahh… Itsuki…
— Desculpe a demora.
Me aproximei de Hinako, que já começava a ficar tonta, e imediatamente comecei a lavar seu cabelo.
— Algum lugar coçando?
— N-Nah~…
Lavar o cabelo de Hinako havia se tornado algo diário, então Shizune-san me ensinou como fazer. Aquecei seu couro cabeludo com água na palma da mão, apliquei shampoo com cuidado e depois condicionador, espalhando delicadamente.
— Mesmo assim, Shizune-san realmente fez algo incrível.
Enquanto lavava o cabelo de Hinako, olhei ao redor. Havia uma ducha privada instalada ali, como um banheiro dentro do banheiro. Shizune-san tinha organizado dizendo: "Você não consegue lavar o corpo direito com roupa de banho", então agora havia um espaço privado só para lavar.
— Hinako, pode me passar aquele balde ali?
— Oke~…
Será que é um trocadilho com "OK" e "balde"…? Pedi que Hinako passasse o balde, que estava prestes a cair na banheira. Mas ela o deixou cair no caminho. Clang, bateu no chão. NOTA
— Ah.
Hinako, como se tivesse tido uma ideia, rapidamente pegou o balde.
— Regra dos três segundos.
— Bom, acho que sim.
Não fazia ideia de como reagir ao sorriso convencido de Hinako.
— Isso… é meio divertido.
— Se você diz, fico feliz de ter mostrado.
Eu preferia que ela não fizesse isso em público, porém.
— Depois que nos separamos hoje… sobre o que você e Miyakojima-san falaram?
— Sobre o que falamos…? Só sobre como o chá da tarde foi divertido, acho.
— Hmm.
Hinako respondeu de forma que era difícil saber se acreditava em mim ou não.
— Itsuki… você é meu cuidador — Hinako murmurou baixinho. — Não vá embora.
— Hã?
Sua voz era tão baixa que mal dava para ouvir. Mas mesmo que eu perguntasse de novo, Hinako não responderia.
Devagar, Hinako encostou o corpo no meu. Pego de surpresa com a proximidade repentina, fiquei paralisado.
— H-Hey… Você vai pegar um resfriado se adormecer no banho.
Falei enquanto balançava levemente seu corpo. Mas Hinako não disse nada.
— Hinako…?
Algo claramente estava errado. Quando olhei para o rosto dela, Hinako estava suando e soltando suspiros doloridos.
— Hinako!?
*
Depois que Hinako desmaiou no banheiro, a carreguei imediatamente para o quarto e chamei Shizune. A princípio, pensei que ela apenas tivesse se aquecido demais, mas sua respiração estava difícil e ela parecia sentir dor. Após limpar Hinako delicadamente, pedi que Shizune verificasse sua condição.
— É uma febre leve — disse Shizune, olhando para Hinako, que estava deitada na cama.
— Por enquanto, vamos deixar que Ojou-sama descanse aqui no quarto.
— Certo.
Shizune já havia preparado tudo o que era necessário para cuidar dela. Enquanto eu saí do quarto, Shizune rapidamente trocou Hinako pelo pijama e deu alguns comprimidos com água. Observando aqueles movimentos precisos, senti um leve desconforto.
— Está tudo bem?
— Ah, bem… Você parece tão calma.
— Sim. Isso acontece regularmente.
— Regularmente…?
Enquanto eu pensava, Shizune me explicou:
— O motivo pelo qual Ojou-sama desmaiou é o estresse de ter que estar constantemente representando um papel.
Por um momento, não consegui compreender o que aquelas palavras significavam.
— Estresse por atuar… Você quer dizer, por causa do papel que ela sempre desempenha?
— Sim… Ela interpreta uma persona tão distante do seu verdadeiro eu. Claro que isso causaria estresse.
Shizune disse aquilo com naturalidade. As palavras dela me atingiram como um golpe.
É verdade que Hinako sempre mantém seu papel à risca. Mas sempre que chegava em casa, voltava imediatamente à sua preguiçosa versão de sempre. Ela parecia irritada com isso, mas eu nunca pensei que estivesse realmente sofrendo. Eu imaginava que podia ser sufocante manter o papel, mas nunca que fosse o suficiente para fazê-la desmaiar.
— E-Espere um pouco. Por que você está tão tranquila com isso? Se é sério a ponto de fazê-la desmaiar, como você pode simplesmente deixar passar…?
— Mesmo se ela desmaiar, é apenas uma febre leve que passa em dois ou três dias. Não há motivo para se preocupar excessivamente.
— Não, mas se isso está fazendo ela desmaiar assim, não deveria ela simplesmente parar de atuar—
— Saiba o seu lugar — Shizune me lançou um olhar afiado, frio como gelo. — Isso é consenso da família Konohana. Não é algo que possa ser mudado por sentimentos pessoais… e, claro, a própria Ojou-sama está ciente disso.
Hinako está ciente. Aquilo ecoou na minha mente.
A desculpa nobre de "pelo bem de Hinako" se desfaz. Ela se força até esse ponto, sabendo perfeitamente o que isso faz com ela. Então… com quem eu devo me irritar? Para onde devo direcionar esses sentimentos?
— Quando Ojou-sama está em público, ela se entrega totalmente ao papel. Por isso, quando está na mansão, ela se permite relaxar. A razão pela qual Ojou-sama parece preguiçosa em casa é, pode-se dizer, simplesmente porque está exausta de atuar.
— Ou seja, Hinako fica desanimada quando está fora dos holofotes, como reação a todo o esforço que faz para manter o papel?
— Exato. Claro, parte disso é apenas sua natureza verdadeira… mas nos dias de folga, quando não precisa manter a atuação, ela está sempre mais animada.
Eu nunca soube. Que Hinako tivesse uma situação assim.
— Itsuki. Se você não for dormir logo, terá problemas na aula amanhã.
— Eu tenho que ir para a Academia mesmo com Hinako desmaiada?
— Claro. Dada a sua posição acadêmica, deve evitar faltar às aulas sempre que possível.
— Mas eu sou o cuidador da Hinako…
— Deixe com quem é mais qualificado. Estou plenamente familiarizada com os cuidados necessários quando Ojou-sama desmaia.
Enquanto dizia isso, Shizune me olhou diretamente.
— Vou me concentrar em cuidar dela, então Itsuki, por favor, volte para o seu quarto.
*
No dia seguinte, fui sozinho para a Academia Kiou.
— E aí, Tomonari! Ontem foi divertido, hein!
— É.
Enquanto me sentava na minha mesa, Katsuya me chamou animadamente. Enquanto conversava com Katsuya, Karen também se aproximou.
— Aliás, Konohana-san não veio hoje, né.
— Bem… provavelmente é o de sempre.
Ouvindo a conversa de Karen e Katsuya, incline minha cabeça.
— O de sempre?
— É, acho que você não sabia. Konohana-san falta à escola de vez em quando. Ouvi dizer que ela ajuda nos negócios da família ou algo assim… A vida de Konohana-san também não é fácil, sabe.
Apenas assenti distraidamente às palavras de Katsuya, pensando comigo mesmo:
Então essa é a história que eles estão contando para todo mundo. Parece que os desmaios regulares de Hinako são mantidos em segredo dos colegas. Talvez até mesmo da maioria dos funcionários da Academia.
Mas se for assim—ninguém vai se preocupar com ela. Ela já esconde seu verdadeiro eu por trás de uma atuação. Quem poderia realmente estar ao lado de Hinako? Quando ela está sofrendo, quem pode realmente ajudá-la? Com esses sentimentos misturados, o dia na Academia chegou ao fim.
— Bom trabalho hoje.
Enquanto entrava no carro que veio me buscar, Shizune, sentada no banco do passageiro, me cumprimentou. Com Hinako ausente, eu tinha o banco de trás todo para mim. Ainda assim, não me sentia bem com isso.
— Shizune. Como está a condição da Hinako…?
— Ela ainda precisa descansar.
Ou seja, ainda não tinha se recuperado.
— Quanto tempo você acha que vai levar para ela melhorar?
— Vamos ver… nesse ritmo, acho que ela vai se recuperar amanhã ou depois. Felizmente, o final de semana começa agora, então ela deve estar bem até segunda-feira.
Fiquei aliviado por ser sexta-feira. Mas… não era só isso. Quando a segunda-feira chegar, Hinako terá que ir à Academia novamente. O que significa que terá que atuar de novo.
Por que tem que ser assim? Um certo nome — de alguém que certamente sabe a resposta — passou rapidamente pela minha mente.
— Hum… Kagen-san vai vir? — Quando perguntei, Shizune respondeu sem me olhar.
— Kagen-sama está no trabalho. Ele está na mansão principal agora.
— Mas… Hinako desmaiou, sabe?
— Kagen-sama é o chefe do Grupo Konohana. Ele não está em posição de simplesmente abandonar o trabalho porque Ojou-sama está indisposta.
Ser informado tão claramente de que vivemos em mundos diferentes… parecia um pouco injusto. O senso comum simplesmente não se aplica aqui. Não importa o que eu diga, sou ignorado como se estivesse perdendo o ponto.
— E… a mãe da Hinako…?
A essa pergunta, Shizune fez uma pausa antes de responder.
— Ela já faleceu.
Não era a resposta que eu esperava. Pensando bem, ninguém nunca mencionou a mãe de Hinako antes. Se ela já havia falecido, provavelmente é por isso.
— Entendo.
Ainda há tanta coisa que eu não sei… Claro que há. Não sou o cuidador dela há muito tempo. É natural que existam muitas coisas que eu não conheça.
Mas — o pai dela, Kagen-san, não vem, e a mãe já faleceu. Então, quantas pessoas realmente existem que podem estar ao lado de Hinako quando ela está sofrendo? Será que eu… poderia me tornar uma dessas pessoas?
— Hum. Podemos cancelar o treino de hoje?
— Não. Você ainda tem muito a aprender, Itsuki.
— Então, pelo menos, termine mais cedo que o normal. Eu vou me esforçar dobrado para compensar.
Quando disse isso, Shizune me olhou, um pouco surpresa.
— Entendido. Nesse caso, vamos manter um ritmo mais rápido que o habitual.
Seria uma rotina infernal, mas eu não tinha escolha.
*
Quando chegamos de volta à mansão, Shizune fez exatamente como disse. Previsão, revisão, treinamento de etiqueta, defesa pessoal. Eu fiz tudo num ritmo mais rápido que o normal, até minha cabeça doer, mas em troca, ganhei duas horas a mais de tempo livre.
— Por hoje, o treino acabou.
— O-Obrigado… Posso ir ver a Hinako agora?
— Claro. Eu me juntarei a você mais tarde, então cuide dela até lá.
Saí do dojô, tomei um banho rápido no meu quarto e fui para o quarto de Hinako. A única luz no quarto era a luminária laranja noturna, então estava escuro. Cuidado para não tropeçar, me aproximei da cama de Hinako.
— Ah, Itsuki…
Hinako, deitada, me percebeu.
— Desculpe… acordei você?
— Tudo bem… só estava distraída…
Segundo Shizune, ela havia dormido quase o dia inteiro, então devia estar bem descansada.
— Obrigada… por ter vindo… — do nada, Hinako me agradeceu. — Fico feliz… que você tenha vindo…
— Claro. Afinal, sou seu cuidador.
— Ehehe.
Hinako, que parecia tão ansiosa e solitária, deu um sorriso aliviado.
— Se quiser qualquer coisa, é só falar.
Enquanto dizia isso, Hinako se virou para mim e falou:
— Então… aperte minha mão, por favor…
Hinako estendeu lentamente a mão.
— Sem problema.
Assim que ela pediu, segurei sua mão. A palma era tão pequena. Na Academia, Hinako era orgulhosa e competente, mais do que qualquer um, mas a mão dela — só de tocar parece que pode quebrar, é tão fina, tão pequena, tão delicada.

— Ela adormeceu? — Hinako respirava suavemente enquanto dormia. Ainda segurando sua mão, olhei ao redor. Estar sozinha em um quarto tão grande deve aumentar ainda mais a sensação de solidão. É natural se sentir extremamente solitário quando se está doente. É exatamente por isso que alguém precisava estar ao lado dela, cuidando dela.
…Será que sou bom o suficiente para isso?
Esse pensamento passou pela minha cabeça. Hinako realmente se sente tranquila só por me ter por perto? Mesmo sendo seu cuidador, ainda é apenas um trabalho. Eu não faço ideia do que ela realmente pensa de mim.
Um servo facilmente substituível. Um ajudante conveniente… Espero de verdade que ela não me veja assim tão levemente. Mas nossa proximidade é demais para ser apenas a relação de um servo; ainda assim, somos longe demais de algo romântico. É confortável, mas me peguei pensando nessa estranha distância entre nós.
…Mas pensar nisso agora não ajuda em nada. Ao menos, sei que ela confia em mim. Se é assim, então por enquanto eu só devo corresponder a essa confiança.
— Hinako… vai ficar tudo bem.
Com o cabelo âmbar de Hinako grudado à testa, molhado de suor, afastei delicadamente os fios e fiz carinho em sua cabeça.
— Nn…
Ela sorri suavemente com isso.
— Papá…
Escutando aquela pequena voz falando dormindo, finalmente entendi meu papel como seu cuidador.
— Então é assim.
Agora eu entendi como Hinako me vê. Ao mesmo tempo, a estranha distância entre nós finalmente faz sentido. Família. Hinako deve estar faminta por afeto familiar.
Pensando em tudo que aconteceu. Deixando que ela descansasse a cabeça no meu colo, tomando banho juntos… Acho que Hinako sempre esteve buscando esse calor familiar em mim.
— Entendo como você se sente — murmurei enquanto fazia carinho em sua cabeça. — Família… é algo que você deseja, né.
Penso na minha própria família. Meus pais eram bem inúteis como pessoas… mas é exatamente por isso que aqueles momentos de bondade se destacavam tanto na minha memória. Quando cuidavam dos meus machucados. Quando compravam um bolo de aniversário. Ainda os culpo por terem me abandonado durante a noite, mas essas memórias em si nunca desaparecerão.
Hinako, herdeira da família Konohana, provavelmente sempre viveu distante da família. Sua mãe já falecida. Seu pai, Kagen-san, está sempre na mansão principal a trabalho e raramente vem para casa. As pessoas nesta mansão são todos funcionários contratados por Kagen-san. Para alguém como Hinako, que odeia ambientes rígidos e formais, isso não deve ter sido fácil.
— Itsuki — uma voz me chama. Era Shizune. — Como está a condição da Ojou-sama?
— Ela acabou de adormecer.
Shizune, observando o rosto adormecido de Hinako, fez um leve aceno.
— Itsuki. Preciso falar sobre algo importante, então você poderia sair por um momento?
— Entendido.
Diante de sua expressão séria, não havia como recusar. Ao tentar me levantar, Hinako acabou apertando minha mão com força.
— Não tem jeito. Vou falar com você aqui mesmo — disse Shizune, observando tudo.
— Por favor.
Acenei para Shizune, que passou a falar em voz baixa, enquanto minha expressão se tornava cada vez mais tensa.
— O que quero falar é sobre a situação da família Konohana… Você se lembra do que Kagen-sama disse antes sobre o motivo pelo qual a Ojou-sama precisa atuar?
— Se me lembro bem, era porque os negócios do Grupo Konohana estão passando por dificuldades, então eles querem encontrar um bom partido para ela, certo?
— Correto. Mas isso é apenas o motivo secundário.
— Secundário…?
Enquanto pensava nisso, Shizune continuou.
— O maior motivo pelo qual a Ojou-sama precisa atuar é para que a família Konohana possa receber um genro.
Ou seja, não é para encontrar um marido para ela se casar, mas sim para trazer um homem para a família como herdeiro.
— Existe um herdeiro legítimo da família Konohana. O filho mais velho de Kagen-sama, Konohana Takuma — o irmão mais velho da Ojou-sama.
— Ela tem um irmão mais velho…?
— Sim. Mas os dois são bem distantes em idade e mal se conhecem. Takuma-sama passou a viver em uma residência separada quando a Ojou-sama tinha cinco anos.
Parece que o irmão dela, como o pai, também é distante de Hinako.
— Ainda assim, já faz algum tempo que existem dúvidas sobre se Takuma-sama é realmente apto a herdar o Grupo Konohana. Caso não seja, o herdeiro da família será o homem que se casar com a Ojou-sama.
Então é por isso que eles querem um genro — para ter um herdeiro adequado.
— Na família Konohana, não é apenas o chefe que se envolve nos negócios, mas também a esposa. Ou seja, se um genro se tornar o herdeiro, a Ojou-sama também estará profundamente envolvida na administração do Grupo. Por isso ela precisa atuar — para ser uma pessoa perfeita e respeitável, admirada por todos. Se sua reputação ficar manchada, causaria atritos na empresa, afetaria o futuro do Grupo e faria muitos sofrerem como consequência — disse Shizune olhando para o rosto adormecido de Hinako.
Konohana Hinako não era uma garota comum. O patrimônio total da família era de cerca de 300 trilhões de ienes. Qualquer pessoa neste país conhecia o Grupo Konohana — um verdadeiro conglomerado financeiro. Ela era sua herdeira.
— Entende agora? O que a Ojou-sama carrega em seus ombros.
— Sim.
Outro dia, pensei que precisava ajudá-la simplesmente porque ela estava sofrendo. Isso não estava exatamente errado. Mas antes de tudo, eu deveria ter entendido as circunstâncias dela.
— Então… não devo fazer nada?
— Se você diz que quer ajudar a Ojou-sama, não é meu lugar impedi-lo.
— Mas ontem você me disse para saber meu lugar…
— Sim. É por isso — saiba seu lugar e apoie a Ojou-sama de acordo. Esse é o seu papel como cuidador dela — olhando diretamente para mim, Shizune fala, virando-se em seguida e saindo do quarto. Depois de ver a porta se fechar silenciosamente, volto a olhar para Hinako.
— Saber meu lugar e apoiar a Hinako…
Repito as palavras de Shizune em minha mente. Existem algumas condições para que Hinako possa parar de atuar. Primeiro, que seu irmão Takuma herde a família. Se isso acontecer, Hinako poderá se casar fora e não precisará se envolver nos negócios da família.
Segundo, mesmo que o genro se torne o herdeiro, enquanto Hinako não estiver envolvida nos negócios, não importa se seu verdadeiro eu for revelado — o Grupo não será afetado.
Mas nenhuma dessas opções é algo que eu possa fazer. Sou apenas um empregado contratado. Não há como eu mudar as tradições ou políticas do Grupo Konohana.
Ainda assim, mesmo assim—
— O papel do cuidador…
Há algo que eu posso fazer. Como seu cuidador, posso continuar apoiando Hinako.
— O papel do cuidador é proteger a imagem perfeita da Ojou-sama para o público. Ou seja, ajudar silenciosamente para que sua verdadeira natureza nunca seja revelada.
Lembrando das palavras de Kagen-san. Ele disse que o trabalho do cuidador é proteger a reputação de Hinako, mas… não acredito que seja apenas isso. Tenho certeza — o verdadeiro papel do cuidador é estar ao lado de Hinako, ajudá-la a relaxar. Curar o cansaço causado por sua atuação. Ser alguém com quem Hinako possa ser ela mesma.
Se for assim — então até eu posso fazer isso.
— Vamos fazer isso.
Ver Hinako sofrer com a febre despertou memórias da minha própria infância, quando era cuidado pelos meus pais. Enquanto ela dormia, ainda segurando minha mão, Hinako parecia incrivelmente preciosa. Eu queria protegê-la. Queria ser gentil com ela. Ela precisava ser tratada com carinho.
Porque carregava algo inimaginavelmente pesado em um corpo tão pequeno.
Alguém precisava ser gentil com ela.
Se ela desmaia de exaustão, então vou curá-la desse cansaço. Por isso, vou lhe dar o calor de uma família.
— Hinako… eu vou dar o meu melhor, tá?
Ainda segurando sua pequena mão, faço essa promessa.
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