Sessão 12
Capítulo 288: Miyuki e Ritsu
“…”
Sem dizer uma palavra, Ritsu baixou o olhar. Parecia que ela estava escondendo algo.
Aquilo era completamente diferente dela, que costumava ser tão direta. — Algo está acontecendo, pensei. Ao mesmo tempo, senti medo de me aprofundar mais nisso.
“Por que você está aqui?”
O nojo na voz dela era inconfundível. Quando Ritsu finalmente falou, ela me lançou palavras frias, com irritação clara no tom. Mesmo sabendo que eu merecia, ouvir alguém que eu um dia considerei minha melhor amiga reagir assim fez meu peito se apertar.
“Isso…”
Enquanto eu hesitava, ela me lançou um olhar de desprezo, como se dissesse que nosso relacionamento já havia acabado. Havia uma linha entre nós que não podia ser cruzada, não importava o quê. Mesmo que ela estivesse bem na minha frente, a distância entre nossos corações era imensa. Um abismo tão profundo que não podia ser preenchido, não importava o que eu fizesse.
“Você está atrapalhando, então será que pode simplesmente desaparecer?”
Ao ser atingida por aquelas palavras afiadas, murmurei um rápido “Desculpa” e tentei ir embora.
“Desculpa, esperei muito? Ah, essa é sua amiga?”
Justo quando eu estava prestes a voltar para casa, um homem que parecia conhecer Ritsu se aproximou. Instintivamente, me virei para olhar para ele. Ele era loiro, provavelmente mais de dez anos mais velho que nós, e transmitia uma vibe superficial. Estava muito próximo de Ritsu. Mesmo que fosse da família ou um conhecido, não era o tipo de distância que as pessoas costumam manter.
“Não, não é. Eu não a conheço. Vamos.”
Ritsu falou com ele num tom familiar. Será que eu estava pensando demais? Talvez ela tivesse um namorado. Mas mesmo assim, algo parecia errado. E esse lugar… meus pensamentos me levaram à pior conclusão possível.
“Então, hoje é o pagamento de sempre, né?”
Aquela frase fez o tempo congelar. O que o homem disse dava uma pista clara sobre a natureza do relacionamento deles. — Não pode ser… Ritsu? — Em choque e incredulidade, observei as costas dos dois enquanto eles começavam a se afastar.
Preciso impedi-la. Preciso ajudar a Ritsu. — O pensamento passou como um raio pela minha mente.
Mas será que eu tenho esse direito? Não foram as minhas mentiras que empurraram Ritsu para isso? Mesmo assim, será que está tudo bem eu impedi-la? E se aquele homem for perigoso e vier atrás de nós? E se ele machucar não só a mim, mas também a Ritsu?
Será que eu estou apenas me intrometendo onde não devo? Ela já cortou laços comigo, então será que é realmente certo eu me envolver mais na vida dela? Eu tenho o direito de interferir na escolha que ela fez?
Meus pensamentos não se acalmavam. Eu tinha medo de me mexer. Era isso. Foi a mesma coisa com o Eiji. Eu sou fraca. Tenho medo e não consigo fazer nada. Não é fácil mudar quem eu sou. Mesmo tendo dito para Takayanagi-sensei que queria mudar, acho que é impossível afinal.
Eu não consigo mudar. — Assim, tudo o que posso fazer é jogar fora minha própria felicidade e viver na solidão.
Enquanto eu permanecia parada, sem conseguir fazer nada, outra voz dentro de mim sussurrou:
O que você acha que o Eiji faria numa situação como essa?
Seguindo aquela voz, comecei a correr. Mesmo sabendo que era presunçoso invocar o nome dele agora.
“Ritsu!”
Quando a alcancei, segurei seu ombro e a puxei para mim.
“Quê…” ela soltou um suspiro de surpresa, o braço que estava entrelaçado se soltando enquanto ela tropeçava na minha direção.
“Que diabos você está fazendo?”
O homem congelou, lento para reagir. Aproveitando aquele momento, segurei o braço de Ritsu com força.
“Estamos indo embora.”
Com aquela breve declaração, começamos a correr.
***
Corremos em direção a uma área movimentada. Depois de alguns minutos, olhei para trás com cautela. O homem não estava nos perseguindo. Parecia que ele havia desistido.
“Isso dói. Me solta logo.”
Diante do protesto de Ritsu, parei e soltei sua mão.
Ela me encarou, com os olhos cheios de lágrimas.
“Para com isso. Por que você fica fazendo o que quer?”
Ritsu gritou, e as pessoas ao nosso redor se viraram para olhar.
“Desculpa. Eu não sabia o que mais fazer.”
“Não age como se ainda fôssemos amigas. Por sua causa, minha vida está completamente arruinada. Não há mais nada que eu possa fazer. Então a única coisa que resta é continuar caindo assim. O que há de errado em receber dinheiro? Por que você está me impedindo? Miyuki… você não tem esse direito, tem?”
Eu sei que ela tem todo o direito de estar com raiva. Por isso não consigo dizer nada. No fim, puxá-la daquele jeito foi só para satisfazer a mim mesma. Não posso negar que também foi um movimento calculado para aliviar um pouco minha própria culpa.
“Desculpa.”
Isso foi tudo o que consegui dizer.
“Por que agora? Por que não naquela época? Eu achava que éramos amigas. Achava que éramos melhores amigas. Então por que você me traiu?”
Depois de gritar aquilo, Ritsu me deu um tapa forte no rosto. Uma dor aguda se espalhou por mim. Mesmo assim, forcei as palavras a saírem:
“Eu sei que não tenho o direito. Mas mesmo assim… eu não queria que você sofresse mais.”
Ao ouvir isso, Ritsu murmurou “Por quê…”, então, com ressentimento, forçou as palavras: “Eu nunca vou te perdoar”, antes de desabar na minha frente. Eu não consegui fazer mais nada.
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