Sessão 12

Capítulo 287: Miyuki, No Lugar Onde Tudo Começou

 

— Perspectiva da Miyuki —

   Dominada pela minha própria impotência e pelo vazio de não conseguir fazer nada, saí de casa.

   Caminhar por perto chamaria a atenção das pessoas da vizinhança, então tomei um trem deliberadamente e fui para mais longe.

   A cidade com a qual estou acostumada está cheia de lembranças do Eiji, e eu não consigo encará-las agora. As estradas pelas quais caminhamos tantas vezes, os lugares onde fomos em encontros, os parques onde passávamos nosso tempo. Aquelas memórias preciosas agora se voltam contra mim como armas, perfurando meu coração.

[Almeranto: Tinha um amigo meu que namorou durante 1 ano e me disse exatamente isso, que ele odiava passar por lugares em que criou memórias com a ex-namorada.]

   Quanto mais o tempo passa, mais percebo o tamanho da perda que é tê-lo perdido. Pelo menos até um ano atrás, ele era o único que eu tinha.

   Se a "eu" de um ano atrás visse como as coisas estão agora, o que ela diria? Ela provavelmente não seria capaz de me perdoar.

   Eu quero mudar. Quero parar de ser essa pessoa inútil. Eiji sempre esteve estendendo a mão para mim e, ainda assim, eu o traí. Eu fiz a única coisa que nunca deveria ter feito.

     Será que eu tinha me acostumado demais com a felicidade de tê-lo ao meu lado?

   Antes que eu percebesse, cheguei ao lugar onde nos conhecemos, no aniversário de Eiji.

   Sinto nojo de quem eu era naquela época. Eu não conseguia fazer nada. Tinha medo de que tudo mudasse. Tinha medo de que minha máscara se quebrasse. Por isso, naquele dia, não consegui nem pedir desculpas ao Eiji.

   Eu o traí.

"O que foi, Miyuki? Se você gosta tanto assim desse cara patético, então vá em frente. Podemos terminar aqui se você quiser. Você está terminando comigo ou com ele? Qual dos dois você vai escolher?"

   Aquelas palavras daquele dia ecoam na minha mente. O momento em que Eiji me pegou o traindo com o Kondo-senpai. E como fui dominada pelo medo de ser abandonada novamente por alguém próximo a mim. Eu não queria ser abandonada como fui pelo meu pai. Esse tipo de dependência tomou conta de mim.

   Mas agora eu entendo. Tudo não passou de uma desculpa. Eu nunca deveria ter traído o Eiji, para começo de conversa. O fato de eu não ter conseguido perceber algo tão óbvio naquela época me faz pensar que sou a pior espécie de pessoa.

   Eu não quero ser abandonada. Não quero que ninguém me abandone nunca mais.

   E, no entanto, fui eu quem jogou fora o que mais importava... e por causa disso, acabei sem nada. Eu sou mesmo uma idiota. Uma completa idiota.

"Eu perdi tudo."

   Não digo isso para ninguém em particular, e minhas palavras murmuradas desaparecem no nada.

"Miyuki?"

   Uma voz trêmula chama por trás de mim. Não há como alguém que me conhece estar aqui, ou pelo menos é o que penso enquanto me viro, apenas para encontrar minha ex-melhor amiga parada ali, com o rosto pálido.

"Ritsu, por que você está aqui?"

   Murata Ritsu. Ela tinha uma expressão no rosto mais sofrida do que eu jamais tinha visto antes.

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