Sessão 12
Capítulo 285 — Kondo, no Centro de Detenção Juvenil
— Perspectiva de Kondo —
Quanto tempo mais eu terei que suportar este prolongamento sem sentido de tempo?
Há três dias, fui finalmente enviado para o centro de detenção juvenil. Lá, eles me revistaram minuciosamente para garantir que eu não estivesse escondendo nada. Enquanto suportava a humilhação de ter minha dignidade pisoteada, recebi uma breve explicação e fui empurrado para uma cela solitária chamada Dormitório Seishin (Ala do Espírito).
Eles rasparam minha cabeça também. Droga, droga, droga.
[Almeranto: KKKKKK, Kondo careca KKKKKK.]
Aparentemente, durante a primeira semana ou algo assim no centro de detenção juvenil, eles te colocam em confinamento solitário para fazer você reconhecer seus crimes. Você é forçado a refletir sobre sua delinquência enquanto passa por testes de inteligência, exames de saúde e entrevistas.
Conversas privadas são estritamente proibidas. Você não pode sair e não pode falar com ninguém. Quase não há liberdade. Além das entrevistas com os funcionários e do tempo de exercício que vem uma vez a cada poucos dias, sou deixado para encarar uma solidão implacável. A única coisa que posso fazer é ler livros, e o tempo continua se estendendo infinitamente.
Sinto que vou perder a cabeça.
Mas, de acordo com as regras, não posso me deitar exceto durante as horas designadas para o sono, e até gritar é impossível. O único som é o leve roçar das minhas roupas, e isso por si só parece estar encurralando minha mente lentamente para sempre. Nunca pensei que ser incapaz de fazer nada pudesse ser tão doloroso.
E a única coisa que continua passando pela minha cabeça são as palavras daquele advogado maldito na nossa última reunião.
“Esta pode acabar sendo nossa última reunião, então direi o seguinte. Kondo-kun, tentei analisar as razões por trás da sua delinquência.”
Lembro-me de ter ficado furioso. Sobre o que diabos esse cara está falando? Não invada minha mente sem permissão. Mesmo quando gritei isso, ele continuou com uma expressão calma.
“Primeiro, seu comportamento problemático pode ter sido um ato compensatório para confirmar o amor de seus pais. Sempre que você causava problemas, seu pai resolvia com dinheiro ou ameaças de poder para proteger as aparências. Para alguém como você, que não conseguia acreditar na afeição dos pais, essa se tornou a única maneira de verificá-la. É um pouco instável emocionalmente, não é?”
Eu encarei o advogado que zombava de tudo sobre mim, olhando para ele como se fosse matá-lo algum dia. Mas ele ignorou até isso e continuou falando.
“No fim, mesmo quando você alcançava resultados excelentes no futebol, mesmo quando seus estudos e sua aparência eram excepcionais, você ainda acreditava que seus pais não prestariam atenção em você. Você é bastante sensível e solitário, não é?”
O que você sabe!? O que você sabe!? — A raiva fervia dentro de mim, mas eu não conseguia me mover.
“A segunda razão é o ciúme. Quando pensei sobre o porquê de você tratar Aono Eiji-kun como um inimigo, essa foi a conclusão a que cheguei. Você tinha inveja dele.”
Aquelas palavras me fizeram rejeitar instintivamente e gritar: “Não tem como eu ter inveja daquele cara sem graça e patético.”
“Sério? Você estava com inveja, não estava? Ele tem um bom relacionamento com a família. Ele é amado por pessoas que confiam nele. E ele até tem uma bela amiga de infância como namorada. A existência dele deve ter sido deslumbrante, insuportavelmente deslumbrante, para alguém como você que acredita que ninguém o ama de verdade. É por isso que você tentou destruí-la. Destruir Aono Eiji-kun.”
“Está errado, errado, errado!”
“Essa reação não é negação. É afirmação. Kondo-kun, quando as pessoas são confrontadas com a verdade, elas ficam com raiva.”
Cada palavra que ele dizia cavava meu coração.
“Você continuou perseguindo o 'roubo de amor' de casais que se amavam genuinamente. Isso também era algo que você precisava para afirmar sua própria existência. Você foi pressionado a tal ponto que, a menos que se convencesse de que o amor não era algo importante, não conseguiria se manter inteiro.”
Senti náuseas ouvindo-o explicar calmamente sua análise fora de propósito. Mas meu corpo não se movia.
“E o maior problema é o terceiro. Os relacionamentos humanos são como espelhos frente a frente. Como você vê os outros reflete de volta para você. Por exemplo, você tratava as garotas como nada mais do que ferramentas, brinquedos ou troféus. Olhando pelo outro lado, isso significa que aquelas garotas também não te amavam de verdade. Para elas, você não era nada mais do que um troféu.”
Essa foi a verdade mais humilhante de todas. Eu pensava nas mulheres como ferramentas... mas para elas, eu também não passava de uma ferramenta?
“Sua delinquência começou de um lugar distorcido e, no fim, só pode chegar a outro lugar distorcido. Apenas repete esse ciclo negativo. Está quase na hora de encerrar a reunião. Vou indo agora. Adeus, Kondo Seiji-kun. Espero que o que eu te disse hoje ajude em sua reabilitação, mesmo que apenas um pouco. Como dizem, remédio bom tem gosto amargo.”
Mesmo lembrando disso agora, sou preenchido por uma sensação nauseante de humilhação. Eu não sou um homem tão patético assim...
– Almeranto: Esse capítulo foi profundo mano… Mas aqui foi revelado o motivo do Kondo quase acabar com a vida de Aono Eiji — Inveja.]
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