Volume 4 – Vol 4
Capítulo 1: Tio Ugaki
“Ei, mãe. O tio Ugaki não tem aparecido no restaurante ultimamente, né?”
Mãe sorriu em resposta à minha pergunta, como se entendesse tudo. Foi um sorriso gentil e suave.
“Entendi. Se você está perguntando sobre isso, Eiji, então suponho que realmente seja verdade.”
Ela exibiu um sorriso complicado, com algo triste nele, como uma mãe pensando na filha.
“Mãe?”
“Vou te contar os detalhes depois do trabalho. Espere por mim.”
“Tá bom.”
Voltei para casa e esperei, preparando o banho e outras coisas.
Muitas coisas haviam acontecido hoje, então acabei cochilando um pouco.
“Eiji?”
Acordei com a voz da mãe. Aparentemente, eu havia dormido. Quando olhei para o relógio, já havia passado do horário de fechamento.
“Desculpa, eu dormi.”
Meu corpo doía um pouco por ter ficado curvado sobre a mesa da sala.
[Almeranto: Essa cena na WN dizia que ele dormiu de bruços em cima da mesa kkkkkk.]
“Você deve estar cansado. Vamos conversar amanhã?”
“Não, hoje será melhor.”
Se eu quisesse estar ao lado dela, mesmo que só um pouco, precisava saber o mais rápido possível.
Minha Mãe assentiu compreensivamente e sentou-se na minha frente.
“Tudo bem. Nesse caso, vou pegar um pouco de chá de cevada.”
Dizendo isso, Mãe serviu chá de cevada da geladeira e trouxe um copo para mim também.
“Obrigado.”
Nós dois tomamos um gole do chá, e isso se tornou o sinal para começar.
“Você sabia, mãe?”
“Não posso dizer que sabia. Só achava que poderia ser o caso. A Ai-chan se parecia muito com a Hitomi-san. Eu só tinha visto a Ai-chan quando ela era bebê, então não tinha certeza. O sobrenome dela não era Ugaki, o que significava que poderia ser outra pessoa, ou que havia alguma circunstância complicada. Pensando nisso, não consegui me forçar a perguntar os detalhes.”
“...Entendi.”
Mãe é o tipo de pessoa que respeita os desejos das crianças. Acho que ela tratava Ai-san da mesma forma que me trata.
“Para responder sua pergunta anterior, Eiji, o Ugaki-san não vem aqui desde o funeral do seu pai. Ele parecia sentir uma responsabilidade gigantesca, ainda mais do que o Minami-san...”
Estava certo: o Pai e aqueles dois eram muito próximos. Eles bebiam juntos depois do trabalho, e nos dias de folga, faziam trabalho voluntário juntos.
“E foi nessa época que o acidente aconteceu?”
“Sim, eu só compareci ao funeral. A filha dele estava hospitalizada, então não consegui conhecê-la. O Ugaki-san estava ocupado como chefe de luto, então mal conversamos. Não o vi desde então. Soube pelo Minami-san que ele estava se enterrando no trabalho, como se tentasse esquecer algo... e essa foi a última notícia que tive.”
Perder a esposa amada e o melhor amigo, meu pai, quase ao mesmo tempo... Acabei pensando vagamente que algo dentro do tio Ugaki poderia ter se quebrado.
“Mãe, você pode guardar em segredo o que ouviu de mim hoje? Acho que ela provavelmente quer te contar direito pessoalmente. Ela parecia realmente preocupada com o fato de ter acabado mentindo.”
“Sim, eu entendo. Embora ela não precise pensar nisso como uma mentira.”
Conhecendo a personalidade de Ai-san, ela devia estar levando isso muito a sério. Com o tipo de pessoa que ela era, ela iria querer explicar tudo pessoalmente. Talvez eu tenha sido precipitado dessa vez. Quando olhei para Mãe com esse arrependimento no rosto, ela pareceu ler meus sentimentos e me deu um sorriso gentil. As palavras dela também me salvaram. Senti alívio.
“Você fez bem, Eiji.”
“Huh?”
“Foi porque você ficou firmemente ao lado da Ai-chan que conseguiu abrir a pesada porta para o coração dela. Então, você fez bem.”
Ouvir isso fez meu peito ficar um pouco inquieto.
“Não, sou eu quem sempre está sendo ajudado por todos.”
“É verdade. Mas, Eiji, quando o coração de alguém está fraco, só ter alguém ao lado já pode ser suficiente para salvá-lo. Assim como seu irmão mais velho e você fizeram por mim depois que seu pai morreu. Só ter alguém para passar o tempo...”
“É, obrigado.”
Talvez porque eu tivesse tirado um cochilo, meu corpo se sentia leve. Decidi escrever um pouco da minha novel.
Com esse pensamento, entrei no meu quarto.
O tio Ugaki gentil que eu conhecia havia mudado. Será que o choque de perder a mãe de Ai-san foi realmente tão grande? Lembrei-me do tio que sempre sorria tão gentilmente para mim.
Até eu, um completo estranho, senti alguma sensação de perda, por menor que fosse. Se isso era verdade para mim, então a própria filha dele... ela devia estar sofrendo muito mais do que eu. Era exatamente por isso que eu tinha que apoiá-la como namorado. Eu faria tudo o que pudesse. Com essa firme determinação, virei-me para o computador.
※※※
── 14 de setembro - Perpectiva de Ai ──
Mesmo sendo meu dia de folga, acordei mais cedo que o habitual. Me arrumei e fui para a Kitchen Aono. Senti que precisava contar a verdade corretamente para a mãe de Eiji e para o Onii-san (irmão do Eiji), que me tratavam como família de verdade.
A família Aono é tão gentil que quase me deixo ser mimada por eles. Ainda assim, eu sabia que precisava fazer isso direito. Não podia me permitir depender demais deles.
Enquanto me aproximava nervosamente do restaurante, a mãe do Eiji já estava limpando a entrada, mesmo sendo tão cedo pela manhã. Me perguntei se o Onii-san estava na cozinha preparando.
“Ah, Ai-chan! O que você está fazendo aqui tão cedo?”
Antes mesmo que eu pudesse chamar, a mãe de Eiji me notou. Sua voz era alegre. Era como se ela estivesse dizendo que estava feliz em me ver. Minha tensão diminuiu um pouco.
“Bom dia. Desculpe aparecer de repente quando vocês devem estar ocupados preparando as coisas para o dia...”
A mãe de Eiji me interrompeu antes que eu pudesse me desculpar completamente e riu.
“Não se preocupe com isso. Será que você veio para um encontro com Eiji hoje? Aquele menino não disse nada, mas me pergunto se ele já acordou. Sinceramente, aquela criança.”
“Não é isso. Hoje, tenho algo que preciso conversar com todos vocês...”
“Ah, conosco? Fico tão feliz. Na verdade, estamos prestes a tomar café da manhã, então por que você não se junta a nós, Ai-chan?”
“Eu apareci sem avisar; não poderia impor minha presença...”
“Não é imposição nenhuma. Na verdade, estou feliz por poder te ver e conversar com você logo pela manhã. Entra, entra. O Eiji ficou acordado até tarde escrevendo a história dele ontem à noite, então provavelmente ainda não acordou. Quer que eu o acorde?”
“Não, por favor, deixe-o dormir.”
“Entendi. Nesse caso, suponho que vou ter a Ai-chan só para mim.”
Ela havia visto como eu estava nervosa e riu de propósito daquele jeito. Sentindo-me salva por suas palavras, deixei que ela me levasse para dentro do restaurante.
“Ah, você chegou cedo hoje.”
Onii-san estava grelhando algo. Café da manhã, talvez.
“Ela disse que tem algo para conversar conosco. Onii-chan, mais um ovo frito, por favor.”
“Ah, que raro. Entendido. Só um minuto.”
Onii-san começou a preparar o café da manhã para mim também com naturalidade. Sentindo-me um pouco culpada, sentei-me em uma mesa perto da cozinha.
A mãe de Eiji preparou para mim uma xícara de chá com aroma de maçã. Tinha um aroma gentil que acalmava meu coração.
“Então, sobre o que você queria conversar?”
Quando olhei na direção do Onii-san, a mãe de Eiji riu e disse: “Ele tem bons ouvidos, então consegue nos escutar.”
Ela estava tentando não me deixar nervosa demais. Fechei os olhos por um momento e contei tudo. A mesma história que havia contado para Senpai ontem... A mãe de Eiji ouviu sem dizer uma palavra.
“...Depois que vocês me aceitaram com tanta gentileza, sinto muito que tenha parecido que eu os enganei.”
Minhas palavras tremiam. Eu estava aterrorizada e cheia de culpa. Ele havia me aceitado com gentileza. Mas isso não significava que a mãe dele faria o mesmo. Um silêncio pesado caiu enquanto eu esperava pelo julgamento. Devem ter sido apenas alguns segundos, mas para mim pareceu uma eternidade.
Antes que eu percebesse, a mãe de Eiji havia se aproximado e me abraçado gentilmente por trás enquanto eu olhava para baixo.
“Obrigada por me contar. Você estava assustada, não estava? Você passou por tanta coisa, experimentou tanta dor que nunca deveria ter precisado passar, e se esforçou tanto. Mais do que lhe devia. Você é uma garota incrível, Ai-chan.”
Era tão reconfortante quanto ser segurada em um berço.
“Mas...”
Enquanto eu tentava expressar minha própria culpa, a mãe de Eiji me soltou, agachou-se e falou comigo no mesmo nível dos olhos, com o sorriso de um anjo me perdoando, dizendo que eu não carregava nenhum pecado.
“Eu não fui enganada de jeito nenhum. Eu tinha a sensação de que poderia ser o caso. Além disso, Ai-chan é a Ai-chan.”
Ela gentilmente segurou minhas mãos, aceitando-me como eu era agora. Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. Forcei uma voz rouca.
“Mesmo?”
Ela assentiu firmemente para me tranquilizar.
“É verdade. Você é você. O Eiji disse a mesma coisa, não disse?”
“Sim...”
“Foi o que pensei. Esse é o meu filho. Além disso, pode ser rude dizer isso, mas eu não me importo com sobrenomes.”
A mãe de Eiji sorriu como sempre.
“Por quê?”
Como se dissesse que não havia necessidade de perguntar, a mãe de Eiji acrescentou:
“Porque pode mudar para Aono em breve de qualquer forma.”
[Del: CARACA Tia.]
Eu não havia contado a ela que havíamos começado a namorar, mas ela havia percebido mesmo assim. Não consegui evitar corar através das lágrimas.
Dessa vez, ela ficou de frente para mim e me abraçou enquanto eu estava sentada na cadeira.
“Eu posso não conseguir substituir a mãe de verdade que te protegeu com a própria vida, mas eu também me importo muito com você.”
Depois de ouvir palavras tão calorosas, não havia como eu conter minhas emoções.
“Sim.”
Da cozinha veio o som suave de alguém fungando.
Resenha dos Tradutores | Revisores
– Almeranto: Que capítulo bom da peste, mesmo a Ai perdendo bastante coisa, ela conseguiu várias outras, como o amor de uma família. Gostei bastante desse capítulo, pois ele acrescenta detalhes não presentes na WN, que no caso é ela revelando seu passado para os parentes do Eiji. A mãe do Eiji é uma mulher e tanto. Às vezes fico chocado com o contraste de como ela trata a Ai e como ela tratou a Miyuki.
– DelValle: Uwow, o cap está fechadinho com o último, obrigado ao autor pelo complemento. A Ai as poucos vai tendo seu coração restaurado, que coisa boa de se saber, traz um alívio danado. (E ainda por cima, tivemos um belo de um tiro da mãe dele heheh)
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