Volume 1
Capítulo 16: Caminhos de poder
— Destino? — Vance perguntou.
— É por ai. O que você fará com essa informação, não depende de mim.
E então Raff apagou o quadro e continuou sua explicação em outros desenhos.
Dessa vez, o desenho veio diferente.
Raff traçou uma forma oval no centro do quadro, mais orgânica, menos rígida que o ponto anterior. Havia volume ali, uma sensação de algo contido.
— Isso é o seu Fluxor.
O termo veio com mais peso do que os anteriores.
Vance inclinou levemente a cabeça.
— Fluxor? Ah sim, conheço.
Raff assentiu, reforçando o contorno da forma.
— O fluxor que você carrega… não está solto. Ele se organiza.
Ele desenhou linhas internas dentro da forma, como correntes girando em padrões próprios.
— O Fluxor é onde tudo se concentra. Onde os Fios se acumulam, se estabilizam… e crescem.
O giz se moveu com mais precisão agora.
— No nível zero, ele é pequeno. Instável. Quase imperceptível.
Raff desenhou um núcleo mínimo dentro da forma maior, quase tímido em comparação ao restante.
— Conforme você evolui… isso se expande.
O giz deslizou ao redor, criando camadas sucessivas, como se o núcleo ganhasse peso, presença.
— Mais fluxo, mais densidade… mais capacidade de sustentar os Fios.
Vance acompanhava em silêncio, até que a dúvida veio com naturalidade.
— Como assim “mais fluxo”?
Raff parou por um instante, apoiando o giz no quadro. O olhar se perdeu por um segundo, como se buscasse a melhor forma de traduzir algo que, por natureza, escapava de explicações simples.
— A forma mais aceita hoje tenta tratar magia como… um tipo de radiação.
Ele voltou a encarar o desenho.
— Não algo visível, nem mensurável com precisão… mas presente. Constante. Influente.
O giz tocou o núcleo novamente.
— Quanto mais tempo você permanece exposto… e quanto mais intensa essa exposição… maior o impacto sobre você.
Ele reforçou o contorno do Fluxor.
— Esse impacto molda o Fluxor. Faz ele crescer, se adensar.
Vance franziu levemente a testa, atento.
Raff continuou, mais direto agora.
— O contato mais puro com essa “radiação”… acontece dentro das falhas.
Ele fez um pequeno risco ao redor do desenho, como antes.
— É ali que os Fios se concentram de verdade.
O giz voltou ao quadro, dessa vez marcando pequenos pontos ao redor do núcleo, como fontes externas.
— Outras formas existem.
Ele bateu levemente em um desses pontos.
— Criaturas, resquícios, fragmentos.
O olhar dele voltou para Vance.
— Tudo que carrega Fios… irradia.
Uma pausa curta.
— E pode ser absorvido.
O silêncio se instalou por um momento.
Então Raff completou, com um tom mais firme:
— Em termos simples… você cresce ao entrar em contato com aquilo que já possui Fios.
Ele fez um gesto curto com a mão, como se descartasse a necessidade de suavizar.
— Até seres humanos.
O olhar dele se estreitou levemente.
O giz encostou novamente no desenho do Fluxor, pressionando com um pouco mais de força.
— Em resumo, quanto mais próximo da fonte… maior o efeito.
Ele não entrou em detalhes além disso.
Mas a implicação ficou clara.
Vance soltou o ar devagar, assimilando.
Ele então se afastou um passo do quadro.
— Acredito que não preciso explicar o que um Fluxor grande trás de beneficios, não é? Enfim, vamos para a parte que realmente interessa.
Raff se voltou ao quadro, apagou tudo, e escreveu 8 palavras distintas.
— Olhe, aqui estão os 8 caminhos da mágia, ou 8 caminhos do poder. Chame como quiser, esse tipo de coisa tem varios nomes.
Raff se virou para Vance e então disse:
— Veja— disse, a voz mais baixa agora. — Isso aqui define como você interage com o mundo depois que o seu Fluxor desperta de verdade.
Vance percorreu os nomes com os olhos, tentando associar cada um às sensações e demonstrações anteriores.
Raff apontou para o primeiro.
— Destruição.
O tom dele se tornou mais direto.
— Esse é o mais intuitivo. Fios concentrados e liberados de forma agressiva. Impacto, ruptura, força bruta.
Ele traçou um pequeno risco abaixo da palavra.
— Funciona bem… até você encontrar alguém que saiba lidar com isso.
Sem pausa, moveu o giz.
— Ela funciona como Fios sendo utilizados de forma explosiva, que consequentemente consome uma grande quantidade em pouco tempo.
Apontando para o proximo ele disse:
— Construção.
Dessa vez, o gesto foi mais controlado.
— Aqui, os Fios são moldados. Forma nasce da intenção. Usuários desse caminho criam armas, estruturas… soluções.
Raff inclinou levemente a cabeça.
— Exige controle. E cabeça.
Ele seguiu.
— Restauração.
O olhar dele passou rapidamente pelo quadro antes de focar em Vance.
— Retorna algo a um estado anterior. Ferimentos, objetos, estruturas . Útil, perigoso. Dependente de interpretação.
— Prevenção.
Raff desenhou um círculo leve ao lado da palavra, fechando-o com cuidado, como se o próprio gesto tivesse significado.
— Antecipação. Leitura de possibilidades antes que elas tomem forma.
Ele recuou meio passo, cruzando os braços enquanto observava o quadro.
— Quem caminha por aqui… enxerga antes.
A voz saiu mais baixa, mais medida.
— Movimentos, intenções, desfechos… tudo chega um pouco mais cedo.
Uma pausa breve.
— Eles na verdade, são até bem raros.
O olhar dele se deslocou para Vance.
— E quase sempre viram um problema.
Raff descruzou os braços devagar.
— Enfrentar alguém assim significa jogar um jogo onde o outro lado já viu suas jogadas.
Um leve inclinar de cabeça.
— É por isso que são conhecidos como videntes.
O silêncio que veio depois carregava uma conclusão implícita:
vantagem, nesse caso, raramente era equilibrada.
— Uma das coisas mais interessantes de se ver por sinal, é uma batalha entre dois antecipadores.
Se virando de volta ao quadro ele continuou:
— Alteração.
O giz deslizou pelo quadro em um traço irregular, mudando de direção no meio do caminho, como se a própria linha recusasse seguir uma forma definida.
— Aqui, propriedades deixam de ser fixas. Temperatura, densidade, resistência… tudo pode ser ajustado conforme a necessidade.
Raff voltou o olhar para Vance, mantendo um tom mais controlado.
— É um dos caminhos mais versáteis que existem, justamente por não se limitar a uma única forma de uso. Mas essa liberdade cobra um preço: exige domínio real. Sem controle, vira instabilidade.
Sem interromper o fluxo da explicação, ele escreveu a próxima palavra.
— Vínculo.
Dessa vez, o giz permaneceu imóvel por um segundo antes de tocar o quadro, como se a ausência de desenho fosse intencional.
— Esse caminho gira em torno de entidades.
A pausa veio natural.
— Não se trata apenas de usar o próprio fluxo, mas de estabelecer conexões. Interação. Contratos. Trocas.
O tom dele ficou mais contido, quase cuidadoso.
— Existe sempre algo do outro lado… e isso exige preparo.
Raff então avançou para a próxima palavra, o movimento mais firme.
— Supressão.
O giz traçou uma linha que se interrompia de forma abrupta, como algo que era impedido de continuar.
— Esse caminho atua diretamente sobre os outros. Ele reduz, bloqueia, controla… interfere no fluxo alheio.
Ele assentiu levemente, como se reconhecesse o valor daquilo.
— Em combate direto pode não parecer impressionante à primeira vista, mas em conjunto… é o tipo de habilidade que muda completamente o resultado.
Por fim, ele apontou para a última palavra no quadro.
— Distorção.
O traço ao lado dela se curvou de forma quase desconfortável de se acompanhar com os olhos, quebrando qualquer noção de padrão.
— Aqui, o espaço deixa de ser algo fixo. Movimento deixa de seguir uma lógica comum.
Raff fez um pequeno gesto com o giz, como se acompanhasse a ideia.
— Distâncias podem ser encurtadas, posições podem ser alteradas… tudo depende da forma como os fios são moldados.
Ele então deixou o giz repousar no suporte.
— Por sinal, essa é uma das minhas especialidades — disse ele com um sorriso.
O quadro, agora preenchido, carregava mais do que palavras — carregava direções.
— Esses são os caminhos.
O tom dele voltou ao equilíbrio, mais neutro, como quem encerra uma parte essencial da explicação.
— São compreendidos até certo ponto. Estudados. Reproduzidos dentro do que já foi observado.
Raff olhou para Vance com atenção renovada.
— Cada um deles responde de forma diferente ao Fluxor que você carrega, porque cada Fluxor carrega uma tendência própria.
Uma pausa breve se formou, permitindo que a ideia se assentasse.
— E, mais importante do que isso… cada caminho cobra um tipo diferente de preço.
O silêncio que veio em seguida não parecia vazio. Era o tipo de pausa que antecede algo mais direto.
Raff descruzou os braços e deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles.
— Agora vem a parte que realmente importa.
O olhar dele se estreitou levemente, mais focado.
— Descobrir qual deles responde a você.
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