Volume 3
Capítulo 1: Memórias do torneio de softbol e as dificuldades de uma atleta desajeitada
A bola de softbol voou alto no céu acima do parque, pairando ali por um breve instante antes que a gravidade voltasse a dominá-la. Desta vez, jurei a mim mesmo, não a deixaria cair. Com um surto de energia, corri a toda velocidade em direção ao ponto de aterrissagem previsto. Corri, me lancei e, enquanto a bola caía em picada, estendi desesperadamente minha mão esquerda enluvada.
Mas então…
— Ah...
A bola de softbol escorregou por entre meus dedos, quicando zombeteiramente no chão.
— Droga, de novo não! A esse ritmo, vou ser um desastre no jogo de verdade… — a frustração borbulhou, escapando como um gemido abafado.
Droga... droga tudo isso!
***
Naquele dia, durante o intervalo do almoço, Shijoin-san e eu estávamos conversando sem compromisso na sala de aula.
— Sabe… — começou Shijoin-san com um sorriso — Mais cedo, Kazamihara-san veio até mim com uma cara séria e perguntou “Shijoin-san, você é fã de chocolate com broto de bambu, certo? Você não é uma daquelas pessoas malvadas que gostam de chocolate de cogumelo, é?”. E, por alguma razão, todo mundo ao nosso redor que ouviu isso ficou super tensos...
Os chocolates Kinoko e Takenoko há muito tempo estão no centro de um debate acalorado, com fãs discutindo ferozmente sobre qual é realmente superior. Esses lanches adorados geraram inúmeras discussões online e confrontos no mundo real, com argumentos que vão desde a facilidade de comer até os méritos de sua base de biscoito. Dada a popularidade deles e a lealdade feroz que inspiram, não é surpresa que todos estivessem ansiosos para descobrir de que lado a garota mais bonita da escola escolheria.
— Eu entendo perfeitamente porque estavam ansiosos. — disse eu, rindo — Então, o que você disse, Shijoin-san?
— Bem, quando eu disse “Se for chocolate, eu gosto do Hello Panda!”, depois disso, todo mundo pareceu relaxar...
— É... Eu entendo perfeitamente o ponto de vista de Kazamihara-san. Shijoin-san, por favor, nunca perca esse seu coração bondoso.
— ???
Enquanto eu sorria calorosamente sem querer, Shijoin-san olhou para mim com uma expressão perplexa.
Ah, minha paixão está tão fofa hoje também.
— A propósito... já está quase no fim do primeiro semestre.
— Sim, o tempo voa, não é?
De fato, desde que comecei minha segunda juventude nesta vida, o tempo realmente passou voando. E nesse curto período, Shijoin-san e eu nos aproximamos bastante. Desde que visitei a casa dela e trocamos endereços de e-mail, nossa amizade floresceu.
— As férias de verão estão chegando. Elas começam logo após o torneio esportivo da próxima semana.
O torneio esportivo era uma grande competição entre turmas na nossa escola, onde disputávamos quatro modalidades: vôlei, softbol, basquete e tênis de mesa. A turma de cada série com mais vitórias ganhava o torneio.
Em comparação com outros eventos semelhantes, como o dia do esporte, há mais ênfase no trabalho em equipe da turma. Dado o número de atletas na nossa turma, tínhamos boas chances de alcançar um resultado decente nesse torneio.
— Com certeza, estou animada! Não há nada como lutar pelo topo ao lado de todo mundo!
Shijoin-san, que claramente tinha adorado o festival cultural anterior, parecia se sentir à vontade nesses momentos de união da turma. Sua voz vibrava de entusiasmo.
— A propósito, Niihama-kun, você está no time de softbol, certo? Vamos dar o nosso melhor e evitar nos machucar!
— Sim, é verdade. Vou tentar não atrapalhar todo mundo.
Naquele exato momento, uma lembrança passou diante dos meus olhos.
Uma bola de softbol caindo do céu, minha luva se estendendo em desespero, os pulos implacáveis da bola no chão, os colegas de classe que estavam torcendo alto de repente ficando em silêncio.
— Ah... aaaaaaaaaah!?
Tudo voltou à minha mente, ou melhor, a percepção finalmente me atingiu...
Não há dúvida alguma... Esse torneio esportivo que está por vir... é exatamente o mesmo que me assombra do passado!
— Hã? O que foi, Niihama-kun!?
— Ah, não, desculpe, só tive uma lembrança que ressurgiu…
Tentei parecer tranquilo diante de uma Shijoin-san perplexa, mas minha mente era um turbilhão de lembranças dolorosas.
Aquela vez... quando, sozinho, fiz com que perdêssemos o campeonato, destruindo as esperanças de todos...
— Uh... Shijoin-san.
— Sim?
— Você está participando do torneio de vôlei, mas ele termina por volta do meio-dia, certo? Então isso significa... que você virá assistir à final de softbol, certo?
— Claro! Estarei lá torcendo por você, Niihama-kun!
— E-Entendi… sim, obrigado…
Consegui dar uma resposta fraca ao sorriso radiante e inocente dela, enquanto meu próprio rosto se contorcia em uma careta. Aquele sorriso, que normalmente me enchia de calor, agora só intensificava minha angústia.
Se isso continuar… vou passar por uma grande vergonha. E nada menos que na frente da garota que amo.
***
Sentado na grama do parque, recuperei o fôlego, contemplando o céu azul infinito.
— Droga... Como era de se esperar, isso não é algo que se aprende da noite para o dia.
No início, eu não pretendia treinar tão a sério. O torneio esportivo não significava muito para mim, assim como na minha vida anterior.
Achei que dar o meu melhor, dentro do razoável, seria suficiente para a turma.
— Mas lembrar de algo assim...
A memória da minha vida passada ressurgiu e se desenrolou assim:
No último dia do torneio esportivo, nossa turma e a turma adversária estavam empatadas, disputando o campeonato. A prova decisiva era o softbol, assim como nesta vida, e eu estava posicionado no campo direito. A prova final no último dia, com o campeonato em jogo. Uma partida como essa certamente atrairia uma multidão e jogamos sob os olhos atentos de inúmeros espectadores.
Então... nossa turma mantinha uma vantagem de um ponto na última entrada.
Corredores na segunda e terceira bases, duas eliminações. Era um momento verdadeiramente decisivo.
Estou começando a me lembrar cada vez mais, mas... foi realmente emocionante naquela época.
Com todos os outros eventos concluídos, a multidão cresceu, e sua energia era palpável. Impulsionados pelo calor do verão, seus gritos ecoavam.
“Só mais uma eliminação! Segurem eles!”
A voz de Shijoin-san se juntou à multidão.
“Está quase! Aguentem firme!”
E então, a última rebatida voou bem alto acima da minha cabeça. Uma simples bola alta para o campo direito. Era o que parecia. O time adversário cobriu o rosto e muitos dos meus colegas gritaram “Sim!” de alegria.
Mas lá estava eu, a pessoa menos atlética do time, parado no campo direito.
Até aquele momento, a bola raramente tinha vindo na minha direção, permitindo que eu me misturasse ao fundo. Mas, no pior momento possível, ela veio voando em minha direção. O pânico tomou conta de mim e eu me lancei desesperadamente com minha luva, mas a bola passou por mim, batendo no chão com um baque que ecoou a devastadora derrota da nossa turma.
O time adversário enlouqueceu, com gritos de “Conseguimos!” e “Que sorte!” ecoando pelo campo. Enquanto isso, a vibração animada do nosso lado desapareceu, substituída por um silêncio atordoado. Naquele momento, não consegui encarar os olhares decepcionados e mantive os olhos bem fechados, alheio à expressão no rosto de Shijoin-san, mas não há dúvida de que a empolgação dela havia desaparecido.
Afinal, é apenas um torneio esportivo. Ninguém me culpou naquela época, e não há garantia de que isso vá acontecer novamente desta vez...
Mesmo que eu deixasse a bola cair, duvido que a Shijoin-san fosse me julgar por isso.
Mas mesmo assim...
— Não vou deixar que ela me veja assim de novo! Vou melhorar, custe o que custar!
Pode ser apenas o orgulho bobo de um rapaz, mas para mim, era crucial. Quero estar no meu melhor na frente da Shijoin-san!
— No mínimo, preciso pegar bolas altas e rasteiras sem passar vergonha...
Impulsionado por uma nova determinação, levantei-me e arremessei a bola bem alto. Tudo o que eu precisava fazer era pegá-la.
Se eu conseguisse sentir a bola na minha luva... Lá está ela!
Calculando o tempo na perfeição, abri a luva e me posicionei na trajetória da bola.
Ela deveria cair bem ali, certo?
Com essa esperança em mente, estiquei o braço desesperadamente, mas ela escapou.
A bola bateu no chão e rolou para longe, como se não se importasse nem um pouco com todo o trabalho árduo e esforço que dediquei ao treinamento.
— ...
Desde que comecei minha segunda chance na juventude, superei todos os tipos de desafios. Enfrentei os extorsionários com determinação inabalável, organizei com sucesso apresentações e eventos no festival cultural aproveitando minha experiência profissional e obtive a nota máxima nas provas finais, motivado pelos meus sentimentos pela Shijoin-san. Recentemente, sobrevivi até mesmo, por pouco, à exaustiva entrevista com o presidente Shijoin Tokimune.
Mas esportes... Eu sempre fui péssimo neles, desde a minha vida anterior. Minha falta de habilidade atlética é simplesmente inevitável.
Enquanto engolia minha autopiedade, uma garota se aproximou.
— Ei, Niihama-kun? O que você está fazendo aqui?
— Hã? Fudehashi-san!?
Virei-me para a voz inesperada e encontrei minha colega de classe, Fudehashi Mai, ali parada, vestindo roupa de ginástica.
Ela era uma das pessoas com quem eu tinha me aproximado durante o festival cultural, admirada por todos por sua personalidade alegre e seu talento atlético.
— Bem, hum... E você, Fudehashi-san? Por que está aqui?
Pego de surpresa ao encontrar uma colega de classe no parque em um feriado, gaguejei um pouco.
— Hã? Este é meu percurso habitual de corrida. Mesmo nos dias de folga das atividades do clube, não consigo relaxar a menos que dê uma corrida.
— Ah, certo... Você está na equipe de atletismo.
Olhando mais de perto, notei que ela estava levemente úmida de suor, com a camiseta esportiva de verão colada ao corpo. Fiquei um pouco nervoso, sem saber para onde direcionar meu olhar.
— Então, o que exatamente você estava fazendo? De longe, parecia que você estava jogando a bola para cima e depois correndo atrás dela.
— De jeito nenhum!
Ela está tentando zombar de mim?!
— Você acha que eu faria algo assim sozinho numa tarde de feriado? Estou treinando para pegar a bola para a competição de softbol no torneio esportivo!
— Treinar a recepção? Mas não é só uma questão de esticar a luva?
— Ugh... Não consigo pegar! Não importa quantas vezes eu tente, simplesmente não dá certo!
— ???
— Pare de me olhar como se eu estivesse falando bobagem! Você está me fazendo sentir um total desastre!
Caramba... A Fudehashi-san não estava tirando sarro de mim. Ela realmente não tinha entendido. A diferença nas nossas habilidades atléticas era dolorosamente óbvia...
— Então... pela sua reação, imagino que você seja boa em softbol, Fudehashi-san?
— Hã? Sim, bem, eu fazia parte do clube de softbol no ensino fundamental, então não sou tão ruim assim.
Ela era ex-integrante do clube de softbol… Espera! Sério!?
— Nesse caso, sei que estou interrompendo sua corrida, mas você poderia me mostrar como pegar uma bola alta? Estou meio perdido aqui...
Nessa era pré-smartphone, sem o luxo de tutoriais online, eu estava desesperado por uma demonstração ao vivo de alguém que realmente soubesse pegar uma bola de softbol.
— Não sou particularmente boa, mas... claro, posso fazer isso. Me empresta sua luva!
Com um sorriso radiante, a Fudehashi-san calçou minha luva e correu um pouco mais para longe.
— Tudo bem... aí vem! — gritei, lançando a bola para o alto.
Eu tinha imaginado uma bola alta e voadora... Ah, droga, está subindo alto demais...
Ela ia passar bem por cima da cabeça da Fudehashi-san, mas, assim que pensei nisso, ela começou a se mover. Ela recuou sem esforço, sem nenhum sinal de pânico no rosto, parando exatamente onde a bola estava destinada a cair. Com um estalo satisfatório, a bola caiu perfeitamente em sua luva.
— ...
Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Fudehashi-san jogou a bola de volta sem esforço, sua voz ecoando com entusiasmo
—A próxima!
Com determinação renovada, lancei silenciosamente a segunda bola, mirando em uma rebatida rasteira rápida à direita dela, mas Fudehashi-san era um borrão em movimento.
Ela se deslocou para o lado com a velocidade da luz, pegando a rebatida rasteira com facilidade, até mesmo imitando um arremesso para a primeira base. Recuperei a bola e lancei uma bola rápida em linha reta para a esquerda dela. Mais uma vez, ela deslizou graciosamente, pegando-a sem o menor esforço.
— Ufa, como foi isso? Ajudou, Niihama-kun!? — a voz alegre de Fudehashi-san vacilou ao notar minha expressão séria — P-por que você está se aproximando com essa cara tão séria!?
— Fudehashi-san… — eu disse, com voz baixa e determinada.
Minha abordagem inflexível pareceu deixá-la nervosa, mas eu não parei.
— Por favor! Ensine-me o segredo para pegar! — fiz uma reverência profunda, com a cabeça quase tocando os joelhos.
— O quê… não, você não precisa se curvar! Olha, as pessoas que estão passando estão olhando para nós! — as bochechas de Fudehashi-san ficaram vermelhas de vergonha.
— Por favor! Preciso desesperadamente da sua ajuda, Fudehashi-san!
— Waaah!? Você está dizendo coisas tão embaraçosas!
O desespero tomou conta de mim. Praticar sozinho não seria suficiente. Eu precisava melhorar rapidamente, e o Fudehashi-san, aparecendo como uma tábua de salvação, detinha a chave do meu sucesso.
— Não vou pedir que você faça isso de graça... Vou te emprestar minhas anotações a partir de agora!
Os olhos de Fudehashi-san se arregalaram.
— S-sério!? Aquele caderno perfeito que todo mundo começou a disputar depois que você ficou em primeiro lugar na turma!?
— Sim, e não é só isso! Quando chegar a época das provas intermediárias, vou te emprestar meu guia de estudos com todos os tópicos-chave que acho que vão cair na prova! Acertou em cheio nas provas finais e me ajudou a ficar em primeiro lugar!!
— O quê?! Isso é... incrível! Eu não só quero, como preciso disso!
Os olhos de Fudehashi brilharam como uma supernova. Considerando a expressão que ela fez durante as provas finais, como se tivesse visto as economias de uma vida inteira virarem pó, essa oferta pareceu cair em boa hora.
— Ok, ok! Entendi! Não tenho nada planejado para hoje, então assumirei total responsabilidade por te deixar em forma para o softbol!
— Uhuuu! Fico te devendo uma grande! Você é minha salvadora, Fudehashi-san!
Minha alegria genuína pareceu encher o peito de Fudehashi-san de orgulho. Ser alvo de confiança claramente a agradou.
— Mas não se engane. Não se trata apenas das anotações.
— Hã?
— Niihama-kun, nós enfrentamos juntos a loucura do takoyaki no festival cultural... Você é um amigo que eu respeito de verdade e quero ajudar! Mesmo sem as anotações, eu diria que sim!
— Fudehashi-san…
Não pude deixar de sentir uma onda de admiração por seu espírito direto e revigorante. Uma personalidade tão genuína era uma lufada de ar fresco. Não era à toa que ela tinha o maior círculo de amigos entre todos que eu conhecia.
— Obrigado... Você é realmente incrível, Fudehashi-san...
— Hmph! ...Bem, depois de um elogio tão sincero...
— Hmm?
— Bem... Isso à parte, eu ainda quero muito aquele acesso prioritário às suas anotações perfeitas e ao material de preparação para as provas... Estou seriamente em apuros se for reprovada na próxima prova intermediária.
Fudehashi-san, um pouco envergonhada por sua própria atitude descolada, desviou o olhar.
— Claro, tudo bem... mas sabe, você tem que realmente estudar. Minhas anotações não são um bilhete mágico para uma nota alta.
— Eu-eu sei disso! Não me dê sermão!
Fudehashi-san, cujo estilo de vida girava inteiramente em torno dos esportes, respondeu com uma expressão de dor.
***
— Certo, treinadora! Estou nas suas mãos!
— Pode contar comigo! Vou dar tudo de mim!
Enquanto eu fazia uma reverência, a Fudehashi-san estufou o peito com um sorriso alegre. O título de “treinadora” não parecia incomodá-la nem um pouco.
— Muito bem, vamos começar vendo do que você é capaz! Vou continuar jogando a bola, então tente pegá-la!
— Ok! Tenho vergonha de ser tão ruim, mas estou pronto!
Com um grito determinado, corri para longe da Fudehashi-san para criar alguma distância. Queria mostrar que estava falando sério, especialmente porque estava pedindo que ela se esforçasse por mim.
— Aí vem uma!
A bola que a Fudehashi-san lançou traçou um arco alto acima da minha cabeça.
Tudo bem... Vou usar a forma graciosa como a Fudehashi-san apanha a bola como meu guia... Pronto!
Apesar de estar totalmente concentrado, a realidade tinha seus próprios planos.
A bola em queda passou completamente ao lado da minha luva estendida e quicou zombeteiramente no chão.
— Hã? Você está tentando pegá-la, mas... Bem, tudo bem! Não desista! Vamos tentar de novo!
Encorajado pelo otimismo inabalável da Fudehashi-san, respondi:
— É isso aí! Mais uma vez! — e mandei a bola rolando de volta para ela.
E assim, o ciclo continuou. Bola após bola voava pelo ar, cada uma com o mesmo resultado: um baque retumbante no chão.
No início, o rosto de Fudehashi-san brilhava de incentivo, mas, a cada tentativa fracassada, uma sombra se abatia sobre suas feições. Era como se ela estivesse lentamente despertando para uma dura realidade.
— Sinto muito, Niihama-kun… — ela finalmente disse após minha décima quinta falha, sua voz pesada com uma compreensão recém-descoberta — Eu não tinha percebido que era tão difícil para você. Pegar uma bola é tão fácil quanto respirar! É tipo, um instinto humano básico! Nunca imaginei que alguém pudesse ter tanta dificuldade com isso... Você é como uma máquina de garra com a garra solta!
— Não precisava dizer tão na cara!
Fudehashi-san parecia completamente alheia ao quão direta estava sendo, provavelmente ainda abalada pela minha espetacular incapacidade de pegar qualquer coisa.
— Sinceramente, não sou só eu. A maioria das pessoas que são ruins em esportes são assim. Quando tento receber uma bola de vôlei, ela ricocheteia no meu braço e rola pelo chão. E no tênis, metade dos meus saques erram completamente a bola.
— E-Então é assim que funciona…
Fudehashi-san engoliu em seco, como se eu tivesse acabado de revelar os segredos de uma civilização alienígena. Parecia que aqueles dotados para o esporte muitas vezes tinham dificuldade em compreender os desafios enfrentados por pessoas que não possuem suas habilidades.
— Bem, hm, vejo alguns pontos a melhorar. Seu movimento e sua postura, para começar.
— Sério?! Era o que eu esperava de um ex-membro do clube de softbol!
— É, então, vamos pelo começo. Niihama-kun, você está muito rígido e tenso.
— Hã?
— E você estende os braços muito rápido, o que faz tudo parecer meio descoordenado, e você não está prestando atenção na trajetória da bola. Além disso, quando tenta pegá-la, não é um “agarra” ou um “bate”. Você precisa de mais um “whoosh” e um “bam”.
— O quê?
Essa explicação não é um pouco vaga demais?
— Ah, desculpe-me... Isso foi um pouco complicado, não foi? Deixe-me ver se consigo explicar sem depender tanto da minha própria perspectiva...
Fudehashi-san limpou a garganta e começou de novo.
— Dobre os joelhos, mantenha as costas retas e espere até o último segundo para esticar o braço. Quando a bola vier voando, coloque rapidamente a luva bem embaixo dela e feche-a com um movimento rápido! Lembre-se, as bolas de softbol são grandes, então certifique-se de que a luva esteja bem aberta!
— Essa explicação ainda é um pouco difícil de entender.
— Para ser sincera, sempre que tento explicar algo assim para os outros membros do time, recebo os mesmos olhares perdidos que você está me lançando agora, Niihama-kun...
As bochechas de Fudehashi-san ficaram vermelhas de vergonha. Eu tinha que admitir, as instruções dela eram um pouco... não convencionais. Até mesmo um profissional experiente de beisebol ficaria coçando a cabeça com o uso excessivo de onomatopeias por parte dela.
Mas, bem...
— Hm... então, deixa eu ver se entendi direito. Devo ficar agachado, manter as costas retas e não esticar o braço até que a bola esteja quase chegando. Depois, acompanho a bola e a pego, certificando-me de abrir bem a luva, porque as bolas de softbol são bem grandes... é mais ou menos isso?
— S-Sim, exatamente! Estou surpresa que você tenha entendido isso, mesmo com a minha explicação!
— Bem, entendi o essencial.
Bem, digamos que eu tenha bastante experiência em decifrar explicações confusas…
Essa habilidade foi conquistada com muito esforço durante meu tempo como funcionário corporativo.
Havia inúmeras pessoas por aí que falavam de um jeito que te deixava completamente perdido, e muitas vezes eu me via lutando para acompanhar o ritmo durante ligações e reuniões com elas.
Por exemplo, tinha aquele entusiasta de jargões que dizia coisas como “Precisamos desenvolver uma agenda sólida para esse assunto e nos comprometer totalmente com o resultado” ou o usuário de pronomes vagos que dizia: “Eu cuido disso e daquilo, e você apenas faça o que for preciso por lá com aqueles...” ou ainda o tipo que sobrecarregava de informações e dizia “Então, para o Produto B da Empresa A, precisamos incorporar o Elemento C ao Plano D e usar a Estratégia de Vendas E para, finalmente, alcançar a Meta F!”.
Havia também os falantes frenéticos e os mestres da ambiguidade, mas, como adulto no mercado de trabalho, decifrar esse tipo de conversa complicada era uma habilidade de sobrevivência necessária.
Comparado a tudo isso, o estilo repleto de efeitos sonoros do Fudehashi-san é simplesmente adorável.
— Tudo bem, então, vou tentar manter tudo isso em mente...
— É isso aí! Ah, e não se esqueça de ficar de olho na bola! Essa é a coisa mais importante em qualquer jogo de bola!
— Entendi! Vamos tentar de novo!
Era verdade o que dizem: praticar com alguém que sabe o que está fazendo faz toda a diferença.
Como alguém que era absolutamente péssimo nisso, eu sabia que precisava pelo menos dar o meu melhor, então apertei a luva com mais força e me preparei para outra tentativa.
— Argh, por pouco... estava bem ali — resmunguei, deixando-me cair na grama do parque ao lado da Fudehashi-san.
Estávamos fazendo uma pausa no meu treino de recepção e, apesar de ter incorporado as dicas úteis dela, eu ainda estava com dificuldades.
— Mas você está definitivamente melhorando! — disse ela, tentando me encorajar.
Era verdade. Minhas reações estavam mais rápidas, meu timing estava melhor e eu estava até acompanhando a bola com mais precisão.
Mas…
— Simplesmente não dá certo — resmunguei — Ou ela quica ou eu deixo cair. Como algo tão simples pode ser tão difícil?
Fudehashi-san deu uma risadinha.
— Bem, bem, até mesmo o grande Niihama-kun tem suas fraquezas. É um alívio, para ser sincera.
— Muito engraçado… — disse revirando os olhos — Mas, falando sério, é frustrante ser ruim em algo que todo mundo parece fazer sem esforço. É como se todos estivessem pensando “Como você conseguiu estragar tudo?”.
Sinceramente, fosse no festival cultural ou nas provas finais, grande parte do meu sucesso se devia aos benefícios de viver minha segunda vida, não porque eu fosse particularmente impressionante.
Olhei para o céu azul claro, um suspiro melancólico escapando dos meus lábios.
— Para ser sincero, tenho um pouco de inveja de pessoas que são naturalmente atléticas, como você. Às vezes acho que minha vida teria sido diferente se eu tivesse essas habilidades.
Talvez não tanto nesta vida, mas... na minha vida passada, eu tinha um forte desejo de ser boa em esportes.
Fudehashi-san inclinou a cabeça.
— Sério? Não acho que ser boa em esportes seja grande coisa. Tenho muito mais inveja de pessoas inteligentes do que de atletas... E não é um pouco exagerado dizer que toda a sua vida muda só porque você é bom em esportes?
— Não... Pode parecer exagero, mas para os rapazes, é meio que verdade. Ser bom em esportes pode praticamente moldar toda a sua personalidade.
— Hã? P-Personalidade? Só por causa dos esportes?
Para uma garota como a Fudehashi-san, isso deve ter soado estranho. Mas eu acreditava sinceramente que a habilidade atlética tinha um impacto enorme na vida de um rapaz.
— Sim, essa é apenas minha opinião extremamente tendenciosa, mas... se um menino consegue ou não praticar esportes quando começa o ensino fundamental é incrivelmente importante.
De certa forma, era nessa época que a habilidade atlética recebia maior ênfase. Afinal, a hierarquia escolar inicial se estabelecia nessa fase.
— No ensino fundamental, a habilidade esportiva é o que determina quem é legal entre os meninos. Se você é rápido ou forte no queimado, todo mundo fica tipo “Uau! Que legal!” e você se torna popular. Isso aumenta a sua confiança e você se torna mais extrovertido.
Esse padrão continuou durante o ensino fundamental II e o ensino médio. Era por isso que os garotos que eram bons em esportes eram populares desde o início da vida escolar até o fim.
— Não acredito... Mas agora que você mencionou... no fundamental, os meninos populares e cheios de energia sempre eram bons em esportes.
— É mesmo? E aqueles que não são bons em esportes são rotulados como “fracos”. Eles são alvo de provocações ou menosprezados, seu status cai e perdem a confiança. Eu melhorei um pouco agora, mas até recentemente eu era calado e taciturno, não era?
— Uau… então é assim que funciona para os meninos. Mas se isso é verdade, o que aconteceu para te deixar tão alegre, Niihama-kun? Você não está nem um pouco taciturno agora. Você é um dos garotos mais cheios de energia da turma, quase cheio demais.
— B-Bem, isso é... Eu só decidi mudar minha imagem...
Eu não podia exatamente dizer a ela que era um viajante do tempo revivendo minha juventude depois de ter sido um perdedor introvertido e nada atlético, então desviei da pergunta com uma desculpa fraca.
— Então, era isso que eu queria dizer quando falei que sua personalidade e sua vida podem ser moldadas por essas coisas. Claro, há exceções, e essa é apenas minha opinião pessoal... mas eu definitivamente tive essas experiências, e é por isso que tenho uma visão negativa dos esportes e invejo aqueles que são bons neles.
Quando se tratava de esportes, eu só tenho lembranças ruins.
Tropeçando em corridas, levando uma bola de queimada na cara, errando a bola e tropeçando em mim mesmo no futebol. Todas as vezes, eu era alvo de ridicularização e risadas de todos ao meu redor. Pouco a pouco, minha confiança foi se esvaindo, e minha personalidade, antes alegre, começou a desaparecer.
Ah…
Foi então que percebi enquanto conversávamos.
A razão pela qual me tornei um introvertido tão tímido e acanhado foi porque não era bom em esportes.
Minha falta de jeito me colocou no fundo da escada social na primeira série, e nunca consegui subir durante o ensino fundamental e médio. Passei minha juventude com medo das pessoas ao meu redor. Em outras palavras, eu estava enfrentando, naquele momento, o cerne da minha natureza introvertida.
— É issooo!
— Hã!? O-O que é isso!?
Fudehashi-san de repente apontou para mim e gritou, fazendo-me pular.
— É isso! Quando você tenta pegar a bola, mesmo que seu timing seja perfeito, sua postura é hesitante! Você está olhando para a bola, mas é como se não conseguisse se concentrar totalmente, como se tivesse medo dela! Achei que fosse só minha imaginação, mas... parece que seu medo de esportes está te impedindo, Niihama-kun!
— Bem...
Agora que ela mencionou isso, não pude negar. As bolas sempre me lembram dos meus fracassos em esportes coletivos, não apenas nos torneios escolares. Perceber que meu medo subconsciente estava atrapalhando meu foco foi um golpe duro de engolir.
— Mesmo que isso seja verdade, — murmurei, com a frustração me corroendo — como vou superar isso?
Será apenas uma questão de pura força de vontade agora que estou ciente do problema? Não, não pode ser tão simples assim.
— Hmm… — a expressão pensativa de Fudehashi-san ofereceu um lampejo de esperança — Não tenho certeza se vai funcionar, mas uma ideia acabou de surgir na minha cabeça.
— Sério? Você é incrível, treinadora! — exclamei, tomado por uma onda de alívio.
— Ah... bem, é um pouco embaraçoso, e preciso perguntar uma coisa primeiro… — um rubor subiu às suas bochechas e ela hesitou.
Hã? Quê? Por que você está corando agora?!
— Bem, hm... você gosta da Shijoin-san, certo, Niihama-kun?
— O quêêê!?
Meu queixo quase caiu no chão.
Como ela sabe!? Será que Kazamihara-san ou Ginji contaram tudo!?
— Você parece surpreso, mas eu vi você e Shijoin-san num encontro durante o festival cultural, lembra? Eu estava ocupada com a barraca de takoyaki, então não dei muita importância na hora — explicou Fudehashi-san.
É verdade... Eu estava tão nervoso naquele dia que me convenci de que ela não tinha percebido que a Shijoin-san estava comigo.
— Mas não foi só naquela ocasião. Observando vocês dois desde então... Bem, não pude deixar de chegar a essa conclusão. A Shijoin-san pode não ter percebido, mas tenho certeza de que você está levando a sério o relacionamento com ela, Niihama-kun.
— Ugh... Acho que não adianta esconder isso de você, Fudehashi-san. É vergonhoso dizer em voz alta, mas sim, eu gosto da Shijoin-san. — finalmente admiti, percebendo que negar era inútil.
Ultimamente, parece que eu estava expondo meus sentimentos para todo mundo.
As bochechas da Fudehashi-san ficaram ainda mais vermelhas.
— Fwaaah! Eu sabia! Nossa... — ela exclamou, com a voz assumindo um tom infantil.
Por que ela está mais nervosa do que eu, se fui eu quem teve que se declarar?
— E-Então... saber que vocês dois são assim me faz o coração bater mais forte por algum motivo... Ei, ei, vocês já se beijaram, certo?
— Não, ainda não... E nem estamos namorando oficialmente ainda...
— Hã? O que há de errado com vocês dois, sendo tão próximos e tudo mais? — seu tom de voz de repente ficou sério.
— Não mude de assunto e comece a me dar sermão! — protestei — Por favor, Fudehashi-san! Esse olhar vazio é realmente doloroso, como se você estivesse me chamando de covarde em silêncio!
— Então, você está treinando softbol no seu dia de folga porque não quer passar vergonha na frente da Shijoin-san no torneio esportivo, certo? Que outra razão poderia haver?
— Isso é… sim, é absolutamente verdade — admiti com um suspiro de derrota — Não tem nada a ver com a aula, mas tem tudo a ver com querer impressionar a garota de quem gosto…
Parecia que, quando se tratava de romance, as garotas tinham um sexto sentido. Fudehashi-san tinha acertado em cheio.
Com minhas intenções expostas, eu só podia oferecer uma confissão honesta.
— Tudo bem! — exclamou ela, com os olhos brilhando de um entusiasmo recém-descoberto — Então visualize! Imagine a Shijoin-san torcendo por você das arquibancadas! Preencha sua mente com o pensamento de mostrar seu lado legal para quem você gosta!
— Hã? O-O que você está sugerindo? — gaguejei, completamente perplexo com sua repentina mudança de atitude.
— Eu vi isso durante o festival cultural. Quando você está empolgado, é imparável! Então, se você usar essa mesma energia, essa vontade de impressionar alguém de quem gosta, talvez consiga afastar um pouco o medo! Nos esportes, o importante é superar os obstáculos com aquele surto final de força de vontade!
Para superar meu medo, Fudehashi-san sugeriu canalizar a intensidade apaixonada do amor, a emoção mais potente que existe.
Pode ter soado como um simples discurso de incentivo, mas, na verdade, me tocou profundamente. Era exatamente assim que eu sempre agia. Durante o festival cultural e aqueles exames finais exaustivos, foram meus sentimentos por Shijoin-san que me impulsionaram para frente.
— Tudo bem — disse eu, preparando-me mentalmente — Vou tentar! Jogue a bola, Fudehashi-san!
— Ok! Desta vez vai dar certo com certeza!
Assumi minha posição, a uma boa distância. Fudehashi-san era realmente uma boa pessoa, tirando um tempo do seu dia para me ajudar assim. Eu estaria completamente perdido sem ela, e estava extremamente grato.
— Pronto? Aí vem!
A voz dela ecoou pelo parque enquanto lançava a bola bem alto no céu que escurecia. Agachei-me e, em seguida, arranquei correndo, meus pés batendo forte no chão enquanto eu a perseguia. Meus olhos fixaram-se na bola, minha mente prevendo sua descida.
Ah... agora que ela mencionou isso, eu realmente vejo a bola como algo “assustador”.
Um momento de introspecção tomou conta de mim. Não era apenas o medo instintivo de um objeto voador, mas uma aversão mais profunda a bolas, provavelmente enraizada na minha apreensão de toda a vida em relação aos esportes, exatamente como Fudehashi-san havia sugerido, mas ainda mais potentes do que esse medo eram meus arrependimentos e meus sentimentos por Shijoin-san.
Imagine só... Shijoin-san, torcendo por mim com todas as suas forças! Talvez ela até grite meu nome na multidão e se eu me sair bem, aposto que ela vai me elogiar depois, assim como fez depois das provas!
Mudando meu foco de evitar o constrangimento para buscar ativamente parecer legal, o que era uma motivação simples, mas poderosa, adotei uma mentalidade mais agressiva. Naquele momento, percebi o quão direto e apaixonado eu estava. Um sorriso se espalhou pelo meu rosto.
Minha aversão à bola se dissipou, substituída por uma sensação de oportunidade, um desafio a ser superado. Os gritos imaginários de Shijoin-san me deram o impulso final de energia que eu precisava.
Enquanto a bola branca descia em arco, eu estabilizei minha luva, meus olhos fixos em sua trajetória. Determinado, recusei-me a piscar, acompanhando sua trajetória e abrindo calmamente minha luva.
E então
Bam!
A bola bateu na minha luva com um impacto satisfatório. Olhei para baixo e lá estava ela, bem acomodada em minhas mãos.
— O quê? U-Uooooooaaaahhhh!
— Sim! Sim! Conseguimos!
Fudehashi-san e eu explodimos em gritos de alegria enquanto ela corria em minha direção com júbilo desenfreado.
— Incrível! Isso foi incrível, Niihama-kun! Estou quase chorando... É esse tipo de alegria que uma mãe sente quando seu bebê dá os primeiros passos?
— Obrigado! — exclamei, radiante — Esse foi provavelmente o elogio mais irônico de todos, mas tudo isso graças a você, Fudehashi-san! Estou muito agradecido!
Objetivamente, tinha sido apenas uma bola alta rotineira. Mesmo assim, tanto Fudehashi-san quanto eu fomos tomados por uma sensação inexplicável de euforia.
Foi então que percebi. Aquela era a sensação triunfante do treinamento esportivo que eu já tinha visto inúmeras vezes em mangás e animes: A alegria de conseguir algo que você não conseguia antes, por meio de puro esforço.
— Bem, então, — declarou Fudehashi-san, com sua determinação renovada — vamos passar para a próxima etapa!
— Hã... a próxima etapa?
— Exatamente! Pegar uma bola não é nem de longe o suficiente. Precisamos treinar bolas altas, rebatidas diretas, bolas rasteiras... até você conseguir pegar todas elas sem falhar!
Ela está absolutamente certa, mas...
— Mas, hum, se a gente realmente mergulhar nisso, vai demorar uma eternidade. Não posso ficar pedindo sua ajuda, Fudehashi-san… — eu parei de falar, sentindo uma pontada de culpa.
— Não seja ridículo! — ela retrucou, com um brilho ardente nos olhos — Você acabou de dar o primeiro passo, Niihama-kun. Não tem como eu te deixar na mão agora! Então, anime-se e vamos lá!
Sua voz ressoava com determinação inabalável, não deixando espaço para discussão.
Algo... parece diferente desta vez… Será que... a emoção da vitória está despertando seu espírito atlético? É como se ela tivesse ligado um interruptor, transformando-se em uma integrante experiente do clube, pronta para colocar seu calouro em forma.
— Muito bem, vamos lá! — declarou ela, com a voz ressoando com uma autoridade recém-descoberta. “Vamos treinar até você conseguir pegar todas as bolas, não importa como eu as lance! E quando você responder, grite ‘Sim!’ com toda a força que tiver! Vamos dar tudo de nós, então prepare-se!
— S-Sim? — gritei, um pouco sobrecarregado.
— Não! Isso não está alto o suficiente!
— S-Sim! — corrigi minha voz, fazendo-a ecoar pelo parque vazio.
Parecia que eu estava em um clube esportivo de verdade, com direito a um sargento instrutor como treinador.
— É isso aí! Vamos lá, Niihama-kun! — a voz de Fudehashi-san ressoou com uma energia contagiante — Exatamente como você pediu, vou fazer de você um jogador de softbol de verdade! Vamos dar tudo de nós!
Uma gota de suor escorreu pela minha bochecha enquanto suas palavras ecoavam no crepúsculo. Eu estava incrivelmente grato, mas... será que eu conseguiria acompanhar isso?

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