Volume 2
Epílogo 2: Cada vez mais próximo da Férias de Verão
Era final da tarde, depois da escola. Shijoin-san e eu estávamos na biblioteca, trabalhando juntos como membros do comitê da biblioteca.
— Há algo especial nas novelas leves com protagonistas legais! — ela exclamou — Recentemente, li Sorcerer Orphen de uma vez só e achei incrível!
— Sim, ele é incrível. — concordei — As falas quando ele luta contra seu eu do passado no volume cinco realmente me tocaram; adorei.
— Sim, exatamente! Esse volume também foi o meu favorito! — concordou Shijoin-san, com os olhos brilhando.
Sentados um em frente ao outro na mesa da biblioteca, estávamos curtindo nossas habituais discussões sobre light novels durante um intervalo das nossas tarefas do comitê. Para mim, essa era a combinação perfeita de hobby e romance e, em circunstâncias normais, eu ficaria satisfeito em simplesmente me deleitar com essa felicidade. No entanto, hoje era diferente.
Hoje, eu tinha uma missão a cumprir durante esse intervalo. Eu tenho que convidá-la para sair hoje... Não há volta!
Tentando acalmar meu coração acelerado, procurei o momento certo. O que eu precisava dizer era simples e, agora que podíamos conversar casualmente, não seria nada estranho. Eu só precisava fazer uma pergunta a ela.
Eu deveria ter perguntado antes. Quando mencionei que ainda não tinha perguntado, todos me criticaram... Ainda conseguia imaginar as expressões exasperadas dos meus amigos.
— O quê? Você ainda não a convidou para sair? O que você está esperando, Onii-chan?
— Sério? Depois de ficarem tão próximos?
— Como você ainda não a convidou? Você teve muitas oportunidades!
— Você ainda não a convidou para sair? Isso é uma piada?
Essas foram as palavras encorajadoras da minha irmã Kanako, Ginji-kun, Kazamihara-san e Fudehashi-san. Objetivamente falando, eles estavam certos, e a culpa era minha por não ter tomado a iniciativa. É exatamente por isso que hoje era o dia.
Apenas diga! Peça o endereço de e-mail e o número de telefone da Shijoin-san!
Essa era a tarefa que estava me incomodando. Até agora, eu sempre via Shijoin-san na escola. Seja para sessões de estudo ou tarefas na biblioteca, sempre podíamos nos coordenar, pois estávamos na mesma turma. Não havia necessidade real de mais informações de contato.
Mas quando combinamos de nos encontrar na residência Shijoin, percebi que nem sabia o endereço de e-mail dela. Com o semestre chegando ao fim e as férias de verão se aproximando, não trocar números de telefone e endereços de e-mail antes da cerimônia de encerramento significaria perder contato por quase um mês. Essa constatação me atingiu fortemente.
Se não fôssemos amigos, perguntar seria muito óbvio. Mas como Shijoin-san me considera uma amiga agora, não deveria ser um problema... certo?
Respirei fundo, preparando-me para a pergunta, mas meu nervosismo falou mais alto. Shijoin-san ainda discutia animadamente sobre romances leves, completamente alheia ao meu conflito interior.
Era agora ou nunca. Eu precisava aproveitar o momento antes que minha coragem desaparecesse novamente.
— É isso mesmo… — murmurei, minha voz quase inaudível.
Na minha vida passada, eu nunca tinha pedido o endereço de e-mail de uma garota. Minha mente inexperiente estava girando em círculos.
Mas ficar pensando nisso não me levaria a lugar nenhum.
— Hum, bem... Shijoin-san, hum, e-mail...
— Hum, Niihama-kun! Isso pode parecer repentino, mas se você não se importar, poderíamos trocar endereços de e-mail?
— Hã?
Minha voz, que saiu como um guincho patético, foi completamente abafada pelo pedido simultâneo de Shijoin-san. Por um momento, não consegui processar o que tinha acabado de acontecer e simplesmente fiquei olhando para ela, atônito.
— D-desculpe... Pode ser um pouco surpreendente eu dizer algo assim do nada, mas fiquei pensando nisso o dia todo enquanto conversávamos...
Alheia ao meu choque, Shijoin-san enrolou timidamente uma mecha de cabelo no dedo.
— Na verdade, recentemente troquei endereços com Kazamihara-san e Fudehashi-san, e gostaria de fazer o mesmo com você, Niihama-kun. Tudo bem?
Como uma criança ansiosa por um presente, as bochechas de Shijoin-san ficaram com um tom delicado de rosa enquanto ela olhava para mim com olhos grandes e esperançosos.
Uau. Como alguém poderia resistir a um olhar como aquele?
Ser solicitado de forma tão fofa pelo meu endereço de e-mail fez meu coração bater mais forte. Além disso, notei um lampejo de ansiedade em seus olhos, como se ela estivesse preocupada em ser rejeitada. Esse lado vulnerável dela tocou meu coração.
É claro que só havia uma resposta possível. Mas... eu não podia simplesmente concordar. Eu precisava expressar meus próprios sentimentos também.
— Que coincidência — eu disse, com um pequeno sorriso nos lábios — Para ser sincero... eu estava prestes a perguntar a mesma coisa.
— O quê!? Sério!?
Percebendo que ambos estávamos procurando o momento certo para perguntar um ao outro, os olhos de Shijoin-san se arregalaram de surpresa. Não pude deixar de rir baixinho.
O fato de estarmos pensando a mesma coisa ao mesmo tempo me fez pensar se éramos mais parecidos do que eu imaginava.
— Então... deixe-me perguntar novamente. Você trocaria endereços de e-mail comigo? — perguntei, minha voz pouco acima de um sussurro.
— Sim! Com certeza! — ela exclamou, seu rosto se iluminando com pura alegria.
Seu sorriso inocente encheu meu coração com uma sensação avassaladora de felicidade.
— Hehe, é incrível que nós dois tenhamos querido trocar endereços ao mesmo tempo. Parece que nossos corações estão conectados, não é? — eu disse, provocando-a gentilmente.
— Sim… — ela respondeu suavemente, com as bochechas coradas.
Suas palavras fizeram meu coração acelerar mais uma vez. O fato de ela poder dizer tão naturalmente “nossos corações estão conectados” era tão característico da Shijoin-san.
— Nunca imaginei que faria tantos amigos para trocar endereços em tão pouco tempo — disse ela, com os olhos brilhando de alegria — Finalmente estou começando a me sentir menos solitária!
— Hã? Ah...
Seu sorriso alegre me fez lembrar de algo que ela havia mencionado na residência Shijoin.
Ela havia falado sobre ter relacionamentos superficiais com as pessoas desde que entrou no ensino médio, mas nunca se conectou verdadeiramente com ninguém.
— Será que... você nunca trocou informações de contato com nenhum amigo antes? — perguntei timidamente.
— Sim… — ela admitiu, com um tom de vergonha na voz — É um pouco embaraçoso dizer, mas é verdade. Mesmo no meu primeiro ano, eu só conseguia ter conversas superficiais com as outras meninas da turma. Enquanto todos ao meu redor trocavam endereços, eu...
— Eu era a única excluída... haha… — disse ela com uma risada melancólica, mas notei um toque de tristeza em seus olhos ao relembrar aqueles dias solitários.
Na realidade, ser excluída da troca de informações de contato com os colegas de classe é como ser banida do círculo social. Embora ela falasse sobre isso com leveza, era fácil imaginar o quanto deve ter sido doloroso.
— Nos mangás e romances leves, as meninas do ensino médio rapidamente se tornam melhores amigas, mas a vida real é mais dura... Ver minha agenda cheia apenas de contatos da família costumava me deixar muito solitária.
— Era tão ruim assim, hein… — murmurei, sentindo uma pontada de empatia.
É normal que pessoas com pouca habilidade social tenham dificuldade em fazer amigos. Mas o oposto — ser tão habilidoso socialmente, lindo e de uma família tão prestigiada que isso realmente assusta as pessoas a ponto de nem mesmo trocarem informações de contato. Isso é praticamente inédito.
Mas isso significava que, apesar de se sentir isolada, Shijoin-san sempre se aproximava de mim e dos outros com um sorriso brilhante e alegre. ...
Ela seria uma santa?
— Então, quando Kazamihara-san e Fudehashi-san sugeriram trocar endereços de e-mail outro dia, fiquei tão feliz que comecei a chorar, o que as deixou muito em pânico… — ela confessou com um sorriso tímido.
— Isso definitivamente deixaria qualquer um em pânico...
Embora eu soubesse que Shijoin-san tinha um amplo círculo social, o fato de ela se sentir solitária devido à falta de contatos em seu telefone era surpreendente. Talvez fosse por isso que ela valorizava tanto o senso de união e camaradagem em nossa turma.
— Bem, então, vamos trocar informações de contato agora mesmo! — eu disse, ansioso para solidificar nossa nova conexão.
— S-sim, vamos fazer isso! — ela concordou, com os olhos brilhando de empolgação.
Juntamos nossos celulares e, usando um método nostálgico de transferência por infravermelho raramente visto na era dos smartphones, trocamos nossos endereços de e-mail.
— Hehe... agora tenho os endereços de três amigos! — declarou Shijoin-san com um sorriso triunfante — A vida está começando a parecer muito divertida!
Ver o rosto alegre de Shijoin-san me fez sentir não apenas realizado, mas também como se tivesse feito algo realmente significativo.
— Ah, mas... você pode ser um pouco especial.
— Hã?
— Afinal, além do meu pai, você é o primeiro garoto que eu adicionei aos meus contatos! — exclamou ela, com as bochechas coradas.
— Aahhh… — gaguejei, com o coração batendo forte no peito.
Mais uma vez, ela provavelmente não tinha consciência do impacto das suas palavras. Ouvir-me ser chamado de “o primeiro rapaz” nos seus contatos foi quase demais para um estudante do ensino médio de coração puro como eu.
— Na verdade... você também é a primeira rapariga que adicionei aos meus contatos, além da minha família — confessei.
— Uau, sério? Que honra! — exclamou ela, com os olhos arregalados de surpresa.
Ficou claro pela expressão dela que ela estava sendo sincera, não apenas dizendo isso por educação. Para mim, foi uma honra ouvir essas palavras dela.
— Mas... estou muito feliz — disse ela, com a voz cheia de calor.
Com um olhar de pura satisfação, Shijoin-san falou, com a voz transbordando de alegria. Embora seu sorriso despreocupado anterior fosse cativante, esse sorriso mais gentil tinha um toque de maturidade que me causou um tipo diferente de emoção.
— Sempre achei que poderia te ver na escola, Niihama-kun, — ela continuou — mas então percebi que as férias de verão estão chegando. Então, poder trocar informações de contato assim me deixa incrivelmente feliz.
— Shijoin-san...
Nossos olhos se encontraram e um entendimento silencioso passou entre nós. Ambos ansiávamos pela mesma coisa.
— Durante todo este semestre — ela começou, com a voz cheia de calor — tive a sorte de passar tempo com você, Niihama-kun. Você foi incrivelmente gentil comigo e eu me diverti muito. Você realmente trouxe luz e alegria à minha vida.
Suas palavras, ditas com total sinceridade, me encheram de um calor que refletia o dela. Sua voz, talvez a mais bonita do mundo, me cativou completamente.
— Diferentes estações virão e o tempo continuará a fluir. Mas agora, mesmo que estejamos em lugares diferentes, ainda podemos conversar um com o outro — ela continuou, sua voz cheia de uma alegria tranquila — Esse pensamento me traz felicidade e conforto. Mesmo durante as férias escolares, minha conexão com você, Niihama-kun, permanecerá forte.
Segurando seu celular, que agora tinha meu número e e-mail registrados, Shijoin-san o abraçou contra o peito e o acariciou com carinho, como se fosse um tesouro precioso.
— Vamos trocar muitas mensagens e conversar muito, Niihama-kun — disse ela, com os olhos brilhando de emoção — Prometa... que seremos amigos para sempre, ok?
Com seus longos cabelos negros e brilhantes balançando suavemente com a brisa da janela, a garota que eu amava sorriu como uma flor em plena floração.
Ah...
— Claro! — respondi, minha voz cheia de calor — Vamos ficar próximos, Shijoin-san.
Enquanto falava, percebi que meus sentimentos por ela haviam se aprofundado e não pude deixar de sorrir com a intensidade das minhas emoções.
Demos um pequeno passo à frente e parecia que uma nova estação estava começando. Uma estação que, na minha vida passada, eu havia desperdiçado na solidão e no arrependimento. Mas nesta vida, parecia que algo realmente especial estava prestes a florescer.
Um verão cheio de calor e emoção estava prestes a começar.

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