Raifurori Brasileira

Autor(a): NekoYasha


Volume 5

Capítulo 235: Terras De Sophiette... Novamente!

Algo andava mal.

Essa era a expressão no rosto de todos os empregados da mansão Sophiette.

Sim, um salto narrativo direto para as terras de Karllos. A descrição da rota tomada pelo comboio é velha amiga, por isso foi suprimida.

Apenas a travessia pelo caminho estreito de Dart, a cidade-fronteira, foi novidade para o garoto, pois, no futuro, fez um desvio para a floresta élfica, deixando a Dama da Lâmina Cega, Hime, seguir com os soldados do oriente na frente. 

Entretanto, após um giro e um desvio de três dias pelas bordas do continente ocidental, os atributos da paisagem tornaram-se familiares.

Lembrou-se desse céu alaranjado do entardecer quando chegou nas estradas dos domínios de Soul Za, e, adiante, sentiu o aroma familiar das ervas selvagens próximas a Grain. 

Os detalhes do percurso da vila do marquês de Soul Za até as terras de Sophiette encontram-se nos primórdios do volume um.   

Mas acerca da expressão de espanto estampada no rosto dos empregados da mansão Sophiette. O motivo daquilo era ninguém mais que a menina descendo da carruagem que chegou há poucos minutos.

O medo de aproximar-se da garota deixava claro que ela possuía uma personalidade difícil, Kurone percebeu isso apenas observando os padrões de comportamento dela. 

Queria evitar ter problemas com aquele tipo de pessoa, contudo, a situação saiu do controle após aquele toque eletrizante.

Loright chegou após alguns minutos, e não pôde deixar de ficar surpreso ao ver a garotinha loira segurando o braço do menino supostamente chamado de “Iolite”. Seu olhar questionava “o que significa isso?”, porém Kurone apenas suspirou e fez um sinal de “mais tarde” com a mão.

— Jovem senhorita, as roupas deste menino estão sujas, está estragando o seu vestido novo! — falou um homem esbelto, vestia um uniforme de empregado, mas sua postura era o de alguém com um posto superior a esse cargo.

— Eu faço o que eu quero, George, você não é meu pai para me dar ordens.

— Sinto muito se a ofendi, jovem senhorita, no entanto… essa cois… ou melhor, esse menino pode ter doenças, minha preocupação é que a senhorita fique doente, isto seria péssimo! — O homem lançou um olhar afiado para o menino ao lado da nobre.

— Chega, George, saia daqui, e não se atreva a incomodar o meu querido… é… como é seu nome mesmo?

“Acho que já é tarde pra se preocupar com isso depois de tanta coisa.”

— É Iolite… e o seu, qual seria?

Oh, perdão, foi deselegante não ter me apresentado antes. Sou Cynthia Sophiette, irmã mais nova do Sylford.

“Isso vai dar problema. Ô, Azrael, como é que eu faço pra sair dessa?”

[Por enquanto, tu não precisas ter preocupação, meu querido Vassalo, se não fizeres nenhum movimento brusco, tu ficarás gravado na memória desta criança como um doce amor juvenil que ela tivera.]

“Acho que você não entendeu qual o problema aqui, não é?”

— Desculpe pelo George, ele é o meu mentor. Normalmente, pessoas como você não teriam nem permissão de tocar alguém de sangue nobre, por isso não o culpo pelo erro que cometeu. Irei já pedir para que preparem um banho para você se livrar dessa sujeira, me aguarde aqui.

“Agora tá explicado de onde vem essa personalidade horrível, aquele cara deve ter ensinado tudo isso pra ela.”

Deu de ombros para aquela situação e espreguiçou-se enquanto a menina mimada ia providenciar o seu banho. O cenário familiar lembrou-lhe de quando visitou aquele lugar pela primeira vez, com Ana, a bruxa.

Estava imerso na nostalgia quando sentiu uma mão tocando o seu ombro. Foi uma pegada firme, e a aura ao seu redor o obrigou a flexionar os joelhos, pronto para entrar em posição de batalha.

Virando a cabeça, viu o rosto bonito do jovem nobre chamado Sylford Sophiette, aquele que carregava uma presença tão incômoda.

— Eu acabei de ver a maneira como minha irmã estava lhe tratando — ele começou, forçando um sorriso benevolente no rosto. — Somos realmente uma família de pessoas bondosas e generosas, mas não ouse abusar disso, certo? Não fique próximo demais da minha irmãzinha.

— Claro que sim…

— Bem, só queria avisar, logicamente minha irmã está sendo generosa, por isso não se iluda pensando que ela tenha outro tipo de sentimento por um pobre garoto como você.

“Essa última parte foi desnecessária. ”

Colocando a mão sobre a cabeça de Kurone e bagunçando seus cabelos em um ato nobre, Sylford seguiu na direção do interior da mansão, cumprimentando todos os empregados no processo.

“Um acha que é um Messias e a outra é mimada, que droga de pessoas. Eles não se parecem nada com a Sophia.”

{A Celestial imagina que o motivo seja a maneira como eles foram criados. A Sophia cresceu odiada, enquanto esses nobres têm tudo à sua mão.}

“Você tem um ponto, vou tentar manter distância desses dois enquanto eu tiver por aqui.”

A poeira já estava baixa no momento que saiu à procura de Loright. Nenhum deles ficaria na dentro da mansão, segundo o próprio Sylford, para não sujar o local, por isso foram cedidas algumas barracas para as mulheres religiosas.

O banho ainda não estava pronto.

Lorigth terminava de armar uma barraca com a irmã Daisy quando o encontrou. Seus olhos cruzaram-se, e o jovem fez um gesto com a cabeça antes de cochichar no ouvido da sua amada e seguir Kurone.

— Temos que aproveitar ao máximo o nosso dia para ficarmos mais fortes. Cada dia que se passa, é um dia que a Luminus pode estar sofrendo — falou Loright, seguindo o garoto à frente com um olhar estranho. — Como você consegue andar tão naturalmente por aqui?

“Porque eu já estive aqui outras vezes. Logicamente, não posso falar isso.”

— E-eu tava examinando o local desde que a gente chegou aqui, então vi alguns lugares bons que podemos usar para o nosso treinamento. Eles devem ter alguma sala de treino, mas duvido que aquele cara vá deixar “pessoas como nós” usarmos.

— Tem razão. Eu imaginei que o líder do clã Sophiette fosse diferente. — Loright alongou o pescoço, percebendo que chegaram em um lugar bom para o treino.

O local em questão era próximo à entrada de um labirinto de gramas, algo que não existia na versão do futuro da mansão.

— A gente vai dividir nosso treino entre fortalecimento do corpo e combate simulado — começou Kurone. Aquela era uma cena incomum de uma criança dando orientações a alguém muito mais velho.

 Não sabia exatamente até onde aquele seu corpo poderia evoluir, contudo, conhecia o daquele jovem à sua frente. Se Kurone Nakano e Loright eram a mesma pessoa, então seus limites eram os mesmos.

Fazer o seu “pupilo” alcançar o Ápice da Mana seria perfeito. Aquela forma sobrenatural que liberava todo o potencial do seu corpo poderia ser uma arma mortal contra Azazel van Elsie, se polido corretamente.

Não chegou dominar aquela técnica, mas apenas com o básico foi capaz de sobreviver às criaturas da masmorra de Alto Nível de Lou Souen e a um confronto frente-a-frente com um Arquiduque do Inferno.

Mas outro problema ali era a forma de lutar. O estilo de luta de Kurone Nakano era totalmente baseado na mistura de artes marciais e armas de fogo, mas alguém como Loright não possuía nenhuma das duas coisas.

Poderia ensinar alguns movimentos de combate dos Sophiette e de Lao Shi, entretanto o jovem precisaria de um professor de esgrima para melhorar as suas habilidades com a espada.

“E ainda por cima ele tá sem espada…”

A lâmina carregada por Loright não lhe fazia bem, por isso ele deu-a para Kurone, que descobriu em seguida que se tratava de um fragmento de Azrael dentro da arma. 

Na época do ataque de Azazel van Elsie ao orfanato, deu a faca de combate militar ao jovem, mas, naquele momento, ele estava desarmado, pois a pequena lâmina já estava no Inventário de Kurone mais uma vez.

— Parece que, por enquanto, a gente só vai poder praticar o combate físico mesmo.

— Sim, Iolite, eu vou conseguir dinheiro para comprar uma espada nova. Nós conseguimos algumas moedas, para subsistência enquanto reformam o orfanato, mas acho que as irmãs vão precisar mais do que nós.

Enquanto pensava, olhou para a mansão Sophiette, ainda repleta de soldados da capital, e uma ideia perversa passou-se pela sua cabeça. 

Queria evitar problemas, mas não poderiam avançar sem armas para treinar.

— Acha que eles vão se importar se a gente pegar uma espada deles “emprestada”? — Kurone falou, direcionando o dedo para a cintura de um dos cavaleiros da capital.

— Você não está pensando em roubar os cavaleiros da Guarda Real, está? Ei, Iolite, isso é loucura. 

“Eu sei.”

Ser pego roubando a propriedade de alguém que servia ao reino poderia levá-lo mais uma vez para a prisão — um local que conhecia bem. Mas precisavam arriscar.

— Confia em mim, Loright, eu tenho um plano… e a prisão só é ruim na primeira vez, depois você se acostuma — dizendo isso, começou a esgueirar-se pelos cantos, tentando não ser notado.

— Ei, espera aí, Iolite… e quantas vezes você já foi preso para dizer isso?! — o jovem de cabelos negros sussurrou e, mesmo relutante, seguiu aquele menino.



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