Raifurori Brasileira

Autor(a): NekoYasha


Volume 1

Capítulo 37: É Seguro! Confia!

Azazel van Gyl.

Era a primeira vez que escutava o nome "Azazel van", porém, Kurone esteve até pouco tempo ao lado de uma empregada chamada Gyl — a garota arremessada da carruagem por Edward.

O uniforme das maids eram idênticos e a máscara ocultava a identidade, mas o corpo era bem similar ao da Gyl que conhecia.

— Azazel van… — Rory disse quase inaudivelmente.

— Gyl! O que diabos pensa que está fazendo?

— Ora, diferente de você, querida amiga Brain, eu não devo obediência a esse humano. Na verdade, meu tempo aqui acabou… Com certeza vou ser castigada por ser imprudente, droga!

Rory começou a materializar o fuzil, porém a empregada mascarada desapareceu em segundos, deixando apenas o corpo morto de Edward para trás.

— Não entendi nada…

— Nem eu. — Kurone concordou com a Besta Negra.

— Rory…

— Isso não importa agora. Vamos verificar se ele está morto.

O trio escorregou da pedra até o chão degradado e seguiu em direção ao corpo de Edward, assim como as garotas do outro lado — Inri e Sophia saíram de lá e Noah ajudava sua mestra a andar.

A garotinha de cabelos brancos permaneceu com sua expressão de sempre, mas Kurone já esteve com ela tempo o suficiente para saber que ela ficou incomodada com a aparição repentina da empregada.

Edward morreu de olhos e boca abertos. O buraco no peito derramava líquido vermelho lentamente e, às vezes, o corpo tinha alguns espasmos.

Não havia mais dúvida. Edward Soul Za estava morto.

A luta intensa entre o grupo de Kurone e o marquês lolicon foi decidida com um único golpe de uma empregada mascarada. Era como o final de um romance de um autor sem criatividade.

— Aquela era realmente a Gyl?

— Sim… — Brain confirmou, terminando de examinar o buraco no peito de Edward.

"A culpa é dos demônios". Até onde os demônios estavam envolvidos com os acontecimentos da Endeavor?

A princesa do tribunal, as empregadas, o pacto com Edward, Azazel van Gyl… Enfim, era demais para um país supostamente afastado da influência do Rei Demônio.

Olhando mais de perto, Kurone notou que tanto a tatuagem negra na perna quanto a pequena do braço desapareceram.

— Ei, isso é estranho, ele não devia….

— Afasta-se, eu quero verificar uma coisa.

Empurrando o jovem rudemente, Rory aproximou-se do corpo do marquês e pôs a mão esquerda no local onde havia um buraco.

— Como eu pensei.

— Qual o problema? — Kurone perguntou confuso.

A garotinha com a mão no queixo respondeu sem virar o rosto, encarando o cadáver:

— O pervertido morreu facilmente, pois… aquela empregada roubou a alma dele.

Todos fizeram silêncio por um instante até Rory continuar a falar:

— Se ele tinha um pacto com demônios, então a empregada apenas cobrou a alma… Mas não é qualquer demônio que consegue fazer isso… Se eu tivesse usado um feitiço parecido, teria matado ele facilmente.

Kurone voltou seu olhar para o corpo, ou melhor, a casca vazia do que costumava ser Edward Soul Za. Aquele era o pagamento por seus pecados, mas Kurone não conseguia se sentir satisfeito. Alguém normal se sentiria feliz após ver a maneira como o marquês foi morto? Conseguia pensar em pessoas como Rory e Noah, mas elas não eram pessoas normais.

— Eu acabei chegando no fim da batalha….

Quem se aproximava era a garota de cabelos negros como o de Kurone, ocultados quase completamente pelo chapéu gigante da garota. Ana assustou todos por um momento, Kurone pensara que Gyl havia retornado, mas baixou a guarda ao ver o rosto conhecido.

— Eu tava no “toalete” quando um deslizamento de terra quase me matou, por sorte, consegui invocar um escudo.

— E conseguiu se limpar? — Rory perguntou de maneira provocativa. A garotinha e Ana ainda não se davam bem, e provavelmente, nunca se entenderiam.

Ana apenas corou por um momento e tentou mudar de assunto, apontando para o corpo do marquês. Brain explicou tudo de maneira resumida para a garota.

— O que faremos agora?

— As crianças!!! — Kurone lembrou-se repentinamente.

— Como podemos esquecer!?

Ao lembrar qual era seu objetivo, Kurone correu em direção ao “abatedouro” de Edward. Será que estavam seguras?

A explosão foi bem próxima à cabana, quando pôs o plano em ação, o jovem não cogitou a possibilidade de destruir a cabana e matar as crianças.

 “Ainda bem…”, suspirou aliviado ao ver a cabana de madeira ainda intacta.

O “abatedouro” ficava acima do terreno em que estavam, e com sua nova velocidade, chegou lá rapidamente. Por sorte, se afastaram muito da cabana sem perceber, durante a batalha.

Ao se aproximar do local, pôde ver uma garota que saia cautelosamente do local, ao ver Kurone, a garota levou as outras — que andavam em uma fila indiana — para dentro do abrigo.

Era a segunda vez que via aquela garota. Na verdade, o que viu na primeira vez foi um demônio disfarçado.

O nome da garota era… Isabella? O rei gritou um nome mais ou menos assim  ao perceber que havia uma bala cravada na testa da garota.

Kurone gostaria de esquecer aquela cena terrível, mas provavelmente teria que fazer mais coisas como atirar em garotinhas, por isso, o melhor era se adaptar e torcer para seus próximos alvos serem inimigos como Edward — mas sem a imortalidade. 

— Calma! Sou aliado!

Brain e Ana pararam ao ver o gesto do jovem. As garotinhas ficariam assustadas ao ver uma das empregadas de Edward por perto — se já não estivessem bastante assustadas com o estranho de ataduras.

Para evitar qualquer mal-entendido, Kurone optou por tirar as ataduras.

— Elisabellla, esse é o seu nome, não é?

Ninguém respondeu.

— Eu te garanto que é seguro agora… eu… Quer dizer, uma garotinha assustadora matou o marquês Soul Za.

Podia sentir um olhar ameaçador vindo das costas, mas decidiu ignorar. Foco. Se olhasse para trás, poderia acabar como Edward.

Ninguém respondeu novamente, Kurone pensou em gritar novamente, mas…

— Verdade? — Alguém o respondeu.

— Sim!

— Como pode nos provar? Como vou saber se você não é um dos empregados dos Edward?

— Pode confiar.

A voz veio da pessoa se aproximando vagarosamente. Eram, na verdade, duas pessoas: a marquesa Sophia, apoiada por sua fiel empregada, Noah.

— Sophiette?! — Pela voz, a garota dentro do abrigo parecia surpresa.

Não era para menos, pois, pelo que Edward lhe contara, Sophia já devia estar morta a essa altura. Porém, não era um fantasma que via pela janela da cabana.

Era a marquesa da casa Sophiette, um dos únicos nobres que realmente confiava.

— Pessoal, estamos salvas! — gritou para as garotinhas ao seu lado.

Em instantes, todas mudaram de uma expressão assustada, para um sorriso esperançoso.

Ainda em fila indiana, as garotas saíram da cabana — ainda olhavam com cautela para o redor — e foram ao encontro do grupo que acabara de chegar. Elisabella hesitou ao ver Brain e Noah, mas decidiu confiar na marquesa. Cerrou os punhos e continuou a andar. A pessoa em que tanto confiava não a trairia, disso tinha certeza.



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