Que Haja Luz Brasileira

Autor(a): L. P. Reis


Volume 5

Capítulo 154: Egoísta

Hércules agarra Tifão enquanto Gael, ainda descontrolado, está prestes a atacar. Pouco antes de ser atingido pelo garoto, Hércules começa a recuperar a noção do que estava acontecendo:

— Eu não vou te soltar… Sinto sua energia elemental querendo me cortar… mas isso não vai funcionar em mim…

— Você é idiota? Se o próximo ataque desse garoto nos acertar, seremos partidos ao meio — rosnou Tifão, tentando se libertar da força de Hércules, enquanto suas milhares de serpentes mordiam o bem-aventurado sem parar.

— Está tudo bem… Entregar minha vida para esses garotos… está tudo bem, desde que eles tenham um lugar para viver.

Hércules apertou Tifão com uma intensidade feroz, seus músculos tremendo enquanto invocava todo o poder que ainda lhe restava. À medida que essa força atingia seu ápice, o ar ao redor começou a vibrar de forma estranha, até que algo completamente diferente se manifestou. Sobre sua cabeça, uma luz apareceu, formando uma série de círculos que pareciam girar um dentro do outro. No interior desses círculos, símbolos e letras desconhecidas flutuavam, estando além da compreensão, brilhando de um jeito misterioso.

Enquanto isso, o pai de Stef, concentrado demais em deter a ameaça da sombra diante dele, mal percebia o que estava acontecendo com seu próprio corpo. Sua respiração estava pesada, seus olhos fixos em seu objetivo. Sem que ele notasse, seu poder começou a se fundir com a própria essência do ambiente ao redor, como se ele e a energia elemental daquele lugar fossem uma única coisa. A cada segundo, sua presença se tornava mais avassaladora, e a pressão que emanava de seu corpo era tão esmagadora que o ar ficou denso, quase impossível de respirar.

Essa explosão de poder foi tão intensa que as serpentes enroscadas nas pernas de Tifão caíram de uma só vez, desmaiando instantaneamente sob a pressão avassaladora que Hércules liberava. Elas foram vencidas sem conseguirem emitir qualquer sinal de resistência, como se a simples proximidade com a força que agora fluía do filho de Zeus fosse o suficiente para apagá-las da batalha.

— Você… você ainda conseguiu chegar lá?! — rosnou Tifão, com uma fúria sem igual.

— Agora, garoto!

Gael avançou para atacar a sombra e Hércules assim que ouviu o chamado do bem-aventurado, mas não porque havia recobrado a consciência. A verdade é que a energia elemental que emanava do filho de Zeus era agora uma ameaça ainda maior do que o próprio Tifão. Seu alvo deixou de ser a sombra – agora, ele estava focado no pai de Stef!

Gael estendeu sua pata de energia elemental para trás, preparando-se para lançar um golpe devastador que eliminaria Tifão e Hércules de uma só vez. A atmosfera ao redor vibrava com a intensidade do poder acumulado, e a tensão era quase insuportável. No exato momento em que estava prestes a desferir o ataque final, um estrondo ensurdecedor ecoou pelo campo de batalha, sacudindo o chão como se a terra estivesse se partindo ao meio. O som reverberou por toda parte, interrompendo a ação de Gael por um instante:

— NÃOOOOOOOO, GAEL! — Uma voz feminina irrompeu pelo caos do cenário, carregada de desespero e força, rompendo o silêncio após o estrondo. A voz, desesperada, parecia vir de todos os lados, numa tentativa frenética de impedir que Gael executasse o golpe fatal contra seu próprio pai no último ataque contra Tifão.

Na cabeça de Stef, uma luz semelhante à que pairava sobre Hércules também brilhava, porém estava extremamente fraca, quase imperceptível, como se lutasse para se manter acesa. O brilho era tão sutil que passaria despercebido para qualquer um que não estivesse prestando atenção. No entanto, havia algo diferente nela: os círculos que formavam sua luz tinham tonalidades variadas, alguns mais claros, outros mais escuros, como se não estivessem em perfeita harmonia. Além disso, mais letras misteriosas apareciam em meio aos círculos, símbolos a mais que não estavam presentes na luz de Hércules.

A garota, consumida pelo desespero, estava ajoelhada no chão, lágrimas escorrendo copiosamente por seu rosto enquanto observava, impotente, o que poderia ser o momento final de seu pai. A dor e o medo de perdê-lo a dilaceravam, seus soluços mal conseguindo conter o sofrimento. No entanto, em meio a esse turbilhão de emoções, seu grito ressoou com uma força inesperada, ecoando pelo campo de batalha. A intensidade de seu clamor foi tão profunda que atravessou o ar e atingiu Silva, causando um impacto imediato, abalando-o em um momento decisivo.

Gael vacilou, um movimento incomum para ele naquele estado até então. Pela primeira vez, não estava reagindo puramente por instinto, mas sim à voz de alguém. O grito de Stef ecoou em sua mente, rasgando a névoa de controle que o envolvia, e naquele instante ele começou a lutar desesperadamente para recuperar o domínio sobre seu próprio corpo. Seu olhar, antes vazio e selvagem, mostrava uma centelha de consciência que tentava se reacender.

A aura ao redor de seu corpo começou a oscilar de maneira intensa, mudando de um roxo profundo, que representava o controle sombrio sobre Silva, para um laranja vibrante, uma cor que sugeria que Gael estava tentando retomar o controle. A oscilação se repetiu algumas vezes, como se os dois poderes estivessem em uma batalha silenciosa e implacável dentro de si. Cada mudança de cor deixava evidente que Silva não cederia o controle sem lutar, mas, ao mesmo tempo, revelava que Gael, pela primeira vez, estava começando a resistir de forma consciente.

— Você… precisa atacar agora, Gael — Hércules se agarrava à determinação de que sua morte poderia pôr fim àquela batalha — Me elimine… e acabe com o nosso inimigo de uma vez por todas. Eu não vou aguentar muito tempo… para que Elysium tenha paz desses conflitos… a minha vida é um preço barato demais…

A aura roxa envolveu Gael novamente, dominando seu corpo enquanto ele se preparava para atacar Tifão e Hércules. Seus músculos se tensionaram, e sua pata se estendeu para trás, alongada pela força da energia elemental que pulsava ao seu redor, preparando-se para desferir um golpe devastador.

No entanto, assim que o golpe estava prestes a ser lançado, o grito de Stef ecoou mais uma vez pelo cenário caótico, reverberando por entre os ecos da batalha. Desesperada, ela levantou a mão direita em um gesto de súplica, a palma voltada para o céu:

— Por favor, Gael, não! — Suas palavras foram carregadas de dor, enquanto as lágrimas caíam ainda mais intensamente pelo seu rosto. Stef experimentava uma sensação de impotência esmagadora, algo que nunca havia sentido com tanta intensidade, vendo-se incapaz de impedir o desenrolar do que poderia ser uma tragédia irreversível.

A garota, até pouco tempo atrás, seguia fielmente os preceitos de sua mãe. Nunca havia deixado Temiscira, foi treinada para ser a herdeira de Elysium e aceitou todas as imposições sobre quando e como poderia ver seu pai. Sempre acatou os pedidos de todos ao seu redor, até se tornar a segunda mais forte entre as amazonas ultrapassando suas tias. No entanto, até mesmo Hipólita sabia que, um dia, sua filha a superaria em força.

Crescendo assim, Stef nunca fez um pedido egoísta para sua mãe, suas tias ou para as amazonas que a treinaram e cuidaram dela. Nem mesmo para a Aurora, já que Lykaios sabia que sua prima não era do tipo lutadora. Mesmo sabendo que Bors, a única bem-aventurada capaz de oferecer uma luta decente para depois que Lucas havia deixado Temiscira, a garota jamais a incomodou com isso.

Mas naquele momento, Stef estava sendo egoísta, e tinha plena consciência disso. Com a morte de Zeus e o caos que tomou Elysium, ela sabia que nada voltaria a ser como antes. Por causa disso, nutria a esperança de passar mais tempo ao lado de seu pai, não um tempo que era imposto a ela, mas sim um que fosse da sua própria vontade, do seu jeito.

Ela entendia que, se seu pai não fosse morto no ataque contra Tifão, a sombra poderia escapar e o filho do Tártaro mataria não só ele, mas também Gael, Lucas e Aurora. Destruiria sua terra natal, exterminaria sua mãe e todas as suas irmãs amazonas. No entanto, Stef não conseguia imaginar um mundo sem seu pai. Por isso, repetiu mais uma vez:

— Não faça isso, Gael, Por favor!

O clamor de Stef foi inútil, sua voz se perdeu no caos. A gigantesca pata de energia elemental já estava a caminho. A força imensa que Gael havia liberado avançava com uma velocidade feroz, cortando o ar com uma precisão mortal. Não havia mais volta, o ataque estava selado, incontrolável, pronto para atingir seus alvos.

O impacto foi devastador. A pata de energia acertou Tifão e Hércules com uma força titânica, e naquele instante, tudo pareceu congelar. Stef, assistindo impotente, esperava o pior, certa de que o ataque atravessaria os dois como uma lâmina letal, destruindo-os completamente. Mas o que se seguiu a surpreendeu: em vez de serem separados pelo ataque, ambos foram lançados violentamente para o chão, como se o golpe os tivesse arrancado do ar e os jogando com a força de um raio que atravessa a atmosfera, rasgando o espaço e trazendo uma energia brutal consigo.

A cena foi de pura destruição. O corpo de Hércules, junto ao de Tifão, cruzou os céus em alta velocidade, como se fossem projéteis jogados por uma força implacável. A luz gerada pelo ataque explodiu, cegante, iluminando cada canto do campo de batalha por um momento, como o clarão de uma tempestade. O choque daquele ataque gerou um som ensurdecedor, tão poderoso que parecia o rugido da própria terra se partindo.

E então, veio a onda de choque. A pressão causada pela força do impacto se espalhou como uma explosão invisível, varrendo o campo de batalha com tamanha intensidade que tudo ao redor foi levantado. Poeira e detritos foram lançados ao ar, criando uma muralha de pó densa e impenetrável, que cobriu todo o cenário em uma nuvem sufocante. A batalha, por um instante, desapareceu em meio à poeira e ao estrondo, deixando apenas o eco da destruição no ar.

Quando a nuvem de poeira finalmente começou a baixar, o campo de batalha voltou a se revelar aos poucos. Foi então que Stef olhou para o céu e percebeu uma mudança crucial. A aura roxa que antes envolvia Gael havia desaparecido completamente, substituída por um brilho alaranjado que ela reconhecia tão bem – a energia elemental familiar ao garoto. Essa cor, tão ligada à verdadeira essência de Silva, significava que ele havia, de alguma forma, retomado o controle.

O ataque de Gael havia começado com a palma da mão aberta, pronto para atravessar Hércules e Tifão de uma só vez, mas algo aconteceu no último segundo. No instante decisivo Silva conseguiu recuperar o domínio sobre seu corpo. Com uma força de vontade monumental, ele fechou a mão, transformando aquele golpe fatal em um soco concentrado de pura energia.

O soco, agora focado, foi desferido com uma precisão avassaladora, diretamente na face de Tifão. A potência do impacto foi tão esmagadora que o som do golpe ecoou por todo o campo de batalha, reverberando como um trovão. O ataque, que antes poderia ter sido destruição pura, se converteu em uma força controlada, atingindo Tifão com a fúria concentrada de Gael, mas sem os danos colaterais que poderiam ter ceifado a vida de Hércules também.

No chão, Hércules e Tifão jaziam desmaiados, seus corpos imóveis após a batalha feroz. A sombra, que outrora era uma ameaça imponente, agora estava nocauteada. Seus olhos, revirados e brancos, refletiam o total colapso de sua força. Um fio de baba escorria por sua boca aberta, enquanto a expressão de derrota marcava sua face. No entanto, algo peculiar chamou a atenção – apesar de estar claramente derrotado, um sorriso estranho e inquietante estava estampado em seu rosto, como se, de alguma forma, ele aceitasse o fim de maneira perversa.

O impacto do soco foi tão avassalador que, além de derrotar Tifão, rompeu o próprio céu. As nuvens negras, que até então cobriam o campo como um manto sombrio, foram literalmente rasgadas ao meio pela força brutal do golpe. Pela primeira vez em muito tempo, a luz do sol atravessou o céu dividido, banhando Gael em seu brilho, destacando-o como o grande vencedor daquela batalha.

Fim do capítulo!

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