Que Haja Luz Brasileira

Autor(a): L. P. Reis


Volume 5

Capítulo 155:

A situação de Gael piorou drasticamente. Sem a presença da aura roxa que o envolvia, ele perdeu a estabilidade da forma em que se encontrava. Seu corpo, que antes flutuava, começou a falhar, e rapidamente ele foi tomado por uma sensação de queda vertiginosa. As forças que o mantinham suspenso cederam, e, sem controle, Gael começou a despencar do céu em direção ao chão.

Do chão, Stef estava esgotada, sem uma gota de poder elemental restante. Cada grama de sua energia havia sido utilizada para chegar até ali, movendo-se com dificuldade, na tentativa desesperada de impedir que Gael matasse seu pai após finalizar Tifão. Seus movimentos estavam pesados, e sua mente girava em busca de uma solução, mas seus recursos haviam se esgotado. Lucas continuava inconsciente, sem qualquer reação, enquanto Aurora, já com quase nenhum poder elemental, se concentrava nas últimas reservas que possuía, usando o pouco que restava para tratar os ferimentos de Lucas. Hércules, por sua vez, permanecia desmaiado sob o corpo massivo de Tifão, consequência do ataque feroz que havia sofrido de Silva por ter ousado segurar o Filho de Tártaro.

— Não, não era isso que eu queria — pensou Stef desesperada — Não queria salvar meu pai para que Gael morresse. Sem estar consciente e sem poder emitir energia elemental, seu corpo é apenas o de um ser humano normal, ele vai morrer com a queda.

Caída no chão, Stef reuniu todas as forças que lhe restavam e tentou se mover, mas seus braços e pernas pareciam presos, como se não respondessem mais à sua vontade. A exaustão havia tomado conta de seu corpo, deixando-o pesado e paralisado. Desesperada, sua mente gritava por ação, mas seu corpo se recusava a obedecer. Com a voz fraca e carregada de angústia, ela clamou:

— Alguém! Alguém salve o Gael! — Seu grito ecoou pelo estranho silêncio, depois de vários minutos do caos que havia sido gerado naquele lugar através das incontáveis batalhas.

Gael despencava rapidamente em direção ao chão. Durante a queda, um choque percorreu seu corpo, e ele lentamente recobrou a consciência, percebendo a gravidade da situação. No entanto, por mais que tentasse, seu corpo estava esgotado. As correntes de energia elemental, antes abundantes, agora estavam totalmente esgotadas, impedindo qualquer reação. Ele via o solo se aproximando rapidamente, mas suas forças haviam desaparecido por completo.

— Eu vivi uma boa vida até… tive bons amigos… ajudei quem precisava ser ajudado… estou feliz de que, no final de tudo… Elysium está longe das mãos de Tifão… — refletiu Gael, aceitando que o seu fim estava próximo, enquanto o chão se aproximava cada vez mais.

Sem forças para se levantar, Stef reuniu o que restava de sua energia e começou a se arrastar pelo chão, cada movimento sendo um esforço exaustivo. Enquanto avançava lentamente, algo passou por ela em uma velocidade impressionante, como um raio fugaz. A presença foi tão rápida que ela mal conseguiu ver, mas os rastros que deixou eram claros — uma trilha de energia elemental aquática pairava no ar e se infiltrava pela terra. A sensação dessa energia envolveu Stef, trazendo uma calma inesperada e profunda ao seu coração:

— Agora vai ficar tudo bem — murmurou, enquanto seu corpo finalmente sucumbia ao cansaço.

O ser avançava com agilidade impressionante, saltando pelo ar como se flutuasse. A cada ponto de contato com a atmosfera, seus pés deixavam o ar congelado, formando pequenos trilhos de gelo que logo se dissipavam. Ele se movia com precisão, ganhando velocidade a cada salto, até que, faltando apenas instantes para Gael colidir com o solo, ele o alcançou. Em um movimento rápido e decisivo, estendeu os braços e agarrou Silva no último momento, evitando o impacto fatal.

— Outra vez… — foi a única coisa que Gael conseguiu murmurar com um sorriso no rosto — Stef correndo atrás de ajuda… e você chegando para me salvar… onde será que eu já vi isso?…

— Pior! Já é a segunda vez que lhe salvo, está me devendo uma — sorriu Vinícius ao conseguir segurar Gael em pleno ar bem a tempo.

Vinícius, segurando Gael firmemente no ar, ficou atônito ao contemplar a devastação abaixo. O que antes era a imponente praça central de Elysium agora não passava de um vazio desolador, como se o coração daquela dimensão tivesse sido arrancado. Nenhum traço restava do local que outrora pulsava com vida e energia. Ele olhou em volta, tentando sentir os fluxos de energia elemental que permeavam o ambiente. Sabia que um excesso de energia ali poderia provocar um desequilíbrio perigoso em toda a dimensão, mas, para sua surpresa, não havia necessidade imediata de intervenção extrema como criar um Rastro de Estrela:

— Um caos completo — pensou o guardião, com o olhar fixo na destruição abaixo.

Dos céus, Vinícius observava a devastação abaixo. Seus olhos logo encontraram Stef, desmaiada no chão, o corpo imóvel e exausto pela batalha. Mais adiante, ele viu Aurora, ajoelhada ao lado de Lucas, em desespero enquanto tentava curar o braço ferido do garoto. Suas mãos tremiam de tensão, e ela trabalhava com urgência, usando as últimas reservas de sua energia para salvá-lo. A expressão de Aurora misturava angústia, mostrando o quão crítica era a situação. Mesmo assim, Lubu, ao sentir a frágil conexão com a energia elemental de Lucas, percebeu que seu aprendiz sobreviveria.

Enquanto seu olhar vagava pelo cenário de destruição, Vinícius foi tomado por uma sensação inesperada — ele podia sentir claramente a presença fraca, mas ainda existente, da energia elemental de seus tios e de seu pai. Isso o abalou profundamente. A ideia de que eles estavam à beira da morte ou talvez já sem volta o chocou, mas ele sabia que não podia ceder à tristeza agora. Havia muito em jogo, e aquele não era o momento para chorar os mortos. O campo de batalha ainda pulsava com perigo, e baixar a guarda seria um erro fatal.

Enquanto analisava tudo ao redor, Vinícius sentiu algo mais profundo no ar — um rastro de energia elemental que havia sido gerado de Gael. Ao concentrar-se nessa presença, foi capaz de ler os eventos recentes como se fossem gravados na própria essência do lugar. Ele viu com clareza o momento em que Hércules, com todas as suas forças, segurou firmemente Tifão, imobilizando a criatura, enquanto Gael, em um ato decisivo, desferiu um poderoso soco que atingiu a sombra diretamente. A força do golpe foi o que finalmente derrubou o gigante, deixando ambos, Tifão e Hércules, caídos. O eco daquela ação ainda vibrava pelo campo de batalha.

Vinícius descia com Gael, com o gelo no ar que ele havia criado para sustentar seus pés descesse como uma plataforma. Isso lhe permitia que controlasse a descida de maneira estável. Quando chegaram ao chão, Lubu cuidadosamente colocou Gael no solo, apoiando o garoto pelo ombro. Com passos lentos, mas decididos, eles começaram a caminhar em direção aos demais:

— Você ficou extremamente mais forte, Gael. Com 3 ou 4 lutas, conseguiu acessar a segunda porta. Alguns de nós demoraram eras para alcançar esse feito — Vinícius estava realmente contente pelo grande feito de Silva — Isso agora vai lhe dar um grande poder para derrotar quase qualquer sombra.

— Eu não me lembro como consegui acessar a segunda porta.

— Não se lembra? Como assim não se lembra?

— Existe uma penumbra na minha mente, e não me lembro do que acabei fazendo para conseguir acessar a segunda porta.

— Hm… Deve ser pelo cansaço do seu corpo após a batalha. Foi algo extensivo demais para você.

Enquanto eles se aproximavam de Stef, Vinícius sentiu algo incomum no ar, um arrepio percorreu sua espinha. Havia uma presença inesperada que surgiu atrás dele, como se tivesse aparecido do nada. O que o deixou ainda mais inquieto foi o fato de não ter conseguido sentir a menor vibração de energia elemental dessa presença, até que o farfalhar de asas ao fundo atingiu seus ouvidos. A aura sinistra tomou conta de seus cinco sentidos de uma vez, como uma sombra opressora que o envolvia.
Mas o que mais chamou sua atenção foi o som peculiar, quase hipnótico, de páginas de um livro sendo viradas com rapidez. O ruído cortava o ar como se aquele objeto carregasse algo antigo e poderoso. Antes que pudesse reagir, a energia elemental gerada por aquele livro envolveu Vinícius, e num instante, ele foi congelado no lugar, preso pela força súbita e inesperada.
— Há quanto tempo, Vinícius? — a voz quebrou o silêncio, carregada de uma familiaridade sombria.

Quando o guardião olhou para trás, mal conseguiu acreditar no que estava vendo:

— Ismael?!

Com um livro flutuando ao seu lado, Jonathan apenas sorriu para ele, dizendo:

— Ice Time! — As páginas foram folheadas sem parar, e o tempo parou mais uma vez para o guardião de Elysium.

Fim do capítulo!

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