Pôr do Sol Brasileira

Autor(a): Galimeu


Volume 3 – EI

Capítulo 52: Uma Noite Engraçada (Parte 2)


 

Poderia o destino mostrar tantas reviravoltas em tão pouco tempo? Qual é o critério entre o clichê e inovador? Fulgor ou temor? Ou até a simples comparação entre um humano e uma estátua?

De uma maneira específica, todos os exemplos ditos tinham um pouco de colaboração numa pergunta final: o que define um líder?

Cortax, o agente mais novo da atual geração dos terceiros níveis do Primeiro Setor, abençoado desde a nascença com o dom de manipular objetos a distância; teve o luxo de ter um bom futuro resguardado.

Mesmo que as operações fossem perigosas, que a situação possuísse uma incerteza severa, sempre se portou como a resposta final para resolver a questão.

Na verdade, nunca foi uma a resposta de fato, pois sempre foi pergunta. Uma pergunta que apenas uma pessoa podia responder “sim” ou “não”.

Quando mais novo, passava por treinamentos simples para criar familiaridade dos seus poderes como parte das famílias que continham a linhagem da energia.

Dentro da ODST, cada integrante do terceiro nível participava em sessões em conjunto, exceto uma pessoa.

Levante-se! Tenha mais garra! — Uma voz ecoou pelas paredes.

Nas instalações dos laboratórios, havia um lugar amplo para testar os poderes de cada um. Beatrice precisava determinar o melhor animal para finalizar o percurso de maneira eficiente. Still precisava se infiltrar numa sala controlada por soldados treinados.

E Cortax precisaria mover objetos o mais rápido possível de pesos variados, alvos variados, voar por trajetos específicos. Embora nada disso estivesse em prática naquele momento.

— Cortax? Tá tudo bem? Aconte...

— Ele não fez nada de errado.

O pequeno agente loiro estava encarando uma das quinas do campo de treinamento, tal local era fechado, sem ventilação natural e um céu falso para dar a ilusão do ar livre.

Com dedinhos encostados na quina, aproximou o ouvido para encostar na parede invisível. O horizonte era falso, uma imagem criada por holograma numa ilusão de ótica.

— Xerta, eu sei que não é pra usar os poderes lá fora. Naquele dia ele só meio que falou com um poste, nada demais! Por que ele...

A mulher que se aproximou estava com o dever de supervisionar o treinamento, tudo ocorreu normalmente até identificar a fala chorosa no canto do campo, onde achou o futuro terceiro nível.

Levante, Dourres!

— Xerta! Que castigo é esse?!

— Nã-não é um castigo...

Ao colocar a mão sobre o peito, a vice-chefe concordou com a preocupação do pequeno, e isso o assustou. Seu protesto foi reafirmado por quem devia ter o controle para mudar aquilo... Então porque Xerta ficou triste também?

— Isso é... temporário. Só por hoje. Ele vai se juntar a vocês de novo amanhã.

— Os pais deles sabem disto?

— Pais?

A palavra saiu automaticamente, sendo pega de surpresa. Uma coceira no nariz. Xerta tentou disfarçar a lágrima que recaia e puxou o garoto pelo braço.

— Vamos voltar. Quanto antes terminar, mais cedo o verá.

— Só me diz o que estão fazendo com ele.

Então ela parou. O menino sofreu pela inércia e trombou na moça que encerrou o próprio movimento sucintamente. Ao retomar o olhar após esfregar a testa, viu a moça se ajoelhar e o acolher num abraço.

— Estão o tornando um líder e rei.

— Rei?

Reinar a equipe, presumiu. Obviamente uma criança não entenderia o fervor natural de palavras sinceras, logo, escolheu acreditar que faziam algum bem para ele.

Cortax o encontrava sempre após os treinos, o recebendo com um abraço e testando o animar. Contudo, a cada dia, o olhar de criança se perdia; rosto desinteressado, cansado, dolorido, apático.

E dia após dia, Cortax viu seu amigo cair numa depressão que o corroía até adulto.

Nunca entendeu o critério que definia um líder do terceiro nível. Força e poder? Agilidade e destreza? Inteligência e Perspicácia? Infelizmente, estas perguntas tiveram as repostas roubadas.

Um sorriso roubado.

Cortax nunca mais viu Dourres sorrir, nem mesmo para ele, para Xerta, para Beatrice, para seu pai; nem mesmo para a Still.

Anos após a conversa, cerca de um mês atrás, antes do chefe do Primeiro Setor estar desaparecido, Dourres ousou em sair escondido uma outra vez.

Se enfureceu em todos os momentos que foi chamado a sós para a sala do chefe, onde o próprio ou Xerta pediam para vigiá-lo, protegê-lo.

Lá estava Cortax e Beatrice, em sentido, esperando as ordens que os trouxeram ao prédio mais alto.

— Fiquem de olho nele, relatem quaisquer ações dele. Não deixe que se perca em problemas. Precisam proteger.

— Proteger? Perdão, senhor, mas quer que nós o protejamos? Depois destes anos, agora tem essa conversinha.

Hum?

Beatrice fungou o nariz e passou a mão no cabelo, organizando os fios aglomerados que lembravam uma orelha de gato. Fechou os olhos e assentiu sem dizer nada.

— Senhor, ele é seu filho. Acredite, ele está duvidando do senhor agora mesmo, está cogitando um absurdo que a estrela está infiltrada na ODST!

— Como assim? Arrepios!

O pelo — ou melhor: o cabelo — de Beatrice ficou esticado e espetado com o que ouviu, a fazendo desarmar a posição ao colocar a mão na boca.

Os superiores, que nada disseram, afinaram os olhos para quem despejava com certa raiva:

— Quer ajudar ele só agora? O fizeram passar por tanta coisa por a joça de um cargo jogado do nada no colo. Ele sabe se virar e vocês sabem muito bem que isso é culpa de vocês. Quer que eu proteja? Beleza! Concordo na hora, mas isso precisa incluir o protege de vo...

— Beatrice.

O chefe ergueu a cabeça e apertou um painel que abriu a porta atrás deles. Levantou da cadeira lentamente e propagou mais confusão na cabeça de Cortax, dizendo:

— Vá e escolte Dourres, faça da forma que achar mais conveniente.

— S-sim senhor.

Num tom abatido, a jovem respondeu ao soltar a ignição rosa de forma minúscula — na forma de uma gata branca —, correu em direção a saída e deixou o agente loiro sozinho.

— Quanto a você, Cortax... Entendo que queira ser o líder, isso, infelizmente, não será possível.

— Não é isso que quero dizer! Só quero ver ele melhor, ele é meu amigo tanto quanto um irmão de sangue. Se eu me tornar o líder fosse melhorar a situação dele, tudo bem... Tá, e ponto não é esse! A Xerta sabe bem o que quero dizer, né?

A moça de boina roxa desviou o olhar, evitou o contato direto como quem não quisesse aceitar o que dizia. Não havia uma afirmação ou negação, havia a escolha de nada escolher.

Exaltação crescia na gesticulação do agente, que pareceu encurralado sem ninguém para apoiá-lo.

— Esta comoção é impropria para a postura que devia para dar exemplo. Sua falta de estabilidade emocional se provou como uma das razões por não ser convocado como líder, Cortax.

— Por favor, volte para seu posto. Por favor.

Tsc!

Xerta interveio na conversa, apontou para o lado de fora com certa hesitação, arrumando a expressão séria quando o chefe a encarou.

O agente se revoltou e virou-se com ombros altos, as sobrancelhas tencionaram e fizeram o passo se congelar antes de se decretar como “fora da sala”.

Vagarosamente, girou o pescoço para uma olhadela de costas, tenso e irritado, concluindo:

— No fundo, a Still acredita nele. Não serei o único a os avisar que ele pode desligar esse lugar inteiro se quiser.

Um passo foi executado. A porta fechou. O escuro tomou conta da sala. Enfim, apenas o respirar fundo da Xerta reverberou.

Gotas do líquido negro no rosto, um dedo o limpo. Poeira preso no cachecol, uma mão o limpou. Braços frenéticos num ritmo destrutivo, dedos os conduziam numa orquestra da destruição.

Em meio ao caos do presente, a ODST virou um campo de batalha para conter as bestas, tendo o que seria um super-heroi sem capa ou confiança para ajudá-los.

Um herói que usava sua energia esmagadora para virar o jogo da invasão surpresa.

Horda de monstros viraram piscinas do petróleo demoníaco, a energia usava cada parte do arredor como arma, atirando pedras, segurando as próprias criaturas com a força bruta para esmagá-las como um papel na mão.

Antes que qualquer soldado tivesse o risco de ser ferido, seus dedos velozes guiavam suas armas naturais do acaso para perfurar as cabeças dos monstros ou tocavam nos soldados para os levitar para longe do ataque.

Era difícil compreender, homens e mulheres treinados ficavam sem alvos, pois cada um deles era derrotado antes da mira ousar cruzar o campo de visão de suas armas.

Um olhar frio, uma feição tensa, uma expressão desconexa. Cortax tinha muita coisa para pensar, mas empurrou com a barriga qualquer assunto para lidar com a situação.

Reparavam nos seus feitos, mas não reparavam no seu rosto.

Tiros vinham de todas as direções para ajudá-lo, caminhonetes blindadas e com metralhadores pesadas equipadas vinham para reforçar a avenida principal — a mesma avenida que levava ao setor de pesquisa, onde estavam refugiados os não combatentes.

De alguma maneira, os barulhos pararam. O loiro desceu dos céus após parar com seus estrondos de balas enormes. A horda simplesmente cessou quando a última criatura se desmanchou numa poça negra.



— Acabou?

— Graças a Deus!

— Senhor Cortax! O senhor é incrível! Sem o senhor, era impossível.

A expressão brilhante e revoltada passou ao lado dos soldados, precisaram sair da frente quase num tropeço. O terceiro nível os ignorou após atravessar o cerco criado às pressas.

Depois de abrirem a passagem, ficou parado e ativou o painel para entrar na área dos laboratórios.

— Onde está ela?! Onde está a Xerta?!

A pequena instalação de dimensões surreais veio, mas de nenhuma forma reagiu. Olhos brilhantes começaram a se apagar e a tensão se aliviou vagarosamente.

Começou a correr pelos corredores, os funcionários que estavam escondidos apareceram ao ouvir a voz do agente. Subiu escadas, virou portas; porém, a pessoa desejada não constava em vista.

Sem perceber, acabou num beco sem saída, no último pavimento. Apertou os punhos e decidiu dar as costas para a parede branca, buscou se atentar para o laboratório de testes bem sofisticado no lado oposto.

Janelas escuras que não mostravam o interior, uma porta vermelha, que vazava ligeiramente um rastro de luz por baixo.

Com os ombros de pedra, Cortax abriu a porta com a energia feito um policial invasor.

Lá estava.

— Sem reconhecimento térmico, avaliação sísmica estável, ondas padronizadas, ventania hora constante e hora alterada...

Murmurando com hologramas ao redor, um cientista específico tinha braços acelerados a ponto de romper a barreira do som. Toques sincronizados a cada análise que o cérebro constava pelos olhos que não piscaram por nenhum momento.

O breu do local evidenciou a aparência de quem não dormiu, uma aparência aterrorizada que se mantinha ainda desperto pela simples curiosidade que o momento atual pedia.

— Senhor Cortax?! Ahhhh! É hoje que vou ser despedido e silenciado! Tenha dó de mim!

— Onde está a Xerta?

— A comandante Xerta? Eeee... E-ela não está aqui no setor de pesquisa.

— Como não?!

— De-desculpa! A credencial dela não foi detectada dentro do perímetro. É só isso que posso saber. Talvez esteja ainda no gabinete do chefe. Criaram um segundo cerco por lá, mas...

Com o pé pesado, Cortax avançou e fez o jovem cientista ficar ainda mais assustado em pernas trêmulas e lábios instáveis.

Emparedado pelo agente, tampou o rosto com as mãos e agachou.

— Mas o quê?

— Esses demônios! Estou analisando uma amostra que me enviaram a quase dez minutos. — Retirou e mostrou um frasco do bolso do jaleco. — É impossível tirar conclusões do que são feitos ou o que os trouxe, “local seguro” é inexistente até houver uma hipótese provada!

Humf... Quão livre é seu acesso aqui?

— Como assim?

O jovem, ao erguer o queixou quando outro questionamento peculiar veio, viu o agente esfregar a cabeça, indeciso com o que pensar.

Se levantou e, numa batida de palmas, acendeu as luzes, dando mais liberdade já que apenas os hologramas davam alguma luminosidade.

— Eu-eu não entendi.

— Diga o que faz e quanto dificuldade em relação aos outros.

E Cortax puxou uma cadeira quando a notou logo ao lado, despencou o corpo e focou apenas em ouvir, embora a expressão tensa tenha voltado.

— Eu sou responsável pela exploração de protótipos. Por eu ser muito novo, sou julgado. Meu acesso a alguns recursos são limitados por algum tipo de barreira, seja guardas ou senhas, é quase como escondessem algo. Desde que arrisquei minha equipe com o líder do terceiro nível.

— Foi você quem fez a máscara do Dourres, meu cachecol e o traje da Beatrice?

— Eu os projetei e fiz os primeiros testes, a versão final não foi exatamente feita por mim; mas o que isso tem a ver? Está me assustando, senhor! Não estávamos em peri...

Telas flutuantes dos hologramas com sinais de alerta surgiram no rosto do cientista, logo na ponta do seu nariz. Acabaram por retocar a sala com tons de vermelho enquanto piscavam várias vezes.

Leitura não catalogada — decretou a voz robótica.

— “Onda de calor irreconhecível”?

— O que foi dessa vez?!

O jovem cientista leu em voz alta a mensagem descrita pelo alerta vermelho. Várias pequenas telas começaram a aparecer em sua volta. Eram várias câmeras que começara a sair dos seus ângulos originais para apontar para um único ponto.

— Tem alguém desautorizado no prédio central! Algo desativou as câmeras por lá! Hm?Hhh

Hân?

 As paredes começaram a vibrar, mal davam nitidez para a vista das câmeras, que, pouco a pouco, embraçaram as telas.

— Terremoto? Chuva?

— A Xerta!

Os vidros do último andar racharam, as gotas de água tornaram-se o catalisador exponencial de mensagens tristes e sem sentido:

— Tem... uma cachoeira preta!

Um líquido preto jorrou das quatro paredes rachadas, despejavam um líquido que tinha aversão a luz. Soldados ao redor começaram a fugir da queda do desconhecido, mas eram pegos pouco a pouco na enxurrada.

As presas de Cortax começaram a aparecer e olhos brilhantes responderam na mesma altura. O jovem cientista arregalou os olhos ao apontar manualmente a câmera para o local do impacto.

Ahhhhhhhhhhhhhhh!

Quem ficasse enxarcado começou a se agoniar em dor, gritavam como se algo arrancasse suas mentes com a ponta das unhas.

Caiam no chão e se debatiam.

Carne rasgava e seus membros deformavam.

O líquido que os abraçou começou a se erguer dos seus corpos, mais criaturas se formavam de dentro pra fora.

Mais monstros surgiam, contudo, não tomaram os corpos, apenas, casualmente, decidiram retomar a forma física das poças e perfurar cada infeliz atingido.

E mais outros surgiam das poças enormes formadas ali mesmo.

A nova origem das criaturas transbordava da sala do chefe do Primeiro Setor. O que significa que ele precisa...

— Irei pra lá! Você tá no comando agora!

— O QUÊ?

— Dourres confia em você, então EU confio também, não me desaponte, amiguinho.

O terceiro nível ignorou o cientista, foi sincero ao correr para fora e somente. Começou a acelerar pelos corredores, usando seus poderes para levitar como uma bala.

Pessoas tentavam sair da frente, por pouco seriam atingidas se a agilidade de Cortax fosse mais qualquer ponto inferior.

— Abram o portão!

Uma mulher gritou ao ver a aura aparecer no final do corredor, outros soldados se apressaram para estender as mãos nos painéis acionar medidas de emergência.

Con-constatando todos da ODST! Reagrupem-se no setor de pesquisa! Repetindo: Reagrupem-se no setor de pesquisa!

O cientista, com uma hesitação e nervosismo, reproduziu as novas ordens recém-emitidas. Poucos reconheciam o dono da voz, mas não se importaram em segui-las.

Mais soldados apareciam na porta de entrada e outros cobriam as outras direções.

Rugidos, grunhidos e rosnadas vinham ao longe, ecoando no silêncio que havia entre os prédios. Suor frio escorria de cada homem e mulher que antecipava o trauma, segurando as armas com miras a cada esquina.

— Obedeçam e segurem as pontas!

Voando em direção ao topo do prédio central. Cortax gritou para a formação defensiva, carros blindados terminaram de chegar e funcionaram como barreiras moveis.

Desatentos pelo ascender aos ares do homem loiro, mal perceberam a horda iminente.

— Fogo! — gritou uma mulher, apontando para o grupo de monstros sem fim.

Braços tensos seguravam as armas que tremiam para disparar as balas. A plateia de refugiados foi presenteada com o esforço total dos combatentes em segurar cada aglomerado viscoso, preto e retorcido que corriam até o portão.

Carros e pessoas vinham pelos arredores e desembarcavam dentro do perímetro reforçado da instalação de pesquisa.

O portão, finalmente fechado outra vez, transmitiu o último anseio de quem havia pessoas queridas combatendo no outro lado. Era a melhor decisão, embora perigosa e fria, era a melhor opção que havia.

Sob o show de luzes banhado a sangue oleoso de bestas negras, a aura verde, em alta velocidade, atuou como uma estrela cadente, cruzando os céus entre os prédios.

A visão centrada do agente não cedeu aos ventos que banhavam seu corpo que se tornou um projetil vivo, somente o topo da cachoeira surreal estava focada — e literalmente mais nada.

Simplesmente, decidiu ignorar os combatentes na única lógica de prioridade — ninguém conveniente era capaz de e contradizer, pois era o único que havia capacidade para lidar com a raiz do problema.

— Preciso confiar! Preciso.

A perspectiva trazia o prédio para se tornar cada vez maior, no entanto, quanto mais se aproximava, era como se a cachoeira afinasse ou diminuísse sua vazão.

Diferia de um efeito ótico, de fato, a cachoeira simplesmente parou.

— Essas luzes... Que caralho é esse?! — Afinou os olhos.

Seu voo foi desacelerado, a falta da queda d’água escura e sombria deu lugar a uma nova surpresa: luzes brancas que surgiam de incontáveis cantos da ODST.

— Dos cadáveres?

Houve um rastro tão singelo da origem das luzes, Cortax analisou a trajetória reversa e decretou outra informação; as luzes surgiam dos mortos.

Corpos desprovidos de vitalidade tiveram algo roubado. O que era? Razão? Quem era o responsável?

— Desgraça!

A velocidade do voo aumentou num estrondo, o agente ajeitou o cachecol, que começou a trocar de estampa para formas mais alinhadas e enfileiradas — transformando alguns dos círculos em formas de “x”.

Similar a um canhão — na verdade, uma bomba — atravessou o único vidro que não havia se quebrado no surgimento da cachoeira esquisita.

Ultrapassou o inconveniente com expressão raivosa, brilhando a marca da sua mão, que rompeu o vidro apenas apontando rapidamente.

No local de convergência do outro show de luzes, o brilho do lugar não deixava os detalhes da sala do chefe declarar a presença de fato.

Tampou o resplandecer com o antebraço e, pouco a pouco, junto da última fagulha guiada de luz atingir um alvo inusitado... pode perceber a situação com olhos arregalados.

Uma longa pedra cristalina apontada para cima, que consumiu a luz a ficar completamente negra, mostrou a aversão ao que acabara de absorver.

Um cenário destruído. Teto despedaçado, laje exposta, ferragens aparecendo.

Contudo, a mesa do chefe estava intacta.

Atrás dela, estava Xerta.

Mas, também, atrás dela, um sujeito a rendia pelo pescoço.

Uma lança amarela e esverdeada ousava em delimitar sua ponta abaixo do queixo da vice-chefe.

Assim, para completar cada informação subliminar e faltosa de detalhes ou explicações prévias... surgiu um sorriso característico:

— Você tem muita graça! Hahaha!


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