Volume 2 – Arco 9

Capítulo 235: Vigarista (4)

Ergui a cabeça por reflexo diante das palavras decisivas do Yoo Jonghyuk.

— Vocês… vão ficar bem?

— O cenário que enfrentamos agora é a Competição de Artes Marciais, não a Seleção do Rei Demônio.

Eu vinha pensando nisso, mas senti um alívio e um orgulho quando Yoo Jonghyuk falou isso.

— Você… amadureceu mesmo. Acho que não vai morrer por enquanto.

Yoo Jonghyuk ignorou minhas palavras e continuou. — A única coisa que dá para obter da competição é a Espada do Demônio Negro. E conseguir a espada não significa que podemos vencer a Seleção do Rei Demônio.

Yoo Jonghyuk tinha razão. Vencer a competição de Murim não significava que podíamos vencer a Seleção do Rei Demônio.

— É por isso que você precisa ir para a Associação Gourmet. Precisamos de colegas para a nossa nebulosa. Talvez consiga aliados se for para a Associação Gourmet.

Entendi o que ele estava dizendo. Ir para a Associação Gourmet para atrair algumas constelações úteis. Mas tem uma parte que me intrigou.

— Nossa… nebulosa?

— Você não disse que faria uma da última vez?

— Companheiros do Kim Dokja?

— Eu saio na hora se for esse mesmo o nome.

Yoo Jonghyuk virou o rosto, franzindo a testa.

Dei uma risadinha sem perceber.

A constelação “Juíza como Demônio do Fogo” está enxugando as lágrimas com um lenço.

Era algo inimaginável se lembrarmos do dia em que me agarrou pelo pescoço pela primeira vez. Yoo Jonghyuk e eu realmente viramos colegas. De qualquer forma, era engraçado eu estar hesitando quando Yoo Jonghyuk estava se esforçando tanto.

Eu me levantei e declarei: — Eu vou.


Nesta noite, encontrei o Guia da Associação Gourmet, que voou através do portal. O guia conduzia uma carruagem pequena com um cavalo preto, enquanto vestia um traje de cowboy ocidental. Ele parecia ser um dos subordinados do dono do Castelo de Oro.

O guia desceu da carruagem e se curvou educadamente para mim.

Você é o Rei Demônio da Salvação?

— Isso mesmo.

Entre na carruagem. A viagem será bem longa, então poderá descansar.

Depois de me ver, o guia não parecia surpreso nem reagiu muito. Então um guia da Associação Gourmet não se surprendia com algo como “Rei Demônio da Salvação”?

O guia subiu na carruagem e se virou para me perguntar.

Vou buscar alguns passageiros no caminho. Você se importa?

Ah, está tudo bem.

Alguns passageiros… quem? Perdi a chance de perguntar, porque o guia já colocou a carruagem em movimento imediatamente.

O interior da carruagem era espaçoso e confortável. Não havia tremedeira na viagem, eu não conseguia nem sentir que estava em movimento. Isso era perfeito, porque podia ler Maneiras de Sobreviver durante a viagem.

Li Maneiras de Sobreviver nessas poucas horas. Talvez não fossem poucas horas, mas poucos dias. Era difícil calcular o tempo porque não sabia quão rápido a carruagem estava se movendo.

(…) Assim, o Yoo Jonghyuk da 15ª regressão pensou ao morrer: “Eu não tive sorte.”

(…) No fim da 19ª regressão, Yoo Jonghyuk pensou: “Da próxima vez.”

(…) Yoo Jonghyuk terminou sua 25ª vida e murmurou: “Vai ser na próxima vez mesmo.”

Eu… tinha que retirar o que disse sobre ele amadurecer. Esse desgraçado ainda era um peixe-lua na primeira revisão. Então, eu ajudando ou não, ele continuava morrendo do mesmo jeito?

Li as mortes dele como se não fossem nada demais, enquanto procurava pelas informações que precisava. Não havia muitos detalhes sobre a Associação Gourmet. Yoo Jonghyuk visitou a Associação Gourmet nos estágios finais, mas era para matar, não para fazer aliados. Essas partes estavam praticamente cheias de “AAAAAH!”

A Raposa Voadora disse: ­­­­­­­­­— Constelações são todas ruins. Porém, os lunáticos da Associação Gourmet são os piores de todas.

Também era impossível encontrar qualquer conteúdo favorável sobre elas. Quanto mais eu lia, mais duvidava se ir para a Associação Gourmet era mesmo o certo a se fazer. De qualquer forma, continuei lendo Maneiras de Sobreviver.

Yoo Jonghyuk pensou: “Teria sido bom se ele tivesse vindo comigo.”

Se havia uma diferença no quão engraçado era ler entre a versão original e a revisada, então era em momentos como esse. Eram vestígios de quando intervim na obra original. Prestei atenção especial sempre que esses trechos apareciam. Isso porque elas estavam entre as cenas raras que mencionava a “terceira regressão”, que não estava inclusa na versão revisada.

“Mas preciso fazer isso. Afinal, ele disse que este é o jeito certo.”

O jeito… certo? Do que ele estava falando?

É hora da refeição. Não é nada demais, mas preparei algo modesto.

— Obrigado.

A carruagem parava de tempos em tempos, e o guia me servia uma refeição. Era um tipo de refeição de voo. Parecia um presunto de alta qualidade e tinha um cheiro bem perfumado. Claro, não era presunto de verdade.

O Último Gladiador do Planeta Selegedon.

Era uma refeição de história típica da Associação Gourmet. Pela concentração que consegui sentir… parecia ser uma história bem poderosa.

Espetei o “presunto” macio com o garfo que o guia me deu. Só que foi então que parte do conteúdo da história fluiu para a minha mente.

-P-poupe-me. Por favor, poupe-me…!

Uma cidade desmoronando de forma horrível por causa do tumulto das Constelações. A visão de encarnações explodindo diante de uma pressão gigantesca. O gladiador morrendo, que já tinha perdido toda a dignidade…

Corpos de encarnações dilaceradas despejados nas bocas das Constelações que pareciam demônios rindo. A última cena de um mundo que já tinha desaparecido. Os gritos e o desespero das encarnações se juntando, concentrados bem na ponta do meu nariz.

Olhei para o “presunto” por um momento e então larguei o garfo em silêncio.

A… comida não agradou seu paladar?

— Não estou com fome agora. — respondi com um sorriso calmo.

Desculpa. Parece que falhei em considerar seu paladar, Constelação. Uma comida nova…

— Não precisa, vou comer o que eu trouxe.

O guia recolheu os pratos com ar de pesar e voltou para o assento do condutor. Somente quando ele desapareceu completamente da minha vista que finalmente relaxei minha expressão. Senti como se fosse vomitar.

Uma frase que tinha acabado de ler em Maneiras de Sobreviver passou pela minha cabeça.

“É um pesadelo para as encarnações.”

Mais uma vez, percebi para onde eu estava indo e com quem estava lidando. Como um idiota, estive agindo como se o destino fosse um piquenique.

Toquei em algumas histórias que estavam no meu bolso. Comparadas às histórias que eles comiam, as histórias abandonadas no “Horizonte das Histórias” eram quase sem sabor e sem cheiro. Eram histórias simples de encarnações comuns vivendo e morrendo de um jeito comum, como lixo. Havia um motivo para a Associação Gourmet abandoná-las.

Absorvi fragmentos de história com Lamarck Kirin e fechei os olhos em silêncio. De algum jeito, senti que teria um pesadelo.


A viagem continuou por alguns dias, e usei esse intervalo para checar algumas coisas que não vinha acompanhando.

Moedas Possuídas: 1,252,353 M.

Primeiro, conferi as moedas em que não vinha prestando atenção. Era uma quantidade absurda.

1,2 milhão era o suficiente para comprar o Olho do Grande Demônio. Porém, Anna Croft já tinha obtido. Por outro lado, eu possuía uma habilidade melhor, então não precisava disso…

Eu me perguntei como usar o resto das moedas. Não era ruim aumentar minhas estatísticas gerais, mas a eficiência das estatísticas começava a cair quando a média passava de 100. A partir daí, investir em habilidades era muito melhor do que investir em estatísticas.

Claro, havia vezes em que o acúmulo de estatísticas gerais era esmagador. Assim que eu convencesse a Quarta Parede, precisava conferir direito minha Janela de Atributos.

Novos passageiros vão entrar. Tudo bem?

Estava tão perdido nos meus pensamentos que nem percebi que a carruagem tinha parado. — Sim, tudo bem.

A porta esquerda da carruagem se abriu com minha resposta. Fiquei um pouco tenso ao olhar pelas frestas quem entraria. Afinal, a possibilidade de ser uma constelação era alta.

Ah! Você nos deixou esperando para sempre. Por que você demorou tanto?

Desculpa. A estrada foi um pouco mais difícil do que imaginei…

A voz que ouvi parecia estranhamente familiar.

Era uma voz feminina e aguda, com um sotaque russo misturado.

Consegui ver três pessoas pela fresta da porta.

Já tem alguém a bordo. Espero que tenham uma boa viagem.

Fosse sorte ou azar, não senti nenhuma Constelação. Em outras palavras, todos eram encarnações.

Uma mulher com um sorriso gentil entrou primeiro. — Com licença.

A mulher que me cumprimentou com educação tinha cabelo castanho, balançando ao vento. No instante em que ela ergueu a cabeça, perguntei por reflexo: — Selena Kim?

Selena Kim era uma das representantes americanas no banquete de constelações. Talvez por causa do meu rosto mudado, ela ficou confusa por um instante, antes de exclamar: — Ah, você…?

— Lembra de mim?

— Claro! Kim Dokja! Quanto tempo! Você foi convidado também?

— É… mais ou menos isso.

Apertei a mão da Selena e observei o resto do grupo. A próxima a entrar era uma garota pequena com duas marias-chiquinhas.

— Você é… ?

Como eu esperava, já tinha visto essa pessoa antes. Era a garota russa que encontrei no banquete de constelações.

O nome dela… qual era? Eu lembrava que o apelido era algo como Vermelha alguma coisa.

Ignorei a garota boquiaberta e conferi a última pessoa. Nesse momento, arrepios percorreram todo o meu corpo.

— Esta é a primeira vez que a gente se encontra de verdade.

Havia uma profundidade impossível de medir nessa voz calma e relaxada. Eu conhecia bem essa pessoa. Uma das encarnações mais fortes de Maneiras de Sobreviver junto com Yoo Jonghyuk. Até já tinha encontrado essa pessoa antes.

— Te vi num sonho uma vez. Só que faz tanto tempo, então não sei se você se lembra. Acho que disse que a gente se encontraria de novo.

Claro que eu lembrava. No cenário da Zona Verde, eu a vi depois de comer a Pedra do Espectro. — Eu lembro.

— Vou me apresentar formalmente. É um prazer te conhecer, Kim Dokja. Ou devo dizer… Rei Demônio da Salvação.

Ela sorriu com um olho demoníaco amarelo entre os cabelos loiros esvoaçando. Era um sorriso muito bonito, mas não caí nisso porque eu sabia melhor do que qualquer um os pensamentos perturbadores por trás desse sorriso. — Eu sou Anna Croft.

A profeta de Asgard. A líder de Zaratustra, Anna Croft estava bem na minha frente.

 


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