Volume 2

Capítulo 5: É difícil não desistir de treinar personagens que simplesmente não melhoram. (PARTE 3)

— Tama, você está com um gosto mais salgado hoje!

— Que direito você tem de comparar como as pessoas têm gosto?!

Tama-chan e eu fomos até o campo depois que Hinami e Mimimi terminaram o treino e as ajudamos a limpar.

Depois, nós quatro voltamos juntos para casa.

— Eu tenho todo o direito! Minha observação é que logo após o treino seu suor está fresco, mas desta vez ele teve um tempo para secar, então o sabor está mais concentrado...!

— Que nojo! Use seus poderes dedutivos em outro lugar!

As duas estavam se provocando, como sempre. Ignorando o show de garotas, Hinami se aproximou de mim.

— O que você estava fazendo na escola o tempo todo? Entrou para algum clube ou algo assim?

Tradução: Por favor, me informe sobre qualquer grande mudança na sua vida.

— Havia um livro que eu queria ler, então fui para a biblioteca. Quando terminei e passei pela nossa sala de aula, a Tama-chan estava lá, então perguntei a ela algumas coisas que estava curioso, e conversamos por um tempo.

Tradução: Eu estava trabalhando na missão Kikuchi-san. Como a Tama-chan estava na nossa sala de aula, mobilizei alguns dos tópicos que memorizei e tive uma conversa decente.

— Ah, é mesmo!

Tradução: Obrigado pelo seu relatório. Você ainda é estranho e desajeitado. Bem, talvez não essa segunda parte. Por que eu sempre escolho a pior interpretação?

— Entendido, Tama-san. Minhas sinceras desculpas. Hoje, por favor, permita-me morder seu cotovelo...

— Você é implacável! Eu não entendo você!

Ouvindo essa troca totalmente bizarra, Hinami deu um tapinha na cabeça da Mimimi.

— Ok, Mimimi, já chega.

— Sim, senhora, capitã!

Ela fez uma saudação nítida.

— Jesus, Minmi... quando você vai se acalmar?

— Vamos ver.

Mimimi disse, parecendo séria.

— Talvez quando eu arrumar um emprego?

— Uau, uma resposta real!

Hinami estava lá com uma resposta de volta. Elas estavam em perfeita harmonia. Isso fazia total sentido, é claro. Como Tama-chan explicou, os laços entre as três eram super fortes. Eu as observei, desejando que pudessem permanecer assim para sempre e pensando na amizade entre garotas e como era ótimo. Eu estava andando com elas, mas eu era completamente um estranho. Acho que era um hábito ruim meu.

— Ok, então que tal isso? Primeiro eu vou oferecer a você a parte de trás do meu joelho...

— Não tenho interesse na parte de trás do seu joelho!

Sempre que a Tama-chan a repreendia assim, a Mimimi sempre abria a boca bem e ria como se estivesse realmente feliz. Para mim, esse sorriso parecia completamente real e puro. Ninguém me perguntou, mas acho que a Mimimi estava se esforçando para proteger este lugar, este vínculo que lhe trazia felicidade total.

Mas no dia seguinte, ela começou a agir um pouco estranha.

— Oh, uh, desculpe! Eu não estava dormindo! Eu apenas perdi a consciência por um segundo! Com certeza eu não estava dormindo!

Uma onda de risos percorreu a turma.

— Ok, ok! Vamos para a próxima pergunta...

— Eu sinto muito!

Era o terceiro período. O professor tinha pedido para a Mimimi responder a uma pergunta, mas ela claramente havia adormecido em sua mesa. Eu só estava na mesma turma que ela há três meses, mas não conseguia me lembrar de isso já ter acontecido antes. E esta era a terceira vez hoje.

Então qual é o meu ponto? Bem, eu tive alguns pensamentos.

— ...Suspiro.

Quando olhei para ela, ela estava franzindo a testa e exalando alto, como se estivesse tentando se recompor.

Após a aula, a Tama-chan foi até ela.

— Minmi, você está bem?

Mimimi sorriu e bateu no peito.

— Não! Comecei a assistir a esse filme idiota de comédia ontem à noite e não consegui parar! Fiquei acordada a maior parte da noite! Estou tão cansada! Super cansada! Nanami, destruída!

— Não, quero dizer, você está realmente bem?

Tama-chan estava sendo ainda mais firme do que o normal. Ela realmente parecia assustadora.

— Eu não estou bem! Eu queria que você me desse um tapa para me acordar!

— Mimimi?

Tama-chan a encarou.

— ... Além disso, estou bem.

— Espero que sim.

Com isso, Tama-chan saiu da sala de aula. Mimimi sorriu de forma constrangida. Ela insistiu que estava bem, então seria inútil eu perguntar também. Ainda assim, a ansiedade que vi no rosto de Tama-chan ao sair da sala me preocupou.

 

 

 

 

— Eu me pergunto o que há de errado com a Nanami-san.

Era o intervalo antes da quarta aula. Como era quarta-feira, eu tinha vindo para a biblioteca como sempre faço. Desta vez, Kikuchi-san iniciou a conversa, o que era incomum. Ela tinha um radar afiado para essas coisas.

— Sim... ela parecia estranha hoje.

— Ela não costuma ser assim.

Cair no sono na aula não é grande coisa entre os estudantes, mas mesmo além disso, ela estava agindo de forma estranha. Eu tinha uma ideia do motivo.

— Ela tem se esforçado muito nos treinos de atletismo ultimamente.

Ela tinha ficado até o final por dois dias seguidos e tinha vindo para o treino da manhã por três dias, mesmo que normalmente ela o pulasse.

— ...Sim.

Kikuchi-san olhou para baixo com preocupação.

— Acho que ela está se esforçando demais.

De acordo com o que ouvi na reunião desta manhã, Mimimi apareceu para o treino da manhã antes da Hinami de novo hoje. Julgando pelo estado do campo e dos equipamentos, Hinami não achava que ela tinha chegado insanamente cedo, talvez apenas vinte ou trinta minutos antes dela.

Aliás, minha tarefa para o dia era fazer planos específicos para um filme com Kikuchi-san, mas agora parecia estranho trazer isso à tona.

— ...Foi a eleição do conselho estudantil, não foi?

— Bem.

Eu disse, incerto.

— ...Não sei se foi isso que causou isso.

Kikuchi-san manteve os olhos na mesa.

— Hinami-san...

— Hã?

Kikuchi-san raramente mencionava o nome da Hinami. Isso era incomum. E, dado o momento... provavelmente era porque Mimimi tinha concorrido contra ela na eleição.

— Hinami-san... que tipo de pessoa ela é?

— Um, o que você quer dizer?

Eu não sabia o que dizer. Mesmo se estivéssemos falando sobre a eleição, essa era uma pergunta inesperada.

— Oh, desculpe... sempre tive curiosidade sobre ela. Acho que ela é incrível... Eu presumi que vocês eram amigas, já que foram juntas ao restaurante naquela vez.

— Ah, é verdade.

Fazia sentido.

— Bem, pelo que eu sei...

Se eu contasse o que realmente sabia, estaríamos em apuros. Afinal, Hinami era uma gamer confiante, esforçada e perfeccionista que odiava perder e podia dizer coisas realmente terríveis às vezes...

Eu revirei todos esses descritores em busca de um que pudesse compartilhar.

— Um, ela é uma perfeccionista esforçada. É só isso.

— Entendi.

Ela disse, parecendo incerta novamente.

— Nesse caso...

— Nesse caso?

Ela me olhou nos olhos.

— Por que ela se esforça tanto para ser perfeita?

Por um segundo, fiquei sem palavras.

— ...Uh, um, bem...

Eu não tinha uma resposta.

— Oh, desculpe! Você não saberia a resposta, não é?

— N-não.

Kikuchi-san fez uma respiração profunda, talvez procurando uma nova abordagem.

— Nanami-san está... tentando competir com a Hinami-san, não está?

— Bem, basicamente, mas como você sabia?

Kikuchi-san olhou para a capa do livro e respondeu com alguma preocupação.

— Eu não sabia exatamente, mas consigo imaginar.

— Imaginar?

Ela quis dizer isso da mesma forma que imaginava os sentimentos dos personagens nos livros que lia?

— Fico muito curiosa sobre por que certas pessoas fazem certas coisas.

— Quer dizer que você tenta encontrar a motivação delas?

— Uh-huh.

Kikuchi-san assentiu.

— Normalmente não consigo evitar imaginar uma resposta. Claro, provavelmente estou errada na maioria das vezes... É apenas como eu enxergo a situação.

Ela sorriu modestamente.

— Você faz isso?

— B-bem... eu estou escrevendo um romance afinal...

Ela corou e olhou para baixo.

— Ah, c-certo! Muito verdade! Isso é importante, não é?

Enquanto eu tentava desesperadamente manter a conversa, sua expressão se apertou.

— ...Mas eu não consigo adivinhar os motivos da Hinami-san.

— Os motivos da Hinami...

Kikuchi-san olhou para baixo de forma constrangida. Mas agora que eu pensava nisso, percebia que eu também não sabia quais eram seus motivos. Aoi Hinami se esforçava incessantemente para ser a melhor, e eu acho que eu tinha dado isso como certo. Mas Kikuchi-san queria saber o motivo.

— Acho que competir com alguém cujos motivos você não entende deve ser muito difícil, porque você não consegue ver seu objetivo.

— Um objetivo invisível, huh...

Tentei imaginar. Uma competição com um objetivo invisível era como uma luta prolongada contra um monstro com uma barra de vida invisível. Você não tinha ideia de quão forte precisava lutar, quais eram os limites do seu oponente ou mesmo se eles tinham algum. Era assustador porque você não sabia de nada.

— ...Deve ser a mesma coisa para a Nanami-san.

— Difícil, você quer dizer?

Ouvindo Kikuchi-san, eu senti sua natureza calorosa mais do que nunca. Mas suas palavras também me deram muito para pensar.

— Desculpe, não consegui completar a tarefa da Kikuchi-san.

Eu disse para a Hinami durante nossa reunião depois da escola.

Ela franzia a testa.

— ...Eu não achei que fosse tão difícil.

Ela estava evidentemente de mau humor. E ela estava certa de que eu poderia ter completado a tarefa se tivesse tentado. Mas eu expliquei as circunstâncias — começamos a falar sobre Mimimi, e o clima simplesmente não parecia certo. Claro, eu pulei as partes envolvendo a própria Hinami.

— Entendo... Você está certo de que a situação não é a melhor agora.

— Sim. Mimimi está se esforçando um pouco demais.

Depois de conversar com Kikuchi-san, passei um tempo pensando. O problema não parecia se limitar à corrida. Quanto mais tempo ela ficava no treino, menos tempo tinha para estudar, então provavelmente estava se esforçando ao máximo apenas para acompanhar.

— Sim. Mas... bem, eu não sei. Se ela continuar tentando igualar meu cronograma de treinos, pode se tornar um problema. Mas se ela parar em algum momento, ficará bem...

— Sim, acho que sim.

Até agora, o pior que aconteceu foi que ela se esforçou demais e adormeceu na aula. Seria bobo levar a situação atual muito a sério.

— Vou tentar mencionar isso para ela casualmente... embora minhas opções sejam muito limitadas aqui.

Hinami olhou para baixo.

— Sim, é verdade.

— Porque de certa forma — eu sou a causa do problema.

— Se você colocar dessa forma...

Então ela sabia. Ela entendia por que Mimimi estava agindo de forma tão imprudente ultimamente. Claro que ela sabia. Ela era Hinami.

— ...Dadas todas essas especulações conflitantes e o fato de que o pior resultado disso até agora é que ela adormeceu na aula algumas vezes, a melhor política pode ser esperar para ver o que acontece.

— Sim... acho que sim.

— Farei o que puder e deixarei o resto com ela.

— Sim, isso faz sentido.

O clima ficou ligeiramente sombrio.

— Mas...

A palavra da Hinami cortou o pessimismo.

— Dada sua posição, talvez você possa dar alguns conselhos a ela.

— Eu?!

Hinami me olhou solenemente.

— Talvez pensar nisso deva ser uma de suas tarefas.

Após nossa reunião, fui para a biblioteca e comecei a ler um livro do Andi, mas logo comecei a fingir que estava lendo, enquanto afundava profundamente em pensamentos sobre várias coisas — Mimimi, Tama-chan, o que Hinami tinha dito para mim.

A ansiedade que eu sentia era tão vaga que nem sabia no que pensar.

Mimimi poderia voltar para a escola amanhã como ela era antes, e tudo estaria acabado como se nunca tivesse começado. Eu sabia que não deveria pensar muito nisso por esse motivo, mas não conseguia deixar de me preocupar.

Hinami mencionou — minha posição — eu senti que essas palavras poderiam ser úteis, tanto para resolver o problema quanto para me dar alguma experiência. Além disso, ela transformou isso em uma tarefa. Não é que eu quisesse ser intrometido — eu tinha razões reais para me envolver.

Sentei lá por um tempo e eventualmente chegou a hora em que todos, exceto Hinami e Mimimi, estavam terminando as atividades do clube. Eu fui para nossa sala de aula, imaginando que Tama-chan estaria lá em breve.

— ...De volta de novo, Tomozaki?

Tama-chan tinha chegado antes de mim e começou a falar assim que abri a porta.

— Sim.

Ela olhou pela janela.

— Minmi está exagerando um pouco.

— Achei que sim.

— Ela só quer vencer?... Ouvi dizer que Aoi é a número um em quase todos os eventos na corrida.

— Ah-ha-ha... faz sentido.

Sim, Hinami era assustadora.

— Eu me pergunto o que devo fazer.

Tama-chan parecia genuinamente incerta.

— Sim, eu também.

Eu também não sabia. Tudo o que eu podia fazer era repetir as palavras dela.

— Será melhor impedi-la ou não?

— Oh...

Eu percebi algo.

— Devo impedi-la antes que seja tarde demais? Ou devo deixá-la alcançar seus limites sozinha?

— ...Sim, me pergunto.

Esse problema era muito difícil para um iniciante como eu.

— Você acha que ela está caindo no sono na aula por praticar demais?

— Sim, com certeza. Ela está se esgotando lá embaixo agora.

— Hum...

Nós dois olhamos pela janela enquanto conversávamos. Mais uma vez, ficamos até eles terminarem. Mesmo quando a força de Mimimi diminuía, ela continuava acompanhando a força imparável do esforço que era Aoi Hinami.

Eu tinha que respeitá-la por isso. Ainda assim, mesmo que ela estivesse bem agora, eu não podia deixar de ter uma suspeita de que, em algum momento, de alguma forma, ela começaria a ceder.

Tama-chan e eu fomos para o campo, ajudamos a limpar e começamos a voltar para casa com Hinami e Mimimi. O clima estava tão alegre quanto sempre. Na estação próxima da escola, nos separamos.

Hinami foi para um lado e o resto de nós foi para o outro. Mesmo depois que nós três ficamos sozinhos, Mimimi conversava tão animadamente como sempre. Ela e eu morávamos perto da Estação de Kitayono, então descemos juntos lá.

— Ufa! Está tão agradavelmente fresco à noite!

Mesmo que os dias fossem longos nesta época do ano, já estava completamente escuro lá fora. Porque vocês duas treinam tanto, moças.

— Sim.

Murmurei sem entusiasmo.

— O que há de errado? Constipado?

Mimimi estava agindo tanto como ela mesma que, se não fossem pelas palavras de Tama-chan e Hinami, eu nunca teria imaginado que ela estava fingindo. Mas eu tinha decidido perguntar a ela aqui e agora.

— Um...

— ...O quê?

Ela perguntou, um pouco defensiva quando percebeu que eu estava nervoso.

— Há algo que eu quero perguntar...

— O quê?

Inspirei profundamente e soltei.

— Como uma amiga que queria vencer a Hinami tanto quanto você e que lutou ao seu lado...

Este era o trunfo que eu tinha passado horas tentando encontrar com base no comentário de Hinami. Se isso não funcionasse, eu não seria capaz de ajudar.

— ...O quê?

Mimimi soou mais séria do que o normal.

— Você está se esforçando tanto agora porque ainda quer vencê-la... não está?

Ela me lançou um olhar complicado, depois suspirou de frustração.

— Tomozaki, isso foi traiçoeiro, se chamar de minha camarada de armas! Você sabe que não posso mentir para você agora!

Ela riu, mas eu podia ouvir a tristeza em sua voz.

— Então estou certo?

— Não.

Ela disse com um sorriso envergonhado, depois fez uma pausa.

— Não estou me esforçando demais. Ou talvez esteja. Mas pensei muito sobre o que estou fazendo.

— O que você tem pensado?

Eu me perguntava o que ela queria dizer.

— É assim: eu sei que será difícil, mental e fisicamente. Mas... não tenho certeza de como colocar isso exatamente... Mas acho que você entenderá, então tentarei explicar.

— ...Está bem.

Empurrei para baixo o desejo de sair dessa com falsa humildade (Não sou normie — nunca entenderia) e apenas concordei silenciosamente.

— É tão difícil que sinto vontade de desistir agora, mas se fizesse isso, acho que me sentiria pior.

Engoli em seco. Ela olhou para mim com determinação feroz.

— Ah.

Eu não tinha mais nada a dizer.

Esses eram seus verdadeiros sentimentos. Ela nem mesmo tinha contado a Tama-chan. Ela estava se esforçando insanamente agora, ela queria desistir. Mas se fizesse isso, perder seria ainda pior. Era isso que ela estava dizendo.

— Sim... entendo seu ponto de vista.

Se esse fosse o caso, eu não tinha nada a dizer. Eu sabia o quanto era ruim desistir de algo no meio do caminho e perder. Foi por isso que tudo o que eu podia fazer era ficar em silêncio. Seria errado para mim — para um nanashi — condenar o que ela estava fazendo.

— Nesse caso...

Eu não podia desconsiderar tudo o que ela compartilhou comigo sobre ficar em segundo lugar o tempo todo. Eu sabia o quão doloroso seria desistir no meio do caminho e tinha visto aquele leve sorriso em seus lábios.

E eu sabia como era olhar para alguém especial e querer fazer o que fosse preciso para atingir aquele nível você mesmo. Foi por isso que decidi que, como jogador, como alguém que odiava perder, eu tinha que respeitar a decisão dela.

— Nesse caso... faça o seu melhor.

Eu não era um hipócrita; não impediria uma pessoa que jogava para vencer e estava trabalhando o máximo que podia para torná-lo realidade.

Devo impedi-la antes que seja tarde demais? Ou devo deixá-la alcançar seus limites sozinha? Havia apenas uma resposta que um jogador poderia dar a uma garota com a determinação de vencer:

Tenha sua vingança pela eleição antes de eu fazer.



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