Volume 5
Capítulo 5: A Competição Gera Evolução ①
Terça-feira, 03 de outubro.
É meu dia de folga, isso quer dizer que posso participar em qualquer atividade que queira. E segundo o cronograma de atividades, há apenas a corrida de 100m que me interessa. Dessa vez fui ao spot D-17 para realizar a prática. Como fiz o aquecimento diário indo de bicicleta, consegui alcançar o segundo lugar com algum esforço.
— Oh, você foi ótimo! — elogiou Inuzuka, que pegou o primeiro lugar. — Os treinos diários te serviram muito bem, hein!
Suspirei como resposta, recuperando o fôlego. Nós dois caminhamos aos próximos spots em que tinham conhecidos durante o período da manhã, e em um deles foi programado o jogo de vôlei e logo após será a corrida de obstáculos.
Yonagi está jogando contra a classe D no spot E-03, o time feminino do grupo branco se mostrou balanceado. As garotas tinham treinado muito, pois estão liderando o jogo e quase nunca cometeram erros. No time de Kumiko há Chinatsu, mas a equipe no geral foi imbuída de intrigas entre si. Yonagi, no entanto, coordenou suas posições com as outras colegas, incluindo Nana da minha classe.
Essa garota tem uma estranha mania de que quando se exercita ou faz alguma atividade, amarra o cabelo num rabo de cavalo e sua expressão fica confiante. Ela é uma pessoa bastante competitiva, hein?
Nana fez um levantamento para Yonagi após bloquear o ataque inimigo, que fez um corte limpo no meio do campo. Veio a rotação, e ela foi designada para realizar a cortada. Ela inspirou e lançou a bola, fazendo um corte rápido junto a respiração que liberou, acertando dentro da área. A torcida vibrava com o ritmo do jogo, justamente pois Yonagi era praticamente imbatível quando está sob posse da bola.
— Mais um ponto! Mais um ponto! — As garotas gritam para Yonagi, que exalou um sorriso confiante e realizou a mesma sintonia de antes, desferindo um corte rápido da qual suas oponentes não conseguiram bloquear por completo, a bola foi rebatida de maneira desajeitada, e Kumiko tentou fazer um rebote para atacar, mas escorregou no meio do campo e deixou a bola cair no chão.
— Acabou o jogo! Vitória do grupo branco! — exclamou o juiz, e as garotas comemoraram. Todas se reuniram (incluindo a torcida) para vangloriá-la, tão exasperada pelo fôlego que apenas sorriu com as bochechas rosadas.
— Que jogo incrível... — murmurei, surpreso ao vê-la assim. Inuzuka, no entanto, apesar de estar ao meu lado, está prestando em outra coisa.
— Jogos femininos são sensacionais! Nem sei direito pra onde devo olhar... — Sua linha de visão foi concentrada às vezes abaixo da cintura das garotas, às vezes em seus bustos... bem, é o Inuzuka, afinal.
Aproveitei para ver o jogo de vôlei do primeiro ano masculino no spot E-11. E o time vermelho ganhou por pouco, os garotos comemoraram aos berros, enquanto Teru repousou no banco. Ele parecia estar bem exausto...
Em seguida, veio a corrida de obstáculos no spot H-18, da qual Yonagi teve a maior vantagem na pista de atletismo. São 150m de corrida, mas a dificuldade foi bem maior. Percebi que a maioria das garotas disputando são atléticas, mas a exímia presidente do clube de literatura tinha um ritmo diferente das outras. Finalizou em primeiro com folga e, Kumiko terminou em quarto lugar.
Perdurei algum tempo procurando mais informações, mas não consegui descobrir quem dos melhores selecionados do ranking estivesse envolvido com Kumiko e Gotou.
Na corrida de obstáculos masculina no spot H-19, Takahashi levou a melhor junto com Inuzuka, Yotsuka e Kawashita. Eles são páreo duro aos outros competidores. Seguindo a precisão da análise do professor de educação física, todos eles possuem sentido de espaço e agilidade em cada movimento que realizam. Os assistindo saltar os obstáculos fez qualquer um pensar que era algo fácil de se fazer.
O sol esteve radiante naquele dia também, e segundo a previsão do tempo, só ficará nublado no final da tarde de quinta-feira. Esperava que quando chover já esteja em casa, descansando.
***
Dessa vez, tive que ter a certeza de que venceria Kumiko.
O último jogo foi vitória do time vermelho, então precisava conseguir um resultado positivo desta vez, e deu tudo certo.
As garotas do time de vôlei me rodearam e todas nos abraçamos. Eu fiquei extasiada em reagir de outra forma senão sorrindo. Estávamos todas cansadas, mas felizes.
Na corrida de obstáculos, recebi todos os olhares. Foi como se toda a escola estivesse me observando. Corri triunfante ao ver que Kumiko foi completamente derrotada, a ponto de estar enfurecida. Assim que a corrida terminou, me dirigi ao bebedouro a fim de me refrescar. Dei vários acenos para todos que torceram por mim ao longo do caminho. Logo, Himegi apareceu e me entregou uma garrafa d’água.
— Incrível! Você conseguiu duas vitórias consecutivas! Kumiko deve estar vermelha de raiva!
— Sim... — exalei. — Mas não queria que isso fosse exatamente uma disputa por inimizade. Se bem que diante de tantas tentativas de ela querer me prejudicar, tive que mostrar de algum jeito que estou forte como nunca.
— Você tem toda razão! Afinal de contas, quem começou tudo isso foi ela, né?
— Você colocando desta forma, até me magoa... — soou a voz de Kumiko próxima a nós. Nos dirigimos a ela, se aproximando a passos lentos. — Não me lembro de ter te tratado mal como sua veterana, Himegi. Parece que você é uma pessoa ingrata, depois de tentar te ajudar com seus objetivos assim que ingressou aqui.
— Você só pode estar brincando! — retrucou Himegi. — A única pessoa ingrata aqui é você!
— Deixa de ser patética, garota. Não aja como se tivesse alguma relevância sobre o que aconteceu antes... — debochou Kumiko. Em seguida, ela se dirigiu a mim: — Está contando vantagem por ter me vencido nessas partidas? Como você é infantil...
— O fato de ter apontado isso é o que a torna infantil, Kumiko — ressaltei, impassível. — Suas ameaças ou sua cara feia não vão me intimidar.
Apesar do que disse, Kumiko manteve a mesma expressão zombeteira no rosto. Porém, conhecendo-a, era justamente um sorriso furioso. Ela está tentando manter sua imagem imponente a todo custo...
— Não tenho dúvidas de que você é uma das pessoas da qual estão confiando tanto nesse evento, Yonagi — sibilou Kumiko. — Desde os membros do Conselho Estudantil até mesmo os professores e coordenadores. Ter de ficar ouvindo seus elogios direcionados a você me deu vontade de vomitar todas as vezes...
— Parece que excesso de bom senso te faz passar mal, então... — provoquei. — O que não me surpreende, no entanto.
— Palavras fúteis entram por um ouvido e saem pelo outro, sua maldita. — Kumiko grunhiu. — Estou ansiosa pra ver sua cara de desagrado quando perder pra mim. Se vangloriar por fazer brincadeiras infantis não vai te deixar na frente no fim.
— Cuide da sua vida, sua...! — Himegi se exaltou, mas a detive.
— Himegi, não se remeta a essa ignorância. Por favor, encha essa garrafa d’água pra mim no bebedouro enquanto termino de lidar com ela.
— Yonagin... — Himegi me encarou, mas aceitou meu pedido e se afastou.
— Quero mesmo falar com vocês a sós. — Kumiko apontou para uma área mais afastada do ginásio. — E sem que ninguém nos atrapalhe, de preferência.
Nós começamos a caminhar e, quando estávamos bem afastadas do resto da multidão, tornei a falar:
— E então? O que você quer...
De repente, Kumiko me atacou com um chute direto no rosto, da qual me desviei de imediato por puro reflexo. Ela dobrou o corpo e desferiu outro chute em direção à minha costela, em que defendi com as mãos nuas. Subitamente, recuei alguns passos.
— O que está fazendo?! — indaguei, chocada.
— Quero tirar esse sorriso de satisfação da sua cara, Yonagi! Apenas isso... — rosnou Kumiko. — Guarde minhas palavras, vou te derrotar em nosso próximo confronto!
— Podemos fazer isso a qualquer momento, mas não desse jeito! — ressaltei. — Enlouqueceu de vez?!
— É, tem razão. Podemos até nos enfrentar competindo nas provas e nas colocações de ranking, mas há uma certa emoção de querer ser a melhor desta forma, não acha?
Ela ficou em posição de combate, mesmo sendo uma amadora. No entanto, não alterei minha postura. Em vez disso, suspirei:
— Não vou lutar contra você, é absolutamente desnecessário. Além disso, sei usar artes marciais. Se você não está nesse nível, não vale o esforço de querer competir neste quesito, Kumiko.
Ela grunhiu. Parece que acertei meu palpite a seu respeito. Não são todas as garotas que buscam esse tipo de defesa pessoal caso queiram se tornar as mais populares.
O mais estranho nisso tudo, é que o olhar intenso de Kumiko se mostrou diferente de todas as outras vezes que nos encaramos de tal forma, não através pela intenção de brigar, mas na maneira como achava graça em querer brandir seus punhos.
— Mesmo assim, ainda vou te derrotar! — guinchou ela. — Pode não ser hoje ou amanhã, mas em algum momento irei tirar este orgulho da sua cara! E vou ter o prazer de desferir um belo soco no seu rosto!
— Não sei o que pretende, mas podemos nos enfrentar nas provas quando quiser. De resto, lamento dizer que nunca me vencerá numa briga — disse, virando as costas em direção ao campus. — Já vou indo...
Andei alguns metros com a cabeça fervilhando, até que uma risada ecoou próxima de mim.
Veio de um garoto alto e musculoso de cabelos vermelhos, parece ser de algum time esportivo, mas usa a camisa do grupo vermelho. Não entendi suas intenções, mas tive a impressão de que está rindo de mim — sem entender o porquê —. Suspirei e tornei a caminhar. Porém, aquele garoto alto bloqueou o caminho e me encarou de maneira perversa. Está se exibindo presunçosamente, o que se passa na sua cabeça?
— Você é a Yonagi do clube de literatura, não é?
— E se eu for? Quem é você? — O indaguei. — O que quer comigo?
— Quem eu sou não interessa — ignorou o garoto. — Isso parece que vai ser mais interessante do que imaginei.
— Hein?
— Quando disse à Shiroyama que deveria prestar atenção em quem está ao seu lado, o deixei em choque, sabia? — desdenhou Gotou, rindo. — Será que aqueles olhos de zumbi vão saltar de sua cara se eu te fizer alguma coisa?
— O quê?
Meu corpo enrijeceu. O que o Shiroyama tem a ver comigo pra ser ameaçado por esse cara?
— Se bem que... até que você é bem bonitinha, hein? Devo dizer que considero um desperdício fazer algo com alguém que chama bastante atenção... a vida é realmente injusta, né?
Gotou riu, andando em minha direção.
Fiquei paralisada e confusa, sem conseguir entender a razão desse cara agir contra mim. Mas ao ver tamanha cena, algo ficou claro para mim.
— ...é claro. Foi a mesma coisa, então... — disse, baixinho.
— Hein? O que você disse?
Aquela foi a mesma opressão que sofri de Oguro, que se sentiu no direito de fazer o que quisesse. E nessa ocasião, Shiroyama surgiu e me protegeu. Ainda, não quis intervir para que me recuperasse sozinha quando me afastei de todo mundo.
Então, dessa vez ele que está sendo ameaçado por esse garoto arrogante e ainda ficou chocado de que outras pessoas fossem vítimas? Sou considerada tão próxima assim em sua concepção? Ele esteve reagindo tranquilamente daquela forma para não querer preocupar ninguém ao seu lado, de novo? Quanto tempo isso vem durando? Por qual razão?
Não, isso não importa agora. A questão é que ele está suportando toda essa pressão por conta própria e ainda conseguiu demonstrar como se pudesse controlar a situação.
Apesar do seu jeito desajeitado, ele possui uma tamanha convicção. E por causa disso, acabou convencendo a todos nós que pode ser capaz de tal coisa. Por isso, passei a querer ver essa determinação. Após compreender suas intenções, meu coração se acalmou e por isso sorri naquele momento.
— Por que você está sorrindo? — indagou o garoto, confuso. — Vou ter que explicar de novo em que situação você está, agora?
— E por que deveria me preocupar com uma ameaça frágil dessas? — suspirei, encarando-o. — Acha que só porque você é um garoto, tenho que ficar desesperada e implorar por ajuda?
Ele reagiu e se aproximou rapidamente. Assumi a postura de combate e desviei subitamente dos seus braços, desferindo um chute certeiro em sua canela. O garoto se desestabilizou e aproveitei para acertar um golpe de mão aberta em seu rosto, mirando em seu queixo.
— Como... me deixou tonto? O que está... acontecendo?!
Desferi um chute diretamente na sua caixa torácica, que o deixou sem ar. Ele se encolheu, sofrendo de dor.
— Eu estou apenas um nível abaixo da faixa preta em Karatê... — expliquei. — Lutas como essa não me abalam, mesmo que o inimigo seja maior do que eu. Veja, só precisei de poucos segundos pra te deixar de joelhos.
— Como pode ser... tão forte? — Ele tossiu.
— Não importa quem você seja contra mim. Desde o início minha convicção foi maior que a sua. Você apenas quis me intimidar pela sua arrogância de que sua força poderia me subjugar. Nenhum músculo pode superar a convicção de um coração decidido.
— Droga...
— Então, cale-se... — endireitei minha postura. — Você só deve mostrar seu orgulho quando sabe que pode ganhar uma disputa. Só porque sou uma garota, não tenho que abaixar a cabeça pra você. Vou deixar essa abordagem passar já que foi totalmente fútil e nada aconteceu, mas lembre-se que se tentar algo do tipo novamente terá graves consequências. E entenda... não hesitarei em subjugá-lo.
O garoto grunhiu de dor, mas não se mexeu. O golpe foi efetivo o suficiente para deixá-lo imóvel para que pudesse me afastar sem ser perseguida depois.
Rapidamente, me afastei dali. Meu peito ainda batia forte e vários pensamentos circundaram a cabeça... como devo reagir a tudo isso?
***
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