Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 5

Capítulo 5: A Competição Gera Evolução ②

O horário de almoço teve início e, decidi tomar algumas precauções nesse meio tempo. Restando meia hora para o retorno das atividades, recebi uma mensagem de Himegi dizendo que deveria encontrá-la próximo ao spot F-09, que se encontra dentro do pátio central. Me deparei com todos do clube de literatura almoçando ao ar livre, em um estranho piquenique.

— Shiro, aqui! — Himegi exclamou balançando seus braços. Me aproximei e sentei próximo a ela.

— O dia está mesmo quente, né? — murmurou Kuroi, abanando o rosto com as mãos.

Estávamos debaixo de uma pequena árvore dentro do pátio que gerou uma sombra generosa contra o calor escaldante. Peguei meu almoço e estou prestes a comê-lo, quando percebi que Yonagi cochilava encostada no tronco. O fato de permanecer em silêncio quase não me fez perceber tal fato.

— Ela se esforçou bastante nas atividades da manhã, né? — murmurou Himegi, de soslaio.

Era algo que não tinha notado até então, mas houve mais garotas competindo no que o dia anterior. Analisando as atividades do dia, entendi a razão. Parece que a escola havia planejado intercalar o ritmo dos estudantes variando a grade das atividades entre garotos e garotas.

Como aquele foi um dia mais tranquilo para mim, pude ver mais atividades acontecendo. Dito isso, as equipes de torcida, decoração e dança terão seu espaço no dia. Se bem que no encerramento serão os jogos de futebol e era provável que as garotas estivessem esperando por aquele momento pela exibição dos jogadores mais bonitos ou algo assim... coisas de gente social, né.

Por ser um dia da qual não importa qual será minha pontuação, me inscrevi na corrida de 200m novamente. Porém, não consegui ficar nem entre os cinco primeiros. Que dureza.

Logo vai começar as apresentações de dança e dança rítmica, além do apoio da torcida. Estranhamente pensei que Kuroi estivesse entre os grupos de dança, mas a vi entre as torcidas do primeiro ano a caráter... completamente tímida. Eu e Yonagi ficamos assistindo junto ao público às apresentações do primeiro ano.

— Você vai participar também?

— Não. Não tenho o mínimo interesse em dança... — murmurou Yonagi. — Himegi fica cintilante usando aquelas roupas de torcida, mas eu tenho muita vergonha de fazer apresentações...

— Bom... quer dizer que você é mesmo uma garota dos livros, não de dança...

— Que tipo de distinção é essa? — Yonagi riu, sem jeito.

Hum... se Yonagi e Kuroi estivessem competindo para ver quem seria a mais fofa quando ficam envergonhadas... que escolha difícil!

— No entanto, as garotas da minha classe ficaram insistindo que me inscrevesse... — Ela continuou. — A minha sorte foi que fiquei encarregada de ser a representante de humanas da classe E...

Ela ficou cabisbaixa por alguma razão, tentando ocultar o rubor do rosto. Porém, foi uma tentativa completamente inútil pois me fez querer vê-la assim ainda mais! Yonagi 1x0 Kuroi!

— Você diz isso... — pigarreei. — Mas você foi muito bem no jogo de vôlei.

A apresentação esteve em andamento, e mantive meus olhos nisso. Yonagi não me respondeu.

— Você é incrível, mesmo... — continuei. — Deve ser difícil manter a posição como uma das melhores da escola nos estudos e também ser boa nos esportes. Parabéns pelo seu esforço.

Ouvi um súbito suspiro dela, e visualizei por soslaio um sorriso em seu rosto sereno. Seus olhos ganharam um brilho forte, da qual parecia que nada os abalaria. Parece que as vitórias que andou recebendo a deixaram mais conscientes dessas qualidades.

— Não são muitos que elogiam alguém por estar no topo... — murmurou Yonagi, provocante. — Geralmente quem tenta me elogiar só fala da boca pra fora na tentativa de me bajular.

— Espero conseguir chegar nestas posições — acrescentei. — Assim, não vou precisar ficar na cola da supervisora...

— Tem certeza? Só terá ainda mais acúmulo de trabalho se estiver entre os dez melhores.

— Sinto que daqui pra frente terei cada vez menos tempo para dormir... — retruquei, o que a fez rir.

— Também queria te elogiar pelo trabalho que teve ontem. Vi que você se dedicou bastante. Não achei que uma preguiça teria tanta força de vontade de ser um dos melhores em uma competição esportiva. Oh... quis dizer zumbi.

— Porque você mudou a denominação se são a mesma coisa, praticamente...? — retruquei. — E se for por um motivo valioso, então vale a pena. Decidi que devo proteger tudo aquilo que me faz sentir bem.

— Tudo... o que te faz sentir bem?

Nesse momento, a apresentação do primeiro ano terminou e houve uma salva de palmas. A conversa se abafou por causa do barulho repentino, da qual apenas devolvi um sorriso para Yonagi, que me encarou confusa.

Em seguida, teve início a apresentação de dança do segundo ano. Chinatsu decidiu participar como parte do grupo vermelho e pareceu tão radiante quanto o sol. A bela garota loira atraiu a atenção de todos com sua beleza estonteante... se ela fosse uma heroína de série, com certeza seria a líder de torcida!

Himegi veio ao nosso encontro, ofegante e feliz. Kuroi veio atrás dela ainda envergonhada por usar roupa de torcida.

— Vocês foram incríveis! — brandou Yonagi, sorrindo. — Vocês estavam lindas!

— Sim, foi uma apresentação sensacional — complementei.

— Fico muito feliz! — Himegi riu sem jeito, mas contente. De fato, apresentações de dança são muito difíceis, então os treinos de coreografia devem ter sido árduos dado o pouco tempo de prática que tiveram.

— Vocês me viram... certo? Porque não vou fazer isso de novo! — Kuroi veio até nós, aturdida. Pareceu até um certo pirata desajeitado em uma de suas aventuras...

Nós rimos, Himegi também ofegava. Foi como se estivesse mais agitada fitando os arredores do que pela dança em si, mas pode ter sido apenas minha imaginação ou algo assim. Enquanto conversávamos sobre qual atividade deveríamos assistir em seguida, senti um puxão na roupa e vi que era Kuroi, indicando pela cabeça de que queria falar comigo. Inventei uma desculpa de que iria pegar algo para todas beberem e me aproximei de uma barraca próxima com a caloura.

— O que foi?

— Teru não veio falar conosco nem mesmo uma única vez... — disse, cabisbaixa. — Soube que você falou com ele algumas vezes, e queria saber de mais detalhes como ele está.

Não me surpreende de querer abordar esse assunto. O fato de ter esperado tanto tempo para vir conversar comigo foi por estar ponderando sobre a situação e se iria confiar em mim sobre a situação.

— Antes... me responda uma coisa.

— O quê?

— Você gosta do Rentaro mesmo, né?

Ela me olhou aturdida, e depois assentiu a cabeça ruborizada.

— E você não odeia Teru, certo?

— Não tenho razão nenhuma pra odiá-lo, na verdade... — respondeu Kuroi. — Não correspondi suas expectativas, nem mesmo senti algo por ele. Não dá pra dizer que foi culpa de alguém, certo?

— Sim, você está certa. Não foi culpa de ninguém, mas ele se tornou culpado de si mesmo por ter se afastado dessa maneira. Acho que isso é tudo.

— O que você acha que devo fazer?

Ela me encarou com uma expressão genuína de dúvida. O que me surpreendeu foi o fato dela ter ficado realmente desconfortável com essa situação, por mais que tenha aparentado estar apática aos sentimentos de Teru.

— Não há nada que possa ser feito, Kuroi — disse, seco. — Ele se declarou e você o recusou. Não acho que ele seja do tipo vingativo, então não há nada de especial que deva ser feito.

— Ele vai sair do clube por causa disso, Shiroyama...

— Essa decisão surgiu por não querer mais ficar ali. Nunca teve vontade de se inscrever nem para o clube de jornalismo. Foi tudo porque você estava lá. A verdade é essa.

Minha voz saiu mais pretensiosa do que tinha imaginado, Kuroi fez uma careta.

— Achei que ao menos ele pudesse ser alguém sincero consigo mesmo... como devo reagir ao saber de tudo isso?

— Ao meu ver, foi um total descuido da parte dele... — ressaltei. — Por essa razão que não considero um exagero dele sair de um clube que não prefira estar por conta própria.

Parece que terminei de dar por encerrado qualquer tipo de tentativa dos dois voltarem a se entender. Me passou na cabeça que disse mais do que deveria, mas...

— Obrigada, Shiroyama. Ainda estou tentando processar o que estou sentindo por Rentaro, mas...

— Yonagi é... uma boa pessoa, sabe — disse, de imediato.

— ?

— Não sei em que lado ela esteja nesta história, mas se você acha que Teru não foi sincero consigo mesmo, você precisa ser em relação a esse assunto.

— Mas...

— Se todos tiverem medo de avançar em algo, então nada mudará. Se é o que anseia, então corra atrás. Eu mesmo passei por essa mudança, certo?

Houve um momento em que desejei não estar mais no clube por uma desavença com Yonagi, mas tudo acabou se resolvendo e ao retornar minhas atitudes com todos se alterou. Ainda tenho meus próprios objetivos, mas considerei aquilo como algo necessário a ser superado.

— Não acha que é muito egoísta querer que as coisas mudem sem que alguém não seja ferido?

— ...!

Ela me encarou surpresa, mas assentiu. Peguei algumas garrafas d’água e voltamos para onde as outras garotas estão. A apresentação de Chinatsu já se aproximava de seu fim.

***

A última atividade foram os jogos de futebol, da qual Takahashi e Inuzuka participaram com toda garra. Pelo que disseram, o fato de estarem competindo entre si se mostrou um grande desafio. Kazebayashi foi dito como o antigo capitão do time e liderou o time do grupo vermelho.

Apesar disso, o trabalho em equipe de Takahashi e Inuzuka havia melhorado exponencialmente depois do interescolar durante as férias de verão. Mesmo que estivessem competindo entre si, todos mantiveram a empolgação e determinação.

Nesse jogo, porém, Gotou não participou e, além disso, Kumiko veio à torcida de Takahashi, que o motivou em 200%, marcando vários gols em auxílio de Inuzuka. O grupo branco conseguiu mais uma vitória nas atividades de grupo. Parece que Kazebayashi ficou aliviado de não ser mais o capitão do time titular, de certa forma.

Não vi muito do jogo com as outras garotas, pois recebi uma ligação e me ausentei. Me dirigi rapidamente ao vestiário do ginásio, da qual me deparei novamente com Gotou, acompanhado de Juugo. Os dois estão pairados sobre meu armário por alguma razão.

— Imagino que devam ter confundido meu armário, certo? — indaguei. — Outro dia, algum idiota chutou a porta.

— Oh, que pena, não é? — sibilou Gotou, rindo. — Parece que há alguém estressado por aqui, Juugo.

— Bem, não me interessa... — intervi. — Não pretendo usar esse armário por muito tempo, já que não estou em nenhum clube esportivo. Mas imaginei que poderia pegar o culpado por ter feito isso se voltasse aqui novamente. Então, o que estão fazendo aí?

— Não temos nada a dizer pra você — retrucou Juugo. — Vamos para onde quisermos e ficamos onde quisermos. Simples assim.

— Exatamente, Shiroyama — debochou Gotou. — E por que está com tanta pressa de usar seu armário? Só estamos descansando por aqui.

Suspirei, e disse:

— Bem, se não me engano, você tinha uma namorada chamada Yunarashi, certo? Acabei de vê-la passando mal em uma barraca próxima e ela me pediu para chamá-lo com urgência...

— Yunarashi, é? — questionou Gotou. — Ela poderia ter me mandado uma mensagem...

— Duvido que estivesse com o celular, já que as roupas de torcida não têm bolsos... — dei de ombros. — Talvez seja melhor que você fosse lá dar uma olhada.

— Tsc! — Ele grunhiu e saiu do vestiário, mas Juugo permaneceu no lugar.

— Será que você pode se afastar agora?

— Já disse que fico onde quero. E daí que aqui é o seu armário?

— Por acaso está esperando que alguém venha? Pois essa pessoa não virá.

— O quê?

— Professores e corpos docentes estão ocupados demais com as atividades principais, e soube que alguns estudantes desmaiaram por causa do calor, principalmente garotas.

— Mas que...

— Se não acredita em mim, vi uma comoção no vestiário feminino. Parece que todos os professores de educação física foram pra lá.

— Mas que merda é essa?! — Ele correu e saiu do vestiário.

Aproveitei a chance limitada que tive e ao abrir o armário e tirar minhas coisas de lá, coloquei um cadeado. Em poucos instantes, Gotou e Juugo vão voltar para me confrontar, então rapidamente saí correndo dali e peguei outro caminho da barraca mais próxima. Contornei uma boa parte do perímetro da escola e recebi mais uma ligação.

— Eles te pegaram? — disse a voz.

— Não, mas foi por pouco. Já sabe o que deve fazer, certo?

— Não quero me envolver nesse assunto, está entendendo? — retrucou a voz.

— Não se preocupe. Só precisamos continuar com isso até o final do Festival Esportivo. Preciso desligar.

Terminando a ligação, fui até o bicicletário e dei uma desculpa dizendo que precisava ir no médico para ir embora.

***

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