Volume 5
Capítulo 4: Começa o Festival Esportivo ③
Não sou alguém tão adepta assim aos esportes, mas sempre tive práticas de exercícios — dado a experiência aos longos anos no dojo de Karatê —. Depois do período do almoço, teremos uma hora de descanso antes do começo das atividades da tarde. A escola nos forneceu uma refeição calorosa para que todos pudessem recuperar suas energias.
Infelizmente, o grupo do segundo ano feminino perdeu no cabo de guerra. Precisamos evitar a todo custo ter mais perdas nas atividades em grupo nos próximos dias.
Depois de almoçar, resolvi tomar fôlego em uma sombra de árvore dentro do pátio central. O sol está tão escaldante nesse início de tarde que me senti dentro de uma sauna. Estou afastada de todos, tentando refrescar a mente. Achei que com minha resistência, poderia conseguir vencer a disputa sem muitos problemas. No fim, a coordenação de Kumiko foi certeira. Ainda tenho um longo caminho pela frente para poder me comunicar melhor com quem está ao meu redor.
— Ah, aí está você! — Uma voz conhecida se aproximou. — Você gosta mesmo de comer sozinha, Yonagin...
— Himegi... — murmurei seu nome. Ela está com um traje de torcida. — Seu grupo venceu o cabo de guerra, não? Parabéns.
— Deixa disso. Isso para nós realmente não importa, certo? — Ela se sentou ao meu lado. — Não precisa ficar desse jeito por apenas ter perdido aquela disputa, por mais que Kumiko seja irritante…
— Fiquei em parte por causa disso, mas também de que posso estar perdendo para ele...
— Você... não escolheu ninguém pra ser seu apoio?
— Não. Pelo contrário, houve muita gente da classe querendo que eu fosse o apoio, mas no fim, ninguém veio até mim. Se ao menos tivesse uma comunicação boa, teria sido uma ótima oportunidade de me entrosar melhor.
— Yonagin...
— Sei que isso é uma completa bobagem, mas gostaria de poder me expressar melhor. Há tanta coisa que tenho facilidade, porque logo uma coisa simples dessas é tão difícil pra mim?
Visualizar a influência que meu amigo Rentaro tem nas pessoas ao redor, o jeito como Sakuya se expressa e a forma como Shiroyama lida com as situações que se depara... sinto um buraco no meio do peito que deve ser preenchido a qualquer custo.
Himegi deu um sorriso e fechou os olhos, se deitando em minha coxa. Fiquei um pouco surpresa, mas ela parecia estar tranquila:
— Você deve é parar de forçar tanto a si mesma. Veja, eu não me imaginaria estar desse jeito a sós se fosse há alguns meses atrás.
— É, talvez tenha razão...
— Você está mudando aos poucos, só não está enxergando isso... — Ela me encarou com um largo sorriso. — E é o que está acontecendo com o Shiro também. Ele parecia ser muito tímido usando aquela máscara, mas se mostrou ser uma pessoa observadora. Vocês dois estão crescendo sem nem perceberem.
Era curioso receber aquele tipo de comentário de alguém com quem se convive durante todo tempo. Isso, no entanto, me deixou muito feliz.
Diante de tudo o que aconteceu durante as férias, não recebi mais notícias. Meu tio resolveu não me mandar mais mensagens e minha família aconselhou para que não insistisse. Como se estivesse lendo minha mente, Himegi disse:
— Não recebeu mais notícias de Oguro?
Neguei com a cabeça.
— Ainda estive tentando compreender o que foi que aconteceu naquela noite, mas já me sinto melhor comigo mesma...
Na verdade, desde que realizei a cerimônia no dojo, tive a sensação de que minha mente se desvaneceu. Até então, não havia percebido que a intensidade desses problemas tinha criado um senso distorcido ao meu redor, retardando a tomada de ações. Sinto com mais clareza o que há em meu caminho à frente, apesar das incertezas.
— O que você pensa de Oguro? Ele é seu primo, mas te causou muitos problemas antes, não foi?
— Meu primo... ele se tornou dependente de mim quando estudávamos juntos, e acabei aceitando isso. Porém, tentei cortar essa dependência e não teve mais volta. Ele traiu minhas convicções e me fez cogitar que as pessoas podem se tornar dependentes dos outros sem nem perceberem, e não quero isso.
— E se você pudesse falar com ele em algum momento sobre isso? Acha que isso poderia te mudar ou teria alguma mudança?
— Não sei. Acho que sim. Mas, preciso pensar no que devo fazer por agora primeiro. Pode ser que nunca mais veja Oguro na vida, também.
— Então, não se arrependa. — Himegi se levantou. — E viva sua vida. Além disso, não acho que nessa disputa só precise ter um lado vencedor.
Sorri pela resposta.
— A vida não é tão simples assim, Himegi. Mas seria bom que as coisas pudessem se tornar fáceis em alguns momentos.
— Você está mudando, e sinto que se tornará alguém que poderá mudar os outros.
— Você acha?
Ela se virou para mim com um largo sorriso:
— Eu já sinto que minha vida está mudando para melhor tendo toda a companhia de todo mundo do clube!
Apenas sorri como resposta, mas senti algo parecido. Himegi, pegou minha mão e me levantou, conduzindo-me pelo campus, dizendo:
— Rápido! A próxima competição está prestes a começar! Vamos torcer para um certo preguiçoso!
***
O período das atividades vespertinas começou, e a primeira delas foi a corrida de 200m. Como passei o resto da manhã sem fazer qualquer tipo de esforço, estive preparado para correr mais uma vez.
Junto a mim, Kuwasabe e Takahashi e mais colegas de classe estão inscritos. Eles parecem estar abatidos.
— O cabo de guerra foi cruel demais... estou exausto! — retrucou Kuwasabe. — Não deveria ter optado em escolher essa atividade depois do almoço, droga!
Estávamos no spot C-18, próximo a um dos ginásios. Como não vi o decorrer do cabo de guerra, fiquei surpreso com o fato de Takahashi também estar cansado... ainda há mais atividades programadas para mais tarde, o que não é um bom sinal.
— Descanse, Takahashi. Eu assumo por você.
— Hein?
— Não esqueça dos pontos de apoio. Se não estiver capaz de participar das atividades em grupo que dão mais pontos, isso poderá nos deixar com problemas. E outra, estou mais descansado do que você.
Takahashi não pestanejou, aceitou a oferta e foi falar com o professor. Dito isso, nossa classe ficou com um participante a menos, me dando uma carga duas vezes maior. A corrida de 200m é mais extensa que a anterior, mas o princípio é o mesmo. Inspirei fundo e avancei com tudo quando o apito ressoou. Assim como Takahashi, vários outros alunos estão exaustos pelas atividades da manhã e consegui ficar em terceiro lugar, garantindo 8 pontos junto aos pontos de apoio.
Assim que a corrida terminou, me reuni com Takahashi.
— Se não me engano, as garotas também participaram do cabo de guerra de manhã, certo? Como elas se saíram?
— Elas perderam — proferiu Takahashi, ainda descansando. — Podemos estar passando por apuros, mas não sei como está a colocação geral.
— Entendi. É mesmo uma pena... — comentei. — E onde está Inuzuka?
— Está descansando no spot E-12. É para onde vamos agora.
— A batalha de cavalaria.... não é?
A batalha de cavalaria é um evento em grupo. A classe C vai enfrentar uma das classes inimigas em um dos campos de vôlei. Teremos que roubar a bandeira inimiga localizada do outro lado com alunos carregando uns aos outros. Uma disputa sangrenta está por vir.
Quando chegamos no spot, Inuzuka estava deitado sob uma das barracas. Ele aparenta estar confiante, apesar do cansaço. Ele é um guerreiro páreo duro, hein!
— Finalmente! Está pra começar! — comentou Inuzuka. — Qual vai ser nossa formação?
— Eu, você, Shiroyama, Kuwasabe e Ota — explicou Takahashi. — Mas quem ficará no topo será você, Inuzuka.
— Hum, eu?
— Você se esforçou bastante no cabo de guerra — intervi. — Takahashi também, mas ele tem mais resistência. Como você tem fibra e consegue afugentar os outros como um buldogue, será a pessoa perfeita para ficar em cima.
— Está me chamando de cachorro?!
— Vamos, vai começar! — expressou Takahashi.
Em poucos minutos, a quadra se encheu de alunos. Será um embate único, em vez de classe contra classe como foi com o cabo de guerra. Serão três grupos montando cavalaria e um grupo protegerá a bandeira.
Infelizmente, Gotou está do outro lado. Ele é muito alto e robusto, então ele ficou como base de cavalaria, mas seu time não deixou de ser intimidador. A formação deles é perfeita.
— Aquele que está suspenso na equipe do Gotou é justamente o Juugo. Ele é muito ágil... — murmurou Yotsuka, nervoso.
Nas regras da batalha de cavalaria, aqueles que saem do jogo são quem perdem suas bandanas, que valem 10 pontos para cada um. O indivíduo pode colocá-las na testa ou como fardos nos braços. Além disso, um único grupo tem até duas tentativas se caso perdessem a bandana, senão serão dados como derrotados.
Dividindo o peso de Inuzuka para nós quatro, podíamos nos mover relativamente rápido, mas sermos ágeis se tornou outra questão. O professor apitou para as partidas começarem. Foi a minha primeira atividade em grupo, então não estive preparado para recebermos o grupo de torcida da minha classe. Nana e algumas outras garotas vibravam para nos motivarem, balançando suas saias e movimentando pompons. Oh... roupas de torcida são realmente incríveis, não?! Vê-las dançando e gritando nossos nomes — ninguém disse o meu, no entanto. — Nos gerou uma animação absurda de seguirmos até o fim! É essa a sensação de receber a torcida de alguém, então?
Entre elas, Yonagi e Himegi estão presentes. Da qual a graciosa garota de curtos cabelos castanhos também pôs sua roupa de torcida e fez a talentosa presidente do clube de literatura balançar um dos pompons.
— Vocês conseguem! — Himegi berrava a plenos pulmões, dando pulinhos. O rosto de Yonagi parecia exausto, por estar tão vermelho, talvez por tentar acompanhar o ritmo acelerado de sua parceira.
Porque vê-las tão entusiasmadas assim me deixou tão acalorado? Nem mesmo estou sendo alvo dos holofotes nessa cavalaria, e ainda por saber que estão me observando essa sensação me animou.
A batalha começou. Decidimos pegar um dos grupos laterais, mas o time de Gotou resolveu nos perseguir. Em poucos segundos, Juugo e Inuzuka travaram uma disputa de braço, enquanto que a cavalaria tentava derrubar uns aos outros com empurrões. Takahashi encarou Gotou de frente, mas ficou óbvia nossa desvantagem.
— Peguem eles! — exclamou Gotou, e rapidamente os dois integrantes do lado dele desfizeram a formação de cavalaria para nos encurralarem pelos flancos.
— O quê?! Como assim? — exclamou Inuzuka.
— Droga! — grunhiu Takahashi.
Os dois livres da formação aproveitaram para tirarem as bandanas de Takahashi e Ota.
— Vamos nos afastar! — berrou Inuzuka. — Se move aí, Kuwasabe!
— Avancem e peguem a bandeira! — proferiu Gotou, e os dois saíram correndo atrás de nós.
Takahashi e Ota tiveram que se retirar de imediato. Tomamos distância do grupo de Gotou e percebi o que havia acontecido: Juugo se apoiou quase que inteiramente nas costas de Gotou. Esse cara é um verdadeiro monstro musculoso.
— O que faremos?! — exclamou Kuwasabe, nervoso. — Não temos como nos manter desse jeito por muito mais tempo!
Subitamente, o grupo de Gotou veio em nossa direção como um trem desgovernado. Se perdêssemos mais alguém usando bandana em nossa formação, seremos desclassificados. Só há uma coisa a se fazer:
— Vamos trabalhar com uma isca. Kusawabe, é com você.
— Eu já fui descartado?!
— Shiroyama, você...!
— Não se preocupe. Ainda podemos ganhar! — Inuzuka se apoiou em mim com Kuwasabe ao nosso lado. — No entanto, seremos apenas uma bomba suicida. Tudo bem por você, certo?
— É, está bom para mim! — Inuzuka grunhiu com um sorriso selvagem. — Podemos até perder esse jogo, mas quero tirar aquela confiança do Gotou de qualquer jeito! É hoje que tiro o sorriso da sua cara!
— Vocês estão me ouvindo?! — Kusawabe continuava gritando, prestes a chorar. — A gente vai morrer!
Cochichei algo no ouvido dele rapidamente.
— Hora de avançar! — gritei, correndo a todos pulmões. Eu não sou muito rápido aos padrões atléticos, mas não estávamos em padrões comuns, para começo de conversa. O ritmo da cavalaria já é bastante lento, então um grupo que contém duas pessoas será mais ágil em se movimentar. A diferença foi basicamente essa.
Avancei carregando Inuzuka nas costas, e logo chamamos atenção do grupo de Gotou, de duas pessoas mais um livre, claramente seguindo a estratégia de nos eliminar desde o começo. Porém, não esperavam se deparar com um aluno surpresa se aproximando do lado oposto.
— Foi mal! — Kusawabe se esbarrou no aluno de trás da formação, empurrando-o com tudo. Os dois se embolaram para tentar pegar a bandana do outro, enquanto Gotou tentou recuperar o equilíbrio e manter Juugo nas costas. Foram alguns segundos de distração, mas rendeu nossa estratégia desesperada.
— Querem nos pegar? Pode deixar que vamos até vocês! — Eu e Inuzuka nos aproximamos e esbarramos em Gotou, ainda com o equilíbrio instável. Inuzuka aproveitou a chance e puxou a bandana da testa de Gotou com toda sua força, fazendo-o grunhir.
— Seu...!
— Hora do troco, seu imbecil! — Inuzuka se apoiou no ombro de Gotou e o usou para se jogar no ar. — Agora, Shiroyama!
Sem ter ninguém sob minhas costas, avancei rapidamente e puxei a camisa de Juugo há apenas alguns centímetros acima de mim, enquanto protegia minha bandana na testa com o outro braço. Por ser o único a estar puxando de um lado só, Juugo se desequilibrou e trouxe Gotou para si, com Inuzuka em cima. Os três caíram de maneira desajeitada.
— CONSEGUI! — Inuzuka perdeu a bandana, mas raptou efetivamente a de Gotou. Aproveitei a queda de Juugo para pegar sua bandana também. Nisso, só restou apenas eu da cavalaria, pois Kuwasabe havia perdido a dele.
Avancei sem hesitar, meu objetivo foi a bandeira do time inimigo.
— Pare aí! — exclamou um dos alunos. — Você não vai conseguir passar por nós quatro!
— E quem disse que quero passar por vocês?
Eles me olharam incrédulos, e não se prepararam no momento em que colidi com dois deles em um salto, derrubando-os. Rapidamente peguei suas bandanas e fui arremessado para longe, tendo perdido a minha.
O professor apitou logo em seguida.
— Fim da partida! Vitória do grupo vermelho!
Caí, exausto. Minhas pernas não se moviam. Foi por muito pouco, mas perdemos. Em meu campo de visão, surgiu Takahashi e Inuzuka aliviados. Os dois me levantaram.
— Vocês são todos malucos... — expressou Takahashi. — Como foram ter uma ideia daquelas?
— Foi tudo ideia do Shiroyama! — disse Inuzuka. — E foi genial. Eu gostei!
— Apenas sugeri para Kusawabe seguir na direção contrária — comentei, dando de ombros. — E eu sabia que Inuzuka poderia competir contra Gotou. Já imaginava que iríamos perder, fomos praticamente suicidas, como disse antes.
— Mas gostei da investida! Aquele imbecil não conseguiu nem reagir de tanta surpresa!
Inuzuka me mostrou o polegar, sorrindo. Ele só quis tirar o Gotou do sério, mesmo...
— Bom, nós perdemos. Mas ainda temos que ver como ficará nossa colocação pelo número de bandanas que pegamos... — explicou Takahashi.
De algum jeito, ele pareceu otimista. Provavelmente por causa da nossa investida idiota que nos rendeu muitos pontos. Me distanciei deles em direção à barraca do spot procurando por alguma garrafa d’água, onde Himegi surgiu carregando uma.
— Parabéns pelo jogo! Apesar de ter perdido...
— Faz parte, acho...
— Me surpreende que não tenha se desconjuntado todo ao ser jogado pela equipe adversária... — Yonagi comentou. — Até que você se move bem pra alguém que parece um zumbi...
— Obrigado... acho? Apesar de ainda parecer um zumbi... nem sei se isso foi mesmo um elogio...
Devo ter excedido o limite físico diário com essa partida, me sinto prestes a murchar. Se eu fosse um meio-ciborgue que se recarrega com Coca-Cola, me recuperaria rapidinho!
Apesar do comentário ter resultado risadas, Yonagi me encarou suavemente com um sorriso infantil.
— Sinceramente, nem parece uma derrota. Vocês se empenharam muito mais que qualquer outra equipe... por mais que pareça ser apagado, ganharam toda a atenção pra si. Parabéns pelo jogo... fico feliz que tenha se divertido.
— Eu... me diverti?
A fitei, sem entender. Involuntariamente toquei no rosto, procurando sinais de que movi músculos faciais sem nem perceber, algo inútil. Isso, todavia, fez Yonagi rir ainda mais.
— Sim, bobão... você se divertiu tirando aquele grupo do sério, que eles nem mesmo comemoraram a vitória. Será que foi realmente uma vitória?
— Ah... há! Há! Parando pra pensar... foi mesmo estranho, não é?
— Tudo o que o Shiro se envolve é bizarro, mas interessante. Foi bom termos vindo ver! — Himegi sorriu, animada.
— Bom... também agradeço por isso — desviei o olhar. — Por terem vindo observar...
Enquanto a conversa continuava, procurei reaver a linha de visão a elas, mas fiquei com a impressão de tentar evitar a vista de Yonagi ou... era ela quem olhava para mim?
***
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