Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 5

Capítulo 4: Começa o Festival Esportivo ②

Restam poucos minutos para o cabo de guerra começar, mas pela programação, as garotas vão primeiro. Decidi chamar Takahashi para irmos ver a disputa, em que Kuwasabe apenas nos acompanhou. O local foi no spot H-20, que se encontrava justamente no meio da pista de atletismo.

Sendo uma atividade em grupo, a pontuação será dada pela vitória de um dos lados. O primeiro ano começou a partida. São três salas contra três salas, e o mesmo ocorreu com o segundo ano. As três partidas vão acontecer ao mesmo tempo como foi com os calouros.

Enquanto assistíamos, Takahashi parecia distraído. Quando fitei a direção para onde olhava, visualizei as alunas do segundo ano se preparando para a sua vez. Ressoava um boato por aí de que ele está interessado em alguém, mas não me parece que esteja agindo de acordo com que Nana tinha dito para mim.

— Qual é mesmo o nome dela? Kumiko, não é?

— Ah... isso mesmo.

— Vocês eram amigos que voltaram a se falar, certo? — indaguei. — Os outros estavam brincando com o quanto está preocupado com ela.

— Hum, Nana e os outros gostam de tentar me provocar, mas não é nada disso... — grunhiu Takahashi.

— Está preocupado com o jogo de basquete por causa dela ou algo do tipo?

— Como assim?

— Você está assustado. Todos do time perceberam durante os dias em que treinamos. Por acaso entrou em alguma aposta em que ela foi envolvida ou que tenha a ver com o Shiroyama?

Takahashi grunhiu, mas sua voz saiu rouca:

— Não sei dos detalhes, mas Kumiko passou a odiá-lo depois de um incidente no começo das aulas do semestre passado. O problema é que não sei se ele pretende fazer algo com ela, pois os dois apostaram neste evento.

— Eles que fizeram a aposta?

— Isso mesmo. Um se subjugará ao outro caso perca. Porém, fui escolhido pelo Shiroyama para o representar, em troca de que iria se dedicar para nos ajudar a sermos reconhecidos. O problema...

Ele se conteve. Dada a aposta, Shiroyama depositou suas esperanças em Takahashi e nele mesmo. De certa forma, é algo que ele mesmo já queria, então não vi isso como algo errado. Porém, o próprio Shiroyama resolveu se dedicar em prol de si, enquanto Takahashi permaneceu perturbado.

— ...o problema foi que Kumiko colocou Gotou para que a representasse. Eu queria que ela desistisse dessa aposta idiota e torcesse por mim, que sou tão próximo.

Fiquei em silêncio, pensando em tudo o que aconteceu durante aquele mês exaustivo. E na determinação que os dois demonstraram nos treinos nesse período inteiro.

— Abra logo o jogo, Takahashi. Esse cara também te causou muitos problemas, certo?

O fitei, decidido. Após a conversa que tive com Shiroyama, tive a certeza de que não devo desconfiar da minha intuição. Se conheço alguém que saiba se dedicar, não hesitarei em saber o que a aflige. Não virarei os olhos para aquele à minha frente.

— ...Gotou é um monstro. Já o conhecia antes mesmo de ter entrado aqui... — começou Takahashi. — Tive um amigo que praticava com ele no fundamental II e simplesmente desistiu de continuar jogando.

— O que aconteceu?

— Meu amigo Hikaru era bastante habilidoso no basquete. Sempre jogávamos juntos, mas Gotou assumiu os holofotes pelo seu jeito de ser e, Hikaru sempre foi meio impaciente... — Takahashi fitou o horizonte. — ...quis tirar satisfação com aquele que roubou a cena e me criticou por não querer o mesmo. Não sou do tipo que quer correr atrás de situações que tenha que depositar todo esforço. Eu sou bom por ser bom, nada mais.

— ...

— E então, Gotou surrou Hikaru a ponto de conseguir amedrontá-lo. Meu amigo parou de participar dos treinos, e depois, da escola. Soube tempos depois que teve de ser internado por crises de ansiedade. Na época, achei que era bobagem por tê-lo intimidado, mas a realidade foi pior do que imaginei... Gotou e seus comparsas o perseguiram e o atacaram severamente.

Isso explica muita coisa. Quer dizer que...

— ...seu medo é ser confrontado por Gotou e não ser deixado em paz até ser perseguido e destroçado.

— Não sei como esse cara conseguiu se manter impune diante de tantos problemas que causou aos outros por todo esse tempo, mas não quero me envolver. Essa intriga entre Shiroyama e Kumiko precisa ter um fim, senão muitos mais pessoas serão pegas nesse fogo cruzado sem sentido...

Assim sendo, ele parou de falar pela nossa atenção se voltar à competição. Logo, a vitória do primeiro ano foi do grupo vermelho. As garotas comemoravam energéticas. Foi uma incrível manobra de virada. Não conhecia ninguém do primeiro ano, então não me importei com que consequências aquilo trará.

Lembrei-me do que Shiroyama me disse. Não o conheço tanto assim para deduzir algo com clareza, mas dificilmente alguém como ele se meteria em um problema tão complexo quanto aquele apenas para querer subjugar outra pessoa.

— Sei que estou sendo apenas um enxerido aqui, e você pode me desconsiderar com o que direi agora..., mas, em muitos casos devemos parar pra observar quem realmente está do nosso lado, dependendo das circunstâncias, e não pelas palavras ditas ao vento.

Assim como incontáveis vezes tive a esperança destruída pelas palavras vazias de um pai que nunca se importou comigo ao querer conviver com ele mais vezes... devemos confiar tão facilmente nos outros? Ao menos, temos que dar espaço para ter certeza de que nossas suposições vão superar as desconfianças.

Foi o que decidi fazer por Shiroyama. Ele me mostrou durante todo esse tempo que suas palavras não foram uma mentira. Se após esse evento decidir retomar o jeito de antes, nada poderá impedi-lo, pois sua promessa não se estendeu para o futuro de sua vida, afinal.

— ...

Agora é a vez do segundo ano. As classes A, C e E vão competir contra as classes B, D e F. Em instantes, identifiquei a garota loira conhecida do Shiroyama. Ela está do lado de Kumiko. Senti meu coração bater mais rápido ao vê-la tão determinada. Nesse momento, consegui compreender o que Takahashi está sentindo, ambos divididos para quem iríamos torcer.

Não ligo que o grupo branco vença, já que não conheço muitas garotas. Mas quero torcer pela garota loira, e subitamente desejei que não fosse ruim se perdêssemos aquela disputa, já que vou me esforçar duas vezes a mais em minhas partidas.

O jogo começou. As garotas imobilizaram-se num impasse. Sob aquele sol escaldante, não vai demorar muito para que um dos lados ceda sua vantagem.

— Meninas, puxem todas juntas ao meu comando! — exclamou Kumiko, ordenando a força motriz em intervalos precisos. — ...agora!

O grupo branco tentou fazer o mesmo, mas a coordenação de Kumiko tomou a dianteira de ter sido montada primeiro, e rapidamente elas conseguiram vencer o páreo. O grupo vermelho teve duas vitórias a uma do grupo branco.

Eu sei que não era legal me sentir aliviado daquele jeito, mas vi que Takahashi se sentiu à mesma maneira. Bom, aquilo não importava. Nós ainda poderemos vencer.

No cabo de guerra dos calouros, o grupo branco venceu. Olhando para eles, parece que todos pareciam ser do primário. A partida terminou mais rápido que o esperado. Agora, é a nossa vez.

— Grupo branco, vamos ordenar a sequência de quem tem menos força pra quem tem mais força! — proferiu Takahashi. — Teremos uma base mais sólida e maior oportunidade de quebrar a formação dos outros!

— Por que isso? — perguntou Kuwasabe.

— É simples. Se colocarmos quem tem mais força na frente, quem estiver no fundo não vai conseguir acompanhar a intensidade — expliquei. — E quem não tem muita força, pode complementar os puxões. É a estratégia perfeita.

Seguindo a lógica, eu e Takahashi ficamos entre os últimos junto com Yotsuka, Kawashita e Jinpei. Kuwasabe, Kikkawa, Totsuro, Noburo, Morita e Hiro ficaram na posição de frente.

Onde estou, não conseguia observar muitos dos alunos do outro lado, mas consegui identificar Gotou e Juugo, outro aluno da classe D. Eles estão seguindo uma estratégia parecida da nossa.

— Mas não vão nos vencer...!

A partida começou, e Takahashi iniciou puxando a corda com toda sua força, em que todos o acompanharam. Os que tinham menos força tinham o papel de conter a investida inimiga. Gotou e os outros ficaram surpresos com a ação de Takahashi, mas logo estavam conseguindo ganhar distância com poucos puxões.

— PUXEM! — exclamou Takahashi, pressionando ainda mais a todos. Assim que puxou a corda, fiz o mesmo com toda força, fazendo com que até mesmo os da frente possem arrastados em nossa direção.

— PUXEM! PUXEM!

Yotsuka gritava junto com Takahashi, e aos poucos conseguíamos aproximá-los do marco central. Mesmo com a presença ameaçadora de Gotou, nós o intimidamos com a força concentrada.

— PUXEM COM MAIS FORÇA, SEUS INSETOS!! — berrou Gotou, enfurecido. Isso, no entanto, gerou o efeito contrário. O aluno do grupo vermelho à nossa frente ficou mais acuado e assustado. Essa foi nossa brecha:

— Até os mais fracos em nosso time têm mais força de vontade do que o mais forte de vocês! — exclamei, pressionando ainda mais a corda com toda a força. — Vocês podem ser os melhores nos esportes, mas não em determinação!

Todos do grupo branco gritaram em uníssono e puxaram de uma única vez, arrastando por completo aquele na frente do grupo vermelho ao marco central. O apito foi soado, a vitória foi nossa.

— OOOOOOOHHHHHH!!!! — Nossa equipe de torcida vibrou com nossa vitória em uma dança coreografada. Cambaleei, aturdido. Não tinha forças nos braços e, mesmo assim, todos vieram me abraçar e me levantaram.

— VIVA O INUZUKA!!!

— Se ainda estavam com toda essa energia, a gente teria vencido sem muito esforço, seus idiotas!! — exclamei, rindo.

Aquela foi nossa segunda vitória em atividade de grupo. Estou completamente exausto, mas feliz.

***

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