Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 5

Capítulo 3: O Verdadeiro Peso Considerado aos Representantes ⑤

No dia seguinte, seguimos na rotina do treino. Porém, com o ritmo do grupo vermelho, nosso time não se encontra em pé de igualdade física. Os jogadores titulares tinham suas habilidades únicas como atletas, então para eles não houve muita diferença.

O que preciso fazer no momento é tomar medidas certeiras. Descobri mais algumas coisas com o passar dos dias naquelas semanas, mas com o festival próximo em duas semanas, não me resta muito tempo para poder agir.

Nessa tarde, tivemos novamente aula de laboratório com Maki. Ela explica as coisas muito bem, e o tempo passou voando com mais uma experiência prática. Quando o sinal tocou e todos foram embora, ela me chamou atenção:

— Eu vejo que você presta muita atenção nas práticas de laboratório. Você gosta de química?

— Não tenho particularmente um gosto pessoal pelas disciplinas, mas não vou negar que acho as experiências muito interessantes.

— Talvez você deva pesquisar mais a respeito, pode ser que tenha uma boa aptidão para o seu futuro.

 — Oh...

Ela se virou para terminar de organizar a sala, mas me aproximei novamente:

— O que foi?

— Não imaginava que estivesse entre os melhores alunos do ranking geral, Rin... — expressei. — Você é realmente alguém incrível.

— Bom, acho que não sou tudo isso... — Ela deu de ombros. — Apenas sou boa no que gosto, acho. Não me compactuo com coisas que sejam chatas, a vida já é incômoda o bastante por causa do convívio com pessoas idiotas. Temos que aproveitar o que nós queremos.

— Bem, a classe C não tem um aluno entre os dez melhores. Fico realmente feliz por poder pedir ajuda para você, se for o caso.

— Oh, pensa em se tornar um dos melhores?

— Bem, você pode dizer isso. No momento, só estou preocupado com o andamento deste festival.

— Você tem um ponto. — Maki estalou a nuca. — Essa ideia toda de competição interclasse é realmente cansativa. A escola deve estar querendo causar algum tipo de revolução entre os melhores alunos do ranking.

— Como assim?

— Esse ranking se manteve o mesmo desde o ano passado. — Ela cruzou os braços. — Por acaso, você é um aluno transferido?

— Isso mesmo. Estive tentando subir de posição durante o último teste especial, mas é realmente difícil manter uma estabilidade no ranking.

— Bem, tem razão. Como ia dizendo, a escola está nos testando. Se os alunos com os melhores rendimentos estiverem em um momento de completa pressão, o que farão? Nós devemos trabalhar de acordo com os estudantes atléticos, evitando de ficar no último lugar. Pode ser possível que o aluno que ficar em último sairá do ranking.

— Isso é realmente chocante, e notei que apesar do grupo branco estar em vantagem, eles provavelmente vão mirar nas classes de baixo rendimento.

— Exatamente. Por isso, minha classe está em perigo. Estou totalmente enrascada! — Maki exasperou. — Não quero ser perturbada por um bando de idiotas!

Compreendo seu desespero de ter a classe como alvo dos outros.

— Imagino que saiba em quais classes estão os outros alunos de destaque, certo? — indaguei. — Fiquei realmente interessado nas aulas de laboratório, e não quero que seja prejudicada por causa deste evento.

— Você... tem algum plano contra o grupo vermelho?

— Nossa própria classe está lidando com alguns problemas com um de nossos inimigos, então seria ótimo se prevenirmos as classes mais problemáticas e focarmos em uma específica para derrubarmos.

Maki suspirou.

— Se o que estiver pensando puder me livrar de ser alvo dos outros, então irei escutar o que tem pra dizer. E claro, vou te ajudar caso queira saber mais sobre química.

Dito isso, nossa conversa dentro do laboratório continuou.

***

Já era meio tarde quando me despedi de Maki, que ao trancar o laboratório, me perguntou:

— Para onde vai agora? Essa direção é do ginásio, não é?

— Ah, eu esqueci uma coisa no vestiário. Até.

O pôr-do-sol decorava os corredores, dando uma sensação solitária pela falta de alunos transeuntes no horário. Enquanto estávamos na aula de laboratório, o time do grupo vermelho de basquete treinava no ginásio. Porém, quando cheguei no local, estava completamente vazio.

Não soube se ainda haverá algum horário de treino depois do estipulado, mas ao menos tudo permaneceu aberto. Coloquei a máscara e adentrei no vestiário para o meu próprio armário, quando escutei o grito de uma garota.

Ela vestia um uniforme de torcida. Possui cabelos castanhos compridos e um olhar assustado como se tivesse visto um fantasma.

— Oh... — murmurei, confuso. — Aqui é... o vestiário masculino, sabe...

— Ah...! É mesmo! Eu me confundi! — A garota sorriu nervosa. — Me... me desculpe, de verdade! Você poderia fingir que nunca me viu aqui, por favor?!

— Eu...

— O que está acontecendo aqui, Yunarashi?!

Antes que pudesse responder, uma voz agitada irrompeu da entrada. Um terceiro aluno apareceu diante nós, trajando o uniforme de basquete, com uma altura estrondosa pela minha estatura. Gotou, o capitão atlético e musculoso do time vermelho de basquete nos encarou sob um olhar ameaçador.

A garota chamada Yunarashi guinchou de pavor.

— De... desculpe, Gotou! Eu já estou saindo daqui!

Gotou grunhiu, nervoso.

— Nunca mais apareça na minha frente, sua imbecil. — Sua voz grossa saiu arrastada, mas foi o suficiente para fazer a garota sair correndo como se tivesse visto um monstro.

Ao menos a reação que teve foi mais tensa do que foi comigo. Viu? Sabia que toda aquela brincadeira no fundamental de ser o Fantasmático era tudo mentira!

No entanto, fiquei sem saber como reagir ao motivo de sua irritação. Por que surgiu tão nervoso assim?

— E você...

Em questão de segundos, aquele cara de 1,90m pairou à minha frente, como uma montanha gigante, exibindo um sorriso assustador.

— Você é do grupo branco, não é? O que não se acovardou quando fomos falar com seu amiguinho pavio-curto. Qual é o seu nome?

— Shiroyama Hideo... você parece ser um atleta incrível como muitos dizem.

— Não se faça de burro. — Gotou ainda sorria. — Não adianta tentar vir me bajular. Sei que era você quem observava nossos treinos de vez em quando. Achou que não fosse perceber?

Ele quis me pressionar. Tive a impressão de que se tentasse correr dali, facilmente me pegaria e acabaria comigo.

— Oh... todos do time falam tanto de você que apenas tive a curiosidade de saber quem era... apenas isso.

— Por ora, vou aceitar essas palavras. — A expressão de Gotou suavizou um pouco. — Poderia te pedir para que não comente do fato de ter visto Yunarashi aqui? Iria pegar mal para uma garota ser vista em um vestiário masculino, certo?

Com aquela expressão, passei a encará-lo.

— Suponho que deva ser sua namorada, então... — disse, tentando manter a calma. — Mas, mesmo que não seja, é um ato nobre pensar algo do tipo com o próximo.

Gotou soltou uma risada.

— É, não gosto desse tipo de situação. Não deixa de ser algo constrangedor para todos, certo?

— Concordo. Apenas vim pegar algo que havia esquecido, poderia me deixar ir com a promessa de que não vi nada demais e que esqueça do fato de estar te observando tanto durante os treinos?

Juntei os braços ao corpo e curvei a cabeça. Esperei pacientemente pela resposta.

— Parece que é alguém de palavra. Vamos esquecer que nos encontramos hoje, algo assim está bom, certo?

— Isso está ótimo. Obrigado pela consideração.

Ele colocou o braço sob meu ombro ao levantar a cabeça, e se aproximou. Seus olhos ameaçadores me encaravam como se estivessem vendo através da minha alma.

— É bom que seja obediente com o que estou pedindo. Não acho que seria divertido para a competição, se o cara que desafiou Kumiko estiver detonado antes do evento começar, não é?

— Para alguém que chuta os próprios aliados se estiverem no seu caminho, até que você sabe lembrar dos nomes dos outros.

— Posso fazer um esforço, se for alguém que vale a pena lembrar. Assim como em recordar de aliados ou quem esteja me desafiando, também. Como é o nome daquela garota estudiosa que é responsável pelo clube de literatura... Yonagi, certo?

Senti um calafrio percorrendo minha espinha. Tentei manter a postura, mas fiquei tenso demais para esconder. Gotou riu e o peso do seu braço sobre meu ombro aumentou.

— O que está insinuando? — indaguei, encarando-o. — A única pessoa que o está desafiando está bem na sua frente.

— Ora, ora. É apenas um simples comentário que fiz... — debochou Gotou. — Além disso, um conselho: é bom guardar mais dessas máscaras, pode acabar precisando.

Ele me largou e foi embora. Fiquei alguns instantes sem me mexer, tentando ainda acreditar se o que vi foi uma assombração ou algo real.

Minha respiração se acalmou. Minha mente ferveu, porém, fiquei cada vez mais convicto de que tenho que manter o plano. Nunca imaginei que pudesse nutrir a vontade de subjugar outra pessoa além de Kumiko.

Bom, tudo tem um começo.

Passei pelo meu vestiário e me esgueirei pelo chão, estendendo o braço para debaixo dos armários, pegando o celular que havia deixado ali. Captei algo bastante interessante ali. Me apressei em sair do local para evitar mais imprevistos.

— Acho que já posso começar a agir a partir daqui.

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