Volume 5
Capítulo 3: O Verdadeiro Peso Considerado aos Representantes ③
Após a saída de mais um treino exaustivo, cruzei a entrada escolar e venci o percurso até o parque Nakatakahama. O recinto condecorado pela iluminação alaranjada do fim de tarde revelou Hiyatetsu Bara próximo ao balanço, portando uma expressão preocupada.
Trocamos informações durante o dia inteiro e, pelo que me foi dito pelo próprio a respeito, não tive escolha senão nos encontrarmos novamente para discutir algo em comum com uma outra pessoa. O terceiro indivíduo se aproximou tão logo cruzei o parque, circundando algumas árvores adjacentes aqui e ali.
Shindo Kurata — o vice-presidente do Conselho Estudantil —, se mostrou diante de nós. O sujeito de cabelo castanho liso com um rosto rígido nos encarou:
— Enfim, pude conhecê-lo. Shiroyama Hideo, certo?
— Só Shiroyama está bom... o prazer é todo meu — apertei seu cumprimento, formalmente. Ao meu lado, Hiyatetsu permaneceu conturbado no balanço. — O que há com ele?
— É sobre isso que viemos conversar — ressaltou Shindo. — Sendo bem sincero, desde que nos causou tantos problemas quando ingressou na Daiichi ao Conselho Estudantil, fiquei me perguntando se alguém tão problemático seria expulso ainda nas avaliações...
Devido a antiga existência do clube de jornalismo, tive a incumbência de ajudar Yonagi contra a artimanha de Kumiko e seu grupo. Apesar de já ter se passado seis meses desde essa ocorrência, não posso culpá-lo de pensar a respeito sobre mim — coisa que a própria presidente Kiboumori Suzune me indagou, também...
Shindo é um veterano assim como ela, Senjou Hana e Kirisaki. O próprio aparenta ser bem reservado pela forma como age e caminha, pode ser igualmente devido às suas expressões firmes, que só ficam atrás de Kiboumori. Por ser amigo de Hiyatetsu, foi o único que o apoiou após ter sido exonerado do Conselho. Aparentemente, estão agindo por trás das reuniões oficiais em meu auxílio de investigar as ações de Kumiko.
— Não se preocupe com formalidades, acredito que já deva saber de nossos interesses em comum pelo Hiyatetsu...
— Sim, ele sabe. Shindo é a pessoa que mais confio nessa escola inteira... — O antigo secretário se levantou do balanço, finalmente se manifestando. — Pode até ser uma surpresa, mas as informações que temos são da própria presidente Kiboumori.
— Dela? Como assim? — indaguei, surpreso.
— É exatamente o que ele disse. Ela está nos ajudando, apesar de estarmos em lados opostos... — Shindo deu de ombros.
— Espera... vocês são de classes diferentes?
— Tanto eu, quanto Kiboumori somos os representantes de nossas classes — explicou o vice-presidente. — Presenciamos várias classes se desfazendo nesses três anos, portanto construímos uma relação de cooperação para que todos nossos colegas possam se formar sem passar por problemas.
Bem que achei demais haver apenas duas classes no terceiro ano. Se é uma regra dessa escola iniciar novos anos letivos com seis classes no total, então vários estudantes foram expulsos em muito pouco tempo... isso é surreal, e assustador.
— Pessoalmente, desejo ter o retorno de Hiyatetsu de volta ao Conselho por ser meu braço direito... — expressou o veterano. — Mas, já deve estar ciente que Kumiko Horie trouxe ao grupo seu colega Todo Himura para o cargo vago de secretário.
Visto o tamanho da influência que essa garota ardilosa adquiriu no pouco tempo que assumiu o cargo, percebo que até mesmo Kiboumori se vê com dificuldades de conseguir tomar decisões propriamente. O corpo de cascavel de Kumiko está estrangulando vagarosamente o cerco desse Conselho com cada vez mais eficácia.
— ...e por isso, querem alguém que possa gerar ideias que a desbanque... — proferi. — É isso o que desejam, certo?
— Bom, é por aí... — expressou Hiyatetsu. — E aqui entra o que queremos saber de você. Desde que nos entendemos, pediu pra que fique de olho nela... já sabe das circunstâncias que entramos, não é?
Antes das férias de verão, ele me informou que Kumiko estava agindo de maneira estranha. Colocando em questão seu movimento de ingressar Himura em seu poderio e do andamento de nosso acordo, a única coisa que posso deduzir...
— ...ela passou a agir mais ardilosamente antes das férias começarem para planejar seus próximos movimentos com segurança. Ao meu ver, observarmos a presença de Himura ofusca suas verdadeiras intenções como resposta. Não devemos deixar isso passar despercebido.
— E o fato dela estar querendo te eliminar se tornou um mero motivo pra agir dessa forma? — indagou Shindo. — Agora entendo que ela não deve ser subestimada... já soube de antemão que você é esperto, mas entender sua análise pessoalmente me deixou surpreso, de verdade.
Assenti, sem querer dar crédito.
— Entendi, entendi. Mas o que está me encucando nesse momento é... por quê investigar a supervisora, também? O que ela tem a ver com essa história?
Os fatores internos da fonte de nossos problemas já se mostram complexos o suficiente para termos de discutir nossas ações, imagino que acrescentar um fato externo possa parecer querer andar em círculos com preocupações extras...
Crucialmente, devo distanciar suas desconfianças de tal interesse partir de motivos pessoais. Controlar o fluxo de informações a aliados em momentos decisivos garantem sua credibilidade e liberdade nas decisões.
— A julgar pela influência de Kumiko, não temos como saber se a supervisora tenha se aliado à sua causa, também. Veja, soube que foi a própria Mitsuhara Kobune que autorizou a criação do clube de jornalismo, simplesmente não temos como confiar em alguém que a colaborou no passado, certo?
— Vendo por esse ângulo, faz sentido. — Shindo coçou o queixo. — A supervisora realmente se mostrou à parte dos assuntos gerais da escola, mas do nada resolveu interagir bastante. Ficar de olho em seus movimentos pode ser importante.
— Oh, se é isso o que acha... não vou me opor...
Retirando a insegurança de Hiyatetsu e tendo a cooperatividade de Shindo, poderei saber mais a respeito das informações que circulam entre os membros do Conselho — visto que Hiyatetsu poderia vir me investigar se fosse movido pela desconfiança — e da supervisora. Não confio em você, Mitsuhara Kobune. Certamente, encontrarei alguma brecha para jogá-la contra a parede em algum momento.
O clima melancólico do pôr-do-sol trouxe uma brisa gelada vinda do anúncio da noite. Usá-los como mais do que informantes não me cabe o direito, portanto agir dentro dos conformes deve acalmar seus nervos.
— Ah, Shiroyama... — Hiyatetsu se virou a mim. — Sobre a escola Jimbocchi...
— Hum? O que isso tem a ver? — questionou Shindo.
— Não é nada importante, na verdade... — suspirei. — Foi apenas uma dúvida que tive em determinado momento sobre algo que aconteceu durante o interescolar, sabe...
— Oh, sim! Agora que falaram... esse incidente do interescolar deixou o diretor Fubuki furioso! A escola Kanryou está até agora tentando juntar provas de que seus estudantes não tiveram envolvimento com os vândalos...
Ao sentir novamente aquela brisa gelada percorrer meu corpo, fitei o horário no celular e decidi que era a hora propícia de me retirar. Todavia, esse último comentário de Shindo trouxe mais importância do que sequer pude cogitar em receber.
— Se é assim o caso... deixe isso de lado, Shiroyama. — Hiyatetsu exalou, aliviado. — Se os diretores estão tomando as devidas medidas, então não temos com o que nos preocuparmos!
— Aceitarei seu conselho... — acenei. — Bom, preciso ir agora... conto com o apoio de vocês daqui em diante.
Cerca de quinze minutos depois, me encontro na estação Makuharicho em direção à Kawasaki. Após uma hora de viagem atravessando Funabashi, Akihabara e Edogawa, cheguei na estação de Shinjuku. Nela, peguei a linha expressa Odawara, passando rapidamente pelas estações de Yoyogi-Uehara, Shimo-Kitazawa e Noborito em apenas meia hora até Shin-Yurigaoka para a baldeação com a estação Satsukidai.
Kawasaki é a segunda maior cidade do distrito de Kanagawa, perdendo apenas para Yokohama. Sua localização é à direita do rio Tama, que desagua na baía de Tokyo. É bastante conhecido pelos seus campos de atletismo, futebol e basebol. Há uma grande quantidade de pontos turísticos e templos em seu meio, como o Museu Fujiko F. Fujio — também conhecido como museu Doraemon! — e parques, em geral.
Após essas duas horas de viagem, passei pelo parque Kitahira constando 19h30m. Com a presença da noite, a cautela precisa ser redobrada, apesar de ter frequentado essa região durante um bom tempo. Não tive problemas de me perder durante o caminho até a escola Jimbocchi, no entanto.
Mesmo com a suposta preocupação de Hiyatetsu, não vejo razões para recuar nessa investigação criada pelos meus motivos. Me deparei com as colinas Tama usuais — que consistem grande parte das zonas residenciais para viajantes de Tokyo à Yokohama — da qual a escola se instala, assim como o hospital Kawasaki Denentoshi. O local em si detém de algumas clínicas e assistências médicas, imagina a quão extensa é sua localização. Caminhei sorrateiro, escalando o declive asfaltado, passando por campinhos e vagas de estacionamento. Em seu auge, avistei o prédio escolar que me foi tanto conhecido.
Já passando das 20hrs, cheguei no destino. O coletivo de prédios é rodeado por cercas gradeadas e por entre as árvores de folhas secas que circundam o recinto há poucos carros estacionados. Me movi praticamente por impulso até ali, mas por deter de poucas pistas concretas, fui instigado pela procura de qualquer coisa que me deixasse interessado. Após contornar o perímetro durante alguns minutos, notei o quão precipitado fui. Não há nada aqui.
Possuo várias memórias desse lugar, e muitas nada agradáveis. A única coisa que se passou pela mente foi essa enxurrada de lembranças indesejáveis. Devido ao tempo escasso, não tenho como pensar em nada mais... inventei uma desculpa para minha mãe de que fiquei no treino até mais tarde. Porém, excedi esse tempo mais que o esperado.
Entretanto, antes que pudesse retomar o caminho inverso, ouvi vozes se aproximando de onde estou pelo perímetro escolar. Há mais gente rondando o lugar?
Me agachei atrás de algumas árvores próximas e aguardei o tempo passar, assim como a expectativa de que estivesse na pista certa e tenha somente me iludido..., mas, o destino realmente gosta de me surpreender quando não espero nada.
— Se liga...! Vê se não vai enrolar com isso!
Um cara grunhia para outro. Era escuro demais para distinguir seus rostos, no entanto, sua voz me foi familiar o suficiente de desconfiar que fosse qualquer pessoa passando ali. Fiquei em alerta, atento em seus movimentos para não ser visto. O anoitecer dificultou a visibilidade sem a luz do luar e, para meu infortúnio, o celular tocou.
— Ué? Tem alguém aqui? Não estou vendo ninguém... — A mesma voz circundou os arredores, surpreso. — Ei! Quem está aí escondido?!
Encolhi na delimitação de um banco de concreto debaixo da árvore mais próxima e tentei conter o barulho das notificações. Ouvi passos que se aproximaram, mas permaneci imóvel. Até que os estranhos se afastassem dali sem terem me encontrado. Suspirei aliviado.
Foram mensagens de Inuzuka que recebi. Parece que ficou irritado por não ter comparecido ao treino noturno... quase que meu coração saiu pela boca!
Saí do esconderijo improvisado e fitei as figuras ali se afastando colina abaixo. No entanto, chutei algo ao me mover e peguei o objeto duvidoso em minhas mãos. Rapidamente tive várias deduções a partir da voz conhecida e do item obtido. O guardei na mochila cuidadosamente como uma pista valiosa.
Agora mais calmo, retomei o fôlego e observei as grades que circundam o prédio escolar diante de mim. Como devo prosseguir?
De repente, um dos portões de grade se abre perto de onde estou e um senhor sai do perímetro interno. Dessa distância, pude distinguir a silhueta do diretor Fubuki indo em direção ao seu carro junto com alguns policiais, em que ao fundo visualizei viaturas mais afastadas do local. Não foi brincadeira o que Shindo disse sobre os responsáveis pelas instituições estarem buscando provas e informações sobre o ocorrido do interescolar.
Sim... se tivesse sido um qualquer que foi apenas pego no olho do furacão nesse problema, seguiria o conselho de Hiyatetsu sem nem pensar duas vezes. A questão, é que o fato de Kishibe Oguro ter sido quem orquestrou o ataque em Yokohama e ex-aluno da Daiichi não me fez acreditar que fosse tudo uma mera coincidência.
Me aproximei do carro do diretor sem ser visto, por ele estar conversando no celular com alguém... com os policiais distantes, consegui escutar algo sem o preocupar dos arredores:
— ...foi o que falei com os diretores, Mitsuhara. Sim, sim. Já repassei os dados para Madarame os analisar. Sua suposição esteve certa, mesmo...
Convicto, tomei distância a passos leves e ganhei velocidade ao descer a extensa colina. Usando de minha memória para seguir o caminho inverso no modo automático, enquanto minha mente se revira em um turbilhão de pensamentos.
***
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